quinta-feira, dezembro 29, 2016

Reserva Naval nas LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas classe «Bellatrix»


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Bellatrix» - P 363

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Janeiro de 2011)

Das Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) classe «Bellatrix» foram construídas 13 unidades das quais, as primeiras oito, as LFP «Bellatrix» - P 363, LFP «Canopus» - P 364, LFP «Deneb» - P 365, «Espiga» - P 366, «Fomalhaut» - P 367, «Pollux» - P 368, «Rigel» P 378 e «Altair» - P 379, nos estaleiros nos estaleiros Bayerische Schiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, na Alemanha.

As restantos cinco, as LFP «Arcturus»- P 1151, LFP «Aldebaran»- P 1152, LFP «Procion» - P 1153, LFP «Sirius»- P 1154 e LFP «Vega»- P 1155, foram construídas no Arsenal do Alfeite, tendo a primeira sido aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 17 de Maio de 1968 e a última em 21 de Setembro de 1970.

A primeira, a LFP «Bellatrix», foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29-5-1961, na Guiné, depois de ter sido transportada por um navio mercante para Bissau, onde chegou em 17 daquele mês, juntamente com a LFP «Canopus».

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a primeira de um grupo de 13 unidades que constituiram a classe «Bellatrix». Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:



Fez parte do planeamento inicial do Estado-Maior da Armada este tipo de unidades navais serem comandadas por um Sargento de Manobra. Mais tarde, por proposta do Comando de Defesa Marítima da Guiné, a ideia foi abandonada. Na sequência da resolução de alguns problemas de navegação surgidos pelo tipo da complexa hidrografia daquele território foi decidido que o comando passasse a ser efectuado por um oficial subalterno.



Em cima, na Guiné - A LFP «Bellatrix» a navegar no rio Cacine ainda sem o lançador de foguetes e, em baixo, o perfil daquela unidade naval num ozalide do desenho de construção naval



Entre a saída de Lisboa para a Guiné e 27 de Setembro de 1961, data em que o primeiro oficial da Reserva Naval, assumiu as funções de comandante, a LFP “Bellatrix” teve como Patrão e Mestre um Sargento Ajudante da classe de Manobra – José Agostinho Moreira, tendo participado em diversas acções de fiscalização, transporte de pessoal e material, combóios, transporte de fuzileiros e emboscadas.



Em cima: Ainda nos estaleiros Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, a LFP «Bellatrix»
em fase de provas de mar, e na altura do embarque no transporte que a haveria de trazer para Portugal;
Em baixo: Já carregada lado a lado com a LFP «Canopus»




Ainda que tenha iniciado no rio Cacheu em Agosto de 1961 a sua vida operacional, teve mais destacada participação no apoio a operações e a comboios logísticos, sobretudo nos rios do sul da Guiné. A partir de meados de 1968 passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – Operação Via Láctea.

Foi alvo de frequentes emboscadas e manteve combates com grupos armados instalados nas margens dos rios Tombali, Cobade, Cumbijá e Cacine, tendo sido atingida pelo fogo inimigo.



O local de impacto de uma «bazookada» no rio Cobade.

Em Janeiro de 1964, participou na Operação “Tridente”, decorrida até 22 de Março. Em 13 de Fevereiro de 1968 foi violentamente atacada no rio Cobade de que resultaram, além de um rombo a bombordo, 80% abaixo da linha de água, estragos na casa da navegação, radar, sistema eléctrico e motores principais que obrigaram a mais prolongada reparação.



Durante todo o período em que esteve operacional, sempre na Guiné, foram comandantes da LFP «Bellatrix» os seguintes oficiais da Reserva Naval:



2TEN RN Fernando Manuel da Silva Ferreira, 3.º CEORN, 27Set61 a 09Abr63;
2TEN RN Rui George Osório de Barros, 4.º CEORN, 09Abr63 a 23Jun64;
2TEN RN António Simas de Oliveira Vera Cruz, 6.º CEORN, 23Jun64 a 02Jun66;
2TEN RN Manuel Henrique Vieira de Sousa Torres, 8.º CEORN, 02Jun66 a 23Mar68;




2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 23Mar68 a 15Dez69;
2TEN RN José Luis Ferreira da Silva Dias, 14.º CFORN, 15Dez69 a 15Fev70;
2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 15Fev70 a 26Mar70 (cont);
2TEN RN José Manuel Garcia da Costa Bual, 14.º CFORN, 26Mar70 a 10Ago70;




2TEN RN António José Fonseca Prezado Alves, 15.º CFORN, 10Ago70 a 24Ago72;
2TEN RN Fernando Manuel Correia dos Santos, 18.º CFORN, 24Ago72 a 10Set73;
2TEN RN José Manuel Miranda Themudo Barata, 21.º CFORN, 10Set73 a 07Set74;





Guiné – Registos fotográficos de missões da LFP «Bellatrix» sendo visível
o lançador de foguetes de 37 mm, montado por cima da metralhadora Oerlikon de 20 mm








Em Bissau, atracada no interior da asa da ponte-cais em T, de braço dado com a LFG “Lira” (1968)





Em modelos à escala, em cima, na AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval ou, em baixo,
tanto a navegar com radar em cima, como amarrada à bóia na Lagoa Azul em Sintra, em 2009








Depois de mais de 13 anos de bons serviços e mais de 8.500 horas de navegação, a LFP «Bellatrix» foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da classe:

«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega»

Fontes:
«Dicionário de Navios» de Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; «Setenta e Cinco Anos no Mar», Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005: fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Revista da Armada, Carlos Dias Souto e Mário Cavalleri.

mls

1 comentário:

Crocodilo disse...

Naveguei vários dias na Bellatrix, provavelmente na sua primeira missão em águas dos Bijagós (Junho/Julho de 1961, salvo erro), graças à boa vontade de meu pai, na altura Capitão dos Portos da Guiné e, por inerência, Comandante da Defesa Marítima. Lembro-me da Canopus ter navegado a nosso lado. Grandes lanchas, rápidas, confortáveis e bonitas.