segunda-feira, dezembro 19, 2016

Navegando - Do Índico ao Lago Niassa (4)


Base Naval de Metangula - Fuzileiros, Reserva Naval, LDM e LDP

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 3 de Março de 2009)

Os sinais de insegurança e a ameaça de acções hostis no território de Moçambique noticiadas no final de 1962, levaram os responsáveis militares a reforçar a segurança com o envio da Companhia de Fuzileiros nº 2 para Lourenço Marques, onde chegou no fim de Outubro.




Em cima, duas LFP atracadas no Cais das Lanchas

Em Agosto de 1963, foi enviada uma secção daquela unidade para o Niassa, por ocasião da activação do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa e da Capitania.

Para o cabal desempenho das missões sob sua responsabilidade, veio o Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa, a integrar sucessivamente na Esquadrilha de Lanchas, as LDP «107», LDP «203», LDP «204» e também as LDM «404» e LDM «405» entretanto transportadas para o efeito. Mais tarde, no decorrer de 1965, as LDM «407» e LDM «408» completaram o conjunto de unidades navais atribuídas àquele Comando.




Em cima e em baixo, dois aspectos do transporte da LDM «408» para o Lago Niassa



Durante o ano de 1964 eclodiram as primeiras acções terroristas destacando-se, de um conjunto de atentados havidos, um ataque à LFP «Castor». O agravamento da situação e a necessidade de se dispor de meios para lhe fazer frente, obrigou ao reforço do dispositivo no Niassa com o envio do Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 1 que ficou sedeado em Porto Amélia, onde chegou a 20 de Novembro.

No início de 1965 foi transferido para o Niassa, passando a efectuar operações ao longo da faixa costeira do Lago. Ainda no decorrer do mesmo ano foi o dispositivo reforçado com mais dois destacamentos de Fuzileiros Especias: o DFE 5 e DFE 12 e mais uma Companhia de Fuzileiros: a CF 8 , passando a dispor de duas companhias operacionais.




No Lago Niassa, a LDP «204» procede ao reboque de uma LFP com limitações operacionais

Os três DFE passaram a rodar periodicamente entre Metangula, Cobué e Porto Amélia conferindo maior versatilidade e capacidade ao conjunto e as CF, de forma idêntica, alternavam entre Lourenço Marques e Metangula.




A LDM «408» em fiscalização de rotina

As rendições sucederam-se e, em 1967, o dispositivo foi novamente reforçado com mais um DFE passando a dispor de dois destacamentos em Porto Amélia, com algumas estacionamentos temporários pontuais em Macojo, Ibo, Magoé Velho, Tchiroze e Tete. A partir de 1970 passa a haver apenas um DFE no Niassa.

A estratégia de rotatividade operacional no terreno, mantida pelo Comando Naval de Moçambique para os DFE e CF ao longo do tempo de comissão, implicou que todas aquelas Unidades tivessem estacionado temporariamente no Lago Niassa, quer em Metangula quer no Cobué.




Em cima, a LDP «107» abicada e, em baixo, a LFP «Mercúrio» navega no Lago Niassa



Em Abril de 1973, quando o DFE 5 termina a comissão já não é substituído e. em Setembro de 1974, é declarado o cessar fogo que conduzirá à retracção do dispositivo, com o consequente regresso de todas as unidades ao Continente.

Também no Niassa - Metangula, integrando Destacamentos e Companhias de Fuzileiros, os oficiais da Reserva Naval tiveram um papel fundamental no dispositivo da Marinha de Guerra, revelando sempre um elevado espírito de missão no cumprimento das missões para que foram nomeados.



A LDP «204» abicada, num desembarque de fuzileiros

Não se referem cargos e funções de oficiais de Unidades e Serviços em terra no Comando de Defesa Marítima do Lago Niassa, pela especial dificuldade em efectuar pesquisa e recolha de elementos nessa matéria. A extensão previsível de tal tarefa inviabilizaria o objectivo prático de trazer a todos os interessados informação da Reserva Naval em tempo útil.

Obrigatória e de indiscutível justiça a referência aos Destacamentos e Companhias de Fuzileiros, LDM e LDP que partilharam amizade, camaradagem e espírito de grupo com a Reserva Naval em ambiente de muito esforço, dedicação e sacrifício, muitas vezes ao mais elevado nível.


Nota:
Em próximos posts publicaremos a listagem completa de todos os oficiais, quer dos Quadros Permanentes quer da Reserva Naval que integraram Destacamentos de Fuzileiros Especiais (DFE) e Companhias de Fuzileiros (CF) presentes no Lago de Niassa.


Fontes:
Arquivo de Marinha; Factos e Feitos da Guerra de África, Luís Sanches de Baêna; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, 1958-1975, Lisboa 1992; cedências de fotos da Escola de Fuzileiros e ainda Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/

mls

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