quinta-feira, maio 10, 2018

Moçambique, LFP «Antares» - P 360


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Antares» - P 360




A LFP "Antares" a navegar ao largo de Porto Amélia (Nova Pemba)


A LFP (Lanchas de Fiscalização Pequena) «Antares» foi construída nos estaleiros James Taylor Shipbuilders, Ltd., em Shoreham-Sussex, na Inglaterra e, o seu casco em fibra de vidro, construído em Portsmouth pela firma Halmatic, Ltd. Logo que pronto, o navio seguiu da Inglaterra para a Índia a bordo do navio mercante Hunze, tendo chegado ao porto de Mormugão em Agosto de 1959.

Aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 29 de Setembro do mesmo ano, efectuou missões de fiscalização em Goa com um largo período de permanência em Damão, de Outubro de 1960 a Março de 1961.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:



Encontrava-se de novo em Damão quando, em 18 de Dezembro de 1961, ocorreu a invasão do Estado da Índia pela União Indiana, dia em que se perderam as lanchas «Sirius» e «Vega» respectivamente em Goa e Diu, sem quaisquer possibilidades de participar na defesa dos ataques aéreos.

Consumada a ocupação indiana de Damão de pois de “36 horas de árduos combates” em terra como o atesta um obelisco colocado pelas Forças Armadas Indianas em Damão Pequeno, o comandante do navio, então o 2TEN Fausto Morais de Brito e Abreu, decidiu navegar para o porto neutro de Karachi numa viagem feita com tempo desfavorável e no limite das possibilidades náuticas do navio, iludindo a vigilância aero-naval indiana durante dois dias, evitando que navio e guarnição fossem capturados.

Permaneceu durante alguns meses atracado naquele porto, sendo embarcado em 9 de Maio de 1962 com destino a Lisboa a bordo do N/M Pátria, onde chegou no dia 26 do mesmo mês. A partir daquela data e até ao final de Setembro, esteve em reparações no Arsenal do Alfeite, devido a danos sofridos na amura pela deficiente colocação da lancha no berço, aquando do embarque em Karachi.

No princípio de Outubro, concluídos os fabricos, foi embarcado no N/M Rovuma com destino a Porto Amélia e atribuído com carácter permanente àquele Comando de Defesa Marítima em Moçambique a partir de Novembro.




Em cima Porto Amélia (Nova Pemba) e e, em baixo, 1967, Dia da Marinha, a LFP «Antares»
atracada de braço dado com a LFG «Dragâo» em Porto Amélia




Passou a efectuar missões de fiscalização nas águas interiores, entre aquela base e a foz do rio Rovuma, com especial incidência nas ilhas do arquipélago das Quirimbas, escalando frequentemente os pequenos portos do Ibo, Mocimboa da Praia, Palma e Quionga.

Durante mais de uma dezena de anos constituiu uma presença permanente da Marinha, por vezes única, nas águas do norte de Moçambique, prestando diversificados apoios às autoridades e populações, sobretudo em áreas mais isoladas pela guerra.




A LFP «Antares» a navegar ao largo de Porto Amélia

Comandaram a LFP «Antares» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN Carlos Pereira Simões, 22Set59/29Set60;
2TEN Fausto Morais de Brito e Abreu, 29Set60/27Nov62;
2TEN João José Godinho Leite Novais, 27Nov62/22Jul65;
2TEN José Alexandre Duarte Reis, 22Jul65/3Jun67;
2TEN Adelino Braz Rodrigues da Costa, 23Jun67/16Jul68;
2TEN Zenóbio José Roque Cavaco, 16Jul68/06Jul70;

Reserva Naval:

2TEN RN José da Conceição Rego de Melo e Castro, 15º CFORN, 06Jul70/24Mai72;
2TEN RN João Manuel Esteves, 18º CFORN, 24Mai72/09Ago73;
2TEN RN Carlos Manuel Pereira da Silva, 21º CFORN, 09Ago73/31Mar75;




Porto Amélia - A LFP «Antares» em trabalhos de conservação e manutenção (fabricos)

Em 31 de Março de 1975. em Porto Amélia, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

Segundo as edições da Jane’s Fghting Ships posteriores a 1976, ainda terá navegado com a bandeira da República de Moçambique durante alguns anos.

A LFP «Antares» foi a primeira da classe a que pertenceram também as LFP «Sirius», «Vega» e «Régulus».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue - Fotos do Arquivo de Marinha e Revista da Armada n.º 255;


mls

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