sábado, junho 16, 2018

Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu


Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2011)





No interior do forte do Cacheu, em Fevereiro de 1990, João Teixeira Pinto, Diogo Gomes, Nuno Tristão e Honório Barreto, quatro notáveis vultos da história da República da Guiné-Bissau, ainda que em deficientes condições e com participação histórica diferenciada no tempo, parecem uma estranha associação de degredados.

Na foto inferior, Diogo Gomes encostado a uma guarita do forte, parece prescrutar o horizonte na esperança de que melhores dias tragam os mares.







Fontes:
Texto do autor; fotos(1998) de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN;


mls

Cacheu, 1989 - Testemunho de uma passagem pelo Forte do Cacheu


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 30 de Março de 2011)






Fontes:
Foto cedida pelo Dr. Carlos Silva (antigo Furriel Miliciano, CCaç 2548.


mls

domingo, junho 10, 2018

Cerimónia de Homenagem aos Combatentes


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 22 de Março de 2011)

A opinião de um Santo Aleixense, antigo oficial da Reserva Naval do 8.º CEORN




Concelho de Moura - Aldeia de Santo Aleixo da Restauração, encimada pela igreja


Nunca fui apoiante e nem sequer simpatizante de Cavaco Silva. Continuo a considerá-lo como um dos principais responsáveis pelo estado político-social a que chegou o País em que nasci, cresci e em que escolhi viver.

Não partilho os valores políticos, sociais e religiosos daquele antigo Presidente da República.

Que tenha dado conta, na minha já não muito curta travessia de vida, nunca me aproveitei de quaisquer benesses ao serviço de interesses estranhos aos que a minha educação e consciência me impuseram como conduta pessoal e profissional.

Dentro desse modelo pequeno-burguês, herdado familiarmente, encarei o serviço militar como "incontornável" e, como alternativa depois de me candidatar à Marinha, escolhi ou mais correctamente terei sido seleccionado por aquela Instituição para o fazer.

Já não consegui evitar democraticamente a minha nomeação para a Guiné como local ideal para o desempenho da minha parcela de cidadania a cumprir mas, mais uma vez, fui menino obediente e bem comportado.

A despeito de, por direito de classificação final de curso, me competir o desempenho de missões que me viriam a ser cometidas noutro qualquer território à minha escolha, e só nesse sentido refiro obediência ou bom comportamento, fui nomeado para o fazer naquele teatro.

Regressei incólume, tal como toda a guarnição da unidade naval onde prestei serviço a despeito de, no global dos três teatros da Guerra do Ultramar, mais de nove milhares de militares não terem tido a mesma sorte.

Não sei se lhes foi dada oportunidade de escolha mas cabe-me, como cidadão livre e vivendo em democracia, respeitar e honrar essa Memória, seja ela de África, da Índia, da 1.ª Guerra Mundial, de Aljubarrota ou de outro qualquer lado onde se combateu ao serviço de Portugal.

Fá-lo-ei sempre!

Nestas palavras, e em poucas coisas mais, estive de acordo com Cavaco Silva! Também, por esse mesmo motivo, publiquei, ao tempo, a alocução dele na homenagem efectuada junto do monumento aos Combatentes do Ultramar e que volto agora a republicar no "link" abaixo que inclui o vídeo da cerimónia:


Pecou por tardia a atitude, já que dispôs de um primeiro mandato completo para o fazer mas, calculísticas avaliações políticas mais do que sentir verdadeiro, terão atirado a iniciativa para um almejado segundo mandato porque o risco de não ser reeleito seria eventualmente acrescido.

Aqui, permito-me expressar uma outra opinião que considero sustentada quanto baste. Tenho um enorme respeito pelo saber e cultura do Prof. Adriano Moreira que oiço atentamente, sempre que tenho ocasião para tal.

Foi Ministro do Ultramar e não de África e, por palavras próprias, já explicou pormenorizadamente a diferença de conceitos e também onde acabou um e começou o outro. Na minha modesta opinião, fê-lo detalhadamente e com conhecimento de causa.

Uma coisa é certa! Está gravado no meu espírito que quando embarquei para a Guiné fui para o Ultramar (África) e, no final da minha comissão, regressei à Metrópole (Portugal). Era assim em linguagem corrente mas "tempo e conveniência política" deturpam verdades históricas. Colónias sempre tivemos e, a haver alguma espécie de «acordo ortográfico obrigatório» com alteração significativa da denominação, adoptaria a de Guerra Colonial.

Não quero pronunciar-me sobre o pouco que conheço para lá da Guiné. Tendo lido alguma coisa sobre outros teatros de conflito, mas bastam-me meia dúzia de nomes entre os quais incluo o do Lobo Antunes para me apetecer continuar calado e, indo mais além na minha imagem de marinheiro, ter que chamar pelo "gregório" como na navegação em mar cavado a grosso. Afinal, tantas vezes se propala a mentira que assume foros de verdade...

Quase simultaneamente, a minha mãe teve lá três filhos de quatro, dois na Guiné e uma filha em Angola com o marido, este como Oficial da FAP, ao tempo. Nenhum deles como militar de carreira.

A única pessoa que, durante o meu tempo de permanência na Guiné, mostrou proteger por duas vezes a minha vida, conhecia-me há meia dúzia de meses, era um negro de etnia mandinga e foi mais tarde fuzilado a mando de escumalha que se dedica ao narcotráfico, tudo em nome de um bom povo guineense que ainda não deixou de sofrer desde que de lá saímos.

Também aqui estou de acordo com Cavaco Silva. E serei apelidado de racista?

Depois, bem, depois vieram datas célebres, sessões de esclarecimento, tentativas várias de lavagens ao cérebro, pessoas classificadas como não devidamente esclarecidas, ameaças veladas, saneamentos, empresas saqueadas, plenários, comícios com toda a casta de apaniguados, modelos políticos e sociais a aplicar, a maioria sob a batuta filosófica de acólitos de Marx, Lenine, Engels e Trotsky, uns piores do que outros mas todos medíocres, maus os que se seguiram e, agora, ainda piores.

Para mim sobrou o epíteto de "recuperável" talvez depois de umas férias num qualquer arquipélago "Gulag". Parece nada terem aprendido e o País reflecte-o hoje pesadamente! Muito teria para continuar a debitar mas não consigo descortinar motivos válidos para apoiar quem quer que seja nem "antes" nem "depois".

A igreja de Santo Aleixo da Restauração, localidade de onde sou natural, foi destruída por três vezes na Independência e de outras tantas vezes foi reconstruída, sem apoios comunitários. Por lá se mantém, bem caiada. A localidade figura no Monumento dos Restauradores e, provavelmente, haverá por aqui alguma genética residual de rejeição à política e, mais ainda, à manipulação que a comunicação social hoje dela faz.



Lisboa - Praça dos Restauradores, monumento e um pormenor

Muito provavelmente, também o País irá continuar, mesmo sem a falta de qualidade e dignidade mínima exigíveis a políticos representativos de cidadãos que neles acreditam e votam.

Façam o favor de cumprir com dignidade, como sempre fizeram a maioria dos Combatentes, ainda que muitos deles emprestados temporariamente às Forças Armadas como Milicianos do Exército ou da Força Aérea e ainda da Reserva Naval, neste último caso da Marinha.

Evoco aqui as Mães que cederam o melhor de si próprias às fileiras e os Militares que honraram o conceito de cidadania ao serviço do Pátria por que lutaram ou até deram a vida.


Manuel Lema Santos, 8.º CEORN
1TEN RN 1965-1972, lic.
Guiné LFG «Orion», 1966/1968;
CNC 1968/1970;
EMA 1970/1972;


Fontes:
Texto e foto do autor; foto de Santo Aleixo da Restauração de António Melão, 2008 com a devida vénia em http://www.flickr.com/photos/metalcamera/2338221925/sizes/z/in/photostream/


mls

domingo, junho 03, 2018

24.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Fev74


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Dezembro de 2010)

24.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval


Listagem completa do 24.º CFORN.


Foi o primeiro curso realizado no ano de 1974 que, a exemplo de anos anteriores,viria a ser assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval, neste caso os últimos.

O despacho Ministerial n.º 63 de 23 de Maio de 1972, relativo aos Cursos e Instruções para Oficiais, Cadetes, Sargentos e Praças para o Ano Escolar de 1972/73, tinha alterado as bases de recrutamento para os 24.º e 25.º CFORN prevendo a incorporação de 218 cadetes dos quais, na realidade, apenas foram integrados 181 cadetes.

Entretanto, fora modificado o regime de promoções dos Aspirantes RN designados para prestar serviço nas províncias ultramarinas em comissões de duração superior a um ano. Até então, os Aspirantes eram promovidos a Sub-tenente na data de embarque para o ultramar mas, a partir do 22.º CFORN essa promoção foi substituída pela graduação.

O 24.º CFORN foi alistado em 21 de Fevereiro de 1974 e concluiu-se a 28 de Setembro de 1974. Foram incorporados 95 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 16 cadetes na classe de Marinha, 1 cadete da classe de Construção Naval, 31 cadetes na classe de Fuzileiros, 32 cadetes na classe de Especialistas e 15 na classe de Técnicos, esta última classe incorporada pela primeira vez num curso de acordo com a portaria 880/73 de 12 de Dezembro.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes e foi Director de Instrução o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro. Este último, no posto de Comodoro, veio a substituir o primeiro no Comando daquele estabelecimento de ensino em 17 de Maio de 1974 ainda que ainda tenha desempenhado as funções de Director daquele CFORN.




O Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes, Comandante da Escola Naval e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro, Director de Instrução

Com a Revolução do 25 de Abril o quadro político-militar viria a marcar o início de alterações profundas no ciclo de prestação do serviço da Reserva Naval considerando o final dos conflitos em África. Era este curso que se encontrava na Escola Naval naquela data. A viagem de instrução foi realizada a bordo da fragata «Almirante Gago Coutinho».




A fragata «Almirante Gago Coutinho», navio onde teve lugar a viagem de instrução do 24.º CFORN

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Especialistas, José Luis Pinto Pereira da Silva. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete da Reserva Naval, classe de Especialistas, José Luis Pinto Pereira da Silva, Prémio Reserva Naval

Durante o ano de 1974 houve uma franca retracção no plano de modernização da Marinha. Como resultado do final da Guerra do Ultramar começaram a ser abatidas as unidades navais que foram entregues aos novos Estados independentes, quer por se encontrarem obsoletas quer por não se justificarem dispendiosas reparações.

Foram aumentados ao efectivo as lanchas de fiscalização «Açor», «Andorinha» e «Albatroz» e, já em 1975, vieram ainda reforçar aquele efectivo a LF «Águia» e as corvetas «Oliveira e Carmo» e «João Roby».




A LFP «Açor»

Com a retracção do dispositivo naval, no decorrer do mesmo ano de 1974, foram abatidos ao efectivo dos navios da Armada 1974, os draga-minas «Corvo», «Angra do Heroísmo», «S.Jorge», «Graciosa», «Ponta Delgada» e «S. Pedro», a LDG «Montante», as LFP «Bellatrix» e LFP «Regulus», o submersível «Narval», o navio-patrulha «Porto Santo» e as LFG «Sagitário» e LFG «Cassiopeia» que foram afundadas na Guiné, a oeste da Ponta Caió.

Já durante o ano de 1975, foram abatidas ao efectivo de navios as LFP «Altair», LFP «Antares», LFP «Marte», LFP «Mercúrio», LFP «Pollux», LFP «Urano», LFP «Vénus», LFP «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Júpiter», LFP «Saturno» e LFP «Rigel», a LF «Dourada», as LFG «Argos», LFG «Centauro», LFG «Pégaso», LFG «Orion», LFG «Lira», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Hidra», as LDG «Cimitarra», LDG «Alfange» e LDG «Ariete», os NA «Carvalho Araújo», NA «Santo André» e NA «S. Cristóvão», o NH «Almirante Lacerda» e o navio-patrulha «Maio».




A corveta «João Roby»

Alguns destes oficiais da Reserva Naval ainda desempenharam missões neste tipo de navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, ainda que a mobilização tenha sido reduzida. No entanto, na classe de Fuzileiros, por virtude do final dos conflitos em África, houve uma significativa redução, tendo passado a ser este o curso em que maior número de oficiais permaneceu no Continente.

Pela primeira vez no historial da Reserva Naval, resultado da necessidade da reestruturação da instituição militar e também da adaptação a uma política de integração social resultante do êxodo dos antigos territórios os ASP RN Eduardo Guedes Queirós de Mendia e Asp TE RN José Manuel Ferreira Figueira de Faria são destacados para a Comissão Coordenadora da Reintegração de Angola e o Asp TE RN João Maria de Lemos de Menezes Ferreira é nomeado para o Gabinete do Secretário da Comunicação Social.




Foto actual da Fábrica Nacional de Cordoaria - Torreão Poente

A par de outras formações académicas, a classe de Especialistas integra o Asp TE RN Alberto Guilherme de Stoffel Cardoso, engenheiro têxtil, que destaca para a Fábrica Nacional de Cordoaria juntamente com o Asp TE José Esteves do Amaral. O Asp TE RN Veríssimo de Freitas da Silva Borges, biólogo, é nomeado para prestar serviço no Aquário Vasco da Gama e, para a Escola Naval, recebem guia de marcha os Asp TE RN Daniel da Assunção Muller, Asp TE RN Fernando Augusto da Cunha Almeida e Asp TE RN Luis Cândido de Almeida de Eça Ramalho.




Aquário Vasco da Gama



Foram designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:

Guiné (9 Oficiais):

2TEN RN António Carlos de Queiroz Vilela Bouça, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN RN Guilherme José Pescaria Costa, LFG «Lira»»;
2TEN RN José Zulmiro da Silva Barbosa, LFG «Orion»;
2TEN FZ RN Camilo José Pegado Lemos de Mendonça, CF 2;
2TEN FZ RN Carlos Alberto da Assunção Guerreiro da Cunha, CF 2;
2TEN FZ RN Rui António Pessanha Rodrigues, CF 2;
2TEN FZE RN Jorge Manuel de Oliveira Monteiro, DFE 12;
2TEN FZE RN Rui Manuel da Silva Castro, DFE 12;
2TEN TE RN José Augusto de Freitas Carneiro, LDG «Bombarda»;




1972 - Vista aérea do aeroporto de Bissau e zonas circundantes

No princípio de 1974, da Conferência Afro-Árabe sobre petróleo sobressai a resolução que proíbe o acesso aos portos dos países árabes de navios que transportem petróleo destinado à África do Sul, Rodésia e Portugal.

Já então se começavam a processar com dificuldade as rendições das Unidades no Ultramar devido, por um lado, ao prolongamento excessivo de uma guerra em que alguns militares contavam já com três ou quatro comissões e, por outro lado, à escassez de recursos materiais e humanos.

O conflito agudiza-se. No início de Março as minas voltam a fazer estragos no rio Cumbijã. No porto de Cufar interior, local onde geralmente ficavam os batelões sem guarda por estarem próximo do aquartelamento, o batelão dos combustíveis foi pelos ares, na altura em que se encontravam vários trabalhadores a bordo, morrendo 20 a 30 estivadores a explosão.

Em Abril os combates travavam-se com violência de forma generalizada, recorrendo o inimigo a métodos cada vez mais imaginativos e letais com baixas nas nossas forças. No rio Cacheu o PAIGC redobrava esforços para conseguir com êxito as cambanças do Sambuiá para sul mas os fuzileiros, com base em Ganturé opunham-se sistematicamente ao abastecimento por essa via.

Nesse mês nos dias 19 e 22 as patrulhas de botes do DFE 1 são violentamente emboscadas nas clareiras de Jagali e Leto, sofrendo um morto - o Marinheiro FZ 2889/70 Joaquim Alves Gomes e três feridos graves. Foi o último fuzileiro a morrer em combate no Ultramar, vítima de uma granada de RPG7.




Guiné, 1973 - Em Ganturé, da esquerda para a direita, STEN FZE RN Vicente Cabral do 20.º CFORN, STEN FZE RN Oliveira Braga, 1TEN EMQ (FZE) Meireles de Amorim e STEN FZE RN Melo e Sousa

Comandava aquele Destacamento de Fuzileiros, DFE 1, o 1TEN EMQ José Firmino Meireles de Amorim, tendo como oficial Imediato o 1TEN Jorge Manuel Rodrigues Casals Braga (antigo oficial da Reserva Naval do 10.º CFORN) e tendo como outros oficiais os 2TEN FZE RN José Alfredo Oliveira Braga do 18.º CFORN, 2TEN FZE RN Abel Ivo de Melo e Sousa do 20.º CFORN (mais tarde dos QP), 2TEN FZE RN Vicente Cabral do 20.º CFORN e 2TEN FZE RN José Manuel Simões Rodrigues Castro do 21.º CFORN.

No dia 25 de Abril o levantamento militar na Metrópole depõe o regime do Estado Novo originando também grande confusão nos militares que se mantinham em campanha com reacções diversas. Embora com abrandamento a guerra mantem-se e em Junho inicia-se a retracção das forças no terreno.

Em Bissau são reforçadas as forças de vigilância e segurança. Em 25 de Agosto, são desactivadas as unidades de fuzileiros que se encontravam em Bolama, os DFE’ s 21, 22 e 23 que, depois de formados, apenas entregaram o armamento distribuído com instruções directas do respectivo comando, sendo de todo ineficaz a tentativa de contacto por um representante do PAIGC que ali se encontrava para o efeito.




Rio Cacheu, Novembro 1972 - Próximo de Ganturé, o arruamento principal da povoação de Bigene

Assinaladas algumas contradições nas entregas dos diversos aquartelamentos ao PAIGC. No sul, em Jemberém, Cameconde, Gadamael e por fim Cacine, com guarda de honra em formatura mista, a toque de clarim do exército, procede-se à cerimónia do arriar da Bandeira Nacional e ao içar da Bandeira do PAIGC.

Em Vila Cacheu, o comandante* do DFE 4, excelente oficial, magnífico operacional e grande patriota, evitando o enxovalho a que estavam a ser sujeitas as Forças Armadas, após ter embarcado nas viaturas todo o material, forma o Destacamento e com as honras do estilo, manda arriar pela última vez a Bandeira Nacional e, de seguida, manda derrubar o mastro , já que "onde esteve içada a Bandeira Portuguesa mais nenhuma haveria de subir". De seguida deu ordens ao pessoal para embarcar, não aguardando sequer que alguém do PAIGC se apresentasse a reclamar a posse das instalações antes de serem abandonadas.




1973 - Em Bigene, próximo de Ganturé, rio Cacheu, dia de eleições locais

Em 10 de Setembro Portugal reconhece legalmente a Guiné-Bissau como Estado soberano, em 3 de Outubro de 1974 regressa a Portugal a Companhia de Fuzileiros n.º 5, a 15 de Outubro o DFE 4 e, finalmente, a 30 de Outubro, a bordo do TT «Niassa» regressa a Portugal a última Unidade de Fuzileiros na Guiné, o DFE 5.


* 2TEN FZE RN Pedro Henrique Malheiro Ribas de Meneses, oficial da Reserva Naval do 16.º CFORN;




Angola (11 Oficiais):

2TEN RN Carlos Fernando B. Ferreira de Castro, fragata «Comandante Hermenegildo Capelo»;
2TEN RN José António Sarsfield Pereira Cabral, LDG «Alfange»;
2TEN FZE RN António Proença Martins, DFE 6;
2TEN FZE RN Carlos Manuel Garrido Vieira de Sousa, DFE 6;
2TEN FZ RN Armindo Herlander de Carvalho, DFE 6;
2TEN FZE RN Manuel Tavares de Pinho, DFE 6;
2TEN FZ RN Horácio de Faria Lages, CF 12;
2TEN FZ RN Joaquim da Silva Matos, CF 12;
2TEN FZE RN José Firmino Ferreira de Almeida, DFE 2;
2TEN TE RN José Manuel Ferreira Figueira de Faria, Comando Naval de Angola;
2TEN TE RN José da Costa Fernandes, Comando Naval de Angola;

No inicio de 1974, a animosidade contra Portugal manifestada pela comunidade internacional acentuava-se cada vez mais, espicaçada pelos países afro-asiáticos. Os países manifestavam ou um discreto apoio, uma neutralidade titubeante ou mesmo uma aberta rejeição à política portuguesa, como sucedeu com a generalidade dos povos escandinavos.

E 22 de Março, em Genebra, era adoptada uma proposta apresentada pelos Estados do Terceiro Mundo na 30.ª sessão da Comissão dos Direitos do Homem, no sentido de serem consideradas “as guerras contra a dominação estrangeira, guerras contra o colonialismo e racismo como guerras justas", tal como as guerras de autodeterminação.

Na mesma altura era aprovada na conferência da Organização Internacional do Trabalho, realizada em Conacry, uma resolução apontando para a expulsão de Portugal daquele organismo.

Sucediam-se as greves e manifestações na oposição à guerra que, lentamente, ia crescendo nos meios operários e estudantis portugueses, de imediato utilizada como propaganda pelos movimentos pró-independentistas.

Em 15 de Abril de 1974, através da rádios, o MPLA difunde as suas mensagens afirmando que, em Lisboa, circulava clandestinamente um documento assinado pelo Movimento dos Capitães a preconizar uma solução política para a Guerra do Ultramar, uma vez que considera a vitória pelas armas impossível.

No dia 25 de Abril, um levantamento militar em Portugal degenerou numa revolução que, no escasso tempo de algumas horas, depôs o regime vigente e tomou conta do poder, elegendo uma Junta de Salvação Nacional como modo de assegurar o imediato controlo da Nação.

A Marinha seguia com atenta preocupação o evoluir da situação interna do território. generalizava-se a tendência para o desentendimento entre os movimentos emancipalistas com distúrbios em vários locais, especialmente em Luanda, e o apelo à continuação da luta armada até à total independência da Angola.




Luanda - A Fortaleza de S. Miguel

Entre Junho e Agosto, depois de uma larga sucessão de nomeações, substituições e negociações entre Forças Armadas, Comandante-Chefe e Movimentos, é nomeado um Alto-Comissário para as negociações. A Marinha começa a retrair o dispositivo no território mantendo a vigilância e guarda de instalações militares.

Em 15 de Outubro, depois da readmissão de Portugal na UNESCO em Setembro, são suspensas todas as operações contra elementos e grupos da FNLA e, a partir do dia 25 do mesmo mês, com a assinatura formal do acordo de cessação de hostilidades entre representantes portugueses e uma delegação do MPLA chefiada por Agostinho Neto, terminaram oficialmente as acções violentas dos movimentos emancipalistas em Angola.

Daquela data para a frente retrair-se-ia progressivamente o dispositivo militar, embora continuassem a verificar-se elevado número de incidentes, roubos e distúrbios, por vezes envolvendo confrontos raciais. No final do ano vivia-se em Angola um enorme caos político e social.

No meio da confusão onde grassava a "organização desorganizada", a Marinha embora sujeita a pressões revolucionárias conseguiu manter a coesão interna numa prévia preparação para abandonar Angola. Militares politizados enviados pela Metrópole, contribuiam junto das unidades para desestabilizar uma situação cada vez mais tensa e em risco iminente de ruptura.

No meio do caos instalado, a Marinha embora sofrendo prssões intensas que se reflectiam numa natural quebra da disciplina, conseguiu manter a coesão, preparando-se para abandonar Angola com a dignidade que a condição de portugueses e de marinheiros impunha.

No final do ano, encontravam-se em Luanda Destacamentos e Companhias de Fuzileiros encarregues da vigilância e protecção do Comando Naval de Angola, Estação Radionaval, Aquartelamento de Fuzileiros em Belas, Instalações Navais da Ilha do Cabo para lá de assegurarem a guarda a navios no porto. Em Santo António da Zaire mantinha-se uma Companhia de Fuzileiros garantindo a vigilância e defesa das Instalações Navais.



Moçambique (1 Oficial):

2TEN AN RN Ângelo Manuel Carvalho de Oliveira, LDG «Cimitarra»;

Conforme já se vinha passando desde o final de 1973 deixaram de ser avistados nas imediações do porto da Beira os navios de guerra ingleses empenhados no bloqueio àquele porto.

Em Abril, a revolução que estalou na Metrópole não teve efeitos imediatos em Moçambique onde, apesar do notório abrandamento, as operações continuaram até ser assinado o cessar-fogo, o que veio a suceder em 7 de Setembro em Lusaca, entre o Estado Português e a FRELIMO.




Moçambique - A LDM 408 no Lago Niassa

A confusão generalizada instala-se e, a Marinha, enquanto retrai o dispositivo no território, tem como preocupação manter a vigilância e segurança de instalações e população.

A 1 de Outubro o Comando Naval de Moçambique informa os comandos subordinados de que fora acordado o cessar-fogo a partir da meia-noite e um minuto do dia 8 de Setembro daquele ano. Ainda durante o mês de Outubro é iniciado a retracção do dispositivo iniciando-se o regresso de algumas unidades à Metrópole com comissões encurtadas.



Continente e Ilhas (71 Oficiais):

2TEN RN Augusto da Silveira Vasco Costa, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN RN Luís Filipe Canhão Roriz, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN FZ RN Amílcar Pinto de Oliveira, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN FZ RN António José Riachos dos Santos, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN TE RN António Manuel Almeida Santos Cordeiro, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN RN Eduardo Guedes Queirós de Mendia, Comissão Coordenadora da Reintegração de Angola;
2TEN RN João António de Morais Melícias Duarte, LF «Dourada»;
2TEN RN Joaquim da Silva Azevedo Costa, navio-aviso «S. Gabriel»;
2TEN RN Luís Filipe Delgado Martins Paredes, navio-hidrográfico «Afonso de Albuquerque»;
2TEN RN Manuel Duarte de Sousa,Base Naval de Lisboa;
2TEN FZ RN Jorge Manuel Vieira de Andrade, Base Naval de Lisboa;
2TEN RN Manuel Carlos de Azevedo e Melo, navio-patrulha «Zaire» e LF «Águia»;
2TEN RN Pedro Gabriel Teles Leiria Nunes, Estado-Maior da Armada;
2TEN FZ RN Aventino Manuel de Abreu Carneiro, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN José António Perdigão Dias da Silva, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Vasco Manuel Silva Martins Rodrigues, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Carlos Jesus Dias Alves no Estado-Maior da Armada;
2TEN CN RN Luís Filipe Mascarenhas do Amaral Pyrrait, Direcção das Construções Navais;
2TEN FZ RN Alfredo Manuel Castanheira dos Santos, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN João Baptista da Cruz Hermenegildo, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José Pereira Lopes da Costa, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Afonso Manuel dos Santos Barbosa, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel Mónica Lopes de Seabra, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Fernando Mendes dos Reis, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN António José Vieira Monteiro, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN João Manuel Coelho Pereira Serra, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN TE RN José da Cunha Nunes Pereira, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN António Manuel Guedes Teixeira, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN José Manuel Alves Fernandes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ Rui Miguel Guedes Reis Trigoso, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN António Pedro da Silva Chora Barroso, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN João Moreira Camilo, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António Manuel dos Santos Raposo, Comando do Corpo de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António Eduardo Quental Flor de Lima, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José António Teixeira Grosso, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José Carlos Carreira Jorge, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel Barreto Pita de Abreu, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel de Sacadura Cabral Dias, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Carlos Manuel Nogueira Fino, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN Jorge Manuel Serra Lopes, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN TE RN António Manuel Teles Domingues Santos, Direcção Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN TE RN Ílidio Augusto Trigo Barreiras Pinto, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN FZ RN Manuel Lima Ferreira, Direcção do Serviço de Educação Física;
2TEN TE RN Alberto Guilherme de Stoffel Cardoso,Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN TE RN José Esteves do Amaral, Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN TE RN Amadeu José de Melo Morais,Chefia do Serviço de Justiça;
2TEN TE RN Fernando Ribeiro Lopes, Chefia do Serviço de Justiça;
2TEN TE RN António Oliveira Moniz Barreto, DSEC;
2TEN TE RN Óscar Emanuel Magalhães Ribeiro, DSEC;
2TEN TE RN António Manuel Rodrigues da Silva, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Francisco João Delgado Mercês de Melo, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Luís Filipe Vieira Ferreira, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Daniel da Assunção Muller, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN Fernando Augusto da Cunha Almeida, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN João Maria de Lemos de Menezes Ferreira, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN Luís Cândido de Almeida de Eça Ramalho, Escola Naval;
2TEN TE RN João José Ferreira Marques de Andrade, Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN TE RN Luís António de Castro de Valadares Tavares, na Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN TE RN José Luís de Campos Almeida Mota, Direcção do Serviço de Armas Navais;
2TEN TE RN José Luís Pinto Pereira da Silva, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN TE RN Manuel Artur Barbot Veiga de Faria, Direcção Geral do Serviço de Fomento Marítimo;
2TEN TE RN Veríssimo de Freitas da Silva Borges, Aquário Vasco da Gama;
2TEN TE António José Ermida Mano, Comando Naval do Continente;
2TEN TE RN António Jorge Flores Vasques, draga-minas «Lagoa»;
2TEN TE RN Artur de Jesus Barros Nobre, navio-patrulha «Zaire»;
2TEN TE RN Fernando Carvalho Mourato, LF «Azevia»;
2TEN TE RN João de Almeida Moreira Queiroz, navio-patrulha «Geba»;
2TEN TE RN José Lúcio Amaral de Almeida, fragata «Comandante João Belo»;
2TEN TE RN Lídio Marques Fernandes, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN TE RN Luís Augusto Craveiro Bagão, draga-minas «Santa Cruz»;
2TEN TE RN Paulo Augusto Amaral Gomes, navio-patrulha «Save»;

A partir do final do 3.º trimestre de 1976 a maioria dos oficiais deste curso foi licenciada.

Ingressaram nos Quadros Permanentes os seguintes oficiais:

2TEN FZ RN Camilo José Pegado Lemos de Mendonça;
2TEN FZ RN Rui Manuel Guedes Reis Trigoso;
2TEN FZ RN António Manuel dos Santos Raposo;
2TEN FZ RN João Baptista da Cruz Hermenegildo;
2TEN FZ RN João Manuel Coelho Pereira Serra;
2TEN FZ RN Jorge Manuel de Oliveira Monteiro;
2TEN FZ RN António Proença Martins;

Todos na classe “FUZ” excepto o último que ingressou na classe “SEG”.

Foi licenciado no dia da promoção o Asp RN Eduardo Augusto Ribeiro de Sousa e não foi possível determinar o paradeiro do 2TEN FZ RN Australindo Diogo Pereira de Moura - colocado na CF 13 que nunca chegou a ser formada.

O ASP TE RN Manuel Pedro Bravo Pestana Gil faleceu por motivo de doença em 22.11.74.



Nota:
Não foi possível conseguir testemunhos fotográficos deste curso, com excepção de uma foto individual de um único elemento que se publica e que se julga ter sido o prémio Reserva Naval.





Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Comissão Cultural de Marinha, 2006; Fuzileiros – Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Luis Sanches de Baêna, 2006; Lista da Armada; Fotos de arquivo do autor com cedências do Arquivo da Marinha, Revista da Armada e CFR Abel de Melo e Sousa.


mls

quinta-feira, maio 31, 2018

Lisboa > Sal > Bissau, 31 Maio 1966 - O início de uma comissão de 2 anos


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 17 de Abril de 2011)


Bilhete de ida, ida simples… de volta, mais à frente se verá!


Era já noite entrada quando o robusto quadrimotor, um DC 6 da FAP, de transporte de páraquedistas, descolou rumo a nenhures… Ninguém nos tinha informado mas sabíamos de antemão que a Guiné ficava lá mesmo, em nenhures. Onde o tempo não tinha significado, a não ser na contagem decrescente para o regresso. Para trás, vida e futuro interrompidos, sonhos e planos abruptamente truncados, com alguma sorte adiados por dois anos, a prosseguir noutra vida mais à frente. Uma mão cheia de interrogações quedavam-se sem resposta.

Em linguagem informática, o meu registo de memória desta época de vida volatilizou-se. Com tanto tempo decorrido, não consigo aceder a qualquer informação, além da genérica e, quando me esforço por trazer a lume factos ou acontecimentos mais pormenorizados, nada está disponível. Não que me seja penoso, mas é-me impossível visualizar os «ficheiros» dos dias anteriores à viagem. Foram mesmo apagados.






O projeto DC-6 nasceu em 1944 como o XC-112 para as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos. As Forças Aéreas pretendiam uma versão aumentada e pressurizada do C-54, com motores aperfeiçoados. Contudo, na altura em que o XC-112 voou pela primeira vez a Segunda Guerra Mundial já tinha acabado e a Força Aérea deixou cair o seu pedido.
A Douglas converteu então, o seu protótipo num transporte civil (redesignado YC-112A, o qual tinha diferenças significativas em relação aos subsequentes DC-6 de produção) e entregou o primeiro DC-6 de produção em Março de 1947. Contudo, uma série de misteriosos incêndios durante o vôo (incluindo uma queda de uma aeronave da United Airlines) colocaram em terra toda a frota de DC-6. Depois de descoberta a causa, todos os DC-6 foram modificados de modo a corrigir-se o problema, voltando a frota a voar ao fim de quatro meses no solo.
A PanAm usou aeonaves DC-6 na inauguração dos seus voos transatlânticos em classe turística, iniciados em 1952.
Em 1 de Novembro de 1955 uma bomba explodiu a bordo de um DC-6 matando 44 pessoas sobre Longmont nos Estados Unidos.
A United States Air Force passou a utilizar um versão do DC-6, denominada C-118 Liftmaster entre 1957 e 1975.






Preparativos, hora de partida, se terá sido mesmo da Portela ou do Figo Maduro, quem esteve comigo no aeroporto ou quem efectuou comigo a viagem são elementos de contorno difuso, perdidos no tempo. Perdida no tempo, está também a recordação consciente dos camaradas que se juntaram a mim nesta aventura. Se não a totalidade dos que fomos para a Guiné, lembro alguns deles do mesmo curso além de alguns outros passageiros. Talvez tenhamos voado todos mas afinal a esta distância também não é pormenor de importância.

Primeiro Lisboa e o Tejo, depois a costa. Por último, as derradeiras luzes costeiras coseram-se com o horizonte, sumidas na distância. Ficou o roncar ensurdecedor dos motores do avião, rasgando a noite naquele angustiante mergulho, rumo ao desconhecido. Uma espécie de torpor invadia-me, tolhendo-me o pensamento. Lembro-me vagamente de viajar sentado de costas para uma das janelas, por cima da asa esquerda do avião, as luzes de presença da cabine e pouco mais.




Abril 1973 - Um avião Boeing 707 da TAP estacionado na placa do aeroporto da ilha do Sal

Através da vigia, olhava o reflexo incandescente de um dos motores criado pela rotação das pás dos hélices, perguntando-me se seria normal ou se estaria eminente algum acontecimento estranho. Fiquei a saber mais tarde que era possível aos pilotos, em caso de sobreaquecimento, accionarem extintores ou desligarem mesmo um motor pouco colaborante. Tranquilidade acrescida, a transmitida por este conhecimento quarenta e cinco anos depois e, haja Deus, vivo!

Pudemos juntar ao baptismo de voo um autêntico teste de resistência auditiva, embalados aos sacolejões no bojo da barulhenta aeronave, que mais parecia um salvado da segunda guerra mundial com emissões sonoras a nível de um concerto de «hard rock». Os meus camaradas da FAP desculpar-me-ão certamente o meu desabafo pela invasão humorística daquele espaço aéreo.

Quanto a conforto de cabine, podia ter sido feito melhor pelo pessoal. Bem longe das ofertas actuais, eram bancos únicos, corridos, laterais mas em lona, viajando de frente uns para os outros, ainda que de través relativamente ao sentido da viagem. Verdade seja que podíamos conversar, ou melhor, gritar para nos fazermos ouvir, mas a vontade escasseava. Hospedeiras, nem vê-las e a farda 3B com um colarinho a simular um colar cervical, não ajudaram muito a preservar uma imagem cativante do percurso.




1972 - Vista aérea do aeroporto internacional de Bissau e arredores da pista

Depois de uma escala técnica pela ilha do Sal com desentorpecimento de pernas e cerca de nove horas e quarenta e cinco minutos depois, a ruidosa mas ainda confiável «fragata aérea» que se tinha proposto deixar-nos em Bissau, acabou por cumprir a missão. Pousámos em Bissalanca, o aeroporto internacional que servia aquele território onde, depois de aberta a escotilha de saída que melhor simulava uma entrada para o caldeirão do Asterix, tal era a baforada tórrida do ar exterior, nos aguardavam na gare alguns camaradas que espreitavam avidamente os substitutos chegados.

De pouco mais, que este quase nada, me lembro. O tempo decorrido se encarregou também de esfumar a chegada, quem estava ou não, quem me terá feito companhia no transporte utilizado para o percurso até ao início da ponte-cais ou ao Comando de Defesa Marítima da Guiné, no final da Avenida Marginal de Bissau. Este descritivo não abona muito a imagem que de mim fazem alguns camaradas e amigos em termos de memorização de nomes, factos e acontecimentos.




Em cima, uma vista aérea da zona do porto da cidade de Bissau, sendo possível ver, atracados, um NM da Sociedade Geral (CUF), uma LDG a as habituais LFG, LFP e LDM ou LDP;
Em baixo, a praça Nuno Tristão ao fundo da Av. de Portugal, junto à marginal e ao Pijiguiti




Com a imprescindível guia de marcha no bolso lá fui para a competente apresentação naquele Comando, sem qualquer instrução complementar relativamente aos ensinamentos da Escola Naval mas, para a Guiné, também não acrescentaria nada de substantivo.

Sem entrar em aspectos fantasiosos, julgo ter passado primeiro pela LFG «Orion» atracada à ponte-cais de Bissau, onde me apresentei deixando alguns pertences – malas e bagagens – para depois ter ido cumprir aquele dever militar formal, de onde necessariamente me recambiariam, com nova guia, para o navio que viria a tornar-se o meu lar pessoal durante dois anos.




1968 - O Edifício do Comando da Defesa Marítima da Guiné (antigo Edifício da Alfândegas),
aquando da visita do Almirante Américo Tomás àquele território, em momento de cerimonial


O entorpecimento mental era muito e a esta distância temporal tenho dificuldade em focar imagens e acontecimentos, sobretudo a torradeira climática onde tínhamos aterrado para ali permanecer tão alargada temporada. E utilizo o plural porque, para que não me sentisse muito só, alguém teria providenciado de que tivessem sido enviados para o mesmo local, no mesmo transporte e do mesmo curso, o 8.º CEORN, mais doze camaradas, para funções diversas.



Bissau, 1969 - Habitual panorama da asa esquerda da ponte-cais; as LFG Lira» - P 361 e LFG «Sagitário» - P 1131 estão atracadas de braço dado, com a LFP «Canopus» do lado de fora, e ainda uma LDP a ultimar a atracação a esta última

Pode entender-se esta última expressão «para funções diversas» como semanticamente optimista, já que todas elas eram missões desempenhadas na Guiné, em terra ou a navegar mas, mesmo nesta perspectiva mais abrangente, lugares em terra não tinham alicerces tão firmes quanto isso e, lugares a navegar, também podiam vir a efectuar desembarques em terra, nomeados quando necessário ou por mero voluntarismo desportivo. Sabe-o quem lá esteve e eu também tive essa experiência.

Éramos treze na ida e outros tantos regressámos. Facto concreto esse que, no futuro, me ajudou a esconjurar aquela malapata dos treze à mesa, ferrête com que geneticamente vim marcado a este mundo e que ainda hoje apavora a maioria das mesas de muitas lusas famílias. Mesmo no Clube Militar Naval, pode servir de pretexto para manter camaradas separados num almoço de convívio.

Realmente, o treze, continua a ser um número que preocupa mentes mas era de efêmera relatividade comparativamente ao «dois», referente aos anitos de comissão vividos na Guiné que, esses sim, marcavam especial importância na vida cá do indígena.

Aqui ficam registados os nomes da restante dúzia de camaradas que, solidarizando-se, comigo na LFG «Orion», ali partilhámos várias sessões de sauna, em diferentes versões de equipamento naval, ao longo de dois anos de dimensão temporal marcadamente XXL:

2TEN RN Abílio dos Santos Martins Silva, LFG «Hidra»;
2TEN RN Afonso Henriques da Costa, CDMGuiné;
2TEN RN António José Cardoso da Silva, NH «Pedro Nunes»;
2TEN RN Carlos Alberto Lopes, LFP «Canopus»;
2TEN RN Emídio Guilherme Mendes de Aragão Teixeira, LFP «Deneb»;
2TEN RN Jorge Manuel da Silva Calado Marques, LFG «Lira»;
2TEN RN José Carlos Pereira Marques, CDMGuiné;
2TEN RN Júlio Conceição Ribeiro Coelho, Esquadrilha de Lanchas da Guiné;
2TEN RN Manuel de Sousa Santos, LFG «Cassiopeia»;
2TEN RN Manuel Henrique Vieira de Sousa Torres, LFP «Bellatrix»;
2TEN AN RN Álvaro Rodrigues Quintana, Gabinete Militar do Comandante-Chefe da Guiné;
2TEN AN RN José António de Fátima Fragoeiro, CDMGuiné;





Em cima, Abílio Martins Silva, Afonso Henriques da Costa e António Cardoso da Silva e,
em baixo, Carlos Alberto Lopes, Emídio Aragão Teixeira e Jorge Calado Marques








Em cima, José Pereira Marques, Júlio Ribeiro Coelho e Manuel Sousa Santos e,
em baixo, Manuel Lema Santos, Manuel Sousa Torres, Álvaro Henriques Quintana e José António Fragoeiro.






Mais tarde, para ali foram cumprir comissões de serviço outros camaradas do mesmo 8.º CEORN. De 1968/1970, o 2TEN RN José Joaquim de Sousa Ferreira Martins, LFP «Aljezur», tendo prolongado o tempo de permanência na Marinha, veio a ingressar nos Quadros Permanentes no Serviço Especial de Hidrografia.

Ainda outros dois camaradas, da classe de Fuzileiros, após de terem optado por continuar nos Quadros Permanentes e depois de efectuado o curso de Fuzileiro Especial, já no posto de primeiro-tenente, ali desempenharam missões como Comandantes dos DFE 21 e DFE 12, de 1972/1974: os Primeiros-tenentes FZE José Manuel Matos Moniz e Adelino Carlos Mendes da Silva, respectivamente.





José Ferreira Martins, Adelino Mendes da Silva e José Matos Moniz.



Daqui os saúdo a todos, recordando especialmente os que agora já não nos permitem contar tantos. Sermos cada vez menos à mesa da vida, assume ser uma tão inexorável como alheia tendência. Parece ser pertença exclusiva de outros, em espírito por nós rejeitada para, subconsciente e prudentemente, nos mantermos fora da contagem.

Quando não enquadrados numa memória histórica colectiva, a do 8.º CEORN, acontecimentos isolados e não mediatizados, são carimbados como de relevância reduzida. Perder-se-ão inexoravelmente, caídos no caminho do tempo que a tudo relativiza e faz esquecer. Assim não devia ser porque já faltam bem mais do que aqueles de que há conhecimento.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; texto da aeronave DC 6 em http://pt.wikipedia.org/wiki/Douglas_DC-6 com fotos gentilmente cedidas por Victor Barata, http://especialistasdaba12.blogspot.com/; Arquivo de Marinha; Abel de Melo Sousa, 20.º CFORN; Henrique Oliveira Pires, 11.º CFORN;


mls

domingo, maio 27, 2018

Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000


Nota prévia do autor do blogue:

Este "post" reproduz na íntegra o artigo publicado na Revista n.º 11 da "AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval" de Abril de 2000. Refere uma cerimónia simbólica, havida em 11 de Fevereiro de 2000 na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Superintendente do Serviço de Pessoal, à época o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes.

Agraciados com a Medalha de Mérito Militar de 3.ª Classe:

2TEN RN Luis Alberto Neves Cordeiro, 3.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Pedro Norton dos Reis, 3.º CEORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Rui Horácio da Silva Pires, 3.º CEORN, Angola, LFP «Espiga»;
STEN FZ RN António Luis Marinho de Castro, 8.º CEORN, Angola, CF 1;

Agraciados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas:

2TEN RN José Martins Figueira, 4.º CEORN, Guiné, CDMGuiné;
2TEN RN Rogério Bordalo da Rocha, 8.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN José Vieira de Sá, 11.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN, Moçambique, CF 4;
2TEN RN José Rasquilha de Abreu, 15.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António Gravata Filipe, 17.º CFORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, Moçambique, LFP «Saturno»;
2TEN RN Herculano Marques Ferreira, 18.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Carlos Magalhâes Oliveira, 21.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António José de Oliveira Brás, 23.º CFORN, Angola, LFP «Rigel»;




Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000




Em cima o grupo dos condecorados e, em baixo,
o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes proferindo a sua alocução





Na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes, Superintendente do Serviço do Pessoal, teve lugar no passado dia 11 de Fevereiro, a cerimónia de entrega de condecorações a 14 Oficiais da Reserva Naval a quem as mesmas tinham sido concedidas em épocas remotas e cuja publicação em Ordens do Dia à Armada de então, oficializara.

Da relação constavam 4 Medalhas de Mérito Militar de 3ª Classe, atribuídas em 1964 aos 2º Tenentes Luís Alberto Neves Cordeiro, Pedro Norton dos Reis e Rui da Silva Pires, do 3º CEORN e, em 1968, a António Luís Marinho de Castro (8º), e 10 Medalhas das Campanhas das Forças Armadas, atribuídas em 1964 a José Martins Figueira (4º), em 1968 a Rogério Bordalo da Rocha (8º), em 1970 a José Vieira de Sá (11º) e a Ricardo Migães de Campos (11º), em 1972 a José Rasquilha de Abreu (15º), em 1974 a António Gravata Filipe (17º), Francisco Cascabulho Tomé (17º) e HerculanoMarques Ferreira (18º) e, em 1976, a Carlos Magalhães Oliveira (21º) e a António José de Oliveira Brás (23º).

Evocada pelo Vice Almirante Castanho Paes a memória de Francisco Cascabulho Tomé, entretanto falecido, foi guardado um minuto de silêncio, tendo a condecoração sido entregue a seu filho Francisco Tomé.




Entrega da condecoração a Francisco Tomé em representação de seu pai

As palavras de Alfredo Lemos Damião, pela AORN, realçaram o simbolismo da cerimónia e o significado da passagem dos RN pela Marinha, mesmo em circunstâncias difíceis, sem cuidar de recompensas. O facto de muitos dos agraciados se encontrarem na situação de licenciados quando a publicação em OA se verificou, originou o desconhecimento da concessão das respectivas medalhas.

Em nome dos condecorados, António José de Oliveira Brás, último Comandante do NRP «Rigel», uma das lanchas da classe Bellatrix em serviço em Angola, cumprindo por praxe o “direito ao mais moderno usar da palavra”, em sentido improviso agradeceu à Marinha a cerimónia e recordou a figura do Vice-Almirante Jaime Barata Botelho, Vice-CEMA, recentemente falecido, que fora o seu último Comandante em Angola e a quem o ligavam laços de muita amizade, nascida nessa época de comissão e continuada em Lisboa, ao longo de váriosanos.




António Oliveira Brás agradecendo, em nome dos condecorados

O Vice Almirante Jaime Barata Botelho, que a Marinha recorda com muita saudade, foi também para a Reserva Naval, desde sempre e mais recentemente para a AORN, quer como Director do ISNG, quer no Estado-Maior da Armada, um Amigo Grande.

Diversos oficiais de Marinha associaram-se à cerimónia, que contou ainda com familiares e amigos dos condecorados.

Na ocasião, o Vice-Almirante Castanho Paes dirigiu aos presentes as seguintes palavras: «É para mim uma grande honra e é também com muito prazer que o faço, presidir em nome do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, a esta cerimónia de entrega de condecorações a ex-oficiais da nossa saudosa Reserva Naval. E digo “saudosa Reserva Naval”, não só por referência ao passado, ao considerar a reconhecida utilidade e mérito que a sua existência trouxe à Marinha, designadamente numa época em que o País passou pelas conhecidas dificuldades políticas e sociais que caracterizaram a situação nacional durante as campanhas ultramarinas e período subsequente, mas também por referência ao próprio presente.




Herculano Marques Ferreira recebendo a sua medalha

E refiro o presente, porque no exercício das minhas funções de Superintendente dos Serviços do Pessoal, não raras vezes me tem ocorrido a ideia de quão vantajoso seria para o funcionamento da Marinha de hoje fazer ressuscitar a Reserva Naval. É que no actual quadro de funcionamento de recursos e vocações escassas com que a Marinha se defronta, face ao que crescentemente lhe tem vindo a ser exigido, dispôr-se com as facilidades de então de um válido corpo de oficiais, capaz de suprir as lacunas conjunturais dos seus quadros permanentes e, oferecendo-lhe ainda as mais valias resultantes de um alargado relacionamento com potenciais dirigentes, das mais diversas actividades e sectores da vida nacional, seria sem dúvida, como o foi no passado, um benefício de valor inestimável.

Contudo, as organizações com responsabilidades públicas não podem viver de sonhos mas sim da realidade e, nesta óptica, não estou aqui para falar das dificuldades da Marinha, mas antes de mais para saldar uma dívida dela para com um conjunto dos seus servidores que lhe dedicou um período significativo das suas próprias vidas. Um período que acarretou certamente sacrifícios pessoais para muitos mas que foi, em maior ou menor medida, compensado pela vivência de uma experiência humana, social e profissional certamente enriquecedora.




Neves Cordeiro, Silva Pires, Cmdte Rui Pires dos Santos e Pedro Norton Reis

É com certeza porque não consideraram o período do serviço prestado na Marinha como tempo perdido, que os Senhores Tenentes da Reserva Naval, que dentro de momentos vão ser condecorados, decidiram aqui comparecer. Por outro lado, gostaria de lembrar que, para além de nesta cerimónia me ter cabido a honra de representar o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, me sinto também de certa forma como representante dos comandantes, directores ou chefes que, por razões que seria agora despropositado tentar justificar, vos não puderam impôr pessoal e oportunamente, as condecorações que merecidamente lhes foram concedidas. Porém, como mais vale tarde que nunca, bem hajam pelo vosso empenho em querer receber estas simbólicas recordações de um passado que de todo não quiseram esquecer.

Por fim, aproveito a oportunidade para pessoalmente felicitar a AORN por esta feliz iniciativa, a qual se insere no conjunto de acertados rumos que tem vindo a prosseguir na viagem que se propôs realizar. Bons ventos continuem a acompanhá-la, são os meus sinceros votos.Não queria terminar sem uma referência muito especial ao nosso camarada Dr. Francisco Cascabulho Tomé que, por fatalidade do destino já não pode estar aqui connosco senão em pensamento. A sua manifesta vontade de comparecer nesta cerimónia, apesar de já gravemente doente, não pode deixar de nos comover, pelo que revela em termos da sua estatura moral, mesmo para aqueles que, como eu, não tiveram a oportunidade de o conhecer.

À sua família, que teve a coragem de partilhar este momento connosco, apresento as sentidas condolências do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada e as minhas condolências pessoais, pedindo a todos os presentes o favor de me acompanharem num minuto de silêncio em sua honrada memória.»




Comentários finais do autor do blogue:

Entre 1958 e 1975 tiveram lugar na Escola Naval 25 cursos de Oficiais da Reserva Naval, num total de 1.712 oficiais daquele Quadro de Complemento, distribuídos pelas várias classes de oficiais até então criadas.

No decorrer daquele período, especialmente depois de ter eclodido a Guerra do Ultramar, foram destacados para missões de serviço nos vários teatros de conflito entre LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG – Lanchas de Desembarque Grandes, LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, DFE – Destacamentos de Fuzileiros Especiais, CF – Companhias de Fuzileiros e Unidades e Serviços em terra:

Guiné: 254 oficiais;
Angola: 264 oficiais;
Moçambique: 217 oficiais;
Cabo Verde: 35 oficiais;
Macau: 1 oficial;
Timor: 2 oficiais;

A este total de 773 oficiais haverá ainda que adicionar as comissões efectuadas em unidades navais de maior porte, tais como navios-patrulhas, navios hidrográficos, fragatas, corvetas, destroyers, etc., de que não será muito fácil efectuar pesquisa ou controlo rigoroso e exaustivo. De forma proximada, quase um milhar de oficiais da Reserva Naval terão efectuado comissões de serviço no período da Guerra do Ultramar em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Macau e também Timor.

Naquela cerimónia, organizada pela AORN sob proposta do seu Secretário-Geral de então, José Augusto Paes Pires de Lima do 4.º CEORN, ele próprio tendo desempenhado as funções de comandante da LFP «Fomalhaut», qual o critério de selecção e escolha que permitiu concluir ser aquele conjunto representativo de quase um milhar de oficiais da Reserva Naval que, com toda a justiça, teriam direito a serem condecorados da mesma forma que 10 dos 14 galardoados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas?

Considerando indiscutível o elevado espírito que presidiu à organização da cerimónia ainda que reduzido a um mero simbolismo institucional - na impossibilidade de estarem presentes todos os oficiais com direito a condecoração por legislação própria - como se explica uma selecção em que, dos 14 oficiais da Reserva Naval presentes, 11 tenham desempenhado missões como Comandantes de LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas? Mais estreito ainda na selecção parece ser o critério de que, dos 11 oficiais acima referidos, 6 deles terem sido comandantes da LFP «Fomalhaut».

Não teria sido possível uma amostragem mais representativa e alargada entre quase um milhar de Oficiais da Reserva Naval distribuídos pelas diferentes classes e tendo desempenhado funções noutras unidades navais ou ainda em unidades e serviços em terra, seleccionados dos vários teatros em que decorreu a Guerra do Ultramar?

Como alguns que ali estiveram presentes ou representados por familiares, muitos outros já não se encontravam entre nós, impedidos pelo destino último de poderem partilhar aquele momento de elevação com a Instituição e Camaradas, o que também lhes ficou devido.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, ao tempo já publicadas na Revista n.º 11 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Abril 2000, em artigo redigido por José Pires de Lima, 4.º CEORN, Secretário-Geral da AORN e também ele, antigo comandante da LFP «Fomalhaut»; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005;


mls

segunda-feira, maio 21, 2018

Moçambique, LFP «Urano» - P 1137


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Urano» - P 1137

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




Dupla epopeia do transporte por terra da LFP «Urano» com a LFP «Saturno»


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Urano» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 12 de Agosto de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia e fiscalização da pesca durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Saturno» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.




Ainda uma terceira imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»


Comandaram a LFP «Urano» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa, 7.º CEORN, 12Ago65/02Jul66;
2TEN RN João da Silva Boavida Canada, 7.º CEORN, 06Jul66/28Abr67;
2TEN RN Rogério Vieira de Sá, 9.º CFORN, 28Abr67/11Mai69;
2TEN RN António Carlos da Silva Carneiro, 17.º CFORN, 16Jun71/21Mai73;
2TEN RN José Manuel Proença Cameira, 20.º CFORN, 21Mai73/31Mar75;

Comandou a LFP «Urano» o seguinte oficial do QP:

2TEN José Maria da Silva Horta, 11Mai69/16Jun71;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Saturno».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/


mls

sexta-feira, maio 18, 2018

Moçambique, LFP «Saturno» - P 1136


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Saturno» - P 1136

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




A verdadeira epopeia do transporte por terra da LFP "Saturno"


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Saturno» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 29 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Urano» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Saturno»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Saturno» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho, 7.º CEORN, 29Jul65/14Nov66;
2TEN RN António Roque de Andrade Afonso, 9.º CFORN, 02Jun67/04Jun69;
2TEN RN José Luis Correia Belo, 13.º CFORN, 04Jun69/17Mai71;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, 17Mai71/15Mai73;
2TEN RN Joaquim José Tição Teixeira Sampaio, 20.º CFORN,15Mai73/14Out74;
2TEN RN Manuel Joaquim Couto Alves dos Reis, 21.º CFORN,14Out74/31Mar75;

Quadros Permanentes:

1TEN João Geraldes Freire, 14Nov66/03Dez66;
1TEN António Maria de Sá Alves Sameiro, 03Dez66/02Jun67;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Urano».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/


mls

quarta-feira, maio 16, 2018

Moçambique, LFP «Mercúrio» - P 1135


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Mercúrio» - P 1135




A LFP "Mercúrio" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Mercúrio» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Marte» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Nacala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Mercúrio» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN José Deolindo Torres Sobral, 28Jul65/05Mai67;

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos, 9.º CEORN, 05Mai67/01Ago68;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes, 11.º CFORN, 01Ago68/06Mai70;
2TEN RN Jorge Manuel Canossa da Silva, 15.º CFORN, 06Mai70/16Mai72;
2TEN RN Luis Alexandre Lynce de Faria, 18.º CFORN, 16Mai72/16Out73;
2TEN RN Carlos Eduardo Campos Valgode, 21.º CFORN, 16Out73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Marte», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;


mls

sábado, maio 12, 2018

Moçambique, LFP «Marte» - P 1134


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Marte» - P 1134




A LFP "Marte" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Marte» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Mercúrio» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Ncala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Marte» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis, 7.º CEORN, 08Jun65/05Mai67;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN João Luis da Silva e Noronha Falcão, 13.º CFORN, 04Jun69/23Mai70;
2TEN RN José Luis Tocha Antunes dos Santos, 12.º CFORN, 23Mai70/26Out70;
2TEN RN Carlos Pedro Amorim Marques da Silva, 16.º CFORN, 26Out/16Jun71;
2TEN RN Joaquim João Ferreira Barrocas Dórdio, 17.º CFORN, 16Jun71/25Mai73;
2TEN RN Décio Mário Baganha Fernandes,20.º CFORN, 25Mai73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Mercúrio», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;


mls