Sábado, Dezembro 05, 2009

A Reserva Naval em Angola - DFE 6, 1973 / 75 (Parte I)

Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 6 (os Tubarões)
Angola, 1973/75 – parte I


O DFE-6 é reactivado e começa a ser organizado durante o primeiro semestre de 1973, na então Força de Fuzileiros do Continente, na Base Naval do Alfeite, local onde eram activadas e desactivadas as unidades de Fuzileiros que partiam ou regressavam do Ultramar.

Foi nomeado como seu comandante o 1TEN EMQ José Manuel Correia Graça e imediato o STEN FZE RN Sérgio Tavares de Almeida, pertencente ao 20.º CFORN (também conhecido, entre o pessoal por “negativo camarada”, pela forma como habitualmente respondia aos pedidos menos ortodoxos dos elementos do Destacamento).

Como 3.º e 4.º oficiais foram nomeados, respectivamente, os STEN FZE RN Jorge Manuel de Pina Paiva e Pona Franco e STEN FZE RN José António Ruivo, pertencentes ao 21.º CFORN e que tinham acabado de frequentar, em finais de Março, o respectivo curso de Fuzileiro Especial.



Em cima, os oficiais do DFE 6, Correia Graça, Paiva e Pona, um oficial do Exército da Companhia de Lumbala, José Ruivo, o oficial Comandante da Companhia de Lumbala e Sérgio Almeida e, em baixo, Sérgio Almeida, Paiva e Pona, José Ruivo, oficiais do DFE 6 e ainda Alberto Cavaco do pelotão de apoio da CF 1.



Constituído o Destacamento, embarca para Luanda a 10 de Outubro de 1973, a bordo de um dos dois aviões Boing 707 de que a Força Aérea Portuguesa na altura dispunha. Uma vez em Luanda, o Destacamento fica instalado no aquartelamento de Belas, nos arredores da cidade.



Em cima, vista da cidade de Luanda e, em baixo, um pormenor da messe de Belas, nos arredores da cidade.



O Imediato (Sérgio Almeida) e o 3.º oficial (Paiva e Pona), juntamente com metade da Unidade, seguem de imediato para o Chilombo, no Leste de Angola (saliente do Cazombo), onde iriam render o DFE-10, na altura sob o comando do 1.º Ten FZE RN António João Carreiro e Silva, pertencente ao 9.º CFORN.

A viagem foi feita num avião Noratlas da FAP até à Lumbala e depois em coluna de viaturas, num percurso de cerca de 30 kms, até ao aquartelamento do Chilombo. O Comandante e o 4.º oficial (José Ruivo), seguem com o resto da Unidade 15 dias depois, tendo efectuado o mesmo percurso.

A Lumbala foi o primeiro local de estacionamento de Fuzileiros no rio Zambeze, Leste de Angola. Mais tarde esse local foi ocupado pelo Exército, tendo os DFE’s passado a ocupar o Chilombo.



Em cima, o avião Noratlas na pista da Lumbala e, em baixo, um deslocamento em viaturas da Lumbala para o Chilombo.



A razão da presença de Destacamentos de Fuzileiros Especiais naquela região, prendia-se com a necessidade de patrulhar o rio Zambeze e seus afluentes, numa tentativa de evitar a infiltração de elementos do MPLA, provenientes da Zâmbia, país onde tinham os seus santuários.

O aquartelamento do Chilombo ficava ao lado da aldeia (kimbo), com o mesmo nome, resultante da política de reagrupamento da população para efeitos de controlo, de modo a retirar ao inimigo essa vantagem.



Em cima, o aquartelamento do Chilombo junto ao rio Zambeze, vendo-se a LDP 208 em seco e, em baixo, uma festa “ronco”, na aldeia do Chilombo.



Um pouco mais para Sudoeste era zona de actuação da UNITA, zona onde se encontrava outro Destacamento de Fuzileiros Especiais, no rio Lungué-Bungo.
O rio Zambeze atravessa o saliente do Cazombo, de Norte para Sul, passando depois pela Zâmbia, antes de entrar em Moçambique, desaguando no Oceano Índico.



Em cima, o mapa do saliente do Cazombo e, em baixo, o rio Zambeze próximo do Chilombo.



Dois dos principais afluentes do rio Zambeze na região são o rio Luena e o Chifumage, que serviam igualmente como importantes vias de penetração de guerrilheiros. Durante boa parte do ano, correspondendo à época das chuvas, estes rios eram navegáveis pelos botes.

Foi numa das muitas curvas do rio Chifumage que, em 1968, uma patrulha de botes do DFE-2 sofreu forte emboscada a partir da margem, tendo resultado dois mortos. O STEN FZE RN João Manuel Sarmento Coelho, pertencente ao 10.º CFORN, foi gravemente ferido, atingido com mais de uma dúzia de tiros, tendo recuperado dos ferimentos.



O rio Luena, afluente do Zambeze, na época das chuvas.

A navegabilidade do Zambeze estava muito dependente da época do ano. Durante 6 a 8 meses, correspondendo à época das chuvas, era navegável quer pelos botes quer pela Lancha de Desembarque Pequena, LDP-208, atribuída em permanência ao Chilombo. Estes eram os principais meios de deslocamento, quer para o lançamento de operações quer para o reabastecimento do DFE (que se efectuava a partir da Lumbala, situada 30 km a jusante e guarnecida por uma companhia de caçadores do Exército).



Em cima, a LDP 208 a navegar no rio Zambeze e, em baixo, uma patrulha de botes no mesmo rio.



Durante mais 2 meses era ainda possível navegar com relativa facilidade com os botes (existiam dois modelos: pneumáticos “Zebro III” e de fibra, os “marujos”). Durante os meses restantes, correspondentes ao pico da época seca, eram difíceis as deslocações pelo rio, mesmo para os botes.

Nessa altura os deslocamentos, quer para o lançamento de operações quer para reabastecimento a partir da Lumbala, eram feitos essencialmente por coluna de viaturas, ficando então o pessoal mais exposto ao problema das minas (na época a principal actividade inimiga).

Durante uma operação na região Sul do saliente do Cazombo, já bastante próximo da fronteira com a Zâmbia, o pessoal do DFE caiu num campo minado, tendo o 1GRT FZE António Paulino Friezas, o “gago”, accionado uma mina anti-pessoal de que resultou a amputação de uma perna.



O Marinheiro Friezas (em primeiro plano), em patrulha no rio Zambeze.

Durante o deslocamento em viaturas, para o lançamento de uma patrulha na zona da Mata do rio Matoche, a viatura em que seguia o STEN FZE RN Paiva e Pona accionou uma mina anti-carro, de que resultou a morte do condutor, Mar FZ Belo, o “cowboy”, e ferimentos ligeiros no oficial.

Foi também num deslocamento à Lumbala em coluna de viaturas, para reabastecimento, que em Junho de 1973 (4 meses antes da chegada do DFE-6), se deu a emboscada que vitimou o STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, do 18.º CFORN, o único oficial da Marinha morto em combate durante a guerra colonial.



Viaturas na zona da emboscada à coluna do STEN FZ RN António Piteira.

José António Ruivo
21.º CFORN


(continua)

Fontes:
Texto e imagens de José António Ruivo - 21.º CFORN.


mls

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Galeria Reserva Naval (3)

Comandante Artur Manuel Coral Costa
(1924-2003)




O Comandante Artur Manuel Coral Costa, nasceu em 9 de Julho de 1924, e alistou-se na Armada em 6 de Setembro de 1943.
Frequentou a Faculdade de Ciências de Lisboa (1942/1943), pertenceu ao curso “D. João I” da Escola Naval que completou em 1946 e, em 1948/1949, tirou o curso de especialização em Artilharia (A), na Escola de Artilharia Naval.
Continuou a sua formação, frequentando o curso de Defesa Atómica, Biológica, Química e Limitação de Avarias (ABCD), em Inglaterra, no ano de 1954. Cursou ainda, nos Estados Unidos da América, em 1955/56, o aperfeiçoamento em Artilharia Antiaérea (AA).
Em 1962/63, frequentou o Curso Geral Naval de Guerra (CGNG), voltando a Inglaterra em 1974 para a frequência do Naval Tactical Course (TN/CI).
Foi Oficial de guarnição e Oficial Imediato de várias Unidades Navais, Instrutor da Escola de Artilharia Naval (1954/56), integrou a Missão de Recepção das Fragatas da “Classe Diogo Cão”, nos Estados Unidos da América (1956/57), organizou e foi Director dos Cursos de Formação dos Oficiais da Reserva Naval (1958/1960), pertenceu ao Estado Maior da Armada (1963/67) e esteve na Embaixada de Portugal em Madrid, como Adido Naval (1970/73).
Foi Comandante dos seguintes Navios e Unidades: LFP “Altair” (1948), navio-patrulha “Santo Antão” (1960/63), corveta “Cacheu” (1967/69), fragata “Magalhães Corrêa” (1973/75), Instalações Navais de Alcântara (1976/80).
Promovido ao posto de Capitão de Mar-e-Guerra em 2 de Setembro de 1974.
O Comandante Artur Manuel Coral Costa foi condecorado com a Medalha Militar de Prata de Serviços Distintos, Medalha Militar de Mérito Militar de 2ª classe, Medalha Militar de Ouro de Comportamento Exemplar, Comenda da Ordem Militar de Aviz, Medalha Comemorativa das Expedições das Forças Armadas (legenda Cabo Verde 1967/69), Medalha de Prata Comemorativa de V Centenário da Morte do Infante D. Henrique e Medalha de Mérito Naval de Espanha, de 1ª Classe, com Distintivo Branco.


A evocação do comandante Artur Manuel Coral Costa, nesta “Galeria”, não é um mero acto de retórica por nele se corporizar a História da Reserva Naval. Como Director de Instrução do 1.º CEORN, em 1958 e, no ano seguinte, do 2.º, foi vigilante atento das matérias ministradas nos cursos, na sequência da tarefa de que fora incumbido superiormente. Foi ainda o comandante Coral Costa que acompanhou o 5.º CEORN na sua viagem de instrução, substituindo o Director de instrução daquele curso, entretanto destacado para outra missão.

Foi o próprio comandante Coral Costa que, em entrevista recolhida para a Revista da AORN, em 1997, relatou a forma como recebeu essa missão revelando dados históricos a propósito do início da Reserva Naval:

“Na altura, os Quadros normais da Marinha não previam operações de guerra nas Províncias Ultramarinas. Isto quer dizer que qualquer oficial que destacava para Angola, Moçambique ou Guiné, era desligado do Quadro. Desta forma, dava-se uma consequente redução dos efectivos no Continente, com as evidentes dificuldades de preencher os lugares e posições que ficavam vagas.
O único pessoal que não desligava era o dos navios e dos Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros, Todos os outros, pertencendo a Governos de Província, Comandos Navais, Comandos de Defesa Marítima, Capitanias de Portos, entre outros, eram desligados do Quadro.

Como se depreende, não havia Quadros de Oficiais para as necessidades exigidas por três fresntes de combate. Esta situação veio a verificar-se alguns anos mais tarde, mais precisamente três anos após a entrada, em 1958, do 1.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, podendo considerar-se a decisão de iniciar estes cursos como uma antecipação, ou previsão, de situações e cenários que vieram a ser realidade.

Estava eu a bordo da fragata “Diogo Gomes”, como oficial Imediato; recebi, através do respectivo Comandante Basílio de Sousa Pinto, a indicação de que o Almirante Quintanilha me queria falar. Conhecia o Almirante Fernando Quintanilha desde a viagem do aviso “Bartolomeu Dias” às comemorações da coroação da Raínha Isabel II de Inglaterra. Ele era então o comandante desse navio e eu o oficial chefe do Serviço de Artilharia.



No decorrer da entrevista, o Comandante Coral Costa, explica a Manuel Torres do 8.º CEORN as diferentes fases de criação da Reserva Naval.

Mas não fazia a mais pequena ideia de qual seria o assunto sobre o qual ele me quereria falar.

Dirigi-me ao Gabinete do Almirante Quintanilha, apresentei os normais cumprimentos e, com o feitio que se lhe conhecia, não perdeu tempo com grandes explicações. Deu um murro na mesa e disse-me: – Coral, vamos começar com a Reserva Naval!

Percebi então que qualquer pergunta que fizesse seria absolutamente extemporânea. E disse: Pois sim, senhor Almirante. E terminou ali a conversa.

Quando cheguei ao corredor, disse para comigo: O que será isto? Onde é que hei-de ir?

E dirigi-me, penso, ao sítio certo. Na 1.ª Divisão do Estado-Maior da Armada estava então o Comandante Manuel Pereira Crespo, futuro Ministro, que uma pessoa que remodelou a Marinha em muitos aspectos,, grande valor, CMG na altura e muito meu amigo. Expliquei-lhe a situação e recebi algumas preciosas directivas.

Passaram-me para a Escola Naval, mas era em casa que trabalhava no assunto, dia e noite. Tinha um mês para fazer o trabalho.

Eu já tinha estado no estrangeiro, sabia mais ou menos os planos de um curso desta natureza, o tempo que se leva a falar de certas matérias, de alguns pormenores importantes e acabei por fazer o Plano de Curso.

Evidentemente que tive de recorrer a camaradas que me ajudaram em períodos muito especiais, como foi o caso da Navegação, em que foi fundamental o apoio do comandante Pinheiro de Azevedo. Era, aliás, uma matéria que ninguém acreditava fosse possível ensinar em tão pouco tempo.
Refiro aqui outras colaborações que me foram dadas. Para as matérias de Máquinas recorri ao Eng.º Vila Real, também formado pelo Instituto Superior Técnico. Nas matérias de Luta Anti-Submarina, ao tenente Virgílio de Carvalho; para as Comunicações, ao tenente Paulo Manuel Guerra Corujo; para as Informações de Combate, ao tenente João Encarnação Simões e para Administração Naval, aos tenentes Alfredo de Oliveira e Carlos Pereira de Oliveira.

Feito este estudo, extrapolei para seis meses, nem mais um dia. No total um ano e meio de serviço. Toda a gente concordou e começámos.


Na mesma entrevista, foram expostas também as razões porque o comandante Coral Costa decidiu oferecer à Associação dos Oficiais da Reserva Naval o seu valioso espólio, constituído por uma biblioteca de várias centenas de livros, nos quais se incluem, encadernados, todos os números da Revista de Marinha, as suas fardas de gala e a número três e ainda todas as condecorações descritas na sua biografia, tal como a sua espada pessoal.



A espada, medalhas e condecorações do Comandante Coral Costa, cedidas para guarda da Associação dos Oficiais da Reserva Naval.

“Ao longo da minha vida e pelo curriculum que vos mostrei, conclui-se que mais de metade do tempo passei-o a bordo. Mais do que em casa. Penso que as minhas coisas, relacionadas com a vida de Marinha, não irão ter continuidade.

Os livros que fui comprando, para os ler mais tarde quando houvesse mais tempo, terão possivelmente o destino da Feira da Ladra. Tudo são bocadinhos meus. Pensar que tudo iria, talvez, ser vendido a peso, era de facto um desgosto enorme. Numa Biblioteca Nacional de Marinha iria passar despercebido. Num Museu, igual.

Eu tenho esperança que na vossa Associação, serão de facto apreciados. Com outra curiosidade, até porque de entre estes livros há alguns que são realmente bastante bons”.


Estas confissões do comandante Coral Costa, na sequência da sua decisão de tornar depositária do seu espólio a Associação dos Oficiais da Reserva Naval, representada na AORN, conhecedor do projecto de instauração de um Museu materializando a sua História, foram prova da máxima simpatia e amizade que a ela dedicou desde sempre, e que deveriam conciencializar a Associação para a responsabilidade que o acto representou.

O Capitão de Mar-e-Guerra Artur Manuel Coral Costa, em 15 de Janeiro de 1998 teve oportunidade de se reunir num almoço, no Clube Militar Naval, com oficiais da Reserva Naval que pertenceram ao 1.º e 2.º CEORN’s.



Andrade Neves - 2º CEORN, J. de Almeida Rezende, M. Andrade Neves,
J. Cavalleri Martinho e M. Paiva Pinto, todos do 1º CEORN, com o Comandante Coral Costa.


Director de Instrução destes dois cursos, decorridos 40 anos desde o seu primeiro encontro, foi nesta data reactivada a ligação ao passado através de João de Almeida Resende, Manuel Andrade Neves, José Cavalleri Martinho e Manuel Paiva Pinto do 1.º curso e António Andrade Neves do 2.º, num acto de extrema simpatia e amizade.

Quem teve o privilégio de conhecer o Comandante Artur Manuel Coral Costa, ao longo da sua vida activa de Marinha ou, já retirado, mantendo as suas ligações em religiosas deslocações ao Clube Militar Naval para almoços com amigos, guarda a imagem de um grande Senhor, não só como profundo conhecedor da história da Reserva Naval, mas também no orgulho que deixava transparecer por ter deixado o seu nome pessoal ligado ao êxito que da sua criação e implementação, na Armada, resultou.

Fontes:
Texto de José Pires de Lima, 4.º CEORN e Manuel Lema Santos, 8.º CEORN; Revista da Associação dos Oficiais da Reserva Naval n.º 5 - Jul/Set 1997; fotos de arquivo do autor do blogue.


mls

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Angola, 2 de Junho 1973 - A Morte na Picada do Chilombo para Lumbala

Uma coluna auto, do Destacamento de Marinha do Zambeze, emboscada na picada de Chilombo para Lumbala.

Resultado: 4 mortos e 1 ferido grave.





Em cima, vista aérea do aquartelamento do Chilombo, junto ao rio Zambeze e, em baixo, a perspectiva do aquartelamento, da margem oposta do rio.



Em 2 de Junho de 1973, após a formatura de serviço, foram preparadas duas viaturas, uma Mercedes e um Unimog, para seguir para a Lumbala, com uma escolta de uma secção comandada por um sargento.



Em cima, um posto de observação guarnecido com metralhadora Oerlinkon, de 20 mm e, em baixo, podem observar-se os tejadilhos das cabines das viaturas Mercedes retirados, para minorar o efeito das minas.



Não tendo aquele percurso sido sujeito a qualquer emboscada inimiga desde o início da comissão da unidade, na escolta das colunas, era mantido o efectivo de uma secção com LGF e MG-42.

A regularidade da coluna tinha por objectivo levar e trazer o correio, de e para a unidade, aproveitando para o efeito um táxi aéreo fretado pela JATA que, todos os Sábados, escalava Lumbala.



Em cima, a Picada do Chilombo para Lumbala e, em baixo, a LDP 208 varada na margem do rio, junto ao aquartelamento, durante a estação seca. A lancha era utilizada para a realização de operações e reabastecimento logístico.



Em serviço, seguia também na viatura o STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira e era acompanhado pelo Sr. Medeiros, instrutor da Auto-Eunice do Luso que necessitava levar documentação para seguir para o Luso, referente aos elementos da unidade que pretendiam tirar as cartas de condução.

Como habitualmente, seguia também na coluna um moço de botica, com bolsa de primeiros socorros e um operador com um rádio RACCAL TR-28A, tendo a coluna deixado a unidade às 07:55.

A cerca de oito quilómetros e meio do aquartelamento, o Unimog imobilizou-se, devido a um furo. A viatura da frente, a Mercedes, devido à nuvem de poeira levantada pelos rodados, não se apercebeu do facto, tendo continuado isolada e, cerca de quilómetro a quilómetro e meio à frente, caiu numa emboscada.

Tinham decorrido escassos minutos desde imobilização do Unimog, e ainda o condutor tentava mudar o pneu quando, mais adiante, se ouviram rebentamentos e tiros. O sargento que seguia nesta viatura e que transportava consigo o rádio, contactou imediatamente o Chilombo, informando do sucedido enquanto eram feitos todos os esforços para concluir a mudança da roda e seguirem em socorro do pessoal da Mercedes.

A distância entre as viaturas, a ser percorrida a pé, ocasionaria grande demora e, por outro lado, deficiências no equipamento de elevação do Unimog, associado a grande nervosismo, não permitiu concluir nos minutos seguintes a operação com sucesso, enquanto passavam pelo veículo imobilizado os primeiros reforços, a caminho do local provável do ataque.

Esta coluna de reforço, integrando duas outras viaturas, comandada por um oficial, foi mandada sair cerca das 08:10, depois de serem ouvidos, para sul do aquartelamento, rebentamentos e disparos de armas com grande intensidade.

Mais tarde, colhidas informações dos sobreviventes da Mercedes atacada, foi possível reconstituir, aproximadamente, os acontecimentos ocorridos, entre a hora de saída do aquartelamento e a altura da emboscada e que a seguir se reproduzem.

Num local habilmente escolhido pelo inimigo, foram abertos abrigos em meia-lua dos dois lados da picada. Por detrás deles, uma extensa floresta possibilitava uma retirada segura e, à frente, uma enorme “chana” dificultava o abrigo do pessoal das viaturas.

As bermas da picada, na “zona da morte” foram armadilhadas com cargas de trotil – foram retirados 23 kgs. – a serem accionadas por detonadores eléctricos. Por motivos que se desconhecem, provavelmente retirada precipitada, os detonadores não foram accionados à distância, evitando uma verdadeira chacina.



Cabina da viatura emboscada, sendo visíveis os efeitos dos impates dos tiros e, do lado esquerdo, os danos provocados pelo armamento inimigo.

A viatura Mercedes, ao abrandar numa cova do piso, foi simultaneamente atingida na cabine e no motor, com uma munição de morteiro 60 mm e um projéctil de LGF de 37 mm. Logo nessa altura, previsivelmente, os três ocupantes da cabine, os STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, Mar FZE 771/68 António Cardoso Saraiva e o Sr. Medeiros, terão sido mortalmente atingidos, uma vez que a cabina e toda a parte dianteira da viatura se reduziram a uma amálgama de ferros torcidos e chapas esventradas.

Os três elementos que seguiam na caixa, os Mar FZE 717/70 João Gonçalves Nunes Pereira, Mar FZE 1214/70 Henrique Manuel Pais Fernandes e o Mar FZE 451/70 Rogério Fernandes Martins, logo que a viatura foi atingida e resvalou para a berma direita, tentaram saltar para esse mesmo lado.

O Mar FZE 717/70 João Pereira foi mortalmente atingido na cabeça, tendo ficado prostrado, agonizante, junto à viatura. O Mar 1214/70 Henrique Fernandes, que transportava a MG-42, foi ferido numa perna e o Mar FZE FZE 451/70 Rogério Martins saltou da viatura e abrigou-se na berma. Narra este último que, ao saltar para o solo, as explosões de morteiro e LGF eram contínuas, intervaladas com rajadas de metralhadoras. Tentou aproximar-se do camarada Mar FZE 717/70 João Pereira que ainda dava alguns sinais de vida mas expirou pouco depois.

Narrou ainda que, em seguida, se aproximou do outro camarada ferido, o Mar FZE 1214/70 Henrique Fernandes, que sangrava abundantemente duma perna e já tinha largado a MG-42. Não vendo quaisquer sinais de vida no local e continuando o fogo cerrado do inimigo decidiu transportá-lo e afastou-se, ladeando sempre a berma da picada, a única vereda onde existia ainda capim alto permitindo uma razoável camuflagem.

Distanciaram-se assim do local da emboscada, na direcção do Chilombo, mostrando já o Mar FZE Henrique Fernandes grande dificuldade em andar. Atravessaram um rio e já no meio dos caniçais o Mar FZE Rogério Martins efectuou um garrote na perna do camarada ferido. Alcançaram entretanto a picada, na altura em que chegavam os primeiros socorros.

Referiu o oficial que seguia na viatura da frente da coluna de reforço e alcançou primeiro a Mercedes alvejada que o IN já tinha abandonado o local quando lá chegaram. Ordenou que um grupo seguisse no encalço dos atacantes, enquanto outro prestava os primeiros socorros e montava segurança no local.

O Mar FZE 717/70 João Pereira encontrava-se morto junto à Mercedes. O STEN FZ RN António Piteira e o condutor da viatura, Mar FZE 771/68 António Saraiva foram encontrados na “chana” a cerca de 50 metros do local. O Sr. Medeiros foi também encontrado perto da viatura. Os três militares encontravam-se sem fardamento, equipamento ou objectos pessoais e também não foram encontradas as armas, uma MG-42 e quatro G3’s.

Inicialmente, apenas foram mencionadas três armas G3’s. Só mais tarde se confirmou que, consequência de uma troca de última hora de condutores, a precipitação fez com que o primeiro deixasse ficar a arma na cabina tendo o condutor que substituiu levado também a sua arma pessoal.

O grupo que efectuou a perseguição encontrou três trilhos iniciais, muitas grades de cerveja espalhadas que, originalmente, tinham sido carregadas na Mercedes, no Chilombo e, bastante para o interior, na mata, garrafas vazias e dispersão de trilhos no sentido geral S/SE. Considerado inútil manter a perseguição nestas condições o grupo regressou, tendo nomadizado a área até cerca das 11:00, hora a que os fuzileiros foram rendidos no local por militares do Exército de Lumbala.

Os corpos das vítimas foram retirados para o Chilombo, onde ficaram em câmara ardente durante duas noites, até 4 de Junho, com guarda de honra. Na manhã desse dia, pelo capelão do BCAÇ 3847, foi celebrada missa de corpo presente já com as urnas fechadas e, ainda durante a manhã, seguiram em coluna auto para o Cazombo.



Porta de Armas do aquartelamento do Chilombo.

À saída do aquartelamento, foram prestadas honras militares por toda a guarnição da unidade, profundamente abalada com o sucedido, numa última homenagem aos camaradas falecidos e que, de maneira tão trágica, perderam a vida ao serviço da Marinha e da Pátria. A morte daqueles camaradas e a conivência da população, deixaram marcas profundas que dificilmente se apagarão da memória de quantos ali viveram ou prestaram serviço.

Mortos em combate:

– STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, CF 1, do 18.º CFORN
– Mar FZE 771/68 António Cardoso Saraiva, DFE 10
– Mar FZE 717/70 João Gonçalves Nunes Pereira, DFE 10

Ferido em combate:

– Mar FZE 1214/70 Henrique Manuel Pais Fernandes, DFE 10


O tipo de acção havida, a sua cuidadosa bem como pormenorizada montagem e a suspeita envolvência da população suscitou dúvidas, com alguns considerandos pertinentes:

• Facto inédito a assinalar naquela manhã foi o não aparecimento de qualquer elemento da população a pedir boleia para a Lumbala.

• Ainda mais significativo e denunciador de que a população do Chilombo estaria a par da presença de elementos inimigos nas proximidades, ou talvez até da própria acção – atitude pouco consentânea com o comportamento habitual do MPLA - foi a circunstância de, logo pela manhã, não ter aparecido nenhuma criança para vir buscar pequeno-almoço, nem quaisquer elementos da população para jogarem no campo de futebol de salão o que, invariavelmente, acontecia todas as manhãs.

• Acresce ainda que, a população do Chilombo, ao amanhecer desse dia e antes da acção, não saíu do “Kimbo”, provavelmente antevendo prováveis represálias que receavam seguirem-se à emboscada inimiga. Esta atitude da população reflectia, inequivocamente, um estado de comprometimento para não dizer de conivência.

• A montagem do minucioso dispositivo da emboscada foi certamente iniciada na véspera, o que fez estranhar a passagem, sem incidentes e na tarde do dia anterior, no percurso Lumbala-Chilombo, de uma viatura Land-Rover, transportando o Administrador da Lumbala, sem qualquer escolta. Também no percurso Lumbala-Chilombo, passou um veículo de carga civil na noite anterior e outro na própria manhã da emboscada, com saída da Lumbala, pelas 07:00.


Fontes:
Relatório do Comandante do Destacamento de Marinha do Zambeze, 1TEN FZ Pedro Baptista Coelho; colaboração do CMG José António Ruivo - 21.º CFORN; fotos de arquivo pessoal do autor do blogue.

Dicionário:
CF - Companhia de Fuzileiros; DFE - Destacamento de Fuzileiros Especiais; LGF - Lança-Granadas Foguete; IN - inimigo; "Kimbo" - aldeamento nativo; "chana" - planície, equivalente a "chão"



mls

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Reserva Naval, 7.º CEORN - Parte II

7.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval - Parte II

(conclusão do post anterior)


Pouco tempo após a entrada do 7º CEORN, em 25 de Setembro desse ano, a Frelimo iniciava a sua luta de guerrilha no Chai, Distrito de Cabo Delgado e no Cobué, no Niassa.

Na continuação da resposta ao progressivo alastramento da guerrilha nos territórios ultramarinos de então, ao longo do ano de 1965, foram aumentadas ao efectivo dos navios da Armada novas unidades, especialmente concebidas para actuação nas bacias hidrográficas onde se desenvolviam as mais importantes acções militares.



De bordo da LDG "Alfange", amarrada à bóia em Bissau, vista da ponte-cais em T com o N/M "Braga" atracado, o Comando de Defesa Marítima da Guiné por detrás, a avenida Marginal e, ao fundo, as duas torres da Sé.

Destaque especial para as novas LDG’s - Lanchas de Desembarque Grandes “Alfange” e “Montante” destinadas à Guiné, a “Ariete” para Angola e a “Cimitarra” que seguiu para Moçambique, todas construídas nos Estaleiros Navais do Mondego, deslocando 480 toneladas e podendo transportar outras 270 de carga.



Guiné - A LFG "Sagitário" navega no rio Cacheu, a curta distância do alto tarrafo das margens.

Além destas unidades, a Marinha recebeu igualmente as LFG’s – Lanchas de Fiscalização Grandes “Centauro”, destinada a Angola e “Sagitário” que seguiu para a Guiné, ambas da classe “Argos”.

Foram ainda entregues as novas LFP’s – Lanchas de Fiscalização Pequenas da classe Jupiter, respectivamente a “Jupiter”, “Venus”, “Marte”, “Mercúrio”, “Saturno” e “Urano”, seguindo as duas primeiras para Angola e as outras quatro para o Lago Niassa.



Em cima a LFP "Jupiter" e, em baixo, a LFP "Pollux", ambas no rio Zaire.



O aumento ao efectivo de todas estas unidades navais e as normais rendições de outras, previstas em áreas operacionais, redundaram em alargada mobilização de oficiais da Reserva Naval da classe de Marinha, deste curso, para fazer face às crescentes necessidades.

Também na classe de Fuzileiros a maioria dos oficiais foram chamados a participar em missões além-mar, integrados em Companhias ou Destacamentos.

Um dos primeiros oficiais fuzileiros do 7.º CEORN a partir para Angola, integrado no DFE 13, foi o STEN FZ RN Vasco Luís Schulthess de Quevedo Pessanha que, depois de actuar com a sua unidade nos postos do Zaire e Massabi, comandou a primeira força de Marinha destacada no Lungué-Bungo, no sueste de Angola.

De salientar que, em Abril de 1966, após perfazerem doze meses efectivos como Aspirantes, se verificaram apenas 17 promoções a Sub-Tenente. Os restantes 45 elementos do 7.º CEORN encontravam-se em zonas operacionais
Após o juramento de bandeira foram designados para prestar serviço em África os seguintes oficiais:


Guiné (13 Oficiais):
2TEN RN António Viriato Carvalho Santos na LDG “Alfange”, 2TEN RN Francisco José de Orey da Cunha na LFG “Sagitário”, 2TEN MN RN Fernando de Jesus Monteiro na CF 7, 2TEN AN RN José Filipe Correia de Araújo e 2TEN FZ RN Gabriel Maria da Costa Mesquita Brito no CDMGuiné, 2TEN FZ RN Américo dos Santos Pinto no DFE 3, 2TEN FZ RN Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva no DFE 4, 2TEN FZ RN Mário José dos Santos Carvide no DFE 6, 2TEN FZ RN António Cabrita da Silva, 2TEN FZ RN Elder Carlos de Sousa Fernandes, 2TEN FZ RN Fernando José de Sá Martins Varanda e 2TEN FZ RN Francisco Gil de Borja Meneses na CF 7 e 2TEN FZ RN Francisco Coelho Mendes Fernandes no DFE 7.




Angola - O Posto da Quissanga no rio Zaire.

Angola(16 Oficiais):
2TEN RN António de Almeida Correia de Sá na LFP “Venus”, 2TEN RN António Manuel Baptista de Mello na LFP “Rigel”, 2TEN RN Carlos Manuel Lopes de Carvalho na LFP “Espiga”, 2TEN RN Florêncio António Fernandes na LDG “Ariete” e navio-patrulha S. Vicente, 2TEN RN João do Carmo Lourenço na LFG “Centauro” e Comando Naval de Angola, 2TEN RN João Paulo Von Mayer Reis na LFP “Régulus”, 2TEN RN Joaquim António Coelho Palminha na LFG “Pégaso”, 2TEN RN Luis Fernandes Frutuoso Costa no Comando Naval de Angola e LFG “Centauro”, 2TEN RN Manuel Branco Ferreira Lima na LDG “Ariete”, 2TEN RN Luis Filipe Carvalhal Rebelo no Comando Naval de Angola, 2TEN RN Rui Jorge Lima Saraiva na LFP “Pollux”, 2TEN AN RN Bernardo da Gama Lobo Xavier no Comando Naval de Angola, 2TEN FZ RN Alfredo José Geraldes Malheiro Messeder no DFE 2, 2TEN FZ RN António Delgado Mateus e 2TEN FZ RN Basílio Sebastião Rodrigues Tavares na CF 5, 2TEN FZ RN Vasco Luis Schulthess de Quevedo Pessanha no DFE 13.


Moçambique (16 Oficiais):
2TEN RN António Luis Gato na fragata “Pacheco Pereira”, 2TEN RN Jochia Lipszyc no NH “Almirante Lacerda”, 2TEN RN João Almeida Santos na LDG “Cimitarra”, 2TEN RN João António Rodrigues de Oliveira na LFG “Argos”, 2TEN RN João da Silva Boavista Canada na LFP “Urano”, 2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa na LFP “Urano”, 2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho na LFP “Saturno”, 2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis na LFP “Marte”, 2TEN RN José Fernando Ferreira Guimarães na LFG “Dragão”, 2TEN RN Luis Manuel Carneiro Amoroso Lopes no Comando Naval de Moçambique, 2TEN RN Augusto César Gaspar Ferraz, 2TEN RN João Garcia Ribeiro, 2TEN RN Joaquim Miguel Calhau Barrocas e 2TEN RN José Sebastião Raposo Alves Saltão na CF 8, 2TEN RN Pedro Salgado Baptista Coelho no DFE 5 e STEN FZ RN Victor Manuel Moreira Barreto na Escola de Fuzileiros.




A fragata "Pacheco Pereira".

Continente e Ilhas(17 Oficiais):
STEN RN André Pires Rodrigues e STEN RN Pedro José Araújo de Sousa Ribeiro no Instituto Hidrográfico, STEN RN João Bernardo Pacheco Rodrigues no navio-patrulha “Príncipe”, STEN RN Manuel Avenilde Rodrigues Valente no navio-patrulha "S. Tomé", STEN RN João Frederico Campos Burnay e STEN RN Manuel Teixeira Rego Oliveira na Escola de Fuzileiros, STEN ECN RN José Rodrigues dos Santos Lourenço e STEN AN RN Ernâni Rodrigues Lopes na Inspecção de Construção Naval, STEN EMQ RN Alcides Vaz Serra Pacheco na LF “Espadilha”, STEN EMQ RN Arnaldo Augusto Hibon de Campos e STEN AN RN Mário José de Matos Valadas no Gr n.º1 EA, STEN EMQ RN Joaquim Maria Baptista Rodrigues Pereira na LF “Dourada”, STEN EMQ RN José Diogo Peres Pires Branco na LF “Bicuda”, STEN EMQ RN José Guilherme Vieira Baptista na LF “Azevia”, STEN AN RN Mário Augusto Nunes Baptista na DSA, STEN AN RN Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete na DSP-4.ª Rep. e STEN AN RN Artur Eduardo Brochado dos Santos Silva no Corpo de Marinheiros da Armada.


Ao longo do ano de 1967, os Oficiais pertencentes ao 7.º CEORN foram licenciados mas 5 deles, prolongaram a permanência na Marinha e vieram a ingressar mais tarde na classe do Serviço Especial dos Quadros Permanentes no ramo de Oficiais Fuzileiros, tendo ascendido ao posto de Capitão de Mar-e-Guerra: 2TEN FZ RN Alfredo José Geraldes Malheiro Messeder, 2TEN FZ RN Francico Coelho Mendes Fernandes, 2TEN FZ RN Mário José dos Santos Carvide, 2TEN FZ RN Pedro Salgado Baptista Coelho e 2TEN FZ RN Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva

Fontes:

Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Revista da Armada; Museu de Marinha; Revista n.º 11 da Associação dos Oficiais da Reserva Naval.

mls

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Reserva Naval, 7.º CEORN - Parte I

7.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval - Parte I



LISTAGEM

Foi patrono deste curso Hermenegildo Capelo, oficial da Armada que, no século XIX, conjuntamente com Roberto Ivens, vivera a fantástica aventura da travessia que intitularam “De Angola à Contra-Costa”, percorrendo 4500 quilómetros do continente africano, do Atlântico ao Índico, feito que os tornou figuras ímpares da nossa História.

Iniciado o 7.º CFORN em 15 de Agosto de 1964, foi frequentado por 64 cadetes, sendo 30 da classe de Marinha, 1 da classe de Médicos Navais, 1 da classe de Engenheiros Contrutores Navais, 6 da classe de Engenheiros Maquinistas Navais, 7 da classe de Administração Naval e 19 da classe de Fuzileiros. Terminou com a reprovação de três cadetes.



7.º CEORN - Foto de família na portaria da Escola Naval.

À data da incorporação era Comandante da Escola Naval o então Comodoro António Morgado Belo e, pela primeira vez, numa perspectiva destacadamente inovadora, no âmbito das actividades culturais e com o propósito de completar a formação académica e técnica dos cadetes daquela Instituição, despertando-lhes o interesse por assuntos de maior actualidade, em 4 de Dezembro de 1964 o cadete da Reserva Naval Ernâni Rodrigues Lopes, proferiu uma palestra subordinada ao tema “Aspectos Gerais do Desenvolvimento Económico”.



Ernâni Rodrigues Lopes, João Von Mayer Reis, José Vieira Baptista,
Rui Chancerelle Machete e José Pires Branco.




Artur Santos Silva, António Baptista Melo, Carlos Lopes Carvalho,
Francisco Mendes Godinho e António Correia de Sá.




Manuel Almeida Abecassis, Luis Frutuoso da Costa, José Alves Saltão,
João Boavida Canada e Fernando Pacheco da Costa .




Vasco Quevedo Pessanha e Rui Lima Saraiva.


Realizou a viagem de instrução nas fragatas “Diogo Cão” e “Corte Real”, tendo como destino a Madeira, Cabo Verde e Guiné, culminando com a promoção dos cadetes a Aspirantes a oficial depois do juramento de bandeira no dia 29 de Abril de 1965.



Em cima, as fragatas "Corte Real" (á direita) e "Diogo Cão" (à esquerda) a caminho dos Açores, em manobra de reabastecimento no mar e, em baixo, a "Corte Real" fundeada.



(continua no próximo post)

Fontes:

Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Revista da Armada; Revista n.º 11 da Associação dos Oficiais da Reserva Naval.

mls

Domingo, Novembro 15, 2009

Junho de 1966 - Navio Hidrográfico “João de Lisboa”



A Reserva Naval no navio hidrográfico “João de Lisboa”

O navio hidrográfico “João de Lisboa”, assim classificado em 4 de Março de 1961, foi uma reconversão do antigo aviso de 2ª classe com o mesmo nome.

Serviu na Missão Hidrográfica do Continente e Ilhas Adjacentes e foi abatido ao efectivo dos navios da Armada em 30 de Setembro de 1966.





Numa das muitas missões efectuadas escalou o Funchal e efectuou o registo fotográfico da guarnição, na tradicional foto de família que acima se insere, com a limitação de a não poder ser legendada na totalidade pelo desconhecimento da maioria dos elementos que a integravam.





Em cima, da esquerda para a direita: STEN RN João da Rocha Camargo de Sousa Eiró - 6º CEORN, 1º Ten. Alves Sameiro, 1º Ten Jorge Bastos - Oficial Imediato, CTEN Miranda Gomes, CMG Luciano Bastos - Sub-Director do Instituto Hidrográfico e Comodoro Ramalho Rosa - Director do Instituto Hidrográfico.

Em baixo, da esquerda para a direita: CTEN José Emilio Ataíde - Comandante, CTEN AN, n/identificado - Instituto Hidrográfico, 1TEN SG Ribeiro, 2TEN RM Gil Costa, 1TEN Mautempo, STEN MN RN Luciano Ravara - 6º CEORN e Asp RN Pedro José Araújo de Sousa Sousa Ribeiro do 7º CEORN.






Este navio veio a ser rendido, nas missões que desempenhava, pelo navio hidrográfico "Afonso de Albuquerque" que largou de Lisboa em 20 de Junho de 1966 com essa finalidade.

Fontes:

Dicionário de navios do Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; foto e texto cedidos pelo STEN RN Pedro José Araújo de Sousa Ribeiro.

mls

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

...ao saudoso Antas de Barros, do 22º CFORN



Gabriel Caldas de Antas de Barros
(1951-2002)


...ao saudoso Antas de Barros

O Gabriel era um rapaz “sui generis”! Penso que exercia a profissão de advogado na cidade de Braga, capital da província setentrional que foi berço da sua existência.

O Gabriel, tal como eu, integrou o 22º CFORN, na classe de Fuzileiros.

Um dia, no alvor de uma fria manhã de Fevereiro do já longínquo ano de 1974, enbarcámos, nove, para juntos cumprirmos comissão de serviço na então Província Portuguesa da Guiné.

Era um rapaz aprumado aquele quarto oficial do 5º Destacamento de Fuzileiros Especiais...

Cioso das suas origens minhotas e orgulhoso por envergar a farda da Marinha, recordo, não raras vezes, vê-lo colocar, com inigualável altivez, a boina azul ferrête com o ferro doirado da Marinha, com que, naqueles tempos, eram distinguidos os melhores entre os melhores.



Gabriel Antas de Barros(à esquerda) e José Carrajola Horta (à direita), dando as boas vindas a um novo “Pira di Marinha”, José Ribeiro Andrade (ao centro).

Admirava-lhe o esmero, a fidalguia, o espírito indomável, a generosidade, e a enorme voluntariedade e prontidão para toda e qualquer missão, “por rios e tarrafos”, de que se havia com tranquila eficácia e rigoroso zelo.

Auscultava nele o sonho, grandioso, de servir a sua Pátria, acima de tudo, contra ventos e marés, com honra, valentia e inestimável dignidade... Era exemplar no brio e na tradição!

Corriam, então, os anos meãos das sua efémera passagem por este destino terreno que, precocemente, interrompeu. A notícia chegou brutal, inexorável, há alguns precisos meses!...

Uma curva da estrada atirou a moto que conduzia para um destino sem retorno. Ele, não tenho dúvida, seguiu o seu caminho que leva a uma nova luz.

E lá, no reino dos Justos, reservado terá o lugar de todos aqueles que têm um coração universal, do tamanho desse Mar sem fim, que cruzámos, e que tanto deram na Terra!

Apesar de tardia, "mea culpa", esta humilde homenagem ao amigo que dava pelo nome de Gabriel Caldas de Antas de Barros, não pode deixar de ser feita! Fomos, afinal, camaradas de armas e companheiros de missão.

Que Deus o receba na Luz da Sua infinita glória!

José Manuel Carrajola Horta
22º CFORN

mls

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Reserva Naval - 18.º CFORN

18º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval




No decorrer do ano de 1971, em 9 de Junho, é efectuado o primeiro ataque do PAIGC a Bissau. Em Julho, inicia-se a publicação da Revista da Armada destinada essencialmente à divulgação interna das actividades da Marinha e que se tornou numa fonte documental indispensável para o conhecimento institucional da Armada.

Durante esse ano, a fragata “Nuno Tristão”, o navio-patrulha “Santo Antão”, o caça-minas “Santa Maria” e a LFP “Tete” foram abatidos ao efectivo dos navios da Armada. Em 1972 as fragatas “Álvares Cabral” e “D. Francisco de Almeida” bem como as LFP’s “Canopus” e “Deneb”, deixaram igualmente de pertencer ao efectivo dos navios da Armada. Ainda no ano de 1973 o mesmo destino teve a corveta “Cacheu”, o draga-minas “Pico” e a fragata “Vasco da Gama”.

Entretanto, foram aumentadas ao efectivo novas unidades como os navios-patrulha “Zaire” (1971) “Zambeze”, “Limpopo” e “Save” (1973), as corvetas “Honório Barreto” e “António Enes” (1971), o NA “Schultz Xavier” (1972), entre outros, pelo que se mantinham perspectivas de grande parte dos oficiais do 18º CFORN virem a ser designados para prestar serviço no Ultramar.



A FF "Pero Escobar", mais conhecida pela "Gina".

Iniciado aquele curso em 18 de Fevereiro de 1971, foi frequentado por 57 cadetes e concluiu-se a 13 de Outubro daquele ano, tendo a ele pertencido também o STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, vítima de uma mortal e mal esclarecida emboscada, em Angola.



Em baixo à direita, recortado da listagem, o pormenor da referência ao STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, no Memorial de Belém aos Combatentes do Ultramar.

Após o juramento de bandeira foram designados para prestar serviço em África os seguintes oficiais:

Guiné:
Asp RN Fernando Tabanez Ribeiro na LFG “Lira”, Asp RN Eduardo Germano Madeira Ricou, Asp RN Fernando Manuel Correia dos Santos, Asp RN Jorge Manuel Conceição Ramos e Asp José António Sequeira Alvarez, nas LFP’s “Procion”, “Bellatrix”, “Aljezur” e “Arcturus”, Asp RN Vitor Correia Guimarães no navio-patrulha “Quanza”, Asp TE RN João de Azevedo Pacheco de Sacadura Botte e Asp TE RN Sidarta Valentino Capelo de Sousa no CDM Guiné, Asp FZ RN Carlos Alberto Pardal Sanina no DFE 22 e Asp FZ RN Eduardo Moreira Vaz Cardoso no DFE 12.




O Comando de Defesa Marítima da Guiné depois de instalado no antigo Edifício das Alfândegas.

Angola:
Asp RN Herculano Santos Marques Ferreira na LFP “Fomalhaut”, Asp RN Carlos Eduardo Couto da Cunha Dias no navio-patrulha “Rovuma”, Asp RN José dos Remédios Dias Gonçalves no navio patrulha “Cunene”, Asp RN Manuel Pedro Faustino da Costa na LDG “Alabarda” /CDMP Lago Niassa (a partir de 10Jan72), Asp FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, Asp FZ RN Manuel Teotónio Rodrigues e Asp FZ RN Vitor Luís da Silva Dores na CF 1, Asp FZ RN António Carvalho Rodrigues do Nascimento e Asp FZ RN Dulcínio de Oliveira Santos no DFE 10 e Asp FZ RN Manuel José da Silva Gomes Lima na CF 3.




A LFP "Fomalhaut" a navegar no rio Zaire.

Cabo Verde:
Asp RN António Manuel da Silva Branco na fragata “Comandante João Belo”, Asp RN Fernando de Oliveira Macedo Ferraz na fragata “Comandante Sacadura Cabral” e Asp RN Olavo Francisco Valente Rasquinho no CN Cabo Verde e Asp FZ RN Nuno Rodrigo Santos Pereira num Pel. Ind. Fuzileiros.




O navio-patrulha "Zaire", da classe "Cacine", atracado no Funchal por ocasião do Dia da Marinha.

Moçambique:
Asp RN Abel Joaquim Pera Lopes Simões no CDMP Lago Niassa, Asp RN João Manuel Esteves na LFP “Antares”, Asp RN Luís Alexandre Lynce de Faria na LFP “Mercúrio”, Asp FZ RN António Mendes Picão no CN Moçambique, Asp FZ RN António Agostinho Lucas da Silva e Asp FZ RN Domingo de Sousa e Holstein Salgado no DFE 3, Asp FZ RN António Maria Allen Burnay Bello e Asp FZ RN Carlos Alberto Amado Pereira da Silva no DFE 9, Asp FZ RN António José de Miranda Correia, Asp FZ RN José Luís Calheiros Ferreira, Asp FZ RN Manuel Augusto Simões Morgado e Asp FZ RN Roque Gomes dos Santos na CF 9.




A Fragata "Comandante Hermenegildo Capelo".

Continente e Ilhas:
Asp RN António Manuel Neves Martins na fragata “Pero Escobar”, Asp RN António Manuel Cortez de Miranda na DSP 1.ª Rep, Asp RN António José Guimarães Barral no NH “Almeida Carvalho”, Asp RN Carlos Augusto Fernandes Lopes na LFP “D. Aleixo, Asp RN José Adriano Aguiar Mamede no Gr n.º 2 EA, Asp FZ RN Adelino Couto Rodrigues da Silva, Asp FZ RN Ângelo José Cachudo Sajara, Asp FZ RN António José Rebelo da Silva Carvalho, Asp FZ RN David Ribeiro de Sousa Geraldes, Asp FZ RN Carlos Alberto Lindo da Silva, Asp FZ RN José Alfredo Oliveira Braga e Asp TE RN Orlando Luís Sousa Sequeira na Escola de Fuzileiros, Asp FZ RN Artur José de Almeida Santos no Gr n.º 2 EA, Asp TE RN Carlos Manuel Rodrigues Lisboa, Asp TE RN João Manuel Cunha da Silva Abrantes na D. S. Educação Física, Asp TE RN Diogo Ivo de Miranda Cabral de Barbosa na DSP 5.ª Rep, Asp TE RN João Fernando Pontes Amaro na Chefia do Serviço de Justiça, Asp RN Joaquim Carlos Pereira Franciosi Costa, Asp RN Jorge Manuel Simões Cristina e Asp TE RN Marinús Pires de Lima Soares no EMA e Asp TE RN Pedro Domingos de Brito Ivo de Carvalho na DSA.




A LDG "Bombarda" atracada na doca da Marinha.

No último trimestre de 1973 o PAIGC proclama unilateralmente a independência da Guiné-Bissau em Madina do Boé (24.9.1973); a Assembleia Geral da ONU reconhece a independência da República da Guiné-Bissau e declara ilegal a presença de militares portugueses no território (2.11.1973).

Os oficiais pertencentes ao 18.º CFORN começaram a ser licenciados no final do ano de 1973.

Fontes:

Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Edições Culturais da Marinha, 2006; Fotografias cedidas pela Revista da Armada, Arquivo da Marinha e particulares.

mls

Domingo, Novembro 01, 2009

Reserva Naval - Morto em Combate

António Bernardino Apolónio Piteira
(1947-1973)



Foi o único Oficial da Reserva Naval morto em combate no período em que decorreu a guerra nos três teatros em África. Recordado por quantos com ele iniciaram a caminhada na Armada, em 18 de Fevereiro de 1971, António Piteira integrou a Classe de Fuzileiros do 18.º CFORN.

A circunstância de ter sido acontecimento único na História da Reserva Naval, seria motivo suficiente para invocar a memória desse triste facto, mas a personalidade invulgarmente simples e simpática de António Piteira, agigantava-se pela desinteressada camaradagem e amizade manifestadas em permanente alegria de viver, marcando profundamente quem o conheceu ou com ele privou de perto.

Natural da freguesia da Quinta do Jogo, do concelho de Arraiolos, onde nasceu em 11 de Outubro de 1947, era filho de Balbina Rita Apolónio e de Augusto da Silva Piteira.

Deu os primeiros passos, no ensino, nas Escolas da região e por aí se manteve até ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
A entrada na Escola Naval interrompeu-lhe a vida académica, iniciando-o numa nova fase a que se entregou com contagiante entusiasmo, marcando camaradas e guindando-se a figura de relevo na Amizade, a mais nobre virtude da vida.

Promovido a Aspirante FZ RN em 13 de Outubro de 1971, frequentou o curso de Fuzileiro e foi destacado para Angola, onde chegou a 18 de Setembro do ano seguinte, com o posto de STEN, assumindo o comando do 3.º Pelotão da Companhia N.º 1 de Fuzileiros.

No dia 2 de Junho de 1973, pelas oito horas da manhã, integrado numa coluna de viaturas do Destacamento do Zambeze, em missão de serviço à Lumbala, foi alvo de uma emboscada inimiga. Dessa emboscada, ocorrida na Picada entre Lumbala e Chilombo, a cerca de dez quilómetros desta última localidade, resultou a morte de António Piteira.



O Destacamento do Zambeze e a picada de Lumbala para o Chilombo



Na passagem do 30º aniversário da sua morte em 2003, a simplicidade das palavras de Adelino Couto Rodrigues da Silva, camarada de curso e também fuzileiro, foi elucidativa:

“Recordo-o com eterna saudade e grande emoção. Afirmo ter sido um privilégio conhecê-lo e usufruir da oportunidade de com ele privar e dele me ter tornado amigo. Tinha grande vontade de viver e o destino pregou-lhe uma partida.
Este mundo louco tem destas coisas.
Até sempre, camarada amigo. Um dia vamos encontrar-nos e retomar as nossas conversas, estupidamente interrompidas.”

António Piteira, ainda hoje mantem entre amigos a camaradas um sentimento de tristeza e perda que perdura depois de decorrido tão longo período, ficando indefectivelmente ligado à História da Reserva Naval e da Marinha como mais uma jovem vida ceifada numa guerra que não olhou a quem arrebatou ao nosso convívio.



Também na “Sala Reserva Naval” da Escola Naval, a memória de António Piteira está nobremente representada e, anualmente, é atribuído um Prémio com o seu nome, ao Cadete que, de entre os seus pares, por votação secreta e universal de todos os alunos daquela Instituição manifestar, ao longo de quatro anos e de forma mais significativa, as virtudes que se reconheciam ao homenageado – Altruísmo, Camaradagem, Generosidade, Solidariedade e Simpatia.

Fontes:
Texto de José Pires de Lima - 4º CEORN e Manuel Lema Santos - 8º CEORN; fotos de arquivo.
mls

Sábado, Outubro 31, 2009

Reserva Naval, 23º CFORN - II Parte

23º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval

II Parte




No ano de 1973 foram abatidos ao efectivo dos navios da Armada, a fragata “Vasco da Gama” a corveta “Cacheu” e o draga-minas “Pico”, mas foram aumentadas ao mesmo efectivo novas unidades como os navios-patrulhas “Limpopo”, “Save” e a LFP “Sabre”, entre outros, pelo que as perspectivas dos oficiais do 23º CFORN virem a ser designados para prestar serviço no Ultramar eram evidentes.


A Corveta "Cacheu".

Com o 25 de Abril de 1974, quase uma vintena de oficiais daquele curso foi designada para serviço no Ultramar e, entre eles, os últimos comandantes das LFP's “Rigel” - STEN RN António José de Oliveira Brás, LFP “Espiga” – STEN RN José Manuel Nogueira Soares, LFP “Pollux” – STEN RN Emídio Rafael Moreira Veloso e LFP “Altair” - STEN RN António Borges Santos Silva.


A Lancha de Fiscalização Pequena "Pollux".

Após o movimento do 25 de Abril, designadamente em Junho e Julho, ainda se verificou a deslocação de diversos oficiais Reserva Naval

Em Julho, pela primeira vez no historial da Reserva Naval o STEN RN João António Martins Ribeiro de Carvalho foi designado para prestar serviço no Comando da Defesa Marítima de Timor.

Para Moçambique foram desempenhar missões os STEN AN RN Eugénio Manuel Ribeiro Azevedo – CDM Portos do Lago Niassa, Jorge Manuel Vieira Jordão – NRP “S. Brás”, Manuel Brandão de Vasconcelos Alves – Comando Naval de Moçambique e para o Comando Naval de Cabo Verde o STEN AN RN Filipe José Seita Duarte.


O Navio de Apoio Logístico "S. Brás".

Na área de Lisboa as LFP’s “D. Aleixo”, “D. Jeremias”, “Açor” e “Albatroz" foram igualmente comandadas por oficiais do 23º CFORN, respectivamente os STEN RN Eurico Teixeira Ladeira, José Carlos Baptista dos Santos, Edmundo José Simões Gomes de Azevedo e José Jorge Geirinhas Mascarenhas. Este último destacou mais tarde para o navio-patrulha “Geba”.


A Lancha de Fiscalização Pequena "D. Aleixo".

Foram igualmente destacados para unidades navais os Asp RN António Augusto de Sousa Miranda – LF “Corvina”, Carlos António da Silva Mendes – caça-minas “Santa Cruz”, Eugénio Mendes Ferreira, LF “Azevia”, Francisco Ramos da Silva Gomes – navio-patrulha “Limpopo”.

Para o draga-minas “S.Roque”, fragata “Comandante Roberto Ivens” , draga-minas “Lagoa” e navio-patrulha “Boavista” foram ainda destacados os Asp EMQ RN António Joaquim Manso, José Ricardo Crespo da Costa Simões, Rui Manuel Leitão Sequeira Lopes e Serge Ruy Sinnes de Barbosa Araújo, respectivamente.


A fragata "Comandante João Belo"

Da classe de Fuzileiros desempenharam missões em Angola os STEN FZ RN Fernando José Gomes dos Santos e Mário Gil Moreira Costa na CF 3, Henrique Maria Ulrich Anjos na CF 5 e João Manuel Pimentel Cortez Pinto na CF 9; em Moçambique os STEN FZ RN Benjamim de Jesus Correia e José Carlos da Mota Rodrigues no DFE 10 e José Joaquim Pereira Simões no DFE 11.

Os restantes ficaram a desempenhar missões em Unidades e Serviços no continente, em terra, de acordo com as respectivas especializações.

A 27 de Março de 1975, todos os oficiais do 23º CFORN foram promovidos a Sub-tenente RN, incluindo os que estavam na situação de graduados. No final daquele ano a maioria deles foi licenciada.

Fontes:

Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Fotografias da Revista da Armada/Arquivo da Marinha.

mls