12 abril 2021

1967, SCUT's na Guiné?....nem por isso!


"Guiné, 1967 - Humor puro, sem custos para o utilizador!"

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2011.09.04/2018.08,30





Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Texto do autor do blogue com foto amavelmente cedida por Victor Silva, pertencente à guarnição da LFP «Deneb»;

08 abril 2021

Fragata «Dom Fernando II e Glória» - Entrevista ao Director do Museu de Marinha


Lisboa, Cais de Alcântara, 13 Setembro 2004
Entrevista ao CMG Adriano Beça Gil, Director do Museu de Marinha
Jornalista Raquel Santos de "Entre Nós"
(RTP Arquivos)


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Dezembro de 2019)

Numa visita conduzida pelo CMG Guerreiro Brou, Comandante da Fragata, é relatada a história daquele navio-museu, então atracada em Alcântara, com explicações simples do interior e exterior da «Dom Fernando II e Glória».

A visita é intercalada com planos diversos do convés, cobertas, escaler, lancha, cabrestante e agulha magnética. Destaque para as suas peças, diversos equipamentos e também uma breve explicação das funções desempenhadas pelo pessoal.

Utilidade museológica do navio que consiste essencialmenten na exposição ao turismo.



Fontes: Foto de arquivo do autor do blogue por especial cortesia do Museu de Marinha; texto e filme partilhados a partir de «RTP Arquivos» em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/fragata-d-fernando-ii-e-gloria/

mls

05 abril 2021

Guiné, 1967 – LFP «Deneb», P 365


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Dezembro de 2011/7 de Dezembro de 2018)


Retalhos fotográficos da vida na LFP «Deneb», P 365




Em cima, a LFP «Deneb» amarrada ao tarrafo e, em baixo, foto de família à proa, junto do conjunto da peça Oerlikon 20 mmm e do lança-foguetes de 37 mm




No decorrer da vida operacional das Lanchas de Fiscalização Pequenas – LFP, tal como na das outras unidades navais, competia-lhes o cumprimento de missões pré-estabelecidas que incluiam, no início dos anos 60', operações ou cruzeiros de vários dias, mais marcadamente no sul do território.

Alternavam entre momentos de pacífica fiscalização e patrulha, sem grandes sobressaltos e com tempos de laser ou convívio possíveis, com momentos de grande tensão em que, rapidamente, se tinha de trocar a cana de pesca pela MG 42, a guitarra pelo lança-foguetes de 37 mm e a descontracção pelo eficaz desempenho no posto que a cada um competia.




Na LFP «Deneb», tempo de laser com crocodilos e tubarões com recurso ao turco de uma
LFG - Lancha de Fiscalização Grande, a que está atracada, para suspender o "peixe".



Dependia muito dos locais onde estavam destinadas as missões e a disposição peculiar de um inimigo que procurava sempre a surpresa como grande auxiliar nos ataques ou emboscadas, muitas vezes ardilosamente montados.

Ainda que em alguns locais dos rios Cacheu, Cobade, Cumbijã e Cacine as condições proporcionassem situações de vantagem aparentes para este tipo de acções de emboscada, as unidades navais reagiam quase sempre de imediato, com a experiência adquirida e no estado de prontidão aconselhado para cada situação.




Tempo musical, mascotes, caixas de batata portuguesa e mais tarrafo



Ao longo dos 12 anos de conflito naquele território, a LFP «Deneb» foi apenas uma das oito lanchas da classe «Bellatrix» atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

Neste caso específico, foi sempre comandada por oficiais da Reserva Naval em todo o tempo de vida em que se manteve ao serviço da Marinha. Todas estas unidades navais já aqui foram descritas pormenorizadamente ao longo do tempo.

Sem qualquer preocupação de encadeamento de factos ou acontecimentos e na ausência de enquadramento adequado aqui se inserem interessantes registos fotográficos supostamente referentes ao ano de 1967, cedidos amavelmente por um dos elementos da guarnição da lancha cuja atenção aqui agradecemos.





Em cima, atracadas na asa esquerda da ponte-cais de Bissau: LFP «Deneb» - P 365,
LFP «Canopus» - P 364, LFG «Sagitário» - P 1131, LFG «Cassiopeia» - P373 e uma outra LFG.
Em baixo, o NM «Uíge» fundeado ao largo de Bissau






Fontes:
Texto do autor do blogue; imagens cedidas gentilmente por Victor Silva, elemento da guarnição da LFP «Deneb» em 1967;


mls

31 março 2021

Angola, LFP "Régulus" - P 369


(Post reformulado a partir de outro anteriormente publicado em 2 de Novembro de 2010)





Fontes:
"Dicionário de Navios", Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; "Anuário da Reserva Naval 1958-1975", Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, com fotos da Revista da Armada n.º 258, Setembro/Outubro 1993;


mls

27 março 2021

Guiné, 1968 - Brigadeiro António de Spínola


"Guiné, 1968 - Brigadeiro António de Spínola"

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2018.10.22





Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Texto e arranjo gráfico do autor do blogue; documento original cedido por Alberto Lema Santos (Alf. Miliciano médico do BCaç 1933 e irmão do autor do blogue); resumo histórico do BCaç 1933 da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974), EME, 2002;

22 março 2021

Moçambique - Marinha em Porto Amélia (II)


Reserva Naval em Porto Amélia - Pemba

Post reformulado a partir de outro já publicado em 20090615

Em 23 de Julho de 2005, por ocasião do 10.º Aniversário da AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, na sessão comemorativa havida na Academia de Marinha, o Comandante Adelino Rodrigues da Costa proferiu uma intervenção intitulada “A Marinha e a Reserva Naval, uma aliança que perdura” e a propósito da sua ida para Moçambique, em 1966, como Imediato da LDG «Cimitarra», afirmava a dado passo:




Instalações oficinais do Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia.

“...O nosso destino era o norte de Moçambique, que não fazia parte da nossa informação escolar. Era uma região paisagística e culturalmente muito rica, devido à beleza das suas águas azuis e das suas ilhas de coral – as Quirimbas – mas devido também às suas marcadas influências árabes e hindus, ao seu passado de grande protagonismo na “história trágico-marítima” e no tráfico da escravatura. A pequena cidade de Porto Amélia, a capital de Cabo Delgado, era a nossa base.
Entre a meia dúzia de oficiais da Marinha que se lá se encontravam em permanência, havia dois da Reserva Naval com quem muito convivi: um deles tratava-me da saúde e o outro pagava-me o salário.
Com esses amigos e hoje compadres, partilhei episódios que, desde há quase 40 anos, sabemos de cor e repetimos em cada encontro, mas que revivemos sempre com a mesma satisfação, como se fosse a primeira vez. Como residentes tínhamos um certo estatuto social na terra, o que não sucedia com muitos outros oficiais, sobretudo fuzileiros, que normalmente passavam apenas alguns meses em Porto Amélia, em rotação com os fuzileiros do Lago Niassa. Para esses homens a situação era ainda mais difícil, não apenas por maiores dificuldades de inserção social por estarem de passagem, mas também porque tinham as suas operações, frequentemente no temível planalto dos Macondes, na serra Mapé e na área de Mueda – nomes muito simbólicos das campanhas militares do norte de Moçambique...”





Porto Amélia, 1967 - O 2TEN MN RN Mendonça Lima e o 2TEN Rodrigues da Costa em equipamento dominical, provavelmente antecipando uma refeição no "café da terra".

Nessa sua linguagem metafórica, salvaguardando o estado de saúde, ao tempo “em excelente forma”, e o “pagamento de salário”, normalmente efectuado aqui na Metrópole pela via administrativa, o Comandante Adelino Rodrigues da Costa referia dois oficiais da Reserva Naval, o 2TEN MN RN Fernando Jorge de Mendonça Lima e o 2TEN AN RN Luis António de Almeida Palma Féria, ambos do 9.º CFORN, que desde 1967 desempenhavam as funçõs de Chefe dos Serviços de Saúde e Chefe dos Serviços de Abastecimento do Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia, respectivamente.

Embora alguns oficiais fuzileiros tivessem passado antes por Porto Amélia, estes foram os primeiros oficiais RN que foram colocados naquele Comando da Defesa Marítima, cuja jurisdição se estendia por mais de duas centenas de milhas até à fronteira com a Tanzânia.





Apoiados na porta da LDG «Cimitarra», os 2TEN Rodrigues da Costa e 2TEN AN RN Luis Palma Féria saboreiam a limpidez e os 25 ou 26 graus de temperatura das águas do arquipélago das Quirimbas.

Muitos outros oficiais, dos Quadros Permanentes e da Reserva Naval prestaram serviço ou desempenharam missões naquele Comando de Defesa Marítima, assunto que abordaremos no post seguinte.



Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

16 março 2021

Guiné, 1963 - Alpoim Calvão e DFE 8


Post reformulado a partir de outro já publicado em 20121003/20190705





Fontes:
Pesquisa e compilação de texto do autor a partir do relatório de documentação do Arquivo da Marinha, Núcleo 236-A; Operação Mar Verde, António Luis Marinho, Temas e Debates, 2006; De Conakry ao MDLP, Alpoim Calvão, Intervenção, 1976; fotos de arquivo do autor, Arquivo da Marinha; LDM 306 de CMG Cervães Rodrigues; carta da Guiné-Bissau, barra dos rios Cacine/Cumbijã, Instituto Hidrográfico, 1959-1964;NMÍndia:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6g_dG2KwzmDmhdmhOwrp_l33C3K4ZYrrBIX6QEQvCKiTQTzf2LOCPvV5nXHLAqAO1yPbQWk-k_Fy9OOJwg9FGloj1Z0LYBI7MB1bKaY8BPlBGGaQ_YWchRAy2kKtzOGLZylxY/s1600-h/India%20(1950-1971)%5B4%5D.jpg;

mls

14 março 2021

Guiné - A Marinha do PAIGC de 1963 a 1974


Post reformulado a partir de outro já publicado em 20100830/20171123)





Fontes:
Pesquisa e compilação de texto do autor a partir do relatório de documentação do Arquivo da Marinha, Núcleo 236-A; Operação Mar Verde, António Luis Marinho, Temas e Debates, 2006; De Conakry ao MDLP, Alpoim Calvão, Intervenção, 1976; fotos do Arquivo da Marinha digitalizadas e tratadas pelo autor;

mls

26 fevereiro 2021

Guiné, rio Armada - O aparecimento da primeira mina aquática em Abril de 1967







Fontes:
Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; algumas informações sobre este episódio encontrados nos arquivos do Estado-Maior do CDMG, tomando como base o auto de ocorrência levantado oportunamente pela Esquadrilha de Lanchas em Maio de 1967; Arquivo de Marinha; Pormenor da carta 285-A, de Cacheu a Barro, do Instituto Hidrográfico; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue;


mls

23 fevereiro 2021

Guiné, nunca será demais...

...as acções das LD, LP, LDP e LDM na Guiné!

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2010/23 de Setembro de 2017)

Na Guiné, todos os acessos a portos ou simples locais de abicagem que permitissem acesso a localidades habitadas eram demandadas por unidades navais do Comando da Defesa Marítima da Guiné quer em missões de interesse puramente operacional quer, sobretudo, nos contínuos movimentos de apoio logístico às Forças Armadas.

Especial relevo para os comboios logísticos de batelões, organizados pontual ou periodicamente, enquadrados e escoltados por LDM’s, que garantiam transporte a militares, populações, armamento e equipamento. Reabasteciam-se, por essa via, não só aquartelamentos e populações mas, simultaneamente, procedia-se ao necessário escoamento de produtos, parte integrante da economia daquele território.



Mapa da região de Tombali - Catió, da carta militar então utilizada (1966);
anotam-se os pormenores do porto interior no rio Cadima, o porto exterior no rio Cagopere e as estradas de ligação à Vila de Catió e para Cufar

Se tem sentido referir portos ou simples locais de abicagem, a Vila de Catió (actualmente cidade), não pode deixar de ser uma referência histórica. Situada no sudoeste da Guiné, a norte das ilhas de Como, Caiar e Catunco, e a sul do Cantanhês, pertencia à região do Tombali, ao sector com esse mesmo nome - Catió. Região muito disputada militarmente pelo PAIGC e palco de tão intensos como permanentes conflitos.




Catió - Em cima, uma vista aérea e, em baixo, a pista de aviação



Tratava-se de uma localidade que pela localização, acabava por estar encravada e permanentemente sitiada numa zona que o PAIGC controlava na sua quase totalidade. Como um dos principais centros de escoamento do arroz do sul do território, em região densamente povoada, era visitada uma vez por mês por embarcações civis integradas em combóios escoltados.

O acesso fazia-se, quer pelo porto interior, no rio Cadime, afluente do Cagopere, por sua vez afluente do rio Cobade. Este último liga o rio Tombali ao rio Cumbijã e acessível a partir da confluência com o Tombali. Pelo porto exterior, situado no rio Cagopere podia fazer-se o acesso a Catió utilizando a estrada até à povoação.




A igreja de Catió

Esta última solução tinha a vantagem de dispor de maiores fundos e largura do rio para manobra das LDM e embarcações civis, embora com meios de abicagem praticamente inexistentes. A estacada existente onde se efectuava a atracação acabou quase em ruínas.

Por outro lado, a utilização do porto exterior estava permanentemente dependente da montagem de um dispositivo de segurança conveniente por parte das forças terrestres durante o tempo de permanência de navios e embarcações, normalmente 3 a 4 dias.

A outra solucão, praticamente a única ultimamente utilizada, era a do porto interior, onde existia um cais de pedra com possibilidade de atracarem as embarcações civis para operações de carga e descarga. As abicagens das LDM para o desembarque de viaturas e outro material pesado eram feitas no próprio cais, mas em péssimas condições.




Perspectiva do porto interior, no rio Cadima, completamente em seco

No canal de acesso ao porto interior, a cerca de 30 a 40 metros do alargamento onde se encontrava o cais, havia tendência para um pronunciado assoreamento, com tendência para fechar a entrada o que obrigava à dragagem. Limitação importante era também o porto interior ficar em seco no estofo da baixa-mar, sobretudo para as unidades navais que lá permaneciam durante o tempo de carga e descarga das embarcações civis.

Ali se cruzaram, em diferentes missões, militares de todos os ramos, a maioria do Exército, uma boa parte deles da Marinha - sendo que alguns Oficiais da Reserva Naval. Em encontros ocasionais ou não, ilustres desconhecidos ao tempo, ficou como que emitido um bilhete de identidade definitivo Guiné.

Décadas depois, promove encontros e cavaqueiras descontraídas, suscita relatos contraditórios, renova vivências, esbate diferenças, suscita apoios e amizade. Resumidamente, valores, que hoje configuram tesouros a preservar.

Abaixo ficam alguns testemunhos de passagens. Ainda que efêmeras, ficaram indelevelmente gravadas na História.



Em 2010.03.25, Benito Neves, em comunicação sobre "Nunca será demais" disse:

É como dizes... nunca será demais !!!!!!
É sempre um prazer navegar nas tuas águas, melhor dizendo, navegar contigo nas águas da "nossa" Guiné.
Desta vez, e mais uma vez, nas LDM, aquelas LDM que não esquecemos, que tanto nos ajudaram, que tanto nos valeram.... tanto que nem sabemos quanto!!!



Relembro-as com saudade e foi a saudade que me levou a abrir o baú das recordações e aí te envio algumas das muito poucas fotos, pintadas à mão e a pincel, que guardo das LDM.
No caso presente foi a LDM 310 e outras que não identifico mas que para ti aqui vão com um abraço.
Esta operação "Sobreiro", foi realizada no dia 21 de Fevereiro de 1967 e participaram a minha CCav 1484, a 4.ª CCaç que, na época, constituia a guarnição do aquartelamento de Bedanda, a CCaç 1591 e o Pelotão de Canhão sem Recuo 1154. O objectivo foi bater a região compreendida entre os rios Lama e o Ungauriuol.




Resultados: NT 2 mortos e 4 feridos; IN 3 mortos e, supostamente, feridos em número não estimado.
Depois de muito fogo a retirada foi feita em LDM – abençoadas - presumo que pelo rio Cumbijã, até Bedanda.
Continua a tua escrita que nos faz bem. Obrigado.

BNeves




Em 2010.03.26 mls respondeu a Benito Neves:

Sei pela tua própria boca, o que para ti e para muitos outros eventualmente mais silenciosos do que seria desejável, representou a Marinha e, particularmente, as LDM's que vos ajudavam a sobreviver naqueles lamaçais que todos pisámos.
Já que há como que um esquecimento voluntário da epopeia daquelas unidades navais, aqui substituo de quando em vez, mas sempre indevidamente, a Instituição a quem pertencerá assumir de forma inapelável esse dever moral e histórico.
Posso publicar a tua mensagem e as fotos?...apenas ajeitada editorialmente para publicação. Tenho mais...

"mls"




Em 2010.03.27 Benito Neves respondeu a mls:


Estás completamente à vontade para utilizares, como o queiras fazer, a mensagem e fotos que te enviei e que não são mais do que uma forma de gratidão que tenho e mantenho para com a Marinha.

B Neves




Em 2010.03.26 Benito Neves continuou para mls:

Há pouco dei-te uma resposta um tanto à pressa e acabei por não dizer tudo porque isto de haver horas para ir buscar os netos à escola, etc., etc., por vezes leva-nos a "acelerar" e, depois, acabamos por deixar de dizer coisas importantes que vou revelar ao mesmo tempo que respondo às questões que me pões:
... como dizia o outro: "era menino e moço" e mandaram-me para a Guiné com o posto de furriel miliciano, integrado na Companhia de Cavalaria 1484 que foi constituída no Regimento de Cavalaria 7 sito, na época, na Calçada da Ajuda.
O embarque foi feito no dia 20 de Outubro de 1965 no cais da Fundição, junto a Santa Apolónia, no paquete Niassa, com chegada a Bissau no dia 26 de Outubro.
Aqui para nós (embora esta informação conste dissimulada na história da Companhia) a viagem atrasou um dia porque foi vendida na nossa embaixada de Paris a informação de que o Niassa levaria duas bombas a bordo. Mar alto, sem costa à vista, o Niassa voltou para trás e fundeou na baía de Cascais. Depois... o espectáculo - sem sabermos o que se passava - coletes vestidos, Polícia Marítima, Mergulhadores, etc., etc, durante algumas horas. A notícia confirmou-se, segundo nos disseram, uma estaria na casa das máquinas e outra presa no casco exterior do navio.
Chegados a Bissau o nosso destino foi Nhacra onde permanecemos até ao dia 8 de Junho de 1966 - o adjunto do General Arnaldo Schultz dizia-se ter sido o padrinho de casamento do meu comandante de companhia. Na época a unidade tinha três pelotões em Nhacra, um pelotão destacado em Safim que, por sua vez, tinha uma Secção em Ensalmá e outra em João Landim.
Também aqui, em João Landim, onde cada Secção permanecia por períodos de 15 dias, posso dizer-te que só o facto de muitas vezes fundear no Mansoa o navio de fiscalização da Armada, mesmo em frente às nossas precárias instalações, permitia-nos uma noite muito mais tranquila. Também a vossa acção psicológica foi muito importante, até nestas pequenas coisas. Quantas vezes as pequenas coisas são tão importantes !!!!
Em 8 de Junho de 1966 embarcámos para Catió, com paragem em Bolama, como era da praxe.



Em Catió a CCav 1484 ficou em intervenção ao sector até ao dia 20 de Julho de 1967 e aqui, sim, soubemos o que era atravessar rios a vau, o que era ficar atascado, o que era o tarrafo, a mata, as operações, os feridos e os mortos.
Na parte das operações a minha sempre enorme gratidão para com a Marinha, para com a Força Aérea e outras forças que connosco colaboraram.
Para além da actividade operacional – verdade seja dita que em Catió todas as actividades eram operacionais - fizémos, em Cufar, a rendição da CCaç 763 (do Mário Fitas) e ali aguentámos até à chegada da CCaç 1621 (do Hugo Moura Ferreira) e estivemos no Cachil, na Ilha do Como, por mais de 30 dias, para rendição da CCaç 1587.
E, agora, algo de muito importante que me tinha ficado por dizer:
Quanta gratidão para com os homens da LP2 que, fundeados em Catió, diariamente, transportavam a água e o pão para a Companhia que se encontrava aquartelada no Cachil.




Quantas vezes com eles naveguei? Não sei mas foram largas dezenas. Quanto trabalho aquilo dava? Era muito, mas feito com gosto por quem tinha vinte anos. Carregar os barris, navegar pelo rio Cagopere até ao cais interior de Catió, descarregar os barris da lancha e voltar a carregá-los na Mercedes ou na GMC, ir enchê-los ao quartel de Catió. Voltar ao cais... esperar que a nova maré nos colocasse a lancha ao nível do cais para carregamento e nova viagem.
Quantas vezes, quase sempre, nestas viagens navegava connosco o medo de uma bazookada ou uma canhoada que nos afundasse.




As fotos que vão em anexo são do álbum do Victor Condeço, com quem entretanto falei e me autorizou a enviar-tas com liberdade de as utilizares como quiseres. Diz-me o Condeço que está convencido que te terá enviado estas fotos faz algum tempo. Portanto... liberdade de utilização.
Meu caro Lema, meu caro Amigo: Despejei o "saco", verti sentimentos e gratidão, gratidão eterna, pelo menos enquanto viver. E provavelmente por estas e por outras é que nos atrevemos a dizer que a rapaziada que passou pela Guiné é diferente da que esteve noutras partes do Império.
Já te dei que fazer. Corta, altera, modifica, faz como quiseres sem alterares o meu respeito e gratidão. Quanto à parte do Niassa ter voltado para trás, transcrevo-te o que está escrito na história oficial da CCav 1484:
"Em virtude de um alarme especial, o "Niassa" esteve fundeado em frente a Cascais, sofrendo assim o atraso de um dia. A viagem decorreu depois com normalidade, realizando-se a bordo palestras, sessões de cinema e jogos, tendo-se efectuado ainda um exercício de salvamento".
...as minhas desculpas pela longa mensagem.

B Neves




Em 2010.03.30 Victor Condeço comunicou a mls:

Vou enviar-te uma colecção de fotografias relacionadas com a Marinha, porto interior e exterior de Catió e também com a própria vila.
Delas farás o que entenderes, penso que te não servirão para muito mais do que a não ser vê-las.
Não têm particularidades para o teu trabalho, mas como diz o outro ‘quem dá o que tem...’
Não tenho fotos que digam respeito ás LDM’s em particular.
Julgo que se vislumbra numas das fotos no porto interior a LDM302, pelo menos num toldo consegue ler-se 302... que terá feito escolta a um comboio de reabastecimento em Setembro de 1967.
Para além de não ter fotos, não tenho memória visual de outras passagens.
Tenho para mim a ideia que as LDM’s teriam, dada a pouca largura do rio Cadime na zona do porto, que era digamos o início do rio propriamente dito, alguma dificuldade em manobrar para voltar a sair e por isso não iriam ali com muita assiduidade, ficando-se pelo porto exterior no rio Cagopere.



Do movimento no porto de Catió, para além dos barcos civis, batelões dos Correia e Gouveia o que mais recordo é a LP2, a lancha de apoio ao Cachil e que ali tinha o seu porto de abrigo.
A sua tripulação era gente boa, bons camaradas dos quais infelizmente já não recordo os nomes, com eles fiz (fizemos) grandes petiscadas, umas a bordo como se vê nas fotos, outras vindo eles ao quartel.



Das fotos que em tempos te mandei, penso que eram relativas à lancha Canopus no porto exterior e não sei se da LP2.
A propósito andei a fazer umas pesquisas sobre as LP e encontrei coisas curiosas, foram aumentadas 4 ao efectivo em 1963 e abatidas 4 menos de um ano depois, não obstante em 68 ainda estava em funcionamento pelo menos a LP2, junto envio também um doc do Word onde anotei essas curiosidades.
Manuel, se alguma das fotos te suscitar algum interesse e quiseres saber algo mais ou algum comentário, é só dizeres qual é, tentarei corresponder.
Peço desculpa por me ter alongado e nada ter adiantado relativamente às LDM.

Victor Condeço




Em 2010.03.31 mls respondeu a Victor Condeço:

Agradeço-te a valiosa colaboração no esforço de trazer a lume elementos quase desconhecidos sobre LDM's e LDP's em que me envolvo com facilidade. Procuro fazê-lo apenas pontualmente, na expectativa de que estas nossas linhas encontrem eco em quem de direito.
Algum desinteresse institucional acaba por ser colmatado, algo parcialmente, por antigos militares de todos os ramos que conheceram de perto a vivência daquelas guarnições, muitas vezes delas dependendo no abastecimento. Aí estaremos a referir toda a logística da Guiné em que se incluem a maioria dos aquartelamentos e Catió especificamente.
Também tem muito a ver com a Reserva Naval porque os combóios de abastecimento a Catió, Impungueda, Bedanda, Cabedú, Cacine e Gadamael eram na maior parte das vezes escoltados por LDM's integradas nos combóios com comando de oficiais subalternos, da Reserva Naval ou não e Fuzileiros ou não. Bom, mas a seguir teríamos de começar a efectuar outras abordagens como o Cacheu e não só. Voltemos ao nosso tema.
A escolta era completada em alguns troços, no Cobade por LFP's e no Cumbijã ou Cacine por LFG's, além do apoio aéreo. Chegou a haver combóios com 14 batelões ou embarcações. Imagina que granel imenso, uns com motor outros rebocados, marés que não davam tréguas, avarias e limitações de vária ordem e o velho IN à espreita para o habitual e variado foguetório de saudação.
Eu próprio, saindo da "Orion" no Cacine, efectuei uma operação com a LDM 307 e a Companhia estacionada em Cabedú.
Também tens razão ao afirmar que as LDM's se ficavam normalmente pelo porto exterior, no Cagopere, onde havia uma estacada que depois acabou arruinada, embora se tivesse de percorrer o resto do caminho para o aquartelamento por estrada.
Quanto a legislação, verifico que te manténs atento e vigilante. Certamente não serão reminiscências de Catió, mas a necessidade de rigor no teu xadrez histórico.
As primeiras Lanchas Patrulhas LP1 e LP2 e de Desembarque, LD 1, LD 2, LD 4 e LD 6 ainda participaram em diversas operações incluindo a "Tridente", em 1964.



As LD's 2 e 4 (mais tarde LDP's 102 e 103) com fuzileiros a bordo, vendo-se ao fundo a fragata "Nuno Tristão"; participaram todas na operação "Tridente"

As LD's (não LP's) de 1 a 7 vieram a dar origem às LDP's com o mesmo número. Pela sua reduzida autonomia e capacidade operacionais, quando comparadas com as LDM's, as área de actuação, salvo casos pontuais, passaram a desenvolver-se preferencialmente em águas mais próximas da base, em Bissau.
Mais tarde, ainda foram fabricadas as LDP's 108 e 109 mas a primeira foi para Angola e a segunda ficou aqui no Continente. A LDP 107 (ex-LD 7) foi para o Lago Niassa.
A LDP 103 (ex-LD 3) ficou para instrução na Escola de Fuzileiros e, em 1969, foi adaptada como meio de transporte do NA Sam Brás que estava em Moçambique e lá foi entregue.
Foram todas construídas nos Estaleiros Navais do Mondego. A maioria voltaram a ser renomeadas. Assim:
– LD 1 > LDP 101 (1963) > LDP 301 (1965) - Guiné
– LD 2 > LDP 102 (1963) > LDP 302 (1965) - Guiné
– LD 3 > LDP 103 (1963) > Escola de Fuzileiros (Instrução) > Sam Brás (1969)
– LD 4 > LDP 104 (1963) > LDP 303 (1965) - Guiné
– LD 5 > LDP 105 (1963) > Angola (Rio Zaire e Leste)
– LD 6 > LDP 106 (1963) > LDP 304 - Guiné
– LD 7 > LDP 107 (1963) > Moçambique (Lago Niassa)
– LDP 108 > Angola (Rio Zaire)
– LDP 109 > Continente
Julgo que a "302" a que te referes em "Catió" terá sido a LDP 302. Parece-me vislumbrar, na foto, o tipo de cobertura adoptado nas LDP mas deixo lugar a alguma dúvida.



Na foto da LFP "Canopus", reenviada agora por ti, reconheço sentado a meio do convés o meu camarada e colega de curso o Carlos Alberto Lopes, comandante daquela unidade naval. Espero bem que também esteja atento porque será uma foto extremamente invulgar com a lancha atracada ao cais de Catió, quase em seco.
Espero ter acrescentado algo útil ao teu já alargado conhecimento desta temática...

"mls"




Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; fotos de Victor Condeço, Benito Neves e arquivo do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 17.º Vol, 2006, Comissão Cultural da Marinha; carta do IICT, escala 1:50000.




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

19 fevereiro 2021

Guiné, 1964 - Operação «Hitler» no rio Camexibó





Fontes:
Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África 1961/74 - Guiné, Luis Sanches de Baêna, 2006; texto compilado de "De Conakry ao M.D.L.P.", Editorial Intervenção, Alpoim Calvão, 1976; fotos de arquivo do autor do blogue; pormenores da Carta da Província da Guiné, Ministério do Ultramar, 1961; Arquivo da Marinha; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Ordem da Armada 1.ª Série n.º 33 de 17.7.1964;

mls

12 fevereiro 2021

Ainda o Tancroal no rio Cacheu - Operações "Antares" e "Alpheratz" a 27 de Janeiro de 1968


Duas semanas depois os Fuzileiros regressaram ao local.


Duas semanas depois da emboscada do PAIGC à LFG «Lira» no Tancroal, em 13 de Janeiro de 1968, a Marinha voltou ao local com 2 Destacamentos de Fuzileiros Especiais em 27 de Janeiro desse mesmo mês. Com os Destacamentos de Fuzileiros Especiais - DFE12 embarcado na LFG «Lira» e o DFE10 embarcado na LFG «Hidra» organizando as Operações "Antares" e "Alpheratz" tipo batidas e varrendo toda a área.



Fontes:
Textos compilados a partir de documentação do arquivo de Marinha (COLOREDO e CDMGuiné) com imagens de arquivo do autor do blogue;


mls

08 fevereiro 2021

Moçambique - A Marinha em Porto Amélia nos anos 60/70


Post reformulado a partir de outro já publicado em 20090621






Fontes:

Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de «Setenta e Cinco Anos no Mar - Lanchas», Comissão Cultural de Marinha, 2006; Ordem da Armada; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa,1992;



Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

06 fevereiro 2021

Moçambique - Marinha em Porto Amélia (I)

Reserva Naval em Porto Amélia - Pemba
LFP-Lanchas de Fiscalização Pequenas «Sirius»-P1154 e «Vega»-P1155

Post reformulado a partir de outro já publicado em 20090318/20200119





Fontes:

Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de «Setenta e Cinco Anos no Mar - Lanchas», Comissão Cultural de Marinha, 2006; Ordem da Armada; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa,1992;



Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

27 janeiro 2021

LFG «Lira» P361 emboscada no rio Cacheu, Tancroal - Relatório do Comchefe


IV-Relatório final do Brigadeiro Spínola




Tal como noutras missões e acções, subsistem sempre dúvidas pertinentes sobre decisões tomadas. Também sobre a forma de apreciar, premiar ou não o fazer. Ainda como julgar uma Instituição indevidamente.



Fontes:
Textos compilados a partir de documentação do arquivo de Marinha (COLOREDO e CDMGuiné); imagens cedidas pelos comandante e imediato da LFG «Lira», respectivamente o 1TEN Carlos Dias Souto (CMG Ref.) e 2TEN RN Jorge Calado Marques, 8.º CEORN (falecido) e 2TEN RN Abel Ivo de Melo Sousa, 20.º CFORN–DFE 1 (CFR Ref)


mls

26 janeiro 2021

LFG «Lira» P361 emboscada no rio Cacheu, Tancroal - Considerações finais


Recordando III (final)




Tal como noutras missões e acções, subsistem sempre dúvidas pertinentes sobre decisões tomadas. Também sobre a forma de apreciar, premiar ou não o fazer. Ainda como julgar uma Instituição indevidamente.



Fontes:
Textos compilados a partir de documentação do arquivo de Marinha (COLOREDO e CDMGuiné); imagens cedidas pelos comandante e imediato da LFG «Lira», respectivamente o 1TEN Carlos Dias Souto (CMG Ref.) e 2TEN RN Jorge Calado Marques, 8.º CEORN (falecido) e 2TEN RN Abel Ivo de Melo Sousa, 20.º CFORN–DFE 1 (CFR Ref)


mls

15 janeiro 2021

Guiné, rio Cacheu - LFG «Lira» P 361, emboscada no Tancroal há 53 anos atrás em 13 de Janeiro de 1968


Recordando II






Tal como noutras missões e acções, subsistem sempre dúvidas pertinentes sobre decisões tomadas. Também sobre a forma de apreciar, premiar ou não o fazer. Ainda como, indevidamente, julgar uma Instituição.



Fontes:
Textos compilados a partir de documentação do arquivo de Marinha (COLOREDO e CDMGuiné); imagens cedidas pelos comandante e imediato da LFG «Lira», respectivamente o 1TEN Carlos Dias Souto (CMG Ref.) e 2TEN RN Jorge Calado Marques, 8.º CEORN (falecido) e 2TEN RN Abel Ivo de Melo Sousa, 20.º CFORN–DFE 1 (CFR Ref)


mls

13 janeiro 2021

Guiné, rio Cacheu - LFG «Lira», P 361, emboscada no Tancroal há 53 anos atrás!


Tancroal-Temível local de emboscadas e ataques à Marinha

Recordando (I)...

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 11 de Janeiro de 2010/19 de Julho de 2017)






Fontes:
Textos compilados a partir de documentação do arquivo de Marinha (COLOREDO e CDMGuiné); imagens cedidas pelos comandante e imediato da LFG «Lira», respectivamente o 1TEN Carlos Dias Souto (CMG Ref.) e 2TEN RN Jorge Calado Marques, 8.º CEORN (falecido) e 2TEN RN Abel Ivo de Melo Sousa, 20.º CFORN–DFE 1 (CFR Ref)


Tal como noutras missões e acções, subsistem sempre dúvidas pertinentes sobre decisões tomadas. Também sobre a forma de apreciar, premiar ou não o fazer. Ainda como, indevidamente, julgar uma Instituição.

11 janeiro 2021

Monumento aos Combatentes do Ultramar


O Encontro Nacional de Combatentes: "Talvez nesta cerimónia devessemos ouvir apenas os clarins"





O Monumento aos Combatentes do Ultramar é um monumento localizado junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Foi criado criado am 1991 para homenagear todos os militares que combateram ao serviço de Portugal na Guerra do Ultramar/Guerra Colonial que se estendeu de 1961-1974.

Obra do escultor João Antero de Almeida e de um conjunto de arquitectos, Francisco José Ferreira Guedes de Carvalho, Helena Albuquerque e Sidónio Costa Cabral, este memorial «Aos Combatentes do Ultramar», viu lançada a sua primeira pedra em 12 de maio de 1993.



Segundo a autarquia, "Realizar um ato de justiça aos Combatentes que serviram a Pátria no Ultramar", "exercer uma ação cultural, patriótica e pedagógica na defesa de Portugal", "favorecer uma função nacional, de prestação de honras solenes à memória dos Combatentes, em datas históricas consagradas ou na ocasião de visitas de Estado ao nosso País" são os objectivos patentes na sua memória descritiva e que presidiram à construção deste elemento.

Bem integrado no Forte do Bom Sucesso, a sua concepção abstracta, de grande sobriedade e fortemente geométrica, baseada numa ideia de grande pureza formal e simbólica, é traduzida através de um pórtico monumental, cuja forma triangular de linhas simples, exibe uma verticalidade acentuada. Trata-se de uma escultura de pedra, incluindo metal e uma zona espelhada, inserida num lago, cuja água simboliza o afastamento ou a distância a que os combatentes se encontravam, exibindo no centro do monumento a "Chama da Pátria".



Com a presença do Presidente da República, então o Dr. Jorge Sampao, foi inaugurado a 15 de janeiro de 1994 pelo Professor Doutor Adriano Moreira e pelo General Altino de Magalhães, este último que na altura desempanhava as funções de Presidente da Liga dos Combatentes. Desde esse ano, no dia 10 de Junho de cada ano, é ali realizada o Encontro Nacional de Combatentes.

No dia da cerimónia de inauguração do Monumento aos Combatentes do Ultramar, as primeiras palavras do discurso proferido por Adriano Moreira foram: “Sr. Presidente da República, Combatentes. Talvez nesta cerimónia cívica destinada a honrar os combatentes da Guerra do Ultramar português fosse apropriado fazer ouvir apenas os clarins num dos toques que misturam os sons da agonia com os sons da glória”.



Desde essa data, anualmente, no dia 10 de junho, realiza-se o Encontro Nacional de Combatentes junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar. Todos os anos, esse encontro, que presta homenagem aos homens que morreram por combaterem em nome de Portugal, é composto por uma cerimónia inter-religiosa, discursos, desfiles, demonstrações militares, um cortejo e a deposição de flores junto ao Monumento e ao longo das lápides nominativas que cobrem o Forte do Bom Sucesso.

No ano 2000, ao longo do Forte do Bom Sucesso, foram afixadas lápides onde figuram os nomes dos caídos no cumprimento do dever.



Fontes:

Texto e imagens de arquivo do autor do blogue com extractos de texto compilados a partir de:
https://informacoeseservicos.lisboa.pt/contactos/diretorio-da-cidade/monumento-aos-combatentes-do-ultramar e de https://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_aos_Combatentes_do_Ultramar


mls