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quinta-feira, dezembro 22, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (5)


LDG «Bombarda»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Janeiro de 2009)

A LDG «Bombarda» (LDG 201), Lancha de Desembarque Grande foi a primeira a ser construída e deu o nome àquela classe. Vieram a acrescentar-se-lhe mais tarde as LDG «Alabarda» (LDG 201) e «Bacamarte» (LDG 203), aumentadas ao efectivo respectivamente em 7 de Abril de 1971 e 2 de Agosto de 1985.

Tal como as suas antecessoras da classe «Alfange», basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas «testas de praia» durante a segunda guerra mundial. Em relação às primeiras, algumas das principais características, armamento, equipamentos, máquinas e energia eléctrica foram significativamente alteradas.

Estas diferenças, que poderiam ter justificado a criação de uma nova classe logo na fase de construção deste navio, apenas bastante mais tarde se veio a concretizar, motivo pelo qual o número de costado da LDG «Bombarda», inicialmente como LDG 105, número de costado na continuação da LDG «Montante» (LDG 104), veio a ser alterada para LDG 201, em data não se conseguiu precisar.




A LDG «Bombarda» ainda com o número de costado "105"

Resumo geral das características principais:




Por explicar, ficou o numero de costado LDG 105 com que iniciou a vida operacional. Manteve esse número de costado ainda durante algum tempo e, mesmo já na Guiné, onde foi atribuída ao Comando de Defesa Marítima daquele território, terá efectuado um número indeterminado de missões antes de passar a constituir uma classe própria «Bombarda» a que deu o nome e que iniciou como LDG 201.

A procura e pesquisa de elementos informativos sobre esta situação que tentámos esclarecer, aquando da primeira publicação não resultou. Na altura apelidou-se a questão de «Enigma da LDG 105...» e, por oportuno, suscitou curiosidade e algum humor. Claro que a guarnição da LDG 105, teve existência virtual, ou não, dado que ostentou, ainda que temporariamente, aquele número de costado, mais tarde modificado para LDG 201.

Meses antes, um antigo oficial da Reserva Naval que mais tarde ingressou nos QP´s, a pedido, cedeu para reprodução e digitalização algumas fotos e slides de diversas Lanchas. A escassez de imagens, documentação e episódios referentes ao historial conjunto das 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes da classe "Argos", LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas, LDG - Lanchas de Desembarque grandes, LDM - Lanchas de Desembarque Médias ou LDP- Lanchas de Desembarque Pequenas, activas participantes nos diversos teatros da guerra em África, justificaram diligências para se conseguir uma disponibilidade adicional de material de ilustração.




Guiné, 1969 - A LDG »Bombarda» atracada em Bissau

Para surpresa, foi cedido um conjunto de slides que incluiu dois da LDG 105 a que, mais tarde, se juntou um outro efectuado na Guiné, desta feita disponibilizado por um antigo camarada do Exército. Na altura, veio ao de cima a inexistência oficial da LDG 105 e, numa normal atitude de curiosidade pela descoberta, foi confirmado que a unidade naval referida não constava no descritivo de qualquer Dicionário de Navios, nem figurava como construída ou aumentada ao efectivo em documentação institucional.

Então, como seria possível a existência de mais que um slide daquela mesma unidade, a LDG 105, com um look totalmente operacional, a navegar ou até atracada na ponte-cais em Bissau? De lado podiam colocar-se de lado possíveis e fantasiosas utilizações de trabalho de imagem com softwares apropriados, porque a simples observação complementada com a irrefutável existência de mais que um slide, a cores e no clássico formato 24x36 mm deixava, à partida, inviabilizado qualquer demonstrativo de montagem fotográfica.

Aqui se deixa o registo deste tão invulgar quanto insólito pormenor, não sem que tenha havido o cuidado de encontrar uma explicação plausível para aquele pormenor da LDG 105. Certamente existirá documentação oficial arquivada, explicativa para o facto.




Em 1969, na Guiné - Xime , a LDG «Bombarda» prepara-se para abicar com um contingente de tropas

Depois de vários ensaios e provas largou para Bissau em Julho onde atracou no dia 30 desse mês depois de ter escalado Cabo Verde.

Comandada pelo 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus teve como oficial imediato o STEN RN Luis Manuel Ferreira Marques do 13.º CFORN – Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval.

Transportava ainda os STEN RN João Manuel Nunes Vaz e STEN RN Alfredo Manuel de Paiva Pacheco, ambos oficiais da Reserva Naval igualmente do 13.º CFORN, que iriam assumir as funções de oficiais imediatos das LFG «Sagitário» e «Cassiopeia» respectivamente, ambas estacionadas na Guiné.




A caminho da Guiné, da esquerda para a direita:
STEN RN Luis Manuel Marques, STEN RN João Manuel Vaz e STEN RN Alfredo Paiva Pacheco


O segundo viria a estar presente mais tarde na operação «Mar Verde», como imediato da LFG «Dragão», em substituição do oficial da Reserva Naval que desempenhava as funções naquela unidade.

Apesar da boa cobertura cartográfica das bacias hidrográficas guineenses, o navio depressa foi solicitado para missões logísticas, em áreas situadas fora dos limites das áreas hidrografadas, o que, em associação com as difícies condições de manobrabilidade e de correntes ou marés, a situação de guerra que então se vivia, tornavam a sua condução num permanente acto de perícia marinheira e a sua segurança numa constante preocupação.




Momento de confraternização em Bissau, da esquerda para a direita:
STEN RN Alfredo Paiva Pacheco (LFG «Cassiopeia»), STEN RN João Manuel Vaz (LFG «Sagitário»), 1TEN Arnaldo Aguiar de Jesus (LDG «Bombarda»), STEN RN José Guerreiro Banza (LFP «Arcturus»), STEN FZ RN Sebastião Tavares Coutinho (CF 2), o Capelão do CDMG e dois oficiais não identificados


A LDG «Bombarda» navegou em todos os rios da Guiné, apoiou operações, sofreu algumas emboscadas armadas pelo PAIGC e transportou milhares de soldados, toneladas de abastecimentos, centenas de viaturas e outros materiais militares ou civis. Apesar do progressivo agravamento da situação militar, aquela LDG cumpriu sempre as missões que lhe foram atribuídas, abicando nos locais mais inacessíveis e de maior risco.

Em Novembro de 1970, entre os dias 17 e 27, participou na Operação «Mar Verde», juntamente com a LFG «Orion», LFG «Hidra», LFG «Cassiopeia», LFG «Dragão» e a LDG «Montante».

A 14 de Outubro de 1974, em conjunto com as LDG «Alfange», LDG «Ariete» e fragata «Roberto Ivens» – depois substituída pela corveta «Augusto Castilho» - rumou a Cabo Verde onde permaneceu até Junho de 1975, no apoio ao processo de descolonização em curso. Depois de efectuar diversas reparações, dirigiu-se a Las Palmas mas, com algumas avarias numa fase final da viagem, foi rebocada pela mesma corveta até àquele porto, onde atracou uma semana depois.

Novamente rebocada, desta feita pela FF «Almirante Pereira da Silva» rumou até ao porto do Funchal e finalmente para a Base Naval de Lisboa, onde chegou em 27 de Junho de 1975. Ali, veio a permanecer inoperativa até final de Maio de 1977*.




A LDG «Bombarda» abicada, agora já como LDG 201, em exercícios conjuntos com veículos anfíbios e fuzileiros

Até 1985 foram comandantes da LDG «Bombarda» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, 24Abr69 a 18Abr71;
1TEN João Pedro Rodrigues da Conceição, 18Abr71 a 17Mar73;
1TEN Luís Gonçalves Marques Ribeiro, 17Mar73 a 28DEz74;
1TEN Norberto Saturnino Cordeiro Ventura, 28DEz74 a 06Ago75;
1TEN Luís Gonçalves Marques Bilreiro, 06Ago75 a 11Mai77;
1TEN Mário Ceriaco Dores Sousa, 11Mai77 a 29Set77;
1TEN Álvaro Sabino Guerreiro, 29Set77 a 17Set80 (a);
1TEN Joaquim Filipe Figueiredo Alves Gaspar, 21Jan82 a 23Abr82;
1TEN Lucíçio Francisco Branco Toscano, 23Abr82 a 15Set83;
1TEN Álvaro José da Cunha Lopes, 15Set83 a 17Set85;
1TEN Carlos Manuel Mina Henriques, 17Set85 a n/id;

Anota-se como curiosidade que o então 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, mais tarde Contra-Almirante, já em 1963 tinha sido comandante da LFG «Argos», a primeira da classe e igualmente na viagem inaugural para a Guiné.

Até 1975, oficiais imediatos da LDG «Bombarda» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Luis Manuel Ferreira Marques, 13.º CFORN, 24Abr69 a 04Mai71;
2TEN RN Sebastião de Campos Salgado, 17.º CFORN, 04Mai71 a 03Fev73;
2TEN RN António José Geraldo Taborda, 20.º CFORN, 03Fev73 a 12Out74:
2TEN TE RN José Augusto de Freitas Carneiro, 24.º CFORN, 12Out74 a n/id;

No período de 17Set80 até 21Jan82 o navio teve dois encarregados de comando, sendo um o 2TEN António Rosário Rodrigues, não tendo sido possível, apesar das pesquisas efectuadas, determinar o nome do outro oficial encarregado de comando.

Naturalmente que, em períodos seguintes, terá havido outros oficiais imediatos quer dos Quadros Permanentes (depois de 1985) quer da Reserva Naval (depois de 1975) mas não foi efectuada qualquer pesquisa para lá dos registos efectuados até então.

Esteve durante cerca de dois meses numa missão de cooperação na República de Cabo Verde em 1979, participou em exercícios navais na costa continental portuguesa e em missões logísticas incluindo uma comissão no Arquipélago dos Açores.




Outro aspecto da LDG «Bombarda», veículos anfíbios e Fuzileiros em exercícios

Sofreu nova e prolongada imobilização de Julho de 1980, todo o ano de 1981 e até ao final de Abril de 1982, após o que voltou a estar operacionalmente integrada no dispositivo naval.

Em 5 de Outubro de 1985 encontrava-se atracada na Base Naval de Lisboa e mantinha-se ao efectivo dos navios da Armada.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31 de Outubro de 1997.


*Passou ao estado de desarmamento com lotação especial, conforme OA 1.ª série, n.º 16 - anexo E, de 24 de Março de 1976 e voltou ao estado de armamento normal de acordo com a OA 1.ª série, n.º 17 – anexo L, de 20 de Abril de 1977.:

Fontes:
Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de «Setenta e Cinco Anos no Mar - Lanchas», Comissão Cultural de Marinha, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado 1958-1975, 1992; fotos cedidas pelo 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz (LFG «Sagitário») e Fur Mil Humberto Reis, Guiné-Xime, 1969;

mls

terça-feira, novembro 29, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (1)


LDG “Alfange”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Janeiro de 2009)


A LDG «Alfange», LDG 101, foi a primeira Lancha de Desembarque Grande da Marinha de Guerra Portuguesa, passando a designar a classe a que pertenceram também a LDG «Ariete», a LDG «Cimitarra» e a LDG «Montante».



Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.

Resumo geral das características principais:



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 4 de Março de 1965. Em Setembro, depois de efectuar o adestramento básico e na companhia da LDG «Ariete», largou para Bissau, onde atracou a 10 de Outubro, tendo ficado atribuída ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.



A imensa mole humana transportada numa unidade naval como a LDG «Alfange»

Apesar da boa cobertura cartográfica das bacias hidrográficas guineenses, o navio depressa foi solicitado para missões logísticas, em áreas situadas fora dos limites das áreas hidrografadas, o que, em associação com as suas difícies condições de manobrabilidade, as especiais condições de correntes e marés, e a situação de guerra que então se vivia, tornavam a sua condução num permanente acto de perícia marinheira, e a sua segurança numa constante preocupação.



A preparar a abicagem à margem para mais uma descarga

Durante quase 9 anos, a LDG «Alfange» navegou “em todos os rios da Guiné”, apoiou operações, sofreu algumas emboscadas montadas pelo PAIGC e transportou milhares de soldados, toneladas de abastecimentos, centenas de viaturas e outros materiais militares e civis.

Apesar do progressivo agravamento da situação militar, a LDG «Alfange» cumpriu sempre as missões que lhe foram atribuídas, abicando em todos os locais, mesmo os mais inacessíveis e de maior risco.



Abicagens que dispensam palavras; em baixo, à esquerda, a vila de Farim

Em 14 de Outubro de 1974, acompanhada pela LDG «Ariete» e LDG «Bombarda», rumou a S. Vicente onde atracou no dia 20, depois de escoltadas, primeiro pela fragata «Roberto Ivens» e a partir do dia 18 pela corveta Augusto Castilho».

Em 3 de Dezembro, na companhia da LDG «Ariete» e as 5 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes - «Argos», «Dragão», “Hidra”, «Lira» e «Orion», vindas da Guiné, a LDG «Alfange» rumou para Luanda, com escalas em Cabo Verde e S. Tomé, numa viagem de 3.000 milhas e onde atracou a 26 de Dezembro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

As três primeiras LFG mencionadas, as LFG «Argos», «Dragão» e «Hidra», efectuaram a viagem a reboque do navio balizador «Schultz Xavier» e escoltava aquele complexo combóio naval, que ficou conhecido como a «Incrível Armada», a corveta «António Enes». As restantes, LFG «Lira» e LFG «Orion», efectuaram a viagem pelos seus próprios meios.

Ali, em Angola, efectuou inúmeras missões de evacuação de tropas e de população civil, sobretudo dos portos de Cabinda, Sazaire e Lobito para Luanda, esteve na festa da independência da República de S. Tomé e Príncipe e voltou a Angola.

No dia 10 de Novembro de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada e, no dia seguinte, foi entregue às autoridades da República Popular de Angola, juntamente com a LDG «Ariete».

Tinha servido a Marinha ao logo de quase 11 anos, totalizando cerca de 10.811 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG “Alfange” os seguintes oficiais do QP:

1TEN José Fernandes Martins e Silva, 4Mar65 a 26Ago67;
1TEN José Manuel Contreras Passos, 26Ago67 a 7Fev69;
1TEN José Manuel Malhão Pereira, 7Fev69 a 9Nov70;
1TEN João Manuel Lopes Pires Neves, 9Nov70 a 29Jul72;
1TEN Júlio de Almeida Marinho, 29Jul72 a 25Jun74;
1TEN Álvaro Sabino Guerreiro, 25Jun74 a 18Jun75;
1TEN Luís Centeno da Costa, 18Jun75 a 10Nov75;

Foram seus oficiais imediatos os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN António Viriato Carvalho dos Santos, 7.º CEORN, 15Mai65 a 10Mai67;
2TEN RN Arnaldo Régio Lopo Antunes, 9.º CFORN, 10Mai67 a 14Mar69;
2TEN RN Manuel Joaquim Lopes Marques, 12.º CFORN, 14Mar69 a 16Out70;
2TEN RN Duarte José de Melo Borges Coutinho, 16.º CFORN, 16Out70 a 15Jul72;
2TEN RN Luis Alberto Moreira Pires e Pato, 19.º CFORN, 15Jul72 a ...(?);
2TEN RN José António Sarsfield Pereira Cabral, 24.º CFORN, 21Nov74 a ...(?);


Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Texto do autor do blogue a compilado e corrigido a partir do publicado de Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (2)


LDG “Ariete”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Janeiro de 2009)

A LDG «Ariete» , LDG 102, foi a segunda de um grupo de quatro Lanchas de Desembarque Grandes da Marinha de Guerra Portuguesa que constituiram a classe “Alfange”, nome atribuído pelo da primeira a ser construída.

Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.





Resumo geral das características principais:



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 9 de Junho de 1965. Em Setembro, depois de efectuar o adestramento básico e na companhia da «LDG Alfange», largou da Base Naval de Lisboa com destino a Luanda.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação são idênticos aos da LDG «Alfange» com excepção do transreceptor que é Nimbus Curlew.

A viagem de Lisboa para Luanda foi integralmente efectuada sem girobússola e radar, equipamentos que apenas foram montados depois da chegada a Angola.

Escalou os portos do Funchal, S. Vicente de Cabo Verde, S. Filipe do Fogo e Bissau onde, em 4 de Outubro, largou como navio solto com destino a S. Tomé, após o que rumou a Luanda, onde atracou a 19 de Outubro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

Efectuou múltiplas missões logísticas ao longo da costa angolana no transporte de pessoal e material, aportando com frequência a SAZaire, Cabinda, Luanda, Moçâmedes e Lobito mas alternando também algumas vezes com S. Tomé – Ana Chaves.

Em 1973 instalou armamento complementar constituído por duas peças Boffors de 40 mm, tendo largado para Bissau em 2 de Julho onde atracou no dia 16 do mesmo mês, depois de ter escalado a baía de Ana Chaves em S. Tomé.

Em 3 de Dezembro, na companhia da LDG «Alfange» e as 5 LFG-Lanchas de Fiscalização Grandes, as LFG «Argos», «Dragão», «Hidra», «Lira» e «Orion», vindas da Guiné, a LDG «Ariete» rumou para Luanda, com escalas em Cabo Verde e S. Tomé, numa viagem de 3.000 milhas e onde atracou a 26 de Dezembro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

As três primeiras LFG’s efectuaram a viagem a reboque do navio balizador «Schultz Xavier» navegando as outras pelos próprios meios. Escoltava aquele complexo combóio naval, que ficou conhecido como a «Incrível Armada», a corveta «António Enes».

Em Angola continuou a efectuar missões de transporte de pessoal e material com algumas deslocações a S.Tomé, em Ana Chaves.

No dia 10 de Novembro de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada e, no dia seguinte, foi entregue às autoridades da República Popular de Angola, juntamente com a LDG «Alfange».

Tinha servido a Marinha ao logo de mais de 10 anos, totalizando cerca de 14.800 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG «Ariete» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Gabriel Lobo Fialho, 9Jul65 a 13Fev67;
1TEN Francisco Félix de Lima Duarte Costa, 13Fev67 a 24Fev69;
1TEN Joaquim Alberto Pires Dias, 24Fev69 a 26Mar72;
1TEN António Eduardo Barbosa Alves, 26Mar72 a 24Fev74;
1TEN Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca, 24Fev74 a 10Nov75;

Foram oficiais imediatos da LDG «Ariete» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Branco Ferreira Lima, 7.º CEORN, 9Jul65 a 10Fev66;
2TEN RN Florêncio António Fernandes, 7.º CEORN, 10Fev66 a 25Abr67;
2TEN RN Álvaro Augusto Baptista da Rocha-9.º CFORN, 25Abr67 a 3Fev69;
2TEN RN José Alcino Rodrigues de Carvalho-12.º CFORN, 3Fev69 a 14Mar70;
2TEN RN João Maria Machado Marques Fernandes-12.º CFORN, 14Mar70 a 3Fev71;
2TEN RN José Maria Trigoso Corrêa de Barros-16.º CFORN, 3Fev71 a 4Nov72;
2TEN RN Eduardo Guedes de Queirós de Mendia - 24.º CFORN, 21Nov74 a ...(?);

Foi também oficial imediato da LDG «Ariete» o seguinte oficial do QP:

2TEN João Sotto Mayor Coelho de Sousa, 4Nov72 a 21Nov74;


Fontes:
Arquivo de Marinha; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de "Setenta e Cinco Anos no Mar", Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;

mls

sábado, setembro 15, 2018

LDG «Bacamarte» vs Lanchas de Desembarque Grandes


Lanchas de Desembarque Grandes (LDG) e uma memória histórica síntese

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Outubro de 2011)


No decorrer da comemoração do “Dia da Reserva Naval 2011”, a 8 de Outubro daquele ano, demo-nos conta de estar acostada na Base Naval de Lisboa, a última representante operacional das Lanchas de Desembarque Grandes, a LDG 203 «Bacamarte».

Até houve quem colocasse a questão em termos de que raio de nome para dar a um navio mas, mais do que o nome, correcto dentro da tipologia escolhida, acudiram-me à memória outras, mas sobretudo a primeira a ser construída, a LDG «Alfange» bem como a importância que teve na estratégia naval de então, tal como as que se lhe seguiram no lançamento à água.




A LDG «Bacamarte» acostada na Base Naval do Alfeite

Em plena Guerra do Ultramar houve necessidade de equipar a Marinha com unidades navais que garantissem o eficaz abastecimento de víveres, armamento, munições e materiais, a populações ou a unidades militares estacionadas nos teatros da Guiné, Angola e Moçambique. Foram também utilizadas como unidades de transporte e apoio a operações envolvendo grandes meios, numa eficaz e complexa logística da responsabilidade da Marinha.

Decorreram mais de duas décadas entre o aumento ao efectivo dos navios da Armada da LDG «Alfange» (LDG 101), em 04Mar65, e a correspondente data da «Bacamarte» (LDG 203), em 02Ago85.

A primeira deu o nome à classe a que pertenceram igualmente a LDG «Ariete» (LDG 102), aumentada ao efectivo em 09Jun65, a LDG «Cimitarra» (LDG 103), em 04Set65 e a LDG «Montante» (LDG 104) em 07Dez65, constatando-se que todas no mesmo ano.

Cerca de quatro anos depois da primeira LDG - Lancha de Desembarque Grande, foi aumentada ao efectivo a primeira de uma segunda classe de LDG, a «Bombarda» (LDG 201), em 24Abr69. Seguiu-se a LDG «Alabarda» (LDG 202), em 08Mai69, e decorrido um enorme intervalo de tempo de mais de dezasseis anos, já com os conflitos de África terminados há muito, foi construída e aumentada ao efectivo a LDG «Bacamarte» (LDG 203), em 02Ago85, num modelo que, devido a algumas alterações de características, equipamento e armamento viria a denominar-se de classe «Bombarda» modificada.

Sobre cada uma destas unidades navais já foram efectuadas publicações individualizadas em anteriores posts que podem ser consultados em:

Classe "Alfange":

LDG «Alfange» - LDG 101
LDG «Ariete» (LDG 102)
LDG «Cimitarra» (LDG 103)
LDG «Montante» (LDG 104)

Classe "BOMBARDA":

LDG «Bombarda» (LDG 201)
LDG «Alabarda» (LDG 202)
LDG «Bacamarte» (LDG 203)

Limitar-nos-emos agora a uma breve síntese histórica, assinalando alguns pontos de interesse geral:

• As LDG «Alfange» (10Out65*), LDG «Montante» (21Mai66*) e LDG «Bombarda» (30Jul69*) foram para a Guiné, e ali desempenharam múltiplas missões que lhe foram atribuídas no âmbito da actividade operacional, permanecendo naquele teatro até ao final dos conflitos.

• A LDG «Montante» foi abatida ao efectivo dos navios da Armada, na Guiné, em 07Set74.

• As LDG «Ariete» (19Out65*) e LDG «Alabarda» (01Jan71*) foram para Angola e ali desempenharam igualmente as múltiplas missões que lhes foram atribuídas no âmbito da actividade operacional.

• A LDG «Cimitarra» foi para Moçambique (02Ago1966*) onde aportou depois de uma acidentada viagem. Permaneceu sempre atribuída àquele Comando Naval foram e ali levou a cabo as diversas missões operacionais. Ainda ali se encontrava estacionada quando, em 31MAR75, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

• A LDG «Ariete» regressou à Guiné (Bissau) em 16Jul73 e ali permaneceu cumprindo missões operacionais até 14Out74; na companhia das LDG «Alfange» e LDG «Bombarda» rumaram a Cabo Verde, Porto Grande de S. Vicente, onde atracaram em 20Out74; durante o percurso foram escoltadas, primeiro pela fragata «Comandante Roberto Ivens» e depois pela corveta «Augusto Castilho», esta última a partir de 18Out74.

• As LDG «Alfange» e LDG «Ariete», em 03DEZ74, largaram para Angola – Luanda, onde atracaram em 26Dez74, depois de terem escalado, em S.Tomé, a baía de Ana Chaves. Esta longa epopeia marítima, apelidada de “A Incrível Armada”, incluiu as LFG «Argos», LFG «Dragão» e LFG «Hidra» rebocadas pelo NA «Schultz Xavier«, as LFG «Lira» e LFG «Orion» a navegar por meios próprios e a corveta «António Enes» que escoltava aquele estranho combóio naval. Foi em Angola que aquelas duas LDG, a 10Nov75, foram abatidas ao efectivo dos navios da Armada.




1971 - A LDG «Alfange» em imagens que ilustram bem a dimensão de desembarques logísticos ou de forças militares na Guiné e, em baixo, a efectuar fabricos no SAO - Serviço de Assistência Oficinal



• A LDG «Bombarda» manteve a actividade operacional em Cabo Verde. Em 11Jun75 largou para Las Palmas onde atracou a 18Jun75, depois de rebocada pela corveta «Augusto Castilho». Ainda rebocada, desta vez pela fragata «Almirante Pereira da Silva» rumou a Lisboa onde, depois de escalar o Funchal, atracou em 27Jun75. Manteve-se operacional nas águas costeiras do Continente, Açores, Madeira, tendo efectuado também missões de colaboração em Cabo Verde. Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31Out97.

• A LDG «Alabarda» largou para Angola – Luanda (01Jan71*) onde chegou depois de escalar o Funchal, Las Palmas, S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e a baía de Ana Chaves (S. Tomé). Em dois troços do percurso foi acompanhada pel navio-patrulha «Boavista» e a fragata «Comandante Roberto Ivens». Ali permaneceu estacionada, participando em diversas missões no âmbito da actividade operacional daquele Comando Naval. Em 16Jun75 regressou a Lisboa onde atracou em 13Jul75 mantendo-se no desempenho de missões em águas costeiras do Continente e Ilhas. Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31Out97.

• A LDG «Bacamarte» foi a única LDG que nunca efectuou missões fora das águas costeiras continentais ou das ilhas. Nos seus primeiros anos de vida, a LDG «Bacamarte», foi utilizada em missões no arquipélago dos Açores, missões estas que tinham como principal objectivo o transporte logístico, para a construção de alguns dos portos existentes nos dias de hoje neste arquipélago. Manteve sempre a sua característica principal a capacidade de abicar a terra, possibilitando o embarque e desembarque de tropas, carros de combate e outras viaturas, transportando o apoio logístico necessário, como sejam, mantimentos e munições.

Além das missões para que foi concebido, o navio tem vindo a desenvolver uma intensa actividade na área do treino operacional de unidades navais, concretamente na recolha de torpedos e reboque de alvo de artilharia para tiro de superfície. Para além destas ultimas missões, o navio viu mais tarde surgirem-lhe missões que lhe vieram dar mais relevo, como por exemplo o combate à poluição. Assim este navio viu-se envolvido nas missões "Prestige" e "Nautila".

Pela Portaria n.º 564/2014 de 7 de Julho do Estado-Maior da Armada, o navio passou ao estado de “desarmamento” a partir de 25 de Julho de 2014.

• Todas as LDG - Lanchas de Desembarque Grandes tiveram oficiais da Reserva Naval integrados nas guarnições, habitualmente no desempenho das funções de oficial Imediato, subsistindo apenas dúvidas quanto a esta última, por ser desconhecido esse aspecto específico do historial daquela unidade naval.

• Tipo de unidades navais e missões levadas a cabo ao serviço da Marinha de Guerra, teatros em que tiveram lugar, guarnições, vida a bordo e quase decorrido meio século, justificam um lugar próprio nas memórias históricas da Marinha da segunda metade do século passado.




A LDG «Bacamarte» atracada no porto de Portimão



• Na continuação da curiosidade inicial, dias mais tarde após a celebração do Dia da Reserva Naval, aquela mesma unidade naval, a «Bacamarte» (LDG 203), foi fotografada, novamente atracada, mas no porto de Portimão, sinal de que ainda gozava de boa saúde naval e se mantinha em forma, levando a cabo, com êxito, as missões que lhe eram cometidas.

* Data de chegada ao porto de destino.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Revista da Armada e cortesia de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN (LDG «Bacamarte»); Setenta e Cinco Anos No Mar, LDG's, 17.º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2006;


mls

domingo, dezembro 11, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (4)


LDG «Montante»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Fevereiro de 2009)

A LDG «Montante» , LDG 104, foi a última de um grupo de quatro Lanchas de Desembarque Grandes da Marinha Portuguesa que constituiram a classe «Alfange», nome atribuído pelo da primeira a ser construída.

Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Dezembro de 1965 tendo efectuado o plano de adestramento básico.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação são idênticos aos da LDG “Alfange” com excepção do transreceptor que era Nimbus Curlew.

Resumo geral das características principais:



Em Abril de 1966, largou da BNL com destino a Bissau na companhia da LDG “Cimitarra”, onde aportou a 21 de Maio depois de ter escalado a Madeira e Cabo Verde. Após a chegada ficou atribuído ao Comando de Defesa Marítima da Guiné. Mais tarde, para melhoria da segurança o navio foi equipado com peças Bofors de 40 mm e protecção balística na ponte.



A LDG «Montante» numa curiosa perspectiva de ré sendo perfeitamente visíveis,
no convés superior, os reparos das 2 peças Bofors de 40mm


Apesar da boa cobertura cartográfica das bacias hidrográficas guineenses e da experiência já adquirida pela LDG “Alfange” no reconhecimento e utilização de locais de abicagem, o navio foi solicitado para missões logísticas, militares e civis, em áreas situadas fora dos limites das áreas hidrografadas, o que, em associação com as suas difícies condições de manobrabilidade, as especiais condições de correntes e marés, e a situação de guerra que então se vivia, tornavam a sua condução num permanente acto de perícia marinheira, e a sua segurança numa constante preocupação.

Durante quase 8 anos, a LDG «Montante» navegou em todos os rios da Guiné”, apoiou operações, sofreu algumas emboscadas preparadas pelo PAIGC e transportou milhares de soldados, toneladas de abastecimentos, centenas de viaturas e outros materiais militares e civis. Apesar do progressivo agravamento da situação militar, a LDG «Montante» cumpriu sempre as missões que lhe foram atribuídas, abicando nos locais mais inacessíveis e de maior risco.

Esteve entre as unidades navais que participaram na operação «Mar Verde», no decurso da qual abicou ao próprio Yacht Clube de Conakry.



Preparativos para a operação «Mar Verde», vendo-se na imagem da esquerda, o General Spínola acompanhado pelo Comandante Alpoim Calvão a bordo do navio-chefe, a LFG «Orion»

No dia 7 de Julho de 1974 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada sendo entregue às autoridades da República Guiné-Bissau, então em vias de ser reconhecida pelo Estado Português.

Tinha servido a Marinha ao longo de oito anos e sete meses, totalizando cerca de 8.860 horas de navegação.



Algures numa bolanha do rio Geba, já invadida pelo tarrafo (próximo de 1980)

Foram comandantes da LDG «Montante» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Joaquim Fernando Virgílio Ferreira, 7Dez65 a 22Mar66;
1TEN Artur Duarte de Carvalho Baptista dos Santos, 22Mar66 a 21Jan68;
1TEN José Manuel Monteiro Fiadeiro, 21Jan68 a 11Nov69;
1TEN Luis Manuel Dias da Costa Correia, 11Nov69 a 14Ago71;
1TEN Manuel Inácio Godinho Novais Leite, 14Ago71 a 4Mai73;
1TEN Pedro Manuel Couceiro de Sousa Santos, 4Mai73 a 7Set74;

Foram oficiais imediatos da LDG «Montante» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel João Leitão de Freitas, 11.º CEORN, 2Ago68 a ...70;
2TEN RN José António Barbot Veiga de Faria, 21.º CFORN, 24Ago73 a ...74;

Foram também oficiais imediatos da LDG «Montante» os seguintes oficiais do QP:

2TEN Vasco António Leitão Rodrigues....(?);
2TEN Fernando Carlos Fuzeta da Ponte....(?);
2TEN Eduardo Eugénio de Castro Azevedo Soares...(?);
2TEN Raúl David Nunes Vieira Pita, 31Mar70 a 28Dez71;
2TEN Fernando Manuel Caratão de Campos, 28Dez71 a 24Ago73;


Fontes:
Arquivo de Marinha; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de "Setenta e Cinco Anos no Mar", Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;

mls

domingo, fevereiro 12, 2017

Reserva Naval nas LDG (6)


LDG «Alabarda»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Maio de 2009)


A LDG «Alabarda», LDG 202, foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1971.

Características, armamento, máquinas propulsoras, equipamentos e lotação idênticas às das LDG «Bombarda» que deu o nome à classe, com excepção do radar que passou a ser um Decca RM 316P.




A LDG "Alabarda" atracada

Em 18 de Novembro, após completar o Plano de Treino Básico e na companhia do navio-patrulha “Boavista”, largou para Luanda onde atracou em 1 de Janeiro de 1972, depois de ter escalado o Funchal, Las Palmas, S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e Ana Chaves.

Nesta última parte do percurso foi apoiada pela fragata “Comandante Roberto Ivens”, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

Até 1975 levou a cabo diversas missões logísticas na costa angolana, tendo regressado a Portugal em 13 de Julho, apoiada em parte do percurso pela corveta “João Coutinho”.

Esteve integrada em múltiplas missões de apoio logístico nos Açores, onde se deslocou por diversas vezes tendo também participado em diversos exercícios ao longo da costa continental portuguesa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31 de Outubro de 1997.

Até 1985, foram Comandantes e Encarregados de Comando da LDG «Alabarda» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Manuel Barreiros Jorge, 07Set761 a 12Nov73;
1TEN Nuno Manuel Osório de Castro Barbieri, 12Nov73 a 12Mar74;
1TEN José Carlos Alves d’Almeida, 12Mar73 a 13Mar76;
1TEN António José Delduque Pereira Gonçalves, 13Mai76 a 15Nov77;
1TEN Mário Ceriaco Dores Sousa, 15Nov77 a19Nov80;
1TEN Joaquim Filipe Figueiredo Alves Gaspar, 19Nov80 a 07Jan82;
1TEN Simão Neves de Almeida, 24Fev84 a 05Out85;

Até 1975, foram seus oficiais imediatos os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Carlos Alberto Dias Nogueira, 17.º CFORN, 07Set71 a 20Jul73;
2TEN RN Luis Manuel Abreu da Cunha e Melo, 20.º CFORN, 20Jul73 a n/id;


Fontes:
Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de «Setenta e Cinco Anos no Mar - Lanchas», Comissão Cultural de Marinha, 2006; Dicionário de Navios e Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, 1958-1975, Lisboa, 1992;

mls

quinta-feira, janeiro 03, 2019

LFG classe «Argos» - Reserva Naval


Guerra do Ultramar - A Reserva Naval nas 10 LFG classe «Argos»


Nota prévia - Introdução 2019

Na comunicação que aqui deixei expressa em 17 de Setembro do ano findo, redigi um agradecimento pessoal a todos os que directa ou indirectamente me têm acompanhado, apoiado ou mesmo criticado no grupo "Reserva Naval - As 10 LFG classe «Argos» na Guerra do Ultramar" ao longo deste tempo e desde o seu início.

Na altura confessei ter iniciado e prosseguido aquela empreitada por ter desempenhado durante dois anos, de 1966 a 1968, na Guiné, as funções de Oficial Imediato da LFG «Orion».

Iniciei um trabalho de pesquisa, compilação e recolha de documentação sobre este tema nos idos anos de 2005/2006. Nele me empenhei com o normal desconhecimento de um iniciado que mete «mãos à obra» com entusiamo, mas sem a correcta noção de dimensão do projecto, na forma de abordagem selectiva ao tema escolhido, no critério correcto de recolha e compilação de dados, definindo e limitando capítulos escolhidos.

A partir de 2009, apenas com a companhia do conhecimento adquirido e muita determinação - na realidade mais ninguém esteve ao meu lado - continuei o percurso ainda que sentindo não ter capacidade para desenvolver, total e simultaneamente, tudo o que gostaria de abordar com cabimento no conceito de memórias Reserva Naval/Marinha no qual orgulhosamente me incluo, por ter pertencido ao 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval.

Com algum critério e cuidado na forma de o fazer, entendi iniciar uma partilha de memórias Reserva Naval, sob a forma de documentos, retalhos e imagens, num blogue de mera inspiração pessoal que tinha iniciado em 2006.

Assim prossegui até final de 2015, sempre na perspectiva de publicar aleatoriamente retalhos e documentos, baseados em fontes referenciadas que servissem de simples pistas a público interessado. Constatando a utilização de extractos noutros blogues e até mesmo em edições impressas sem qualquer referência ao meu blogue pessoal, suspendi/ocultei temporariamente a publicação, tendo regressado em Março de 2016, com algumas cuidados suplementares que passaram a incluir marcas de água nas imagens.

Retirando algumas postagens por estarem desactualizadas no tempo e reformulando outras acrescidas de pequenos pormenores, assim tenciono continuar. Tal como tinha informado encerrarei hoje o grupo "Reserva Naval – As 10 LFG «Argos» na Guerra do Ultramar" depois de ter publicado o historial resumido e actualizado de todas as LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, reiniciado em 5 de Outubro de 2018 com a LFG «Argos».

Foram acrescentadas novas imagens, os autos de entrega ao Governo Português, as principais operações em que participaram - onde serão certamente encontradas algumas gralhas - e outros pormenores de interesse histórico.

Deixo aqui expressas as minhas desculpas aos leitores por desaparecerem da publicação alguns comentários que tenham sido efectuados e que não consigo recuperar, mas julgo que a actualização melhorada justifica a alteração.

Não posso deixar de evocar os já ausentes destas comunicações, relatos, diálogos e convívios porque já embarcaram para o destino último que a todos nos espera.

Até um dia...
mls







A imagem de capa da galeria de 10 LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, está construída há muito e, para lá de representar um Oficial da Reserva Naval na função, foi intencionalmente inserida na primeira publicação do blogue "As 10 LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos»"

Os galões de segundo-tenente simbolizam, no meu ideário Reserva Naval, os cerca de 75 camaradas de diferentes cursos que, entre 1963 e 1975, desempenharam as funções de Oficiais Imediatos naquelas unidades navais e por se tratar de um blogue específico sobre a Reserva Naval.

Por norma, depois de cumprida aquela comissão em cada um dos teatros onde as LFG «Argos» desempenharam missões, nomeadamente em Angola, Moçambique e Guiné, mas também Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, recolhiam à Direcção do Serviço de Pessoal, 1.ª Repartição. Eram então "licenciados", regressando à vida civil.

Diversas situações houve em que, voluntariamente e por requerimento, prolongavam o tempo de serviço na Marinha, sendo vários os casos em que ascenderam ao posto de primeiro-tenente no final de cinco anos de permanência no posto de segundo-tenente. Compromissos familiares já assumidos, necessidade de conclusão de formações académicas ou ainda mera opção pessoal temporária terão sido principais justificativos.

Assumo como minha opinião pessoal que uma LFG classe «Argos», tinha especial significado no teatro da Guiné e terá representado a função que melhor simbolizaria a passagem de um oficial da Reserva Naval pela Marinha de Guerra Portuguesa, com o multifacetado desempenho que todas as funções inerentes à normal operacionalidade de um navio daquela classe, exigiam de forma permanente a toda a guarnição que incluía 2 Oficiais, 4 Sargentos, 2 Cabos e 19 Praças de várias especialidades.

As funções de Comandante eram desempenhadas por um oficial do Quadro Permanente, complementado nas funções e responsabilidades pelo Oficial Imediato, por norma um oficial da Reserva Naval recém-saído da Escola Naval.

O nível de exigência era elevado dada a variedade e complexidade das missões desempenhadas, em fiscalização, patrulha, escolta, transporte e apoio de fuzileiros, sempre na perspectiva de enfrentar emboscadas, flagelações ou mesmo combates.

Por definição o Oficial Imediato substituía o Comandante em todas as funções sempre que necessário e era simultaneamente chefe de todos os serviços. Em gíria naval era apelidado de «dona de casa».

Foram nomeados como Comandantes das LFG «Argos» 67 oficiais dos Quadros Permanentes no posto de primeiro-tenente e ainda 1 oficial da Reserva Naval (LFG Cassiopeia) por um curto período e, talvez de forma mais precisa, como Encarregado de Comando. Alguns dos Comandantes foram promovidos àquele posto apenas meses depois de já se encontrarem no desempenho das funções.

Desempenharam as funções do oficiais Imediatos cerca de 80 oficiais sendo 74 da Reserva Naval e 6 dos Quadros Permanentes. Este número final tem certamente algumas gralhas pela comprovada dificuldade de verificação de nomes e datas, sobretudo no desempenho daquelas funções próximo da data final de abate dos navios, já em Luanda, em que houve diversas trocas, muito provavelmente não registadas.

Ao conjunto de Oficiais que de 1963 a 1975 por ali passaram, podem ser acrescentados um numerário próximo de 250 Sargentos e 1.250 Praças. Trata-se de simples estimativa, considerando o número de anos de serviço de cada LFG e as substituições de guarnições havidas em cada dois anos. Critério empírico, certamente com erros, mas com alguma aproximação.

Naturalmente que me permiti, a mim próprio, uma pequena fuga na escolha da LFG «Orion» para foto de capa. Acresce que a imagem foi captada ao tempo da minha comissão na Guiné, quando integrava a guarnição daquele navio.

No rio Cacheu, de 21 e 23 de Fevereiro de 1967, numa escolta entre S. Vicente e Farim, efectuada à LDG «Alfange» quando procedia a um transporte de companhias do Exército, com o respectivo armamento, equipamento e abastecimentos, o 1TEN José Fernandes Martins e Silva (CMG Ref), então comandante daquela unidade naval fotografou repetidamente a LFG «Orion».

Sou muitas vezes tolhido na escrita por um sentido de contenção, próprio de quem mede as palavras que diz ou que escreve, quando confrontado com uma balança em que num dos pratos pesa a Instituição que me acolheu durante sete anos, instituição que me merece grande respeito e sentido afecto e no outro prato, debato-me com a necessidade de não alterar o que são as minhas vividas memórias históricas como oficial da Reserva Naval que fui, hoje comum cidadão.

Ainda que tecendo críticas, doravante, tentarei não enaltecer aspectos excessivamente positivos de vivências privilegiadas que me foram dadas partilhar, mas também evitarei camuflar momentos menos bons que também ensombraram uma comissão de dois anos.

Quero referir especialmente todos os camaradas que permaneceram na Guiné, sem distinção de posto ou função, mas alargando o horizonte das minhas considerações, de forma análoga, a quem permaneceu em Angola, Moçambique ou com passagens pontuais por S. Tomé e Principe e Cabo Verde.

Nestas linhas que publico, quero deixar expressa uma singela homenagem a todas as guarnições daquela classe de unidades navais onde, cada 27 homens constituindo uma guarnição, deixaram uma marca de amizade, dedicação, sacrifício e abnegação, servindo a Marinha de Guerra Portuguesa e o País que os viu nascer e crescer.

Acrescentaria ainda uma menção especial às praças nativas que, sendo recrutadas localmente, eram enquadrados em todas as tarefas das guarnições, desde o descanso em Bissau ao combate. Alguns deles terão sido fuzilados mais tarde, numa incompreensível caça às bruxas, por terem simplesmente combatido a nosso lado nestas ou noutras unidades.

Às duas guarnições da LFG «Orion» com quem servi, deixo um sentido e profundo agradecimento por me terem apoiado na formação profissional e humana, coadjuvarem nas múltiplas missões e operações em que participámos, nos combates travados e na grande camaradagem, amizade e momentos de convívio que entenderam comigo partilhar.

Muitos dos elementos das guarnições destas unidades navais já não estão entre nós, chamados que foram para o cumprimento da última comissão mas, em espírito, permanecerão sempre connosco!


Fontes:
Texto e imagens do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 15º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2004; arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Museu de Marinha e Revista da Armada;


mls

terça-feira, dezembro 06, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (3)


LDG «Cimitarra»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Janeiro de 2009)

A LDG «Cimitarra» , LDG 103, foi a terceira de um grupo de quatro Lanchas de Desembarque Grandes da Marinha de Guerra Portuguesa que constituiram a classe “Alfange”, nome atribuído pelo da primeira a ser construída.

Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 4 de Setembro de 1965. Efectuou o plano de adestramento básico durante 3 semanas.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação são idênticos aos da LDG “Alfange” com excepção do transreceptor que era Nimbus Curlew.

Resumo geral das características principais:



Em 27 de Abril de 1966, largou da BNL com destino a Moçambique tendo navegado até à Guiné na companhia da LDG "Montante", com escalas na Madeira e em Cabo Verde.

No princípio de Junho seguiu como navio solto, navegando em rota larga para evitar quaisquer encontros com navios hostis, escalou S. Tomé, Luanda, Moçamedes, Walwis Bay, Cape Town, Durban, Lourenço Marques, Beira, Angoche e finalmente Porto Amélia, onde atracou a 22 de Agosto.

Em quase 4 meses de viagem, ultrapassara temporais e avarias, efectuara tiradas de 15 dias sem que tivesse capacidade para mais de 5 dias de frescos e navegara cerca de 8.000 milhas.

Atribuído ao Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia, o navio passou a apoiar operações militares no distrito de Cabo Delgado e a efectuar missões de apoio logístico, de âmbito militar e civil.

Apesar das condições de mar serem frequentemente muito adversas na costa norte de Moçambique, o navio visitava regularmente os portos de Nacala, Ibo, Mocimboa da Praia, Palme e Quionga, assegurando o reabastecimento local que a guerra impedia ser feito por terra em segurança.

Em 31 de Março de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada, tendo servido a Marinha durante mais de 10 anos, totalizando cerca de 11.530 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG «Cimitarra» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Virgílio Roma Pita Barros, 6Set65 a 27Jul68;
1TEN Engrácio Lopes Cavalheiro, 27JUl68 a 12Jun70;
1TEN Manuel Luís Amaral Pereira, 12Jun70 a 16Set72;
1TEN António Manuel Varela Marques de Sá, 16Set72 a 6Jun74;
1TEN Carlos Manuel Silva Serrano, 6Jun74 a 31Mar75;

Foram oficiais imediatos da LDG «Cimitarra» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN João Almeida Santos, 7.º CEORN, 7Set65 a 14Nov66;
2TEN RN Júlio Henriques Ferreira Alexandre, 9.º CFORN, 22Mai67 a 24Mai69;
2TEN RN Fernando Raul Baptista do Carmo, 13.º CFORN, 24Mai69 a 5Mai71;
2TEN RN João António de Sousa Pereira, 17.º CFORN, 5Mai71 a 5Dez72;
2TEN RN Joaquim José Ramos Reis Santos, 20.º CFORN, 5Dez72 a 21Nov74;
2TEN RN Ângelo Manuel Carvalho de Oliveira, 24.º CFORN, 21Nov74 a ...(?);

Foi também oficial imediato da LDG «Cimitarra», o seguinte oficial dos QP:

2TEN Adelino Rodrigues da Costa, (datas...?);


Fontes:
Arquivo de Marinha; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de "Setenta e Cinco Anos no Mar", Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; cedência de fotos do Comandante Adelino Rodrigues da Costa;

mls

quinta-feira, março 16, 2017

7.º CEORN, Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, 1964 - Parte II



(conclusão do post anterior)


Pouco tempo após a entrada do 7º CEORN, em 25 de Setembro desse ano, a Frelimo iniciava a sua luta de guerrilha no Chai, Distrito de Cabo Delgado e no Cobué, no Niassa.

Na continuação da resposta ao progressivo alastramento da guerrilha nos territórios ultramarinos de então, ao longo do ano de 1965, foram aumentadas ao efectivo dos navios da Armada novas unidades, especialmente concebidas para actuação nas bacias hidrográficas onde se desenvolviam as mais importantes acções militares.




De bordo da LDG «Alfange», amarrada à bóia em Bissau, vista da ponte-cais em T
com o N/M «Braga» atracado, o Comando de Defesa Marítima da Guiné por detrás,
a avenida Marginal e, ao fundo, as duas torres da Sé


Destaque especial para as novas Lanchas de Desembarque Grandes LDG «Alfange» e LDG «Montante» destinadas à Guiné, a LDG «Ariete» para Angola e a LDG «Cimitarra» que seguiu para Moçambique, todas construídas nos Estaleiros Navais do Mondego, deslocando 480 toneladas e podendo transportar outras 270 de carga.




Guiné - A LFG «Sagitário» navega no rio Cacheu, a curta distância do alto tarrafo das margens.

Além destas unidades, a Marinha recebeu igualmente as Lanchas de Fiscalização Grandes, LFG «Centauro», destinada a Angola e LFG «Sagitário» que seguiu para a Guiné, ambas da classe «Argos».

Foram ainda entregues as novas Lanchas de Fiscalização Pequenas da classe Júpiter, respectivamente a LFP «Júpiter», LFP «Venus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio», LFP «Saturno» e LFP «Urano», seguindo as duas primeiras para Angola e as outras quatro para o Lago Niassa.




Em cima a LFP «Jupiter» e, em baixo, a LFP «Pollux», ambas no rio Zaire



O aumento ao efectivo de todas estas unidades navais e as normais rendições de outras, previstas em áreas operacionais, redundaram em alargada mobilização de oficiais da Reserva Naval da classe de Marinha, deste curso, para fazer face às crescentes necessidades.

Também na classe de Fuzileiros a maioria dos oficiais foram chamados a participar em missões além-mar, integrados em Companhias ou Destacamentos.

Um dos primeiros oficiais fuzileiros do 7.º CEORN a partir para Angola, integrado no DFE 13, foi o STEN FZ RN Vasco Luís Schulthess de Quevedo Pessanha que, depois de actuar com a sua unidade nos postos do Zaire e Massabi, comandou a primeira força de Marinha destacada no Lungué-Bungo, no sueste de Angola.

De salientar que, em Abril de 1966, após perfazerem doze meses efectivos como Aspirantes, se verificaram apenas 17 promoções a Subtenente. Os restantes 45 elementos do 7.º CEORN encontravam-se em zonas operacionais

Após o juramento de bandeira foram designados para prestar serviço em África os seguintes oficiais:

Guiné (13 Oficiais):

2TEN RN António Viriato Carvalho Santos, LDG «Alfange»;
2TEN RN Francisco José de Orey da Cunha, LFG «Sagitário»;
2TEN MN RN Fernando de Jesus Monteiro, CF 7;
2TEN AN RN José Filipe Correia de Araújo, CDMGuiné;
2TEN FZ RN Gabriel Maria da Costa Mesquita Brito, CDMGuiné;
2TEN FZ RN Américo dos Santos Pinto, DFE 3;
2TEN FZ RN Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva, DFE 4;
2TEN FZ RN Mário José dos Santos Carvide, DFE 6;
2TEN FZ RN António Cabrita da Silva, CF7;
2TEN FZ RN Elder Carlos de Sousa Fernandes, CF 7;
2TEN FZ RN Fernando José de Sá Martins Varanda, CF 7;
2TEN FZ RN Francisco Gil de Borja Meneses, CF 7;
2TEN FZ RN Francisco Coelho Mendes Fernandes, DFE 7;




Angola - O Posto da Quissanga no rio Zaire


Angola (16 Oficiais):

2TEN RN António de Almeida Correia de Sá, LFP «Venus»;
2TEN RN António Manuel Baptista de Mello, LFP «Rigel»;
2TEN RN Carlos Manuel Lopes de Carvalho, LFP «Espiga»;
2TEN RN Florêncio António Fernandes, LDG «Ariete» e navio-patrulha «S. Vicente»;
2TEN RN João do Carmo Lourenço, LFG «Centauro» e Comando Naval de Angola;
2TEN RN João Paulo Von Mayer Reis, LFP «Régulus»;
2TEN RN Joaquim António Coelho Palminha, LFG «Pégaso»;
2TEN RN Luis Fernandes Frutuoso Costa, Comando Naval de Angola e LFG «Centauro»;
2TEN RN Manuel Branco Ferreira Lima, LDG «Ariete»;
2TEN RN Luis Filipe Carvalhal Rebelo, Comando Naval de Angola;
2TEN RN Rui Jorge Lima Saraiva, LFP «Pollux»;
2TEN AN RN Bernardo da Gama Lobo Xavier, Comando Naval de Angola;
2TEN FZ RN Alfredo José Geraldes Malheiro Messeder, DFE 2;
2TEN FZ RN António Delgado Mateus, CF 5;
2TEN FZ RN Basílio Sebastião Rodrigues Tavares, CF 5;
2TEN FZ RN Vasco Luis Schulthess de Quevedo Pessanha, DFE 13;


Moçambique (16 Oficiais):

2TEN RN António Luis Gato, FF «Pacheco Pereira»;
2TEN RN Jochia Lipszyc, NH «Almirante Lacerda»;
2TEN RN João Almeida Santos, LDG «Cimitarra»;
2TEN RN João António Rodrigues de Oliveira, LFG «Argos»;
2TEN RN João da Silva Boavista Canada, LFP «Urano»;
2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa, LFP «Urano»;
2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho, LFP «Saturno»;
2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis, LFP «Marte»;
2TEN RN José Fernando Ferreira Guimarães, LFG «Dragão»;
2TEN RN Luis Manuel Carneiro Amoroso Lopes, Comando Naval de Moçambique;
2TEN RN Augusto César Gaspar Ferraz, CF 8;
2TEN RN João Garcia Ribeiro, CF8;
2TEN RN Joaquim Miguel Calhau Barrocas, CF 8;
2TEN RN José Sebastião Raposo Alves Saltão, CF 8;
2TEN RN Pedro Salgado Baptista Coelho, DFE 5;
STEN FZ RN Victor Manuel Moreira Barreto, Escola de Fuzileiros;




A fragata «Pacheco Pereira»

Continente e Ilhas (17 Oficiais):

STEN RN André Pires Rodrigues, Instituto Hidrográfico;
STEN RN Pedro José Araújo de Sousa Ribeiro, Instituto Hidrográfico;
STEN RN João Bernardo Pacheco Rodrigues, navio-patrulha «Príncipe»;
STEN RN Manuel Avenilde Rodrigues Valente, navio-patrulha «S. Tomé»;
STEN RN João Frederico Campos Burnay, Escola de Fuzileiros;
STEN RN Manuel Teixeira Rego Oliveira, Escola de Fuzileiros;
STEN ECN RN José Rodrigues dos Santos Lourenço, Inspecção de Construção Naval;
STEN AN RN Ernâni Rodrigues Lopes, Inspecção de Construção Naval;
STEN EMQ RN Alcides Vaz Serra Pacheco, LF «Espadilha»;
STEN EMQ RN Arnaldo Augusto Hibon de Campos, Gr n.º1 EA;
STEN AN RN Mário José de Matos Valadas, Gr n.º1 EA;
STEN EMQ RN Joaquim Maria Baptista Rodrigues Pereira, LF «Dourada»;
STEN EMQ RN José Diogo Peres Pires Branco, LF «Bicuda»;
STEN EMQ RN José Guilherme Vieira Baptista, LF «Azevia»;
STEN AN RN Mário Augusto Nunes Baptista, DSA;
STEN AN RN Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, DSP-4.ª Rep.;
STEN AN RN Artur Eduardo Brochado dos Santos Silva, Corpo de Marinheiros da Armada;

Ao longo do ano de 1967, os Oficiais pertencentes ao 7.º CEORN foram licenciados mas 5 deles, prolongaram a permanência na Marinha e vieram a ingressar mais tarde na classe do Serviço Especial dos Quadros Permanentes no ramo de Oficiais Fuzileiros, tendo ascendido ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra:

2TEN FZ RN Alfredo José Geraldes Malheiro Messeder;
2TEN FZ RN Francico Coelho Mendes Fernandes;
2TEN FZ RN Mário José dos Santos Carvide;
2TEN FZ RN Pedro Salgado Baptista Coelho;
2TEN FZ RN Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva;




Galeria de Fotos:




Fontes:
Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Texto do autor do blogue compilado, adaptado e completado a partir do publicado na Revista n.º 11 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Abril 2000; Fotos de Arquivo do autor do blogue;

mls