sábado, setembro 23, 2017

Guiné, nunca será demais...

...as acções das LD, LP, LDP e LDM na Guiné!

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2010)


Na Guiné, todos os acessos a portos ou simples locais de abicagem que permitissem acesso a localidades habitadas eram demandadas por unidades navais do Comando da Defesa Marítima da Guiné quer em missões de interesse puramente operacional quer, sobretudo, nos contínuos movimentos de apoio logístico às Forças Armadas.


Especial relevo para os comboios logísticos de batelões, organizados pontual ou periodicamente, enquadrados e escoltados por LDM’s, que garantiam transporte a militares, populações, armamento e equipamento. Reabasteciam-se, por essa via, não só aquartelamentos e populações mas, simultaneamente, procedia-se ao necessário escoamento de produtos, parte integrante da economia daquele território.




Em cima uma perspectiva satélite da região de Tombali - Catió (actual) e, em baixo, um pormenor da carta militar então utilizada (1966). Anotam-se os pormenores do porto interior no rio Cadima, o porto exterior no rio Cagopere e as estradas de ligação à Vila de Catió e para Cufar



Se tem sentido referir portos ou simples locais de abicagem, a Vila de Catió (actualmente cidade), não pode deixar de ser uma referência histórica. Situada no sudoeste da Guiné, a norte das ilhas de Como, Caiar e Catunco, e a sul do Cantanhês, pertencia à região do Tombali, ao sector com esse mesmo nome - Catió. Região muito disputada militarmente pelo PAIGC e palco de tão intensos como permanentes conflitos.




Catió - Em cima, uma vista aérea e, em baixo, a pista de aviação



Tratava-se de uma localidade que pela localização, acabava por estar encravada e permanentemente sitiada numa zona que o PAIGC controlava na sua quase totalidade. Como um dos principais centros de escoamento do arroz do sul do território, em região densamente povoada, era visitada uma vez por mês por embarcações civis integradas em combóios escoltados.

O acesso fazia-se, quer pelo porto interior, no rio Cadime, afluente do Cagopere, por sua vez afluente do rio Cobade. Este último liga o rio Tombali ao rio Cumbijã e acessível a partir da confluência com o Tombali. Pelo porto exterior, situado no rio Cagopere podia fazer-se o acesso a Catió utilizando a estrada até à povoação.




A igreja de Catió

Esta última solução tinha a vantagem de dispor de maiores fundos e largura do rio para manobra das LDM e embarcações civis, embora com meios de abicagem praticamente inexistentes. A estacada existente onde se efectuava a atracação acabou quase em ruínas.

Por outro lado, a utilização do porto exterior estava permanentemente dependente da montagem de um dispositivo de segurança conveniente por parte das forças terrestres durante o tempo de permanência de navios e embarcações, normalmente 3 a 4 dias.

A outra solucão, praticamente a única ultimamente utilizada, era a do porto interior, onde existia um cais de pedra com possibilidade de atracarem as embarcações civis para operações de carga e descarga. As abicagens das LDM para o desembarque de viaturas e outro material pesado eram feitas no próprio cais, mas em péssimas condições.




Perspectiva do porto interior, no rio Cadima, completamente em seco

No canal de acesso ao porto interior, a cerca de 30 a 40 metros do alargamento onde se encontrava o cais, havia tendência para um pronunciado assoreamento, com tendência para fechar a entrada o que obrigava à dragagem. Limitação importante era também o porto interior ficar em seco no estofo da baixa-mar, sobretudo para as unidades navais que lá permaneciam durante o tempo de carga e descarga das embarcações civis.

Ali se cruzaram, em diferentes missões, militares de todos os ramos, a maioria do Exército, uma boa parte deles da Marinha - sendo que alguns Oficiais da Reserva Naval. Em encontros ocasionais ou não, ilustres desconhecidos ao tempo, ficou como que emitido um bilhete de identidade definitivo Guiné.

Décadas depois, promove encontros e cavaqueiras descontraídas, suscita relatos contraditórios, renova vivências, esbate diferenças, suscita apoios e amizade. Resumidamente, valores, que hoje configuram tesouros a preservar.

Abaixo ficam alguns testemunhos de passagens. Ainda que efêmeras, ficaram indelevelmente gravadas na História.



Em 2010.03.25, Benito Neves, em comunicação sobre "Nunca será demais" disse:

É como dizes... nunca será demais !!!!!!
É sempre um prazer navegar nas tuas águas, melhor dizendo, navegar contigo nas águas da "nossa" Guiné.
Desta vez, e mais uma vez, nas LDM, aquelas LDM que não esquecemos, que tanto nos ajudaram, que tanto nos valeram.... tanto que nem sabemos quanto!!!



Relembro-as com saudade e foi a saudade que me levou a abrir o baú das recordações e aí te envio algumas das muito poucas fotos, pintadas à mão e a pincel, que guardo das LDM.
No caso presente foi a LDM 310 e outras que não identifico mas que para ti aqui vão com um abraço.
Esta operação "Sobreiro", foi realizada no dia 21 de Fevereiro de 1967 e participaram a minha CCav 1484, a 4.ª CCaç que, na época, constituia a guarnição do aquartelamento de Bedanda, a CCaç 1591 e o Pelotão de Canhão sem Recuo 1154. O objectivo foi bater a região compreendida entre os rios Lama e o Ungauriuol.




Resultados: NT 2 mortos e 4 feridos; IN 3 mortos e, supostamente, feridos em número não estimado.
Depois de muito fogo a retirada foi feita em LDM – abençoadas - presumo que pelo rio Cumbijã, até Bedanda.
Continua a tua escrita que nos faz bem. Obrigado.

BNeves




Em 2010.03.26 mls respondeu a Benito Neves:

Sei pela tua própria boca, o que para ti e para muitos outros eventualmente mais silenciosos do que seria desejável, representou a Marinha e, particularmente, as LDM's que vos ajudavam a sobreviver naqueles lamaçais que todos pisámos.
Já que há como que um esquecimento voluntário da epopeia daquelas unidades navais, aqui substituo de quando em vez, mas sempre indevidamente, a Instituição a quem pertencerá assumir de forma inapelável esse dever moral e histórico.
Posso publicar a tua mensagem e as fotos?...apenas ajeitada editorialmente para publicação. Tenho mais...

"mls"




Em 2010.03.27 Benito Neves respondeu a mls:


Estás completamente à vontade para utilizares, como o queiras fazer, a mensagem e fotos que te enviei e que não são mais do que uma forma de gratidão que tenho e mantenho para com a Marinha.

B Neves




Em 2010.03.26 Benito Neves continuou para mls:

Há pouco dei-te uma resposta um tanto à pressa e acabei por não dizer tudo porque isto de haver horas para ir buscar os netos à escola, etc., etc., por vezes leva-nos a "acelerar" e, depois, acabamos por deixar de dizer coisas importantes que vou revelar ao mesmo tempo que respondo às questões que me pões:
... como dizia o outro: "era menino e moço" e mandaram-me para a Guiné com o posto de furriel miliciano, integrado na Companhia de Cavalaria 1484 que foi constituída no Regimento de Cavalaria 7 sito, na época, na Calçada da Ajuda.
O embarque foi feito no dia 20 de Outubro de 1965 no cais da Fundição, junto a Santa Apolónia, no paquete Niassa, com chegada a Bissau no dia 26 de Outubro.
Aqui para nós (embora esta informação conste dissimulada na história da Companhia) a viagem atrasou um dia porque foi vendida na nossa embaixada de Paris a informação de que o Niassa levaria duas bombas a bordo. Mar alto, sem costa à vista, o Niassa voltou para trás e fundeou na baía de Cascais. Depois... o espectáculo - sem sabermos o que se passava - coletes vestidos, Polícia Marítima, Mergulhadores, etc., etc, durante algumas horas. A notícia confirmou-se, segundo nos disseram, uma estaria na casa das máquinas e outra presa no casco exterior do navio.
Chegados a Bissau o nosso destino foi Nhacra onde permanecemos até ao dia 8 de Junho de 1966 - o adjunto do General Arnaldo Schultz dizia-se ter sido o padrinho de casamento do meu comandante de companhia. Na época a unidade tinha três pelotões em Nhacra, um pelotão destacado em Safim que, por sua vez, tinha uma Secção em Ensalmá e outra em João Landim.
Também aqui, em João Landim, onde cada Secção permanecia por períodos de 15 dias, posso dizer-te que só o facto de muitas vezes fundear no Mansoa o navio de fiscalização da Armada, mesmo em frente às nossas precárias instalações, permitia-nos uma noite muito mais tranquila. Também a vossa acção psicológica foi muito importante, até nestas pequenas coisas. Quantas vezes as pequenas coisas são tão importantes !!!!
Em 8 de Junho de 1966 embarcámos para Catió, com paragem em Bolama, como era da praxe.



Em Catió a CCav 1484 ficou em intervenção ao sector até ao dia 20 de Julho de 1967 e aqui, sim, soubemos o que era atravessar rios a vau, o que era ficar atascado, o que era o tarrafo, a mata, as operações, os feridos e os mortos.
Na parte das operações a minha sempre enorme gratidão para com a Marinha, para com a Força Aérea e outras forças que connosco colaboraram.
Para além da actividade operacional – verdade seja dita que em Catió todas as actividades eram operacionais - fizémos, em Cufar, a rendição da CCaç 763 (do Mário Fitas) e ali aguentámos até à chegada da CCaç 1621 (do Hugo Moura Ferreira) e estivemos no Cachil, na Ilha do Como, por mais de 30 dias, para rendição da CCaç 1587.
E, agora, algo de muito importante que me tinha ficado por dizer:
Quanta gratidão para com os homens da LP2 que, fundeados em Catió, diariamente, transportavam a água e o pão para a Companhia que se encontrava aquartelada no Cachil.




Quantas vezes com eles naveguei? Não sei mas foram largas dezenas. Quanto trabalho aquilo dava? Era muito, mas feito com gosto por quem tinha vinte anos. Carregar os barris, navegar pelo rio Cagopere até ao cais interior de Catió, descarregar os barris da lancha e voltar a carregá-los na Mercedes ou na GMC, ir enchê-los ao quartel de Catió. Voltar ao cais... esperar que a nova maré nos colocasse a lancha ao nível do cais para carregamento e nova viagem.
Quantas vezes, quase sempre, nestas viagens navegava connosco o medo de uma bazookada ou uma canhoada que nos afundasse.




As fotos que vão em anexo são do álbum do Victor Condeço, com quem entretanto falei e me autorizou a enviar-tas com liberdade de as utilizares como quiseres. Diz-me o Condeço que está convencido que te terá enviado estas fotos faz algum tempo. Portanto... liberdade de utilização.
Meu caro Lema, meu caro Amigo: Despejei o "saco", verti sentimentos e gratidão, gratidão eterna, pelo menos enquanto viver. E provavelmente por estas e por outras é que nos atrevemos a dizer que a rapaziada que passou pela Guiné é diferente da que esteve noutras partes do Império.
Já te dei que fazer. Corta, altera, modifica, faz como quiseres sem alterares o meu respeito e gratidão. Quanto à parte do Niassa ter voltado para trás, transcrevo-te o que está escrito na história oficial da CCav 1484:
"Em virtude de um alarme especial, o "Niassa" esteve fundeado em frente a Cascais, sofrendo assim o atraso de um dia. A viagem decorreu depois com normalidade, realizando-se a bordo palestras, sessões de cinema e jogos, tendo-se efectuado ainda um exercício de salvamento".
...as minhas desculpas pela longa mensagem.

B Neves




Em 2010.03.30 Victor Condeço comunicou a mls:

Vou enviar-te uma colecção de fotografias relacionadas com a Marinha, porto interior e exterior de Catió e também com a própria vila.
Delas farás o que entenderes, penso que te não servirão para muito mais do que a não ser vê-las.
Não têm particularidades para o teu trabalho, mas como diz o outro ‘quem dá o que tem...’
Não tenho fotos que digam respeito ás LDM’s em particular.
Julgo que se vislumbra numas das fotos no porto interior a LDM302, pelo menos num toldo consegue ler-se 302... que terá feito escolta a um comboio de reabastecimento em Setembro de 1967.
Para além de não ter fotos, não tenho memória visual de outras passagens.
Tenho para mim a ideia que as LDM’s teriam, dada a pouca largura do rio Cadime na zona do porto, que era digamos o início do rio propriamente dito, alguma dificuldade em manobrar para voltar a sair e por isso não iriam ali com muita assiduidade, ficando-se pelo porto exterior no rio Cagopere.



Do movimento no porto de Catió, para além dos barcos civis, batelões dos Correia e Gouveia o que mais recordo é a LP2, a lancha de apoio ao Cachil e que ali tinha o seu porto de abrigo.
A sua tripulação era gente boa, bons camaradas dos quais infelizmente já não recordo os nomes, com eles fiz (fizemos) grandes petiscadas, umas a bordo como se vê nas fotos, outras vindo eles ao quartel.



Das fotos que em tempos te mandei, penso que eram relativas à lancha Canopus no porto exterior e não sei se da LP2.
A propósito andei a fazer umas pesquisas sobre as LP e encontrei coisas curiosas, foram aumentadas 4 ao efectivo em 1963 e abatidas 4 menos de um ano depois, não obstante em 68 ainda estava em funcionamento pelo menos a LP2, junto envio também um doc do Word onde anotei essas curiosidades.
Manuel, se alguma das fotos te suscitar algum interesse e quiseres saber algo mais ou algum comentário, é só dizeres qual é, tentarei corresponder.
Peço desculpa por me ter alongado e nada ter adiantado relativamente às LDM.

Victor Condeço




Em 2010.03.31 mls respondeu a Victor Condeço:

Agradeço-te a valiosa colaboração no esforço de trazer a lume elementos quase desconhecidos sobre LDM's e LDP's em que me envolvo com facilidade. Procuro fazê-lo apenas pontualmente, na expectativa de que estas nossas linhas encontrem eco em quem de direito.
Algum desinteresse institucional acaba por ser colmatado, algo parcialmente, por antigos militares de todos os ramos que conheceram de perto a vivência daquelas guarnições, muitas vezes delas dependendo no abastecimento. Aí estaremos a referir toda a logística da Guiné em que se incluem a maioria dos aquartelamentos e Catió especificamente.
Também tem muito a ver com a Reserva Naval porque os combóios de abastecimento a Catió, Impungueda, Bedanda, Cabedú, Cacine e Gadamael eram na maior parte das vezes escoltados por LDM's integradas nos combóios com comando de oficiais subalternos, da Reserva Naval ou não e Fuzileiros ou não. Bom, mas a seguir teríamos de começar a efectuar outras abordagens como o Cacheu e não só. Voltemos ao nosso tema.
A escolta era completada em alguns troços, no Cobade por LFP's e no Cumbijã ou Cacine por LFG's, além do apoio aéreo. Chegou a haver combóios com 14 batelões ou embarcações. Imagina que granel imenso, uns com motor outros rebocados, marés que não davam tréguas, avarias e limitações de vária ordem e o velho IN à espreita para o habitual e variado foguetório de saudação.
Eu próprio, saindo da "Orion" no Cacine, efectuei uma operação com a LDM 307 e a Companhia estacionada em Cabedú.
Também tens razão ao afirmar que as LDM's se ficavam normalmente pelo porto exterior, no Cagopere, onde havia uma estacada que depois acabou arruinada, embora se tivesse de percorrer o resto do caminho para o aquartelamento por estrada.
Quanto a legislação, verifico que te manténs atento e vigilante. Certamente não serão reminiscências de Catió, mas a necessidade de rigor no teu xadrez histórico.
As primeiras Lanchas Patrulhas LP1 e LP2 e de Desembarque, LD 1, LD 2, LD 4 e LD 6 ainda participaram em diversas operações incluindo a "Tridente", em 1964.



As LD's 2 e 4 (mais tarde LDP's 102 e 103) com fuzileiros a bordo, vendo-se ao fundo a fragata "Nuno Tristão"; participaram todas na operação "Tridente"

As LD's (não LP's) de 1 a 7 vieram a dar origem às LDP's com o mesmo número. Pela sua reduzida autonomia e capacidade operacionais, quando comparadas com as LDM's, as área de actuação, salvo casos pontuais, passaram a desenvolver-se preferencialmente em águas mais próximas da base, em Bissau.
Mais tarde, ainda foram fabricadas as LDP's 108 e 109 mas a primeira foi para Angola e a segunda ficou aqui no Continente. A LDP 107 (ex-LD 7) foi para o Lago Niassa.
A LDP 103 (ex-LD 3) ficou para instrução na Escola de Fuzileiros e, em 1969, foi adaptada como meio de transporte do NA Sam Brás que estava em Moçambique e lá foi entregue.
Foram todas construídas nos Estaleiros Navais do Mondego. A maioria voltaram a ser renomeadas. Assim:
– LD 1 > LDP 101 (1963) > LDP 301 (1965) - Guiné
– LD 2 > LDP 102 (1963) > LDP 302 (1965) - Guiné
– LD 3 > LDP 103 (1963) > Escola de Fuzileiros (Instrução) > Sam Brás (1969)
– LD 4 > LDP 104 (1963) > LDP 303 (1965) - Guiné
– LD 5 > LDP 105 (1963) > Angola (Rio Zaire e Leste)
– LD 6 > LDP 106 (1963) > LDP 304 - Guiné
– LD 7 > LDP 107 (1963) > Moçambique (Lago Niassa)
– LDP 108 > Angola (Rio Zaire)
– LDP 109 > Continente
Julgo que a "302" a que te referes em "Catió" terá sido a LDP 302. Parece-me vislumbrar, na foto, o tipo de cobertura adoptado nas LDP mas deixo lugar a alguma dúvida.



Na foto da LFP "Canopus", reenviada agora por ti, reconheço sentado a meio do convés o meu camarada e colega de curso o Carlos Alberto Lopes, comandante daquela unidade naval. Espero bem que também esteja atento porque será uma foto extremamente invulgar com a lancha atracada ao cais de Catió, quase em seco.
Espero ter acrescentado algo útil ao teu já alargado conhecimento desta temática...

"mls"




Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; fotos de Victor Condeço, Benito Neves e arquivo do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 17.º Vol, 2006, Comissão Cultural da Marinha; carta do IICT, escala 1:50000.


mls

4 comentários:

victor disse...

‘Nunca é demais...’ afirmar que para Catió, a Marinha foi crucial para a sua sobrevivência como localidade e como região.

A ligação a Bissau e a outras povoações fazia-se antes da guerra, como sabemos, pela estrada para Buba, que a meio percurso ligava com a de Bedanda.

O início das hostilidades na zona, em 25 Junho 1962, com o afundamento da jangada de Bedanda, abatizes nas estradas e os cortes de fios telefónicos, a vila de Catió ficou isolada.

As estradas acabariam por ser abandonadas, a partir desta altura o transporte de pessoas e bens era quase integralmente feito por via fluvial.

Até Fevereiro de 1968 a pista de aviação só permitia a operação de Helis, DO-27 e as Cessna dos TAG, só a partir desta data com o aumento da mesma, passaram ali a operar os velhos Dakotas da Força Aérea.

Foi já durante a minha comissão entre finais de 1967 e início de 68, que foram feitos trabalhos de desmatação ao longo daquela estrada a partir do cruzamento de Camaiupa, na tentativa de a reabrir, o que nunca foi conseguido.

Esta operação mobilizava todos os dias uma enorme quantidade de meios tanto de Catió, como de Cufar de Bedanda.

Os trabalhos, foram interrompidos se não erro, após a chegada do novo CMDT Chefe Brig. Spínola e nunca reatados no meu tempo.

Por tudo isto pode avaliar-se a importância que a Marinha teve na criação das condições para a manutenção desta Sede de Circunscrição, que tão disputada foi pelo PAIGC.

Com um abraço
Victor Condeço

Luis Fernando disse...

O meu pai, Fernando da Conceicao Matias ( o moscavide) fez duas comicoes ao ultramar, uma em Angola e aoutra na Guiné. Nesta ultima participou na operacao tridente como fogueiro maquinista da LDP 104. Ainda hoje guarda a sua "viuva" com o louvor !!!

Jorge Portojo disse...

Leio e choro, lembrando amigos e companheiros há distância de 40 anos.

Jo Guima disse...

Nunca se esqueçam das tripulações das LDP's, comandadas por um Cabo e nas quais 5 homens viviam sem nenhuma condição de defesa, higiénica e de habitabilidade
em comissões de 24 meses.