quarta-feira, agosto 23, 2017

LDM - Lanchas de Desembarque Médias, classe 100


Guiné, LDM-Lanchas de Desembarque Médias, classe 100

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 10 de Abril de 2010)





As Lanchas de Desembarque Médias – LDM inseriram-se na adaptação do dispositivo naval da Armada às necessidades específicas da guerra do ultramar, dotando a Marinha de meios necessários aos transportes logísticos e militares, garantindo desembarque e apoio a toda a actividade operacional desenvolvida nos teatros de África e, mais vincadamente, na Guiné.




No decorrer da operação "Tridente", no início do ano de 1964,
a LDM 101 procede ao desembarque de fuzileiros.


Foi adoptado um modelo americano LCM (6) – "Landing Craft Mechanized", desenvolvido por Andrew Higgins, fabricante do famoso "Landing Craft Vehicle-Personnel" (LCVP) ou "Higgins boat" projectado especificamente para o Exército dos Estados Unidos para transporte dos grandes tanques Sherman de 30 toneladas entre os navios que os transportavam e as orlas costeiras.

Muito tempo depois do final da 2.ª Guerra Mundial, Dwight Eisenhower referenciou-o como o “homem que tinha ganho a guerra para a América e que não tinha sido um general famoso mas um engenheiro naval chamado Andrew Higgins". Eisenhower disse que se Higgins não tivesse projectado e construído aquelas lanchas, a estratégia global da guerra teria sido diferente”.




Em cima, a LDM 101 e, em baixo, a LDM 102, ambas atracadas na Doca da Marinha ainda em fase de apetrechamento, após o que seguiriam para a Guiné.



Foram 21, as Lanchas de Desembarque Médias fabricadas da classe 100, sendo 16 unidades construídas nos Estaleiros Navais do Mondego (101 a 116) e as restantes 5 (117 a 121) nos Estaleiros Navais do Alfeite.

As LDM 101 e LDM 102, aumentadas ao efectivo dos navios da Armada em 13 de Janeiro de 1964 vieram a participar na Operação "Tridente" no primeiro trimestre daquele ano. Em Outubro de 1965, foram renumeradas como LDM 204 e 205 respectivamente pelo que, administrativamente, tiveram duração prática limitada como pertencendo à classe 100.




1967 - No rio Cacheu a LDM 204, ex – LDM 101, efectua uma manobra de atracação à LFG «Lira»

Teria todo o sentido esta alteração uma vez que aquelas duas primeiras lanchas eram idênticas às restantes da classe 200, fabricadas nos Estados Unidos da América. Numa segunda edição, foram projectadas e fabricadas a LDM 102 concluída em 1968 (aumentada ao efectivo em 17 de Maio) e a LDM 101 em 1969 (aumentada ao efectivo em 29 de Maio).

Entre Maio de 1969 e Julho de 1975 foram aumentadas ao efectivo todas as outras LDM - Lanchas de Desembarque Médias daquela classe, substituindo a maioria das da classe 300 que, entretanto, iam sendo abatidas.




Em cima, a LDM 103 ainda em fase de preparação no Continente e, em baixo, a LDM 119 utilizada para exercícios e instrução na Escola de Fuzileiros



As LDM 103 até à LDM 118 foram transportadas para a Guiné e ali desempenharam toda a sua actividade operacional.

As restantes, LDM 119 até à LDM 121, depois de serem aumentadas ao efectivo permaneceram ao serviço no Continente, Açores e Madeira.

Exceptuando esta últimas, que se mantinham ainda ao serviço em 1985, todas as outras foram abatidas ao efectivo do serviço da Armada até final de 1974.


Fontes:
Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha - 17.º Vol, 2006; fotos de arquivo da Revista da Armada e Escola de Fuzileiros, cedidas ao autor do blogue; referências de construção retiradas de http://www.globalsecurity.org/military/systems/ship/lc.htm.


mls

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