domingo, janeiro 28, 2018

Guiné, LFP «Alvor» - P 1156


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Alvor» - P 1156

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Março de 2011)




Antes de embarcar para a Guiné, a navegar ao largo de Cascais


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite e a primeira da classe «Alvor», foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 9 de Junho de 1967 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando em 27 do mesmo mês.

Durante os anos de 1968 e 1969, até Maio deste último, desempenhou missões de fiscalização da pesca ao longo da costa algarvia e de apoio a navios hidrográficos. Rumou então à BNL, tendo efectuado reparações e rotinas de manutenção no Arsenal do Alfeite.

Foi transportada para a Guiné a bordo do NM «Ambrizete» juntamente com a LFP «Aljezur». Saiu de Lisboa em 3 de Setembro de 1969 e desembarcou em Bissau no dia 9 desse mesmo mês, ficando atribuída à Esquadrilha de Lanchas da Guiné.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:




Iniciou missões de patrulha e fiscalização no rio Grande de Buba em 19 de Novembro de 1969. Em 1 de Março de 1970, numa das suas missões de fiscalização e patrulha no rio Cacheu, à passagem pela foz do rio Baião foi atacado pelo IN com “bazooka”, morteiro, armamento ligeiro e provável canhão sem recuo.

O navio ripostou prontamente com metralhadora a Oerlikon de 20 mm, lança foguetes de 37 mm e MG 42 7.62 mm, uma vez que navegava em postos de combate, tendo o inimigo diminuído substancialmente o ritmo de fogo e o rigor da pontaria. Ao fazer nova passagem pelo local, já na companhia da LFG «Lira», abriu fogo mas não obteve resposta. Não foram registados estragos ou baixas.

Novamente no rio Cacheu, em 23 de Maio desse ano, entre a foz do Jagali e o Tancroal, foi atacada pelo IN por uma rajada longa de metralhadora seguida duma saraivada de "bazookadas" e morteiradas, através de duas aberturas existentes no tarrafo naquela zona, sem contudo ter sido atingido o navio. Foram assinalados, pelo menos, o rebentamento de dez projécteis de "bazooka" e seis morteiradas que deflagraram próximo do navio.




Guiné - No rio Cacheu, amarrada ao tarrafo

A guarnição reagiu prontamente, ainda que apanhada de surpresa por não se encontrar a navegar em postos de combate por o local não ser considerado perigoso. Invertendo de imediato o rumo e fazendo mais três passagens, flagelou o local, não obtendo qualquer resposta da margem de onde foi desferido o ataque.

Efectuou diversas missões de escolta, transporte de material, pessoal e apoio a comboios de embarcações nos diversos rios da Guiné. Durante a vida operacional participou em diversas operações; "Volta Brandal", "Sol Nascente", "Quarto Minguante", "Satélite Dourado", "Guarda Patrão", "Ursa Menor", "Verga Latina", "Quarto Crescente", "Sol Poente" e "Vela Grande".




José Pires de Lima - 4.º CEORN e Luis Caldeira Pinto - 12.º CFORN.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Alvor» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN José Augusto Paes Pires de Lima, 4.º CEORN, 27Jun67/26Nov68;
2TEN RN Luís Manuel Caldeira Pinto, 12.º CFORN, 26Nov68/26Out70;
2TEN RN Francisco Picão Barradas, 12.º CFORN, 26Out70/15Jul72;
2TEN RN Emídio Branco Xavier, 19.º CFORN, 15Jul72/19Abr74;
STEN RN Artur Augusto Leal Mimoso, 22.º CFORN, 19Abr74/07Set74;




Francisco Picão Barradas - 16.º CFORN, Emídio Branco Xavier - 19.º CFORN e Artur Leal Mimoso - 22.º CFORN.

Depois de mais de 7 anos de bons serviços e mais de 2.700 horas de navegação, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios desta classe:

LFP «Alvor», LFP «Albufeira» e LFP «Alzejur».


Fontes:
Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, 2005; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

1 comentário:

Emídio disse...

Ha quase 20 anos, passei perto de Cacheu e deparei com os restos mortais de tres LFP's, cheias de tarrafe e ferrugem e sem qualquer aparente meio de serem edentificadas.
Com comandei a "Deneb", fiquei meio emocionado perante a hipotese de que ali estivesse algo do que fora...
Tenho seguido a Obra do Lema, e por isso hoje penso que a "Deneb, a "Belatrix e a "Canopus" foram abatidas demasiado cedo para que fossem deixadas naquele bandono, tao longe da sua base.
Toda esta conversa para ver se alguem sabe quais das LFP's estarao ali e ja agora qual foi o destino "pratico" que a Armada deu as tres primeiras.