15 fevereiro 2020

Reserva Naval, 13.º CFORN - A Pátria Honrai...


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 11 de Dezembro de 2008)

O 2TEN FZE RN Hernâni Vidal de Rezende pertenceu ao 13.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval e ingressou na Marinha de Guerra em 28 de Agosto de 1968.

Promovido a Aspirante da Reserva Naval em Abril de 1969, foi destacado para prestar serviço em Angola, no DFE 10 - Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 10, de 1969 a 1971.



Mais tarde, ingressou nos Quadros Permanentes onde desempenhou diversas funções, entre as quais comandante do Batalhão de Fuzileiros n.º 3, Chefe do Estado-Maior do Corpo de Fuzileiros e Comandante da Escola de Fuzileiros, tendo ascendido ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra.


Fontes: Revista da Armada n.º 9, Junho de 1972

mls

14 fevereiro 2020

16.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Jan1970

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2010.06.12





Fontes: Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Fotos de curso cedidas pelo CMG FZ José Manuel de Oliveira Dias da Silva; fotos restantes de arquivo do autor do blogue com cedências de origens diversas;

mls

12 fevereiro 2020

Reserva Naval - Primeiro Título de Condução


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Outubro de 2009)


Aproveitando as facilidades concedidas durante o tempo de prestação do serviço militar na Marinha, de entre as quais se destaca a ausência de custo para a sua obtenção, vários oficiais da Reserva Naval «tiraram» a carta de condução, após a promoção ao posto de Aspirante.

José Alvarez Cavalleri Martinho, do 1.º CEORN, foi o primeiro oficial da Reserva Naval a quem este documento foi concedido, a pedido pessoal.





Terminado o período de permanência ao serviço na Marinha, a lei permitia a troca desta carta militar pela equivalente carta civil.

Aqui fica a reprodução do documento, o primeiro de outros obtidos em idênticas condições.


Fontes:
Publicado no sitio da AORN-Associação dos Oficiais da Reserva Naval, 2009;

mls

11 fevereiro 2020

Reserva Naval 1958/1975 - II


Reserva Naval e legislação que lhe deu origem

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Outubro de 2009)




A criação da Reserva Naval remonta a 26 de Novembro de 1957 e está contida no Decreto-Lei n.º 41.399, que estabelece as bases da reorganização das reservas da Marinha em pessoal e material.

Neste diploma foram definidos os diferentes quadros das reservas da Marinha, designadamente a Reserva da Armada (Ra), a Reserva Naval (RN), a Reserva Marítima (RM) e a Reserva Legionária (RL).

No que respeita à Reserva Naval era estabelecido que os indivíduos a ela destinados seriam alistados provisoriamente, na idade militar, em contingentes a solicitar ao Ministério do Exército e fixados anualmente pelo Ministério da Marinha para as diferentes especialidades.

Esses contingentes eram constituídos por indivíduos que frequentassem ou tivessem frequentado as seguintes escolas:

Faculdade de Ciências
Faculdade de Engenharia e Instituto Superior Técnico
Faculdades de Medicina
Escolas de Farmácia
Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras
Faculdade de Economia
Instituto Superior de Agronomia

Era dada preferência aos voluntários e oferecidos e aos que possuíssem conhecimentos náuticos, possuindo carta de Patrão de Costa ou de Patrão de Alto Mar.

Finalmente, o referido Decreto-Lei remetia para o Ministro da Marinha a responsabilidade pela expedição das instruções necessárias à sua execução.

Assim, em 27 de Maio de 1958, através da Portaria nº 16.714 foram estabelecidas as condições de recrutamento e de prestação de serviço dos reservistas da Reserva Naval.

Esta Portaria, sucessivamente adaptada às realidades e necessidades da Marinha, constitui o instrumento regulador mais relevante da actividade da Reserva Naval.







Decreto-Lei n.º 41.399


Ministério da Marinha

Estado-Maior da Armada


Dada a manifesta conveniência de modificar a legislação respeitante às Reservas da Marinha para que elas possam corresponder às actuais necessidades da Armada. Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2 do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:


Capítulo I - Constituição e Organização

Artigo 1.º


São reorganizadas, pelo presente diploma, as reservas da Marinha, constituídas pelo pessoal e pelo material nele descriminados.


Artigo 2.º


As reservas da Marinha em pessoal compreendem:

(…)

II – RESERVA NAVAL, ou Reserva N, constituída pelos indivíduos que frequentando ou tendo frequentado cursos das escolas superiores, tecnicamente adequados aos serviços e especialidades da Armada, tenham nela prestado serviço militar e recebido, de acordo com as suas habilitações, instrução que lhes permita servirem como oficiais em caso de mobilização.

(…)


Artigo 10.º


A incorporação, a duração e natureza da prestação de serviço obrigatório, o alistamento definitivo, a graduação e a promoção dos reservistas da Reserva N, serão regulados por portaria do Ministro da Marinha.

a) Os reservistas da Reserva N poderão ter acesso aos postos até primeiro-tenente, inclusivé.

b) Para efeitos de actualização de conhecimentos, podem os reservistas ser convocados individualmente ou por grupos, por portaria do Ministro da Marinha, fundamentada em proposta do Chefe do Estado-Maior da Armada

(…)


Artigo 44.º


O Ministro da Marinha fará expedir as instruções necessárias á execução deste Decreto-Lei.

Publique-se e cumpra-se como nele se contém.



Paços do Governo da República, 26 de Novembro de 1957
Francisco Higino Craveiro Lopes; António de Oliveira Salazar; Marcelo Caetano; Fernando dos Santos Costa; Joaquim Trigo de Negreiros; João de Matos Antunes Varela; António Manuel Pinto Barbosa; Américo Deus Rodrigues Thomaz; Paulo Arsénio Veríssimo Cunha; Eduardo de Arantes e Oliveira; Raul Jorge Rodrigues Ventura; Francisco de Paula Leite Pinto; Ulisses de Aguiar Cortês; Manuel Gomes de Araújo; Henrique Veiga de Macedo.







Portaria n.º 16.714



Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha, aprovar e publicar o seguinte:

1º - Na Reserva Naval, ou Reserva N, considerada no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 41.399 de 26 de Novembro de 1957, são criadas as seguintes classes de oficiais:

a) Marinha
b) Engenheiros Construtores Navais
c) Saúde Naval – médicos e farmacêuticos navais
d) Engenheiros maquinistas navais
e) Administração naval

2º - Aos oficiais da Reserva N competem as funções próprias da correspondente classe dos oficiais do activo, na medida em que a sua preparação e treino permitirem o desempenho dessas funções. Os oficiais da Reserva N diplomados com o curso de engenharia electrónica são especializados em electrotecnia e como tal poderão desempenhar funções que respeitam a essa especialização.

3º - Enquanto não for possível recrutar directamente os oficiais da Reserva N nas universidades, o recrutamento destes será feito exclusivamente entre os contingentes de mancebos destinados pelo Exército à frequência dos cursos de oficiais milicianos e, para esse fim, o Ministério da Marinha indicará anualmente ao Ministério do Exército o número de mancebos de que necessita, especificando as habilitações escolares consideradas como indispensáveis para cada classe da Reserva N.

4º - Os mancebos destinados à Reserva N são observados por uma Junta de Saúde da Armada eos que forem apurados serão alistados, provisoriamente, no Comando de Reservas da Marinha como cadetes.

5º - Quando não for possível ministrar toda ou parte da instrução militar naval aos referidos cadetes nas escolas superiores, essa instrução será dada ou completada, nos cursos especiais de oficiais da reserva naval, seguidamente designados por CEORN, tendo em atenção o seguinte:
a) A cada classe da Reserva N corresponde um curso
b) Os CEORN são divididos em dois ciclos com uma duração total de seis meses;
c) Os CEORN compreendem instruções nas unidades e serviços da Armada e embarque em navios armados;
d) A data do início dos CEORN e a duração dos respectivos ciclos são determinadas anualmente por despacho do Ministro da Marinha.
Os planos dos cursos são revistos anualmente.

6º - Será nomeado anualmente um oficial da classe de marinha para Director dos CEORN. Este oficial,como delegado da Superintendência dos Serviços da Armada, coordenará a instrução nos vários cursos, nas diferentes unidades e serviços,organizará os programas e acompanhará os cadetes no seu embarque.

7º - No fim dos cursos, um júri constituído pelo Director da Escola Naval, como presidente, pelo director dos CEORN e por delegados das unidades e serviços que os cadetes frequentaram, determinará para cada cadete a avaliação final nas várias disciplinas cotadas de 0 a 20 valores.

8º - Os cadetes que obtiverem cota de mérito e classificação de carácter militar igual ou superiores a 10 valores juram bandeira em cerimónia a realizar na Escola Naval, serão promovidos a aspirantes a oficial das várias classes da Reserva N e alistados definitivamente na mesma Reserva, definindo a cota de mérito para cada curso, a sua posição na respectiva escala de antiguidades.

9º - Os cadetes que obtiverem cota de mérito inferior a 10 valores serão abatidos à Reserva N e alistados como primeiros-grumetes escriturários no Corpo de Marinheiros da Armada. Nesta situação completarão o período de prestação de serviço efectivo a que são obrigados, o qual será de duração igual à estabelecida para os mancebos do seu contingente que ascenderam a aspirante a oficial.

10º - Os aspirantes das várias classes da Reserva N prestarão serviço nas unidades e serviços da Armada de acordo com o estabelecido na Lei de Recrutamento e Serviço Militar para os aspirantes a oficial miliciano do Exército e durante este período serão semestralmente informados pelos respectivos comandantes e chefes. Finda esta prestação de serviço os aspirantes serão licenciados, sendo promovidos a subtenentes os que tenham obtido boas informações. Poderão voluntariamente e quando convier ao serviço da Armada, prestar serviço efectivo por períodos de um ano, seguidos ou alternados, até ao máximo de cinco períodos.

11º - Serão promovidos a segundos-tenentes os subtenentes que tendo obtido boas informações, tenham prestado um ano de serviço efectivo na Armada como subtenente ou que tenham permanecido cinco anos na Reserva N, contados desde a data de promoção a aspirante, e tendo prestado pelo menos quarenta e cinco dias de serviço efectivo na Armada como subtenente.

(...)


Ministério da Marinha, 27 de Maio de 1958
O Ministro da Marinha (interino),
Raul Jorge Rodrigues Ventura.


Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992;

mls

08 fevereiro 2020

Reserva Naval 1958/1975 - I


Recordando...

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 3 de Outubro de 2009)




1967 - Em Bissau, as LGF «Orion» - P362 e LFG «Lira» - P361, atracadas lado a lado na asa interior da ponte-cais

Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992;

mls

07 fevereiro 2020

Reserva Naval - Primeira Condecoração


Primeira Condecoração de Um Oficial da Reserva Naval

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 17 de Outubro de 2009)


Eurico Jorge Marques Antunes, pertencente ao 2.º CEORN, foi o 1.º oficial da Reserva Naval a ser condecorado pelo Governo Português, conforme Portaria de Janeiro de 1962.




Foi condecorado com a Medalha de Prata de Coragem, Abnegação e Humanidade do Instituto de Socorros a Náufragos, “por ter efectuado a tentativa de salvamento de um operário do Arsenal do Alfeite quando este caiu à água entre aponte do Arsenal e um navio patrulha, para o que se atirou à água entre a ponte e o navio, mergulhando à profundidade de seis metros e procurando no fundo do lodo, apenas pelo tacto, dada a turvação das águas, o corpo do referido operário, acabando por o encontrar e, sem qualquer auxílio, trazê-lo à superfície”

Este louvor, confirmado pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e concedido pelo Comandante do draga-minas “Pico”, CTEN Carlos da Fontoura Garcez de Lencastre foi publicado na ODA n.º 143 de 25 de Julho de 1961 e terminava assim:

“...Usando pois, das atribuições que me são conferidas pelo artigo 106.º do Regulamento de Disciplina Militar, louvo o Subtenente da Reserva Naval Eurico Jorge Marques Antunes pela elevada coragem e abnegação que demonstrou possuir quando, em condições muito perigosas e difíceis, mergulhou à profundidade de seis metros em águas turvas, fundos de lodo e no apertado espaço compreendido entre a ponte cais cheia de cortantes incrustações e o navio, junto dos robaletes, arriscando-se a ficar preso num deles, e sem auxílio conseguiu trazer à superfície o corpo do operário que jazia inanimado no fundo, dando assim provas de elevado heroísmo, decisão e iniciativa...”


Fontes:
Revista n.º 6 da AORN de Jan/Mar 1998;


mls

05 fevereiro 2020

Galeria Reserva Naval (I)


"Comandante Adriano Chuquere e Reserva Naval"

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2009.08.04





Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Arquivo de Marinha; Revistas da Armada números 18 (Março 1973) e 26 (Novembro 1873); Apontamentos cedidos pelo Almirante Joaquim Espadinha Galo enquanto Comandante da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa; Anuário da Reserva Naval de Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha - Lanchas, 2006;

03 fevereiro 2020

Comando Naval de Moçambique


Post reformulado a partir de outro já publicado em 2009.07.08

"Estrutura do Comando Naval de Moçambique - Serviços"






Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Lista da Armada; Ordem da Armada;

29 janeiro 2020

Moçambique – Outros Comandos de Defesa Marítima


Post reformulado a partir de outro já publicado em 2009.07.03






Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Lista da Armada; Ordem da Armada;

27 janeiro 2020

Reserva Naval e Modelismo


Reserva Naval e Modelismo

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Abril de 2009)


Há meses atrás recebi uma mensagem de um cibernauta, Mário Rui Cavalleri, que procurava informações e documentação sobre miniaturas de navios da Marinha de Guerra. Sendo uma temática abordada com conhecimento e correcção, nunca ter deixado uma mensagem sem resposta mas sobretudo a mítica Reserva Naval, o apelido Cavalleri e a mais que familiar LFG “Orion”, não me deixaram margem para evasões.

Tudo porque alguém, conhecedor do blogue, terá cedido o endereço a Mário Rui que, na lista de preferências pessoais, disponibiliza grande parte do seu tempo à construção de miniaturas navais, algumas já realizadas e tendo uma outra da LFG “Orion” como projecto futuro, com a indicação complementar de poder vir a ser eu um apoio possível no fornecimento de algumas informações e imagens.

O decorrer do tempo, a troca de mensagens e o intercâmbio de informações úteis ampliaram o meu horizonte de conhecimentos, propiciando ainda o nascimento de uma amizade, fruto de valores culturais e de camaradagem com muitos pontos comuns.

Mar, Marinha, Reserva Naval e Guiné onde, bem no interior leste, em Cabuca, a sudeste de Nova Lamego, foi professor numa escola de nativos ao serviço do Exército, na CCav 3404 que integrava o BCav 3854 justificam a natural postura por mim assumida.




2TEN RN José Alvarez Cavalleri Martinho.

Não conheci de forma especialmente próxima o camarada 2TEN RN José Alvarez Cavalleri Martinho que pertenceu ao 1.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval mas também primo e padrinho do primeiro. Lamento não se ter proporcionado essa oportunidade mútua nos sempre poucos convívios de Marinha em que estando ambos presentes, ainda que de forma efêmera e por breves instantes, trocámos algumas palavras.

Tenho presentes um almoço dos 1.º e 2.º CEORN no Clube Militar Naval com o Comandante Coral Costa – Director de Instrução daqueles dois cursos, o aniversário da Associação comemorado na Escola Naval em 11 de Julho de 1998, uma Assembleia Geral no ISNG em Março do ano seguinte e pouco mais, afinal quase nada que justifique arrogar-me o direito de começar a dissertar sobre as suas qualidades humanas e profissionais.




Abaixo reproduzo na íntegra um aerograma enviado por José Cavalleri, do Sobral de Monte Agraço ao primo e afilhado, então na Guiné, escrevendo a dado passo que:

"...E por aí? Como vai essa Escola? E a situação operacional? Manda-me dizer o que puderes sem violar quaisquer normas de segurança, pois gosto de saber notícias na nossa brava rapaziada que tão galhardamente se bate aí nesse bocado de terra com mais água que terra.

Tenho outro primo aí na Guiné. É filho do meu tio José Alvarez que teus pais conhecem. Ele é Aspirante da Reserva Naval e estava comandando uma das vedetas*. É difícil que vocês contactem, pois há tanta "malta" aí que se passa despercebido..."





Mais do que valorizar palavras, esta meia dúzia de linhas transmitida numa comunicação entre familiares, testemunha uma elevada cultura Reserva Naval, ao serviço da Marinha mas também da Vida.

E, que melhor forma de recordar e homenagear um camarada da Reserva Naval encontraria eu no baú das frases feitas? Só mesmo pelo punho do próprio afilhado, também primo, nas linhas e imagens enviadas que aqui deixo:


"...
O modelismo é uma paixão, que se dá a conhecer de varíadissimas formas e temas. Lavoisier disse que “na natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma!

Para mim, em modelismo, o mesmo «princípio» aplica-se na perfeição dado que, na execução de um projecto, o modelista consegue «transformar» objectos que nada têm a ver com o fim para que foram concebidos e, por «artes» do ofício, passam a tomar outra forma e outro destino ou propósito.

É a transformação...




O modelo reduzido da LDM 304

Partindo do presuposto que é um hobby de paixão, a escolha dos temas cabe exclusivamente a cada um, dedicando-se ao objecto que mais aprecia, por variadissimas razões. No meu caso, em particular, o tema preferido são os navios.

E porquê?

Desde que comecei a tomar consciência da minha existência peregrina neste mundo, que senti e sinto uma forte atracção pelas coisas do Mar no que tive, e continuo a ter, a sorte e o privilégio de viver junto a ele, Mar. Habituei-me a admirar os navios, fundeados na baía de Cascais ou a meter piloto, quando ainda permanecia fundeado ao largo o navio que procedia a esse «transbordo», o Comandante Milheiro, que só raramente levantava ferro e se refugiava em Lisboa, nos dias de tempestade ou de rendição.

Levei uma vida inteira a "ver navios" e espero ainda continuar a ver mais... este amor que me une à Instituição que é a Marinha de Guerra Portuguesa, aos seus navios mas também a alguns bons e óptimos amigos que ao longo destes anos fiz, sobreveio de laços familiares, por ter tido como padrinho de baptismo e primo, um antigo oficial da Reserva Naval, o José Cavalleri Martinho.

A ele se deve em grande parte este amor e paixão, que me faz correr água salgada nas veias e, só não tive a honra de vestir a farda do botão da âncora por outras razôes, pois se isso tivesse sido possível, ainda hoje serviria a Instituição!

Quis o destino que, de verde camuflado e de bóina com duas espadas cruzadas, tivesse sido mobilizado e prestado serviço militar na antiga Guiné Portuguesa, numa comissão de 27 meses, 7 dias e seis horas, bem contadas.

Sempre que me encontrava esporadicamente em Bissau, sentadinho no Pelicano, devorando ninhos de camarão e “bazookas”, os meus olhos "arregalavam-se" ao olhar com "amor" para as LFP e LFG mas também as LDM e LDG. Eram navios “lindos”, com umas linhas simples e elegantes, talvez um pouco barulhentas as primeiras LFP construídas na Alemanha. Refiro as da classe “Bellatrix”.



A «Bellatrix» atracada ou fotografada a meia nau, à bóia

Os anos passaram. Modelismo naval e os métodos de criar os projectos foram-se aperfeiçoando também devido ao crescente aparecimento no mercado de kits, acessórios, revistas e um sem numero de "coisas" interessantíssimas para os apaixonados da modalidade.

Há uns anos atrás, resolvi deitar mãos à obra e fazer renascer das cinzas da memória, algumas réplicas dos nossos navios. Assim, pus a navegar novamente a LFP «Bellatrix», o NRP «Nautilo», este em fase de acabamentos electrónicos de que já tenho os planos - muito suados...diga-se! - e da LFG «Orion».




A «Nuno Tristão» atracada

Mas a «jóia da minha esquadra» é uma réplica de uma corveta, que não sendo a original da classe «Baptista de Andrade», é inspirada nela mesmo. A razão deveu-se a uma opção de tamanho/escala. Como a escala escolhida é 1/35, só posso dar vida a navios com máximo de 70 metros, ou seja para a escala de 1/35 não ultrapassar os dois metros, caso contrário o problema de logística e transporte, passaria a ser uma tremenda dor de cabeça... Por esse facto, a «corveta»(?) foi baptizada de «Nuno Tristão» que, no entanto, nada tem de semelhante com a fragata »Nuno Tristão», a F 332, há muito já abatida e que também passou por águas guineenses...

No caso específico da «minha Bellatrix» trata-se de um modelo radiocontrolado, operado com um R/C Futaba, dois motores eléctricos, com faróis de navegação de comando independente e antena de radar rotativa. Simples!...




A «Bellatrix» amarrada à bóia ou a navegar

Este hobby proporciona-me um elevado estado anti-stress, relaxante quanto baste, num desafio permanente à minha imaginação e criatividade como praticante, tendo como resultado um gozo e prazer ímpares, no fazer cruzeiros com os modelos mesmo que em «imaginação» e pelo período de capacidade das baterias, atendendo ás velocidades imprimidas ao modelo e até as mesmas se esgotarem...

Inclusivamente, podem recrear-se alguns pormenores de operações levadas a cabo em acções militares, com praticantes desta modalidade e com outros modelos, como por exemplo simular acções de desembarque de LDM ou LDG, acções de patrulha e fiscalização de LFP ou LFG, etc. Tudo o que a nossa mente idealize, pode quase sempre ser revivido a uma escala mais pequena...mas que dá um «gozo» fantástico, à parte o convívio, que é sempre salutar e profícuo em troca de saberes e alguns sabores também...




A LFP «Bellatrix» no apoio ao desembarque da LDM 304 numa operação conjunta.

Estas dicas são apenas algumas para quem ainda não "saboreou" este hobby e que possa vir a ter alguma curiosidade e vontade em iniciar-se, juntando-se ao mundo maravilhoso do modelismo, onde cada projecto é um desafio e o próximo será ainda melhor!...

Espero vê-los um dia destes pelas águas ou no tarrafo da Lagoa Azul.
..."


Mário Rui Cavalleri

* Referência feita ao 2TEN RN José António Sequeira Alvarez, comandante da LFP «Arcturus» de 30Out71 a 26Mai72;

Fontes:
Imagens cedidas por Mário Rui Cavalleri.


mls

26 janeiro 2020

Reflexão vs Solilóquio?


Post reformulado a partir de outro já publicado em 2009.06.12






Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Foto da LFG «Sagitário» no rio Cacheu, cedência do Comandante Adelino Rodrigues da Costa;

25 janeiro 2020

Porto Amélia – O Aquartelamento de Fuzileiros


Quartel dos Fuzileiros em Porto Amélia

Post reformulado a partir de outro já publicado em 20170316/20090607


Abaixo, num postal ilustrado da época, a península de Porto Amélia, edição da Câmara Municipal, de que era então presidente um homem dinâmico, o Sr. Tito Xavier. São visíveis a cidade e o respectivo porto, o aeroporto ao fundo e o Aquartelamento dos Fuzileiros em baixo à esquerda.



Neste aquartelamento construído pela Marinha, ficou sedeado em 20 de Novembro de 1964, o primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais a chegar a Moçambique, o DFE 1, comandado pelo 1TEN Maxfredo Ventura da Costa Campos, tendo como oficial imediato o 2TEN Fernando Alberto Gomes Pedrosa e como 3.º oficial o 2TEN RN António da Silva Pereira Jardim do 6.º CEORN.




Vista geral das instalações do aquartelamento de Fuzileiros de Porto Amélia na fase inicial da construção.

De 1964 a 1975, 19 Destacamentos de Fuzileiros Especiais integraram o dispositivo da Marinha de Guerra em Moçambique que, pela rotatividade periódica de locais de estacionamento, desempenharam missões em todo o território de forma idêntica, especialmente, no Lago Niassa - Metangula ou Cobué – e também em Porto Amélia. Além de outros, também o Ibo, Mocojo, Tete, Magoé Velho, e Tchiroze foram locais pontuais de actuação.

Abaixo, um painel de imagens do aquartelamento iniciado aquando da sua construção:





Vista parcial das instalações do aquartelamento





Entrada principal do aquartelamento





Bloco do edifício do Comando e instalações do Oficial de Dia visto da Avenida Marginal





Bloco do edifício do Comando e instalações do Oficial de Dia visto da Parada





Bloco da Comissão das instalações de Bem-Estar, Companhia de Equipagem e Secção do Correio





Bloco das Instalações do Sargento de Dia, Bloco Social e Secretaria do Comando





Bloco da Enfermaria, instalações da Comissão de Bem-Estar, edifício das Cobertas e Refeitório





O Serviço de Saúde do aquartelamento e Enfermaria, que apesar do aspecto modesto desempenhava actividade importante em consultas, tratamentos e, quando necessário, internamento





Bloco do Paiol do Quartel Mestre, Garagem e Central Geradora





O Refeitório





Estação Radionaval





Bloco do Serviço de Armamento e Escotarias





Muro de protecção da antena logarítmica





Torre do aquartelamento



Fontes:
Arquivo de Marinha; texto e postal alusivos, cedidos pelo 2TEN MN RN Fernando Jorge de Mendonça Lima que de 11Out67 a 26Mai69 desempenhou as funções de Chefe do Serviço de Saúde do Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

23 janeiro 2020

15.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Ago1969

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2017.09.04





Fontes: Texto do autor do blogue, compilado a partir do Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; fotos do curso cedidas pelo 2TEN AN RN Manuel José da Silva Castro Lopes e restantes de arquivo do autor do blogue;

mls

20 janeiro 2020

Moçambique, Porto Amélia - LFP «Antares» P 360


Post reformulado a partir de outro anteriormente publicado em 20090322/20170112





Fontes:
"Dicionário de Navios", Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; "Anuário da Reserva Naval 1958-1975", Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, com fotos da Revista da Armada n.º 258, Setembro/Outubro 1993;




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

16 janeiro 2020

Guiné - Abicagens e Desencalhes


LDG «Alfange» - Guiné, 1967

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 14 Dezembro 2016/13 Janeiro 2009)




A imagem ilustra, por si própria, o sábio conceito de que a união faz a força.

Na Guiné, os dedos das mãos não chegam para contar o número de vezes que o recurso a máquinas auxiliares foi imprescindível na correcção do posicionamento de uma abicagem ou para conseguir uma tracção suplementar num oportuno desencalhe.

Não ter de recorrer ao escoramento do navio ou da lancha, aguardando a próxima subida de maré, era já um cenário optimista.


Fontes:
Imagem cedida pelo Museu de Marinha;

mls

13 janeiro 2020

NRP "Bérrio"...mas «bérrio» porquê?


Post reformulado a partir de outro já publicado em 2017.01.15




Fontes: Texto e imagens de arquivo do autor do blogue com recurso a:
- «Dicionário de Navios», Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006;
- https://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_B%C3%A9rrio_(1993);
- http://www.flickr.com/photos/emoitas/2290123010/sizes/o/in/photostream/;
- http://www.comshalom.org/; http://zescudo.blogspot.pt/;
- http://www.slideshare.net/BisMarques/notas-de-escudo;
- http://parquedapena.no.sapo.pt/berrio_vitral.htm;

mls

10 janeiro 2020

14.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Jan1969

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2017.08.19





Fontes: Texto do autor do blogue, compilado a partir de Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; fotos de arquivo do autor do blogue com cedências de origem diversa pelos 2TEN RN Henrique de Oliveira Pires e 2TEN FZ RN Serafim Lobato;

mls

01 janeiro 2020

13.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Ago1968

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2017.07.24





Fontes: Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios e Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, Guiné, Luis Sanches de Baêna; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir do publicado na Revista n.º 17 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Março 2004; Fotos de Arquivo do autor do blogue com cedências de origens diversas;

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