sábado, novembro 17, 2018

LFG «Hidra» e Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 17 de Setembro de 2006)

Lanchas de Fiscalização Grandes - LFG «Hidra» e "Reserva Naval"






Cresta da LFG «Hidra» e Caracteristicas Gerais


A LFG «Hidra» - P 376, foi a segunda de seis LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes, a ser construída nos Estaleiros Navais do Alfeite e a sexta de 10 idênticas, pertencentes à mesma classe «Argos».




A LFG «Hidra» a navegar ao largo de Belém, frente aos Mosteiro dos Jerónimos

Aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 11 de Abril de 1964.

Também montou chapa balística de protecção, de 1/4 de polegada, na ponte e costado, na zona da casa das máquinas e motores auxiliares.

A LFG «Hidra» deixou Lisboa na companhia da LFG «Cassiopeia» em 10 de Setembro de 1964 com destino a Bissau onde chegaram a 19 do mesmo mês, depois de terem escalado os portos do Funchal e S. Vicente de Cabo Verde.

Desempenhou missões de simples cruzeiro, patrulha, fiscalização, transporte de fuzileiros e de militares de outros ramos das FA, incluindo feridos e prisioneiros, tendo participado em diversas operações naquele teatro de guerra.

Igualmente empenhada em escoltas à navegação comercial e transportes de tropas, apoio à oceanografia com colocação de bóias e reparação de marcas.



Houve grande participação da LFG «Hidra» em operações com datas, locais e outras unidades navais, fuzileiros ou forças de terra que integraram as forças participantes:

1964

- 24/26Out64, Operação Remate, Cantanhês/Sta Clara, Rio Cumbijã, com LFG «Escorpião», DFE 7, DFE 8, DFE 9 e DFE 10, LFP «Canopus», LDM 203, LDM 301, LDM 306 e LDM 307;

- 25/27Nov64, Operação Valquíria, Pta do Inglês/Gã João/Pta Luis Dias/Uaná Porto, Rio Geba com DFE 8, DFE 9 e DFE 10, LDP 101, LDM 301, LDM 302, LDM 306 e NTF BOR;

- 19/21Dez64, Operação Safari, Farim/Jumbembem/Bricama, Rio Cacheu com DFE 8, LDM 305 e FTs BC 490;

Nota:

Consta ainda ter participado em outras operações a saber sem descrição pormenorizada: "Fisga" e "Poitão".



1965

– 07/08Jan65, Operação Palmeira, Rio Cacine/Ilha de Melo com DFE 9;

- 12/13Abr65, Operação Relógio, Nafo, Rio Geba, com DFE 10;

- 12/13Abr65, Operação Salto, Poimdom, Rio Corubal, com DFE 9 e LDM 202.

- 22/23Mai65, Operação Dupla, Gampara/Ganjaura, com LFG «Cassiopeia» , DFE 10, LDP 102, LDP 106 e LDM 305, Relab 1278;

- 08/09Jun65, Operação Caça, Cantanhês/Darsalame, Rio Cumbijã, com FF »Nuno Tristão, DFE 7 e DFE 9, Relab 04/65;

- 28/29Jul65, Operação Bambi, Pta do Inglês/Rio Burontoni, Rio Geba, com DFE 10 e LDM 303, Relab 16/65;

- 31Jul65, Operação Electrão, Iara, Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira» e FF Nuno Tristão, DFE 8, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 17/65;

- 01Ago65, Operação Protão, Iara, Jagali, Rio Cacheu, com LFG Lira e FF «Nuno Tristão», DFE 8, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 18/65;

- 03Ago65, Operação Neutrão, Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira» e FF «Nuno Tristão», DFE 8, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 20/65;

- 05Ago65, Operação Positrão, Iara, Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira» e FF «Nuno Tristão», DFE 8, FF NUNO TRISTÃO, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 21/65;

- 18Ago65, Operação Mesão, Iara, Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira» e FF «Nuno Tristão», DFE 8, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 23/65;

- 20Ago65, Operação Neutrino, Iara, Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira» e FF «Nuno Tristão», DFE 8, LDM 101, LDM 201 e LDM 305, Relab 23/65;

- 08Set65, Operação Chicuelina,Tiligi, Rio Cacheu, com LFG «Orion» DFE 3 e DFE 8, LDM 201 e LDM 302, Relab 26/65;

- 10Set65, Operação Saltitera, Tiligi, Rio Cacheu, com LFG «Orion», DFE 3 e DFE 8, LDM 201 e LDM 302, Relab 27/65;

- 13Set65, Operação Gaonera, Tiligi, Rio Cacheu, com LFG «Orion», DFE 8, LDM 201 e LDM 302, Relab 29/65;

- 16Set65, Operação Rebolera, Concolim, Rio Cacheu, com LFG «Orion», LDM 201 e LDM 302, Relab 31/65;

- 20Set65, Operação Bote, Bija, Rio Cacheu, com DFE 3 e LDM 201;

- 28Set65, Operação Fecho, Bricama, Rio Cacheu, com LFG «Orion», DFE 8, LDM 302 e LDM305, Relab 34/65;

- Operação Orion, 21Dez65, Cafine, Rio Cumbijã, com LFG «Orion» e FF »Nuno Tristão», DFE 4, DFE 9 e DFE 10, CF 7, 4 LDM (?), FAP com P2V5, Paras, Relab 65/65;

Nota:

Consta ainda ter participado em outras operações a saber sem descrição pormenorizada: "Corisco", "Barão", "Visconde", "Conde", "Dupla", "Quadra", "Quina", "Valete", "Dama", "Ás", "Bambi", "Zebra", "Mesai", "Nenhuma", "Rastilho", "Orion" e "Tesoura".






Bissau, 1966 - Fotografia histórica

À saída do Comando de Defesa Marítima da Guiné, depois da despedida ao Almirante Ferrer Caeiro:
Da esquerda para a direita: Manuel Ruivo Figueiredo, 6.º CEORN - LFP «Canopus», Amadeu Leão Rodrigues, 6.º CEORN - LFG «Lira», Augusto Cristino da Costa, 6.º CEORN - LFG «Hidra», Mário Sá Couto, 6.º CEORN - LFP «Deneb» e o comandante da LFG «Hidra», 1TEN Isaías Gomes Teixeira


1966

- 03/04Jan66, Operação Safari, Cantanhês, Rio Cumbijã, com LFG «Cassiopeia» e LFG «Sagitário», FF «Nuno Tristão», DFE 3, DFE 4, DFE 9 e DFE 10, CF 7, Paras, Relab 01/66;

- 08Fev66, Operação Nona, Pta João da Silva, Rio Corubal, com DFE 4, LDM 304, FAP, Relab 09/66;

- 24Mar66, Operação Órbita, Gã Pará, Rio Geba, com LFG «Lira», DFE 3 e DFE 4, LFP «Canopus», LDM 201 e LDM 307, FAP, Relab 19/66;

- 20Abr66, Operação Caravela, Cadique, Rio Cumbijã, com LFG «Lira» e LFG «Sagitário», DFE 3, DFE 4 e DFE 6, LDM 203 e LDM 301, FAP, Relab 24/66;

- Operação Barca, 28Abr66, Brufa, Rio Cacheu, com DFE 3, botes, Relab 26/66;

- 02Mai66, Operação Sonda Um, Bianga, Rio Cacheu, com DFE 3 e LDM 204, Relab 28/66;

- 05Mai66, Operação Sonda Dois, Bianga, Rio Cacheu, com DFE 3 e LDM 302, Relab 29/66;

- 21Mai66, Operação Tancar, Canja, Rio Cacheu, com DFE 3 e LDM 305, Relab 37/66;

- 30Mai66, Operação Pesquisa Dois, Baboque, Rio Mansoa, com DFE 3 e LDP 301, Relab 42/66;

- 01Jun66, Operação Pesquisa Quatro, Baboque, Rio Mansoa, com DFE 4 e LDP 301, Relab 44/66;

- 03Jun66, Operação Pesquisa Seis, Ilha Lisboa, Rio Mansoa, com DFE 6 e LDP 201, Relab 46/66;

- 09/10Set66, Operação Chalupa, Cubisseco, Rio Buba, com LFG «Sagitário», DFE 3, DFE 4 e DFE 7, LDM 301, LDM 302 e LDM 303, FAP, Relab 65/66;

- Operação Chuva, 15Set66, Bará, Rio Geba, DFE 6, LFG HIDRA, LDP 304, Relab 66/66;

- 20Set66, Operação Bote, Bija, Rio Cacheu, com DFE 3 e LDM 201, Relab 67/66;

- 30Set66, Operação Antares, Bará, Rio Geba, com DFE 6 e LDM 202, Relab 70/66;

- 04/07Out66, Apoio Operações Nalu e Yé-Yé, Ganduá Porto, Rio Geba, com LDG «Montante», LDM 302 e LDM 307, LDP 301, Relab 5C/66;

- 26Out66, Operação Altair, Pta Canabém, Rio Cacine, com LFG «Lira», DFE 4 e DFE 7, LDG «Alfange», LDM 302 e LDM 304, FAP, Relab 75/66;

- 28Out66, Operação Escorpião, Bará, Rio Geba, com DFE 6 e LDM 203, Relab 76/66;

- 14Dez66, Operação Dragão, Cametonco, Ilha de Catunco, com LFG «Cassiopeia», DFE 4 e DFE 7, LDM 205 e LDM 304, FAP, Relab 83/66;

- 23/26Dez66, Operação Cabril, Bará, Rio Geba, com CF 7 e LDM 312, Relab 5B/66;

Nota:

Consta ainda ter participado em outras operações a saber sem descrição pormenorizada: "Narceja", "Mezena", "Bugio".



1967

- 24/25Jan67, Operação Centauro, Forol/Concolim, Rio Cacheu, com LFG «Orion», DFE4 e LDM ???, FAP, Relab 05/67;

- 31Jan67, Operação Barra, Cassumba, Rio Cacine, com LFG «Cassiopeia» e LFG «Lira», Relab 1A/67;

- 15Abr67, Operação Sirius, Poindon, Rio Corubal, com DFE 6 e LDM 202, Relab 15/67;

- 17Mai67, Operação Ursa Menor, Mangai, Rio Corubal, com LFG «Sagitário», DFE 4 e DFE 7, FAP, Relab 22/67;

- 09Jun67, Operação Atria, Gã João, Rio Geba, com DFE6 e LDM 202, Relab 24/67;

- 19/20Jul67, Operação Lince, Concolim/Jagali, Rio Cacheu, com LFG «Lira», DFE 6 e DFE 7, LDM 301 e LDM 302, Relab 33/67;

- 13Ago67, Operação Schedar, Gã Chiquinho, Rio Geba, com DFE 6, LDM 302 e LDM 303, FAP, Relab 35/67;

- 01Out67, Operação Hadar, Canjaja, Rio Cacheu, com DFE 10, Relab 44/67;

- 26Out67, Operação Adhara, Gandua Balanta, Rio Tombali, com DFE 7 e LDM 304, Relab 52/67;

- 07/08Nov67, Operação Suhail 1, Gã Eugenia, Rio Buba, com DFE 3 e LDM 304, FAP, Relab 53/67;

- 11/12Nov67, Operação Suhail 2, Darsalame, Rio Buba, com DFE 7 e LDP 303, FAP, Relab 54/67;

- 13/14Dez67, Operação Gienah III, Pobreza, Rio Tombali, com DFE 12 e LDM 304, FAP, Relab 60/67;

- 22Dez67, Operação Eridanus, Cansala, Rio Tombali, com DFE 7, LDM 301 e LDM 205, FAP, Relab 62/67;

Consta ainda ter participado em outras operações a saber: "Ursa Maior", "Leão", "Carina", "Merkent" e "Mercúrio III".






Bissau, 1964 - LFG «Hidra» atracada de braço dado com outra LFG e ainda
as LFP «Canopus» (P364) e LFP «Deneb» (P 365)


1968

- 09/11Abr68, Operação Eltanin, Iador, Rio Cacheu, com DFE 10 e LDM 201, FAP, Relab 16/68;

- 07/08Jun68, Operação Canopus, Leto/Nhane, Rio Cacheu, com DFE 12 e LDM 305, Relab 26/68;

- 12Jun68, Operação Rigel, Concolim, Rio Cacheu, com DFE 10 e LDM 305, FAP, Relab 28/68;

– 21Jun68/(com final indeterminado), Operação Via Láctea, Ganturé/Cacheu, rio Cacheu, com uma LFG (com substituição prevista de 12 em 12 dias) e uma LFP (Operação Andrómeda), no apoio ao dispositivo com base em Ganturé;






A guarnição da LFG «Lira» posa para a foto de família junto da peça Bofors de vante

De 17 a 27 Novembro de 1970 participou na operação "Mar Verde", conjuntamente com as LFG «Dragão», LFG «Cassiopeia», LFG «Orion», LDG «Montante», LDG «Bombarda», DFE 21 e ainda uma Companhia de Comandos Africanos.

Foi alvo de diversas flagelações e ataques, sem que tenha sofrido baixas graves..

Comandaram a LFG "Hidra" os seguintes oficiais do QP:

1TEN Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira, 11Abr64/05Ago66;
1TEN Eurico Nelson de Campos Marques Pinto, 05Ago66/11Mai68;
1TEN Luis Manuel Lucas Mota e Silva, 11Mai68/14Jan70;
1TEN José Augusto Fialho Góis, 14Jan70/24Nov71;
1TEN Vasco Frederico da Silva Blanc Lupi, 24Nov71/30Ago73;
1TEN Jaime Luís de Sousa Vieira Coelho, 30Ago73/30Dez74;
1TEN Henrique Eugénio Claudino Morgado, 30Dez74/28Mai75;

Foram Oficiais Imediatos os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Inocêncio Silva Mourato, 5.º CEORN, 0000000/29Ago64;
2TEN RN Augusto Manuel Cristino da Costa, 6.º CEORN, 29Ago64/02Jun66;
2TEN RN Abílio dos Santos Martins Silva, 8.º CEORN, 02Jun66/25Abr68;
2TEN RN Euclides da Cunha Santiago de Almeida, 11.º CFORN, 25Abr68/29Jan70;
2TEN RN Manuel Jorge - 21.º CFORN, 21Jul73/30Set74;

Foram ainda Oficiais Imediatos os seguinte oficiais dos QP:

2TEN Duarte José Cruz de Castro Centeno, 29Jan70/30Out71;
2TEN António Alberto Rodrigues Cabral, 30Out71/21Jul73;




A LFG «Hidra» fundeada na foz do rio Cumbijã

No final de 1974, sem condições para navegar pelos próprios meios, tal como as LFG “Argos” e LFG “Dragão”, todas rebocadas pelo navio-balizador "Schultz Xavier” e na companhia das LFG "Lira” e LFG “Orion”, estas a navegar com autonomia, todas escoltadas pela corveta "António Enes", efectuaram uma viagem de cerca de 3.000 milhas até Luanda.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 28 de Maio de 1975.

Na totalidade, efectuou entre 1964 e 1975, cerca de 8.022 horas de navegação registadas.


Fontes:
Texto redigido, compilado e adaptado pelo autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; Comissão Coloredo 042/042A/042B/042C/042D; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; imagens de arquivo do espólio pessoal do autor cedidas pelo Arquivo de Marinha, Revista da Armada, Escola de Fuzileiros e cedências diversas;


mls

quarta-feira, novembro 14, 2018

Guiné, 1968 - "Balada de Beli"


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Novembro de 2011)


"Balada de Beli" satirizada por "Eles"





Pormenor do Leste da Guiné e a região de Beli


Afinal quem teriam sido "Eles"?

"Eles"? foram todos os militares, anónimos, presentes na Guiné que, depois de uma longa viagem por mar, terra ou ar, lhes tocou na lotaria de quadrícula um qualquer aquartelamento no Leste.

"Eles"? foram essencialmente do Exército, em Batalhões, Companhias ou Pelotões. De Caçadores, Cavalaria, Artilharia, Serviços ou Nativos. Também Páraquedistas, Comandos e Fuzileiros.

"Eles"? ocuparam e defenderam espaços nas matas, lalas, bolanhas e tabancas, em toda a zona que confinava a sul e leste com a fronteira da Guiné Conakry e, para norte, todas as regiões envolventes de ambas as margens do rio Corubal.

"Eles"? estiveram em Cameconde, Gadamael, Guileje, Mampatá, Aldeia Formosa, Madina do Boé, Cabuca, Piche, Buruntuma, Canjadude, Galomaro e muitos outros locais.

"Eles"?, durante dois longos anos sem condições mínimas de sobrevivência, improvisaram com poucos meios, muita critividade, imaginação e sacrifício, adaptaram-se a duras condições de alojamento, higiene e alimentação, sobrevivendo a emboscadas, ataques e flagelações de toda a ordem.

"Eles"? marcaram pela passagem frequente o "corredor da morte" que conduzia a Madina do Boé e, mais para nordeste, a Beli, primeiro destacamento a ser abandonado pelas nossas forças no final de 1968.

"Eles"?, anónimos, ainda encontraram arreganho de alma para satirizarem humoristicamente Augusto Gil e a sua, sempre tão linda, "Balada da Neve".

"Eles"? foram soldados extraordinários e aqui ficam evocados, especialmente os já ausentes do nosso convívio.





A foto do início, esbatida, é de uma coluna militar de Madina do Boé para Gabú (Nova Lamego)



Fontes:
Texto do autor do blogue; texto da poesia original cedido pelo Alferes médico Alberto Lema Santos do BCaç 1933, recolhido enquanto permaneceu em Madina do Boé; foto do início de Manuel Caldeira Coelho, Furriel Mil TRMS da CCAÇ 1589/BCAÇ 1894

mls

sábado, novembro 10, 2018

LFG «Cassiopeia» - Protocolo de entrega ao Governo Português pelos Estaleiros Navais do Alfeite


13 de Janeiro de 1964 - Protocolo de Entrega da LFG «Cassiopeia»




Em cima, a primeira folha do Auto de Entrega e, em baixo, a respectiva continuação




Em 13 de Janeiro de 1964 foi assinado o "Auto de Entrega" da quarta lancha-patrulha, a LFG «Cassiopeia», entre os Estaleiros Navais do Alfeite e o Governo Português, com representantes de ambas as partes, num contrato que visava a construção de seis unidades navais idênticas às já construídas anteriormente nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a saber: LFG «Argos», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Pégaso».

De um total de 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes, idênticas às anteriores, viriam a ser construídas nos Estaleiros Navais do Alfeite as últimas seis (6), a saber:

LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra», LFG «Lira», LFG «Orion», LFG «Centauro» e LFG «Sagitário».

Esta última foi entregue em 4 de Setembro de 1965, sendo de salientar a notável capacidade revelada da construção naval nacional, com capacidade para construir 10 unidades navais deste tipo em apenas 2 anos e 3 meses.





A LFG «Cassiopeia» no apoio a uma operação com fuzileiros no sul da Guiné

Fontes:
Texto redigido pelo autor do blogue compilado e coligido a partir de Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; imagens de arquivo do autor, cedidas pelos 2TEN FZ RN Manuel Cantarino de Carvalho - 9.º CFORN, 2TEN RN José Pires de Lima-4.º CEORN


mls

sexta-feira, novembro 09, 2018

O DFE 12 esteve lá, em Cumbamory - Operações «Catanada» e «Cocha»


Guiné 1970/71 - A Solidariedade nas Matas, no Sofrimento e na Amizade

Breve Nota sobre o DFE N.º 12 - Operação “Chave”




2TEN FZE RN Serafim Lobato (DFE 12): Operação “Chave”


O Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 12 foi para a Guiné dividido em dois grupos. Em Janeiro seguiram três oficiais e os quadros subalternos – sargentos, cabos e marinheiros. Não havia grumetes, com curso, para completar o destacamento, na data indicada pelo Estado-Maior da Armada: uma unidade completa comportava 80 homens. Aqueles chegaram em finais de Março, juntamente com o 3.º Oficial, que ficou na Escola de Fuzileiros, para escolher os jovens que acabavam o curso de especiais.

No Território Operacional (TO) ao contrário dos anteriores destacamentos, não tiveram PTO – ou seja, um período de adaptação operacional que, normalmente, era enquadrado pela unidade que estivesse nos últimos meses de comissão na base de Ganturé, onde se encontravam, normalmente, três DFEs e um pelotão de apoio de uma companhia de fuzileiros.

Entraram, meia dúzia de dias depois da chegada, em acção. Num ritmo operacional alucinante. O seu “baptismo” de fogo deu-se, justamente, nos princípios de Abril, com a entrada na Base Central da Frente Norte do PAIGC, dentro do Senegal, Cumbamory, onde regressaram, uma semana depois, e capturaram mais de 10 toneladas de armamento.

Foi a única unidade da Marinha – diria, pelo que consegui investigar nos arquivos militares, de todas as Forças Armadas – a entrar e afastar, ainda que momentaneamente, a guerrilha do interior do seu principal “quartel operacional de retaguarda” naquela região. Cerca de dois meses depois, assaltaram outra grande base do PAIGC, em Sanou (Sanu em português) igualmente sediada no interior do Senegal, situada, mais ou menos, no meridiano do antigo quartel português de Barro. Seguiram-se outros combates e outros locais de passagem.

Pela sua experiência, verificaram, ao longo dos meses, que os Fuzileiros Especiais – e outras tropas especiais – estavam a ser mal enquadrados na sua acção militar no TO. Opinaram, quando lhe foi dado consentimento para tal, sobre tal facto. As autoridades superiores consideraram tal opinião como se tratasse de um “crime de lesa-majestade”.

Foram ostracizados superiormente, mas este DFE 12 continuou, disciplinadamente e com todo o espírito de corpo, a actuar com a mesma rectidão. Aliás, na adversidade, ganhou um sentido de solidariedade e de camaradagem que se perpetua até hoje. Tiveram sempre a noção real do seu valor.


Serafim Lobato
Sócio Originário n.º 1792
4.º Oficial do DFE 12





O DFE 12 esteve lá, em Cumbamori - Operações «Catanada» e «Cocha»




Carta de navegação usada pelo DFE 12

Numa época em que já ninguém pensava ir à tropa porque a tropa já não pensava em ninguém, a Marinha incorporou-me nas suas fileiras. Fui, durante três anos, oficial da Reserva Naval, classe de Técnicos-Especialistas. Não obstante, chapinhei na Pista de Lodo da Escola de Fuzileiros e fui aprendendo muito, então como agora, sobre a classe de Fuzileiros.

Colocado nas unidades a que pertenci, ouvia os mais velhos, todos do Quadro Permanente, a maioria da classe de Marinha, falar do DFE 12, que definiam como um implacável cilindro de guerra que tudo esmagava por onde passava. Não falavam, porém, de factos concretos nem de concretas operações. Apenas deixavam no ar uma aura mítica de arrojo, audácia e glória.

Vou, pois, abordar duas acções extra-territoriais, verdadeiras operações especiais realizadas em país estrangeiro, tendentes à detecção e destruição de uma hipotética base militar a partir da qual o PAIGC operaria.

Tratava-se da Base de Cumbamory, no Senegal, cuja importância se revelou crescente no decurso da guerra da Guiné, o teatro de operações ultramarino que ficou para a História Militar com a designação de «Vietname negro». Pelo menos desde 1967 que os altos comandos militares portugueses tinham ideia da existência desta Base inimiga. Mas não é certo que se soubesse da sua exacta localização. Estaria ela sobre a linha da fronteira norte da Guiné ou no interior do Senegal? De uma coisa se tinha a certeza: era por essa Base que o PAIGC infiltrava na Guiné grande parte do seu pessoal e do seu equipamento. Daí a sua importância.

Há registo de que no dia 11 de Dezembro de 1967, uma força pertencente ao Batalhão de Caçadores n.º 1887, constituída por 170 soldados, tentou assaltar a Base, mas não lhe alcançou o cerne. Causou algumas baixas ao IN, capturou escasso material de escassa importância e sofreu, infelizmente, bastantes baixas, entre as quais quatro mortos cujos cadáveres não recuperou.

Foi a Operação "Chibata", que se considerou que teve relativo êxito, mas que não correu bem. O grupo de combate “Os Roncos”, que integrava a força, foi louvado a justo título. Foi esta a primeira tentativa de assalto a Cumbamory de que há nota. Como se verificou mais tarde por acção do DFE 12, a Base de Cumbamory ficava no interior do Senegal a cerca de 7 km da fronteira norte da Guiné, tinha uma área superior a quatro campos de futebol e era composta por duas zonas longitudinalmente bem definidas: um bosque de palmeiras, a Oeste, e uma mata aberta, a Leste.

O DFE 12, de início, apenas tinha 35 ou 40 Fuzileiros Especiais nas margens do Cacheu, baseados em Ganturé. Eram 35 ou 40 veteranos já curtidos pelo fragor do combate que tinham chegado ao largo da ponta Caió, vindos de Lisboa, a 31 de Janeiro de 1970, e que atendiam pela designação de “Os Jacarés”.




Heli foge de artilharia IN

Alguns cumpririam a sua terceira comissão de serviço. A Base de Ganturé, situada 2 km a Sul do Quartel de Bigene, pertencia à jurisdição do Comando Operacional 3 (COP 3), um comando regional operacional encabeçado pelo Capitão-tenente US/FZE Alpoim Calvão, cuja sede fora instalada naquele Quartel. A jurisdição do COP 3 incluía unidades do Exército e estendia-se de Barro até Brufa.

Mas um DFE era constituído por 80 homens, pelo que, aos velhos Jacarés, comandados pelo 1.º Tenente FZE RN Mendes Fernandes, haveriam de se juntar, dois meses depois, 40 ou 45 jovens Grumetes FZE recém-formados pela Escola de Fuzileiros. Enquanto aguardavam pelas crias, “Os Jacarés” participavam em missões de combate e de patrulha integrados noutros Destacamentos também baseados em Ganturé.

Em Março, todavia, agiram sozinhos em patrulha de reconhecimento até à fronteira do Senegal e capturaram um soldado do PAIGC, que lhes forneceu informações importantes para as perigosíssimas operações que muito em breve, mal eles sabiam, se avizinhavam.

É que, entretanto, O COP 3 decidiu atacar a Base de Cumbamory, a principal base militar do PAIGC no Norte, e contou, para o efeito, com o DFE 12. Delineava-se, então, a Operação "Catanada". As jovens e tenras crias, embora bem preparadas técnica, emocional e fisicamente, haviam chegado da Escola apenas no dia 1 de Abril de 1970.

Como era habitual, seriam adaptadas ao Teatro de Operações mediante a chamada Preparação Técnica Operacional (PTO), com uma duração normal de dois meses, durante os quais realizariam pequenas operações com fuzileiros experimentados para se familiarizarem com o IN, com o pântano, o tarrafo e o clima.

Não houve tempo, porém, para tanto, posto que a Operação "Catanada" estava em marcha. Sem PTO, sem apoio aéreo e sem apoio de fogos próximo, o juvenil DFE 12 zarpou rumo a Bigene e, daí, até ao Senegal, na madrugada de 3 de Abril de 1970. Oficiais doutras unidades baseadas em Ganturé arrepiaram-se com a sorte do DFE 12, que seguia em direcção à «boca do lobo».

As informações militares adiantavam que a Base de Cumbamory estaria guarnecida por 150 soldados. O DFE 12, progredindo pelo interior do Senegal, chegou ao Norte de Cumbamory ao alvorecer e aproximou-se do local que denotava ser o da Base. Nessa altura, Mendes Fernandes deu instruções para que se montasse um perímetro defensivo e enviou patrulhas de reconhecimento, que tomaram rumos diferentes, a fim de verificarem se o DFE 12 tinha realmente localizado a Base. Uma dessas patrulhas detectou-a ao cabo de 500m de evolução.

Mas detectou também duas crianças junto de uma fogueira, as quais, assustadas, fugiram. O chefe da patrulha correu para tentar apanhá-las à mão quando encarou com dois soldados envergando os uniformes verde-oliva do PAIGC. Eram sentinelas. Sem hesitar, alvejou-os a uma distância de cerca de 3,5 m, no que foi seguido pelo apontador da metralhadora MG42. Uma das sentinelas morreu ali mesmo e a outra, gravemente ferida, foi levada pelo chefe da patrulha, num gesto nobre de humanidade, para junto do Destacamento.

Nisto, eclodiu imediatamente uma nutrida e violenta troca de fogo entre o PAIGC e o DFE 12, que perdurou por várias horas. Estava muito calor e havia muita humidade. O recontro, violentíssimo, evoluiu quase corpo-a-corpo, ardiam cubatas, ardiam árvores, ardia vegetação. Até que, por volta do meio-dia, o PAIGC inexplicavelmente cessou fogo.

O IN retirou-se. O jovem DFE 12 não teve baixas, apenas dois feridos ligeiros. O IN, como refere uma notícia C2 da Companhia de Caçadores 3, sofreu 16 mortos e 18 feridos, exactamente como consta do Resumo de Operações e Acções Realizadas da Repartição de Operações do Quartel-General do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné.




Em cima, pessoal carregando armamento apreendido e, em baixo, pessoal do DFE 12 escavando paiol



Aquela retirada do IN foi, anos depois, explicada pelo próprio Presidente Luís Cabral na sua obra Crónica da Libertação: o PAIGC resistira com tamanha ferocidade, porque decorria na Base uma reunião dos comandantes e comissários políticos da Frente Norte e doutras zonas, entre os quais estava o próprio Presidente Luís Cabral. Delineavam uma nova forma de comando, que veio a traduzir-se em Corpo de Comando.

O PAIGC, nas circunstâncias, bateu-se até onde pôde para proteger as suas cúpulas político-militares, que escaparam na retirada. O DFE 12, sem combate, regressou incólume a Bigene ao anoitecer desse dia 3 de Abril de 1970.

Mas haveria de tornar à Base de Cumbamory. Com efeito, informado de que a Base fora reconstruída, o COP 3 enviou novamente o DFE 12 ao assalto a partir de Bigene, o qual ocorreu no dia 12 de Abril de 1970, pelas 05:25. Era o início da Operação "Cocha".

Ingressando na Base pelo Sul, o DFE 12 eliminou as sentinelas mediante o emprego de ALG e o primeiro grupo de assalto avançou pela bolanha, passando de fila a linha quando o IN iniciou os disparos. Era, contudo, demasiado tarde para este: o grupo entrou na Base, surpreendendo vários elementos IN nos seus próprios abrigos. Uns fugiram, outros foram mortos, não tendo havido possibilidade de fazer prisioneiros.

Conquistada a Base e montando o perímetro, o DFE 12 passou a ocupar as próprias posições IN, colocando-se em situação privilegiada de defesa. A vanguarda, porém, havia-se separado da rectaguarda do Destacamento. Entretanto, o Marinheiro Galante Guerra, refazendo a ligação, veio anunciar ao 2.º Tenente FZE RN Serafim Lobato, 4.º Oficial da Unidade que tinham encontrado armas.

Serafim Lobato, chegado ao local indicado por Galante Guerra, viu, com espanto, armamento diverso de diversos modelos, tudo material de fabrico soviético e doutros países do Pacto de Varsóvia e até da China, muito mais sofisticado do que o armamento usado pelas forças portuguesas.

Descobriram-se seguidamente vários outros depósitos de armas e munições, todos camuflados no sub-solo. Chamados meios aéreos via rádio, “Os Jacarés” começaram a carregar os helicópteros com os achados. Nessa altura, o PAIGC carregou com violenta energia tentando recuperar a Base. O fogo IN era cerrado e impetuoso. Os helicópteros que recolhiam o armamento levantaram voo diversas vezes para não serem atingidos pela artilharia IN.

Ao tentar recuperar a Base, o PAIGC encontrou, porém, o DFE 12 firmemente posicionado e foi sendo repelido. Quatro aviões dois Fiat G 91 e dois Harvard T6 foram chamados a prestar apoio na defesa da Base, o que fizeram em parelhas com várias passagens rasantes intervaladas por cerca de 15 minutos, accionando as suas metralhadoras, principalmente os T6.

A troca de fogo entre o PAIGC e o DFE 12 mantinha-se cerrada e constante. O IN manteve a produção de fogo até ao meio da tarde. As forças em contenda estavam tão próximas uma da outra que o PAIGC, em desespero, tentou o corpo-a-corpo. “Os Jacarés” prepararam-se para a luta, colocando os sabres nas armas. O anoitecer aproximava-se, pelo que o Destacamento fez explodir tudo o que tinha à mão.

O combate durou 11 horas. O DFE 12 apreendeu 10 toneladas de armas ao IN, que foram expostas em Bigene. O armamento que restava foi maioritariamente destruído pelo bombardeamento dos Fiat, que se seguiu à saída de “Os Jacarés” rumo a Bigene, onde chegaram pela noite dentro.




Início de exposição de armamento no Quartel do Exército em Bigene

No decurso da guerra da Guiné mais nenhuma outra força portuguesa conseguiu entrar na Base de Cumbamory e ocupá-la, ainda que a espaços, e muito menos logrou apreender tamanha quantidade de armamento nesta Base IN.

O DFE 12 também não teve baixas nesta operação, apenas um ferido ligeiro. O PAIGC, como se relata no Resumo de Operações acima citado, sofreu vários mortos e feridos não quantificados, para além da apreensão das 10 toneladas de armamento. Eram apenas 35 ou 40 Jacarés nas margens do Cacheu, a que se juntaram jovens crias recém-saídas do ovo escolar, sem o adequado desmame que a PTO proporcionaria. Os jovens Jacarés desceram, num ápice, do Céu ao Inferno sem passar pelo Purgatório.

O DFE 12 a Pátria honrou. Que a Pátria o contemple, independentemente das posições, perspectivas e até preconceitos que cada um tenha sobre a Guerra do Ultramar.


Gomes da Silva
Sócio n.º 2243


Notas da Redacção:
1 - Na foto da exposição do armamento, no Quartel do Exército, em Bigene, apenas se vê uma pequena parte do material de Guerra apreendido;
2 - Nesta exposição do armamento, a Praça que olha o fotógrafo é o Mar Telegrafista Ulisses Pereira Correia, o “Maxi Mine” que morrerá em combate com o IN, em 20 de Outubro de 1970, na estrada de Sambuiá, a cerca de 10 a 15 quilómetros de Cumbamory;
3 – O elemento preto que aparece na foto a tirar armamento do paiol, não é fuzileiro. Trata-se de um guia balanta de Bigene;
(Serafim Lobato)

4– Sabemos quem foi o protagonista, aliás, grande militar – que confirmámos por pesquisa complementar, de boa fonte – do nobre gesto de poupar a vida a uma das sentinelas. Por razões que desconhecemos, presume-se que em virtude da sua conhecida humildade, este exigiu não ser citado, embora em versão inicial deste artigo o tivesse sido, pelo que respeitámos a vontade do próprio e do autor do texto.
(Marques Pinto)


Fontes:
Texto e imagens compilados integralmente por cortesia da Direcção da Associação de Fuzileiros, revista "O Desembarque" n.º 17, publicada em 6 de Julho de 2013


mls

segunda-feira, novembro 05, 2018

LFG «Pégaso» - Protocolo de entrega ao Governo Português pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo


16 de Outubro de 1963 - Protocolo de Entrega da LFG «Pégaso»





Em 16 de Outubro de 1963 foi assinado, em papel selado, o "Protocolo de Entrega" da quarta lancha-patrulha, a LFG «Pégaso», entre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e o Governo Português, com representantes de ambas as partes, num contrato que visava a construção de três unidades navais idênticas.

De um total de 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes idênticas, viriam a ser construídas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo as primeiras quatro (4), a saber: LFG «Argos», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Pégaso».

As restantes seis (6) seriam construídas nos Estaleiros Navais do Arsenal do Alfeite, como segue: LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra», LFG «Lira», LFG «Orion», LFG «Centauro» e LFG »Sagitário».

Esta última foi entregue em 4 de Setembro de 1965. De salientar a notável capacidade revelada da construção naval nacional, com capacidade para construir 10 unidades navais deste tipo em apenas 2 anos e 3 meses.





A LFG «Pégaso» fundeada em S. Tomé e Príncipe

Fontes:
Texto redigido pelo autor do blogue compilado e coligido a partir de Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; imagens de arquivo do autor, cedidas pelo Arquivo de Marinha, Revista da Armada, 2TEN RN José Pires de Lima-4.º CEORN


mls

sábado, novembro 03, 2018

LFG «Cassiopeia» e Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Agosto de 2006)


Lanchas de Fiscalização Grandes - LFG «Cassiopeia» e "Reserva Naval"






Cresta da LFG «Cassiopeia» e Caracteristicas Gerais


A LFG «Cassiopeia» - P 373, foi a primeira de seis LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes, a ser construída nos Estaleiros Navais do Alfeite e a quinta de 10 idênticas, pertencentes à mesma classe «Argos».




A LFG «Cassiopeia» a navegar ao largo do Terreiro do Paço

Aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 13 de Janeiro de 1964, cumpriu posteriormente diversas missões de fiscalização da pesca no Algarve.

Foi a primeira LFG - Lancha de Fiscalização Grande a montar chapa balística de protecção na ponte e também no costado, na zona da casa das máquinas e motores auxiliares.

A LFG «Cassiopeia» deixou Lisboa na companhia da LFG «Hidra» em 10 de Setembro de 1964 com destino a Bissau onde chegaram a 19 do mesmo mês, depois de terem escalado os portos do Funchal e S. Vicente de Cabo Verde.

Desempenhou missões de simples cruzeiro, patrulha, fiscalização, transporte de fuzileiros e de militares de outros ramos das FA, incluindo feridos e prisioneiros, tendo participado em múltiplas operações naquele teatro de guerra.

Igualmente empenhada em escoltas à navegação comercial e transportes de tropas, apoio à oceanografia com colocação de bóias e reparação de marcas.

De 02Nov64/05Nov64 foi rebocada pela FF «Diogo Gomes» para S. Vicente de Cabo Verde a fim de alar e efectuar uma reparação de avaria nos veios e hélices. Completada a reparação regressou a Bissau onde atracou a 18Nov64.



Houve grande participação da LFG «Cassiopeia» em operações com datas, locais e outras unidades navais, fuzileiros ou forças de terra que integraram as forças participantes:

1965

– 12/13Fev65, Operação Corisco, Cantanhês, rio Cumbijã, LFG «Cassiopeia» com DFE 8 e DFE 10, LFG «Orion», FF «Nuno Tristão», LDM 203 e LDM 303;

– 08Mar65, Acção em Tabato Mandinga, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 8 e LDM 305;

– 03/04Mai65, Operação Revista, Garsene/Jabadá, rio Geba, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LFP «Deneb», LDM 203 e LDP 106;

– 03Ago65, Operação Cuter, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Orion», DFE 3 e DFE 7,, LDM 204 e LDM 305, FAP;

– 14/15Nov63, Operação Júpiter, LFG «Cassiopeia» com DFE 2 e DFE 8 (3 Secções), LFG «Dragão», LD 2 e LD 4, CP 111(1 Pel);

– 08Out65, Operação Assalto, Gancoli, rio Buba, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LDM 304, Relab 38/65;

– 18Out65, Operação Pica, Caratabá, rio Grande Buba, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, Relab 42/65;

– 25Out65, Operação Bruma, Tiligi, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3 e botes, Relab 45/65;

– 28Out65, Operação Fósforo, Tancroal, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDM 201, Relab 47/65;

– 10Nov65, Operação Piranha, Gã Pará, rio Geba, LFG «Cassiopeia» com DFE 9 e LDM 202, Relab 50/65;

– 16Nov65, Operação Jacaré, Gã Chiquinho, rio Geba, LFG «Cassiopeia» com DFE 9 e botes, Relab 52/65;

– 24Nov65, Operação Rasto, Campeane, rio Cacine, LFG «Cassiopeia» com DFE 9 e LDM 307, Relab 56/65;

– 29Nov65, Operação Tristão, Mata Cataba, rio Cacine, LFG «Cassiopeia» com DFE 9 e FF «Nuno Tristão», Relab 59/65;

– Escolta e Segurança N/M Silva Gouveia, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, CF 7, FF »Nuno Tristão» e LDM 204, Relab 64/65;




Guiné, rio Cumbijã - No regresso de Bedanda a LFG «Cassiopeia» escolta um combóio naval que é atacado frente a Cafine. A LFG interpõe-se entre o combóio e margem fazendo fogo com o apoio de fuzileiros embarcados nas unidades navais



1966

– 03/04Jan66, Operação Safari, Cantanhês, rio Cumbijã, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, DFE 4, DFE 9 DFE 10 e CF 7, LFG «Hidra» e LFG «Sagitário», FF «Nuno Tristão» e Paras, Relab 01/66;

– 26Jan66, Operação Lira, Buba Tombo, rio Buba, LFG «Cassiopeia» com LFG «Lira», DFE 4 e DFE 10, LDP 302 e LDP 303, FAP, Relab 07/66;

– 07Fev66, Operação Palhabote, Concolim, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Lira», DFE 3, LDM 201, Relab 08/66;

– 14Fev66, Operação Galera, Iador, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Lira», DFE 3, Relab 12/66;

– 19Fev66, Operação Cordão, Buba Tombó, rio Buba, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», DFE 4 e DFE 10, LDP 303 e LDP 304, FAP, Relab 13/66;

– 23Abr66, Operação Nivelamento, Ilha Catunco, rio Cumbijã, LFG «Cassiopeia» com DFE 4, FAP e botes, Relab 25/66;

– Operação Galeão, Ilha Caiar, rio Tombali, LFG «Cassiopeia» com LFG «Orion», DFE 6 e DFE 10, LDP 301 e LDP 303, FAP, Relab 27/66;

– Operação Sonda Três, Bianga, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDM 302, Relab 31/66;

– 13Mai66, Operação Sonda Quatro, Mata, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDM 204, Relab 34/66;

– 17Mai66, Operação Sonda Cinco, Cacanda, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LDM 204, Relab 35/66;

– 20Mai66, Operação Cofre, Catabão/Iha Como, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LDP 301, FAP, Relab 36/66;

– 25Mai66, Operação Falua, Canja, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDM 305, Relab 38/66;

– 28Mai66, Operação Sonda Seis, Cacanda, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, Relab 39/66;

– 31Mai66, Operação Pesquisa Três, Ilha Jete, rio Mansoa, LFG «Cassiopeia» com DFE 6, LDM301, Relab 43/66;

– 02Jun66, Operação Pesquisa Cinco, Baboque, rio Mansoa, LFG «Cassiopeia» com LDP 201, Relab 45/66;

– 06Jun66, Operação Sonda Sete, Cacanda, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, Relab 47/66;

– 11Jul66, Operação Bergantim, Gã João, rio Corubal, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», DFE 4, DFE 6 e DFE 7, LDM 205 e LDM 203, FAP, Relab 55/66;

– 03Ago66, Operação Cuter, LFG «Cassiopeia» com LFG «Orion», DFE 3 e DFE 7, LDM 204 e LDM 305, FAP, Relab 58/66;

– 09Ago66, Operação Nau, Gampará, rio Geba, LFG «Cassiopeia» com LFG «Orion», DFE 6 e DFE 7, LDM 203 e LDM 307, FAP, Relab 61/66;

– 23Set66, Operação Pesquisa Oito, Baboque, rio Mansoa, LFG «Cassiopeia» com CF 7, LDM 303, Relab 68/66;

– 11Out66, Operação Brigue, Jagali, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário» DFE 3 e DFE 7, LDM 201 e LDM 204, FAP, Relab 72/66;

– 01 e 07Dez66, Operações conjuntas Saionara I e II, Cassumba, rio Cacine, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», LFP «Deneb» e LFP «Canopus», Relab 60/66;

– 14Dez66, Operação Dragão, Cametonco, Ilha de Catunco, LFG «Cassiopeia» com LFG «Hidra», DFE 4 e DFE 7, LDM 205 e LDM 304, FAP, Relab 83/66;




Guiné - a LFG «Cassiopeia» na barra do rio Cacheu



1967

– 09Jan67, Operação Gémeos, Jagali, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Lira», DFE 4 e DFE 7, FAP, Relab 02/67;

– 10Jan67, Operação Pegaso, Iador, Rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE’s 3 e 6, LFG’s LIRA/CASSIOPEIA, FAP, Relab 03/67;

– 31Jan67, Operação Barra, Cassumba, rio Cacine, LFG «Cassiopeia» com LFG «Hidra» e LFG «Lira», Relab 1A/67;

– 10Fev67, Operação Cruzeiro do Sul, Cametonco, Ilha de Catunco, LFG «Cassiopeia» com DFE 3 e DFE 6, LDG MONTANTE, LDM 307, FAP, Relab 06/67;

– 21Fev67, Operação Canopus, Cametonco, Ilha de Catunco, LFG «Cassiopeia» com DFE 7, LDM 306, FAP, Relab 08/67;

– 04Mar67, Operação Falua, Madina Mandinga, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», DFE 3 e DFE 6, FAP, Relab 10/67;

– 09Mar67, Operação Touro, Matar, Iarã, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», DFE 4 e DFE 7, LDM 302, FAP, Relab 11/67;

– 25Mar67, Operação Jade, Cassumba, rio Cacine, LFG «Cassiopeia» com NH «Pedro Nunes», FAP, Relab 2A/67;

– 30/31Mar67, Operação Balança, Cumule Caiar, Ilha de Caiar, LFG «Cassiopeia» com LFG «Orion», DFE 4 e DFE 7, CF ?, FAP, Paras, Relab 13/67;

– 01Ago67, Operação Pavão, Leto/Tancroal, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com LFG «Sagitário», DFE 7 e DFE 10, LDM 201 e LDM 312, FAP, Relab 34/67;

– 18Ago67, Operação Schaula, Tiligi, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LDM 201, FAP, Relab 36/67;

– 25Set67, Operação Carina, Antuane, rio Grande Buba, LFG «Cassiopeia» com DFE 6, LDM 307, FAP, Relab 43/67;

– 01Out67, Operação Menkar, Cantaco/Lubacunda, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3 e DFE 6, LDM 201, Relab 45/67;

– 12Out67, Operação Vega 3, Concolim, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 6, LDM 201, FAP, Relab 49/67;

– 20/21/22Nov67, Operação Suhail 3, Madina de Baixo, rio Grande Buba, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LDP 303, FAP, Relab 55/67;

– 24Nov67, Operação Suhail IV, Gubia, rio Grande Buba, LFG «Cassiopeia» com FAP, DFE3, LDP303, Relab 56/67;

– 28Nov67, Operação Suhail V, Darsalame, rio Grande Buba, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDP 303, FAP, Relab 57/67;

– 29Dez67, Operação Algol, Concolim, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 12, LDM 204, Relab 63/67






Em cima, a LFG «Cassiopeia» em fase de construção e, em baixo, já acostada



1968

– 29/30Jan, Operação Alpheratz, Tancroal, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 10, LDM 204, FAP, Relab 05/68;

– 14/15Fev68, Operação Phact, Jagali, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 3, LDM 204, FAP, Relab 07/68;

– 20Fev68, Operação Zubenel, Tiligi, rio Cacheu, LFG «Cassiopeia» com DFE 7, LDM 204 e LDM 305, FAP, Relab 11/68;

– 21Jun68/(final indeterminado), Operação Via Láctea, Ganturé/Cacheu, rio Cacheu, com uma LFG (com substituição prevista de 12 em 12 dias) e uma LFP (Operação Andrómeda), no apoio ao dispositivo com base em Ganturé;



De 17 a 27 Novembro de 1970 participou na operação "Mar Verde", conjuntamente com as LFG «Dragão», LFG «Hidra», LFG «Orion», LDG «Montante», LDG «Bombarda», DFE 21 e ainda uma Companhia de Comandos Africanos.

Comandaram a LFG "Cassiopeia" os seguintes oficiais do QP:

1TEN Pedro Manuel Barreira Pessoa Lopes, 13Ago64/29Ago67;
1TEN José Fernando da Silva Frazão, 29Ago67/02Jun69;
1TEN Fausto José do Lago Domingues, 02Jun69/01Mar71;
1TEN Fernando Ramiro de Medeiros Sousa, 01Mar71/04Dez72;
1TEN António Joaquim dos Santos Silva Miguel, 04Dez72/02Set74;
1TEN João Manuel dos Santos Roque, 02Set74/21Set74;

Foi Encarregado do Comando o seguinte oficial da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel de Sousa Santos, 8.º CEORN;

Foram Oficiais Imediatos os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Jorge Manuel Jardim Fernandes, 6.º CEORN;
2TEN RN Manuel de Sousa Santos, 8.º CEORN;
2TEN RN Alfredo Manuel de Paiva Pacheco, 13.º CFORN;
2TEN RN Mário Jorge São Marcos Almeida Beato, 17.º CFORN;
2TEN RN José Aparício dos Reis, 19.º CFORN;
2TEN RN António Carlos de Oliveira Ferreira, 22.º CFORN;

Foi ainda Oficial Imediato o seguinte oficial do QP:

2TEN João Manuel Moreira de Almeida;





Guiné - a LFG «Cassiopeia» navega no rio Cacine

Foi alvo de diversas flagelações e ataques, tendo sofrido dois feridos graves em 30 de Janeiro de 1965 em apoio a um combóio naval no rio Cumbijã.

Em 21 de Setembro de 1975, 104 milhas a Oeste de Bissau e devido ao mau estado do navio, foi afundada juntamente com a LFG «Sagitário», com o apoio do navio-balizador «Schultz Xavier».

Efectuou na totalidade, entre 1964 e 1975, cerca de 8.022 horas de navegação registadas.

Fontes:
Texto redigido, compilado e adaptado pelo autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; Comissão Coloredo 042/042A/042B/042C/042D; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; imagens de arquivo do espólio pessoal do autor cedidas pelo Arquivo de Marinha, Revista da Armada e Escola de Fuzileiros;


mls

quinta-feira, novembro 01, 2018

Revista de Marinha n.º 1005 - Setembro/Outubro 2018


Revista de Marinha n.º 1005 - Prefácio





O presente número da vossa revista faz foco nos temas do Ambiente, Ciência & Tecnologia.

Como se sabe, está em curso nas Nações Unidas a apreciação da proposta Portuguesa de extensão dos limites da plataforma continental e há fundadas esperanças de que nos seja reconhecida a soberania sobre uma vasta área do fundo do mar, com cerca de 4 milhões de km2.

A Natureza tem horror ao vazio … não basta, em nossa opinião, que a ONU reconheça a nossa soberania sobre tão vasta área, importa afirmá-la, através de atividades de investigação científica, de exploração comercial, quando tal for possível, e fiscalizá-la, com meios navais e aéreos.

A investigação do nosso mar poderá ser executada por Laboratórios de Estado, como os prestigiados Instituto Hidrográfico (IH) e Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), por diversas Universidades e Politécnicos e por instituições como o Wavec, na área das energias renováveis marinhas.

Os sistemas submarinos autónomos não tripulados (UUV’s) têm sido entre nós, designadamente em algumas Universidades, objeto de investigação promissora, com resultados que permitem já a sua exploração comercial.

De assinalar, por outro lado, a existência de equipamentos como os navios hidro-oceanográficos D. CARLOS I e ALM. GAGO COUTINHO, ambos da Marinha, e do MAR PORTUGAL, operado pelo IPMA.

Esta última unidade terminou recentemente fabricos em Peniche, onde a RM teve oportunidade de a visitar; ficámos muito bem impressionados com as suas características e capacidades! Contudo, importa não esquecer a necessidade de coordenação e planeamento das atividades de investigação, bem como do seu financiamento adequado e programado.

As nossas capacidades são limitadas face à vastidão da área que nos será atribuída; a cooperação internacional será assim fundamental, bem como a escolha dos parceiros, que deverão ser países à nossa dimensão, como a Noruega, a Dinamarca, a Irlanda e o Canadá, e talvez também a Bélgica e a Holanda. Não esquecer que alguns grandes países há muitos anos que enchem a nossa ZEE de navios cientifícos, detendo certamente sobre esta muito mais informação do que nós próprios.

Mudando de assunto, quando nos lerem terão já tido lugar um conjunto de importantes eventos, o Ocean’s Meeting, a Portugal Shipping Week, a Seatrade Cruise Med e a BioMarine Business Convention.

São importantes reuniões que ajudam a tornar Lisboa uma das capitais marítimas mundiais e a trazer para o nosso país novas instituições e atividades. Sinceros parabéns ao Ministério do Mar e à sua Ministra, Engª Ana Paula Vitorino!

Por fim, a fechar, uma referência à Semana do Mar que o Clube Naval da Horta, com o dinamismo de sempre, realizou mais uma vez na primeira semana de agosto, na Ilha do Faial, nos Açores. Cada vez com maior expressão, com mais atividades e participantes, merece todo o apoio possível e um forte aplauso!



Alexandre da Fonseca
dir@revistademarinha.com




Fontes:
Documento original cedido por cortesia da Direcção da "Revista de Marinha" em https://revistademarinha.com/


mls

terça-feira, outubro 30, 2018

LFG «Pégaso» e Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 26 de Julho de 2006)


LFG «Pégaso», a primeira lancha da classe «Argos» a operar em Angola





A LFG «Pégaso» - P 379, foi a quarta LFG - Lancha de Fiscalização Grande de 10 idênticas, construída nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 16 de Outubro de 1963.

Deixou Lisboa em 09Dez63 com destino a Luanda tendo escalado o porto do Funchal (11Dez63), S. Vicente de Cabo Verde (15Dez63), Bissau (17Dez63), Ana Chves em S. Tomé e Príncipe (28Dez63).

A LFG «Pégaso» foi, das Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos», a primeira a ser atribuída ao Comando Naval de Angola, tendo aportado a Luanda em 30 de Dezembro de 1963.

Era comandada pelo 1TEN Francisco Manuel Pité Trabucho e tinha como oficial imediato o STEN RN Alberto Pereira Marques, 5.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval.

Terá ainda sido a primeira a escalar Santo António do Zaire, em data anterior às Instruções n.º 33 de 11 de Maio de 1964, quando o Comando Naval de Angola ordena "seguir para SAZAIRE e apresentar-se a COMDEFMARSAZAIRE a fim de ser utilizado por esse Comando como reforço operacional e/ou logístico do Dispositivo Detentor do Zaire."




A LFG «Pégaso» fundeada em Lisboa

No seguimento dessas instruções, a LFG «Pégaso», com largada de Luanda a 6 de Mai0, iniciou um périplo de vários percursos que incluiu escalas em Sazaire, Quissanga, Ponta das Palmeiras, Ponta dos Hipopótamos, Puelo, Ponta Quiombe, Quiquembe, Pedra do Feitiço, Cutalambeje, Noqui, Macala e Cabinda«.

Regresso a Luanda, em 26 de Julho, 1.620 milhas depois e com 138 horas de navegação efectuadas.

Levou a cabo diversas missões de simples cruzeiro, patrulha, fiscalização, transporte de fuzileiros e de militares de outros ramos das FA, tendo participado em diversas operações naquele teatro de guerra.

Igualmente empenhada em escoltas à navegação comercial e transportes de tropas, apoio à oceanografia com colocação de bóias e reparação de marcas.

No decorrer do ano de 1967, em 17 de Dezembro, em S. Tomé e Príncipe, saiu de emergência a fim de identificar um navio que navegava próximo da costa e nas proximidades do Morro Carregado.

Tratava-se do navio ocenográfico francês «Obango» que se encontrava fundeado a uma milha da Praia das Conchas que ionformou estar a efectuar um estudo de correntes nessa zona. O navio foi apresado e, sob escolta, foi conduzido à baía de Ana Chaves.

Atribuída ao Comando Naval de Angola, no tempo de vida operacional até 1975 e enquanto esteve ao serviço da Marinha, desempenhou múltiplas missões, de fiscalização da pesca, patrulha, escolta e apoio a operações, alternando permanentemente entre Angola e S. Tomé e Príncipe.




A LFG «Pégaso» atracada em Santo António do Zaire

Comandaram a LFG «Pégaso» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

1TEN Francisco Manuel Pité Trabucho, 16Out63/11Jan66;
1TEN José Carlos Lobato de Faria Roncon, 11Jan66/20Mar68;
1TEN Pedro Luís da Costa Gomes Lopes, 20Mar68/11Mar70;
1TEN Jorge Manuel Patrício Gorjão, 12Mar79/07Mar72;
1TEN José Carlos Borges de Brito Subtil, 07Mar72/18Ago74;
1TEN José Manuel Belo Varela Castelo, 18Ago74/30Set75;

Foram seus Imediatos os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Luís Noel da Silva Bastos,4.º CEORN;
2TEN RN Alberto Pereira Marques, 5.º CEORN;
2TEN RN Joaquim António Coelho Palminha, 7.º CEORN;
2TEN RN José Alberto Lima Félix, 9.º CFORN;
2TEN RN Fernando José Serafim Mealha, 13.º CFORN;
2TEN RN Armando da Fonseca Gouveia Ribeiro, 17.º CFORN;
2TEN RN Fernando Manuel Barreiros Antunes, 21.º CFORN;




Santo António da Zaire, a imagem de um pôr-de-sol inesquecível

Em 04 de Outubro de 1975, em Luanda, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

Efectuou na totalidade, entre 1963 e 1975, cerca de 10.146 horas de navegação com alguns registos imprecisos ou inexistentes.


Fontes:
Texto redigido, compilado e adaptado pelo autor do blogue; Relatório de Comando da LFG «Pégaso»-Arquivo de Marinha; Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; imagens de arquivo do autor cedidas pelo Arquivo de Marinha e Revista da Armada; foto do pôr-de-sol cedida pelo 1ºTEN Raul Sousa Machado - NRP "Augusto Castilho", 1973;


mls

segunda-feira, outubro 29, 2018

LFG «Escorpião» - Protocolo de entrega ao Governo Português pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo


21 de Agosto de 1963 - Protocolo de Entrega da LFG «Escorpião»





Em 21 de Agosto de 1963 foi assinado, em papel selado, o "Protocolo de Entrega" da terceira lancha-patrulha, a LFG «Escorpião», entre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e o Governo Português, com representantes de ambas as partes, num contrato que visava a construção de três unidades navais idênticas.

De um total de 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes idênticas, viriam a ser construídas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo as primeiras quatro (4), a saber: LFG «Argos», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Pégaso».

As restantes seis (6) seriam construídas nos Estaleiros Navais do Arsenal do Alfeite, como segue: LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra», LFG «Lira», LFG «Orion», LFG «Centauro» e LFG »Sagitário».

Esta última foi entregue em 4 de Setembro de 1965. De salientar a notável capacidade revelada da construção naval nacional, com capacidade para construir 10 unidades navais deste tipo em apenas 2 anos e 3 meses.





A LFG «Escorpião» a navegar em S. Tomé e Príncipe

Fontes:
Texto redigido pelo autor do blogue compilado e coligido a partir de Setenta e Cinco Anos no Mar, 15.º Volume, Comissão Cultural de Marinha, 2004; imagens de arquivo do autor, cedidas pelo Arquivo de Marinha, Revista da Armada, 2TEN RN José Pires de Lima-4.º CEORN e 2TEN RN Silas Esteves Pego-11.º CFORN


mls

sábado, outubro 27, 2018

Liga dos Combatentes - Lei do Reconhecimento e da Solidariedade


Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar




Capa da revista "Combatente" n.º 385


É este o título do Editorial da revista trimestral Combatente n.º 385, Setembro de 2018, assinado pelo seu Director e Presidente da Direcção Central da Liga dos Combatentes, General Joaquim Chito Rodrigues.

(clicar para ver)

Pessoalmente, sou sócio da Liga dos Combatentes há cerca de três décadas, com o n.º 83.162, não pelas vantagens que tal me pode proporcionar essa qualidade, mas pelos valores e objectivos se solidariedade social que aquela Instituição tem prosseguido na defesa dos interesses dos Antigos Combatentes.

Entendo ser do interesse geral dos Antigos Combatentes o conhecimento do referido Editorial, motivo pelo qual, com a devida vénia, o reproduzo na íntegra tal como publicado na página 5 daquele número da revista «Combatente» acima referido.


Fontes:
Texto do autor do blogue; reprodução integral da página 5 da Revista "Combatente" n.º 385 de Setembro de 2018 da Liga dos Combatentes, em http://www.ligacombatentes.org.pt/revista_combatente/edi_oes_da_revista


mls