sábado, fevereiro 16, 2019

Funchal, final do ano 2011 - NRP «Cacine» ou NRP «Cuanza»?


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 14 de Março de 2012)

Afinal qual dos navios-patrulhas se encontrava no final do ano no Funchal?

Desta vez trata-se apenas de uma brincadeira típica de trabalho de imagem.

Talvez a resposta correcta só seja possível a quem presenciou a estadia de um destes navios-patrulhas por ter pertencido à guarnição ou porque, já tendo pertencido à guarnição de um deles, consiga a identificação por algum pormenor específico mostrado na foto.





NRP «Cacine» ou NRP «Cuanza» ...?





Fontes:
Design e imagem do autor do blogue com cedência de fotos do Dr. Carlos Silva (Furriel Mil, CCaç 2548);


mls

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Protocolo Clube Militar Naval/AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Fevereiro de 2012)

Oficiais da Reserva Naval podem utilizar Clube Militar Naval





O Presidente da Direcção da Associação de Oficiais da Reserva Naval, Comandante Joaquim Moreira, afirmou, no passado dia 2, que o espírito de cordialidade e de câmara entre oficiais de carreira da Armada e os antigos oficiais da Reserva Naval foi reforçado com a assinatura de um protocolo entre o CMN - Clube Militar Naval e a AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, efectuado nesse dia.

O protocolo, assinado entre o CMN e a AORN, na sede da primeira instituição, em Lisboa, em ambiente de salutar convívio, viabiliza formalmente “a utilização das instalações e serviços do CMN pelos antigos oficiais da Reserva Naval”, preconizando ainda a efectivação de iniciativas conjuntas, tais como “palestras, colóquios ou qualquer outro tipo de eventos de carácter cultural, recreativo ou técnico profissional”.




Joaquim Moreira no uso da palavra

Joaquim Moreira, numa intervenção de improviso, referiu ainda que este protocolo surge com um atraso de 20 anos, sublinhando que a AORN foi criada e ganhou cidadania, precisamente, porque foi negado, então, o acesso de pleno direito ao CMN aos antigos oficiais da Reserva Naval.

A este respeito, o Presidente da Direcção da AORN invocou a memória e os esforços dos fundadores nas intervenções junto do CMN, referindo nomeadamente o Comandante Alves da Rocha, Dr. Rodrigues Maximiano, Dr. Alfredo Lemos Damião, Dr. Marinho de Castro e Dr. Manuel Torres.

A terminar, e em tom irónico, Joaquim Moreira sublinhou a importância do acesso dos antigos oficiais da Reserva Naval ao CMN, uma vez que a AORN, em determinada altura, optou por não construir instalações próprias para a sua sede o que, tendo em atenção “o contexto actual, se verificou ser uma decisão acertada”.




José Manuel Picoito durante a sua alocução

Em nome do Clube Militar Naval falou o seu Presidente da Direcção, Comandante José Miguel Picoito, que fez questão de reafirmar que "o salutar convívio e partilha do tradicional espírito de Câmara de Oficiais” liga “os antigos oficiais da Reserva Naval à mais elevada tradição naval praticada na Marinha de Guerra Portuguesa e aos valores éticos, qualidades morais e sociais que nortearam o seu empenhamento e sentido de dever no cumprimento da missão".

José Miguel Picoito destacou ainda que, enquanto prevalecer a memória e sentimentos entre as pessoas, esse espírito de Câmara haverá de pautar o relacionamento entre os Oficiais que partilharam tantas experiências e emoções, quer em operações de rotina, quer em ambiente de conflito, que tanto marcaram uns e outros.

São assim reconhecidos os contributos da AORN, com o lema "...e bem serviram sem cuidar recompensa", e da sua missão deduzida dos estatutos de "Defender a Reserva Naval, a Marinha, Portugal e o Mar", numa altura como a actual em que muitos destes valores de soberania são postos em causa, enfatizou.

O Presidente da CMN ressalvou, ainda, que com a assinatura do Protocolo este relacionamento já não depende, da maior ou menor abertura, das sucessivas Direcções do CMN.




Intervenção de José Luiz Vilaça

Discursou depois o Presidente da Assembleia-Geral da AORN, Prof. Dr. José Luiz da Cruz Vilaça, que destacou o valor simbólico do Protocolo, como reafirmação da verdade histórica, de compromisso com o passado e também com o futuro. Ainda que tenha um valor simbólico, explicou, os protocolos são para cumprir, fazendo uma menção, com certa ironia, ao recente protocolo assinado entre o governo de Portugal e a “Troika” (Banco Mundial, FMI e Comissão Europeia).

Sendo Juiz do Tribunal de Justiça da União Europeia, José Luiz Vilaça disponibilizou-se para partilhar numa sessão a realizar no CMN a sua visão sobre a recente crise europeia, baseado na sua experiência nas novas funções, e isto tendo atenção o âmbito da cooperação prevista no protocolo no que diz respeito à realização de iniciativas conjuntas.

Por fim, interveio o Presidente da Assembleia-Geral do Clube Militar Naval, Almirante Gameiro Marques, que invocou também a promoção do "espírito de Câmara de Oficiais", que classificou de profícuo no desenvolvimento e consolidação da cultura naval, o que – frisou - é reconhecido no presente Protocolo.

Referindo que este espírito nasce das relações nas câmaras de oficiais nos navios, "onde se tomam refeições, se descomprime da tensão vivida na ponte, no centro de operações, entre outros sítios, onde se confrontam construtivamente as ideias, independentemente das antiguidades, e sempre com respeito mútuo e com elevação, e onde o comandante é um convidado.

Um lugar onde é tradição não se falar de serviço, com o propósito de fomentar a inclusão de outros assuntos e a cumplicidade positiva. Um espírito que continua no CMN, na comunidade já alargada aos antigos Oficiais da Reserva Naval, que se formaliza com a assinatura do Protocolo"
, acrescentou.




No decorrer do acto de assinatura do protocolo

No acto, estiveram presentes o Contra-almirante Francisco Braz da Silva, Chefe de Gabinete do Almirante Chefe de Estado-Maior da Armada, que representava, o Presidente da Comissão de Domínio Público Marítimo, Vice-almirante na reserva Silva Carreira, o Vice-almirante reformado Lopes Carvalheira, o Contra-almirante Espadinha Galo, Sócio de Mérito da AORN, o Director Geral de Marinha, Vice-almirante Cunha Lopes, que foi um entusiasta deste protocolo, na qualidade de Presidente da AG do CMN, juntamente com o Comandante Vladimiro Neves Coelho, Presidente da Direcção anterior, o chefe da Repartição de Reserva e Reformados, Comandante Conceição Góis, entre outros.

Além dos Presidentes da AG e Direcção da AORN, estiveram presentes, o Presidente do Conselho Fiscal da AORN, Alípio Dias, os membros da Direcção, Pedro Sousa Ribeiro, José Ruivo, Armando Teles Fortes e Tânia Alexandre, e ainda o Luís Penedo, Honorato Ferreira, Serafim Lobato, Carlos Alberto Lopes e Manuel Torres.




Nota:
Quaisquer esclarecimentos sobre o Protocolo bem como a sua consulta poderão ser facultados através do Secretariado da AORN:
Mª Antonieta
Telefone: 21 362 68 40 – Horário das 15:00 às 20:00
Fax: 21 362 68 39
aorn95@reservanaval.pt
maria.antonieta@reservanaval.pt




Fontes:
Texto de Tânia Alexandre, 1.º CFBO 2009/Serafim Lobato, 15.º CFORN; fotos cedidas pelo Clube Militar Naval;


mls

sábado, fevereiro 09, 2019

NRP «Quanza» - Um navio Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 17 de Fevereiro de 2017)

Navios Reserva Naval - Cuanza, Quanza ou Kuanza?




O navio-patrulha «Quanza» navega em pleno mar


Na continuação da publicação anterior sobre os navios-patrulhas da classe «Cacine», que se perfilaram como um dos tipos de navios cuja história se ligou de forma mais estreita à História da Reserva Naval, abordamos hoje o irmão gémeo navio-patrulha «Quanza», da mesma classe e o quinto na ordem cronológica a ser contruído nos Estaleiros Navais do Mondego, na Figueira da Foz. Foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada e entregue a um representante do CEMA em 04Jun70

Mas por que motivo o navio-patrulha «Quanza» alterou o nome de baptismo para «Cuanza»?

Não sendo letrado na grafia na língua portuguesa, recordo a palavra «Quanza», com esta forma de escrita, na minha nebulosa memória da Geografia que foi me ministrada no Liceu Normal Pedro Nunes, tipo veneno a ingerir obrigatoriamente no intervalo das outras disciplinas que verdadeiramente me apaixonaram. As referências feitas à então Província de Angola, em termos de qualidade e conhecimento substantivo, eram basto escassas e nada propiciadoras de competitividade à altura das concorrentes da minha preferência, a Matemática, Física e Desenho.




O navio-patrulha «Quanza» evolui próximo da costa

No final do 8.º CEORN – Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval não me coube na lotaria o prémio de ser destacado para Angola, nem tão pouco para Moçambique, porque foi entendido pela hierarquia institucional ser mais útil na Guiné, pese embora a nota de mérito por mim conseguida, justificasse a atribuição de outro lugar no respeito pela escolha dos candidatos, função das médias obtidas no final do curso. Mas, tal como hoje, novidades, novidades, só mesmo no Continente e a meritocracia continua a ser um conceito Einsteiniano. Pleno de relatividade...

Assim, não me foi dada o oportunidade de conhecer aquele território, contactar com a população e todo o valor acrescentado que dois anos de permanência poderiam significar culturalmente. Aprendi que apenas com estudo, pesquisa e consulta se consegue adquirir algum conhecimento sobre áreas e temas que desconhecemos. Nem me atrevo a dizer profundo, porque esse nível será antes um estado de espírito e nunca uma meta atingida.

O rio Kwanza – respeitando o nome oficial - é o maior rio exclusivamente angolano. Nasce em Mumbué, município do Chitembo, Bié, no Planalto Central de Angola. Tem um curso de 960 km desenha uma grande curva para norte e para oeste, antes de desaguar no Oceano Atlântico, na Barra do Kwanza, 50 km a sul de Luanda. Com uma bacia hidrográfica navegável por 258 km desde a foz até ao Dondo, as barragens de Cambambe e de Capanda produzem grande parte da energia eléctrica consumida em Luanda.




O navio-patrulha "Quanza" em exercícios conjuntos no mar

As barragens também fornecem água para irrigação de plantações de cana-de-açúcar e outras culturas no vale do Kwanza. É no maior afluente do Kwanza, o rio Lucala, que se encontram as grandes Quedas de Kalandula, anteriormente designadas Quedas do Duque de Bragança. Junto da foz do rio fica o Parque Nacional da Quiçama.

O rio Kwanza foi o berço do antigo Reino do Ndongo, tendo também sido uma das vias de penetração dos portugueses em Angola no século XVI. Dá o nome a duas províncias de Angola, Kwanza Norte, na margem norte, e Kwanza Sul, na margem oposta.

Em 1977, talvez porque a maioria das etnias angolanas são de origem "bantu" (ou banto) e começaram por se radicar inicialmente na região cuanza-norte, deu o nome à unidade monetária nacional, o «kwanza».

Mesmo a própria história da nossa Marinha Mercante confirma a existência de um NM «Quanza» que, em 5 de Outubro de 1929 foi entregue à Companhia Nacional de Navegação. Foi o primeiro paquete português a efectuar uma viagem aos Estados Unidos e à América Central, em 8 de Agosto de 1940 e fretado pela agência de navegação Pinto Basto.




Navio-Motor «Quanza»

Após anos de navegação com inúmeras viagens realizadas e transportes de tropa efectuados, na sua última viagem a Angola, deixou Lisboa em 17 de Maio de 1968, regressando com tropas, ao Tejo, em 23 de Junho. Após alguns meses no Mar da Palha foi adquirido por sucateiros espanhóis e, em 3 de Dezembro, foi rebocado para Bilbau para desmantelamento.

Voltando ao navio-patrulha «Cuanza», no respeito pela forma como actualmente o nome daquele navio-patrulha, questionar-se-á pertinentemente porque não «Quanza» ou, sob outra perspectiva, como e em que data foi alterado o nome daquele navio-patrulha?






Abaixo se transcreve na íntegra a nota do então CMG Lima Bacelar publicada na página 99 do 10.º Volume de “Setenta e Cinco Anos no Mar – Navios-patrulhas da classe Cacine”, 1999, Comissão Cultural da Marinha, relativamente ao nome do navio-patrulha:

“...Os equívocos ortográficos na denominação do 5.º patrulha da classe «Cacine» emergem ainda antes da sua entrega oficial à Marinha. Como imediato indigitado da primeira guarnição, poderei testemunhar que, na fase terminal de construção, chegaram a ser colocadas nas asas da ponte as placas identificativas com o nome «CUANZA», tendo presenciado as circunstâncias que levaram à modificação daquela ortografia para «QUANZA».
Em consequência, procurou-se certificar que a portaria de aumento ao efectivo do navio seguisse o mesmo critério ortográfico, o que veio a acontecer, ficando pois «QUANZA».
Essas iniciativas não evitaram que os organismos abastecedores viessem a fornecer diverso material para o navio com as duas ortografias.
Deste facto resultou que o nome do navio aparecesse escrito de forma diferente, designadamente, nas asas da ponte, no sino, nas sanefas da prancha e da ponte alta, nas fitas dos bonés das praças, nos carimbos, nos documentos recebidos a bordo, etc.. Não obstante e pelo que ficou expresso, julgo poder afirmar que a posição oficial assumida foi a de atribuir o nome «QUANZA» ao 5.º navio da classe «Cacine».
(in “Setenta e cinco anos no mar (1910-1985), ed. Comissão Cultural da Marinha)
Ficou com a seguinte identificação:
Nome - «QUANZA»
Indicativo de chamada internacional – CTPS
Indicativo de chamada visual – P 1144
Indicativo de chamada radiotelegráfico – PAANZA
Endereço radiotelegráfico – PAANZA
Por portaria nº 277/70, publicada na I Série do D. G. n.º 132 de 8JUN e na O. A. n.º 30 de 9JUN, cujo texto é o seguinte:
“Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha, aumentar ao efectivo dos navios da Armada na situação de armamento normal, a partir de 4 de Junho de 1970, o navio-patrulha «Quanza», o qual ficará a pertencer à classe «Cacine»”..."






O navio-patrulha «Cuanza» largou para a primeira comissão no Ultramar, em Cabo Verde, no dia 1 de Setembro de 1970. Ali se manteve, ao longo de quase três anos, até Julho de 1973 desempenhando as mais diversas missões operacionais.

Assinale-se, como única excepção aos navios da classe, que o NRP «Quanza» foi o único dos dez navios-patrulhas «Cacine» a efectuar uma comissão na Guiné.

No dia 20 daquele mês largou com destino a Bissau, onde permaneceu no apoio a missões naquele teatro de guerra, quase exclusivamente na área costeira e bacias hidrográficas dos principais rios.

Em 14 de Outubro de 1974, dada por finda a comissão no Ultramar, regressou a Portugal continental, com escalas em Cabo Verde e na Madeira. Atracou na Base Naval de Lisboa em 2 de Novembro.

Entre 20.8.80 e 2.12.80 esteve no Arsenal do Alfeite, em fabricos e no estado de desarmamento, com lotação especial. Voltou ao estado de armamento e lotação normal em 30.10.81.

Desde o regresso do Ultramar que mantém actividade operacional na área costeira de Portugal continental e Ilhas no desempenho de múltiplas tarefas que lhe são atribuídas. Até 1985, desempenharam as funções de comandantes daquela unidade naval, dez oficiais, todos dos Quadros Permanentes e no posto de primeiro-tenente.

Até 1985 foram eles:

1TEN José Manuel Castanho Paes, 4.6.70 a 18.9.72
1TEN Aniceto Armando Pascoal, 18.9.72 a 27.9.73
1TEN José Manuel Garcia Mendes Cabeçadas, 27.9.73 a 19.12.74
1TEN António Alberto Rodrigues Cabral, 19.12.74 a 23.9.76
1TEN José Augusto de Brito, 23.9.76 a 27.11.78
1TEN Manuel Raul Ferreira Pires, 27.11.78 a 29.2.80
1TEN José Joaquim Peralta de Castro Centeno, 29.2.80 a 24.9.80
período no estado de desarmamento e com lotação reduzida, 24.9.80 a 9.11.81
1TEN Fernando Delfim Guimarães Tavares de Almeida, 9.11.81 a 28.7.83
1TEN Fernão Manuel Pacheco Malaquias Pereira, 28.7.83 a 18.9.85
1TEN José Domingos Pereira da Cunha, 18.9.85 a 5.10.85*

* Manteve o lugar de comandante até ser exonerado em 16.11.87



Até 1975 seis oficiais da Reserva Naval integraram a guarnição daquele navio-patrulha:

2TEN RN Carlos Alberto de Albuquerque Neves Costa, 15.º CFORN, desde 4.6.70
2TEN RN Vitor Correia Guimarães, 18.º CFORN, desde 31.10.71
2TEN RN António Manuel Mendonça Guerreiro, 22.º CFORN, desde 16.10.73
2TEN RN António Carlos de Queiroz Vilela Bouça, 24.º CFORN, desde 2.12.74
2TEN TE RN Lídio Marques Fernandes, 24.º CFORN, desde 3.9.75
2TEN TE RN António Manuel Ribeiro Araújo, 25.º CFORN, desde 4.9.75

A partir de 1975:

2TEN RN Armando Manuel Barreto Antunes, 32.º CFORN, desde (? 1980)

Tal como em todas as outras unidades navais da mesma classe, mais oficiais da Reserva Naval ali terão prestado serviço, entre 1975 e 1992, carecendo o tema de adequada pesquisa e recolha de informação. Pelo menos até 1992, ano em que foi "extinta" oficialmente a Reserva Naval ou, mais correctamente, quando foi considerado que os oficiais de RV e RC não disporiam, em condições normais de formação, conhecimentos suficientes para o desempenho de algumas das funções exigidas em unidades navais.

Atualmente, o NRP «Quanza» presta serviço nas Zonas Marítimas do Norte e da Madeira, tendo como principal missão o exercício da segurança e autoridade do Estado nas suas diversas vertentes.

Nestas missões, destacam-se a fiscalização da pesca, a salvaguarda da vida humana no mar, a fiscalização dos esquemas de separação de tráfego marítimo, o controlo da poluição e o apoio às populações e a organismos civis.



Fontes:
Texto do autor compilado a partir de Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/, "Setenta e Cinco Anos No Mar, Navios-Patrulhas da Classe "Cacine", 10.º Vol, 1999, Comissão Cultural da Marinha; com a devida vénia, fotos do navio-patrulha “Cuanza” em http://www.marinha.pt e http://photobucket.com/images/NRP+Cuanza/; texto e foto do NM “Quanza” compilados a partir de “Paquetes Portugueses”, Luis Miguel Correia, Edições Inapa, 1992, em http://lmc-naviosportugueses.blogspot.com/


mls

terça-feira, fevereiro 05, 2019

LFG «Lira» - Emboscada a combóio naval no rio Cumbijã


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Março de 2008/reformulado em 4 de Abril de 2016)

Guiné, rio Cumbijã, 4 de Abril de 1967 - Emboscada a combóio naval




Região dos rios Tombali, Cumbijã e Cacine




Nota:

Desta acção se dá acima um pequeno extracto de um ficheiro de audio obtido numa dessas escoltas, em 4 de Abril de 1967 e abaixo publicada. O local, meios envolvidos e acções de fogo são reais, com relato recreado e adaptado de acções semelhantes com várias unidades navais e em várias datas; a LFG «Orion», cuja guarnição integrei dois anos, também ostentava na ponte a placa de honra do rio Cumbijã como várias outras unidades navais. Aqui os lembramos em bloco, guarnições de unidades navais, fuzileiros, aquartelamentos e também populações civis.




Estas linhas não pretendem estabelecer qualquer analogia com algum tratado de estratégia militar e são publicadas como simbólica homenagem a todas as guarnições de unidades navais que, ao longo dos anos, isoladamente ou em grupo, em escoltas a combóios navais, foram emboscadas violentamente naquele percurso do rio Cumbijã, entre a foz e o porto de Bedanda.

Ao longo dos 13 anos de guerra naquele teatro, a Marinha com o dispositivo naval disponível que incluia LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LFP – Lanchas de Fiscalizadção Pequenas, LDG – Lanchas de Desembarque Grandes, LDM – Lanchas de Desembarque Médias e também LDP - Lanchas de Desembarque Pequenas, nunca retirou de qualquer rio ou bacia hidrográfica.

Em todas aquelas unidades e missões a Reserva Naval da Marinha de Guerra Portuguesa esteve sempre presente, comandando combóios, lanchas ou ainda integrando guarnições de outras unidades navais.

Com alguns riscos calculados de anteriores percursos e alguns imprevistos, as guarnições das unidades navais, sózinhas ou apoiadas por grupos de Fuzileiros de Destacamentos ou Companhias, cumpriram a difícil missão de manter o apoio logístico e militar a aquartelamentos e populações de toda aquela área da Guiné, bastando lembrar Catió, Cabedú, Cufar, Bedanda e Chugué.

Houve outros, ainda que para o cabal desempenho dessas missões fosse necessário enfrentar o temível “Cantanhês“ (também dito “Cantanhez“) com locais de redutos PAIGC que iam ganhando nomes lendários de que lembramos Catió, Cabedú, Cafine, Cadique, Caboxanque e Darsalame, entre outros.

Homenagem extensiva aos militares daqueles mesmos aquartelamentos, pelo apoio militar efectivo que nunca regatearam mas também sem esquecer a Camaradagem e Amizade como nos receberam, lembrando igualmente a Força Aérea que representou, muitas vezes, a diferença decisiva entre um combóio passar ou não de forma segura.




A LFG «Lira» a navegar para montante do rio Cumbijã

De 1965 e até meados de 1968, o dispositivo naval no Sul da Guiné incluía o estacionamento permanente de uma LFG - Lancha de Fiscalização Grande da classe «Argos» que, por um período de cerca de 12 dias, mais dia menos dia se mantinha-se em cruzeiro na área, fiscalizando e patrulhando as bacias hidrográficas dos rios Cumbijã e Cacine, no que era coadjuvada por uma ou duas LDM.

Decorrido aquele período era rendida por uma irmã gémea, efectuando-se normalmente a rendição a meio caminho de Bissau, a que regressava com a que ia iniciar o cruzeiro, ambas atracadas parcos minutos de braço dado, trocando informações e instruções importantes, pessoal cavaqueando novidades e também entregando o ambicionado correio recebido.

Mais a Norte, uma LFP - Lancha de Fiscalização Pequena da classe «Bellatrix», em conjunto com uma LDM, efectuava a fiscalização da área nos rios Tombali e Cobade. Aquelas unidades navais, partilhavam e complementavam o dispositivo naval da área garantindo a segurança da navegação, transportes de pessoas, bens e equipamentos, apoio à população civil e forças militares. Também o abastecimento de víveres e o escoamento de produtos agrícolas eram assegurados por aqueles meios.

Aos Destacamentos de Fuzileiros Especiais (Comandante), pertencia o comando de uma unidade territorial «TU» com responsabilidade nas bacias hidrográficas, dos rios Cacheu, Geba/Mansoa/Corubal, Grande de Buba/Tombali e Cumbijã/Cacine. Para o cabal desempenho dessa missão tinha atribuído um DFE, duas LDM e uma LDP. Contudo para operações/missões de maior envergadura podia ser reforçado com outros meios.

Com a frequência que a prática demonstrava como necessária, a Marinha constituia TUs (Task Units), no caso um conjunto de unidades navais e embarcações civis, essencialmente integradas por LDM e batelões que largavam de Bissau, iniciando o percurso para Sul, com escala e horários previamente definidos para várias localidades e aquartelamentos.




No rio Cumbijã, a LFG «Lira» bate a margem com fogo Bofors da peça de vante

Normalmente a frequência era mensal. Bolama, o ponto TT (confluência dos rios Tombali e Cobade, Catió, o ponto CC (confluência dos rios Cobade e Cumbijã), Cabedu, Impungueda (que servia o aquartelamento de Cufar), Bedanda (porto interior) e ainda Cacine e Gadamael eram escalas habituais, embora alguns destes locais fossem aportados pelas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes que, pelo seu porte e complexa manobrabilidade, não tinham acesso a todos eles.

Para comandar o combóio naquelas missões era nomeado um oficial de uma Companhia de Fuzileiros ou da Esquadrilha de Lanchas, quer dos QP ou da Reserva Naval, com uma ou duas esquadras de fuzileiros que reforçavam o dispositivo de protecção e defesa do combóio em pessoal e armamento.

Em percursos de maior risco de acções hostis, caso do rio Cumbijã, na zona do Cantanhês, a escolta integrava, nessa área de maior perigo de ataque, uma LFG -Lancha de Fiscalização Grande da classe «Argos» deslocada do habitual cruzeiro na área do rio Cacine que, por norma e como mais antigo, assumia o comando da escolta (CTU), completada pelo apoio da Força Aérea uma parelha de aviões Harvard T-6.

Naquele dia, 4 de Abril de 1967, cumprida a rota de ida sem incidentes, iniciou-se então a viagem para juzante, em postos de combate, com o apoio da aviação, rumo à confluência dos rios Cumbijã e Cobade, comboiando duas embarcações civis carregadas com arroz proveniente de Bedanda.




Rio Cumbijã, LFG «Lira» - No convés, junto à peça Bofors de vante,
os invólucros de latão espalhavam-se fragorosamente...


Tanto embarcações civis como unidades navais navegavam estrategicamente em coluna com uma LDM na testa e a outra na cauda do combóio, aproveitando a maré na vazante com os batelões encaixados a meio da coluna. Cada uma das embarcações civis levava uma guarda de fuzileiros constituída por 4 elementos. Comunicações em cima.

A LFG «Lira», em cruzeiro na área e vinda do rio Cacine para o Cumbijã para apoio e escolta ao combóio, mantinha-se interposta entre a cauda do combóio e a margem, ligeiramente caída para ré. Com cerca de um quarto de hora de navegação, para juzante, ouviu-se fogo de rajada de metralhadoras ligeiras da margem esquerda.

A LDM da frente informou serem de flagelação inimiga pela amura de BB, sem que fosse possível localizar correctamente a origem. Foram dadas instruções para manter o silêncio de fogo para que, visualmente, fossem melhor localizadas as armas, pela chama à boca, evitando manobras de diversão do inimigo com o intuito de desviar a atenção do centro de fogo principal, instalado mais a montante.

O desenrolar dos acontecimentos veio corroborar a hipótese!

Pelas características hidrográficas do rio Cumbijã, na curva frente a Cadique, delimitando um estreito canal de navegação existente, o combóio via-se forçado a navegar a uma distância de 30 a 40 metros da margem. Precisamente nessa zona, numa extensão de cerca de milha e meia, foi desencadeado violento ataque.

Quando a zona provável de origem da flagelação se encontrava no enfiamento do través do navio testa, toda a margem, numa vasta extensão de cerca de 600 metros que abarcava todo o combóio, irrompeu num fogo intenso de armas, com metralhadora pesada e ligeira, pistolas-metralhadoras e bazookas visando, sem distinção, todas as unidades do combóio.

Quase de seguida, foi desencadeado ataque de morteiro com salvas contínuas de projecteis, algumas com o tiro bem regulado, outras com enquadramento sistematicamente longo, com as granadas a deflagrar para lá de meio do rio.




No final da escolta ao combóio naval,
um avião Harvard T6 sobrevoa a LFG «Lira» pelo través de bombordo.


As unidades navais reagiram instantaneamente e, em conjunto, bateram sistematicamente com Bofors, Oerlinkon e MG 42 toda a área de ataque apoiadas pelos aviões T-6 que sobrevoavam a zona, picando em sucessão e metralhando o local de ataque.

A LFG, com máquinas a vante toda a força, interpôs-se entre o combóio e o fogo, protegendo a coluna e batendo cadenciadamente a margem com as peças Bofors de 40 mm apoiadas pelas MG 42 montadas nas asas da ponte, pelo fogo das LDM’s reforçadas pelos fuzileiros. A cadência de fogo de barragem provocava um ruído ensurdecedor e obrigava a arrefecer os canos das anti-aéreas Boffors com as mangueiras de água ligadas. Os invólucros de latão espalhavam-se fragorosamente pelo convés junto ás peças de vante e de ré.

Com alguma certeza e à medida que a navegação prosseguia, puderam contar-se diversas bocas de fogo de LGF postadas ao longo do percurso, possivelmente actuados por atiradores colocados em abrigos, bem como atiradores com armamento portátil. A intensidade de fogo e a extensão da frente inimiga permitiu estimar o grupo em mais de uma centena de homens, todos colocados junto à margem, deitados na bolanha ou em abrigos cavados. Observaram-se mesmo movimentação de alguns, dada a curta distância.




Rio Cumbijã, LFG «Lira» - Um Mar A apontador apoia a acção com a MG 42 de estibordo

De Cafal, quase simultaneamente, foi feito fogo de canhão sem recuo, embora apenas três ou quatro disparos e mal direccionados. O campo de tiro a partir daquela zona, não era tão afectado pela limitação natural provocada pela diferença de altura das marés. Seria possível vir a enquadrar, no mesmo enfiamento, todas as unidades que navegassem no local, para montante ou para juzante, oferecendo ao inimigo condições quase ideais para interditar a passagem à navegação.

Provavelmente posicionado a cerca de 400 metros do combóio porquanto se ouvia distintamente o disparo, sentia-se o sopro do projécteis passando sobre as unidades para, decorrido tempo sensivelmente igual, rebentarem na margem oposta junto à água, na bolanha.

Na foz do rio Macobum, o combóio inflectiu o rumo para a margem contrária continuando a ser batido intensamente do lado de Cadique, sobretudo com metralhadora pesada e armas ligeiras, enquanto de Cafine rompia também fogo com armas automáticas e morteiro.




Rio Cumbijã - A LFG inverte o rumo e interpôe-se entre a margem e o combóio

Entretanto a LFG, ao chegar àquela zona inverteu o rumo e manteve-se frente a Cafine, a efectuar a cobertura de protecção do combóio, voltando a fechar a cauda da coluna, batendo sistematicamente as posições do ataque e calando o inimigo pouco depois. Tinha decorrido uma longa hora e um quarto, sem quaisquer baixas mas com diversos impates nas embarcações e nas LDM’s.

Baixas prováveis no inimigo mas carecendo de confirmação.






Em cima os 2TEN RN Manuel Sousa Santos - LFG «Cassiopeia», 2TEN RN Abílio Martins Silva - LFG «Hidra» e 1TEN RN Manuel Lema Santos - LFG «Orion» e, em baixo, as respectivas Senhoras.




Num esclarecimento muito pessoal, este texto representa também uma homenagem pessoal ao nosso Camarada da Reserva Naval, 2TEN RN Jorge Calado Marques, 8.º CEORN da Escola Naval, então o oficial imediato da LFG «Lira». Já falecido, eram dele os arquivos de som - tenho a fita original gravada através das vigias de vante - que me tinha cedido sem reservas, conjuntamente com o álbum de fotos pessoal. A imprevisibilidade do destino último que lhe tolheu o percurso de vida, impediu-me de lho devolver. Cuidarei de que um dia possa encontrar local e mãos correctas.
Tínhamos agendado um almoço em Coimbra que apenas veio a ter lugar, em sua memória, em 15 de Outubro de 2011, com 3 dos 4 oficiais imediatos do mesmo curso e que desempenharam idênticas funções, no decorrer de igual período, 1966/1968 nas LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra» e LFG «Orion».

RIP Calado Marques!




Fontes:
Texto imagens de arquivo do autor compilados apartir do Arquivo de Marinha, Coloredo, Núcleo 236A; cedência de imagens e ficheiro de audio pelos 1TEN Carlos F. Dias Souto (CMG), 2TEN RN Jorge Manuel Calado Marques e Mar A Fernando Oliveira, à época, respectivamente Comandante, Imediato e Apontador da peça de vante da LFG «Lira»; "Anuário da Reserva Naval 1958-1975", Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992;


mls

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

sábado, fevereiro 02, 2019

Marinha - NRP «Cacine» , também um navio-patrulha Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Fevereiro de 2012)

Navios Reserva Naval - NRP «Cacine»




Na viragem do ano findo, 2011, o navio-patrulha «Cacine» atracado no cais do Funchal.


Os navios-patrulhas da classe «Cacine», constituíram um dos tipos de navios cuja história se ligou de forma mais estreita à própria História da Reserva Naval, na sequência das anteriores LFG's «Argos» construídas entre 1963 e 1965.

Com projecto desenvolvido a partir da construção daquelas, foram fabricadas as mesmas dez unidades entre 1969 e 1973, chegou a colocar-se a ideia de substituição, mas foi rapidamente abandonada pela evolução dos conflitos além-mar e pelas sensíveis diferenças de construção finais.

Em boa verdade, de uma forma mais restrita e pragmática, foram utilizadas em missões operacionais no Continente e Ilhas, Cabo Verde, S. Tomé e Angola, já que a Guiné comportava riscos acrescidos, quer pelo aumento de seis metros no comprimento com que foram construídas quer pela ausência de protecções blindadas, condições que lhes retiravam capacidade de manobra e segurança, essenciais nas operações decorrentes em zonas de especial agressividade por parte das forças hostis de então.

Em Moçambique, o mar da costa oriental, de características marcadamente oceânicas mostrava-se com frequência pouco acessível a navios de pequeno porte, dificultando mesmo as missões de simples navegação costeira, condições já testadas anteriormente pelas irmãs mais velhas «Argos». Desta forma as incursões navais confinavam-se a jornadas de navegação até à foz do rio Rovuma, fronteira norte, usufruindo da beleza e protecção conferida pelos canais do arquipélago das ilhas Quirimbas, alternadas com prolongadas estadas em Porto Amélia.

Desde o lançamento à agua da primeira unidade construída, o NRP «Cacine», efectuado o respectivo aumento ao efectivo dos navios da Armada, em 6 de Maio de 1969, a guarnição daquela unidade naval comportava 33 elementos (3 oficiais, 6 sargentos e 24 praças), integrando praticamente em todas as guarnições um oficial da Reserva Naval.

A partir daquela data, após a largada para Angola, manteve-se permanentemente naquele teatro, salvo a viagem de ida na companhia da «Cunene» com escala pelas Canárias, Cabo Verde, Bissau e S. Tomé. Complementarmente, apenas efectuou duas curtas comissões em S. Tomé no segundo semestre de 1973, entre Agosto e Outubro daquele ano.




Funchal, final do ano de 2011 - Perspectiva da ponte do navio-patrulha «Cacine»

Com a irmã gémea «Mandovi», regressou a Portugal continental em 3 de Janeiro de 1975, escalando S. Tomé, S. Vicente, Gran Canária e Madeira. Atracaram na Base Naval de Lisboa no dia 25 do mesmo mês.

De então para cá mantém actividade operacional na área costeira de Portugal continental e Ilhas no desempenho de múltiplas tarefas que lhe são atribuídas de fiscalização, navio SA, apoio a populações e outras.

Até 1985, desempenharam as funções de comandantes daquela unidade naval, nove oficiais, todos dos Quadros Permanentes, sendo que no posto de primeiro-tenente oito oficiais e um no posto de Guarda-Marinha, promovido a segundo-tenente quase de seguida.

Até 1985 foram eles:

1TEN Ernesto Correia dos Santos, 06Mai69/14Jul71;
1TEN Carlos Alberto Martins da Rosa Garoupa, 02Ago71/13Ago73;
1TEN Manuel Maria de Meneses Pinto Machado, 13Ago73/17Abr75;
1TEN Tito João Abrantes Serras Simões, 17Abr75/09Fev77;
1TEN Rui Manuel de Sá Leal, 09Fev77/25Jun77;
GM Febo Oliveira Nuno Vargas de Matos, 25Jun77/10Out78;
2TEN Febo Oliveira Nuno Vargas de Matos, 10Out78 a 01Out79;
1TEN José J. P. Castro Centeno, 24Set80 a 12Fev82; 08Set83/04Mai84, 15Jun84/06Jul84;
1TEN João Pedro Felícia Moreira, 12Fev82/08Set83;
1TEN Humberto Armando Carvalho Sá Gomes, 27Jul84/10Mar85;

Até 1975 quatro oficiais da Reserva Naval integraram a guarnição daquele navio-patrulha, conforme já relatado anteriormente:

2TEN RN José Maria Palma Nobre Franco, 13.º CFORN, desde 07Mai69/??;
2TEN RN Carlos Augusto Mendes Alves, 17.º CFORN , desde 03Mai71/??;
2TEN RN João Manuel da Silveira Malheiro Távora, 22.º CFORN, desde 16Out73*;
2TEN TE RN Vasco de Melo, 25.º CFORN, desde 21Mai75/??;

* Substituiu com urgência, em 16Out73, o 2TEN RN Armando Henrique Prazeres Machado, do 21.º CFORN que foi nomeado para desempenhar as funções de docente da cadeira de Matemática na Escola Naval - informação fornecida pelo Comandante Manuel Pinto Machado que, à data, desempenhava as funções de comandante do navio-patrulha «Cacine».



Funchal, 2011 - O navio-patrulha «Cacine» de um outro ângulo

Certamente que, na continuação do acima relatado, outros oficiais da Reserva Naval ali terão prestado serviço, entre 1975 e 1992, carecendo o tema de adequada pesquisa e recolha de informação, tornada mais complexa pela dificuldade acrescida de consulta de movimentos de oficiais.

Pelo menos até 1992, ano em que foi "extinta" a Reserva Naval, quando foi considerado que os oficiais de RV e RC não disporiam, em condições normais de formação, conhecimentos suficientes para o desempenho de algumas das funções exigidas em unidades navais.

No final do ano findo, 2011, o navio-patrulha «Cacine» foi encontrado por um fotógrafo curioso atracado no Funchal em mais uma das comissões de que estava incumbido.

Constava então «à boca fechada» que seria o último navio daquela classe a ser abatido estando em estudo a possibilidade de levar por diante um projecto para o manter como museu vivo, em seco, aventando-se a área do Museu de Marinha como possível "cais" de acostagem final.

Afinal, assim não veio verificar-se. Em 6 de Julho de 2017, na Base Naval do Alfeite, o navio-patrulha «Cacine» arriou os distintivos nacionais do navio-patrulha após 48 anos ao serviço da Marinha, passando ao estado de desarmamento.

Tal como se relata em:


Ao serviço dos portugueses e da Marinha Portuguesa o navio-patrulha «Cacine» navegou mais de 38.000 horas de navegação, tendo percorrido em milhas náuticas o equivalente a 14 voltas ao mundo.




Fontes:
Texto do autor compilado a partir de "Setenta e Cinco Anos No Mar, Navios-Patrulhas da Classe «Cacine», 10.º Vol, 1999, Comissão Cultural da Marinha; fotos cedidas por Dr. Carlos Silva, Furriel Mil, CCaç 2548


mls

sábado, janeiro 26, 2019

Reserva Naval e Capitão de Mar-e-Guerra Alberto Rebordão de Brito,


"In Memoriam" Alberto Rebordão de Brito, 1942-1994



Fontes:
O artigo a que o "link" acima estabelece ligação, é um resumo biográfico do Capitão de Mar-e-Guerra Alberto Rebordão de Brito, antigo oficial da Reserva Naval que, mais tarde, ingressou nos Quadros Permanentes da Armada, ascendendo àquele posto depois de um percurso brilhante; foi compilado, redigido e paginado pelo autor do blogue e já foi integralmente publicado na Revista «O Desembarque» n.º 25, Nov2016, da Associação de Fuzileiros; com a devida vénia à Instituição AFZ, aqui se republica;


mls

sexta-feira, janeiro 25, 2019

Reserva Naval no NTM «Creoula» em 24 Setembro 2011 - Organização AORN (Parte III)


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Janeiro de 2012)

NTM «Creoula», AORN e Reserva Naval

Parte III - pequeno resumo filmado





Fontes: Redigido e publicado a partir de passeio no NTM «Creoula» organizado pela AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval em 24 de Setembro de 2011; imagens e edição do autor do blogue; imagem inicial "Creoula" cedida pelo Museu de Marinha; música de fundo: «Joaquin Rodrigo & John Williams - Concerto de Aranjuez by William Kimberley & The European Philharmonic Orchestra» in Youtube;

mls

terça-feira, janeiro 22, 2019

Reserva Naval no NTM «Creoula» em 24 Setembro 2011 - Organização AORN (Parte II)


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Janeiro de 2012)

NTM «Creoula» e Reserva Naval (Parte II)





Passado que foi o portaló do NTM «Creoula» numa sempre tão camarada quanto calorosa recepção do Comando e Guarnição aos «veteranos Reserva Naval», familiares e convidados envolvidos, ganhou-se o permanente sentimento de um mergulho renovado no passado de cada um dos presentes que por aquelas casa terá passado algum dia.






Um pouco como quem regressou a um local familiar com que nos identificamos numa etapa de vida já não muito próxima, a apetecer desbravar de novo, dispararam-se dúvidas e questões que nos fizessem sentir actualizados. Redescobrimos a bordo, da proa à popa, o Mar e a Marinha, os ensinamentos da Escola Naval, as aulas de marinharia e postos de faina, navegação e instrumentação, e ainda muitos vocábulos perdidos nas memórias que o tempo apaga.



Num clássico modelo, o sino de bordo, fazendo parte dos «amarelos» a brunir, sempre irrepreensivelmente limpo e brilhante à custa de puxar lustro nos serviços, desperta a já habitual curiosidade pelas jocosas graçolas envolvidas no conceito.




Existem três únicas cordas a bordo dos navios, já que todas as outras, assim incorrectamente chamadas, são denominadas «cabos» ou «espias», de acordo com a arte naval. São elas, a corda do sino, a corda do relógio e “acorda que já são horas”. Uma quarta era acrescentada, à revelia da semântica naval, nas cobertas, à boca fechada, quando se cochichava que o “comandante era da corda”...



Verificada no «detalhe» a presença da guarnição, especialmente reforçada por cerca de sete dezenas de «rijos e bravos» marinheiros, pessoal em postos de faina, o «Creoula» largou da Base Naval de Lisboa no enfiamento do canal balizado, e desceu o Tejo rumo a Cascais, máquinas a vante com a força aconselhada, pano recolhido, indicativo radiotelegráfico içado e o distintivo de almirante embarcado.




O ronronar das máquinas breve se tornou parte do ruído de fundo da comitiva deixando aos presentes a apreciação do que, parecendo velho, é sempre novo. Lisboa e margem sul, vistas de dentro do rio, são sempre novidade para quem não faz esse percurso de eleição com frequência.




Num dia que tinha amanhecido cinzentão e pouco prazenteiro, mar chão, o sol decidiu contrariar a tendência, rasgando nuvens e mostrando as margens do Tejo em todo o explendor de que Lisboa disfruta. Pelo caminho vão desfilando o Terreiro do Paço, 24 de Julho e a antiga CUF, ponte 25 de Abril e Cristo-Rei, a arrojada arquitectura do edifífio da Fundação Champalimaud e a Torre de Belém.




No mesmo rumo, a passagem pelo través de estibordo de dois draga-minas germânicos, com o regulamentar cumprimento ao «Creoula» à vista do distintivo de almirante, prontamente retribuído pelo Comandante, CFR Nuno Maria d’Orey Cornélio da Silva.




Visível o perfil da serra de Sintra recortada no horizonte, a proximidade do forte da Torre, semi-rígidos com grupos de turistas que se mostravam e acenavam em passagens próximas, num evidente propósito de apreciarem de perto o elegante e sempre belo lugre.




Enquanto a navegar até ao largo da baía de Cascais, foi aproveitado o tempo para, em grupos fraccionados, serem visitados os principais compartimentos e serviços do navio com um breve descritivo histórico do «Creoulas».

Com o navio a pairar, foi dada a oportunidade aos presentes de confirmar, mais uma vez, a excelência da hospitalidade e a invulgar qualidade da taifa da Marinha, num almoço volante servido no convés com «mar pouco menos do que de patas», poupando estômagos menos predispostos a estas veleidades navais.




Palavras de agradecimento do Presidente da Direcção da AORN e do Comandante do «Creoula» e lembranças mútuas trocadas encerraram uma inesquecível jornada de camaradagem e convívio.






Depois, o regresso! Rumo invertido, o farol do Bugio próximo, o paquete «Gemini» que demanda a barra na saída do Tejo, o pessoal agora reconfortado que continua a olhar o horizonte, os comentários no reavivar de memórias em pequenos grupos, a aproximação da Base Naval de Lisboa, os rebocadores e a acostagem.




(continua)

Manuel Lema Santos
8.º CEORN




Fontes:
Texto e imagens de arquivo do autor do blogue; imagem do Creoula cedida pelo Museu de Marinha.

mls