domingo, setembro 23, 2018

NTM «Creoula», 2003 - Reserva Naval e Cabo Espartel


Cruzar o rumo do NTM «Creoula», a sudeste de Portimão, no caminho para o Cabo Espartel

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 3 de Abril de 2012)






No ano em que o NTM «Creoula», UAM 201, antigo lugre da Frota Branca Portuguesa (Portuguese White Fleet) completava, em 10 de Maio seguinte, 75 anos de lançamento ao mar e ao serviço da Marinha Portuguesa, justo é que se exaltem também as missões de colaboração e treino de mar com a AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval que representavam, oficialmente, aquela histórica classe de oficiais da Marinha de Guerra Portuguesa.

Será correcto que, nessa perspectiva, se considere como tantos outras unidades navais que tantos e bons serviços prestaram à Marinha e a Portugal, um navio Reserva Naval. Assim ficaram conhecidos navios onde se incluiram, destroyers, fragatas, navios-patrulhas, draga-minas, navios hidrográficos e auxiliares, lanchas de ficalização grandes e pequenas bem como também lanchas de desembarque grandes, médias e pequenas e, como não poderia deixar de ser, navios-escola.

Qualquer relato diferente ou oportuno registo fotográfico arrastará consigo uma referência ao “velho” lugre, justa homenagem a um navio que reflecte de forma única, na história que simbolicamente consigo transporta, num misto lendário de coragem e determinação, uma escola de marinheiros, disciplina, trabalho e sacrifício, a que corresponderam 37 campanhas bacalhoeiras que o «Creoula« já tinha cumprido na Gronelândia e Terra Nova, a última em 1973.

Em 1 de Junho de 1987 o navio foi formalmente entregue ao Ministério da Defesa Nacional passando a ser designado como Unidade Auxiliar de Marinha (UAM 201) e classificado como NTM - Navio de Treino de Mar.

Todos os anos, desde a Páscoa até Outubro, o navio realiza cruzeiros destinados a futuros profissionais do mar e a jovens interessados, os quais se integram na vida diária de bordo, desempenhando todas as tarefas necessárias. Têm sido inúmeras as missões desempenhadas nas áreas do ensino e da cultura com estas vertentes de formação e treino, algumas delas também com a AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval.

É de um antigo oficial da Reserva Naval o registo fotográfico exibido e o comentário abaixo que, em 2003, a sul do Algarve, algures entre Portimão e o Cabo Espartel – Tanger, cruzou o rumo do lugre no caminho para Marrocos. Como afirmou “... parecia o lago do Campo Grande e obrigámos um grumete a ir a correr à popa para arriar a bandeira, respondendo à nossa saudação...”, seguindo a mais antiga tradição naval.






O Cabo Espartel é um cabo situado na costa marroquina, perto de Tânger. No penhasco que ali se situa (a 110 m de altura sobre o mar), existe um farol cuja luz se pode ver a 23 milhas náuticas. Para sul, o terreno desce rapidamente dando lugar a uma planície, o que provoca a ilusão de que o cabo pareça uma ilha quando visto de alguns pontos. Antigamente, este cabo era conhecido como Cabo Ampelusia. Este ponto é um dos limites em terra do estreito de Gibraltar.
O local foi palco de confrontos navais famosas, como a Batalha do Cabo Espartel em 20 de Outubro de 1782, entre a esquadra franco-espanhola e a esquadra inglesa.
Posteriormente, uma outra batalha naval teve lugar ali, durante a Guerra Civil Espanhola, também denominada Batalha do Cabo Espartel, em 29 de Setembro de 1936, quando foi quebrado o bloqueio republicano do Estreito de Gibraltar, assegurando o suprimento das forças nacionalistas no Marrocos Espanhol.







Fontes:
Texto e imagens de arquivo do autor do blogue; Dicionário de Navios e Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Espartel; imagens cedidas gentilmente por Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN, 2012;


mls

segunda-feira, setembro 17, 2018

2TEN FZE RN João Pedro Gião Toscano Rico


"In Memoriam" 2TEN FZE RN João Pedro Gião Toscano Rico - 4.º CEORN

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Julho de 2011)




2TEN FZE RN João Pedro Gião Toscano Rico
1938-2006



A notícia chegou de forma brutal, porque inesperada para mim. Camarada de curso entrado na Escola Naval em 1961, para a frequência do 4.º CEORN, João Pedro revelou-se cedo como um inadaptado das regras impostas aos cadetes.

Cumpridor mas contrariado, alcançou sempre notas positivas e, mesmo nas provas de Educação Física os níveis alcançados foram sempre acima da média, mesmo saltando à vista que não era grande predestinado para as actividades ligadas ao desporto.

Sem queixas nem lamentos, reconhecia-se nele o esforço de executar algumas das tarefas obrigatórias, porque nunca deu parte de fraco e a si próprio impunha a tenacidade de ser igual, ou melhor, entre os melhores.

No entanto, a sua rebeldia trouxe-lhe contrariedades. Na viagem de instrução final de curso, sabedor que aos cadetes era imposta a obrigação de permanecerem fardados nas saídas de bordo, tomou a decisão provocatória de se apresentar vestido à civil no bar do hotel frequentado pelos oficiais da guarnição do navio, valendo-lhe a atitude uma sanção que o relegou para os últimos lugares da classificação do curso e a quase certa e mais rápida mobilização para o Ultramar.

Enganou-se quem o castigou, porque tal facto não o apoquentou. Pertencente à classe de Marinha, a lógica apontava para o destacamento para um navio em comissão africana, ou eventualmente integrado numa Companhia de Fuzileiros Navais. Inesperadamente, ofereceu-se para a frequência do curso de Fuzileiro, terminando a respectiva instrução com a classificação de “Apto” e tornando-se desde então o primeiro oficial na História da Reserva Naval habilitado com o curso de Fuzileiro Especial.

Foi em 1962 mobilizado para Angola, sendo o 4.º oficial do DFE 1, destacamento comandado pelo 1TEN Henrique Metzner, tendo como oficial imediato o 2TEN Luís Camós Oliveira Rego e 3º oficial o 2TEN José Júlio Neto Abrantes Serra.

No Zaire, em Março de 1963, fui encontrá-lo de camuflado, no comando do Posto avançado de vigilância da Quissanga, o mais a jusante do rio. Tinha com ele uma boa remessa de medicamentos, a maior parte amostras de laboratórios, que cedia ao seu pessoal em receitas de quem se mostrava conhecedor das maleitas caseiras de pouca gravidade. Aos nativos, no seu dizer curioso, curava os males com a intenção de «acabar com a feitiçaria».

Um dia, desafiado pelo agente da Pide em serviço na vila de Nóqui, decide fazer uma visita a Matadi, cidade congolesa mais próxima da fronteira.

Em vez de regressar no mesmo dia, por ali se quedou em turismo durante dois dias, provocando tremenda dor de cabeça ao acompanhante.




Era assim João Pedro Toscano Rico. Dizia-se admirador do célebre herói da banda desenhada, o capitão Marvel. Só que os seus dotes não lhe permitiam voar. Certo dia, encontrei-o à deriva, num bote Zebro a caminho da margem congolesa, com o motor de bordo inoperativo e em risco de ser caçado por nativos que na margem o aguardavam após uma cena de provocação.

Não foi ainda dessa vez que foi apanhado. Nem em várias outras ocasiões, porque repetiu a provocação de pisar terra na margem direita, esperando que os negros do Congo, brandindo catanas, o tentassem apanhar. Sem sucesso, para seu bem.

Valente e corajoso, não era apenas a inconsciência que o levava a tais procedimentos. Algum desejo de notoriedade, eventualmente, levavam-no a atitudes perigosas de que se foi livrando, por vezes no limite do razoável.

Amigo do seu amigo, confiante nos outros, tinha sentimentos nobres e ideais onde a coerência ocupava lugar de destaque.

Em 28 de Setembro de 1975, no célebre Verão Quente da malfadada época da anarquia reinante, João Pedro regressava do Alentejo onde normalmente habitava, tratando e gerindo as suas terras de lavoura, como Agrónomo de profissão que era.

Passou a Ponte do Tejo esperando que as barragens da populaça o mandassem parar, como era norma naquele dia, na procura revolucionária de reaccionários armados.

Não o detiveram porém, o que muito o espantou, porque se fazia transportar numa viatura de marca, um Mercedes, indicativo à primeira vista que se trataria de «contra revolucionário e perigosíssimo reaccionário».

Decide então inverter a marcha, voltar à margem Sul e repetir o trajecto em direcção a Lisboa. Dessa vez foi efectivamente mandado parar. Não acatou a ordem e face à atitude, um qualquer grupo de energúmenos enviou na sua direcção uma rajada de metralhadora que o apanhou em cheio, deixando-o às portas da morte.

De 1975 até 2006 viveu com essa recordação, porque o mal físico não o impediu de fazer a sua vida habitual, agora com mais calma.

Dada a natureza dos tiros que o atingiram, sempre se considerou convicto de que seriam forças militares as que o trataram daquela forma. Não mais concedeu qualquer crédito à Instituição Militar.

Fez, no entanto, uma excepção. Quando lhe divulguei o projecto do Museu da Reserva Naval e lhe mostrei a importância histórica da farda camuflada do 1.º Fuzileiro Especial RN nele figurar, convidou-me a ir a sua casa e retirando de um armário uma caixa, religiosamente guardada por sua Mãe, entretanto falecida, entregou-ma com a emoção de quem se desfaz de um bem precioso mas com a certeza de que a mesma seria estimada como até ali.

E é estimada e ficará exposta no Museu da Reserva Naval ou voltará para a posse dos seus filhos. Promessa que lhe fiz e que cumprirei.

João Pedro Toscano Rico, meu camarada de curso e companheiro de comissão em África, um dos Bravos do Zaire como entre nós, os que por ali passaram, orgulhosamente gostamos de referir, é um dos eleitos da minha Memória, enchendo-me de tristeza o facto de não mais o ter no nosso convívio.



José Pires de Lima
4º CEORN




Fontes:
Página de memória histórica da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, 2006, publicada em www.reservanaval.pt/inmemoriam/inmemoriam.html; fotos de arquivo do autor do blogue


mls

sábado, setembro 15, 2018

LDG «Bacamarte» vs Lanchas de Desembarque Grandes


Lanchas de Desembarque Grandes (LDG) e uma memória histórica síntese

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Outubro de 2011)


No decorrer da comemoração do “Dia da Reserva Naval 2011”, a 8 de Outubro daquele ano, demo-nos conta de estar acostada na Base Naval de Lisboa, a última representante operacional das Lanchas de Desembarque Grandes, a LDG 203 «Bacamarte».

Até houve quem colocasse a questão em termos de que raio de nome para dar a um navio mas, mais do que o nome, correcto dentro da tipologia escolhida, acudiram-me à memória outras, mas sobretudo a primeira a ser construída, a LDG «Alfange» bem como a importância que teve na estratégia naval de então, tal como as que se lhe seguiram no lançamento à água.




A LDG «Bacamarte» acostada na Base Naval do Alfeite

Em plena Guerra do Ultramar houve necessidade de equipar a Marinha com unidades navais que garantissem o eficaz abastecimento de víveres, armamento, munições e materiais, a populações ou a unidades militares estacionadas nos teatros da Guiné, Angola e Moçambique. Foram também utilizadas como unidades de transporte e apoio a operações envolvendo grandes meios, numa eficaz e complexa logística da responsabilidade da Marinha.

Decorreram mais de duas décadas entre o aumento ao efectivo dos navios da Armada da LDG «Alfange» (LDG 101), em 04Mar65, e a correspondente data da «Bacamarte» (LDG 203), em 02Ago85.

A primeira deu o nome à classe a que pertenceram igualmente a LDG «Ariete» (LDG 102), aumentada ao efectivo em 09Jun65, a LDG «Cimitarra» (LDG 103), em 04Set65 e a LDG «Montante» (LDG 104) em 07Dez65, constatando-se que todas no mesmo ano.

Cerca de quatro anos depois da primeira LDG - Lancha de Desembarque Grande, foi aumentada ao efectivo a primeira de uma segunda classe de LDG, a «Bombarda» (LDG 201), em 24Abr69. Seguiu-se a LDG «Alabarda» (LDG 202), em 08Mai69, e decorrido um enorme intervalo de tempo de mais de dezasseis anos, já com os conflitos de África terminados há muito, foi construída e aumentada ao efectivo a LDG «Bacamarte» (LDG 203), em 02Ago85, num modelo que, devido a algumas alterações de características, equipamento e armamento viria a denominar-se de classe «Bombarda» modificada.

Sobre cada uma destas unidades navais já foram efectuadas publicações individualizadas em anteriores posts que podem ser consultados em:

Classe "Alfange":

LDG «Alfange» - LDG 101
LDG «Ariete» (LDG 102)
LDG «Cimitarra» (LDG 103)
LDG «Montante» (LDG 104)

Classe "BOMBARDA":

LDG «Bombarda» (LDG 201)
LDG «Alabarda» (LDG 202)
LDG «Bacamarte» (LDG 203)

Limitar-nos-emos agora a uma breve síntese histórica, assinalando alguns pontos de interesse geral:

• As LDG «Alfange» (10Out65*), LDG «Montante» (21Mai66*) e LDG «Bombarda» (30Jul69*) foram para a Guiné, e ali desempenharam múltiplas missões que lhe foram atribuídas no âmbito da actividade operacional, permanecendo naquele teatro até ao final dos conflitos.

• A LDG «Montante» foi abatida ao efectivo dos navios da Armada, na Guiné, em 07Set74.

• As LDG «Ariete» (19Out65*) e LDG «Alabarda» (01Jan71*) foram para Angola e ali desempenharam igualmente as múltiplas missões que lhes foram atribuídas no âmbito da actividade operacional.

• A LDG «Cimitarra» foi para Moçambique (02Ago1966*) onde aportou depois de uma acidentada viagem. Permaneceu sempre atribuída àquele Comando Naval foram e ali levou a cabo as diversas missões operacionais. Ainda ali se encontrava estacionada quando, em 31MAR75, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

• A LDG «Ariete» regressou à Guiné (Bissau) em 16Jul73 e ali permaneceu cumprindo missões operacionais até 14Out74; na companhia das LDG «Alfange» e LDG «Bombarda» rumaram a Cabo Verde, Porto Grande de S. Vicente, onde atracaram em 20Out74; durante o percurso foram escoltadas, primeiro pela fragata «Comandante Roberto Ivens» e depois pela corveta «Augusto Castilho», esta última a partir de 18Out74.

• As LDG «Alfange» e LDG «Ariete», em 03DEZ74, largaram para Angola – Luanda, onde atracaram em 26Dez74, depois de terem escalado, em S.Tomé, a baía de Ana Chaves. Esta longa epopeia marítima, apelidada de “A Incrível Armada”, incluiu as LFG «Argos», LFG «Dragão» e LFG «Hidra» rebocadas pelo NA «Schultz Xavier«, as LFG «Lira» e LFG «Orion» a navegar por meios próprios e a corveta «António Enes» que escoltava aquele estranho combóio naval. Foi em Angola que aquelas duas LDG, a 10Nov75, foram abatidas ao efectivo dos navios da Armada.




1971 - A LDG «Alfange» em imagens que ilustram bem a dimensão de desembarques logísticos ou de forças militares na Guiné e, em baixo, a efectuar fabricos no SAO - Serviço de Assistência Oficinal



• A LDG «Bombarda» manteve a actividade operacional em Cabo Verde. Em 11Jun75 largou para Las Palmas onde atracou a 18Jun75, depois de rebocada pela corveta «Augusto Castilho». Ainda rebocada, desta vez pela fragata «Almirante Pereira da Silva» rumou a Lisboa onde, depois de escalar o Funchal, atracou em 27Jun75. Manteve-se operacional nas águas costeiras do Continente, Açores, Madeira, tendo efectuado também missões de colaboração em Cabo Verde. Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31Out97.

• A LDG «Alabarda» largou para Angola – Luanda (01Jan71*) onde chegou depois de escalar o Funchal, Las Palmas, S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e a baía de Ana Chaves (S. Tomé). Em dois troços do percurso foi acompanhada pel navio-patrulha «Boavista» e a fragata «Comandante Roberto Ivens». Ali permaneceu estacionada, participando em diversas missões no âmbito da actividade operacional daquele Comando Naval. Em 16Jun75 regressou a Lisboa onde atracou em 13Jul75 mantendo-se no desempenho de missões em águas costeiras do Continente e Ilhas. Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31Out97.

• A LDG «Bacamarte» foi a única LDG que nunca efectuou missões fora das águas costeiras continentais ou das ilhas. Nos seus primeiros anos de vida, a LDG «Bacamarte», foi utilizada em missões no arquipélago dos Açores, missões estas que tinham como principal objectivo o transporte logístico, para a construção de alguns dos portos existentes nos dias de hoje neste arquipélago. Manteve sempre a sua característica principal a capacidade de abicar a terra, possibilitando o embarque e desembarque de tropas, carros de combate e outras viaturas, transportando o apoio logístico necessário, como sejam, mantimentos e munições.

Além das missões para que foi concebido, o navio tem vindo a desenvolver uma intensa actividade na área do treino operacional de unidades navais, concretamente na recolha de torpedos e reboque de alvo de artilharia para tiro de superfície. Para além destas ultimas missões, o navio viu mais tarde surgirem-lhe missões que lhe vieram dar mais relevo, como por exemplo o combate à poluição. Assim este navio viu-se envolvido nas missões "Prestige" e "Nautila".

Pela Portaria n.º 564/2014 de 7 de Julho do Estado-Maior da Armada, o navio passou ao estado de “desarmamento” a partir de 25 de Julho de 2014.

• Todas as LDG - Lanchas de Desembarque Grandes tiveram oficiais da Reserva Naval integrados nas guarnições, habitualmente no desempenho das funções de oficial Imediato, subsistindo apenas dúvidas quanto a esta última, por ser desconhecido esse aspecto específico do historial daquela unidade naval.

• Tipo de unidades navais e missões levadas a cabo ao serviço da Marinha de Guerra, teatros em que tiveram lugar, guarnições, vida a bordo e quase decorrido meio século, justificam um lugar próprio nas memórias históricas da Marinha da segunda metade do século passado.




A LDG «Bacamarte» atracada no porto de Portimão



• Na continuação da curiosidade inicial, dias mais tarde após a celebração do Dia da Reserva Naval, aquela mesma unidade naval, a «Bacamarte» (LDG 203), foi fotografada, novamente atracada, mas no porto de Portimão, sinal de que ainda gozava de boa saúde naval e se mantinha em forma, levando a cabo, com êxito, as missões que lhe eram cometidas.

* Data de chegada ao porto de destino.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Revista da Armada e cortesia de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN (LDG «Bacamarte»); Setenta e Cinco Anos No Mar, LDG's, 17.º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2006;


mls

terça-feira, setembro 11, 2018

NRP «Zarco» - Veleiro da Marinha


O veleiro NRP «Zarco» - antigo «Blaus VII»

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Agosto de 2011)







O NRP «Zarco» foi desenhado pelo arquitecto naval e designer holandês Peter Sijm e construído em 1983 nos estaleiros "Jachtwerf Jongert BV" situados em Medemblik na Holanda, tendo tido vários proprietários até 2007, ano em que foi registado em Espanha com o nome «Blaus VII».

Em Fevereiro de 2007, no âmbito da operação “Agrafo” de combate ao narcotráfico, em cooperação com a Policia Judiciária, o «Blaus VII» foi abordado a 100 milhas do Arquipélago da Madeira por uma equipa do Destacamento de Ações Especiais, lançada a partir da corveta NRP «António Enes».






A bordo foram encontrados 1.500 quilogramas de cocaína. Nesse mesmo ano, após o estabelecimento de um protocolo de cooperação com a Policia Judiciária, a Marinha Portuguesa ficou com a responsabilidade de assegurar a sua guarda e manutenção, bem como a sua regular utilização, tendo sido transferido para a Escola Naval para utilização como veleiro de instrução de cadetes em substituição do NRP «Vega».






Para além dos embarques de instrução dos cadetes da Escola Naval, o navio efectua igualmente missões no âmbito do CINAV, Centro de Investigação Naval.

Em 3 de julho de 2015, o «Blaus VII» foi aumentado ao efectivo dos navios da Marinha Portuguesa e rebaptizado como NRP «Zarco».





Fontes:
Fotos do espólio pessoal do autor deste blogue captadas na Marina de Portimão em 5 de Agosto de 2011 e texto compilado a partir do site da Marinha em https://www.marinha.pt/pt/os_meios;


mls

segunda-feira, setembro 10, 2018

1969 - Amália Rodrigues na Base Naval de Metangula


Moçambique, 1969 - Base Naval de Metangula, Lago Niassa



Cartaz de promoção turística a Metangula, da autoria da Sra. D.ª Rosa Fraxenet Gonçalves da Cunha, Senhora do Comandante Adriano Chuquere Gonçalves da Cunha, à data CEM do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa



Fontes:
Fotos gentilmente cedidas pelo Almirante Espadinha Galo e pelo 2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN (falecido); restantes imagens cedidas por cortesia do Arquivo de Marinha;

mls

quarta-feira, setembro 05, 2018

1969 - Amália Rodrigues em Moçambique


Amália Rodrigues na Base Naval de Metangula, Lago Niassa

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 16 de Outubro de 2011)





1920-1999


No mês em que decorreu mais um aniversário sobre a sua morte aqui fica um testemunho de homenagem à fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século passado.











Fontes:
Fotos gentilmente cedidas pelo Almirante Espadinha Galo e pelo 2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN (falecido);


mls

segunda-feira, setembro 03, 2018

Penamacor – Monumento aos Combatentes do Ultramar


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Julho de 2011)

"In Memoriam" Coronel José Monteiro Grilo







Foi inaugurado no dia 1 de Junho de 2011, dia do concelho de Penamacor, o monumento em homenagem aos Combatentes do Ultramar, erigido na rotunda poente da Avenida da República que assim quiseram honrar os irmãos de armas e entes queridos mortos no campo de batalha, cujos nomes figuram na base do monumento em pequenas lápides de pedra com placas em latão gravadas.






Um pouco por todo o país, vai-se alargando significativamente a simbologia permanente aos Combatentes do Ultramar pela edificação de monumentos ou simples memoriais que evocam, de forma diversa mas comum no sentimento partilhado de um povo, a recusa de deixar cair no esquecimento aqueles que combateram ao serviço de Portugal na Guerra do Ultramar.

Especial e justificada relevância para os que não regressaram ao país, à família e aos seus, desde então privados ad eternum do convívio de um pai, marido, filho, irmão, noiva ou simples familiar.

Mágoa impossível de escamotear pela óbvia justificação da “morte em combate” ou “no cumprimento do dever pátrio” pela vida arrebatada precocemente, pese embora a evocação de valores, tão defensáveis nos ideais da preservação da defesa nacional como discutíveis no resultado último da morte, consequências do recurso à guerra ao serviço da incompreensão do Homem.

Penamacor era também terra de naturalidade do meu sogro. Homem de arreigados princípios e valores que da sua personalidade eram atributos, escolheu a carreira militar no Exército como vida profissional. Conheci-o já como oficial superior, no posto de Coronel, reformado.




Perfil de recorte digno e educado, culto e austero, partilhava com alegria parcos momentos familiares, mas raramente abordava a Instituição e as muitas vivências havidas nas várias frentes onde combateu.

Nas ocasiões pontuais em que comigo abordava essa temática, sempre timidamente, adivinhava-se-lhe um espírito marcado por cicatrizes e mágoas acumuladas pelo tempo que nem Família, Instituição ou País ajudaram a sarar.

Excepção para o brilho dos olhos, sorriso e o regresso às brincadeiras infantis que os netos sempre nele despertaram.




O tríptico do monumento de Penamacor, esculpido em pedra, recortando as costas marítimas dos três teatros de guerra, Angola, Moçambique e Guiné simboliza, de todo, uma vida inteira como a dele, dedicada às armas e ao dever.

Não caiu em combate mas foi caindo aos poucos.

Na Índia, corria o ano de 1961, então já como capitão, foi feito prisioneiro de guerra no Estado Português da Índia no Campo de Pondá.

Em Moçambique onde desempenhou comissões por duas vezes, primeiro 1954/1957 e mais tarde 1963/1965.

Em Angola de 1967/1968, foi ferido em combate num joelho, em emboscada da CCaç 1639 que comandava, integrada no BCaç 1901.

Finalmente na Guiné, 1970/1971, já como oficial superior, integrado no Comando do Agrupamento 2970 (futuro CAOP 2) problemas graves de saúde obrigaram à sua evacuação.

Falta-me capacidade pessoal e engenho criativo para ajuizar da resistência humana à possível sobrevivência fisica e psicológica de tão sucessivas quanto duras provações.

Caiu no último combate da vida na sequência de prolongada doença em missão última que a todos nos aguarda.

Aqui honro a memória de todos os Combatentes de Penamacor e a dele particularmente.

Foi uma honra ser seu genro, Sr. Coronel.






Fonte (familiar):
O Coronel de Infantaria José Monteiro Grilo nasceu na Vila de Penamacor no dia 5 de Dezembro de 1930 e faleceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 2009; fotos do autor do blogue.


mls

quinta-feira, agosto 30, 2018

1967, SCUT's na Guiné?....nem por isso!


Guiné, 1967 - Humor puro, sem custos para o utilizador!

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Setembro de 2011)





Com a LFP «Deneb» amarrada ao tarrafo, no sul da Guiné, Mestre e outro elemento da guarnição da lancha parecem conferenciar sobre que caminho seguirem para aportarem a Lisboa.

Afinal, 3.200 quilómetros ou dois anos de distância do final da comissão, nada representavam na época e a eficaz sinalização, em galho apropriado, ajudava muito na manutenção de um bom humor criativo.

Já ao tempo, durante o percurso efectuado na demanda de barras das autoestradas da Marinha, rios ou bacias hidrográfivas diga-se, as portagens não eram tão virtuais quanto isso.

Frequentemente, em cabinas bem posicionadas nos rios Cacheu, Mansoa, Geba, Grande de Buba, Tombali, Cobade, Cumbijã ou Cacine, esperavam-nos os portageiros do PAIGC.

Todos estas vias rápidas da Marinha, teriam agora de ser historicamente requalificadas de A’s ou IC’s da Guiné. Seriam a A_Cacine, a A_ Cacheu, o IC_Cobade ou o IC_Armada e por aí fora.

Havia que pagar um preço, muitas vezes elevado para o estado de conservação das vias e a forma como os utentes habituais eram tratados. O pouco simpático comportamento dos colaboradores da empresa concessionária, o PAIGC, aliado à ausência de diálogo redundava sempre em fuga ao pagamento com altercações violentas.

Na sequência das perseguições policiais de resultados imprevisíveis o pagamento era efectuado em unidades de 20 mm, 40 mm ou outras moedas correntes na época, dependendo das viaturas.

Quase sempre com troco de volta.

Ao tempo em por lá vagueei, não me recordo da existência de qualquer fac simile de SCUT na Guiné.

Nenhum dos três Ramos estava isento e, em terra, o tratamento das vias era mesmo especialmente esmerado para causar estragos aos utilizadores.




Fontes:
Texto do autor do blogue com foto amavelmente cedida por Victor Silva, pertencente à guarnição da LFP «Deneb»;


mls

segunda-feira, agosto 27, 2018

53º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Set86


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Julho de 2011)

53.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval




Registo de família na portaria da Escola Naval, da esquerda para a direita:
Fila inferior: José Eduardo Sabido Gualdino Ferreira Martins, Luís Filipe Pires Fernandes, Luís Filipe Matos de Araújo Maia e Nuno Manuel de Abreu Veloso;
Fila (degrau) do meio: Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco, António Manuel da Silva Bernardes, António Jorge Aldinhas Ferreira e Jorge Manuel Fernandes Nunes;
Fila (degrau) superior: Manuel de Oliveira dos Santos, António Cândido Lampreia Pereira Gonçalves, Orlando António Pires Leitão, João Antero Nascimento dos Santos Cardoso e Jorge Manuel Moita Nunes Pereira.



Do 53.º CFORN foram alistados inicialmente 17 cadetes da classe de Marinha, no dia 15 de Setembro de 1986. Daquela incorporação, terminaram o curso e foram promovidos a Aspirante a Oficial 13 elementos (*), em 14 de Março de 1987.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante António Carlos Fuzeta da Ponte e foi Director de Instrução o Capitão de Mar-e-Guerra José Luis Ferreira Leiria Pinto.




O Juramento de Bandeira na parada da Escola Naval.
Da esquerda para a direita, fila da frente: José Eduardo Sabido Gualdino Ferreira Martins, Jorge Manuel Fernandes Nunes, António Manuel da Silva Bernardes, Manuel de Oliveira dos Santos
e Nuno Manuel de Abreu Veloso;
Fila de trás: Luís Filipe Pires Fernandes, Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco e,
mais à direita ou atrás, já não se conseguem identificar


No final do período de instrução, o "Prémio Reserva Naval" foi entregue ao cadete da classe de Marinha, António Jorge Aldinhas Ferreira. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.

A exortação aos cadetes esteve a cargo do CTEN Sajara Madeira e presidiu à cerimónia o Almirante CEMA que passou revista ao Corpo de Alunos em parada, após o que se seguiu o habitual desfile.

Mais tarde foram destacados para as seguintes Unidades e Serviços:

ASP RN José Eduardo Sabino Gualdino Ferreira Martins, LFP «Águia";
ASP RN António Jorge Aldinhas Ferreira, navio-patrulha «Cacine»
ASP RN Orlando Pires Leitão, navio-patrulha «Quanza» e, mais tarde, LFP «Albatroz»;
ASP RN Jorge Manuel Moita Nunes Pereira, LFP «Andorinha»;
ASP RN António Cândido Lampreia Pereira Gonçalves, requisitado pelo Estado;
ASP RN João Antero Nascimento dos Santos Cardoso, Draga-Minas «S. Miguel»;
ASP RN Nuno Manuel de Abreu Veloso, NH «Almeida Carvalho»;
ASP RN Luis Filipe Pires Fernandes, navio-patrulha «Save»;
ASP RN Jorge Manuel Fernandes Nunes, LDG «Alabarda»;

Não se conhecem os locais para onde foram destacados cumprir missões os seguintes oficiais:

ASP RN Manuel de Oliveira dos Santos;
ASP RN Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco;
ASP RN António Manuel da Silva Bernardes;
ASP RN Luis Filipe Matos de Araújo Maia;

Este 53.º CFORN ficou conhecido como "Os Gorileiros", nome resultante de uma anedota contada por um dos elementos do curso sobre um cão gorileiro, espécie de feroz e voraz versão africana de um perdigueiro...




Em cima, embarque de fim-de-semana na fragata "Almirante Magalhães Corrêa" e, em baixo, na Escola de Limitação de Avarias, em instrução.



No dia 17 de Setembro de 2011, o 53º CFORN, "Os Gorileiros" reuniu-se para convívio e almoço 25 anos após a entrada na Escola Naval. O encontro teve lugar naquele Estabelecimento de Ensino.



(*) Nota - Os cadetes não mencionados, não concluiram o curso ou sairam da Marinha.


Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, compilado a partir do Anuário da Reserva Naval de Manuel Lema Santos, edição AORN, 2011; elementos e fotos do 53.º CFORN cedidos por Orlando Pires Leitão, 53.º CFORN;


mls

quinta-feira, agosto 23, 2018

LFP «Átria"»- P 360


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Átria» - P 360




A LFP «Átria»


Construída nos Estados Unidos era uma lancha rápida, em fibra de vidro e que desde 1972 estivera na Guiné, sob o nome de «Corsair». Fora abatida ao efectivo de Unidades Auxiliares da Armada em 31 de Janeiro de 1983.

Esta unidade naval tinha as seguintes características gerais:



No dia 1 de Fevereiro daquele ano, foi aumentada ao efectivo de navios da Armada como Lancha de Fiscalização, com o nome de LFP «Átria» e substituiu a LFP «Rio Minho» no serviço de patrulha e fiscalização da pesca no rio Minho.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 1 de Março de 1993, recebendo o nome de «Tainha» e passando a ser designada por UAM 831.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Átria» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Luís Manuel Mota Ferreira da Silva, 37.º CFORN, 08Abr83/14Set84;
2TEN RN José Manuel da Veiga Ferreira, 43.º CFORN, 14Set84/05Out85*




*A partir desta data e até ao seu abate não foi possível apurar os comandantes da LFP «Átria».

Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com foto de arquivo do autor do blogue cedida pela Revista da Armada;


mls