sexta-feira, julho 13, 2018

LFP "Açor" - P 1163


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Açor» - P 1163

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 1 de Maio de 2011)




A LFP «Açor»


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite e a segunda da classe “Albatroz”, com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 9 de Dezembro de 1974 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

Durante os seus anos de operacionalidade desempenhou missões de fiscalização da pesca na costa continental portuguesa, nomeadamente ao longo da costa algarvia.

Em 2001, através da portaria 1825/01 de 17 de Outubro, o navio foi cedido à República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a LFP «Albatroz», tendo tomado o nome de «Ataúro», e sido entregue àquele Estado em 12 de Janeiro de 2002.



Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Açor» os seguintes oficiais:

Reserva Naval>:

2TEN RN Edmundo José Simões Gomes de Azevedo, 23.º CFORN, 09Dez74/18Dez75;
2TEN RN José Manuel Nogueira Soares, 23.º CFORN, 18Dez75/03Mar76;
........................................................
2TEN RN Armando António Pereira Teles Fortes , 29.º CFORN – 28AGO79/16SET80
2TEN RN Joaquim Marques Gomes, 31.º CFORN – 16SET80/02SET81
2TEN RN Fernando Manuel Nunes Macedo de Carvalho, 34.º CFORN – 02SET81/27JUL83
2TEN RN Carlos Alberto Mesquita da Costa, 38.º CFORN – 27JUL83/30NOV83
2TEN RN António José Duarte Barros, 38.º CFORN – 30NOV83/14FEV84
2TEN RN Pedro Manuel Robert dos Santos Jordão, 41.º CFORN – 14FEV84/29MAR85
2TEN RN José Alberto Gomes Precioso, 44.º CFORN – 29MAR85/05OUT85*

Quadros Permanentes:

2TEN Jorge Manuel Lopes da Fonseca, 3Mar76/02Fev77
2TEN Hélio Natal Lopes Prior, 02Fev77/18Ago77;
2TEN Luís Manuel Fourneaux Macieira Fragoso, 18Ago77/25Ago78;
2TEN Leonel Esteves Fernandes, 25Ago78/28Ago79;
.........................................................

*A partir desta data e até 2001 não foi possível apurar os comandantes da LFP «Açor» que, no decorrer daquele ano, já tinha sido abatida ao efectivo da Armada






Na Base Naval do Alfeite, a LFP «Açor» atracada de braço dado à LFP «Albatroz», ambas amarradas a um navio-patrulha; a ré, é ainda possível ver a LFP «Andorinha» igualmente atracada a outro navio-patrulha;

Navios da mesma classe: «Albatroz», «Açor», «Andorinha», «Águia» e «Cisne».




Fontes:
Dicionário de Navios e Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

terça-feira, julho 10, 2018

LFP "Albatroz" - P 1162


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Albatroz» - P 1162

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Abril de 2011)




A LFP «Albatroz»


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite e a primeira da classe a que deu o nome foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 9 de Dezembro de 1974 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:




Durante os seus anos de operacionalidade desempenhou missões de fiscalização da pesca ao longo da costa algarvia.

Em 2 de Abril de 1976 prestou assistência ao navio-patrulha «Save» que fora abalroado a cerca de 2 milhas da ponta de Sagres e que estivera em risco de se afundar.

Em 1982, a partir de Abril, cumpriu o PTB por diversas ocasiões entre Setúbal, Sesimbra e a Base Naval de Lisboa, tendo rumado de novo para o Algarve em 25 de Agosto desse ano, continuando a sua missão de fiscalização da pesca em toda aquela costa, vistoriando vários arrastões portugueses, espanhóis e de outras nacionalidades durante os meses seguintes.

Em 26 de Outubro de 1983, voltou a rumar à Base Naval de Lisboa para fabricos. Efectuou regularmente operações de PTO e experiência de máquinas entre Lisboa, Cascais e Sesimbra, tendo voltado à costa algarvia a 1 de Março de 1984 para prosseguir com as suas missões de fiscalização de pesca de barlavento a sotavento.

Em 2001, através da portaria 1825/01 de 17 de Outubro, o navio foi cedido à República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a LFP «Açor», tendo tomado o nome de «Oe-cusse» e sido entregue àquele Estado em 12 de Janeiro de 2002.



Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Albatroz» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Eduardo José Rebelo Ferreira, 22.º CFORN. 09Dez74/08Set75;
2TEN RN José Jorge Geirinhas Mascarenhas, 23.º CFORN, 08Set75/18Dez75;
2TEN RN Rui Palha de Melo Freitas, 25.º CFORN, 18Dez75/31Ago76;
2TEN TE RN Pedro Manuel Martins Pires Marinho, 25.º CFORN, 31Ago76/15Nov77;
2TEN RN Jorge Manuel da Piedade Reis , 27.º CFORN, 25Set79/16Set80;
2TEN RN João Manuel Coelho Condinho Pereira, 31.º CFORN, 16Set80/02Set81;
2TEN RN Luís Filipe Braguez Caldeirinha Roma, 34.º CFORN, 02Set81/24Set82;
2TEN RN João Carlos Paixão Estorninho, 37.º CFORN, 24Set82/23Ago84;
2TEN RN Manuel Afonso de Castro Machado Espregueira, 43.º CFORN, 23Ago84/05Out85
..................
2TEN RN Orlando António Pires Leitão, 53.º CFORN, ??Set87/??Out90; (a confirmar...)*

Quadros Permanentes:

2TEN Júlio Manuel Sajara Madeira, 15Nov77/10Nov78;
2TEN Nuno Jorge Faria de Mendonça, 10Nov78/25Set79;


*A partir desta data e até 2001 não foi possível apurar os comandantes da LFP «Albatroz» que, no decorrer daquele ano, já tinha sido abatida ao efectivo da Armada.






Na Base Naval do Alfeite, a LFP «Albatroz» com a LFP «Açor», atracadas de braço dado a um navio-patrulha; a ré, é ainda possível ver a LFP «Andorinha» igualmente atracada a outro navio-patrulha

Navios da mesma classe: «Albatroz», «Açor», «Andorinha», «Águia» e «Cisne».




Fontes:
Dicionário de Navios e Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

sábado, julho 07, 2018

Reserva Naval, Guiné - Talvez por me sentir ainda puto...


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Abril de 2011)


Resposta a Emídio Aragão Teixeira do 8.º CEORN, também o meu curso...



Rio Cacheu, Guiné - LFP «Canopus» vs LFG »Orion»




Meu Caro Aragão Teixeira,


Talvez por me sentir ainda puto, partilho muitas das tuas convicções e irreverências. De forma idêntica, respeito diferenças de filosofia marcadas por percursos de vida diferenciados. Nas nossas amarras, e cada navio tem uma ou duas, partilhamos ser «Filhos da Escola» como um indissociável elo comum.

Talvez por me sentir ainda puto, gosto de pensar que nascemos, crescemos em mundos diferentes e fomos talhados à medida de uma geração de valores sedimentados pela educação e cultura, em que nunca se confundiu educação com formação académica nem cultura com bens materiais.

Talvez por me sentir ainda puto, acho que a educação se ministrava num berço, digno ainda que modesto, preferencialmente em casa dos pais. A formação académica adquiria-se em estabelecimentos de ensino adequados, muitas vezes com sacrifícios familiares, dando sentido objectivo a uma futura vida profissional com naturais anseios e sonhos, ficado muitos deles pelo caminho e concretizando outros, estes últimos normalmente poucos.

Talvez por me sentir ainda puto, sonho que a cultura, assenta num equilibrado crescimento de formação e conhecimento, nunca alienando a educação pelo caminho, no respeito por valores, pessoas, sociedade e País onde os nossos pais envelheceram e nos deixaram um dia, então melhor preparados para enfrentar a vida.

Talvez por me sentir ainda puto penso que, de forma oposta, a ambição material, arrogante e cega, em si mesma como objectivo, ignora educação, despreza valores e julga poder adquirir cultura ou conhecimento sem esforço, a troco de favores, influências, interesses de grupo ou simples envelopes «adaptados às circunstâncias».

Talvez por me sentir ainda puto, habituei-me a respeitar e agradecer a enorme energia motivadora de gente simples de antanho que, tratando-me por «vossemecê» e trabalhando se sol a sol, beata no canto da boca, de enxada nas mãos calejadas pelo tempo, não compreendiam porque se sentiam cansados aos setenta e muitos. De quando em vez, emborcavam um copo de tinto com a bucha, para retemperar forças e o trabalho seguia. Muitos, por essa idade, lá iam ao médico sem nunca terem posto os pés numa consulta.

Talvez por me sentir ainda puto, agradeço ter recebido, a troco de nada, grandes lições de sabedoria dessa «gente grande». Cresciam em berços de palha, paredes meias com o gado e arrumavam uns trocos dentro de uma meia velha, guardada dentro de uma panela esmaltada. Lá na aldeia, em tempo de férias de estudante, nas noites de cozidela de forno, partilhavam comigo a bôla de cevada ainda quente. Ensinaram-me a fazer fisgas de uma vara de freixo e a usá-la para atirar aos pássaros ou para as mais variadas aventuras, algumas delas tropelias de garotada.

Talvez por me sentir ainda puto, sonho com arcabuzes fabricados com as varas de salgueiro e rolhas talhadas com os pequenos canivetes que usava como formão, plaina, enxó e lixadeira, num quatro em um bem aproveitado. Sonho ainda com os custilos comprados na loja do correio para armar aos pardais ou às megengras (chapim-azul). Também ali se podiam comprar mercearias ou beber um copo de tinto avulso. Ao lado, a eira do povoado onde se jogava futebol, a malha do cereal, joeirar o centeio, a medição final nos alqueires para as arcas, as podas, as enxertias, as mondas, as corridas de leiras na arranca da batata e as vindimas, rodopia tudo isto nas lembranças de tempos idos.

Talvez por me sentir ainda puto, julgava ser possível estar presente numa manifestação de estudantes universitários de forma livre e espontânea. Em 1962, assim pensei no Campo de Santana e tive de fugir da polícia de choque e, no dia 11 de Maio desse mesmo ano, alta noite, juntamente com um irmão meu, fomos detidos com mais de milhar e meio de estudantes no convívio da Cidade Universitária, «apenas» por um dia. Num momento fortuito, descobri não ser possível a cidadania de corpo inteiro.

Talvez por me sentir ainda puto, em 1965, sonhei ser possível concorrer e ingressar na Escola Naval ombreando com futuros camaradas, em condições de igualdade, sem me ser lembrado aquele pequeno estigma registado numa reunião estudantil anos antes. Ingresso sim, foi possível por mérito próprio mas, no dia da admissão, a Direcção do Curso entendeu alertar para aquele «perigoso» registo de presença acrescentando o «sábio conselho» de evitar outras incursões naquele domínio.

Talvez por me sentir ainda puto, em 1966, depois de concluído o curso da Escola Naval, sonhei poder servir o País como tantos cidadãos o fizeram e entendi escolher livre e voluntariamente África para o fazer. Ainda que a classificação do final de curso, boa, pudesse fazer antever, por direito de classificação, outro teatro para o desempenho das funções atribuídas, foi entendido «superiormente» que a Guiné era o local mais adequado para o meu perfil.

Talvez por me sentir ainda puto, julgava de todo impossível, de acordo com a legislação vigente ao tempo, que outro familiar próximo, irmão mais velho, nove meses mais tarde, viesse a ter o mesmo teatro como destino de desempenho do serviço militar, neste caso como médico, integrado num batalhão. Sonhei ainda ser possível estar presente no funeral do meu pai, falecido quinze escassos dias antes do final do meu regresso da comissão de serviço. Acordar doloroso o meu, porque nem eu nem o meu irmão fomos bem sucedidos nessa normal ambição!

Talvez por me sentir ainda puto, nunca me incomodou a ideia de operações com fuzileiros, baptismo de fogo, emboscadas, flagelações e até, integrado na guarnição, servirmos de isco para provocar o combate com o inimigo. Era normal suceder. Tensão, juventude e alguma leveza na avaliação do risco eram catalisadores importantes. Sempre me preocupou a segurança daqueles que das minhas funções e do meu comportamento dependiam.

Talvez por me sentir ainda puto, recordo aqueles dois anos plenos de inesquecíveis e ricas vivências fruto do comportamento, camaradagem e solidariedade de uma guarnição de que muito me honro ter sido Oficial Imediato. Lembro-os a todos e à LFG «Orion» com grande saudade e amizade, sobretudo aos que já não se contam entre nós.

Talvez por me sentir ainda puto, gostaria que fosse possível visitar uma daquelas unidades navais que tanto prestigiaram a Marinha nos mais de doze anos de implacável e ininterrupta guerra. Quem sabe, talvez pudessem ter sido preservadas uma LDM (escolheria a LDM 302), uma LDG (escolheria a LDG «Alfange»), uma LFP (escolheria a LFP «Bellatrix») ou uma LFG (escolheria a LFG «Lira»). Afinal foram dezenas de unidades navais e alguns milhares de homens que se bateram pelo País. Mas não, ficaram por lá todas sem excepção, cascos apodrecidos num rasto pouco de acordo com uma cultura histórica digna.

Talvez por me sentir ainda puto, gosto de recordar os heróis da Marinha que se distinguiram em acções especiais. Bastará lembrar os elementos das guarnições da LDM 302 que em três dos vários ataques sofridos (1967, 1968 e 1969), tiveram 3 mortos em combate e 1 ferido grave (todos no rio Cacheu) e um outro grave (no rio Uajá).

Talvez por me sentir ainda puto, lembro também a LFG «Lira» que, no mesmo local do rio Cacheu (Tancroal), no princípio de 1968, já noite a fechar, atacada com diverso armamento, foi atingida com 2 granadas de RPG7 que lhe provocaram 1 morto (DFE 10), 4 feridos graves e 3 ligeiros. Dos feridos ligeiros, um foi o nosso camarada 2TEN RN Calado Marques que, mesmo ferido, assumiu durante 5 horas a navegação até Vila Cacheu, complementando o comando de um navio sem comunicações, sem giro e com avarias diversas. Apenas ali foi possível a evacuação do elemento da guarnição morto em combate e dos feridos.

Talvez por me sentir ainda puto, sonho que um dia poderá vir a ser possível levar a cabo um projecto sério de País em que os nosso filhos e netos se orgulhem de viver, alicerçado numa cultura idónea de cidadania e sociedade. Nele, as Instituições responsáveis defenderão intransigentemente a preservação da identidade de um Estado democrático com maior justiça e bem estar social.

Talvez por me sentir ainda puto, continuarei determinadamente a registar, no nosso caso particular, o orgulho de termos sido o último curso «Especial» de muitos outros da Reserva Naval e, enquanto pudermos utilizar pena ou teclado, reescrever as memórias do que entendermos importante.

Talvez por me sentir ainda puto lembro que, do nosso convívio Guiné, já partiram para a última comissão dos »Magníficos» os camaradas e amigos Jorge Manuel Calado Marques (Galã), José Carlos Pereira Marques (Lotus Flower), Manuel Sousa Torres (Manecas) e ainda o José Manuel Matos Moniz. Do nosso curso, não apenas Guiné, também o José Tereno Valente, Alexandre Ferreira Borrego, António Palma Fernandes, Augusto Soares de Albergaria, António Marinho de Castro, Frederico da Luz Rebelo, José Matos Moniz, Manuel Monteiro Coutinho, Paulo Lowndes Marques e Rui Sousa Eiró já não se encontram entre nós. Certamente escolheram o rumo certo para um reencontro do nosso curso para breve, o 8.º CEORN.

Abraço amigo,



Manuel Lema Santos
8.º CEORN




Fontes:
Comentário de Manuel Lema Santos, 8.º CEORN, compilado e editado por mls; texto e fotos de arquivo do autor do blogue com cedência do Museu de Marinha e Henrique Oliveira Pires, 11.º CFORN;


mls

quinta-feira, julho 05, 2018

Reserva Naval - Talvez por ser puto! Talvez...


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Abril de 2011)

Talvez por ser puto! Talvez...




Rio Cacheu, Guiné - A LFP «Canopus" (Lancha de Fiscalização Pequena) vs LFG "Orion" (Lancha de Fiscalização Grande)

Emídio Aragão Teixeira, amigo pessoal e antigo camarada do mesmo curso, o 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval que, com mais de uma dezena de camaradas, eu incluído, fomos destacados para o cumprimento de diferentes missões na Guiné no ano da graça de 1966.

Sobre a viagem efectuada num DC6 da FAP já aqui publiquei um resumo possível:

Mal recordado diga-se, que a memória de acontecimentos idos e menos festivos refugia-se e trai-nos, dificultando a lembrança fácil e instantãnea. Emídio Aragão Teixeira, o "Mio" para familiares e amigos próximos e também para mim, foi nomeado para comandar a LFP «Deneb», Lancha de Fiscalização Pequena da classe «Bellatrix» enquanto que, a mim, me tocou na nomeação ser oficial imediato da LFG «Orion», Lancha de Fiscalização Grande da classe «Argos».

Diferenças? Em quase tudo quanto é possível em unidades navais, muito dissemelhantes nas dimensões e tipo de construção, passando pela guarnição, equipamentos e armamento, até à capacidade das missões a desempenhar.

Diferenças que se esbateram pelas condições específicas do teatro Guiné em que, operacionalmente, ombrearam lado a lado num dia-a-dia denso, diversificado e muitas vezes imprevisível, ao longo de dois anos com que foi premiada cada uma das guarnições que nelas foram desfilando - Oficiais, Sargentos e Praças - rumo a uma História ainda pouco divulgada por insuficientemente relatada. As LFP com guarnições de 7 e as LFG com guarnições de 27 homens.

Trata-se de contas simples para 13 anos de conflito na Guiné, das quais 8 LFP-Lanchas de Fiscalização Pequenas que ali ficaram atribuídas operacionalmente a adicionar a 7 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes. As primeiras ali foram abatidas ao efectivo e, das segundas, foram afundadas 140 milhas a oeste de Bissau as LFG «Cassiopeia» e LFG «Sagitário», por não terem condições de navegabilidade. As restantes 5 LFG juntaram-se em Angola às 3 que ali mantiveram a vida operacional, desempenhando missões até ao seu abate.

Acrescentem-se-lhe ainda 3 LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (20 elementos de guarnição), 44 LDM - Lanchas de Desembarque Médias (6 homens de guarnição), 9 LDP - Lanchas Desembarque Pequenas (3/4 elementos de guarnição) e ainda to da uma panóplia de navios diversos que incluiu fragatas, corvetas, navios-patrulha, navios-auxiliares, navios-hidrográficos e ainda Unidades e Serviços em terra.

Obrigatório deixar igualmente aqui um espaço para assinalar os 27 DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais e as 11 CF - Companhias de Fuzileiros além de diversos Pelotões de Reforço que completaram o dispositivo naval.

Sobre a nossa ínclita viagem até à Guiné Aragão Teixeira rubricou um comentário que aqui volto a transcrever integralmente:




Meu muito caro Lema,

Lembro-me de alguma coisa a propósito da memorável viagem, ruidosa e fria, que 13 magníficos, tal onze mais dois do oceano por cima dele passando, tratámos de fazer.

Dois meses antes antes do nascimento da Karen...

Puto que eu era!

Feliz na facilidade da vida e das coisas, sem nunca se me ter apresentado a hipótese de não estar a fazer a coisa certa.

E isso talvez tenha ajudado a que, política e imagem incorrectas à parte, ainda hoje considere que foram os dois menos complicados anos da minha vida!

Talvez por ser puto! Talvez...

Talvez por ser inconsciente, o grande antídoto para o medo. Talvez...

Mas porque me lembro de quem e como era na altura, não hesito em afirmar que se voltasse atrás tudo voltaria a ser igual.

Normalmente as mesmas causas, no mesmo enquadramento, determinam as mesmas consequências.

Dizem que o verdadeiro estúpido é aquele que espera coisa diversa da já verificada!

Não me sinto pior ou melhor por ter andado por lá aos tiros do que se sentiria o Persa depois de ter perdido a guerra contra o Grande.

Mesmo que os jornais do Irão de hoje considerassem, e não consideram, o Dário como um criminoso. Vencido.

Já percebeste que estas linhas são apenas o prefácio de outras que espero escrever a este respeito.

A Pátria honrae? Talvez.

Mas cega,ninguém contempla ninguém.

Um forte abraço!

Quantos restamos dos treze?




Emídio Aragão Teixeira
8.º CEORN




Fontes:
Comentário de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN, compilado e editado pelo autor do blogue, mls; fotos de arquivo do autor do blogue com cedências de Museu de Marinha e Henrique Oliveira Pires, 11.º CFORN;


mls

segunda-feira, julho 02, 2018

25.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Ago74


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 31 de Dezembro de 2010)

25.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval"



Listagem completa do 25.º CFORN.


Foi o segundo curso realizado no ano de 1974 que, a exemplo de anos anteriores, foi assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval, neste caso os últimos já que, em 1975, não se realizou qualquer outro*.

O despacho Ministerial n.º 63 de 23 de Maio de 1972, relativo aos Cursos e Instruções para Oficiais, Cadetes, Sargentos e Praças para o Ano Escolar de 1972/73, tinha alterado as bases de recrutamento para os 24.º e 25.º CFORN - Cursos de Formação de Oficiais da Reserva Naval, prevendo a incorporação de 218 cadetes dos quais, na realidade, apenas foram integrados 181 cadetes.

Entretanto, fora modificado o regime de promoções dos Aspirantes RN designados para prestar serviço nas províncias ultramarinas em comissões de duração superior a um ano. Até então, os Aspirantes eram promovidos a Sub-tenente na data de embarque para o ultramar mas, a partir do 22.º CFORN essa promoção foi substituída pela graduação.



O 25.º CFORN foi alistado em 29 de Agosto de 1974 e concluiu-se a 22 de Março de 1975. Foram incorporados 86 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 15 cadetes na classe de Marinha, 1 cadete da classe de Médicos Navais, 5 cadetes da classe de Engenheiros Maquinistas Navais, 27 cadetes na classe de Administração Naval, 24 cadetes na classe de Fuzileiros e 14 na classe de Técnicos, esta última classe incorporada pela primeira vez no curso anterior de acordo com a portaria 880/73 de 12 de Dezembro.

Comandava a Escola Naval o Comodoro Eugénio Eduardo da Silva Gameiro e foi Director de Instrução o Capitão de Fragata Carlos Alberto de Oliveira Lemos.




O comandante da Escola Naval, Comodoro Eugénio Eduardo da Silva Gameiro (foto ainda no posto de Capitão de Mar-e-Guerra) e o Director de Instrução, CFR Carlos Alberto de Oliveira Lemos (foto ainda em Capitão-Tenente)

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Administração Naval, José Amaro Fernandes Martins Bom. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O Cadete AN José Amaro Fernandes Martins Bom, Prémio Reserva Naval

No ano de 1975 não se realizou qualquer incorporação ficando designado no âmbito do Anuário da Reserva Naval como o «ano de todos os CFORN». De facto, o processo de descolonização iniciado em 1974 e com o seu ponto mais alto no ano de 1975 contempla locais, instalações, unidades navais, fuzileiros e serviços em terra por onde passaram centenas de oficiais da Reserva Naval.

Neles deixaram vivências de parte importante da sua vida com fortes sinais de grande dedicação à Marinha, construindo um inesquecível imaginário de histórias únicas, excelentes momentos de convívio, dificuldades ultrapassadas e sã camaradagem, trazendo consigo um rasto de permanente saudade diluído no tempo.

África perdurará para sempre na memória de grande parte dos oficiais da Reserva Naval; recordando as longas noites de navegação, desconforto de temporais, empenhamento e risco nas operações levadas a cabo e o justificado orgulho de pisar terra com missões cumpridas.

No decorrer do ano de 1975 e na sequência de idêntico procedimento relativamente ao final do ano de 1974, prosseguiu a desactivação de Postos Radionavais, Estações Radionavais, Comandos de Defesa Marítima e os próprios Comandos Navais instalados em Angola, Guiné, Moçambique, S. Tomé e Cabo Verde.




A corveta «Oliveira e Carmo»

Durante o ano de 1975, foram aumentados ao efectivo as corvetas «Oliveira e Carmo» e «João Roby» e a LF «Águia» e, já em 1976, vieram ainda reforçar aquele efectivo a LF «Cisne e a LFP «Vega».

Com a retracção do dispositivo naval, no decorrer do mesmo ano de 1975, foram abatidos ao efectivo dos navios da Armada as LFP «Altair», LFP «Antares», LFP «Marte», LFP «Mercúrio», LFP «Pollux», LFP «Urano», LFP «Vénus», LFP «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Júpiter», LFP «Saturno» e LFP «Rigel», a LF «Dourada», as LFG «Argos», LFG «Centauro», LFG «Pégaso», LFG «Orion», LFG «Lira», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Hidra», as LDG «Cimitarra», LDG «Alfange», LDG «Ariete», os NA «Carvalho Araújo», NA «Santo André» e NA «S. Cristóvão», o NH «Almirante Lacerda» e o navio-patrulha «Maio».

Já no decorrer do ano de 1976, foram abatidas ao efectivo de navios as LF «Azevia», LF «Bicuda», LF «Corvina», os navios-patrulha «Boavista», «Brava» e «Santa Luzia», os draga-minas «Vila do Porto», «Lajes», «Velas» e «Santa Cruz», fragata «Pero Escobar e NA «S. Rafael».

Alguns dos oficiais daquele curso da Reserva Naval ainda desempenharam missões neste tipo de navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, ainda que a mobilização tenha sido especialmente reduzida por virtude do final dos conflitos em África tendo, neste curso, permanecido no Continente a maioria dos seus oficiais.

Pela segunda vez no historial da Reserva Naval um oficial é destacado para o Comando de Defesa Marítima de Timor - o ASP RN Alexandre Maria Lindim Vassalo. Os ASP RN José Gonçalo Ferreira Maury e ASP TE RN Pedro Manuel Martins Pires Marinho destacam para a Comissão Coordenadora da Reintegração de Angola, o ASP RN Francisco Manuel de Oliveira Martins para os Serviços de Apoio ao Conselho da Revolução, os ASP EMQ RN Carlos Alberto Freitas Cristino e ASP AN RN José Alfredo Manita Vaz para a Fábrica Nacional de Cordoaria e o ASP RN Rui Manuel Serra da Câmara Pestana para a Escola Naval.

Foram designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:



Timor (1 Oficial):

2TEN RN Alexandre Maria Lindim Vassalo, Comando de Defesa Marítima de Timor;

Em 3 de Setembro de 1975 , cerca de uma semana depois do Governo de Timor e da sua guarnição militar terem deixado Dili e se terem transferido para a ilha de Ataúro a corveta «Afonso de Cerqueira» partiu de Lisboa com destino àquela ilha onde chegou a 6 de Outubro.

A 22 de Novembro encontrou-se com outra corveta entretanto ali chegada, a «João Roby», ao largo da praia de Mau-Meta, em Ataúro. Ambas assistiram ao bombardeamento de Dili e à invasão pela Indonésia desencadeada em 7 de Dezembro. No dia seguinte, ambas as unidades navais deixam definitivamente Timor.



Angola (4 Oficiais):

2TEN FZ RN Elídio Gonçalves da Silva, CF 9;
2TEN FZ RN José de Azevedo Campos, CF 9;
2TEN FZE RN João dos Santos Mesquita, DFE 1;
2TEN FZE RN Joaquim Oliveira Moreira, DFE 1;

No inicio de 1974, a animosidade contra Portugal manifestada pela comunidade internacional acentuava-se cada vez mais, espicaçada pelos países afro-asiáticos. Os países manifestavam ou um discreto apoio, uma neutralidade titubeante ou mesmo uma aberta rejeição à política portuguesa, como sucedeu com a generalidade dos povos escandinavos.

Em Genebra, a 22 de Março, era adoptada uma proposta apresentada pelos Estados do Terceiro Mundo na 30.ª sessão da Comissão dos Direitos do Homem, no sentido de serem consideradas “as guerras contra a dominação estrangeira, guerras contra o colonialismo e racismo como guerras justas", tal como as guerras de autodeterminação.

Na mesma altura era aprovada na conferência da Organização Internacional do Trabalho, realizada em Conacry, uma resolução apontando para a expulsão de Portugal daquele organismo.

Sucediam-se as greves e manifestações na oposição à guerra que, lentamente, ia crescendo nos meios operários e estudantis portugueses, de imediato utilizada como propaganda pelos movimentos pró-independentistas.

Em 15 de Abril de 1974, através da rádios, o MPLA difunde as suas mensagens afirmando que, em Lisboa, circulava clandestinamente um documento assinado pelo Movimento dos Capitães a preconizar uma solução política para a Guerra do Ultramar, uma vez que considera a vitória pelas armas impossível.

No dia 25 de Abril, um levantamento militar em Portugal degenerou numa revolução que, no escasso intervalo de algumas horas, depôs o regime vigente e tomou conta do poder, elegendo uma Junta de Salvação Nacional como modo de assegurar o imediato controlo da Nação.

A Marinha seguia com atenta preocupação o evoluir da situação interna do território. generalizava-se a tendência para o desentendimento entre os movimentos emancipalistas com distúrbios em vários locais, especialmente em Luanda, e o apelo à continuação da luta armada até à total independência da Angola.

Entre Junho e Agosto, depois de uma larga sucessão de nomeações, substituições e negociações entre Forças Armadas, Comandante-Chefe e Movimentos, é nomeado um Alto-Comissário para as negociações. A Marinha começa a retrair o dispositivo no território mantendo a vigilância e guarda de instalações militares.

Em 15 de Outubro, depois da readmissão de Portugal na UNESCO em Setembro, são suspensas todas as operações contra elementos e grupos da FNLA e, a partir do dia 25 do mesmo mês, com a assinatura formal do acordo de cessação de hostilidades entre representantes portugueses e uma delegação do MPLA chefiada por Agostinho Neto, terminaram oficialmente as acções violentas dos movimentos emancipalistas em Angola.

Daquela data para a frente retrair-se-ia progressivamente o dispositivo militar, embora continuassem a verificar-se elevado número de incidentes, roubos e distúrbios, por vezes envolvendo confrontos raciais. No final do ano vivia-se em Angola um enorme caos político e social.

No meio da confusão onde grassava a "organização desorganizada", a Marinha embora sujeita a pressões revolucionárias conseguiu manter a coesão interna numa prévia preparação para abandonar Angola. Militares politizados enviados pela Metrópole, contribuiam junto das unidades para desestabilizar uma situação cada vez mais tensa e em risco iminente de ruptura.

No meio do caos instalado, a Marinha embora sofrendo prssões intensas que se reflectiam numa natural quebra da disciplina, conseguiu manter a coesão, preparando-se para abandonar Angola com a dignidade que a condição de portugueses e de marinheiros impunha.

No final do ano, encontravam-se em Luanda Destacamentos e Companhias de Fuzileiros encarregues da vigilância e protecção do Comando Naval de Angola, Estação Radionaval, Aquartelamento de Fuzileiros em Belas, Instalações Navais da Ilha do Cabo para lá de assegurarem a guarda a navios no porto. Em Santo António da Zaire mantinha-se uma Companhia de Fuzileiros garantindo a vigilância e defesa das Instalações Navais.



Continente e Ilhas (71 Oficiais):

2TEN RN Carlos Henrique Graça Correia da Fonseca, DSP - 2.ª Rep.;
2TEN RN José Alberto Ferreira Franco, DSP - 2.ª Rep.;
2TEN FZ RN Francisco Xavier Vilardebó de Sommer Champalimaud, DSP - 2.ª Rep.;
2TEN TE RN Mário Alberto da Costa Aires Martins, DSP - 2.ª Rep.;
2TEN TE RN Victor Manuel Coelho Valente, DSP - 2.ª Rep.;
2TEN RN Fernando Jorge de Assis Saraiva Caldeira, Direcção do Serviço de Administração Naval;
2TEN RN Fernando Manuel Garcia Camisão, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN RN Luís Fernando de Pinho Sobral Torres, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN António Cândido Abrantes Monteiro Pereira, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN José Henrique Alfaia Pereira, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN AN RN António Farinha Morais, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN António da Cruz Teixeira, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN Francisco Manuel Mendonça de Abreu e Lima, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José Manuel Garrido de Castro, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN RN Francisco Manuel de Oliveira Martins, Serviços de Apoio ao Conselho da Revolução;
2TEN RN Joaquim Américo Alves Pereira da Silva, Gr N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN AN RN Manuel Ventura Carneiro Moreira da Silva, Gr N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Miguel de Sousa Ramos Maximiano, Gr N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN RN Jorge Manuel Ferreira Ribeiro, DSEC;
2TEN RN Rui Palha de Melo Freitas, DSEC;
2TEN AN RN João Norton dos Reis, DSEC;
2TEN RN José Manuel Baptista Vigário, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN AN RN António Luís Neto, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN AN RN Carlos Eugénio Raposo Gouveia Pinto, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN AN RN Jorge Manuel de Azevedo Henriques Santos, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN AN RN Manuel Joaquim Magalhães Nogueira, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN FZ RN Luís Manuel Saldanha Lencastre, DSP - 1.ª Rep.;
2TEN RN José Augusto Martins da Silva Peixoto, navio-hidrográfico «Afonso de Albuquerque»;
2TEN RN José Guilherme dos Santos Alves, LF «Bicuda»;
2TEN RN Luís Filipe Silva de Castro Vilas-Boas, LF «Andorinha»;
2TEN RN Luís Filipe Ferreira Fernandes, Base Naval de Lisboa;
2TEN FZ RN Diogo Cristóvão Castro Almeida e Vasconcelos, Base Naval de Lisboa;
2TEN MN RN José Eduardo Morais Pires Maurício, Comando da Flotilha de Navios Patrulhas;
2TEN EMQ RN Carlos Alberto Freitas Cristino, Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN AN RN José Alfredo Manita Vaz, Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN EMQ Carlos Eduardo Caiado Ferreira, draga-minas «Lajes»;
2TEN EMQ RN Rui Manuel Serra da Câmara Pestana, Escola Naval;
2TEN AN RN António Luís Silvestre, Escola Naval;
2TEN AN RN Alberto José Vieira Martins, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN AN RN António Bernardino Jesus Bastos, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN AN RN José Carlos Dias Leonardo, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN AN RN Alberto Correia Aires Pereira, Direcção das Construções Navais;
2TEN AN RN António Jorge Fernandes Garcia Rolo, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José António Correia Pereirinha, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José Carlos Correia Dias César, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José Amaro Fernandes Martins Bom, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José Albano da Silva Santos, Instituto Hidrográfico;
2TEN AN RN José Gonçalo Ferreira Maury, Comissão Coord. da Reintegração de Angola;
2TEN TE RN Pedro Manuel Martins Pires Marinho, Comissão Coord. da Reintegração de Angola;
2TEN AN RN José Alberto Santos Costa Bastos, Cons. Admin. da Admin. Central da Marinha;
2TEN AN RN Licínio de Jesus Pereira, Cons. Admin. da Admin. Central da Marinha;
2TEN AN RN Rui Manuel Martins Coelho Valente, Direcção Geral do Serviço de Fomento Marítimo;
2TEN FZ Agostinho Sampaio de Sousa Machado, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António dos Santos Pereira, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António Jorge Gouveia Rodrigues, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Luís Rafael Baptista Alves, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Manuel Fernando do Amaral Pinto, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Rui Manuel da Costa Gomes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António José Marques Gomes Pereira, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Frederico José Moisés Alberto Costa, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Manuel Carlos de Oliveira Gomes Neto, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN TE RN António de Sousa Gonçalves Pereira, draga-mina «Rosário»;
2TEN TE RN António Manuel Ribeiro Araújo, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN TE RN Domingos José Nunes da Rocha, navio-patrulha «Zambeze»;
2TEN TE RN João Cintra Coimbra Torres, Comando Naval dos Açores;
2TEN TE RN Joaquim Manuel Conde Marques da Silva, draga-minas «Lagoa»;
2TEN TE RN Joaquim Pereira de Oliveira, navio-patrulha «Zaire”;
2TEN TE RN José Celso Queiroz Tavares Mascarenhas no navio-patrulha «Geba»;
2TEN TE RN Luís Filipe Marques Couto Soares, Comando da Flotilha de Escoltas Oceânicos;
2TEN TE RN Vasco de Melo, navio-patrulha «Cacine»;
2TEN TE RN Victor Manuel de Oliveira Santos Ferreira, navio-patrulha «Rovuma»;




A LF «Andorinha»

Foram licenciados, ainda durante o ano de 1975:

ASP AN RN Abílio Ançã Henriques;
ASP AN RN António Luís Esteves Gil;
ASP AN RN Fernando Simões Helen;
ASP AN RN José Luís Areal Alves da Cunha;

Não foi possível determinar os paradeiros dos:

ASP AN RN Carlos Alberto Fernandes Alcobia (sem colocação conhecida);
ASP FZ RN António Manuel Conteiro Gomes;
ASP FZ RN Benjamim da Silva Bastos;
ASP FZ RN Francisco Manuel dos Santos Conceição Silva;
ASP FZ RN João Manuel Azevedo Varela;
ASP FZ RN Raúl Manuel Alves Coelho; (todos estes 5 destacados para Companhias ou Destacamentos de Fuzileiros que não chegaram a ser formados);

Foi licenciado no dia da promoção o Asp RN Eduardo Augusto Ribeiro de Sousa;

Não foi possível determinar o paradeiro do 2TEN FZ RN Australindo Diogo Pereira de Moura (colocado na CF 13 que nunca chegou a ser formada);

ASP TE RN Manuel Pedro Bravo Pestana Gil, faleceu por motivo de doença em 22.11.74.

Ingressaram nos Quadros Permanentes:

2TEN FZ RN Pedro Manuel Martins Pires Marinho, classe «SEH»;
2TEN FZ RN Luis Filipe Marques Couto Soares, classe «SEH»;
2TEN FZ RN Joaquim Olveira Moreira, classe «FUZ»;



*Mais tarde, já em 1976, voltariam a ter lugar novos cursos Reserva Naval com enquadramento legal que foi sendo sucessivamente alterado até ao primeiro trimestre de 1992, ano em que, pela implementação da nova Lei do Serviço Militar e respectivas alterações os cursos com aquela designação "cairam", dando lugar ao RV (Regime de Voluntariado) e RC (Regime de Contrato).

Nota:
Não foi possível conseguir testemunhos fotográficos deste curso, com excepção de uma foto individual de um único elemento que se publica e que se julga ter sido o prémio Reserva Naval.





Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios & Relação de Efenmérides, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Lista da Armada; fotos da Revista da Armada.


mls

sábado, junho 23, 2018

Guiné, 1990 - LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas abandonadas no rio Cacheu


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Abril de 2011)

Guiné, 1990 - Quais seriam as três LFP - Lanchas de Ficalização Pequenas abandonadas na margem do rio Cacheu?



Guiné - Pormenor da região do Cacheu (carta da Província da Guiné, Ministério do Ultramar, 1961)


Há tempos atrás, foi aqui publicado um texto sobre a LFP «Alvor», apenas uma das oito LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas que zelaram pela segurança da navegação de bacias hidrográficas e rios da Guiné, no transporte de pessoas e bens, na fiscalização e escolta de combóios, ou ainda no apoio a operações militares.

Daquele tipo de navios, as LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, estacionaram naquele teatro ao longo do tempo de conflito oito unidades navais, a saber: LFP «Bellatrix», LFP «Canopus», LFP «Deneb», LFP «Arcturus», LFP «Aldebaran» e LFP «Procion», todas da classe «Bellatrix», e ainda as LFP «Alvor» e LFP «Aljezur», estas duas últimas da classe «Alvor».

Emídio Aragão Teixeira um amigo e camarada do nosso curso, o 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, comandou a LFP “Deneb” de 02Jun66/23Mar68 e deixou um comentário que aqui transcrevo integralmente:

"...Há quase 20 anos, passei perto de Cacheu e deparei com os restos mortais de três LFP's, cheias de tarrafe e ferrugem e sem qualquer aparente meio de serem identificadas. Como comandei a «Deneb», fiquei meio emocionado perante a hipótese de que ali estivesse algo do que fora.
Tenho seguido a obra do Lema, e por isso hoje penso que a «Deneb», a «Bellatrix» e a «Canopus» foram abatidas demasiado cedo para que fossem deixadas naquele abandono, tão longe da sua base. Toda esta conversa para ver se alguém sabe quais das LFP estarão ali e já agora qual foi o destino "prático" que a Armada deu as três primeiras.”


Emídio Aragão Teixeira
8.º CEORN






Guiné, 1967 - A LFP «Deneb» a navegar no rio Cacine, próximo daquela localidade; em cima, à direita, o 2TEN RN Emídio Aragão Teixeira.



Meu Caro Aragão Teixeira,

Enchi-me da minha velha curiosidade que ainda vai funcionando e pensei "... há quase 20 anos?..." não acho, já que foi em 2 de Fevereiro de 1990 mas compreendo-te. Estamos ambos numa fase em que marcha à ré dava jeito, sobretudo na idade. Registos filmados foram por ti efectuados e até datados, como poderia verificar-se no teu documentário filmado de que tiveste a gentileza de me cederes uma cópia.

Editei-o agora em troços vários, naturalmente retirando tudo quanto eram imagens pessoais. Das restantes fracções de filme, todas elas exibem pormenores interessantes desde o Forte do Cacheu a Bolanhas. Aqui, Bolanha com letra grande tem todo o sentido, dada as conexões com sentimentos controversos que o étimo ainda hoje desperta em nós, agora também associado à forma pouco simpática como deixaram atracadas aquelas três unidades navais a montante de Cacheu.

Insatisfeito fui verificar as fotos dos salvados das LFP e, salvo alguma falha minha, todas elas têm vigias redondas. Ora bem, aí começa outra história mais complicada das 13 LFP da classe «Bellatrix».

Das primeiras 8 LFP, todas construídas na Alemanha, de vigias rectangulares, com cantos redondos e radar montado na antepara de bombordo, foram três para a Guiné. As LFP «Bellatrix», LFP «Canopus» e LFP «Deneb». As outras cinco foram para Angola. Foram as LFP «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Pollux», LFP «Rigel» e LFP «Altair».

Das cinco restantes, construídas no Arsenal do Alfeite, as LFP «Arcturus», LFP «Aldebaran», LFP «Procion», LFP «Sirius» e LFP «Vega» talvez indevidamente colocadas no mesmo balde de classe das outras, as três primeiras foram para a Guiné em 1968 e as outras duas foram para Porto Amélia - Moçambique em 1970. As LFP «Arcturus», LFP «Aldebaran» e LFP «Procion», tal como as LFP «Sirius» e LFP «Vega», tinham alterações profundas das quais se referem, especificamente, o radar montado num mastro central e vigias redondas.

Se quiseres dar uma vista de olhos, podes fazê-lo em:


Assim, os salvados das três lanchas que encontraste no rio Cacheu são garantidamente três das cinco LFP seguintes: LFP «Arcturus», LFP «Aldebaran», LFP «Procion», LFP «Alvor» e LFP «Aljezur». Devem ter sido levadas para o Cacheu já depois de atracadas em Bissau e abatidas, como consta dos livros.



1973 - Vista do porto de Vila Cacheu, a partir do rio.

Embora as LFP «Bellatrix», LFP «Canopus» e LFP «Deneb» tenham também navegado pelo Cacheu, fizeram-no ou antes de 1966 ou depois de 1968, pelo que os nossos camaradas do 8.º CEORN, dignos Comandantes daqueles navios não conheceram os «felupes» e os «jacarés» da zona! Dei-me conta de que, na altura, já não eram antropófagos. Apenas os «felupes», claro!

Aquela etnia - os «felupes» - é frequentemente referida como praticante do canibalismo no passado, coleccionando as cabeças dos seus inimigos que guardam ou entregam ao feiticeiro, e usam com extraordinária perícia arcos com setas envenenadas. Embora se assegure que o canibalismo desapareceu, não era essa a opinião das restantes etnias, as quais referem igualmente que estes fazem os seus funerais à meia noite, pendurando caveiras nas copas das árvores, e dançando debaixo delas. O «felupe» é conhecido como pouco hospitaleiro para com as restantes etnias, pelo que existe da parte destas um misto de animosidade e desconhecimento.

Já agora, antes que sejamos abatidos ao efectivo, publico abaixo o filme retirado de excertos editados a partir do original, facto só possível pela tua determinada busca da nunca reencontrada mas eternamente saudosa LFP «Deneb».

A família Reserva Naval agradece penhoradamente o teu registo de memória das LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas. Aqui fica o meu testemunho pessoal.
Abraço,

Manuel Lema Santos
8.º CEORN






Fontes:
Filme de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN, compilado e editado por mls; texto e fotos de arquivo do autor do blogue e texto étnico compilado de http://leoesnegros.com.sapo/BolamaFelupes.html; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005.


mls

sábado, junho 16, 2018

Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu


Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2011)





No interior do forte do Cacheu, em Fevereiro de 1990, João Teixeira Pinto, Diogo Gomes, Nuno Tristão e Honório Barreto, quatro notáveis vultos da história da República da Guiné-Bissau, ainda que em deficientes condições e com participação histórica diferenciada no tempo, parecem uma estranha associação de degredados.

Na foto inferior, Diogo Gomes encostado a uma guarita do forte, parece prescrutar o horizonte na esperança de que melhores dias tragam os mares.







Fontes:
Texto do autor; fotos(1998) de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN;


mls

Cacheu, 1989 - Testemunho de uma passagem pelo Forte do Cacheu


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 30 de Março de 2011)






Fontes:
Foto cedida pelo Dr. Carlos Silva (antigo Furriel Miliciano, CCaç 2548.


mls

domingo, junho 10, 2018

Cerimónia de Homenagem aos Combatentes


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 22 de Março de 2011)

A opinião de um Santo Aleixense, antigo oficial da Reserva Naval do 8.º CEORN




Concelho de Moura - Aldeia de Santo Aleixo da Restauração, encimada pela igreja


Nunca fui apoiante e nem sequer simpatizante de Cavaco Silva. Continuo a considerá-lo como um dos principais responsáveis pelo estado político-social a que chegou o País em que nasci, cresci e em que escolhi viver.

Não partilho os valores políticos, sociais e religiosos daquele antigo Presidente da República.

Que tenha dado conta, na minha já não muito curta travessia de vida, nunca me aproveitei de quaisquer benesses ao serviço de interesses estranhos aos que a minha educação e consciência me impuseram como conduta pessoal e profissional.

Dentro desse modelo pequeno-burguês, herdado familiarmente, encarei o serviço militar como "incontornável" e, como alternativa depois de me candidatar à Marinha, escolhi ou mais correctamente terei sido seleccionado por aquela Instituição para o fazer.

Já não consegui evitar democraticamente a minha nomeação para a Guiné como local ideal para o desempenho da minha parcela de cidadania a cumprir mas, mais uma vez, fui menino obediente e bem comportado.

A despeito de, por direito de classificação final de curso, me competir o desempenho de missões que me viriam a ser cometidas noutro qualquer território à minha escolha, e só nesse sentido refiro obediência ou bom comportamento, fui nomeado para o fazer naquele teatro.

Regressei incólume, tal como toda a guarnição da unidade naval onde prestei serviço a despeito de, no global dos três teatros da Guerra do Ultramar, mais de nove milhares de militares não terem tido a mesma sorte.

Não sei se lhes foi dada oportunidade de escolha mas cabe-me, como cidadão livre e vivendo em democracia, respeitar e honrar essa Memória, seja ela de África, da Índia, da 1.ª Guerra Mundial, de Aljubarrota ou de outro qualquer lado onde se combateu ao serviço de Portugal.

Fá-lo-ei sempre!

Nestas palavras, e em poucas coisas mais, estive de acordo com Cavaco Silva! Também, por esse mesmo motivo, publiquei, ao tempo, a alocução dele na homenagem efectuada junto do monumento aos Combatentes do Ultramar e que volto agora a republicar no "link" abaixo que inclui o vídeo da cerimónia:


Pecou por tardia a atitude, já que dispôs de um primeiro mandato completo para o fazer mas, calculísticas avaliações políticas mais do que sentir verdadeiro, terão atirado a iniciativa para um almejado segundo mandato porque o risco de não ser reeleito seria eventualmente acrescido.

Aqui, permito-me expressar uma outra opinião que considero sustentada quanto baste. Tenho um enorme respeito pelo saber e cultura do Prof. Adriano Moreira que oiço atentamente, sempre que tenho ocasião para tal.

Foi Ministro do Ultramar e não de África e, por palavras próprias, já explicou pormenorizadamente a diferença de conceitos e também onde acabou um e começou o outro. Na minha modesta opinião, fê-lo detalhadamente e com conhecimento de causa.

Uma coisa é certa! Está gravado no meu espírito que quando embarquei para a Guiné fui para o Ultramar (África) e, no final da minha comissão, regressei à Metrópole (Portugal). Era assim em linguagem corrente mas "tempo e conveniência política" deturpam verdades históricas. Colónias sempre tivemos e, a haver alguma espécie de «acordo ortográfico obrigatório» com alteração significativa da denominação, adoptaria a de Guerra Colonial.

Não quero pronunciar-me sobre o pouco que conheço para lá da Guiné. Tendo lido alguma coisa sobre outros teatros de conflito, mas bastam-me meia dúzia de nomes entre os quais incluo o do Lobo Antunes para me apetecer continuar calado e, indo mais além na minha imagem de marinheiro, ter que chamar pelo "gregório" como na navegação em mar cavado a grosso. Afinal, tantas vezes se propala a mentira que assume foros de verdade...

Quase simultaneamente, a minha mãe teve lá três filhos de quatro, dois na Guiné e uma filha em Angola com o marido, este como Oficial da FAP, ao tempo. Nenhum deles como militar de carreira.

A única pessoa que, durante o meu tempo de permanência na Guiné, mostrou proteger por duas vezes a minha vida, conhecia-me há meia dúzia de meses, era um negro de etnia mandinga e foi mais tarde fuzilado a mando de escumalha que se dedica ao narcotráfico, tudo em nome de um bom povo guineense que ainda não deixou de sofrer desde que de lá saímos.

Também aqui estou de acordo com Cavaco Silva. E serei apelidado de racista?

Depois, bem, depois vieram datas célebres, sessões de esclarecimento, tentativas várias de lavagens ao cérebro, pessoas classificadas como não devidamente esclarecidas, ameaças veladas, saneamentos, empresas saqueadas, plenários, comícios com toda a casta de apaniguados, modelos políticos e sociais a aplicar, a maioria sob a batuta filosófica de acólitos de Marx, Lenine, Engels e Trotsky, uns piores do que outros mas todos medíocres, maus os que se seguiram e, agora, ainda piores.

Para mim sobrou o epíteto de "recuperável" talvez depois de umas férias num qualquer arquipélago "Gulag". Parece nada terem aprendido e o País reflecte-o hoje pesadamente! Muito teria para continuar a debitar mas não consigo descortinar motivos válidos para apoiar quem quer que seja nem "antes" nem "depois".

A igreja de Santo Aleixo da Restauração, localidade de onde sou natural, foi destruída por três vezes na Independência e de outras tantas vezes foi reconstruída, sem apoios comunitários. Por lá se mantém, bem caiada. A localidade figura no Monumento dos Restauradores e, provavelmente, haverá por aqui alguma genética residual de rejeição à política e, mais ainda, à manipulação que a comunicação social hoje dela faz.



Lisboa - Praça dos Restauradores, monumento e um pormenor

Muito provavelmente, também o País irá continuar, mesmo sem a falta de qualidade e dignidade mínima exigíveis a políticos representativos de cidadãos que neles acreditam e votam.

Façam o favor de cumprir com dignidade, como sempre fizeram a maioria dos Combatentes, ainda que muitos deles emprestados temporariamente às Forças Armadas como Milicianos do Exército ou da Força Aérea e ainda da Reserva Naval, neste último caso da Marinha.

Evoco aqui as Mães que cederam o melhor de si próprias às fileiras e os Militares que honraram o conceito de cidadania ao serviço do Pátria por que lutaram ou até deram a vida.


Manuel Lema Santos, 8.º CEORN
1TEN RN 1965-1972, lic.
Guiné LFG «Orion», 1966/1968;
CNC 1968/1970;
EMA 1970/1972;


Fontes:
Texto e foto do autor; foto de Santo Aleixo da Restauração de António Melão, 2008 com a devida vénia em http://www.flickr.com/photos/metalcamera/2338221925/sizes/z/in/photostream/


mls

domingo, junho 03, 2018

24.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Fev74


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Dezembro de 2010)

24.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval


Listagem completa do 24.º CFORN.


Foi o primeiro curso realizado no ano de 1974 que, a exemplo de anos anteriores,viria a ser assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval, neste caso os últimos.

O despacho Ministerial n.º 63 de 23 de Maio de 1972, relativo aos Cursos e Instruções para Oficiais, Cadetes, Sargentos e Praças para o Ano Escolar de 1972/73, tinha alterado as bases de recrutamento para os 24.º e 25.º CFORN prevendo a incorporação de 218 cadetes dos quais, na realidade, apenas foram integrados 181 cadetes.

Entretanto, fora modificado o regime de promoções dos Aspirantes RN designados para prestar serviço nas províncias ultramarinas em comissões de duração superior a um ano. Até então, os Aspirantes eram promovidos a Sub-tenente na data de embarque para o ultramar mas, a partir do 22.º CFORN essa promoção foi substituída pela graduação.

O 24.º CFORN foi alistado em 21 de Fevereiro de 1974 e concluiu-se a 28 de Setembro de 1974. Foram incorporados 95 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 16 cadetes na classe de Marinha, 1 cadete da classe de Construção Naval, 31 cadetes na classe de Fuzileiros, 32 cadetes na classe de Especialistas e 15 na classe de Técnicos, esta última classe incorporada pela primeira vez num curso de acordo com a portaria 880/73 de 12 de Dezembro.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes e foi Director de Instrução o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro. Este último, no posto de Comodoro, veio a substituir o primeiro no Comando daquele estabelecimento de ensino em 17 de Maio de 1974 ainda que ainda tenha desempenhado as funções de Director daquele CFORN.




O Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes, Comandante da Escola Naval e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro, Director de Instrução

Com a Revolução do 25 de Abril o quadro político-militar viria a marcar o início de alterações profundas no ciclo de prestação do serviço da Reserva Naval considerando o final dos conflitos em África. Era este curso que se encontrava na Escola Naval naquela data. A viagem de instrução foi realizada a bordo da fragata «Almirante Gago Coutinho».




A fragata «Almirante Gago Coutinho», navio onde teve lugar a viagem de instrução do 24.º CFORN

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Especialistas, José Luis Pinto Pereira da Silva. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete da Reserva Naval, classe de Especialistas, José Luis Pinto Pereira da Silva, Prémio Reserva Naval

Durante o ano de 1974 houve uma franca retracção no plano de modernização da Marinha. Como resultado do final da Guerra do Ultramar começaram a ser abatidas as unidades navais que foram entregues aos novos Estados independentes, quer por se encontrarem obsoletas quer por não se justificarem dispendiosas reparações.

Foram aumentados ao efectivo as lanchas de fiscalização «Açor», «Andorinha» e «Albatroz» e, já em 1975, vieram ainda reforçar aquele efectivo a LF «Águia» e as corvetas «Oliveira e Carmo» e «João Roby».




A LFP «Açor»

Com a retracção do dispositivo naval, no decorrer do mesmo ano de 1974, foram abatidos ao efectivo dos navios da Armada 1974, os draga-minas «Corvo», «Angra do Heroísmo», «S.Jorge», «Graciosa», «Ponta Delgada» e «S. Pedro», a LDG «Montante», as LFP «Bellatrix» e LFP «Regulus», o submersível «Narval», o navio-patrulha «Porto Santo» e as LFG «Sagitário» e LFG «Cassiopeia» que foram afundadas na Guiné, a oeste da Ponta Caió.

Já durante o ano de 1975, foram abatidas ao efectivo de navios as LFP «Altair», LFP «Antares», LFP «Marte», LFP «Mercúrio», LFP «Pollux», LFP «Urano», LFP «Vénus», LFP «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Júpiter», LFP «Saturno» e LFP «Rigel», a LF «Dourada», as LFG «Argos», LFG «Centauro», LFG «Pégaso», LFG «Orion», LFG «Lira», LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Hidra», as LDG «Cimitarra», LDG «Alfange» e LDG «Ariete», os NA «Carvalho Araújo», NA «Santo André» e NA «S. Cristóvão», o NH «Almirante Lacerda» e o navio-patrulha «Maio».




A corveta «João Roby»

Alguns destes oficiais da Reserva Naval ainda desempenharam missões neste tipo de navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, ainda que a mobilização tenha sido reduzida. No entanto, na classe de Fuzileiros, por virtude do final dos conflitos em África, houve uma significativa redução, tendo passado a ser este o curso em que maior número de oficiais permaneceu no Continente.

Pela primeira vez no historial da Reserva Naval, resultado da necessidade da reestruturação da instituição militar e também da adaptação a uma política de integração social resultante do êxodo dos antigos territórios os ASP RN Eduardo Guedes Queirós de Mendia e Asp TE RN José Manuel Ferreira Figueira de Faria são destacados para a Comissão Coordenadora da Reintegração de Angola e o Asp TE RN João Maria de Lemos de Menezes Ferreira é nomeado para o Gabinete do Secretário da Comunicação Social.




Foto actual da Fábrica Nacional de Cordoaria - Torreão Poente

A par de outras formações académicas, a classe de Especialistas integra o Asp TE RN Alberto Guilherme de Stoffel Cardoso, engenheiro têxtil, que destaca para a Fábrica Nacional de Cordoaria juntamente com o Asp TE José Esteves do Amaral. O Asp TE RN Veríssimo de Freitas da Silva Borges, biólogo, é nomeado para prestar serviço no Aquário Vasco da Gama e, para a Escola Naval, recebem guia de marcha os Asp TE RN Daniel da Assunção Muller, Asp TE RN Fernando Augusto da Cunha Almeida e Asp TE RN Luis Cândido de Almeida de Eça Ramalho.




Aquário Vasco da Gama



Foram designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:

Guiné (9 Oficiais):

2TEN RN António Carlos de Queiroz Vilela Bouça, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN RN Guilherme José Pescaria Costa, LFG «Lira»»;
2TEN RN José Zulmiro da Silva Barbosa, LFG «Orion»;
2TEN FZ RN Camilo José Pegado Lemos de Mendonça, CF 2;
2TEN FZ RN Carlos Alberto da Assunção Guerreiro da Cunha, CF 2;
2TEN FZ RN Rui António Pessanha Rodrigues, CF 2;
2TEN FZE RN Jorge Manuel de Oliveira Monteiro, DFE 12;
2TEN FZE RN Rui Manuel da Silva Castro, DFE 12;
2TEN TE RN José Augusto de Freitas Carneiro, LDG «Bombarda»;




1972 - Vista aérea do aeroporto de Bissau e zonas circundantes

No princípio de 1974, da Conferência Afro-Árabe sobre petróleo sobressai a resolução que proíbe o acesso aos portos dos países árabes de navios que transportem petróleo destinado à África do Sul, Rodésia e Portugal.

Já então se começavam a processar com dificuldade as rendições das Unidades no Ultramar devido, por um lado, ao prolongamento excessivo de uma guerra em que alguns militares contavam já com três ou quatro comissões e, por outro lado, à escassez de recursos materiais e humanos.

O conflito agudiza-se. No início de Março as minas voltam a fazer estragos no rio Cumbijã. No porto de Cufar interior, local onde geralmente ficavam os batelões sem guarda por estarem próximo do aquartelamento, o batelão dos combustíveis foi pelos ares, na altura em que se encontravam vários trabalhadores a bordo, morrendo 20 a 30 estivadores a explosão.

Em Abril os combates travavam-se com violência de forma generalizada, recorrendo o inimigo a métodos cada vez mais imaginativos e letais com baixas nas nossas forças. No rio Cacheu o PAIGC redobrava esforços para conseguir com êxito as cambanças do Sambuiá para sul mas os fuzileiros, com base em Ganturé opunham-se sistematicamente ao abastecimento por essa via.

Nesse mês nos dias 19 e 22 as patrulhas de botes do DFE 1 são violentamente emboscadas nas clareiras de Jagali e Leto, sofrendo um morto - o Marinheiro FZ 2889/70 Joaquim Alves Gomes e três feridos graves. Foi o último fuzileiro a morrer em combate no Ultramar, vítima de uma granada de RPG7.




Guiné, 1973 - Em Ganturé, da esquerda para a direita, STEN FZE RN Vicente Cabral do 20.º CFORN, STEN FZE RN Oliveira Braga, 1TEN EMQ (FZE) Meireles de Amorim e STEN FZE RN Melo e Sousa

Comandava aquele Destacamento de Fuzileiros, DFE 1, o 1TEN EMQ José Firmino Meireles de Amorim, tendo como oficial Imediato o 1TEN Jorge Manuel Rodrigues Casals Braga (antigo oficial da Reserva Naval do 10.º CFORN) e tendo como outros oficiais os 2TEN FZE RN José Alfredo Oliveira Braga do 18.º CFORN, 2TEN FZE RN Abel Ivo de Melo e Sousa do 20.º CFORN (mais tarde dos QP), 2TEN FZE RN Vicente Cabral do 20.º CFORN e 2TEN FZE RN José Manuel Simões Rodrigues Castro do 21.º CFORN.

No dia 25 de Abril o levantamento militar na Metrópole depõe o regime do Estado Novo originando também grande confusão nos militares que se mantinham em campanha com reacções diversas. Embora com abrandamento a guerra mantem-se e em Junho inicia-se a retracção das forças no terreno.

Em Bissau são reforçadas as forças de vigilância e segurança. Em 25 de Agosto, são desactivadas as unidades de fuzileiros que se encontravam em Bolama, os DFE’ s 21, 22 e 23 que, depois de formados, apenas entregaram o armamento distribuído com instruções directas do respectivo comando, sendo de todo ineficaz a tentativa de contacto por um representante do PAIGC que ali se encontrava para o efeito.




Rio Cacheu, Novembro 1972 - Próximo de Ganturé, o arruamento principal da povoação de Bigene

Assinaladas algumas contradições nas entregas dos diversos aquartelamentos ao PAIGC. No sul, em Jemberém, Cameconde, Gadamael e por fim Cacine, com guarda de honra em formatura mista, a toque de clarim do exército, procede-se à cerimónia do arriar da Bandeira Nacional e ao içar da Bandeira do PAIGC.

Em Vila Cacheu, o comandante* do DFE 4, excelente oficial, magnífico operacional e grande patriota, evitando o enxovalho a que estavam a ser sujeitas as Forças Armadas, após ter embarcado nas viaturas todo o material, forma o Destacamento e com as honras do estilo, manda arriar pela última vez a Bandeira Nacional e, de seguida, manda derrubar o mastro , já que "onde esteve içada a Bandeira Portuguesa mais nenhuma haveria de subir". De seguida deu ordens ao pessoal para embarcar, não aguardando sequer que alguém do PAIGC se apresentasse a reclamar a posse das instalações antes de serem abandonadas.




1973 - Em Bigene, próximo de Ganturé, rio Cacheu, dia de eleições locais

Em 10 de Setembro Portugal reconhece legalmente a Guiné-Bissau como Estado soberano, em 3 de Outubro de 1974 regressa a Portugal a Companhia de Fuzileiros n.º 5, a 15 de Outubro o DFE 4 e, finalmente, a 30 de Outubro, a bordo do TT «Niassa» regressa a Portugal a última Unidade de Fuzileiros na Guiné, o DFE 5.


* 2TEN FZE RN Pedro Henrique Malheiro Ribas de Meneses, oficial da Reserva Naval do 16.º CFORN;




Angola (11 Oficiais):

2TEN RN Carlos Fernando B. Ferreira de Castro, fragata «Comandante Hermenegildo Capelo»;
2TEN RN José António Sarsfield Pereira Cabral, LDG «Alfange»;
2TEN FZE RN António Proença Martins, DFE 6;
2TEN FZE RN Carlos Manuel Garrido Vieira de Sousa, DFE 6;
2TEN FZ RN Armindo Herlander de Carvalho, DFE 6;
2TEN FZE RN Manuel Tavares de Pinho, DFE 6;
2TEN FZ RN Horácio de Faria Lages, CF 12;
2TEN FZ RN Joaquim da Silva Matos, CF 12;
2TEN FZE RN José Firmino Ferreira de Almeida, DFE 2;
2TEN TE RN José Manuel Ferreira Figueira de Faria, Comando Naval de Angola;
2TEN TE RN José da Costa Fernandes, Comando Naval de Angola;

No inicio de 1974, a animosidade contra Portugal manifestada pela comunidade internacional acentuava-se cada vez mais, espicaçada pelos países afro-asiáticos. Os países manifestavam ou um discreto apoio, uma neutralidade titubeante ou mesmo uma aberta rejeição à política portuguesa, como sucedeu com a generalidade dos povos escandinavos.

E 22 de Março, em Genebra, era adoptada uma proposta apresentada pelos Estados do Terceiro Mundo na 30.ª sessão da Comissão dos Direitos do Homem, no sentido de serem consideradas “as guerras contra a dominação estrangeira, guerras contra o colonialismo e racismo como guerras justas", tal como as guerras de autodeterminação.

Na mesma altura era aprovada na conferência da Organização Internacional do Trabalho, realizada em Conacry, uma resolução apontando para a expulsão de Portugal daquele organismo.

Sucediam-se as greves e manifestações na oposição à guerra que, lentamente, ia crescendo nos meios operários e estudantis portugueses, de imediato utilizada como propaganda pelos movimentos pró-independentistas.

Em 15 de Abril de 1974, através da rádios, o MPLA difunde as suas mensagens afirmando que, em Lisboa, circulava clandestinamente um documento assinado pelo Movimento dos Capitães a preconizar uma solução política para a Guerra do Ultramar, uma vez que considera a vitória pelas armas impossível.

No dia 25 de Abril, um levantamento militar em Portugal degenerou numa revolução que, no escasso tempo de algumas horas, depôs o regime vigente e tomou conta do poder, elegendo uma Junta de Salvação Nacional como modo de assegurar o imediato controlo da Nação.

A Marinha seguia com atenta preocupação o evoluir da situação interna do território. generalizava-se a tendência para o desentendimento entre os movimentos emancipalistas com distúrbios em vários locais, especialmente em Luanda, e o apelo à continuação da luta armada até à total independência da Angola.




Luanda - A Fortaleza de S. Miguel

Entre Junho e Agosto, depois de uma larga sucessão de nomeações, substituições e negociações entre Forças Armadas, Comandante-Chefe e Movimentos, é nomeado um Alto-Comissário para as negociações. A Marinha começa a retrair o dispositivo no território mantendo a vigilância e guarda de instalações militares.

Em 15 de Outubro, depois da readmissão de Portugal na UNESCO em Setembro, são suspensas todas as operações contra elementos e grupos da FNLA e, a partir do dia 25 do mesmo mês, com a assinatura formal do acordo de cessação de hostilidades entre representantes portugueses e uma delegação do MPLA chefiada por Agostinho Neto, terminaram oficialmente as acções violentas dos movimentos emancipalistas em Angola.

Daquela data para a frente retrair-se-ia progressivamente o dispositivo militar, embora continuassem a verificar-se elevado número de incidentes, roubos e distúrbios, por vezes envolvendo confrontos raciais. No final do ano vivia-se em Angola um enorme caos político e social.

No meio da confusão onde grassava a "organização desorganizada", a Marinha embora sujeita a pressões revolucionárias conseguiu manter a coesão interna numa prévia preparação para abandonar Angola. Militares politizados enviados pela Metrópole, contribuiam junto das unidades para desestabilizar uma situação cada vez mais tensa e em risco iminente de ruptura.

No meio do caos instalado, a Marinha embora sofrendo prssões intensas que se reflectiam numa natural quebra da disciplina, conseguiu manter a coesão, preparando-se para abandonar Angola com a dignidade que a condição de portugueses e de marinheiros impunha.

No final do ano, encontravam-se em Luanda Destacamentos e Companhias de Fuzileiros encarregues da vigilância e protecção do Comando Naval de Angola, Estação Radionaval, Aquartelamento de Fuzileiros em Belas, Instalações Navais da Ilha do Cabo para lá de assegurarem a guarda a navios no porto. Em Santo António da Zaire mantinha-se uma Companhia de Fuzileiros garantindo a vigilância e defesa das Instalações Navais.



Moçambique (1 Oficial):

2TEN AN RN Ângelo Manuel Carvalho de Oliveira, LDG «Cimitarra»;

Conforme já se vinha passando desde o final de 1973 deixaram de ser avistados nas imediações do porto da Beira os navios de guerra ingleses empenhados no bloqueio àquele porto.

Em Abril, a revolução que estalou na Metrópole não teve efeitos imediatos em Moçambique onde, apesar do notório abrandamento, as operações continuaram até ser assinado o cessar-fogo, o que veio a suceder em 7 de Setembro em Lusaca, entre o Estado Português e a FRELIMO.




Moçambique - A LDM 408 no Lago Niassa

A confusão generalizada instala-se e, a Marinha, enquanto retrai o dispositivo no território, tem como preocupação manter a vigilância e segurança de instalações e população.

A 1 de Outubro o Comando Naval de Moçambique informa os comandos subordinados de que fora acordado o cessar-fogo a partir da meia-noite e um minuto do dia 8 de Setembro daquele ano. Ainda durante o mês de Outubro é iniciado a retracção do dispositivo iniciando-se o regresso de algumas unidades à Metrópole com comissões encurtadas.



Continente e Ilhas (71 Oficiais):

2TEN RN Augusto da Silveira Vasco Costa, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN RN Luís Filipe Canhão Roriz, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN FZ RN Amílcar Pinto de Oliveira, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN FZ RN António José Riachos dos Santos, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN TE RN António Manuel Almeida Santos Cordeiro, Direcção do Serviço de Pessoal – 1.ª Rep.;
2TEN RN Eduardo Guedes Queirós de Mendia, Comissão Coordenadora da Reintegração de Angola;
2TEN RN João António de Morais Melícias Duarte, LF «Dourada»;
2TEN RN Joaquim da Silva Azevedo Costa, navio-aviso «S. Gabriel»;
2TEN RN Luís Filipe Delgado Martins Paredes, navio-hidrográfico «Afonso de Albuquerque»;
2TEN RN Manuel Duarte de Sousa,Base Naval de Lisboa;
2TEN FZ RN Jorge Manuel Vieira de Andrade, Base Naval de Lisboa;
2TEN RN Manuel Carlos de Azevedo e Melo, navio-patrulha «Zaire» e LF «Águia»;
2TEN RN Pedro Gabriel Teles Leiria Nunes, Estado-Maior da Armada;
2TEN FZ RN Aventino Manuel de Abreu Carneiro, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN José António Perdigão Dias da Silva, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Vasco Manuel Silva Martins Rodrigues, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN Carlos Jesus Dias Alves no Estado-Maior da Armada;
2TEN CN RN Luís Filipe Mascarenhas do Amaral Pyrrait, Direcção das Construções Navais;
2TEN FZ RN Alfredo Manuel Castanheira dos Santos, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN João Baptista da Cruz Hermenegildo, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José Pereira Lopes da Costa, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Afonso Manuel dos Santos Barbosa, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel Mónica Lopes de Seabra, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Fernando Mendes dos Reis, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN António José Vieira Monteiro, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN João Manuel Coelho Pereira Serra, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN TE RN José da Cunha Nunes Pereira, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN António Manuel Guedes Teixeira, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN José Manuel Alves Fernandes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ Rui Miguel Guedes Reis Trigoso, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN António Pedro da Silva Chora Barroso, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN João Moreira Camilo, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António Manuel dos Santos Raposo, Comando do Corpo de Fuzileiros;
2TEN FZ RN António Eduardo Quental Flor de Lima, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José António Teixeira Grosso, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN José Carlos Carreira Jorge, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel Barreto Pita de Abreu, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN António Manuel de Sacadura Cabral Dias, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Carlos Manuel Nogueira Fino, Grupo N.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN FZ RN Jorge Manuel Serra Lopes, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN TE RN António Manuel Teles Domingues Santos, Direcção Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN TE RN Ílidio Augusto Trigo Barreiras Pinto, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN FZ RN Manuel Lima Ferreira, Direcção do Serviço de Educação Física;
2TEN TE RN Alberto Guilherme de Stoffel Cardoso,Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN TE RN José Esteves do Amaral, Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN TE RN Amadeu José de Melo Morais,Chefia do Serviço de Justiça;
2TEN TE RN Fernando Ribeiro Lopes, Chefia do Serviço de Justiça;
2TEN TE RN António Oliveira Moniz Barreto, DSEC;
2TEN TE RN Óscar Emanuel Magalhães Ribeiro, DSEC;
2TEN TE RN António Manuel Rodrigues da Silva, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Francisco João Delgado Mercês de Melo, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Luís Filipe Vieira Ferreira, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Daniel da Assunção Muller, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN Fernando Augusto da Cunha Almeida, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN João Maria de Lemos de Menezes Ferreira, Gab. Sec. da Comunicação Social;
2TEN TE RN Luís Cândido de Almeida de Eça Ramalho, Escola Naval;
2TEN TE RN João José Ferreira Marques de Andrade, Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN TE RN Luís António de Castro de Valadares Tavares, na Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN TE RN José Luís de Campos Almeida Mota, Direcção do Serviço de Armas Navais;
2TEN TE RN José Luís Pinto Pereira da Silva, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN TE RN Manuel Artur Barbot Veiga de Faria, Direcção Geral do Serviço de Fomento Marítimo;
2TEN TE RN Veríssimo de Freitas da Silva Borges, Aquário Vasco da Gama;
2TEN TE António José Ermida Mano, Comando Naval do Continente;
2TEN TE RN António Jorge Flores Vasques, draga-minas «Lagoa»;
2TEN TE RN Artur de Jesus Barros Nobre, navio-patrulha «Zaire»;
2TEN TE RN Fernando Carvalho Mourato, LF «Azevia»;
2TEN TE RN João de Almeida Moreira Queiroz, navio-patrulha «Geba»;
2TEN TE RN José Lúcio Amaral de Almeida, fragata «Comandante João Belo»;
2TEN TE RN Lídio Marques Fernandes, navio-patrulha «Quanza»;
2TEN TE RN Luís Augusto Craveiro Bagão, draga-minas «Santa Cruz»;
2TEN TE RN Paulo Augusto Amaral Gomes, navio-patrulha «Save»;

A partir do final do 3.º trimestre de 1976 a maioria dos oficiais deste curso foi licenciada.

Ingressaram nos Quadros Permanentes os seguintes oficiais:

2TEN FZ RN Camilo José Pegado Lemos de Mendonça;
2TEN FZ RN Rui Manuel Guedes Reis Trigoso;
2TEN FZ RN António Manuel dos Santos Raposo;
2TEN FZ RN João Baptista da Cruz Hermenegildo;
2TEN FZ RN João Manuel Coelho Pereira Serra;
2TEN FZ RN Jorge Manuel de Oliveira Monteiro;
2TEN FZ RN António Proença Martins;

Todos na classe “FUZ” excepto o último que ingressou na classe “SEG”.

Foi licenciado no dia da promoção o Asp RN Eduardo Augusto Ribeiro de Sousa e não foi possível determinar o paradeiro do 2TEN FZ RN Australindo Diogo Pereira de Moura - colocado na CF 13 que nunca chegou a ser formada.

O ASP TE RN Manuel Pedro Bravo Pestana Gil faleceu por motivo de doença em 22.11.74.



Nota:
Não foi possível conseguir testemunhos fotográficos deste curso, com excepção de uma foto individual de um único elemento que se publica e que se julga ter sido o prémio Reserva Naval.





Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Comissão Cultural de Marinha, 2006; Fuzileiros – Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Luis Sanches de Baêna, 2006; Lista da Armada; Fotos de arquivo do autor com cedências do Arquivo da Marinha, Revista da Armada e CFR Abel de Melo e Sousa.


mls