28 outubro 2019

Guiné - Cinco Combóios no rio Cacheu, O "Boca de Sapo" caiu à água (I)


Guiné - Cinco Combóios no rio Cacheu, O "Boca de Sapo" caiu à água(I)



Fontes:
Texto e fotos já publicados na Revista "O Desembarque" n.º 27 da Associação de Fuzileiros, Junho 2017, autoria de Mar E, Sócio Originário n.º 1542, AFZ, Oficial RN da CFZ 11, Guiné 1971/1972;


mls

27 outubro 2019

Guiné, Bissau - Viagem Presidencial no NM «Funchal» de 2 a 7 de Fevereiro de 1968


Muitos de nós, militares da Marinha, Exército ou FAP, estivemos presentes. Integrado como oficial imediato na guarnição da LFG «Orion», casualmente atracada, ainda me "tocou" ser nomeado, num dos dias e em sobreposição, para oficial de serviço à ponte-cais com uma esquadra de fuzileiros.



Texto do autor do blogue; filme partilhados a partir de:
«RTP Arquivos» em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/visita-do-chefe-de-estado-a-guine-2/


mls

23 outubro 2019

Guiné, Anos '60 - Imagens que despertam memórias (VII)


Guiné, anos '60 - Fragata «Nuno Tristão» F332









A fragata «Nuno Tristão» (1949-1971)foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 15 de Maio de 1949 e abatida ao efectivo em 8 de Abril de 1971.

Pertencendo à classe «Diogo Gomes» efectuou diversas comissões de serviço e ambas efectuaram uma viagem a Moçambique em 22 de Agosto de 1959 de onde regressaram em 22 de Dezembro daquele ano.




Guiné, rio Cacheu 1963
Em cima, a FF «Nuno Tristão» fundeada no rio Cacheu no porto de Bigene e, em baixo, em Canja








1964 - A «Geba» atracada à FF «Nuno Tristão» aguarda o momento de seguir para
S. João - Bolama com a CCaç 414


Entre Fevereiro e Agosto de 1961 esteve presente em Angola onde se tinha instalado a perturbação pública. Após o regresso a que se seguiram prolongados fabricos regressou a águas, então de soberania portuguesa, em toda a costa ocidental de África. Destaca-se especialmente a participação na Operação "Tridente".















Entre Dezembro de 1964 e Abril de 1966 permaneceu na Guiné. Após regressar voltou novamente a Cabo Verde, S. Tomé, Guiné e Angola regressando ao Continente em Abril de 1969. Após algumas curtas comissões em Madeira e Açores, passou ao estado de desarmamento em Janeiro de 1970.


Fontes:
Fotos do arquivo pessoal do autor do blogue, por especial cortesia e cedência do Arquivo de Marinha; texto da FF «Nuno Tristão» coligido a partir de "Dicionário de Navios e Relação de Efemérides", Adelino Rodrigues da Costa, 2006;


mls

19 outubro 2019

1969, Guiné - DFE 12, Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 12 regressa a Lisboa na fragata «Nuno Tristão»


È visível a fragata «Nuno Tristão» e o Capitão de Mar-e-Guerra Almeida Brandão, em representação do Ministério da Marinha e do Chefe de Estado-Maior da Armada que sobe a bordo do navio, cumprimenta a tripulação e profere alocução na presença dos oficiais e militares.

Além de outros militares Fuzileiros do DFE 12 são visíveis o Comandante do Destacamento, então 1TEN Fernando Gomes Pedrosa, o Imediato 2TEN Pedro Serradas Duarte eo 3.º Oficial 2TEN RN Alberto Rebordão de Brito



Fontes:Foto de arquivo do autor do blogue; texto e filme partilhados a partir de «RTP Arquivos» em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/chegada-de-fuzileiros-a-lisboa/

mls

14 outubro 2019

Guiné - Companhia de Fuzileiros n.º 11 - O Istambul e o Oásis


Contos e Narrativas - "O Istambul e o Oásis, CF 11"


Fontes:
Texto e fotos já publicados na Revista "O Desembarque" n.º 26 da Associação de Fuzileiros, Março 2017, autoria de Mar E, Sócio Originário n.º 1542, AFZ, Oficial RN da CFZ 11, Guiné 1971/1972;


mls

06 outubro 2019

Exposição “A Medalha Militar 150 Anos (1863-2013)”




(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Novembro de 2013)

Os 150 Anos da Medalha Militar(1863-2013)
2 de Outubro a 8 de Novembro de 2013



De 2 de Outubro a 8 de Novembro de 2013, teve lugar na Fábrica Nacional da Cordoaria, Torreão Central, Rua da Junqueira - Lisboa, teve lugar uma Exposição Temporária, com a colaboração e apoio da Academia Falerística de Portugal




Sou um bom exemplo do que se pode apelidar de um quase total ignorante da ciência «falerística», quer na invulgar utilização e significado do étimo quer ainda, com maior relevância, no estudo das insígnias das ordens de cavalaria ou de mérito, das medalhas e das condecorações que esteve durante muitos anos englobado na Numismática.

A exposição sobre o tema que, no período referido, decorreu sob a égide da Academia Falerística e do Museu de Marinha, levou-me a procurar o significado da palavra num dicionário da língua portuguesa que se resume a um escasso descritivo de um “feminino substantivado de falerístico” – substantivo feminino correspondente ao estudo das ordens honoríficas e condecorações.

Aos mais interessados no tema, aconselho uma visita ao portal da Academia Falerística onde certamente encontrarão vastos motivos de satisfação nos resultados obtidos nas pesquisas que vierem a efectuar.

Não sendo esse o meu caso, nunca deixo de aproveitar uma boa ocasião para registar fotograficamente visitas que faço, eventos ou encontros em que participo, acontecimentos e retalhos de um dia-a-dia casual, ainda que aborde temas e locais específicos.

Há largos anos que pratico fotografia, mais exactamente desde a adolescência, e incluo nesse percurso a tradução de dois livros sobre o assunto, mas rejeito qualquer associação à ideia de profissionalismo. Tenho algumas máquinas familiares guardadas mas limito-me ao gosto pelo prazer de fotografar, melhor ou pior, temas que para mim representam outros tantos impulsos e apenas quando, em determinado momento, pelo motivo, me sinto cativado para isso porque sinto existir o enquadramento adequado.

Assim sucedeu na abordagem que efectuei, num dia em que passei aleatoriamente pela Fábrica Nacional de Cordoaria e deparei com a «Exposição da Medalha Militar 150 Anos, 1863-2013». Na perspectiva daquele evento, então em curso, classificaria o átrio de entrada daquele estabelecimento, local escolhido para a mostra, como pouco adequado para uma realização daquele teor.

Insuficientes condições de segurança dos espólios exibidos e acesso ao público num local soturno e de acesso muito remoto, transmitiram-me a ideia de pouca visibilidade, deixando simultaneamente a dúvida da dignidade da exposição relativamente às personalidades representadas pelas Medalhas, Condecorações e Títulos Honoríficos que lhes foram atribuídos ao tempo e ali estavam expostas.

Não me compete, e eximo-me a fazê-lo, qualquer apreciação de índole militar ou falerística, para as quais me não sinto habilitado. Cabe-me, no entanto, por direito de simples exercício de cidadania apreciar e, se o entender, emitir um parecer pessoal, nessa simples qualidade de visitante.

Provavelmente, o facto de ter sido oficial da Reserva Naval da Marinha de Guerra Portuguesa, integrando a Instituição de 1965 a 1972, poderá representar uma mais-valia neste contexto. Acrescente-se que, no decorrer deste percurso fui, durante dois anos ajudante de ordens do Comandante Naval do Continente e da Base Naval de Lisboa, Vice-Almirante Francisco Ferrer Caeiro.

Aquele oficial general era uma das personalidades de que figurava o espólio pessoal na "Exposição da Medalha Militar - 150 Anos, 1863-2013".

Na qualidade de antigo ajudante de ordens e vogal da Direcção da AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, participei na altura, pessoal e empenhadamente, num processo que culminou na cedência por parte do Almirante Ferrer Caeiro, àquela Associação, de todas as suas Medalhas e Condecorações, incluindo as Asas de Prata da Aviação Naval, constituindo-a como fiel depositária daquele espólio medalhístico e honorífico.




Estranhei na altura a ausência da placa gravada, acima publicada, testemunhando o simbolismo de uma entrega ratificada pelo próprio punho do Vice-Almirante Ferrer Caeiro. Eu próprio o acompanhei na elaboração, antecedendo uma singela cerimónia de cedência daquele valioso espólio à Associação que teve lugar na sua residência pessoal em 31 de Agosto de 1999.

Não deveria aquela placa, com tão expressiva dedicatória, figurar permanentemente junto do restante espólio exibido, símbolo da vontade manifesta, ainda em vida, daquele ilustre oficial general?

Talvez que agora já figure no lugar a que, com dedicatória pessoal, ganhou direito.




Galeria de Fotos:




Nota do autor:
Para visualizar a galeria em pormenor utilize a lente passando ao modo de ecran inteiro




Fontes:
Museu de Marinha; In http://www.acd-faleristica.com/archives/3607


mls

03 outubro 2019

Diogo Pinto de Freitas do Amaral - Um Oficial da Reserva Naval da Marinha Portuguesa


Faleceu Diogo Pinto de Freitas do Amaral, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa





Nasceu a 21 de Julho de 1941 e faleceu hoje no Hospital de Cascais, vítima de doença prolongada.

Foi Oficial da Reserva Naval da Marinha de Guerra Portuguesa. Pertenceu à Classe de Técnicos Especialistas do 11.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, tendo sido incorporado em 2 de Setembro de 1967 e promovido a Aspirante a Oficial em 2 de Abril de 1968.

Desempenhou funções como jurista no Estado-Maior da Armada. Licenciado em 1970 no posto de 2TEN RN, regressou à vida civil onde, na Faculdade de Direito, foi Professor até 1998.

Em Abril de 2018, com inúmeros antigos Camaradas de Marinha esteve presente no 50.º aniversário do 11.º CFORN na Escola Naval.




Sentidas condolências a todos os familiares e amigos.

RIP Camarada!


Fontes:
Texto original do autor do blogue; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Coste e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992.
Imagem em "https://escolanaval.marinha.pt/mediacenter_web/noticias_web/Paginas/50º-aniversário-do-11º-Curso-de-Oficiais-da-Reserva-Naval.aspx", com a devida vénia


mls

01 outubro 2019

2TEN RN Amadeu Leão Santos Rodrigues, 6.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Agosto de 2015)





Amadeu Leão Santos Rodrigues, nascido a 27 de Novembro de 1939, foi oficial da Reserva Naval da classe de Marinha do 6.º CEORN – Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, tendo ingressado na Escola Naval em 26.7.63 e sido promovido a Aspirante a oficial em 21.4.64, após o juramento de bandeira.

Entre 19.6.64 e 2.6.66 desempenhou as funções de Oficial Imediato da Lancha de Fiscalização Grande, LFG «Lira», para que foi nomeado em comissão de serviço. Durante cerca de dois anos, no decurso da Guerra do Ultramar permaneceu no antigo teatro da Guiné, tendo sido promovido ao posto de 2TEN da Reserva Naval. Posteriormente passou à disponibilidade, regressando à vida civil.

Por norma, até 1969, por não existirem estaleiros adequados em Bissau, a LFG «Lira», deslocava-se periodicamente ao Porto do Mindelo na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde, a fim de efectuar fabricos nos estaleiros navais existentes naquele porto. Provavelmente no decorrer do ano de 1965, numa das deslocações ali efectuadas, o 2TEN RN Amadeu Leão Santos Rodrigues pintou um painel no paredão do porto tendo como motivo a LFG «Lira» e posando pessoalmente junto à pintura, conforme ilustração junta.










Divulgação de Trabalho

Notas biográficas:

Em 1968, o Professor Amadeu Leão Santos Rodrigues licenciou-se em Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade Técnica de Lisboa, no ramo de Sistemas de Energia, com a classificação final de Bom com Distinção. Obteve o grau de Mestre em Máquinas Eléctricas e Sistemas de Potência com distinção e de Doutor em Engenharia Electrotécnica, respectivamente em 1974 e 1983, no Imperial College of Science, and Technology da Universidade de Londres.

Em 1969 foi convidado pelo Professor A. Wittnich Carriço, do IST, para exercer as funções de Assistente no Departamento de Engenharia Electrotécnica da Universidade de Luanda, Angola, tendo aí tido a seu cargo a leccionação de várias disciplinas entre as quais o Projecto de Máquinas Eléctricas.

Em 1976, veio a integrar o corpo docente do Departamento de Ciência dos Materiais da FCT/UNL, onde ensinou Materiais da Electrotecnia, vindo, por concurso público, a ser contratado em Julho de 1986, como Professor Associado.

Em 1988 foi convidado para exercer o cargo de Chefe do Gabinete do Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia e em 1990 foi nomeado Coordenador Nacional do Programa Ciência para a Estabilidade e Administrador das Bolsas de Estudos Científicos da INVOTAN. Pelo trabalho desempenhado foi agraciado pelo então Secretário-Geral da NATO, Senhor Javier Solana.

Em 1992 realizou no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, o Curso de Auditores de Defesa Nacional.

Foi Professor Catedrático no Departamento de Engenharia Electrotécnica da FCT/UNL onde foi responsável pelo ensino e investigação na área de Accionamentos Electromecânicos Especiais e Aplicações de Materiais Supercondutores. Neste Departamento, onde foi Presidente do Conselho desde Maio de 1993 a Fevereiro de 1998, teve a seu cargo várias disciplinas na área da Energia.

Ao abrigo do Convénio entre a FCT/UNL e a Escola Naval leccionou durante seis anos a disciplina de Máquinas Eléctricas aos cadetes do 3º ano dos Cursos de Engenheiros Navais, tendo sido louvado pelo Comandante da Escola Naval.

Foi Consultor de um Projecto NATO Ciência para a Paz, que decorreu na Universidade Técnica de Moscovo (MAI) na área das Máquinas Supercondutoras e, mais recentemente, organizou a “2nd International Conference on Power Engineering, Energy and Electrical Drives” (POWERENG 2009), que teve lugar de 18 a 20 de Março na Costa da Caparica. Publicou 134 artigos científicos em conferências e revistas da especialidade e 3 capítulos de livros. Pelo mérito dos seus trabalhos, a Ordem dos Engenheiros outorgou-lhe os títulos de membro “Sénior” (1999), de “Especialista em Energia” (2005) e de membro Conselheiro (2009).

Teve lugar no dia 27 de Janeiro de 2010, no Grande Auditório da FCT/UNL, a Lição de Jubilação do Professor Amadeu Leão Rodrigues, sob o título "História Concisa das Máquinas Eléctricas. Ensino e Investigação", seguindo-se o descerramento da Placa que atribui o seu nome ao Laboratório de Energia, do Departamento de Engenharia Electrotécnica.




Fontes:
Com a devida vénia ao antigo camarada do 6.º CEORN Amadeu Leão dos Santos Rodrigues com notas biográficas recolhidas em:
http://www.fct.unl.pt/noticias/2010/01/jubilacao-do-professor-amadeu-leao-rodrigues;
Apontamentos e fotos do 6.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval dos arquivos do autor do blogue em www.reseservanaval.blogspot.com;


mls

24 setembro 2019

STEN FZ RN António Piteira • 18.º CFORN - Homenagem em Arraiolos


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Abril de 2015)


Ao camarada STEN FZ RN António Piteira

Homenagem da Classe de Fuzileiros do 18.º CFORN
Arraiolos, 20 de Setembro de 2014






António Bernardino Apolónio Piteira (1947-1973), natural de Arraiolos, único oficial da Reserva Naval morto em combate durante a Guerra de África, foi homenageado pelos seus camaradas que com ele iniciaram a caminhada na Marinha, em 18 de Fevereiro de 1971.

Promovido a Aspirante FZ RN em 13 de Outubro de 1971, após ter frequentado o curso de fuzileiro foi destacado para Angola, onde chegou a 18 de Setembro do ano seguinte, com o posto de STEN, assumindo o comando do 3.º Pelotão da Companhia N.º 1 de Fuzileiros.

Encontrou a morte no dia 2 de Junho de 1973, integrado numa coluna de viaturas do Destacamento do Zambeze em missão de serviço à Lumbala, fruto de uma emboscada inimiga ocorrida na Picada entre Lumbala e Chilombo, a cerca de 10 km desta última localidade.




A jornada de homenagem a este nosso querido camarada iniciou-se com uma sessão solene na Câmara Municipal de Arraiolos, presidida pela respectiva Presidente, Dr.ª Sílvia Pinto.

O nosso camarada, Nuno Santos Pereira, em representação do 18.º CFORN, teceu considerações sobre as razões desta justa iniciativa e o perfil humano do homenageado, agradecendo a prestimosa colaboração da autarquia. Interveio igualmente o Presidente da Assembleia Municipal, amigo e seu companheiro de escola que, de forma encomiástica, teceu rasgados elogios ao seu carácter e humanismo.

Por fim, interveio a Senhora Presidente que enaltecendo a iniciativa em boa hora tomada pela classe de fuzileiros do 18.º CFORN, publicitou que a breve trecho iria estar patente no Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos (CITA) uma exposição alusiva ao nosso camarada Piteira.




De seguida oferecemos à autarquia, na pessoa da sua Presidente, o espólio de Marinha do nosso camarada, em estrutura acrílica, composto por boné, cordão de fuzileiro, galões de subtenente e a sua fotografia sobre base cerâmica.

Seguiu-se uma tocante cerimónia com descerramento de uma lápide junto à placa da rua em seu nome, sita na Ilha do Castelo, evento partilhado por larga fatia da população local que, assim se quis associar e testemunhar o sentido apreço que nutre por uma figura muito querida da sua terra.

Neste enquadramento, tive oportunidade de fazer a seguinte intervenção, em sua memória:

A 18 de Fevereiro deste ano, completaram-se 43 anos da nossa integração no 18.º CFORN e a 2 de Junho passado rememoramos o 41.º aniversário da morte trágica e cobarde do nosso camarada e amigo António Bernardino Apolónio Piteira, em Angola.
É com profunda emoção e inquestionável pesar que pisamos esta terra escura, queimada pelo sol e germinada com o suor que advém do trabalho árduo dos que teimosamente aqui ficam, resistindo ao flagelo da emigração que, do mesmo passo que desenraíza as pessoas, torna mais tristes aqueles que as vêm partir, sem garantia de regresso.
O nosso Piteira era, perante nós, um porta-estandarte do seu Alentejo e, particularmente de Arraiolos. Não apenas pela pronúncia castiça, mas também pelo temperamento e idiossincrasia. O Piteirinha tinha em cada um dos presentes um amigo. O ar tranquilo, a face trigueira donde despontava um constante sorriso sereno, a bonomia do seu comportamento, quase que nos obrigavam a gostar dele. E como dele gostávamos!
Alguém disse que “a memória é o espelho onde observamos os ausentes”. Não é seguramente o caso. O Piteira é o ausente mais presente de todos. Está constantemente no nosso seio, como insofismavelmente o demonstramos ainda no último convívio, onde lhe foi reservado lugar cativo que testemunhará, de forma indelével, a sua “presença” em todas as nossas iniciativas futuras.



Daí que, nada nos apague da memória esses tempos, por isso estamos aqui, na sua terra natal, na sua RUA, a relembrá-lo e a prestar-lhe uma homenagem do coração, simples como evento, mas carregada de significado para todos nós que continuamos a vê-lo, não apenas como camarada, mas essencialmente como AMIGO que o decorrer dos tempos nunca fará esquecer.
Olhemo-nos em redor e observemos como foi substancialmente ultrapassado o quorum que legitima e dignifica esta assembleia. E não necessitamos de ajudas de custo ou senhas de presença para dizermos PRESENTE. O pecúlio arrecadado foi o privilégio de dele termos sido camaradas e amigos. Por isso, repito, estamos aqui. Sem embargo de sacrifícios e constrangimentos. De corpo e alma bem quentes como esta terra bendita, cujo ventre pariu um cidadão exemplar.
Daí que, em uníssono, queiramos honrar a sua memória.
E para terminar, permitam-me uma curta citação do que escrevi aquando da passagem dos 30 anos da sua morte, ou seja há 11 anos:
“A relação que mantive com o Piteira foi sempre muito próxima, quiçá potenciada pela minha extroversão de Homem do Norte que casava muito bem com a calma e fina ironia deste alentejano dos sete costados. Andávamos quase sempre juntos, mesmo nas muitas deslocações a Lisboa para desanuviar e combater o stresse, que acabavam quase sempre em bate-papo futebolístico numa cervejaria do Terreiro do Paço, chamada O Caracol, assim apodada pela fama dos característicos gastrópodes em cuja degustação o Piteirinha me iniciara. Hoje recordo com saudade aqueles momentos únicos antes de tomarmos a Vedeta da meia-noite ou da uma que nos levaria à Escola Naval.
O Piteirinha não era um mero camarada, era um amigo. Raramente levantava a voz ou se zangava, mas quando tal acontecia lá vinha a sua característica expressão: seus maganos!
Foi um privilégio conhecê-lo e usufruir da oportunidade de com ele privar e me tornar amigo. Tinha muita vontade de viver e o destino pregou-lhe uma partida. Este Mundo louco tem destas coisas.
Até sempre camarada e amigo. Um dia vamo-nos encontrar e retomar as nossas conversas estupidamente interrompidas.”

E concluo: Até já, nosso irmão!





Do programa constava ainda uma romagem ao cemitério onde foi depositada uma lápide na sua sepultura, do mesmo passo que se observou um minuto de silêncio. Em seguida, o camarada António Nascimento, que o acompanhou em Angola, fez uma breve dissertação sobre os acontecimentos daquele fatídico dia 2 de Junho de 1973, em que o nosso querido Piteira foi brutalmente morto.

Refira-se ainda que o espólio oferecido, bem como a intervenção feita na rua em seu nome, integram a exposição que, como era expectável, foi aberta ao público a partir de meados de Outubro do ano passado.

É devida ainda uma palavra de apreço à Câmara Municipal de Arraiolos, na pessoa da sua Presidente, pelo apoio, presença e intervenção activa nos diversos eventos constantes da homenagem ao nosso camarada.

Como é costume, seguiu-se um almoço de confraternização no Hotel da Ameira, junto a Montemor-o-Novo, onde reinou a amizade e uma incontida felicidade de podermos, mais uma vez, estar juntos a reviver momentos muito significativos das nossas vidas.

No final da jornada invadiu-nos um sentimento de dever cumprido. A nobreza de carácter do nosso camarada e amigo Piteira clamava por esta iniciativa. Desde os primeiros tempos do seu desaparecimento que pairava no grupo a ideia de uma homenagem na terra que o viu nascer. Ao levarmo-la a cabo, sentimo-nos mais felizes e em paz com as nossas consciências.

Aconteceu num dia de sol radioso, particularmente bonito, que nos fez tê-lo por perto e revivenciar, com redobrada emoção, momentos que a lonjura do tempo nunca apagará das nossas memórias. Um dia que nos tornou mais coesos e solidários. Enfim, um dia que nos ajudou a compreender que estes Encontros, muito para além da confraternização lúdica e fraterna, traduzem um sentimento de missão que o espirito de Marinha ensinou a cultivar.




Adelino Couto
Sóc. Orig. n.º 2382
2.º TEN FZ RN


Nota do Editor da revista "O Desembarque" n.º 20:

Entende-se estranho que nem a Marinha, nem a AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, nem a Associação de Fuzileiros (AFZ) tenham sido convidadas a participar, tratando-se do único Oficial da Armada (Fuzileiro e da Reserva Naval) morto em combate na Guerra do Ultramar (1961/74) ou, tendo-o sido (a AFZ não o foi com certeza), não se tivessem feito representar, a bom nível, nesta cerimónia, mais que merecida, ao António Piteira.



Fontes:
Cortesia da AFZ - Associação de Fuzileiros por cedência do artigo publicado na revista publicada "O Desembarque" n.º 20 com adaptação de espaços e fotos;


mls

22 setembro 2019

Bissau, Anos '60 - Imagens que despertam memórias (VI)


Guiné, anos '60 - Fainas inesquecíveis no Cais do Pijiguiti










Fontes:
Fotos do arquivo pessoal do autor do blogue, por especial cortesia e cedência do 1TEN AN Ref. Raul Sousa Machado;


mls

18 setembro 2019

Biblioteca Central da Marinha - Os 50 anos de aumento ao efectivo da LFG “Cassiopeia”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Março de 2014)

Mostra bibliográfica e documental sob o título 50 Anos volvidos sobre o aumento ao efectivo da LFG «Cassiopeia»





Em 13 de Janeiro de 2014 foi inaugurada na Biblioteca Central da Marinha uma mostra bibliográfica e documental sob o título 50 Anos volvidos sobre o aumento ao efectivo da LFG «Cassiopeia», que esteve patente ao público até dia 22 de Março dacquele ano.

Estiveram presentes os então Director da Comissão Cultural de Marinha, Vice-Almirante Oliveira Viegas, o Director da Biblioteca Central da Marinha, Comandante Rocha de Freitas, o Director do Museu de Marinha, Comandante Costa Canas, além de outras personalidades e público não descriminado.



Na totalidade, o número de pessoas presentes pode ser entendido como excessivamente reduzido para um evento que constitui um registo importante da participação da Marinha na Guerra do Ultramar, na segunda metade do século passado, entre os anos de 1961 e 1975. Provavelmente, expressará apenas o resultado de uma divulgação antecipada pouco abrangente.

Esta parcela da memória histórica recente da Marinha de Guerra, passa inevitavelmente pelo envolvimento de meios navais da Armada com empenhada participação nos teatros de Angola, Moçambique e Guiné, onde as Lanchas de Fiscalização Grande da classe «Argos» constituiram o topo da pirâmide do dispositivo naval estacionado naqueles territórios.




Nos teatros de Angola e Moçambique, com outras características geográficas, hidrográficas e de navegação, a presença de navios de maior porte como avisos, fragatas, corvetas, navios hidrográficos e ainda os antigos destroyers, tiveram presença igualmente significativa.

Outro tanto não se não verificou na Guiné onde, devido à especificidade da hidrografia daquela antiga colónia, com grandes amplitudes de marés, enseadas, braços de mar, rios estreitos e sinuosos, assoreamentos e baixos frequentes, se vieram a revelar inadequados, pouco versáteis e com condições de navegabilidade especialmente difíceis ou mesmo impossíveis.

Representaram um indispensável apoio operacional e logístico, especialmente até 1964 e em águas costeiras safas, mas apenas a presença de meios navais de apoio e intervenção operacionais como as LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas, LDM - Lanchas de Desembarque Médias e LDP - Lanchas de Desembarque pequenas, construídas especificamente para aquele tipo de condições de conflito, reforçou significativamente a eficácia do dispositivo naval empenhado.

Constituído por um conjunto de unidades navais diversificadas, apelidado de “poeira naval”, ainda que não reunissem condições óptimas, foram considerados os meios suficientes para enfrentarem as difíceis condições de navegabilidade. Havia também que acrescentar manobrabilidade e versatilidade suficientes para poderem enfrentar e responderem, com eficácia, a ataques, emboscadas e flagelações movidos de locais imprevisíveis.





No conjunto do dispositivo naval, assumiram papel especialmente relevante as 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos» de que a LFG «Cassiopeia» foi a quarta unidade naval a ser aumentada ao efectivo em 13 de Janeiro de 1964 e, no caso, a primeira a ser fabricada nos Estaleiros Navais do Alfeite.

Anteriormente, já a LFG «Argos», que deu o nome à classe, e as LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Pégaso», construídas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, tinham sido aumentadas ao efectivo dos navios da Armada, respectivamente em 14Jun63, 17Jul63, 21Ago63 e 16Out63.

Como pode constatar-se, todas estas 4 LFG que antecederam nas datas de aumento ao efectivo a LFG «Cassiopeia», cumpriram no ano transacto os mesmos 50 anos sobre a data de aumento ao efectivo dos navios da Armada e, a seguir idêntico procedimento, seria normal que a escolha recaisse sobre a primeira unidade naval que deu o nome à classe, a LFG «Argos».




Ainda que se possa classificar esta mostra bibliográfica e documental como um primeiro e simples passo, sem lhe retirar o que de significativo tem, porque não foi levada a cabo esta acção de divulgação apenas no ano em que se comemoraram os 150 anos do Museu de Marinha e com a primeira unidade naval da classe, ou porquê a LFG «Cassiopeia» e naquela data?

Deixo a dúvida pela falta de entendimento que em mim suscitou o navio escolhido e a data.

Também nos Estaleiros Navais do Alfeite e com datas de aumento ao efectivo, respectivamente em 11Abr64, 19Jun64, 20Out64, 25Abr65 e 04Set65, foram posteriormente construídas as LFG «Hidra», LFG «Lira», LFG «Orion», LFG «Cassiopeia», LFG «Centauro» e LFG «Sagitário».

Nos diversos expositores patentes na entrada da Biblioteca Central da Marinha esteve exibida documentação diversa de que se destacam mensagens, diários náuticos, relatórios de comando, anuais ou de operações, notícia publicada sobre a Operação “Mar Verde”, relatórios de missão de fiscalização, fotos e desenhos, mapas, desenhos de construção naval, provas de mar, etc.




De forma sucinta, todos aqueles documentos representam parte de um significativo espólio à guarda do Arquivo de Marinha, que ilustra a importância daquela dezena de unidades navais na manutenção da então soberania e presença do dispositivo naval em Angola, Moçambique e Guiné, palcos da Guerra do Ultramar. Também S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde integram de forma alargado o conceito, ainda que sem conflito armado propriamente dito.

Será importante destacar especialmente a Guiné onde, entre 1969 e 1974, chegaram a estar em permanência sete das dez unidades da classe. Em 1969 e 1970 regressaram de Moçambique, as LFG «Argos» e LFG «Dragão», para onde tinham ido da Guiné em 1974, depois de ali terem sido as primeiras a estacionar, em 1973, juntamente com a LFG «Escorpião».

Verificadas a falta de condições de segurança, em situações de emboscadas sofridas, por inexistência de protecções balísticas, foram aqueles navios substituídos pelas LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra» e LFG «Lira», já convenientemente apetrechadas à saída dos Estaleiros do Alfeite com blindagens na ponte alta, casa das máquinas, casa dos motores auxiliares e paiol de munições.

Sendo que as duas primeiras, as LFG «Argos» e LFG «Dragão» foram para Moçambique, ficando atribuídas àquele Comando Naval, a LFG «Escorpião» ficou atribuída ao Comando Naval de Angola onde permaneceu até ao final do tempo de vida operacional, alternando com algumas comissões de soberania em S. Tomé e Príncipe. Ali se lhe juntaram posteriormente as LFP «Pégaso» e «Centauro».




Uma questão também pertinente, prende-se com o facto de não ter verificado, na inauguração da mostra bibliográfica e documental, a presença de qualquer antigo comandante daqueles navios que, ao tempo, comandaram aquelas unidades, então no posto de 1.º Tenente, em vários das unidades navais e em qualquer um dos territórios mencionados.

Ainda que correndo o risco de errar, e se assim suceder aqui deixo exarado o meu pedido de desculpas pelo lapso, apenas estiveram presentes na inauguração da mostra dois oficiais imediatos, ambos da LFG «Orion», sendo que um dos Quadros Permanentes e outro da Reserva Naval, eu próprio. Participação escassa para uma mostra bibliográfica e documental sobre as LFG da classe «Argos».

Já por variadas vezes, em anteriores publicações o tema LFG da classe «Argos» foi abordado. Destacam-se, além de outros, os seguintes artigos onde são apontados algumas pistas com interesse ainda que possam ser consideradas, nos números apresentados, meras estimativas:


“...Em guarnições com 2 oficiais, 4 sargentos e 21 praças terão desfilado naquelas unidades navais próximo dos 1.800 a 2.000 homens, correspondendo a 140 oficiais, 280 sargentos e 1470 praças.....”
....
“...Desempenharam funções como Comandantes das LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, 67 oficiais dos Quadros Permanentes e como Oficiais Imediatos, 67 oficiais da Reserva Naval e mais outros 7 oficiais dos Quadros Permanentes. ...”

Ou ainda em:


Considero merecedora de mais cuidada e alargada abordagem institucional a temática Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos» com melhor divulgação e mais empenhada participação. De qualquer das formas, não sendo historiador ou sociólogo, mas fazendo parte de um público interessado, considero francamente positiva a mostra bibliográfica levada a cabo.

Aqui fica expresso o meu agradecimento público pelo amável convite pessoal que me foi feito então pela Exma. Sra. Dra. Isabel Beato, Chefe do Arquivo Histórico do Arquivo Central de Marinha.




Fontes:
Comissão Cultural de Marinha; Biblioteca Central da Marinha; Museu de Marinha; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG), 15º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2004; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2005; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Desembarque Grandes (LDG), Médias (LDM) e Pequenas (LDP, 16º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha e Revista da Armada


mls