domingo, fevereiro 18, 2018

Reserva Naval na classe «Cacine»- Parte II


Os navios-patrulha classe «Cacine»-Parte II

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Junho de 2010)

«Cacine», «Cunene», «Mandovi», «Rovuma» e «Quanza»








Navio-patrulha «Cacine» - P 1140


Construído no Arsenal do Alfeite, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 6 de Maio de 1969. Em 2 de Agosto, em conjunto com o «Cunene» rumou a Luanda, onde atracou no dia 25 depois de escalar o Porto Grande de S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e S. Tomé.

Manteve-se em Angola até Agosto de 1973, tendo efectuado então várias vezes o percurso de ida e volta a S. Tomé, regressando a Luanda no princípio de Dezembro e permanecendo naquele território a totalidade do ano de 1974.

A 3 de Fevereiro de 1975, finda a comissão de serviço e na companhia do «Mandovi», regressou a Portugal, depois de escalar S. Tomé, S. Vicente, Gran Canária e Madeira, atracando na BNL no dia 25. Depois dessa data, efectuou diversas comissões SAR nos Açores e na Madeira. Mantém-se no efectivo dos navios da Armada.

Oficiais da Reserva Naval que ali desempenharam missões, até 1975, como oficiais da guarnição:

2TEN RN José Maria Palma Nobre Franco, 13.º CFORN, desde 7.5.69;
2TEN RN Carlos Augusto Mendes Alves, 17.º CFORN , desde 3.5.71;
2TEN RN João Manuel da Silveira Malheiro Távora, 22.º CFORN, desde 16.10.73*;
2TEN TE RN Vasco de Melo, 25.º CFORN, desde 21.5.75;


* Substituiu com urgência, em 16.10.73, o 2TEN RN Armando Henrique Prazeres Machado, 21.º CFORN, nomeado para desempenhar as funções de docente da cadeira de Matemática na Escola Naval - informação fornecida pelo Comandante Manuel Pinto Machado que, à data, desempenhava as funções de comandante do navio-patrulha «Cacine».






Navio-patrulha «Cunene» - P 1141

Construído no Arsenal do Alfeite, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 6 de Junho de 1969. Em 2 de Agosto, em conjunto com o navio-patrulha «Cacine» rumou a Luanda, onde atracou no dia 25 depois de escalar o Porto Grande de S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e S. Tomé.

Apenas em Junho de 1973 voltou a S. Tomé regressando a Luanda no final de Agosto. Passou o ano de 1974 em Angola, efectuando nova comissão em S. Tomé e Princípe entre Setembro e Novembro daquele ano.

Em 25 de Fevereiro de 1975, finda a comissão de serviço e na companhia do «Rovuma», regressou a Portugal. Depois de escalar S. Tomé, S. Vicente, Gran Canária e Madeira, atracou na BNL no dia 16 de Março.

Efectuou diversas comissões SAR nos Açores e na Madeira, tendo passado ao estado de desarmamento em 31.07.2001 e foi abatido ao efectivo dos navios da Armada em 15.11.2006 (portaria 1822 de 8.11.2006).

Oficiais da Reserva Naval que ali desempenharam missões, até 1975, como oficiais da guarnição:

2TEN RN Álvaro Babiano Costa e Moura, 13.º CFORN, desde 6.9.69;
2TEN RN João Luis Gomes Durão, 14.º CFORN, desde 23.8.70 (vindo do Rovuma);
2TEN RN Rui Alberto Antunes Pais dos Santos, 17.º CFORN, desde 4.5.71;
2TEN RN José dos Remédios Dias Gonçalves, 18.º CFORN, desde 28.10.71;
2TEN RN Henrique Joaquim Gomes, 21.º CFORN, desde 16.5.73;
2TEN RN Emílio Manuel da Mata Pereira, 22.º CFORN, desde 15.10.73;





Navio-patrulha «Mandovi» - P 1142

Construído no Arsenal do Alfeite, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 2 de Setembro de 1969. Em 15 de Setembro rumou a Angola, escalando o Porto Grande de S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e S. Tomé onde fundeou no dia 31. Em 3 de Novembro, na companhia da LFG «Centauro», partiram para Luanda onde atracaram no dia 5 de Novembro.

No final de Setembro de 1973, efectuou uma outra ida a S. Tomé, regressando a Luanda no princípio de Março do ano seguinte. A 3 de Fevereiro de 1975, finda a comissão de serviço e na companhia do navio-patrulha «Cacine», regressou ao Continente. Depois de escalar S. Tomé, S. Vicente, Gran Canária e Madeira, atracou na BNL no dia 25 do mesmo mês.

Efectuou diversas comissões SAR nos Açores e na Madeira. Passou ao estado de desarmamento em 3.1.1996 e foi abatido ao efectivo dos navios da Armada em 20.3.2002 (portaria 632/02 de 20.12.2002).

Oficiais da Reserva Naval que ali desempenharam missões, até 1975, como oficiais da guarnição:

2TEN RN Fernando Manuel da Conceição Correia, 13.º CFORN, desde 15.10.69;
2TEN RN Álvaro Jaime Neves da Silva, 17,º CFORN, desde 4.5.71;
2TEN RN Manuel Eduardo Costa e Almeida Vasques, 21.º CFORN, desde 16.5.73;





Navio-patrulha «Rovuma» - P 1143

Construído no Arsenal do Alfeite, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 14 de Novembro de 1969. Em 5 de Fevereiro de 1970 rumou a Luanda, onde atracou no dia 4 de Março depois de escalar o Porto Grande de S. Vicente de Cabo Verde, Bissau e S. Tomé.

Entre 7 e 26 de Junho de 1974 esteve em S. Tomé, onde voltou novamente a permanecer entre 28 de Junho e 12 de Setembro do mesmo ano. Em 25 de Fevereiro de 1975, na companhia do navio-patrulha «Cunene», regressou a Portugal tendo atracado em Lisboa no dia 16 de Março.

Efectuou diversas comissões SAR nos Açores e na Madeira. No dia 15 de Março de 1999 atracou na Base Naval de Lisboa pela última vez. Passou ao estado de desarmamento em 29.2.2000 e foi abatido ao efectivo dos navios da Armada em 1.8.2003.

Oficiais da Reserva Naval que ali desempenharam missões, até 1975, como oficiais da guarnição:

2TEN RN João Luis Gomes Durão, 14.º CFORN, desde 11.12.69;
2TEN RN Carlos Eduardo Couto da Cunha Dias, 18.º CFORN, desde 28.10.71;
2TEN RN António Fernando de Brito Castilho Dias, 22.º CFORN, desde 5.2.74;
2TEN TE RN Victor Manuel Oliveira Santos Ferreira, 25.º CFORN, desde 6.10.75;





Navio-patrulha «Quanza» - P 1144

Construído nos Estaleiros Navais do Mondego, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 4 de Junho de 1970. Em 1 de Setembro de 1970 largou com destino a Cabo Verde, tendo chegado a Porto Grande de S. Vicente onde permaneceu até Junho de 1973.

No dia 20 daquele mês partiu com destino a Bissau onde chegou a 27, ficando naquele território a efectuar comissão. Entre 4 de Fevereiro e 14 de Março do ano seguinte esteve ausente da Guiné, novamente em Cabo Verde, após o que regressou a Bissau. Em 14 de Outubro regressou ao Continente, escalou Cabo Verde e atracou na BNL em 2 de Novembro.

Efectuou diversas comissões SAR nos Açores e na Madeira. Mantém-se no efectivo dos navios da Armada.

Oficiais da Reserva Naval que ali desempenharam missões, até 1975, como oficiais da guarnição:

2TEN RN Carlos Alberto de Albuquerque Neves Costa, 15.º CFORN, desde 4.6.70;
2TEN RN Vitor Correia Guimarães, 18.º CFORN, desde 31.10.71;
2TEN RN António Manuel Mendonça Guerreiro, 22.º CFORN, desde 16.10.73;
2TEN RN António Carlos de Queiroz Vilela Bouça, 24.º CFORN, desde 2.12.74;
2TEN TE RN Lídio Marques Fernandes, 24.º CFORN, desde 3.9.75;
2TEN TE RN António Manuel Ribeiro Araújo, 25.º CFORN, desde 9.11.75;


(continua)

Fontes:
Texto compilado pelo autor do blogue com imagens da Revista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha 10.º e 15.º Vols, 1999/2004; Ordem da Armada;


mls

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

LFP "Albufeira" - P 1157


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Albufeira» - P 1157

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Março de 2011)




A LFP «Albufeira» a navegar no porto de Leixões


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite e a segunda da classe «Alvor», com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 9 de Junho de 1967 tendo sido atribuída ao Instituto Hidrográfico.

Por esse facto e após o período de adestramento da guarnição, permaneceu no Arsenal do Alfeite para montagem do equipamento electrónico de sondagem até 11 de Agosto desse ano. Iniciou serviço hidrográfico da zona costeira continental a partir desse mês. Ocasionalmente e até 1970, efectuou serviços de fiscalização da pesca na costa algarvia.

Em 21 de Setembro de 1972 foi superiormente decidido atribuir o navio ao Comando de Defesa Marítima de Timor. Por esse facto, subiu o plano inclinado do Arsenal do Alfeite onde foi pintado de branco, tendo sido retirada a peça Oerlikon e passando a designar-se por «Tibar».

Embarcou em 25 de Fevereiro de 1973 no navio holandês «Batjan» com destino a Timor, onde chegou a 8 de Abril, sendo atribuída àquele Comando de Defesa Marítima, provisoriamente em serviço de policiamento marítimo. Dadas as características do navio, a sua utilização esteve limitada pela não existência quer de portos de abrigo quer de pontos de apoio para reabastecimento na costa sul.




Timor - A LFP «Tibar» navega ao largo de Dili

Esses condicionamentos levaram a que a acção do navio incidisse especialmente na costa norte, nomeadamente na Ilha de Ataúro no enclave de Oe-cusse, zonas que, pela sua situação geográfica, se encontravam isoladas da restante província.

Dentro das limitações da lancha, foi prestado todo o apoio e colaboração possíveis no transporte de pessoal e de material militar, sempre que solicitado.

Em 23 de Abril de 1973, numa das viagens entre Dili e Ataúro, já junto desta ilha, sofreu avaria dos motores (o motor de arranque do motor principal de bombordo encontrava-se queimado), o que obrigou a que o navio ficasse inoperacional, devido aos fracos recursos oficinais a nível de sobressalentes.

Só voltou a navegar em Outubro desse ano, colaborando com uma barcaça de Timor num embarque, efectuado a seis milhas a oeste de Dili, de trinta e cinco chineses de Hong-Kong e dezasseis indonésios do navio «Norse Lion» que foram transportados para terra e entregues às autoridades sanitárias, a fim de serem assistidos.

Eram náufragos do navio «Anne Fortune» que tivera um incêndio a bordo quando navegava para Hong-Kong e que tinham sido recolhidos pelo «Norse Lion». Em 6 de Abril de 1974 voltou a prestar auxílio a náufragos, desta feita de uma embarcação indonésia que se encontrava sem vento e à deriva há cinco dias, sem água potável. Encontrava-se a cerca de 35 milhas da Ilha de Ataúro e transportava cento e sete pessoas.

Foi rebocada para a ilha onde todos os ocupantes foram assistidos. Em 26 de Agosto de 1975 participou no transporte das Autoridades Portuguesas do porto de Dili para a Ilha de Ataúro, tendo sido o último navio português a largar do cais de Dili, em cujas proximidades combatiam já as forças timorenses rivais. Seguiu para Kupang para reabastecimento no Timor indonésio, em 29 de Agosto. Encontrou grandes dificuldades no retorno que só se deu em 5 de Setembro para a Ilha de Ataúro.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Albufeira» os seguintes oficiais:

Reserva Marítima:

2TEN RM Gil da Costa, 24Jun67/04Nov68;

Quadro Permanente:

2TEN Orlando Luís Saavedra Temes de Oliveira, 04Nov68/12Nov69;

Reserva Naval:

2TEN RN Fernando Magalhães do Amaral Neto, 12.º CFORN, 12Nov69/15Jul70;
2TEN RN João José Carvalho Ghira, 15.º CFORN, 15Jul70/26Oou70;
2TEN RN José Filipe de Melo Castro Guedes, 16.º CFORN, 26Out70/24Out72;
2TEN RN Vasco Torres Graça dos Santos, 19.º CFORN, 24Out72/08Abr73;




Fernando do Amaral Neto-12.º CFORN, José Castro Guedes-16.º CFORN
e Vasco Graça dos Santos-19.º CFORN


Para a permanência do navio em Timor a lotação não previa um oficial pelo que o cargo de Comandante acumulou com o Comandante do Comando de Defesa Marítima de Timor.

Já com o nome de LFP «Tibar» foram ainda comandantes daquela LFP os seguintes oficiais:

Quadro Permanente:

CTEN Manuel Arsénio Velho Pacheco de Medeiros, 08Abr73/29Set73;
CTEN José Luís Ferreira Leiria Pinto, 29Set73/08Out75;

Depois de mais de 8 anos de bons serviços e horas de navegação indeterminadas, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 8 de Outubro de 1975.


Navios da mesma classe:
LFP «Alvor», LFP «Albufeira» e LFP «Alzejur”.

Fontes:
Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

sábado, fevereiro 10, 2018

Reserva Naval na Classe «Cacine»- Parte I


Os navios-patrulha classe «Cacine»-Parte I

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 19 de Junho de 2010)


Desta vez, em vez de abordar directamente um descritivo sobre a normal integração de oficiais da Reserva Naval nas guarnições dos navios da classe “Cacine”, entendo ter sentido tecer algumas considerações prévias.

São observações meramente pessoais e, como tal, subjectivas. Talvez devam ser consideradas como meras conjecturas filosóficas de um antigo oficial da Reserva Naval que desempenhou as funções de oficial imediato da LFG «Orion», na Guiné.

O decorrer do tempo tem vindo a criar-me uma acrescida predisposição para estabelecer comparativos entre os dois tipos de unidades navais e questionar algumas vertentes de menor entendimento pessoal. Congratular-me-ei com algum interesse que possa vir a despertar em quem integra, ou integrou, guarnições em navios da classe «Cacine».



O navio-patrulha «Cacine» a navegar

Em 1975, com o final da Guerra do Ultramar, houve como que um súbito desaparecimento de uma classe inteira de navios – os dez navios da classe “Argos”. Duas delas, as LFG’s “Cassiopeia” e “Sagitário”, muito degradadas e já algo canibalizadas, foram afundadas na Guiné, 104 milhas a oeste de Bissau.

Com as LFG «Lira» e «Orion» a navegar, as LFG «Argos», LFG «Dragão» e LFG «Hidra» rebocadas pelo «Schultz Xavier» e ainda as LDG «Alfange» e LDG «Ariete», todas estas unidades integradas na que foi apelidada de “Incrível Armada – Missão de Reboque”, foram escoltadas pela corveta «António Enes» até Angola. Ali foram entregues, desarmadas e abatidas, juntando-se às que lá estavam, as LFG «Pégaso» e LFG «Centauro» ou lá foram ter mais tarde, como a LFG «Escorpião».

Não houve adaptação progressiva ao envelhecimento das unidades atracadas, com desarmamento gradual por fases e abate progressivo numa rotineira habituação visual típica de uma base naval em que, mais dia menos dia, acabariam como sucata num ferro velho.

Dos navios–patrulha da classe «Cacine» foram fabricadas dez unidades, sucessores naturais das LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes da Classe «Argos», com igual número de unidades produzidas, arquitectura de construção muito semelhante e com as quais mantiveram ainda uma larga coexistência no tempo. Não cá, mas em África, sobretudo em Angola.



A LFG «Escorpião» a navegar nas águas de Cabo Verde

Excepção para a Guiné, onde os navios-patrulha «Quanza» e «Zambeze» efectuaram curtas comissões. O primeiro, entre Julho de 1973 e Outubro de 1974 com uma curta interrupção em que esteve em Cabo Verde. Regressou depois ao Continente. O segundo, em 24 de Abril de 1974 ali rumou tendo participado em diversas missões em Cacine, patrulhamento na costa e fiscalização da pesca. Em Maio regressou a Cabo Verde e ali permaneceu até regressar a Portugal em Fevereiro de 1975.

A primeira destas unidades, com aquele nome, foi aumentada ao efectivo em 6 de Maio de 1969. Era então Comandante Naval do Continente e da Base Naval de Lisboa o Vice-Almirante Ferrer Caeiro. Embora não recorde a cerimónia, foram muitas ao longo de dois anos, onde estive presente. Penso que terei estado no Arsenal do Alfeite uma vez que fui ajudante de ordens daquele oficial general durante aquele período de tempo.

Não tenho conhecimento do critério que presidiu à escolha e atribuição de nomes aos navios da classe «Cacine» mas, uma vez seleccionado o de rios das ex-províncias ultramarinas, eu teria escolhido um nome do mais emblemático teatro de guerra – a Guiné, de onde elegeria o Cacheu, por tudo quanto aquele curso de água significou, durante uma dúzia de anos, para todo o dispositivo naval da Marinha.

Existindo ao tempo, ainda no efectivo, uma corveta com o nome Cacheu, esse facto tornaria impeditiva a sua utilização. Parece-me excessivamente fácil optar por Cacine em segunda escolha talvez porque, depois do Cacheu, não havia outra alternativa válida na minha perspectiva de "utente” de uma LFG –Lancha de Fiscalização Grande, naquele cenário.




O navio-patrulha «Quanza» em S. Vicente de Cabo Verde

Justificam-no as muitas horas por nós ali navegadas, as arriscadas idas a Cameconde, as marcas dos ferros em quase todos os pontos do rio que permitiam fundear, um aquartelamento e povoação com o mesmo nome que sempre encontraram na Marinha o apoio para rechaçar as morteiradas da margem oposta, a ponta Campeane no Quitafine com a sinistra península de Canefaque, onde os ameaçadores “Canhões de Navarone” visavam frequentemente, de Cassumba e Cassantene, a entrada da barra do rio, obrigando a demandar a barra norte e com ocultação de luzes.

Começa a ser frequente tropeçar em quem não saiba o que é, e onde é, o rio Cacine, ou qualquer outro dos nomes escolhidos para os dez navios-patrulhas mas, para as guarnições das LFG, LDG, LFP, LDM, LDP, DFE e CF, de algumas fragatas, corvetas e navios hidrográficos, as águas daquele rio da Guiné e também dos outros cursos de água, guardam vivências únicas, povoando ainda hoje memórias históricas de factos ocorridos há quase meio século.

Raciocínio análogo se aplica para Angola, Moçambique, S. Tomé, Cabo Verde e Índia. A sequência de nomes de rios é natural. «Geba», ainda na Guiné, «Cunene», «Quanza» e «Zaire» em Angola, «Rovuma», «Zambeze», «Limpopo» e «Save» em Moçambique e «Mandovi» na Índia, ainda que não seja esta a ordem correcta por que foram aumentados ao efectivo dos navios da Armada aquele conjunto de unidades navais.

Ficarão para a história as atribulações da ortografia do nome do navio «Quanza» que, desde antes do aumento ao efectivo, tem sido de permanente controvérsia. Para quem pretenda um esclarecimento complementar, mesmo em locais de comunicação oficial, não será fácil rectificar ou ratificar quer "Quanza" quer "Cuanza". Afinal sempre são palavras homófonas e, para quem ouve, não existe qualquer diferença. Pessoalmente fico-me por "Quanza", como sempre escrevi.

Para navios de concepção tão semelhante aos da classe «Argos», nos planos de construção naval, nas características gerais, no armamento, nos equipamentos e máquinas propulsoras, sobressaem, nas diferenças, os cerca de seis metros adicionais do comprimento, fora a fora.



Guiné - A LFG «Orion» no rio Cacheu

Para missões idênticas e desempenhadas nos mesmos cenários e onde ainda coexistiram ambas as classes, caso específico de Angola, não será tão linear quanto isso, compreender o porquê da inclusão de mais um oficial, dois sargentos e três praças na guarnição.

Na Guiné, parece-me estar fora de causa qualquer comparativo no esforço exigido às guarnições, pelo tempo de permanência quer a bordadas quer em postos de combate, ou até à especial dificuldade das condições de navegação em muitos pontos do território. Não seria então escassa a guarnição das LFG «Argos»?

Frequentemente, quando são abordadas como tema as LFG da classe «Argos» a amplitude de conhecimento apenas chega com facilidade até às novas Lanchas de Fiscalização Rápidas «Argos». Mais remotamente, a confusão com a classe «Cacine» é inevitável. Convenientemente exposta, talvez uma miniatura em madeira de uma LFG «Argos», existente no Museu da Marinha e que já visualizei, pudesse auxiliar a memória histórica daquela época.


(continua)

Fontes:
Texto compilado peloo autor do blogue com imagens da Revista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha 10.º e 15.º Vols, 1999/2004; Ordem Da Armada, 1.ª Série;


mls

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Guiné, LFP «Aljezur» - P 1158


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Aljezur» - P 1158

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 10 de Março de 2011)




Guiné - A LFP «Aljezur» a navegar


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite e a terceira da classe «Alvor», com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Janeiro de 1968 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

Durante os anos de 1968 e 1969, até Maio deste último, desempenhou missões de fiscalização da pesca ao longo da costa algarvia e de apoio a navios hidrográficos. Rumou então à BNL na companhia da LFP «Alvor».

No Arsenal do Alfeite efectuou algumas transformações consideradas necessárias, designadamente o reforço do casco com chapa balística e a montagem de um lançador de foguetes de 37 mm.




Guiné - Máquinas a vante toda a força ou fundeada

Foi transportada para a Guiné a bordo do NM «Ambrizete» juntamente com a LFP «Alvor». Saiu de Lisboa em 3 de Setembro de 1969 e desembarcou em Bissau em 9 de Setembro desse mês, ficando atribuída à Esquadrilha de Lanchas da Guiné.

Iniciou missões de patrulha e fiscalização no rio Grande de Buba em 19 de Novembro de 1969. Efectuou diversas missões de escolta, transporte de material e de pessoal, de apoio a combóios de embarcações nos diversos rios da Guiné e de apoio ao navio hidrográfico «Pedro Nunes» no levantamento hidrográfico do rio Mansoa.

Em Julho de 1970, na sequência de fiscalização e patrulha do rio Cacheu, entre a foz do rio Armada e Canjaja, em apoio de emboscadas com botes efectuadas pelos DFE 7 e DFE 12, foi atacada da margem norte com morteiros e armamento ligeiro. A lancha ripostou com lança-foguetes, Oerlikon e MG 42 regressando a Bissau no dia seguinte com problemas nos veios. Mais tarde, depois de reparada a avaria, voltou à zona, tendo efectuado fogo de reconhecimento sobre áreas suspeitas sem que o inimigo se tenha revelado.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Aljezur» os seguintes oficiais:




José Joaquim de Sousa Ferreira Martins, 8.º CEORN, o primeiro comandante daquela unidade naval

Reserva Naval:

2TEN RN José Joaquim de Sousa Ferreira Martins, 8.º CEORN, 18Jan68/15Jul70;
2TEN RN João José Carvalho Ghira, 15.º CFORN, 15Jul70/27Mar71;
2TEN RN Carlos Manuel Martins Brites Moita, 14.º CFORN, 27Mar71/05Abr71;
2TEN RN João José Carvalho Ghira, 15.º CFORN, 05Abr71/21Ago71;
2TEN RN Carlos Manuel Martins Brites Moita, 14.º CFORN, 21Ago71/01Set71;
2TEN RN João José Carvalho Ghira, 15.º CFORN, 01Set71/10Fev72;

Quadros Permanentes:

CTEN Jorge Manuel da Conceição Ramos, 10Fev72/17Out73;
CTEN José Carlos Faria da Conceição, 17Out73/07Set74;

Durante a sua vida operacional, participou em diversas operações: "Via Láctea", "Volta Brandal", "Sol Nascente", "Quarto Minguante", "Guarda Patrão", "Lua Nova", "Verga Latina", "Quarto Crescente", "Primeiro Remo", "Mastro Grande", "Sol Poente" e "Vela Grande".




Guiné - A guarnição da LFP «Aljezur» em registo de família

A partir de 4 de Agosto de 1974 ficou inoperativa com problemas na instalação eléctrica. Depois de mais de 6 anos de bons serviços e quase 4.700 horas de navegação, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da mesma classe:

LFP «Alvor», LFP «Albufeira» e LFP «Aljezur”.


Fontes:
Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

sábado, fevereiro 03, 2018

Cartas trocadas - Reserva Naval, 8.º CEORN


Paulo Henrique Lowndes Marques e Augusto de Athayde Soares de Albergaria, foram dois integrantes do 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval que, em condições e cenários diversos, no longínquo ano de 1967, cumpriram o seu tempo de serviço militar na Marinha.
Ingressaram na Escola Naval em 9.10.1965 e foram promovidos a Aspirante a Oficial em 29.4.1966. Licenciados no posto de 2.º Tenente em 1968, regressaram à vida civil.




Em Angola, o primeiro e, em Lisboa, o segundo, foram os autores de uma troca de correspondência que reflecte estados de espírito bem diferentes, um e outro com curiosas observações que, sem qualquer comentário, a Revista da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, deu a conhecer passados que foram 33 anos.




Paulo Lowndes Marques (8º CEORN)
(21.8.1941 - 1.1.2011)


Angola, 1 de Março de 1967

Meu Caro Augusto,

Eis-me em pleno Rio Zaire, a uns 70 Km da foz deste grande rio. Comando um Posto denominado Macala, numa zona do rio onde este estreita. Não só vejo perfeitamente a outra margem, como distingo uma pequena aldeia e, indistintamente, as pessoas que nela se movimentam.

Contam-me os meus libidinosos fuzileiros que lá se encontra uma albina, o que algo excita os latinos deste lado, embora, francamente, a distância não o justifique. Mas no centro de África como em Pigalle, a imaginação é tudo!

O rio embora aqui estreito, como disse, parece ser mais profundo do que o Mediterrâneo! O Zaire é rio internacional até penetrar no Congo Kinshasa e o porto de Matadi é pois servido por este "canal" meu vizinho.

Tenho cerca de 35 homens (e não, helas, mulheres – quanto tempo demorará para o bom exemplo de Israel chegar aqui?) sob o meu comando. Tenho ordens por escrito segundo as quais este posto não se pode render.

Se for atacado, tenho a obrigação de morrer gloriosamente com tudo e todos. Medito muitas vezes (até porque há muito tempo para meditar) no dilema de um militar jovem e subalterno há seis anos (1961) na fronteira de Gôa.

Durante semanas o inimigo aumentou a pressão psicológica através da rádio e de óbvia concentração de tropas em frente do equivalente deste posto com o vai-vem de camionetas, a chegada de artilharia, o treino diário de cada vez mais homens, a prática dos morteiros. E eu com os meus trinta homens, por certo com armamento muito inferior.

Vem a madrugada do ataque – na última escuridão da noite ouviria (mantendo o paralelo com a minha situação) o barulho das Lanchas arrancando os seus motores, os primeiros morteiros caindo, tentando calcular o alcance certo.




Posto de Fuzileiros da Quissanga em 1967

Eu enviaria uma mensagem com prioridade para a minha chefia hierárquica e descobriria que eles, os meus chefes, já lá não estavam! Já tinham decampado, ou se rendido, ou sei lá?

E ali estava eu com as minhas ordens escritas, irredutíveis e patrióticas e os meus chefes desaparecidos! Julgo, sinceramente, que este abandono dos subordinados constitui a acusação mais grave aos comandos militares em Gôa quando da invasão.

Há bons e honrados precedentes históricos para ignorar e desobedecer ao poder político. O almirante russo que desobedecendo a ordens, ordenou a rendição geral na batalha de Tsuchima, por exemplo.

Enfim, estou a divagar. O rio corre com enorme força. Na época das chuvas chega a fazer sete milhas por hora. Se se sobrevoar a foz, o Zaire entra como um grande soco castanho no estômago do Atlântico Sul. Tenho cerca de 20 Km de rio à minha guarda.

Por vezes aparece uma mensagem alarmista – vem um corpo de um branco morto levado pelo rio. Além do desagradável que me escuso de te descrever (o que faz, por vezes, só darmos o alarme quando o dito já está no território do posto vizinho) o "branco" é invariavelmente um negro, pois a pigmentação escura descolora com a imersão prolongada – (para a tua sabedoria anatómica).

De resto muitas, algo rotineiras patrulhas. Por vezes (não nesta zona), há incidentes com pescadores furtivos que vêem a este lado. Nada mais. Não há guerra. Os crocodilos são bem mais perigosos, embora tenham muito mais medo de nós, que nós deles.

É claro que esta guerra mole e algo podre tem os seus perigos. A complacência e a rotina levam ao descuido e é então que um ataque ocorre. Em Nóqui, a montante de onde estou, o aeroporto fica distanciado uns quilómetros do quartel da tropa. Passaram os meses e sempre nada, as medidas prudentes de escolta e cuidados dos primeiros tempos foram-se diluindo no calor, na rotina e no abandalhamento. Depois veio o ataque e emboscada cuidadosamente preparados, deixando sete mortos!

Enfim!...O Posto da Macala é bonito, com flores trepadeiras cuidadas, buganvílias e vistas panorâmicas. Há muito tempo nas mãos. Leio muito. Finalmente li a "Guerra e Paz" de capa a capa.

É da lógica militar que um pelotão de trinta homens só tem dez para, de facto, ocupar em patrulhas. Sentinelas, cozinhas, reparação de botes, etc., etc., consomem a mão-de-obra. É de questionar se a "fixação" de militares, afinal treinados para actividades de maior intervenção, será a melhor forma de os aproveitar. Porque não trazer navios patrulha e lanchas a navegar neste rio como "postos flutuantes", usando assim todos os fuzileiros para patrulhar?

Recordo com saudade a nossa viagem a Cabo Verde, Açores e Madeira. Do pó e areia em São Vicente (os dois clubes de golf – um português, outro inglês – os "greens" algo castanhos!), do cenário lunar de Santo Antão, dum lado e do outro do verde tropical no fundo dos vales, da perdida fotografia do Raul Ventura numa repartição esquecida e do magnifico Café Mussolini. Não sei se visitaste o famoso Tarrafal. O Luandino Vieira que se recusava, com dignidade, diga-se em abono da verdade, a encontrar o "olhar" dos visitantes.




Escola Naval - Paulo Marques assina o Livro de Honra no decorrer de um encontro
entre elementos do 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval,
a convite do Comando daquela Instituição


E após o mau tempo e embates do mar à saída de Cabo Verde, a súbita e quase mágica visão do verde dos Açores. Bem se percebe a psicologia do Canto IX dos Lusíadas, embora, mais uma vez, helas, sem a substância do Canto tão querido dos escolares portugueses. E as nossas deambulações na Madeira, culminando com o civilizado chá no Reeds.

É curioso como uma farda nos solidariza. Enfim, percebi a lógica de uma farda de colégio. A farda e, em verdade, a proximidade de perigo que, na prática, só me recordo dos exames na Faculdade, período onde todos éramos amigos e nos conhecíamos de perto. Tu, bom aluno, decerto nunca experimentaste o receio do chumbo, mas acredita que, como dizia o Dr. Johnson sobre alguém que vai ser enforcado no dia seguinte, que "concentra a mente por forma admirável". Mas novamente divago.

Li algures e em tempos, que "a guerra é uma experiência de grandes períodos de ócio e maçada, intercalados por súbitos momentos de medo intenso, sem nada pelo meio". Confesso, conforme disse, que até agora tive bem mais medo de exames do que propriamente experiências de guerra.

Em verdade te diz este fuzileiro distante que te abraça com amizade.

«Paulo»




Uma patrulha de Fuzileiros no Rio Zaire






Augusto Athayde (8º CEORN)
(4.4.1941 - 25.2.2014)



Lisboa, 15 de Março de 1967

Caríssimo Paulo,

Muito obrigado pela tua carta de 1 deste mês, como sempre cheia de interesse pelos factos narrados e reflexões feitas. Ainda bem que os teus riscos de guerra não são os piores! Adiro por inteiro ao que dizes sobre o inconcebível abandono dos subordinados pelos chefes. Espero veementemente que tal nunca te venha a suceder!

De qualquer forma pergunto-me sempre: como irá tudo isto acabar? Mal, muito provavelmente… A paz celestial dos nossos primeiros anos, vividos nestes palmos de terra esquecidos e intactos durante a pior convulsão que a humanidade conheceu e de todos os seus horrores… vai bem longe.

Afinal os males das guerras só viriam a atingir a nossa geração mais tarde (sem, reconheça-se, as dimensões apocalípticas de Hiroshima e outros desastres indiscritíveis...) Mesmo assim, todos teríamos desejado entrar na idade adulta de outra forma… E eu estou-me a queixar "de barriga cheia".

A "minha guerra" na "nau de pedra" é...de papel e lápis. A Repartição de Justiça (é certo esmagada de trabalho) inclui: um Capitão de Mar-e-Guerra, um Tenente do Serviço Geral, um Sargento e três Marinheiros. E, é claro, os dois juristas da Reserva Naval: o Rui Machete e eu.

O serviço corresponde, como saberás, em receber Autos (toneladas de Autos), levantados pelas Unidades, estudá-los e, num bonito papel amarelo, emitir uma informação distinguindo entre o que é infracção disciplinar, (faltas que serão punidas pelo Almirante Superintendente, ao abrigo do RDM) e o que é crime, caso em que os Autos seguem para o tribunal de Marinha. Sem esquecer que há situações nas quais se acumulam infracções disciplinares com crimes e outros – mais raros – em que, depois do Auto bem examinado, se tem de concluir não haver nem uma coisa nem outra.

Já somos todos amigos, dentro desta sala pombalina, dividida por tabique e com janela para um pátio. Por baixo dessa janela existe um aparelho de "ar condicionado" que, – fazendo enorme ruído sem produzir nem calor nem frio – se considera que terá a função de nos impedir de esquecer o das máquinas dos navios...

O tema a que bem aludes da "ausência feminina" em Macala… leva-me, por associação de ideias, a contar que aqui, na Repartição de Justiça há, por vezes, visitas extremamente pitorescas e que eu, como "o mais novo" devo atender. Invariavelmente uma megera "à la portugaise", obesa, perna gorda, hálito pestilento e pêlo na venta, vem acompanhar uma mulherona nova (que receio já tenha dormido com metade da Armada...) para reclamar contra a lentidão do processo em que o grumete ou marinheiro X é acusado de ter estuprado a segunda.

A megera faz as despesas da gritaria, "Vocês estão é todos feitos uns com os outros! E olhe que a mim homens nunca me meteram medo, óviu! Nem fardas!!" (etc., etc.) Isto acompanhado de grandes punhadas no tórax (dela!). Eu tento fazê-la falar mais baixo: “olhe que está ali o senhor Comandante”

- “Pois que esteja. Quero lá saberi! O que vocês querem todos sei eu! (etc.,)!”

Finalmente invoca o testemunho da estuprada."Oh filha conta lá como é que aquele filho de puta te levou ao engano!” E a matulona: "Olhe, eu ia pr'a casa com uma pequena amiga e ali do outro lado (do Terreiro do Paço), vem ele por trás, encosta-se a nós, e vai logo pondo as mãos. Bem..., o senhor está a entender... E diz: Oh filhas: vocês são bem boas. Se se lavassem bem – (censurado) – todas!“ Etc., etc. Mantenho uma cara digna (com dificuldade) e asseguro que podem confiar na Justiça. A Repartição toda abafa (mal) o riso. Lá as vou acompanhando para fora. Penso, sinceramente, que qualquer dia quem leva uns socos sou eu! O que ainda não terá ocorrido devido à minha visível corpulência... Enfim, nota para a vasta temática "a mulher e a Armada"...

Uma curiosidade jurídica: descobri, no Código de Justiça Militar que, ao contrário do que nos tinham ensinado na Faculdade, a pena de morte ainda está em vigor neste país, para certos crimes militares, especialmente graves. Perguntarás: mas quando se aplica? Resposta: nunca! Como só poderia ser aplicada a autores de crimes cometidos em teatro de guerra, a "brandura dos nossos costumes" e, penso eu – principalmente razões políticas, levaram o Governo a considerar que as operações no Ultramar...são de polícia!...e não de guerra! logo...não há teatro de guerra...

Antes assim! Por esta vez, ao menos, houve o bom senso de não agravar um descontentamento que (as gerações mais velhas não se dão conta) vai crescendo imparavelmente. Que efeitos provocará esse descontentamento? Os mais variados, de certo. Bons, ou muitos bons, se ele for a alavanca, no futuro, de um grande espírito de reforma, justa, tolerante, feita em liberdade e equilíbrio. Maus, ou muito maus, se se desembocar nalguma grande ruptura revolucionária, ideológica e arrasadora.




Escola Naval - Augusto de Athaide assina o Livro de Honra no decorrer de um encontro
entre elementos do 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval,
a convite do Comando daquela Instituição


Enfim, não divaguemos…

Mas o menos que se pode dizer é que o futuro, para a nossa geração, é incerto. Só me parece evidente que o "modelo" actual não pode subsistir indefinidamente: ou evolui ou acaba...

Mas, passemos a coisas "menos pesadas". A longa batalha para pagar as dívidas dos meus pais, continua. Felizmente, aos poucos, e através dos episódios mais variados, vou avançando para o grande objectivo de se pagar tudo mesmo ficando sem nada mas de "cara lavada".

Agora, Paulo caríssimo: este é que é o verdadeiro curso de Direito!! Acho que até devia pagar por um mergulho assim nas realidades do Direito sobre as quais a Faculdade pouco ou nada nos disse! (Pagar? Mais ainda? Livra!!)
Afinal este é um "assunto pesado". Pesado também e, cada vez mais, está o meu filho Augusto. Parece alegre e esperto… (Olhos de Pai...) Oxalá "as fadas" tenham visitado o seu berço...

Em que mundo viverá quando tiver a nossa idade? Espero que faça a Marinha! (Cada vez mais aprecio esta instituição de rigor, seriedade, trabalho, ambiente civilizado. Penso que representa algo de, infelizmente, raro em Portugal).

(Ou, quando tiver a idade que hoje temos, o Augusto já só poderá optar pela...Marinha soviética?) Não posso ficar a escrever o resto da tarde...em cima destes Autos...porque acabo por chamar a atenção do senhor Tenente!!

Mas apetecia-me recordar também a nossa inesquecível viagem. Tocas nos pontos fundamentais. Lembras-te do momento em que, do convés da lancha que nos levou do Mindelo a Santo Antão, entre risos e solavancos, avistámos à chegada, pintada no exterior da pequena doca, em grandes letras, a célebre frase "havemos de chorar os mortos se os vivos o não merecerem"...

Nada mais dissonante naqueles confins do mundo, na paisagem desértica daquela ilha, ainda por cima em paz absoluta, do que aqueles dizeres "épicos"… inutilmente virados para um imenso mar vazio...

Recordámos, como recordarás, a célebre tirada mussoloniana pintada nos mais remotos recantos dos desertos da Líbia e da Abissinia - "Molti n'mici molto onore"...(Não sei se se escrevia assim). E o "Café Mussolini", na Costa Oeste de Santo Antão? Dizes bem: é um nome… inesperado... Alguma vez se conseguirá descobrir a sua origem?

Termino no terraço do "Reid's" e no grande momento, que evocas tão bem, daquele "chá" civilizado, com o grande fim de dia sobre o Funchal. Uma grande recordação, de certo vitalícia. Entre tantas outras boas que essa viagem deixou!

Voltando ao presente: cuidado com a "paz podre"!! Não te "descuides"!! Mas escreve sempre!

O maior abraço do Augusto

PS - Não conseguirás filar a pele de uns crocodilos, para uma pasta para ti e uma carteira que alguma menina certamente apreciaria muitíssimo? Umas caçadas bem se integrariam na insólita (e, para mim, falsa...), frase de Malraux: " Les guerres sont les vacances de la vie".




Fontes:
Fotos de arquivo e compilação do autor do blogue a partir de artigo publicado no n.º 12 da revista da AORN- Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Dezembro 2000;


mls

domingo, janeiro 28, 2018

Guiné, LFP «Alvor» - P 1156


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Alvor» - P 1156

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Março de 2011)




Antes de embarcar para a Guiné, a navegar ao largo de Cascais


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite e a primeira da classe «Alvor», foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 9 de Junho de 1967 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando em 27 do mesmo mês.

Durante os anos de 1968 e 1969, até Maio deste último, desempenhou missões de fiscalização da pesca ao longo da costa algarvia e de apoio a navios hidrográficos. Rumou então à BNL, tendo efectuado reparações e rotinas de manutenção no Arsenal do Alfeite.

Foi transportada para a Guiné a bordo do NM «Ambrizete» juntamente com a LFP «Aljezur». Saiu de Lisboa em 3 de Setembro de 1969 e desembarcou em Bissau no dia 9 desse mesmo mês, ficando atribuída à Esquadrilha de Lanchas da Guiné.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:




Iniciou missões de patrulha e fiscalização no rio Grande de Buba em 19 de Novembro de 1969. Em 1 de Março de 1970, numa das suas missões de fiscalização e patrulha no rio Cacheu, à passagem pela foz do rio Baião foi atacado pelo IN com “bazooka”, morteiro, armamento ligeiro e provável canhão sem recuo.

O navio ripostou prontamente com metralhadora a Oerlikon de 20 mm, lança foguetes de 37 mm e MG 42 7.62 mm, uma vez que navegava em postos de combate, tendo o inimigo diminuído substancialmente o ritmo de fogo e o rigor da pontaria. Ao fazer nova passagem pelo local, já na companhia da LFG «Lira», abriu fogo mas não obteve resposta. Não foram registados estragos ou baixas.

Novamente no rio Cacheu, em 23 de Maio desse ano, entre a foz do Jagali e o Tancroal, foi atacada pelo IN por uma rajada longa de metralhadora seguida duma saraivada de "bazookadas" e morteiradas, através de duas aberturas existentes no tarrafo naquela zona, sem contudo ter sido atingido o navio. Foram assinalados, pelo menos, o rebentamento de dez projécteis de "bazooka" e seis morteiradas que deflagraram próximo do navio.




Guiné - No rio Cacheu, amarrada ao tarrafo

A guarnição reagiu prontamente, ainda que apanhada de surpresa por não se encontrar a navegar em postos de combate por o local não ser considerado perigoso. Invertendo de imediato o rumo e fazendo mais três passagens, flagelou o local, não obtendo qualquer resposta da margem de onde foi desferido o ataque.

Efectuou diversas missões de escolta, transporte de material, pessoal e apoio a comboios de embarcações nos diversos rios da Guiné. Durante a vida operacional participou em diversas operações; "Volta Brandal", "Sol Nascente", "Quarto Minguante", "Satélite Dourado", "Guarda Patrão", "Ursa Menor", "Verga Latina", "Quarto Crescente", "Sol Poente" e "Vela Grande".




José Pires de Lima - 4.º CEORN e Luis Caldeira Pinto - 12.º CFORN.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Alvor» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN José Augusto Paes Pires de Lima, 4.º CEORN, 27Jun67/26Nov68;
2TEN RN Luís Manuel Caldeira Pinto, 12.º CFORN, 26Nov68/26Out70;
2TEN RN Francisco Picão Barradas, 12.º CFORN, 26Out70/15Jul72;
2TEN RN Emídio Branco Xavier, 19.º CFORN, 15Jul72/19Abr74;
STEN RN Artur Augusto Leal Mimoso, 22.º CFORN, 19Abr74/07Set74;




Francisco Picão Barradas - 16.º CFORN, Emídio Branco Xavier - 19.º CFORN e Artur Leal Mimoso - 22.º CFORN.

Depois de mais de 7 anos de bons serviços e mais de 2.700 horas de navegação, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios desta classe:

LFP «Alvor», LFP «Albufeira» e LFP «Alzejur».


Fontes:
Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, 2005; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Guiné, LFP «Procion» - P 1153


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Procion» - P 1153

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Fevereiro de 2011)




A LFP «Procion» a navegar no porto de Lisboa


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 17 de Maio de 1968 e depois transportada para a Bissau por um navio mercante, juntamente com a LFP »«Arcturus», onde chegou em 2 de Julho daquele ano.

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a décima primeira de um grupo de 13 unidades que constituíram a classe «Bellatrix».

Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Este tipo de alterações em elementos da construção, bem visíveis a partir da LFP «Arcturus», fez questionar o motivo por que terá sido aumentada ao efectivo como pertencendo à mesma classe. As principais diferenças podem ser visualizadas em:


Ainda que se tenha iniciado em patrulhas de rotina em Julho de 1968, a sua vida operacional passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – Operação "Via Láctea".

Durante o ano de 1969 esteve por diversos períodos inoperativa a fim de efectuar pequenas e grandes reparações passando o fim do ano em fabricos, atracada no porto de Bissau e até Fevereiro de 1970.

Em 15 de Março de 1970, durante uma acção de patrulha no Cacheu entre a foz do rio Armada e a foz do rio Canjaja com apoio a actividade operacional dos DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais, foi atacado pelo IN, na clareira de Barro, com armas pesadas, provocando danos no costado e sistema propulsor. Após o ataque seguiu para Ganturé com problemas nos veios e nos hélices mas acabou por regressar a Bissau.

Numa das operações relacionadas com uma outra, “Volta Brandal”, depois de patrulha nocturna no porto de Bissau e em manobra de aproximação, colidiu com a LDM 410 não tendo esta ficado com quaisquer danos mas deixando o navio com os vergueiros da proa partidos e a chapa rasgada, no local onde assenta a castanha.

Durante a sua vida operacional, participou em diversas operações: “Andrómeda”, “Plutus”, “Volta Brandal” , “Lua Nova”, “Lua Cheia”, “Sol Nascente”, “Guarda Patrão” , “Satélite Dourado”, “Quarto Minguante”, “Mastro 3”, “Verga Latina”, “Sol Poente”, “Quarto Crescente” e “Rumo Perene”.




Guiné - A LFP «Procion»

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Procion» os seguinte oficial dos Quadros Permanentes:

2TEN José Manuel Belo Varela Castelo – 17MAI68/02MAR70

Durante todo o mesmo período foram comandantes da LFP «Procion» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Carlos Manuel Martins Brites Moita, 14.º CEORN,02Mar70/30Set71;
2TEN RN Eduardo Germano Madeira Ricou, 18.º CFORN, 30Set71/30Jul73;
2TEN RN José Carlos dos Santos Borges, 19.º CFORN, 30Jul72/07Set74;




Eduardo Madeira Ricou e José Carlos Borges

Depois de mais de 6 anos de bons serviços e 1900 horas de navegação, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da mesma classe «Bellatrix»:

LFP «Bellatrix», LFP «Canopus», LFP «Deneb», LFP «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Pollux», LFP «Rigel», LFP «Altair», LFP «Arcturus», LFP «Aldebaran», LFP «Sirius» e LFP «Vega».


Fontes:
Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Lisboa, 1992; texto e fotos de arquivo do autor do blogue e da Revista da Armada;


mls

sábado, janeiro 20, 2018

Reserva Naval ou Velho do Restelo?


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Janeiro de 2011)

7 anos depois...





No ano que findou foram múltiplas as mensagens com “avisos à navegação” para o ano decorrente, sobre perigos e guerras económicas muito esforçadas, de gente que pouco tem edificado num reino em que já nada se sublima.

No naufrágio desta lusitana história mal contada, em mar varrido por ventos sociais e económicos adversos, enfunam-se velas garridas pintadas de cores políticas diversas, para que cidadãos menos informados embarquem em cruzeiros sem destino, iguais aos anteriores.

Desesperadamente iguais, sem rumo e sem porto de chegada. Cresce a multidão de órfãos de Valores, Família e Cidadania, agarrados às “balsas salva-vidas” largadas no mar pelas Nossas Senhoras padroeiras da Inovação, da Produtividade e da Competitividade. Que a todos hão-de valer nestes difíceis tempos de indispensáveis Fé e Esperança.

Pelo caminho, arrastadas pelas águas revoltas, debatem-se contra os habituais piratas dos mares financeiros, a Memória e História de um Povo, agora tornadas pesadelo pela inépcia, incompetência e corrupção. Com a colaboração da máquina do tempo que tudo esfuma e apaga.

Mais de meio século decorrido sobre o nascimento da Reserva Naval da Marinha de Guerra Portuguesa, em 1958, formando uma primeira geração de 1.712 oficiais daquela classe até ao ano de 1975, com tão activa como significativa participação na então Guerra do Ultramar justificava-se, sem reservas, um maior empenhamento individual e colectivo de todos, incluindo o da Instituição, na preservação da memória histórica daquele período.

Assim não tem sido!

São escassas e limitadas as abordagens pessoais e institucionais a um período histórico que parece desejar-se esquecido. Aquela geração de oficiais da Reserva Naval, tornados homens pelo tão imprevisto quanto obrigatório chamamento à participação numa guerra em que desempenharam todo o tipo de funções, mostrou estar à altura das missões de que foram incumbidos, ao serviço do País em que acreditaram.

Com o final dos conflitos e o reconhecimento da independência daqueles Estados africanos, a retirada dos territórios de Moçambique, Angola, S. Tomé e Príncipe, Guiné e Cabo Verde condicionou fortemente a retracção do dispositivo naval, obrigando ao redimensionamento e redefinição das suas vocações próprias e prioridades operacionais específicas.

Os CFORN – Cursos de Formação de Oficiais da Reserva Naval, interrompidos durante o ano de 1975, em que não teve lugar qualquer curso, foram retomados em 1976.

Até ao final do primeiro trimestre de 1992 foram formados mais 1.886 oficiais de várias classes, o que expressa um significativo aumento do número de admissões relativamente ao anterior período de 1958 a 1974, para um idêntico número de 16 anos decorridos.

Contrariamente ao que seria de esperar e para suprir necessidades de formação, a Marinha recorreu em crescendo ao exterior, sobretudo em áreas de marcada especialidade, socorrendo-se de diversas Universidades.

Assim, durante aquele espaço temporal, foram realizados 78 CFORN, repartidos pelas Escola Naval e Escola de Fuzileiros, correspondendo aos 1.886 oficiais da Reserva Naval acima referidos.

Considerada a separação por classes, foram admitidos 415 cadetes da classe de Marinha, 11 cadetes da classe de Construção Naval, 249 cadetes da classe de Médicos Navais, 11 cadetes da classe de Farmacêuticos Navais, 484 cadetes da classe de Especialistas, 50 da classe de Técnicos e 666 da classe de Fuzileiros. Os números e as questões que subjacentemente podem ser colocadas são sugestivos.

Trata-se de um universo de 3.598 Oficiais da Reserva Naval!

O final do primeiro trimestre de 1992, tido como o final da Reserva Naval que o não foi ainda efectivamente, é um marco decorrente da aplicação definitiva da nova Lei do Serviço Militar 30/87 com as alterações subsequentes que a tornaram aplicável a partir de finais de 1991.

As novas classificações de RV – Regime de Voluntariado e RC – Regime de Contrato, mais não foram que “máscaras” de uma antiga Reserva Naval modernizada e adaptada às circunstâncias exigidas.

Parece justo questionar o esquecimento a que estão votadas três décadas, desta extensa e rica parcela da História da Marinha da segunda metade do século passado, considerando como limite oficial de “existência” da Reserva Naval o ano de 1992. Que integra, além da memória histórica dos referidos 3.598 oficiais, também as das guarnições de inúmeras Unidades Navais e Serviços em terra que com eles privaram e conviveram.

Destaque especial para os que serviram nos teatros de guerra em que os dispositivos navais incluíam Avisos, Fragatas, Corvetas, Navios Hidrográficos, Navios-patrulha, LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, LDG – Lanchas de Desembarque Grandes, LDM – Lanchas de Desembarque Médias, LDP – Lanchas de Desembarque Pequenas, Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros e ainda Unidades e Serviços em terra.

Quando comparada com a do ano precedente, dificilmente este ano poderá significar uma travessia melhorada na defesa dos valores culturais adquiridos, na construção da memória histórica a que o país e todos têm direito e na prossecução de acções inovadoras que visem a continuidade do espírito Reserva Naval e da sua memória histórica.

Com a consciência plena do que atrás afirmo e ciente da diminuta quota parte de responsabilidade que a mim me cabe, continuarei determinadamente empenhado, honrando a memória dos que vão deixando o nosso convívio, chamados que foram para o embarque da última comissão de serviço para que estamos todos mobilizados.


...continuarei, não até que a minha mão me doa mas até que o teclado se parta!

Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Anuário da Reserva Naval 1976-1992, Manuel Lema Santos, Lisboa, 2011;


mls

quinta-feira, janeiro 18, 2018

19.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Set1971


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Julho de 2010)



Listagem completa do 19.º CFORN.




Escola Naval – Juramento de Bandeira do 19.º CFORN.


Foi o segundo curso realizado no ano de 1971 que, a exemplo de anos anteriores seria assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval.

O 19.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, foi alistado em 19 de Setembro de 1971 e concluiu-se a 12 de Abril de 1972.

Foram incorporados 115 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 23 cadetes na classe de Marinha, 1 cadete da classe de Médicos Navais, 6 cadetes da classe de Engenheiros Maquinistas Navais, 32 cadetes da classe de Administração Naval, 28 cadetes na classe de Fuzileiros e 25 cadetes na classe de Técnicos Especialistas.




Emídio Branco Xavier, LFP «Alvor», Francisco Luis Ramalho do Nascimento, LFP «Júpiter», Virgílio Manuel da Cunha Folhadela Moreira, LFP «Aldebaran» e Vitor António Morgado Ferreira Mota, LFP «Vénus»

Foi, de todos os cursos realizados entre 1958 e 1975 o mais numeroso, tendo contribuído para isso a classe de Administração Naval, a maior de sempre. Contribuiram também significativamente as classes de Técnicos Especialistas e Fuzileiros. A Marinha dedicava mais atenção às áreas de formação técnica, gestão e instrução.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos e foi Director de Instrução o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.




O Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos, Comandante da Escola Naval e o Director de Instrução, Capitão-de-Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Técnicos Especialistas, José Domingos Maria Rosa. Este prémio destinava­-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete TE RN José Domingos Maria Rosa, Prémio Reserva Naval

Em Julho, tinha sido iniciada a publicação da Revista da Armada, destinada essencialmente à divulgação interna das actividades da Marinha e que se tornou numa fonte documental indispensável para o conhecimento institucional da Armada.

Durante o ano de 1971, para a prossecução do plano de modernização da Marinha, conjuntamente com a necessidade de reforçar os meios navais empenhados na Guerra do Ultramar, foram aumentados ao efectivo dos navios da Armada o navio-patrulha «Zaire» e a LDG «Alabarda». Em 1972, vieram ainda reforçar aquele dispositivo a LF «Sabre», o navio balizador «Schultz Xavier», o navio-patrulha «Zambeze» e o navio hidrográfico «Almeida Carvalho».

No decorrer do mesmo ano de 1971, foram abatidos ao mesmo efectivo a fragata «Nuno Tristão», o caça-minas «Santa Maria», o navio-patrulha «Santo Antão» e a LFP «Tete» e, em 1972, seguiram idêntico destino as fragatas «Álvares Cabral» e «D. Francisco de Almeida», e as LFP «Canopus», LFP «Deneb» e LFP «Algol».

Muitos oficiais da Reserva Naval desempenharam missões e viriam a fazê-lo nestes navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, todos eles tendo representando um papel relevante na História da Reserva Naval. Relevante o facto de terem ficado a desempenhar missões no Continente e Ilhas 76 oficiais deste curso.

Houve uma normal mobilização dos elementos deste curso como Comandantes, Oficiais Imediatos de navios, Oficiais de Guarnição, integrando Companhias e Destacamentos de Fuzileiros ou Unidades e Serviços em terra, tendo sido designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:

Guiné (20 Oficiais):

2TEN RN Alfredo Augusto Cunhal Gonçalves Ferreira, LFG «Sagitário»;
2TEN RN José Manuel Soares Dionísio, LFG «Sagitário»;
2TEN RN Emídio Branco Xavier, LFP «Alvor»;
2TEN RN Virgílio Manuel da Cunha Folhadela Moreira, LFP «Aldebaran;
2TEN RN José Aparício dos Reis, LFG «Cassiopeia»;
2TEN RN José Alfredo Queiroga de Abreu Alpoim, LFG «Argos»;
2TEN RN Luís Alberto Moreira Pires e Pato, LDG «Alfange»;
2TEN AN RN José Manuel do Nascimento e Oliveira Covas, CDMGuiné;
2TEN AN RN Miguel Ângelo da Cunha Teixeira e Melo, CDMGuiné;
2TEN FZ RN António Patrício de Sousa Betâmio de Almeida, CDMGuiné;
2TEN FZ RN José Manuel Correia Pinto, CDMGuiné;
2TEN FZ RN Celestino Augusto Froes David, CF 12;
2TEN FZ RN João Pedro Tavares Carreiro, CF 2;
2TEN FZ RN Manuel Maria Romãozinho Alves Ferreira, CF 2;
2TEN FZE RN João Carlos Cansado da Costa Corvo, DFE 22;
2TEN FZE RN José Manuel de Carvalho Passeira, DFE 22;
2TEN FZE RN João Frederico de Saldanha de Carvalho e Meneses, DFE 21;
2TEN FZE RN Manuel Maria Peralta de Castro Centeno, DFE 21;
2TEN FZE RN José Manuel da Silva Morgado, DFE 12;
2TEN FZE RN Luís Pereira Coutinho Sanches de Baena, no DFE 12;




Visita do Comandante da Defesa Marítima da Guiné, Comodoro Moura da Fonseca, à Tabanca Nova da Armada. Visíveis, da esquerda para a direita: 2TEN FZE RN Rodrigues da Hora (11.º CFORN), STEN FZE RN Carvalho e Meneses (19.º CFORN), STEN FZE RN Carvalho Passeira (19.º CFORN), STEN FZE RN Castro Centeno (19.º CFORN) e Comodoro Moura da Fonseca.



Em 24 de Janeiro de 1971 foi comunicado ao país o veredicto com que a Assembleia Nacional Guineense, eleita em “Tribunal Revolucionário Supremo”, castigou os réus implicados nos acontecimentos de 22 de Novembro de 1970, consequência da operação “Mar Verde” à Guiné-Conakry. Foram condenados à morte 91 pessoas, 66 a trabalhos forçados perpétuos e confiscados todos os bens dos condenados. Foram expulsas do país 16 mulheres.

No decorrer do ano de 1971, em 9 de Junho, pelas 21:45 foi efectuado o primeiro ataque do PAIGC a Bissau. A cidade foi flagelada com foguetões 122 mm.

Em Agosto a Rádio Senegal passa a difundir programas do PAIGC em português utilizando, para tal, uma locutora feminina de voz agradável que ficou conhecida pelas Forças Armadas como a Maria Turra. Divulgava notícias de guerra falsas ou extraordinariamente exageradas, atacando sempre a presença dos colonialistas portugueses na Guiné.

No plano internacional a hostilidade à política portuguesa aumenta mesmo nos países com os quais Portugal mantém excelentes relações. O governo norueguês decide contribuir com um milhão de coroas para ajuda humanitária ao PAIGC, enquanto em Cannes se realizava o festival de cinema, sendo exibidos durante o certame filmes do PAIGC e da Frelimo.




Heli-assalto efectuado pelo DFE 21 na região do Cubisseco.

Em Novembro do mesmo ano é activado o DFE 22 o segundo Destacamento de Fuzileiros Especiais Africanos da “Série 20”, no Centro de Preparação daquela cidade e comandado pelo 1TEN Rebordão de Brito.

Em Abril de 1972 o PAIGC volta a flagelar, desta vez a cidade de Bolama, durante cerca de dez minutos com foguetões de 122 mm.

A partir de Julho foi lançada uma grande operação na zona do Cubisseco e Pobreza com a finalidade de ali instalar uma base que viria a ser denominada como “Tabanca Nova da Armada”. A região passou a ser sistematicamente flagelada, os resultados obtidos não surtiram os efeitos desejados e o aquartelamento foi desactivado em Novembro.

Numa entrevista ao jornal do Cairo, Amílcar Cabral declara que “num futuro próximo anunciaria a criação de um novo Estado e que a luta pela libertação nacional do povo da Guiné-Bissau era amplamente apoiada pela opinião pública progressista mundial”. Afirmou também que o PAIGC fora reconhecido como representante legítimo do povo da Guiné-Bissau por muitas organizações internacionais.



Cabo Verde (1 Oficial):

2TEN RN José Manuel da Veiga Ferreira na LFP «Dom Jeremias»;




O N/M «Pátria» navega nas águas de S. Tomé e Príncipe


Angola (7 Oficiais):

2TEN RN Vitor António Morgado Ferreira Mota, LFP »Vénus»;
2TEN MN RN António d'Orey Soares Franco no Comando Naval de Angola, CF 3;
2TEN FZ RN Francisco Xavier Vaz de Almada, CF 3;
2TEN FZ RN Pedro Manuel Carvalho Lopes, CF 3;
2TEN FZ RN José Maria Corte-Real Pimenta, CF 5;
2TEN FZ RN José António de Oliveira Rocha de Abreu, CF 7;
2TEN FZ RN Luís Augusto Loureiro Nunes, CF 4;




1967, Baía de Luanda - No cais das INIC, atracados, a fragata «Nuno Tristão», a LFG «Pégaso», o navio hidrográfico «Carvalho Araújo» e navios-patrulha classe «Príncipe»; ao fundo, a Messe de Oficiais



A República do Congo continuava a apoiar o movimento político-subversivo FNLA-GRAE com larga visibilidade exterior. Por ocasião de uma visita do presidente Mobutu foi salientada a contribuição congolesa e senegalesa para «extirpar da terra africana todas as práticas aviltantes e de sujeição do homem africano».

A Zâmbia mantinha com Portugal um tom político de fria hostilidade, acusando o nosso país de estar a impor um bloqueio ao escoamento das suas exportações através do porto da Beira. Contrariando as declarações de intenção de uma política de boa vizinhança e de não ingerência interna nos assuntos de outras nações, o governo da Kaunda apoia os movimentos subversivos do MPLA e também da UNITA.

Em Dezembro de 1972 a situação internacional era caracterizada pot um evidente esforço por parte dos países africanos no sentido de alcançarem um maior progresso geral, recebendo para o efeito auxílio estrangeiro tanto do bloco ocidental como do bloco comunista, o que permitia aos países mais industrializados (França, Grã-Bretanha, Estados Unidos da América, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e República Popular da China) manter intacto o peso da sua influência em África.




A LDM 402 no rio Zaire

No campo económico os países africanos continuavam dependentes não só das exportações das suas matérias-primas para os países industrializados mas também da importação de capitais e equipamentos, essenciais para alcançarem uma relativa independência económica.

A unidade africana revelava então uma apreciável coesão, mostrando-se unânime quer em condenar Portugal, Rodésia e República da África do Sul quer em aprovar resoluções com vista a provocar o seu isolamento no contexto internacional.

As acções armadas inimigas no teatro de Angola tinham vindo a diminuir francamente no ano de 1972 em relação ao ano anterior, salvo ligeiro crescimento no recurso à colocação de engenhos explosivos. No enclave de Cabinda a situação encontrava-se calma sem iniciativa de acções bélicas, o mesmo se passando tanto no norte como na frente leste. Somente o Cuango revelava ligeiro aumento de actividade.



Moçambique (7 Oficiais):

2TEN RN João Manuel Gomes de Sousa, LFP «Sirius»,
2TEN RN Jorge Manuel da Silva e Noronha Falcão, Comando Naval de Moçambique;
2TEN AN RN António Ferreira, Comando Naval de Moçambique;
2TEN RN Octaviano António de Oliveira Saraiva, LFP «Vega»;
2TEN RN Pedro de Castro Vaz Pinto, LFP «Sabre»;
2TEN RN Francisco Luis Ramalho do Nascimento, LFP «Júpiter»;
2TEN FZE RN Pedro Segismundo Pereira do Vale Teixeira, DFE 11;




Lago de Niassa - LFP atracadas ao cais das lanchas na Base Naval de Metangula

No decorrer do ano de 1971, na comunidade internacional, embora a maioria das organizações manifestassem de forma declarada tendências e simpatias pelos movimentos pró-independentistas dos povos ditos “colonizados”, outras havia que não deixavam de mostrar lucidez no meio dos ventos confusos que varriam os territórios de África. É assim que o Conselho Geral das Igrejas da Grécia, após uma reunião com o governo daquele país, decidiu condenar o Conselho Mundial das Igrejas pelo seu fundo de apoio aos terrorista em África.

Entretanto, o Conselho Mundial das Igrejas continuava a encarniçar-se contra Portugal desenvolvendo intensa actividade de apoio aos movimentos subversivos, não contando porém com o apoio generalizado das organizações religiosas.

Em Maio, mantinha-se a possibilidade pouco provável do Reino Unido, por sua iniciativa ou em nome das Nações Unidas, vir a tentar apoderar-se do porto e aeroporto da Beira, como testa de ponte para o lançamento de operações no interior da Rosésia.




No norte de Moçambique(região de Porto Amélia)a LDG «Cimitarra» desembarca material do Exército

O cenário internacional sofre entretanto significativa evolução: a Inglaterra assina um acordo que concede a independência à sua antiga colónia da Rodésia, permitindo no entanto a continuação da supremacia branca no país liderado por Ian Smith, facto que foi fortemente contestado pelos “nacionalistas” negros da Rodésia e de todo o Continente africano.

No entanto, a Grá-Bretanha continua a manter uma fragata no Canal de Moçambique, apoiada por um navio auxiliar, controlando o acesso aos portos da Beira.

Enquanto isso, os países originários das antigas colónias europeias mantêm forte investida junto da opinião pública mundial contra a presença portuguesa em África e fazem aprovar na ONU em 28 de Setembro de 1972 uma moção que propõe a admissão de delegados de organizações terroristas como observadores da Comissão de Descolonização. Portugal protesta, afirmando não participar nos trabalhos da ONU onde estivessem presentes representantes daquelas organizações. Posição idêntica é tomada pela África do Sul.



Continente, Ilhas e Outras Unidades (76 Oficiais):

2TEN RN António Ladeira dos Santos, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN EMQ RN Armando da Silva Neves, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN TE RN Armando Caeiro da Cunha, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN TE RN José Carlos Guedes de Almeida Rodrigues da Costa, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN TE RN José Eduardo do Amaral Netto de Aguiar, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN RN António Miguel Forjaz Pacheco Trigueiros, Comando Naval do Continente;
2TEN RN João Manuel Abreu Dinis Esteves, Secretariado Geral da Defesa Nacional;
2TEN AN RN Pedro Manuel Branco Ferraz da Costa, Secretariado Geral da Defesa Nacional;
2TEN TE RN Fernando Carlos do Amaral Pinto Bastos, Secretariado Geral da Defesa Nacional;
2TEN RN José Manuel Moura Alves Lírio, Instituto Hidrográfico;
2TEN AN RN João António Morais da Silva Costa Pinto, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Augusto José dos Santos Fitas, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Francisco Ascenso Machado, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Joaquim Lopes Pissarra, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Leonel Baltazar Duarte Canelas, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Luís Filipe Galante Moreira Pedrosa, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Miguel Maria Jonet de Azevedo Coutinho, Instituto Hidrográfico;
2TEN TE RN Vasco Manuel Quintino Pampolim dos Santos, Instituto Hidrográfico;
2TEN RN José Martinho Guedes Barbosa dos Santos, Grupo N.º 2 de EA;
2TEN AN RN António Maria Viegas Anjos, Grupo N.º 2 de EA;
2TEN FZ RN Manuel dos Santos Tomásio, Grupo N.º 2 de EA;
2TEN RN José Carlos Freire Dias Correia, fragata «Hermenegildo Capelo»;
2TEN RN Luís Miguel da Conceição Alves, Direcção do Serviço de Instrução;
2TEN RN Mário Sam Bento Menezes, Direcção do Serviço de Instrução;
2TEN RN Vasco Torres Graça dos Santos, navio-patrulha «Limpopo»;
2TEN EMQ RN Carlos Frederico Teixeira Kessler, Coordenação de Publicações Técnicas;
2TEN EMQ RN Fernando Sérgio de Abreu Duarte Fonseca, navio-patrulha «Porto Santo»;
2TEN EMQ RN Hélder dos Santos Trindade, DG dos Serviços de Fomento Marítimo;
2TEN EMQ RN João Pedro da Veiga Ilharco de Moura, DG dos Serviços de Fomento Marítimo;
2TEN AN RN Joaquim Manuel da Silva Neves, DG dos Serviços de Fomento Marítimo;
2TEN AN RN José do Rosário Catarino, DG dos Serviços de Fomento Marítimo;
2TEN EMQ RN José Manuel Marques Gonçalves Gomes na fragata «Comandante Roberto Ivens»;
2TEN AN RN Agostinho Andrade Oliveira, Direcção do Serviço de Abastecimentos;
2TEN AN RN Amílcar Augusto Contel Martins Theias, Direcção do Serviço de Abastecimentos;
2TEN AN RN Luís Filipe Ferreira Simões, Direcção do Serviço de Abastecimentos;
2TEN AN RN Manuel Heleno Sismeiro, Direcção do Serviço de Abastecimentos;
2TEN AN RN Nuno António Ribeiro de Bessa Lopes, Direcção do Serviço de Abastecimentos;
2TEN AN RN António Pedro de Oliveira Maia, DSEC;
2TEN AN RN Carlos Jorge Cardoso de Resende, DSEC;
2TEN AN RN Jerónimo Paulo Alves Ferreira, DSEC;
2TEN TE RN Artur Manuel Anjos Lourenço, DSEC;
2TEN TE RN David Manuel Monge da Silva, DSEC;
2TEN TE RN José Domingos Maria Rosa, DSEC;
2TEN AN RN António Casimiro Baixinho Bacelos, CA Administração Central da Marinha;
2TEN AN RN António Fernando de Jesus Nabais, CA Administração Central da Marinha;
2TEN AN RN António José Mendonça Pinto, Estado-Maior da Armada;
2TEN AN RN Eduardo da Silva Martins, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Fernando Maia Pereira da Costa, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Fernando Dias de Almeida, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN José Carlos Queiroz Pinheiro Henriques, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Luís Filipe Torres Sobral, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Pedro João Reis de Matos Silva, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Rui Bebiano de Sá Viana Rebelo, Int. Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Fernando José de Lemos Dias dos Santos, Esquadrilha de Submarinos;
2TEN AN RN Orlando Pinguinha Caliço, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Fernando Carlos Monteiro da Silva, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN João Nuno Ferreira Saraiva, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Vitor Raúl Carapinha Salgado Guita, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN AN RN Orlando de Almeida Reis, DSP – 2.ª Rep;
2TEN AN RN Serafim de Amorim Dias, DSP – 2.ª Rep;
2TEN AN RN Pedro Manuel de Oliveira Silvério Marques, Fábrica Nacional de Cordoaria;
2TEN AN RN Pedro Manuel de Azevedo Miranda Baptista, Escola Naval;
2TEN TE RN Rui João Baptista Soares, Escola Naval;
2TEN FZ RN Armando Narciso Reis Goes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Augusto Joaquim Rodrigues Lopes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Carlos Alberto Lima Teixeira, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN João Luís Vieira Filipe, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN João Carlos da Cunha Bruno Soares, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Luís Alberto Pires de Moura, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN António José de Sousa Martins na Base Naval de Lisboa;
2TEN TE RN João Maria Paquim Pereira Coutinho, Direcção das Construções Navais;
2TEN TE RN Jorge Manuel Diogo Marques dos Santos, Grupo N.º 2 de EA (EAN);
2TEN TE RN José Pedro Duarte Tavares, Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN TE RN Luís António de Lemos Ramalho de Azevedo, Direcção do Serviço de Armas Navais;
2TEN TE RN Manuel Maria da Fonseca Andrade Maia, Museu de Marinha;
2TEN TE RN Victor Manuel Ferreira da Fonseca, DSEF;



Não foi possível identificar os locais exactos onde prestaram serviço os seguintes oficiais:

2TEN FZ RN Armando Júlio Lopes Serra, CF 12, Pel Fz 5 (?);
2TEN FZ RN Guilherme Marçalo Neves Veríssimo, CF 12, Pel FZ 6 (?);
2TEN FZ RN José António Carrasco de Melo Saião, Pel FZ 12 (?);

Os oficiais pertencentes ao 19.º CFORN começaram a ser licenciados a partir de Maio de 1974.

Ingressaram nos Quadros Permanentes os seguintes oficiais, tendo alguns ascendido ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra:

2TEN FZ RN Armando Júlio Lopes Serra;
2TEN FZ RN Guilherme Marçalo Neves Veríssimo;
2TEN FZ RN João Carlos Cansado da Costa Corvo;
2TEN FZ RN José Manuel de Carvalho Passeira;
2TEN FZ RN José António de Oliveira Rocha e Abreu;
2TEN FZ RN Luis Pereira Coutinho Sanches de Baêna;
2TEN FZ RN Luis Augusto Loureiro Nunes;
2TEN FZ RN Manuel Maria Peralta de Castro Centeno;


Nota: Desconhecido, de todo, o percurso do Cadete TE 1164 - José dos Santos Freitas a partir do final do curso.

Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado,Lisboa, 1992; Dicionário de Navios e Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Fuzileiros – Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Luis Sanches de Baêna, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Texto e Fotos de arquivo do autor do blogue com cedências de origens diversas;


mls

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Guiné, LFP «Aldebaran» - P 1152


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Aldebaran» - P 1152

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 18 de Fevereiro de 2011)




A LFP «Aldebaran» a navegar na Guiné


Construída nos estaleiros do Arsenal do Alfeite, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 17 de Maio de 1968 e depois transportada para a Bissau por um navio mercante, onde chegou em 27 de Setembro daquele ano, data em que foi atribuída ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a décima de um grupo de 13 unidades que constituíram a classe «Bellatrix».

Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Este tipo de alterações em elementos da construção, bem visíveis a partir da LFP «Arcturus», fez questionar o motivo por que terá sido aumentada ao efectivo como pertencendo à mesma classe. As principais diferenças podem ser visualizadas em:


Ainda que se tenha iniciado em patrulhas de rotina em Outubro de 1968, a sua vida operacional passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – "Operação Via Láctea".

Em 24 de Maio de 1969, foi atacada com morteiro na foz do rio Uaja, juntamento com a LDM 307. Ambas as lanchas ripostaram calando o IN e regressando a Bissau.

Entre 10 e 22 de Junho de 1970 apoiou o navio hidrográfico “Pedro Nunes” no levantamento hidrográfico do rio Mansoa.




A LFP «Aldebaran» a navegar no rio Tejo

Em 6 de Junho de 1971, após a reparação da Oerlikon, ao fazer disparo comprovativo da sua operacionalidade, o lança-foguetes disparou duas unidades em simultâneo com o disparo da Oerlikon; esta reacção originou estilhaços vários um dos quais atingiu o mestre na face esquerda, perfurando parte da fronte e ombros esquerdos.

Durante o 2.º semestre desse ano e até 1974, participou em diversas operações: "Volta Brandal", "Quarto Minguante", "Sol Nascente", "Satélite Dourado", "Guarda Patrão", "Vela Grande", "Verga Latina", "Sol Poente", "Galáxia Vermelha" e "Barracuda Negra".

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Aldebaran» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Jacinto Saraiva Baptista, 11.º CFORN, 18Mai68/15Jul70;
2TEN RN Eduardo Jorge Alves da Silva, 15.º CEORN, 15Jul70/16Mar71;
2TEN RN Fausto Hidalgo do Nascimento, 16.º CFORN, 16Mar71/10Ago72;
2TEN RN Virgílio da Cunha Folhadela Moreira, 19.º CFORN, 10Ago72/18Abr74;
2TEN RN Valdemar Geraldo Taborda, 22.º CFORN, 18Abr74/07Set74;




Jacinto Saraiva Baptista, Eduardo Alves da Silva, Fausto Hidalgo do Nascimento e Virgílio Folhadela Moreira

Depois de mais de 6 anos de bons serviços e mais de 4700 horas de navegação, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da mesma classe «Bellatrix»:

LFP «Canopus», LFP «Deneb», «Espiga», LFP «Fomalhaut», LFP «Pollux», LFP «Rigel», LFP «Altair», LFP «Arcturus», LFP «Procion», LFP «Sirius» e LFP «Vega».


Fontes:
Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Lisboa, 1992; texto e fotos de arquivo do autor do blogue e da Revista da Armada;


mls