sábado, março 28, 2020

Guiné, LFP «Canopus» - P 364


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Canopus» - P 364

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 31 de Janeiro de 2011)


Construída nos estaleiros alemães Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 29 de Maio de 1961, na Guiné, depois de ter sido transportada por um navio mercante para Bissau, onde chegou em 17 daquele mês, juntamente com a LFP «Bellatrix».




Bissau - A LFP «Canopus», na ponte-cais em «T» atracada de braço dado às LFG «Lira», LFG «Sagitário» e ainda uma outra LFG

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a segunda de um grupo de 13 unidades que constituíram a classe «Bellatrix» e com as mesmas características gerais. Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Fez parte do planeamento inicial do Estado-Maior da Armada este tipo de unidades navais serem comandadas por um Sargento M - Classe de Manobra. Mais tarde, por proposta do Comando de Defesa Marítima da Guiné, a ideia foi abandonada. Na sequência da resolução de alguns problemas de navegação surgidos pelo tipo da complexa hidrografia daquele território foi decidido que o comando passasse a ser efectuado por um Oficial subalterno.




Guiné, 1964 - A participação na Operação "Tridente" com apoio ao desembarque de forças na "Ilha de Como". Em primeiro plano o lançador de foguetes de 37 mm sendo visível, a curta distância, em baixo, a LFP «Deneb» que a acompanhava na mesma missão



Em 4 de Agosto de 1961 largou em patrulha para o rio Cacine. No dia 12, depois de suspender passou por cima de uma pedra que se encontrava no meio do rio danificando o leme e o veio do motor de estibordo. Encalhou propositadamente frente a Cacine para proceder a verificações, constatando-se que havia um pequeno rombo, prontamente tapado. A porta do leme de EB tinha recolhido um pouco pela popa e o veio do motor daquele bordo tinha empenado com torsão das pás do hélice. Em 21 daquele mês regressou a Bissau a reboque do NM «Corubal», atracando no dia seguinte para reparação.

Tendo iniciado no sul da Guiné a sua vida operacional, ali teve mais destacada participação no apoio a operações e a comboios logísticos, sobretudo nos rios Tombali, Cobade, Cumbijã e Cacine, onde foi alvo de frequentes emboscadas, mantendo combates com grupos armados instalados nas margens.

De 13 de Janeiro a 11 de Março de 1964, participou na Operação “Tridente”, decorrida até 22 de Março, tendo estacionado por breves intervalos em Bissau para descanso da guarnição. A partir de meados de 1968 passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – Operação Via Láctea.



Guiné, rio Cacheu - Foi frequente a participação em escoltas a combóios de batelões e lanchas. Na imagem de cima é visível um modelo mais actualizado de lançador de foguetes com secção rectangular e, na de baixo, um dispositivo de lançamento de granadas, deniminados ALG/Dilagramas, e uma metralhadora MG 42





Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Canopus» os seguintes oficiais da Reserva Naval:



Joaquim Madeira Terenas,Luis Fernandes Sequeira e Manuel Ruivo Figueiredo

2TEN RN Joaquim Madeira Terenas, 3.º CEORN - 27Set61/07Abr63;
2TEN RN Luis Pinto Fernandes Sequeira, 4.º CEORN – 07Abr63/23Jun64;
2TEN RN Manuel José Ruivo Figueiredo, 6.º CEORN – 23Jun64/02Jun66;
2TEN RN Carlos Alberto Lopes, 8.º CEORN – 02Jun66/27Mai68;
2TEN RN Henrique Nunes de Oliveira Pires, 11.º CFORN – 27Mai68/02Mar70;
2TEN RN Domingos Manuel Alves Monteiro Diniz, 14.º CFORN – 02Mar70/22Jul71;




Carlos Alberto Lopes, Henrique Oliveira Pires e Domingos Monteiro Diniz.

Em 22 de Julho de 1971 permanecia atracada no porto de Bissau devido à falta de sobressalentes. Nessa data, depois de mais de 5.600 horas ao serviço da Marinha de Guerra, foi a primeira da classe a ser abatida ao efectivo dos navios da Armada.




Guiné, 1967 - Quase em seco, atracada no porto interior de Catió, vendo-se o 2TEN RN Carlos Alberto Lopes, o comandante da altura, a bombordo, sentado no convés junto à bóia

Navios da mesma classe:
«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega».




Fontes:
Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue cedidas por 2TEN RN Henrique Oliveira Pires e Arquivo de Marinha.


mls

quinta-feira, março 26, 2020

18.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Fev1971


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Julho de 2010)



Listagem completa do 18.º CFORN.


Foi o primeiro curso realizado no ano de 1971 que, a exemplo de anos anteriores seria assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval.




Em cima, Eduardo Madeira Ricou - LFP «Procion», Fernando Correia dos Santos - LFP «Bellatrix», Herculano Marques Ferreira - LFP «Fomalhaut» e João Manuel Esteves - LFP «Antares»;
Em baixo, Jorge Manuel Ramos - LFP «Aljezur», José Sequeira Alvarez - LFP «Arcturus» e Luis Lynce de Faria - LFP «Mercúrio»




O 18.º CFORN foi alistado em 18 de Fevereiro de 1971 e concluiu-se a 13 de Outubro daquele ano. Foram incorporados 57 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 23 cadetes na classe de Marinha, 25 cadetes na classe de Fuzileiros e 9 cadetes na classe de Técnicos Especialistas. Pertenceu a este curso o 2TEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, vítima de uma mortal e mal esclarecida emboscada, em Angola.




Em cima, a placa de homenagem ao STEN FZ RN António Piteira, na sala Reserva Naval da Escola Naval e, em baixo, o pormenor da inscrição local no Memorial de Belém onde figura o nome do oficial morto em combate (Angola, 1973).



Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos e foi Director de Instrução o Capitão de Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.




O Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos, Comandante da Escola Naval e o Director de Instrução, Capitão de Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Marinha, António José Guimarães Barral. Este prémio destinava-­se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete da Reserva Naval António José Guimarães Barral

Durante o ano de 1971, para a prossecução do plano de modernização da Marinha, conjuntamente com a necessidade de reforçar os meios navais empenhados na Guerra do Ultramar, foram aumentados ao efectivo dos navios da Armada o navio-patrulha «Zaire» e a LDG «Alabarda». Em 1972, vieram ainda reforçar aquele dispositivo a LF «Sabre», o navio balizador «Schultz Xavier», o navio-patrulha «Zambeze» e o navio hidrográfico «Almeida Carvalho».

No decorrer do mesmo ano de 1971, foram abatidos ao mesmo efectivo a fragata «Nuno Tristão», o caça-minas «Santa Maria», o navio-patrulha «Santo Antão» e a LFP «Tete» e, em 1972, seguiram idêntico destino as fragatas «Álvares Cabral» e «D. Francisco de Almeida» e as LFP «Canopus», LFP «Deneb» e LFP «Algol».




A LDG «Alabarda» atracada na doca da Marinha, antes de ir para Angola

Em Julho, foi iniciada a publicação da Revista da Armada, destinada essencialmente à divulgação interna das actividades da Marinha e que se tornou numa fonte documental indispensável para o conhecimento institucional da Armada.

Muitos oficiais da Reserva Naval desempenharam missões e viriam a fazê-lo nestes navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, todos eles tendo representando um papel relevante na História da Reserva Naval.



A FF «Pero Escobar», mais conhecida pela "Gina"

Houve uma normal mobilização dos elementos deste curso como Comandantes, Oficiais Imediatos de navios, Oficiais de Guarnição, integrando Companhias e Destacamentos de Fuzileiros ou Unidades e Serviços em terra, tendo sido designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:

Guiné (10 Oficiais):

2TEN RN Fernando Tabanez Ribeiro, LFG «Lira»;
2TEN RN Eduardo Germano Madeira Ricou, LPP «Procion»;
2TEN RN Fernando Manuel Correia dos Santos, LFP «Bellatrix»;
2TEN RN Jorge Manuel Conceição Ramos, LFP «Aljezur»;
2TEN RN José António Sequeira Alvarez, LFP «Arcturus»;
2TEN TE RN João de Azevedo Pacheco de Sacadura Botte, CDM da Guiné;
2TEN TE RN Sidarta Valentino Capelo de Sousa, CDM da Guiné;
2TEN FZE RN Carlos Alberto Pardal Sanina, DFE 22;
2TEN FZE RN Eduardo Moreira Vaz Cardoso, DFE 12;
2TEN FZE José Alfredo Oliveira Braga, DFE 1;

Numa mensagem de Ano Novo, Sékou Touré referiu-se aos inimigos com ligação aos acontecimentos de Novembro de 1970 – Operação "Mar Verde" – e que, segundo comunicado do Bureau Político Nacional, iriam ser convidados elementos da imprensa africana e internacional para assistirem às audiências da Assembleia Nacional da República da Guiné, a funcionar para a circunstância como Tribunal Popular. A maioria dos organismos do PGD (Partido Democrático da Guiné) mostra-se favorável à pena de morte para os mercenários capturados e seus cúmplices guineenses e a pena de trabalhos forçados ou prisão para estrangeiros.

Em 24 de Janeiro foi comunicado ao país o veredicto com que a Assembleia Nacional Guineense, eleita em Tribunal Revolucionário Supremo, castigou os réus implicados nos acontecimentos de 22 de Novembro de 1970. Foram condenadas à morte 91 pessoas, 66 a trabalhos forçados perpétuos e confiscados todos os bens dos condenados. Foram expulsas do país 16 mulheres.




O Comando de Defesa Marítima da Guiné depois de instalado no antigo Edifício das Alfândegas

No decorrer do ano de 1971, em 9 de Junho, pelas 21:45 foi efectuado o primeiro ataque do PAIGC a Bissau. A cidade foi flagelada com foguetões 122 mm.

Em Agosto a Rádio Senegal passa a difundir programas do PAIGC em português utilizando, para tal, uma locutora feminina de voz agradável que ficou conhecida pelas Forças Armadas como a Maria Turra. Divulgava notícias de guerra falsas ou extraordinariamente exageradas, atacando sempre a presença dos colonialistas portugueses na Guiné.

Em Novembro do mesmo ano é activado o DFE 22 o segundo Destacamento de Fuzileiros Especiais Africanos da “Série 20”, no Centro de Preparação daquela cidade. Comandado pelo 1TEN Rebordão de Brito.


Cabo Verde (4 Oficiais):

2TEN RN Vitor Correia Guimarães, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN RN Fernando de Oliveira Macedo Ferraz, Fragata «Comandante Sacadura Cabral»;
2TEN RN Olavo Francisco Valente Rasquinho, Comando Naval de Cabo Verde;
2TEN FZ RN Nuno Rodrigo Santos Pereira, Pelotão Independente (n.º 1) de Fuzileiros;


Angola (10 Oficiais):

2TEN RN António José Guimarãoes Barral, navio hidrográfico «Almeida de Carvalho»;
2TEN RN Herculano Santos Marques Ferreira, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Carlos Eduardo Couto da Cunha Dias, navio-patrulha «Rovuma»;
2TEN RN José dos Remédios Dias Gonçalves, navio patrulha «Cunene»;
2TEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, CF 1;
2TEN FZ RN Manuel Teotónio Rodrigues, CF 1;
2TEN FZ RN Vitor Luís da Silva Dores,CF 1;
2TEN FZ RN António Carvalho Rodrigues do Nascimento, DFE 10;
2TEN FZE RN Dulcínio de Oliveira Santos, DFE 10;
2TEN FZ RN Manuel José da Silva Gomes Lima, CF 3;

A República do Congo continuava a apoiar o movimento político-subversivo FNLA-GRAE com larga visibilidade exterior. Por ocasião de uma visita do presidente Mobutu foi salientada a contribuição congolesa e senegalesa para extirpar da terra africana todas as práticas aviltantes e de sujeição do homem africano.

A Zâmbia mantinha com Portugal um tom político de fria hostilidade, acusando o nosso país de estar a impor um bloqueio ao escoamento das suas exportações através do porto da Beira. Contrariando as declarações de intenção de uma política de boa vizinhança e de não ingerência interna nos assuntos de outras nações, o governo da Kaunda apoia os movimentos subversivos do MPLA e também da UNITA.




A LFP «Fomalhaut» a navegar no rio Zaire


Moçambique (13 Oficiais):

2TEN RN Abel Joaquim Pera Lopes Simões, CDM Portos Lago Niassa;
2TEN RN Manuel Pedro Faustino da Costa, CDM Portos Lago Niassa;
2TEN RN João Manuel Esteves, LFP «Antares»;
2TEN RN Luís Alexandre Lynce de Faria,LFP «Mercúrio»;
2TEN FZ RN António Mendes Picão, Comando Naval de Moçambique (AV);
2TEN FZE RN António Agostinho Lucas da Silva, DFE 3;
2TEN FZE RN Domingos de Sousa e Holstein Salgado, DFE 3;
2TEN FZE RN António Maria Allen Burnay Bello, DFE 9;
2TEN FZ RN Carlos Alberto Amado Pereira da Silva, DFE 9;
2TEN FZ RN António José de Miranda Correia, CF 9;
2TEN FZ RN José Luís Calheiros Ferreira, CF 9;
2TEN FZ RN Manuel Augusto Simões Morgado, CF 9;
2TEN FZ RN Roque Gomes dos Santos, CF 9;

O Conselho Mundial das Igrejas encarniçava-se contra Portugal desenvolvendo intensa actividade de apoio aos movimentos subversivos, não contando porém com o apoio generalizado das organizações religiosas.

Em Maio, mantinha-se a possibilidade pouco provável do Reino Unido, por sua iniciativa ou em nome das Nações Unidas, vir a tentar apoderar-se do porto e aeroporto da Beira, como testa de ponte para o lançamento de operações no interior da Rodésia.




A Fragata «Comandante Hermenegildo Capelo»


Continente, Ilhas e Outras Unidades (20 Oficiais):

2TEN RN António Manuel da Silva Branco,Fragata «Comandante João Belo»;
2TEN RN António Manuel Neves Martins, Fragata «Pero Escobar»;
2TEN RN António Manuel Cortez de Miranda, Direcção do Serviço de Pessoal - 1.ª Rep;
2TEN RN Carlos Augusto Fernandes Lopes, LFP «D. Aleixo»;
2TEN RN José Adriano Aguiar Mamede, Grupo n.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN Adelino Couto Rodrigues da Silva, CF 12;
2TEN FZ RN Carlos Alberto Lindo da Silva, CF 12;
2TEN FZ RN Ângelo José Cachudo Sajara, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António José Rebelo da Silva Carvalho, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN David Ribeiro de Sousa Geraldes, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN Orlando Luís Sousa Sequeira, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Artur José de Almeida Santos, Grupo n.º 2 de EA (Escola de Comunicações);
2TEN TE RN Carlos Manuel Rodrigues Lisboa, DSEF da Armada;
2TEN TE RN João Manuel Cunha da Silva Abrantes, DSEF da Armada;
2TEN TE RN Diogo Ivo de Miranda Cabral de Barbosa, Direcção do Serviço de Pessoal - 5.ª Rep;
2TEN TE RN João Fernando Pontes Amaro, Chefia do Serviço de Justiça;
2TEN RN Joaquim Carlos Pereira Franciosi Costa, Estado-Maior da Armada;
2TEN RN Jorge Manuel Simões Cristina, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Marinús Pires de Lima Soares, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Pedro Domingos de Brito Ivo de Carvalho, Direcção do Serviço de Abastecimentos;





O navio-patrulha «Zaire», da classe «Cacine», atracado no Funchal por ocasião do Dia da Marinha



Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado,Lisboa, 1992; Dicionário de Navios e Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Texto e Fotos de arquivo do autor do blogue com cedências de origens diversas;


mls

quarta-feira, março 25, 2020

Reserva Naval, 1998 - 40 anos depois da sua criação


Reserva Naval, 1998 - 40 anos depois da sua criação

(Post reformulado a partir de um já anteriormente publicado em 27 de Maio de 2008)

A Fundação da AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, como já referido em anterior publicação, teve lugar em 14 de Julho de 1995, na Sala do Risco - Casa da Balança, como exemplo único em todos os ramos das Forças Armadas.

Decorridos três anos sobre a fundação da Associação dos Oficiais da Reserva Naval e 40 anos depois da criação da Reserva Naval, em 1958, teve lugar a Assembleia Geral para eleição de novos corpos directivos na conhecida Casa da Balança.

Decorreu dentro dos tão habituais quanto sãos parâmetros de análise, crítica e camaradagem. Também convívio e humor bastantes.

Ao tempo, não resisti a esboçar uma humorística força naval em que, à testa, sulcava as águas um porta-aviões da AORN, com céu limpo, sol brilhante e mar chão, prenúncio de largas milhas a navegar ao serviço da cultura e dos valores de Portugal, da Marinha e do Mar.

Símbolo vivo representativo do que terá sido a Reserva Naval ao serviço do País e da Marinha, entre 1958 e 1992.




Uniformizados a rigor, embarcavam e dirigiam a força os Almirantes da Reserva Naval Ernâni Rodrigues Lopes, do 7.º CEORN nas funções de Presidente da Assembleia Geral, Alípio Barroso Pereira Dias, do 9.º CFORN como Presidente do Conselho Fiscal e António Rodrigues Maximiano, do 20.º CFORN no lugar Presidente da Direcção da Associação.

Dando continuidade à satírica caricatura, entendi dever atribuir à Direcção uma outra unidade naval de mais vetusta construção, na forma de uma nau quinhentista, relembrando as tormentas que não teriam sido levadas a cabo durante o mandato.




Para o leme tinha sido destacado, com a indispensável guia de marcha, o responsável pela Direcção, António Rodrigues Maximiano, coadjuvado nas vigorosas remadas pelos restantes membros da guarnição, todos Oficiais da Reserva Naval a saber: Alfredo Lemos Damião - 15.º CFORN, António Luis Marinho de Castro - 8.º CEORN e Manuel Sousa Torres - 8.º CEORN.

As personalizadas gravatas do Max, como na família Reserva Naval era conhecido António Rodrigues Maximiano, também aqui encontraram uma personalizada forma de expressão e visibilidade.

Para todos, com quem tive a honra de partilhar colaboração durante anos, aqui deixo registado o meu testemunho de apreço com um renovado e saudoso «até sempre!...», aos que já não se encontram entre nós.


Manuel Lema Santos
8º CEORN




Fontes:

Texto e fotos de arquivo do autor;

mls

segunda-feira, março 23, 2020

Ainda as LFP da classe «Bellatrix»


Correcções e Esclarecimentos




A LFP «Bellatrix»


Foram construídas 13 unidades das Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) classe «Bellatrix»:

As primeiras oito nos estaleiros nos estaleiros Bayerische Schiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, na Alemanha:

LFP «Bellatrix» - P 363;
LFP «Canopus» - P 364;
LFP «Deneb» - P 365;
LFP «Espiga» - P 366;
LFP «Fomalhaut» - P 367;
LFP «Pollux» - P 368;
LFP «Rigel» P 378;
LFP «Altair» - P 377;


A LFP «Bellatrix», a primeira, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29-5-1961 e a LFP «Altair», a última, em 13 de Janeiro de 1962.

As três primeiras, as LFP «Bellatrix» - P 363, LFP «Canopus» - P 364 e a LFP «Deneb» - P 365 foram atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

As restantes cinco, as P 365, «Espiga» - P 366, «Fomalhaut» - P 367, «Pollux» - P 368, «Rigel» P 378 e «Altair» - P 379 foram atribuídas ao Comando Naval de Angola - Esquadrilha de Lanchas do Zaire.

As outras cinco, construídas mais tarde no Arsenal do Alfeite, foram as seguintes:

LFP «Arcturus» - P 1151;
LFP «Aldebaran» - P 1152;
LFP «Procion» - P 1153;
LFP «Sirius» - P 1154;
LFP «Vega»- P 1155;


A LFP «Arcturus»- P 1151, a primeira, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 17 de Maio de 1968 e a LFP «Vega»- P 1155, a última, em 21 de Setembro de 1970.

As três primeiras, as LFP «Arcturus» - P 1151, LFP «Aldebaran» - P 1152 e a LFP «Procion» - P 1153 foram atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

As restantes duas, as LFP «Sirius» - P 1154 e a LFP «Vega»- P 1155, foram atribuídas ao Comando Naval de Moçambique - Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia.

Ainda que estas 13 unidades navais tivessem características gerais semelhantes, pequenos pormenores houve em pequenos retoques de aperfeiçoamento ulterior ao fabrico, consoante o teatro de operações. Baseavam-se em informações colhidas da experimentação prática conducentes à melhoria das condições quer de defesa quer de operacionalidade global.

Apenas as LFP atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné instalaram chapa balística de protecção e lança-foguetes de 37 mm. Mesmo neste caso o desenho foi alterado posteriormente.

Na Revista da Armada referida como fonte, pode ler-se que:


“...Os motivos das cinco LFP construídas a partir da LFP «Arcturus» terem ficado com os deslocamentos e o calado máximo superiores e a velocidade máxima inferior aos das primeiras oito LFP «Bellatrix» foi o facto de na sua construção ter sido utilizada chapa de maior espessura, das capacidades dos tanques de aguada e de combustível serem maiores e ainda do guincho do ferro ser de um modelo diferente mais volumoso e mais pesado.

Mas além destas diferenças não detectáveis à vista, (exceptuando talvez o guincho do ferro), havia outras, exteriores, que permitem fazer a destrinça facilmente: assim as oito lanchas construídas no estaleiro alemão têm dez vigias rectangulares no casco, cinco a cada bordo, enquanto que as cinco lanchas "Arcturus" têm quinze pequenas vigias circulares, sete no costado de BB e oito no de EB. Por outro lado a antena do radar (Decca 303) nas oito LFP «Bellatrix» está montada no topo de uma pequena coluna posicionada a BB da superestrutura da ponte ao passo que nas cinco LFP «Arcturus» aquela antena de radar está instalada no galope de um mastro que tem quase o dobro da altura e que, como quase todos os mastros, se encontra colocado no plano de mediania do navio...”





A LFP «Espiga»



A LFP «Aldebaran»


As imagens acima inseridas, sombreadas nos pormenores que constituiram alterações notáveis de construção, dispensam legendas no que respeita à imediata percepção visual destas diferenças exteriores.

Depreende-se logicamente que o aspecto exterior, tanto no caso da LFP «Sírius» como no da LFP «Vega», seriam necessariamente idênticos ao da LFG «Aldebaran», mas tendo em conta que não dispunham do lançador de foguetes de 37 mm nem de chapa balística de protecção.



Apenas como um exemplo de equipamento modificado, instalado em algumas das LFP, repare-se no lançador de foguetes montado inicialmente na LFP “Bellatrix”, comparativamente ao modelo que outras vieram a instalar posteriormente como o da LFP «Aldebaran».

Navios da classe:

«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega»



Fontes:
Arquivo de Marinha; Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais de Marinha, 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, 16.º volume, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Revista da Armada, n.º 405 - Das lanchas de Fiscalização Pequenas, José Ferreira dos Santos, membro da Academia de Marinha.

mls

domingo, março 22, 2020

Reserva Naval nas LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas classe «Bellatrix»


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Bellatrix» - P 363

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Janeiro de 2011)

Das Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) classe «Bellatrix» foram construídas 13 unidades das quais, as primeiras oito, as LFP «Bellatrix» - P 363, LFP «Canopus» - P 364, LFP «Deneb» - P 365, «Espiga» - P 366, «Fomalhaut» - P 367, «Pollux» - P 368, «Rigel» P 378 e «Altair» - P 379, nos estaleiros nos estaleiros Bayerische Schiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, na Alemanha.

As restantos cinco, as LFP «Arcturus»- P 1151, LFP «Aldebaran»- P 1152, LFP «Procion» - P 1153, LFP «Sirius»- P 1154 e LFP «Vega»- P 1155, foram construídas no Arsenal do Alfeite, tendo a primeira sido aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 17 de Maio de 1968 e a última em 21 de Setembro de 1970.

A primeira, a LFP «Bellatrix», foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29-5-1961, na Guiné, depois de ter sido transportada por um navio mercante para Bissau, onde chegou em 17 daquele mês, juntamente com a LFP «Canopus».

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a primeira de um grupo de 13 unidades que constituiram a classe «Bellatrix». Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:



Fez parte do planeamento inicial do Estado-Maior da Armada este tipo de unidades navais serem comandadas por um Sargento de Manobra. Mais tarde, por proposta do Comando de Defesa Marítima da Guiné, a ideia foi abandonada. Na sequência da resolução de alguns problemas de navegação surgidos pelo tipo da complexa hidrografia daquele território foi decidido que o comando passasse a ser efectuado por um oficial subalterno.



Em cima, na Guiné - A LFP «Bellatrix» a navegar no rio Cacine ainda sem o lançador de foguetes e, em baixo, o perfil daquela unidade naval num ozalide do desenho de construção naval



Entre a saída de Lisboa para a Guiné e 27 de Setembro de 1961, data em que o primeiro oficial da Reserva Naval, assumiu as funções de comandante, a LFP “Bellatrix” teve como Patrão e Mestre um Sargento Ajudante da classe de Manobra – José Agostinho Moreira, tendo participado em diversas acções de fiscalização, transporte de pessoal e material, combóios, transporte de fuzileiros e emboscadas.



Em cima: Ainda nos estaleiros Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, a LFP «Bellatrix»
em fase de provas de mar, e na altura do embarque no transporte que a haveria de trazer para Portugal;
Em baixo: Já carregada lado a lado com a LFP «Canopus»




Ainda que tenha iniciado no rio Cacheu em Agosto de 1961 a sua vida operacional, teve mais destacada participação no apoio a operações e a comboios logísticos, sobretudo nos rios do sul da Guiné. A partir de meados de 1968 passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – Operação Via Láctea.

Foi alvo de frequentes emboscadas e manteve combates com grupos armados instalados nas margens dos rios Tombali, Cobade, Cumbijá e Cacine, tendo sido atingida pelo fogo inimigo.



O local de impacto de uma «bazookada» no rio Cobade.

Em Janeiro de 1964, participou na Operação “Tridente”, decorrida até 22 de Março. Em 13 de Fevereiro de 1968 foi violentamente atacada no rio Cobade de que resultaram, além de um rombo a bombordo, 80% abaixo da linha de água, estragos na casa da navegação, radar, sistema eléctrico e motores principais que obrigaram a mais prolongada reparação.



Durante todo o período em que esteve operacional, sempre na Guiné, foram comandantes da LFP «Bellatrix» os seguintes oficiais da Reserva Naval:



2TEN RN Fernando Manuel da Silva Ferreira, 3.º CEORN, 27Set61 a 09Abr63;
2TEN RN Rui George Osório de Barros, 4.º CEORN, 09Abr63 a 23Jun64;
2TEN RN António Simas de Oliveira Vera Cruz, 6.º CEORN, 23Jun64 a 02Jun66;
2TEN RN Manuel Henrique Vieira de Sousa Torres, 8.º CEORN, 02Jun66 a 23Mar68;




2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 23Mar68 a 15Dez69;
2TEN RN José Luis Ferreira da Silva Dias, 14.º CFORN, 15Dez69 a 15Fev70;
2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 15Fev70 a 26Mar70 (cont);
2TEN RN José Manuel Garcia da Costa Bual, 14.º CFORN, 26Mar70 a 10Ago70;




2TEN RN António José Fonseca Prezado Alves, 15.º CFORN, 10Ago70 a 24Ago72;
2TEN RN Fernando Manuel Correia dos Santos, 18.º CFORN, 24Ago72 a 10Set73;
2TEN RN José Manuel Miranda Themudo Barata, 21.º CFORN, 10Set73 a 07Set74;





Guiné – Registos fotográficos de missões da LFP «Bellatrix» sendo visível
o lançador de foguetes de 37 mm, montado por cima da metralhadora Oerlikon de 20 mm








Em Bissau, atracada no interior da asa da ponte-cais em T, de braço dado com a LFG “Lira” (1968)





Em modelos à escala, em cima, na AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval ou, em baixo,
tanto a navegar com radar em cima, como amarrada à bóia na Lagoa Azul em Sintra, em 2009








Depois de mais de 13 anos de bons serviços e mais de 8.500 horas de navegação, a LFP «Bellatrix» foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da classe:

«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega»

Fontes:
«Dicionário de Navios» de Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; «Setenta e Cinco Anos no Mar», Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005: fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Revista da Armada, Carlos Dias Souto e Mário Cavalleri.

mls

sábado, março 21, 2020

Angola - Reserva Naval nos Dembos


2TEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros, 5.º CEORN - Ferido em Combate nos Dembos

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 6 de Fevereiro de 2010)




O 2TEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros pertenceu ao 5º CEORN e ingressou na Marinha de Guerra em 4 de Outubro de 1962.

Promovido a Aspirante RN em Maio de 1963, foi destacado para prestar serviço em Angola, no Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 6, tendo sido ferido em combate em complexa operação na região dos Dembos.

Mais tarde, veio a ingressar nos Quadros Permanentes da Marinha de Guerra - SEG.




Foi Comandante do DFE 6 o 1TEN AN João Fernandes Mendes Barata tendo como Oficial Imediato o 2TEN António Alexandre Welti Duque Martinho e 3.º Oficial o STEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros.


Fontes:
Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África 1961/74 - Guiné, Luis Sanches de Baêna, 2006; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Ordem da Armada 1.ª Série n.º 26 de 3Jun1964; Arquivos do autor;


mls

quinta-feira, março 19, 2020

António Pedro da Silva Chora Barroso, 24.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval


Escola Naval, 1974

"In Memoriam"
1950 -2020






Na Escola Naval, em 21 de Fevereiro de 1974, teve início o 24.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, onde foi integrado o Cadete António Pedro da Silva Chora Barroso, classe de Especialistas.

Tendo nascido em Lisboa, Pedro Barroso cresceu em Riachos, terra natal do pai, professor do Ensino Primário.

Completou o curso de Educação Física em 1973, no INEF - Instituto Nacional de Educação Física, actual Faculdade de Motricidade Humana.

Promovido a Aspirante da Reserva Naval em 28 de Setembro de 1974, prestou serviço na Escola de Fuzileiros até ao seu licenciamento e regresso à vida civil como Sub-Tenente da Reserva Naval.

Foi professor de Educação Física dessa disciplina no Ensino Secundário durante mais de 20 anos.

Em 1988, viria a obter um diploma de pós-graduado em Psicoterapia Comportamental, tendo trabalhado na área da Saúde Mental e Musicoterapia durante alguns anos. Foi, neste campo, pioneiro no ensino de crianças surdas, numa escola de ensino especial de Lisboa.

Membro ativo da comunidade artística e musical, integrou a direção do Sindicato dos Músicos e foi autor, em 2002, do polémico Manifesto sobre o estado da Música Portuguesa, que teve audições junto de todos os grupos parlamentares da Assembleia da República e do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

Desde 2003, foi membro dos corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Autores, na direcção então presidida por Manuel Freire.

Pedro Barroso Barroso foi convidado a dar palestras sobre a cultura portuguesa nas Universidades de Nijemegen, Estocolmo, Toronto e Budapeste.

Brilhante carreira musical, compositor e intérprete mas também Oficial da Reserva Naval!

Pai do também cantor Nuno Barroso, vocalista dos Além-Mar.

Faleceu aos 69 anos de doença prolongada, na noite de 16 de março de 2020, em Lisboa.

À família enlutada apresentamos sentidas condolências pela perda.



Fontes:
Texto do autor do blogue, composto a partir de https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Barroso com a devida vénia; referências históricas do 24.º CEORN do autor do blogue a partir do Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992;

mls

quarta-feira, março 18, 2020

Reserva Naval, Guiné - A Pátria Honrai


2TEN FZE RN José Luis Couceiro, 5.º CEORN - Medalha da Cruz de Guerra de 2.ª Classe

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Fevereiro de 2010)




O 2TEN FZE RN José Luis Couceiro pertenceu ao 5º CEORN - Cursos especial de Oficiais da Reserva Naval e ingressou na Marinha de Guerra em 4 de Outubro de 1962.

Promovido a Aspirante RN em Maio de 1963, foi destacado para prestar serviço na Guiné, no Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 2, tendo-se destacado pela sua empenhada participação em diversas operações. Quase no final da comissão de serviço, foi chamado a substituir o seu camarada do mesmo curso Abel Machado de Oliveira, integrado no DFE 8 e que, ferido em combate, teve de ser evacuado.








Foi Comandante do DFE 2 o 1TEN Pedro Manuel de Vasconcelos Caeiro, seu Imediato o 2TEN Adolfo Esteves Sousa e 3.º Oficial o STEN FZE RN José Luis Couceiro.

O comandante do destacamento, ferido em combate, veio a ser substituído pelo 1TEN Mário Augusto Faria de Carvalho.

Foi Comandante do DFE 8 o 1TEN Guilherme Almor de Alpoim Calvão, seu Imediato o 2TEN José Manuel Malhão Pereira e 3.º Oficial o STEN FZE RN Abel Machado de Oliveira.

Este último, ferido em combate, veio a ser substituído pelo 2TEN RN FZE José Luis Couceiro.


Fontes:
Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África 1961/74 - Guiné, Luis Sanches de Baêna, 2006; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Ordens da Armada 1.ª Série n.º 37 de 12.8.1964, n.º 4 de 27.1.1965 e n.º 22 de 22.6.1965.


mls

segunda-feira, março 16, 2020

STEN FZ RN António Piteira - Escola de Fuzileiros


Escola de Fuzileiros - Homenagem ao STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Dezembro de 2009)




Escola de Fuzileiros - Rua STEN FZ RN António Piteira.

No dia 18 de Dezembro de 2009 teve lugar, na Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, uma singela mas significativa homenagem ao camarada da Reserva Naval António Bernardino Apolónio Piteira, pertencente ao 18.º CFORN, que morreu em combate em 3 de Junho de 1973, no Leste de Angola, Chilombo, vítima de uma emboscada inimiga, quando comandava uma coluna logística de viaturas no trajecto Chilombo – Lumbala.

A homenagem consistiu na atribuíção do nome do STEN FZ RN Apolónio Piteira à rua que liga a Parada da Escola de Fuzileiros - à qual foi recentemente atribuído o nome do Almirante Roboredo e Silva - à Messe de Oficiais.



Antigos elementos da Companhia de Fuzileiros n.º 1, junto à nova placa toponímica
na rua de acesso à Messe de Oficiais.


A homenagem, que estava integrada numa cerimónia de Juramento de Bandeira, foi presidida pelo 2.º Comandante do Corpo de Fuzileiros, CMG FZ Oliveira Monteiro, em representação do Comandante do Corpo de Fuzileiros, contando também com a presença do Comandante da Escola de Fuzileiros, CMG FZ Ferreira de Campos.




Em cima, o CMG FZ Ferreira de Campos, casal amigo de infância do STEN António Piteira, CMG FZ Oliveira Monteiro e, em baixo, a nova placa toponímica STEN FZ RN António Piteira.



A AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval fez-se representar pelo Presidente da Direcção, Joaquim Oliveira Moreira do 25.º CFORN e pelo vogal da Direcção José António Ruivo do 21.º CFORN. Participaram ainda alguns elementos da Companhia de Fuzileiros n.º 1, Unidade à qual o camarada Piteira pertencia, e um casal amigo de infância.




Em cima, o CMG FZ Oliveira Monteiro, José Ruivo, Joaquim Moreira e CMG FZ Ferreira de Campos e, em baixo, algumas das pessoas que participaram na cerimónia.



Antes de a Companhia de Fuzileiros n.º 1 – à qual pertencia o STEN FZ RN Apolónio Piteira – partir para a sua comissão em Angola, foi-lhe atribuída a missão de escoltar as ossadas de D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil), que seguiram de Lisboa para o Rio de Janeiro a bordo do paquete Funchal, especialmente fretado para o efeito.

A bordo do paquete Funchal, que foi escoltado por duas fragatas da Marinha seguiam também o Presidente da República, Almirante Américo Thomáz, e o Ministro da Marinha, Almirante Pereira Crespo.



A bordo do paquete "Funchal", com o Almirante Américo Thomáz, o Almirante Pereira Crespo e o Comando do navio, elementos da Companhia de Fuzileiros nº1;
o STEN FZ RN António Piteira é o primeiro elemento da fila de trás, à esquerda.


José A. Ruivo
CMG FZE RN - 21º CFORN


Fontes:
Texto e fotos da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval.


mls