quarta-feira, março 08, 2017

Reflexão vs Solilóquio?


Reflexão ou Solilóquio de Um Reserva Naval?

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Junho de 2009)





Tentado que fui a efectuar uma incursão Reserva Naval por Moçambique, esteve sempre presente no meu espírito a ideia da acrescida exposição a que me sujeitava, pela óbvia vulnerabilidade de nunca ter estado fisicamente naquele território. Na mira, o objectivo simples de trazer a lume quem, onde e quando, da Reserva Naval da Marinha de Guerra, prestou serviço ou desempenhou missões.

Na suposição de poder fazê-lo com metodologia simplicada, rumei ao objectivo assegurando compilações sustentadas apenas por testemunhos ou relatos, documentação escrita e imagens, com suporte em fontes credíveis rectificadas por alguma pesquisa e verificação suplementar, deixando aos historiadores, sociólogos e investigadores, futuras e complexas abordagens económicas, sociais e políticas.

Entendi dever fazê-lo, essencialmente como um modesto contributo pessoal para uma memória Reserva Naval, dada a minha crescente afectividade a um contagiante misticismo Metangula, da “responsabilidade” de vários camaradas, quer dos Quadros Permanentes quer da Reserva Naval, incentivada e sedimentada pela via do convívio e camaradagem.

A pesquisa e recolha nem sempre têm sido fáceis, por tão estranha quanto notável ausência de documentação, dificuldades na sua consulta, fontes de informação incompletas ou com gralhas e uma panorâmica cultural de desinteresse quase generalizada pelo conhecimento desse passado recente da Reserva Naval da Marinha de Guerra, indissociavelmente conotado com a guerra levada a cabo nos três teatros de África.

Num horizonte temporal inexoravelmente limitado e associado ao desgaste de uma liça culturalmente pouco apelativa no imediatismo de resultados, assinalam-se efusivamente os incentivos frequentes de “quem sabe da poda” – felizmente são vários - encorajando quem faz ou a isso está disposto, mantendo alguma motivação suplementar gratificante, ainda que possam estar presentes a observação, a crítica construtiva e também a sugestão.

Importa contudo clarificar que, a ausência mais notada é essencialmente uma participação empenhada do universo Reserva Naval na construção da sua própria Memória e História colectivas que, sem essa indispensável trave mestra, configurarão projectos truncados, com importantes omissões, incompletos e empobrecidos no tempo.

Pela minha parte, com o meu ritmo possível, a minha disponibilidade permanente e os meus parcos meios, aqui continuarei a divulgar retalhos Reserva Naval ao sabor do vento que não sopra de feição nesses mares.

Como dizia um camarada e amigo “... dias mais negros passamos quando partem camaradas que iniciaram a ultima «comissão». Também a nossa há-de chegar. Não há ninguém inapto. Estamos todos mobilizados...”


Fontes:
Foto da LFG «Sagitário» no rio Cacheu, cedência do Comandante Adelino Rodrigues da Costa;

mls

1 comentário:

Luís Costa Correia disse...

Que não desista de dar o seu inestimável contributo para a História da Marinha, através deste excelente Blog, é o meu voto a que se junta a maior consideração e apreço pelo seu Autor.

Oxalá organsimos apropriados da Marinha reconheçam o valor destas páginas, e as integrem em publicação oficiosa apropriada.

Luís da Costa Correia