sexta-feira, dezembro 09, 2016

Clube Militar Naval e Reserva Naval


Clube Militar Naval e Reserva Naval

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 6 de Março de 2009)




Ao longo dos anos, frequentei inúmeras vezes o Clube Militar Naval participando em almoços calendarizados entre camaradas Reserva Naval a que se associaram também, em muitas ocasiões, oficiais dos Quadros Permanentes ou outros Convidados.

No conjunto procuraram sempre reviver, nos convívios havidos, a amizade, companheirismo e também camaradagem, fruto das mais-valias adquiridas de anos de convivência em Unidades e Serviços, com especial incidência no tempo da Guerra do Ultramar. Algures, no tempo, ter-se-iam cruzado ou mesmo partilhado missões ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa.

Também na qualidades de Mestres e Alunos sendo que, tanto oficiais dos Quadros Permanentes como da Reserva Naval, desempenharam aquelas prestigiadas missões na Escola Naval num mútuo e significativo enriquecimento cultural.

Em nenhuma situação procurei o Clube Militar Naval a sós porque, estatutariamente, os antigos oficiais da Reserva Naval não tinham direito à frequência das instalações do clube por "...não terem abraçado a carreira militar naval como profissão...". Para muitos outros constrangedora, também a mim me pareceu sempre impeditiva de uma livre frequência do clube podendo a qualquer momento poder ser invocada a não existência da qualidade de sócio.

Pessoalmente, como 1TEN da Reserva Naval licenciado em 1972, com um percurso de que ainda hoje me orgulho, sempre rejeitei a tão arbitrária quanto possível excepção ao princípio estatutário de que, quando acompanhado ou convidado por um sócio efectivo, poderia frequentar as instalações. Também nunca me agradou a simples facilidade de acesso, baseada na maior assiduidade com que cada qual poderia frequentar, ou não, as instalações do Clube. Por essa via se abre a porta à permissividade do conhecimento e simpatia, ainda que sem a condição necessária.

Julgo que todos procuram muito mais do que uma mera refeição, que pode ter lugar em qualquer outro local com farta escolha possível, provavelmente até em condições económicas mais vantajosas. Pessoalmente, furto-me normalmente a esse tipo de hábitos adquiridos, procurando sempre o espírito Reserva Naval recreado no ambiente próprio da Marinha que a acolheu e que naquele prestigiado clube sempre encontrei.

Mantida pela Direcção do Clube aquela reserva no tempo, terá sido uma medida redutora da valorização de um relacionamento recíproco que, além de afastar muitos antigos oficiais da Reserva Naval da frequência do Clube Militar Naval, conduziu à fundação de uma associação própria, a AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, em 14 de Julho de 1995, na Sala do Risco - Casa da Balança, como exemplo único em todos os Ramos das Forças Armadas.



Ao tempo, afirmaria o primeiro Presidente da Direcção, Dr. António Rodrigues Maximiano:

„...Fomos e somos parte integrante de um Povo e de uma Marinha.

Como Associação crescemos e queremos ser toda a Reserva Naval.

Cumpriu-se o Mar.

Que se cumpra a AORN!...“




Foi primeiro Presidente da Assembleia Geral da AORN, o Prof. Doutor Êrnani Rodrigues Lopes – 7.º CEORN e Presidente do Conselho Fiscal, o Dr. Alípio Pereira Dias – 9.º CEORN.

Em 10 de Maio de 1996, realizou-se no Clube Militar Naval, um convívio de Oficiais da Marinha e Familiares que estiveram em Metangula – Lago Niassa, entre 1968 e 1971. A iniciativa partiu do CAlm Joaquim Espadinha Galo, conjuntamente com o Dr. João Rodeia Peneque – 10.º CFORN e Prof. Dr. Ricardo Migães de Campos – médico naval do 11.º CFORN.

Mais tarde este conceito de convívio foi alargado a outros participantes e ficou agendado, de forma permanente, para a primeira quinta-feira de cada mês, ficando conhecida como a mesa da Reserva Naval – Metangula, almoço convívio que ainda se mantém com os participantes que entenderem comparecer, onde pontifica o espírito aglutinador e sensato do Dr. João Sarmento Coelho (CMG), também ele fundador da Associação e antigo oficial da Reserva Naval do 10.º CFORN.

Há mais de quatro décadas, como tantos outros, quando ingressei na Escola Naval – Marinha de Guerra Portuguesa, fiquei indelevelmente marcado pela primeira sem nunca da segunda esquecer a génese, quer nos valores da hierarquia consentida, alicerçada na competência, quer no exemplo e no espírito de equipa.

Magnífico complemento de formação académica, com fasquia bem acima de formaturas de parada em que, a par de formação, instrução e ensinamentos, também marcaram passo espírito de grupo, camaradagem e amizade.

Durante mais de três décadas nas classes de Marinha, Médicos Navais, Administração Naval, Engenheiros Maquinistas Navais, Construtores Navais, Farmacêuticos Navais, Fuzileiros, Técnicos e Especialistas, a Reserva Naval ombreou com os Oficiais dos Quadros Permanentes nas mais variadas e espinhosas missões, teatros de guerra de além-mar incluídos.

Hoje, tudo se resume a memórias históricas, espelhadas em documentação diversa, relatos, imagens e testemunhos de vivências, recreadas em convívios de antigos camaradas de armas, afinal parte integrante da História da Marinha de Guerra da segunda metade do século passado.

O debate da eventual frequência das instalações do Clube Militar Naval pelos Oficiais da Reserva Naval, esgota-se num horizonte bem distante de qualquer protagonismo que considere efectividade ou o voto como principais objectivos. Pela oportunidade e actualidade, com a devida vénia, reproduzo integralmente o artigo do Comandante Adelino Rodrigues da Costa, publicado na Revista da Armada n.º 261, de Janeiro de 1994.





Notas:

Cerca de três anos mais tarde, em 3 de Março de 2012, o Presidente da Direcção da Associação de Oficiais da Reserva Naval, na altura o Comandante Joaquim Moreira, afirmaria que "...no passado dia 2, o espírito de cordialidade e de câmara entre oficiais de carreira da Armada e os antigos oficiais da Reserva Naval foi reforçado com a assinatura de um protocolo entre o Clube Militar Naval (CMN) e a AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, efectuado nesse dia.

O protocolo, assinado entre o CMN e a AORN, na sede da primeira instituição, em Lisboa, em ambiente de salutar convívio, viabiliza formalmente “a utilização das instalações e serviços do CMN pelos antigos oficiais da Reserva Naval”, preconizando ainda a efectivação de iniciativas conjuntas, tais como “palestras, colóquios ou qualquer outro tipo de eventos de carácter cultural, recreativo ou técnico profissional”....


(Da assinatura deste protocolo daremos conhecimento em breve)


Fontes:
Texto e fotos do autor do blogue; Revista da Armada n.º 261, de Janeiro de 1994;

mls

1 comentário:

Luís Costa Correia disse...

Mais valeu tarde que nunca, pois estou certo que a grande maioria dos sócios do Clube Miltar Naval sempre desejou o estreitamento dos laços de camaradagem, consideração e respeito mútuo com os Oficiais da Reserva Naval.

E felicito de novo o nosso Camarada de Armas de sempre Manuel Lema Santos, que dá um magnífico exemplo de como se ajuda a construir e a reconstruir a História.

É mais do que tempo de lhe ser prestada a homenagem formal que lhe é devida pela Marinha, pois a homenagem informal é-lhe prestada sempre que abrimos estas suas net-páginas - suas, mas também nossas.

Luís Costa Correia