16 junho 2018

Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu


Guiné, 1990 - Os degredados do forte do Cacheu

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2011)





No interior do forte do Cacheu, em Fevereiro de 1990, João Teixeira Pinto, Diogo Gomes, Nuno Tristão e Honório Barreto, quatro notáveis vultos da história da República da Guiné-Bissau, ainda que em deficientes condições e com participação histórica diferenciada no tempo, parecem uma estranha associação de degredados.

Na foto inferior, Diogo Gomes encostado a uma guarita do forte, parece prescrutar o horizonte na esperança de que melhores dias tragam os mares.







Fontes:
Texto do autor; fotos(1998) de Emídio Aragão Teixeira, 8.º CEORN;


mls

15 junho 2018

Cacheu, 1989 - Testemunho de uma passagem pelo Forte do Cacheu


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 30 de Março de 2011)






Fontes:
Foto cedida pelo Dr. Carlos Silva (antigo Furriel Miliciano, CCaç 2548.


mls

10 junho 2018

Cerimónia de Homenagem aos Combatentes


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 22 de Março de 2011)

A opinião de um Santo Aleixense, antigo oficial da Reserva Naval do 8.º CEORN




Concelho de Moura - Aldeia de Santo Aleixo da Restauração, encimada pela igreja


Nunca fui apoiante e nem sequer simpatizante de Cavaco Silva. Continuo a considerá-lo como um dos principais responsáveis pelo estado político-social a que chegou o País em que nasci, cresci e em que escolhi viver.

Não partilho os valores políticos, sociais e religiosos daquele antigo Presidente da República.

Que tenha dado conta, na minha já não muito curta travessia de vida, nunca me aproveitei de quaisquer benesses ao serviço de interesses estranhos aos que a minha educação e consciência me impuseram como conduta pessoal e profissional.

Dentro desse modelo pequeno-burguês, herdado familiarmente, encarei o serviço militar como "incontornável" e, como alternativa depois de me candidatar à Marinha, escolhi ou mais correctamente terei sido seleccionado por aquela Instituição para o fazer.

Já não consegui evitar democraticamente a minha nomeação para a Guiné como local ideal para o desempenho da minha parcela de cidadania a cumprir mas, mais uma vez, fui menino obediente e bem comportado.

A despeito de, por direito de classificação final de curso, me competir o desempenho de missões que me viriam a ser cometidas noutro qualquer território à minha escolha, e só nesse sentido refiro obediência ou bom comportamento, fui nomeado para o fazer naquele teatro.

Regressei incólume, tal como toda a guarnição da unidade naval onde prestei serviço a despeito de, no global dos três teatros da Guerra do Ultramar, mais de nove milhares de militares não terem tido a mesma sorte.

Não sei se lhes foi dada oportunidade de escolha mas cabe-me, como cidadão livre e vivendo em democracia, respeitar e honrar essa Memória, seja ela de África, da Índia, da 1.ª Guerra Mundial, de Aljubarrota ou de outro qualquer lado onde se combateu ao serviço de Portugal.

Fá-lo-ei sempre!

Nestas palavras, e em poucas coisas mais, estive de acordo com Cavaco Silva! Também, por esse mesmo motivo, publiquei, ao tempo, a alocução dele na homenagem efectuada junto do monumento aos Combatentes do Ultramar e que volto agora a republicar no "link" abaixo que inclui o vídeo da cerimónia:


Pecou por tardia a atitude, já que dispôs de um primeiro mandato completo para o fazer mas, calculísticas avaliações políticas mais do que sentir verdadeiro, terão atirado a iniciativa para um almejado segundo mandato porque o risco de não ser reeleito seria eventualmente acrescido.

Aqui, permito-me expressar uma outra opinião que considero sustentada quanto baste. Tenho um enorme respeito pelo saber e cultura do Prof. Adriano Moreira que oiço atentamente, sempre que tenho ocasião para tal.

Foi Ministro do Ultramar e não de África e, por palavras próprias, já explicou pormenorizadamente a diferença de conceitos e também onde acabou um e começou o outro. Na minha modesta opinião, fê-lo detalhadamente e com conhecimento de causa.

Uma coisa é certa! Está gravado no meu espírito que quando embarquei para a Guiné fui para o Ultramar (África) e, no final da minha comissão, regressei à Metrópole (Portugal). Era assim em linguagem corrente mas "tempo e conveniência política" deturpam verdades históricas. Colónias sempre tivemos e, a haver alguma espécie de «acordo ortográfico obrigatório» com alteração significativa da denominação, adoptaria a de Guerra Colonial.

Não quero pronunciar-me sobre o pouco que conheço para lá da Guiné. Tendo lido alguma coisa sobre outros teatros de conflito, mas bastam-me meia dúzia de nomes entre os quais incluo o do Lobo Antunes para me apetecer continuar calado e, indo mais além na minha imagem de marinheiro, ter que chamar pelo "gregório" como na navegação em mar cavado a grosso. Afinal, tantas vezes se propala a mentira que assume foros de verdade...

Quase simultaneamente, a minha mãe teve lá três filhos de quatro, dois na Guiné e uma filha em Angola com o marido, este como Oficial da FAP, ao tempo. Nenhum deles como militar de carreira.

A única pessoa que, durante o meu tempo de permanência na Guiné, mostrou proteger por duas vezes a minha vida, conhecia-me há meia dúzia de meses, era um negro de etnia mandinga e foi mais tarde fuzilado a mando de escumalha que se dedica ao narcotráfico, tudo em nome de um bom povo guineense que ainda não deixou de sofrer desde que de lá saímos.

Também aqui estou de acordo com Cavaco Silva. E serei apelidado de racista?

Depois, bem, depois vieram datas célebres, sessões de esclarecimento, tentativas várias de lavagens ao cérebro, pessoas classificadas como não devidamente esclarecidas, ameaças veladas, saneamentos, empresas saqueadas, plenários, comícios com toda a casta de apaniguados, modelos políticos e sociais a aplicar, a maioria sob a batuta filosófica de acólitos de Marx, Lenine, Engels e Trotsky, uns piores do que outros mas todos medíocres, maus os que se seguiram e, agora, ainda piores.

Para mim sobrou o epíteto de "recuperável" talvez depois de umas férias num qualquer arquipélago "Gulag". Parece nada terem aprendido e o País reflecte-o hoje pesadamente! Muito teria para continuar a debitar mas não consigo descortinar motivos válidos para apoiar quem quer que seja nem "antes" nem "depois".

A igreja de Santo Aleixo da Restauração, localidade de onde sou natural, foi destruída por três vezes na Independência e de outras tantas vezes foi reconstruída, sem apoios comunitários. Por lá se mantém, bem caiada. A localidade figura no Monumento dos Restauradores e, provavelmente, haverá por aqui alguma genética residual de rejeição à política e, mais ainda, à manipulação que a comunicação social hoje dela faz.



Lisboa - Praça dos Restauradores, monumento e um pormenor

Muito provavelmente, também o País irá continuar, mesmo sem a falta de qualidade e dignidade mínima exigíveis a políticos representativos de cidadãos que neles acreditam e votam.

Façam o favor de cumprir com dignidade, como sempre fizeram a maioria dos Combatentes, ainda que muitos deles emprestados temporariamente às Forças Armadas como Milicianos do Exército ou da Força Aérea e ainda da Reserva Naval, neste último caso da Marinha.

Evoco aqui as Mães que cederam o melhor de si próprias às fileiras e os Militares que honraram o conceito de cidadania ao serviço do Pátria por que lutaram ou até deram a vida.


Manuel Lema Santos, 8.º CEORN
1TEN RN 1965-1972, lic.
Guiné LFG «Orion», 1966/1968;
CNC 1968/1970;
EMA 1970/1972;


Fontes:
Texto e foto do autor; foto de Santo Aleixo da Restauração de António Melão, 2008 com a devida vénia em http://www.flickr.com/photos/metalcamera/2338221925/sizes/z/in/photostream/


mls

31 maio 2018

Lisboa > Sal > Bissau, 31 Maio 1966 - O início de uma comissão de 2 anos


Post reformulado a partir de outro já publicado em 2011.04.17






Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; texto da aeronave DC 6 em http://pt.wikipedia.org/wiki/Douglas_DC-6 com fotos gentilmente cedidas por Victor Barata, http://especialistasdaba12.blogspot.com/; Arquivo de Marinha; Abel de Melo Sousa, 20.º CFORN; Henrique Oliveira Pires, 11.º CFORN;

27 maio 2018

Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000


Nota prévia do autor do blogue:

Este "post" reproduz na íntegra o artigo publicado na Revista n.º 11 da "AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval" de Abril de 2000. Refere uma cerimónia simbólica, havida em 11 de Fevereiro de 2000 na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Superintendente do Serviço de Pessoal, à época o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes.

Agraciados com a Medalha de Mérito Militar de 3.ª Classe:

2TEN RN Luis Alberto Neves Cordeiro, 3.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Pedro Norton dos Reis, 3.º CEORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Rui Horácio da Silva Pires, 3.º CEORN, Angola, LFP «Espiga»;
STEN FZ RN António Luis Marinho de Castro, 8.º CEORN, Angola, CF 1;

Agraciados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas:

2TEN RN José Martins Figueira, 4.º CEORN, Guiné, CDMGuiné;
2TEN RN Rogério Bordalo da Rocha, 8.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN José Vieira de Sá, 11.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN, Moçambique, CF 4;
2TEN RN José Rasquilha de Abreu, 15.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António Gravata Filipe, 17.º CFORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, Moçambique, LFP «Saturno»;
2TEN RN Herculano Marques Ferreira, 18.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Carlos Magalhâes Oliveira, 21.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António José de Oliveira Brás, 23.º CFORN, Angola, LFP «Rigel»;




Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000




Em cima o grupo dos condecorados e, em baixo,
o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes proferindo a sua alocução





Na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes, Superintendente do Serviço do Pessoal, teve lugar no passado dia 11 de Fevereiro, a cerimónia de entrega de condecorações a 14 Oficiais da Reserva Naval a quem as mesmas tinham sido concedidas em épocas remotas e cuja publicação em Ordens do Dia à Armada de então, oficializara.

Da relação constavam 4 Medalhas de Mérito Militar de 3ª Classe, atribuídas em 1964 aos 2º Tenentes Luís Alberto Neves Cordeiro, Pedro Norton dos Reis e Rui da Silva Pires, do 3º CEORN e, em 1968, a António Luís Marinho de Castro (8º), e 10 Medalhas das Campanhas das Forças Armadas, atribuídas em 1964 a José Martins Figueira (4º), em 1968 a Rogério Bordalo da Rocha (8º), em 1970 a José Vieira de Sá (11º) e a Ricardo Migães de Campos (11º), em 1972 a José Rasquilha de Abreu (15º), em 1974 a António Gravata Filipe (17º), Francisco Cascabulho Tomé (17º) e HerculanoMarques Ferreira (18º) e, em 1976, a Carlos Magalhães Oliveira (21º) e a António José de Oliveira Brás (23º).

Evocada pelo Vice Almirante Castanho Paes a memória de Francisco Cascabulho Tomé, entretanto falecido, foi guardado um minuto de silêncio, tendo a condecoração sido entregue a seu filho Francisco Tomé.




Entrega da condecoração a Francisco Tomé em representação de seu pai

As palavras de Alfredo Lemos Damião, pela AORN, realçaram o simbolismo da cerimónia e o significado da passagem dos RN pela Marinha, mesmo em circunstâncias difíceis, sem cuidar de recompensas. O facto de muitos dos agraciados se encontrarem na situação de licenciados quando a publicação em OA se verificou, originou o desconhecimento da concessão das respectivas medalhas.

Em nome dos condecorados, António José de Oliveira Brás, último Comandante do NRP «Rigel», uma das lanchas da classe Bellatrix em serviço em Angola, cumprindo por praxe o “direito ao mais moderno usar da palavra”, em sentido improviso agradeceu à Marinha a cerimónia e recordou a figura do Vice-Almirante Jaime Barata Botelho, Vice-CEMA, recentemente falecido, que fora o seu último Comandante em Angola e a quem o ligavam laços de muita amizade, nascida nessa época de comissão e continuada em Lisboa, ao longo de váriosanos.




António Oliveira Brás agradecendo, em nome dos condecorados

O Vice Almirante Jaime Barata Botelho, que a Marinha recorda com muita saudade, foi também para a Reserva Naval, desde sempre e mais recentemente para a AORN, quer como Director do ISNG, quer no Estado-Maior da Armada, um Amigo Grande.

Diversos oficiais de Marinha associaram-se à cerimónia, que contou ainda com familiares e amigos dos condecorados.

Na ocasião, o Vice-Almirante Castanho Paes dirigiu aos presentes as seguintes palavras: «É para mim uma grande honra e é também com muito prazer que o faço, presidir em nome do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, a esta cerimónia de entrega de condecorações a ex-oficiais da nossa saudosa Reserva Naval. E digo “saudosa Reserva Naval”, não só por referência ao passado, ao considerar a reconhecida utilidade e mérito que a sua existência trouxe à Marinha, designadamente numa época em que o País passou pelas conhecidas dificuldades políticas e sociais que caracterizaram a situação nacional durante as campanhas ultramarinas e período subsequente, mas também por referência ao próprio presente.




Herculano Marques Ferreira recebendo a sua medalha

E refiro o presente, porque no exercício das minhas funções de Superintendente dos Serviços do Pessoal, não raras vezes me tem ocorrido a ideia de quão vantajoso seria para o funcionamento da Marinha de hoje fazer ressuscitar a Reserva Naval. É que no actual quadro de funcionamento de recursos e vocações escassas com que a Marinha se defronta, face ao que crescentemente lhe tem vindo a ser exigido, dispôr-se com as facilidades de então de um válido corpo de oficiais, capaz de suprir as lacunas conjunturais dos seus quadros permanentes e, oferecendo-lhe ainda as mais valias resultantes de um alargado relacionamento com potenciais dirigentes, das mais diversas actividades e sectores da vida nacional, seria sem dúvida, como o foi no passado, um benefício de valor inestimável.

Contudo, as organizações com responsabilidades públicas não podem viver de sonhos mas sim da realidade e, nesta óptica, não estou aqui para falar das dificuldades da Marinha, mas antes de mais para saldar uma dívida dela para com um conjunto dos seus servidores que lhe dedicou um período significativo das suas próprias vidas. Um período que acarretou certamente sacrifícios pessoais para muitos mas que foi, em maior ou menor medida, compensado pela vivência de uma experiência humana, social e profissional certamente enriquecedora.




Neves Cordeiro, Silva Pires, Cmdte Rui Pires dos Santos e Pedro Norton Reis

É com certeza porque não consideraram o período do serviço prestado na Marinha como tempo perdido, que os Senhores Tenentes da Reserva Naval, que dentro de momentos vão ser condecorados, decidiram aqui comparecer. Por outro lado, gostaria de lembrar que, para além de nesta cerimónia me ter cabido a honra de representar o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, me sinto também de certa forma como representante dos comandantes, directores ou chefes que, por razões que seria agora despropositado tentar justificar, vos não puderam impôr pessoal e oportunamente, as condecorações que merecidamente lhes foram concedidas. Porém, como mais vale tarde que nunca, bem hajam pelo vosso empenho em querer receber estas simbólicas recordações de um passado que de todo não quiseram esquecer.

Por fim, aproveito a oportunidade para pessoalmente felicitar a AORN por esta feliz iniciativa, a qual se insere no conjunto de acertados rumos que tem vindo a prosseguir na viagem que se propôs realizar. Bons ventos continuem a acompanhá-la, são os meus sinceros votos.Não queria terminar sem uma referência muito especial ao nosso camarada Dr. Francisco Cascabulho Tomé que, por fatalidade do destino já não pode estar aqui connosco senão em pensamento. A sua manifesta vontade de comparecer nesta cerimónia, apesar de já gravemente doente, não pode deixar de nos comover, pelo que revela em termos da sua estatura moral, mesmo para aqueles que, como eu, não tiveram a oportunidade de o conhecer.

À sua família, que teve a coragem de partilhar este momento connosco, apresento as sentidas condolências do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada e as minhas condolências pessoais, pedindo a todos os presentes o favor de me acompanharem num minuto de silêncio em sua honrada memória.»




Comentários finais do autor do blogue:

Entre 1958 e 1975 tiveram lugar na Escola Naval 25 cursos de Oficiais da Reserva Naval, num total de 1.712 oficiais daquele Quadro de Complemento, distribuídos pelas várias classes de oficiais até então criadas.

No decorrer daquele período, especialmente depois de ter eclodido a Guerra do Ultramar, foram destacados para missões de serviço nos vários teatros de conflito entre LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG – Lanchas de Desembarque Grandes, LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, DFE – Destacamentos de Fuzileiros Especiais, CF – Companhias de Fuzileiros e Unidades e Serviços em terra:

Guiné: 254 oficiais;
Angola: 264 oficiais;
Moçambique: 217 oficiais;
Cabo Verde: 35 oficiais;
Macau: 1 oficial;
Timor: 2 oficiais;

A este total de 773 oficiais haverá ainda que adicionar as comissões efectuadas em unidades navais de maior porte, tais como navios-patrulhas, navios hidrográficos, fragatas, corvetas, destroyers, etc., de que não será muito fácil efectuar pesquisa ou controlo rigoroso e exaustivo. De forma proximada, quase um milhar de oficiais da Reserva Naval terão efectuado comissões de serviço no período da Guerra do Ultramar em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Macau e também Timor.

Naquela cerimónia, organizada pela AORN sob proposta do seu Secretário-Geral de então, José Augusto Paes Pires de Lima do 4.º CEORN, ele próprio tendo desempenhado as funções de comandante da LFP «Fomalhaut», qual o critério de selecção e escolha que permitiu concluir ser aquele conjunto representativo de quase um milhar de oficiais da Reserva Naval que, com toda a justiça, teriam direito a serem condecorados da mesma forma que 10 dos 14 galardoados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas?

Considerando indiscutível o elevado espírito que presidiu à organização da cerimónia ainda que reduzido a um mero simbolismo institucional - na impossibilidade de estarem presentes todos os oficiais com direito a condecoração por legislação própria - como se explica uma selecção em que, dos 14 oficiais da Reserva Naval presentes, 11 tenham desempenhado missões como Comandantes de LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas? Mais estreito ainda na selecção parece ser o critério de que, dos 11 oficiais acima referidos, 6 deles terem sido comandantes da LFP «Fomalhaut».

Não teria sido possível uma amostragem mais representativa e alargada entre quase um milhar de Oficiais da Reserva Naval distribuídos pelas diferentes classes e tendo desempenhado funções noutras unidades navais ou ainda em unidades e serviços em terra, seleccionados dos vários teatros em que decorreu a Guerra do Ultramar?

Como alguns que ali estiveram presentes ou representados por familiares, muitos outros já não se encontravam entre nós, impedidos pelo destino último de poderem partilhar aquele momento de elevação com a Instituição e Camaradas, o que também lhes ficou devido.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, ao tempo já publicadas na Revista n.º 11 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Abril 2000, em artigo redigido por José Pires de Lima, 4.º CEORN, Secretário-Geral da AORN e também ele, antigo comandante da LFP «Fomalhaut»; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005;


mls

21 maio 2018

Moçambique, LFP «Urano» - P 1137


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Urano» - P 1137

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




Dupla epopeia do transporte por terra da LFP «Urano» com a LFP «Saturno»


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Urano» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 12 de Agosto de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia e fiscalização da pesca durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Saturno» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.




Ainda uma terceira imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»


Comandaram a LFP «Urano» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa, 7.º CEORN, 12Ago65/02Jul66;
2TEN RN João da Silva Boavida Canada, 7.º CEORN, 06Jul66/28Abr67;
2TEN RN Rogério Vieira de Sá, 9.º CFORN, 28Abr67/11Mai69;
2TEN RN António Carlos da Silva Carneiro, 17.º CFORN, 16Jun71/21Mai73;
2TEN RN José Manuel Proença Cameira, 20.º CFORN, 21Mai73/31Mar75;

Comandou a LFP «Urano» o seguinte oficial do QP:

2TEN José Maria da Silva Horta, 11Mai69/16Jun71;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Saturno».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

18 maio 2018

Moçambique, LFP «Saturno» - P 1136


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Saturno» - P 1136

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




A verdadeira epopeia do transporte por terra da LFP "Saturno"


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Saturno» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 29 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Urano» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Saturno»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Saturno» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho, 7.º CEORN, 29Jul65/14Nov66;
2TEN RN António Roque de Andrade Afonso, 9.º CFORN, 02Jun67/04Jun69;
2TEN RN José Luis Correia Belo, 13.º CFORN, 04Jun69/17Mai71;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, 17Mai71/15Mai73;
2TEN RN Joaquim José Tição Teixeira Sampaio, 20.º CFORN,15Mai73/14Out74;
2TEN RN Manuel Joaquim Couto Alves dos Reis, 21.º CFORN,14Out74/31Mar75;

Quadros Permanentes:

1TEN João Geraldes Freire, 14Nov66/03Dez66;
1TEN António Maria de Sá Alves Sameiro, 03Dez66/02Jun67;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Urano».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

16 maio 2018

Moçambique, LFP «Mercúrio» - P 1135


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Mercúrio» - P 1135




A LFP "Mercúrio" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Mercúrio» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Marte» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Nacala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Mercúrio» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN José Deolindo Torres Sobral, 28Jul65/05Mai67;

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos, 9.º CEORN, 05Mai67/01Ago68;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes, 11.º CFORN, 01Ago68/06Mai70;
2TEN RN Jorge Manuel Canossa da Silva, 15.º CFORN, 06Mai70/16Mai72;
2TEN RN Luis Alexandre Lynce de Faria, 18.º CFORN, 16Mai72/16Out73;
2TEN RN Carlos Eduardo Campos Valgode, 21.º CFORN, 16Out73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Marte», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

12 maio 2018

Moçambique, LFP «Marte» - P 1134


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Marte» - P 1134




A LFP "Marte" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Marte» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Mercúrio» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Ncala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Marte» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis, 7.º CEORN, 08Jun65/05Mai67;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN João Luis da Silva e Noronha Falcão, 13.º CFORN, 04Jun69/23Mai70;
2TEN RN José Luis Tocha Antunes dos Santos, 12.º CFORN, 23Mai70/26Out70;
2TEN RN Carlos Pedro Amorim Marques da Silva, 16.º CFORN, 26Out/16Jun71;
2TEN RN Joaquim João Ferreira Barrocas Dórdio, 17.º CFORN, 16Jun71/25Mai73;
2TEN RN Décio Mário Baganha Fernandes,20.º CFORN, 25Mai73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Mercúrio», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

20 abril 2018

Guiné, Bafatá - Memória de João de Oliveira Muzanty


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Fevereiro de 2011)

João de Oliveira Muzanty - Governador da Guiné


Na Guiné, quem demandasse águas do sul, entre as barras dos rios Tombali e Cumbijã, navegaria no «Canal de Muzanty», balizado a bombordo por várias marcas radar, frente às ilhas de Como, Caiar e Catunco, ficando sensivelmente a meia distância da costa e da ilha João Vieira, a estibordo.




Canal de Muzanty num pormenor da carta do Instituto Hidrográfico CN 212, entre o Cabo Rôxo e o Cabo Verga

Com base em informação recolhida a partir do texto “Crónica Mensal da Colónia”, publicado no n.º 5, do Ano I, em Novembro de 1950, de “Ecos da Guiné”, Boletim de Informação e de Estatística, evocamos agora João de Oliveira Muzanty, uma outra figura política que merece destaque na consolidação do percurso histórico da Guiné na primeira metade do século XIX.



"Primeiro-Tenente da Armada foi provido no lugar de Governador da Guiné por Decreto de 8 de Junho de 1906, tomando posse do cargo em 13 de Agosto do mesmo ano.

Já como chefe da Missão Portuguesa de delimitação, havia permanecido na Colónia durante um período de 6 anos, conquistando então um grande prestígio, pelas suas superiores qualidades de carácter e íntegra personalidade, pelo que a sua nomeação foi alvo dos maiores aplausos e geral contentamento em toda a Colónia.

A notícia espalhou-se célere e entrou em todos os corações sedentos de justiça como um luminoso facho de esperança, naqueles tempos recuados em que a Guiné gemia ao peso de prepotências, ao grito constante de “salve-se quem puder”, o conhecido e peculiar salvo-conduto da anarquia e da desordem, o fruto das torvas ambições e da traição, as únicas benesses a esperar duma Colónia penal, como estigma maldito, o “vírus” danado desses tristes tempos, já tão distantes que se perdem nas poeiras do passado.

A sua notável acção na Colónia fez-se imediatamente sentir, regulamentando vários serviços, aumentando a cobrança do imposto indígena, fazendo uso de uma hábil política e jamais em período permanente rebeliões, e mal definida soberania no pandemónio em que a Guiné se debatia, pela sua diversidade rácica e étnica e estas separadas ainda por religiões, a manifestação humana mais séria, porque abre abismos insuperáveis e nas almas sulcos profundos.

E Oliveira Muzanty levou a grande massa indígena à compreensão das medidas adoptadas, trazendo à Colónia como que uma espécie de tréguas, um período de repouso na azáfama guerrreira tão tradicional, como endémica.

Oliveira Muzanty foi, na verdade, um grande Governador da Guiné, o homem da situação, o oficial destemido e prudente como o momento o aconselhava.

Marcou positivamente uma época e, apesar da efêmera governação, prestou à Colónia os mais relevantes serviços. Bem justa , pois, a homenagem que lhe foi prestada, erguendo-se-lhe monumento condigno, de linhas sóbrias mas elegantes.




Estátua erigida em Bafatá e evocativa do antigo Governador(1906-1909), 1.º Tenente Oliveira Muzanty.



A sua inauguração foi levada a efeito no dia 28 de Maio, na linda e progressiva Vila de Bafatá, revestindo-se o acto da maior solenidade.

Foi uma evocação histórica de 41 anos, sentida homenagem da Colónia um dos seus grandes obreiros e lídimo percursor. A iniciativa pertencente ao Exmº Senhor Comandante Sarmento Rodrigues, quando Governador da Guiné, Ilustre Ministro das Colónias e, como tantas outras, que traduz a sensibilidade do seu espírito sempre iluminado por ideias nobres e generosas, não se alheando nunca ao sentido patriótico que de todas as iniciativas se desprende, ficando a Colónia a dever a Sua Excelência mais esta magistral lição de civismo e amor pátrio, porque é a história em marcha em vénia respeitosa perante os grandes portugueses, merecedores do culto da Pátria, o abraço fraternal do passado com o presente, o render da guarda para o futuro.

Também o actual Governador da Colónia, Engenheiro Raimundo Serrão, dispensou à obra todo o calor do seu apoio, o impulso forte da sua acção e dinamismo, o que tornou possível que a obra figurasse no programa festivo da Revolução Nacional que, com tanto brilho, se solenizou neste ano.

É que a revolução continua firme nos seus propósitos e a sublimar-se sempre, e mais, nos seus próprios desígnios.

Foi obra do escultor António Duarte e do arquitecto Fernando Pessoa e o monumento, no seu conjunto, constitui uma concepção feliz de arte e beleza.




Após o final da guerra, a República da Guiné-Bissau sofreu das normais vicissitudes resultantes da alteração de regimes políticos por via dos conflitos armados, e foram vários, com adaptação da sociedade civil a transformações sociais profundas, marcadas pela necessidade de eliminar quaisquer vestígios físicos, históricos ou arquitectónicos, nascidos durante a vigência ou pela mão de outro regime anterior considerado hostil.




Em cima, no ano de 1995, a estátua já desmantelada e, em baixo, em 2008, a base do monumento. Por detrás, o tribunal vendo-se ainda à direita o mercado árabe



Lá, também como cá, ou em qualquer outro local de convulsões sociais, a memória histórica não é susceptível de ser apagada por mera vontade de momento, mesmo que compreensivelmente alicerçada em recentes feridas de guerra, abertas de ambos os lados e ainda por sarar.

Sobreviveram pessoas, relatos, documentação e registos que darão, em devido tempo, lugar a pesquisa e investigação, cabendo a sociólogos e historiadores a construção de uma História dinâmica, sem hermetismos autocráticos.




Fontes:
Texto e fotos compilados a partir da “Crónica Mensal da Colónia”, publicado no n.º 5, do Ano I, em Novembro de 1950, de “Ecos da Guiné”, Boletim de Informação e de Estatística, gentilmente cedidos pelo Dr. Carlos Silva (Furriel Mil, CCaç 2548); foto do Alferes Mil Fernando Gouveia, CAgr 2597, Bafatá 68/70; Carta Hidrográfica CN 212 do Instituto Hidrográfico (pormenor);


mls

19 abril 2018

Guiné, 1968 - Campanha de promoção da época...


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 20 de Janeiro de 2011)

Campanha de promoção na forma de postais do SPEME
(Serviços Postais do Estado-Maior do Exército)




Juntos?... e houve vencedores?



sem comentários... a própria imagem os sugere!



Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue com original cedido por Carlos Fernando Carlos Dias Souto (CMG);


mls

30 março 2018

Bissau - Memória de Honório Barreto


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Janeiro de 2011)

Honório Pereira Barreto - Governador da Guiné


No seguimento de anteriores publicações, evocamos agora Honório Barreto, figura política que merece destaque na consolidação do percurso histórico da Guiné numa alongada primeira metade do século XIX, ainda que seja frequente e historicamente apelidado de vilão e controverso.

Nascido em Cacheu no dia 24 de Abril de 1813, filho de mãe guineense e pai cabo-verdiano, ascendeu três vezes em períodos diferentes e por mérito próprio ao posto de Administrador, ao tempo a hierarquia máxima daquela então Província.




Em cima, em grande plano, o monumento a «Honório Barreto» e, em baixo, vista geral da praça com o seu nome vendo-se por detrás o «Hotel Portugal»



Pese embora aquela região de África ter sido palco de intensas lutas e comércio de escravos, este último de forma obscura também por ele mantido, as fronteiras da Guiné foram marcadas e delimitadas muito por mérito daquele político e militar que, pela suas qualidades de dirigente, se opôs com determinação e eficácia à ganância inglesa. Não fora a sua visão estratégica e tenacidade, a Guiné teria hoje fronteiras bem mais reduzidas.




Bissau - Avenida Carvalho Viegas desembocando ao fundo na praça Honório Barreto

A partir de 1800, a Inglaterra começara a exercer influência na Guiné, reivindicando a tutela da ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós, Buba e todo o litoral costeiro. Destaca-se nesta altura a figura do guineense Honório Barreto, provedor do Cacheu em 1834, o qual teve uma acção notável à frente do governo daquela Província.

Em 1870, com arbitragem do presidente dos EUA, Ulysses Grant, a Inglaterra abandona as pretensões sobre Bolama e zonas adjacentes e, em Maio de 1886, são delimitadas as fronteiras entre a Guiné Portuguesa e a África Ocidental Francesa, passando a região de Casamança para o controlo da França, por troca com a região de Quitafine, no sul do território (Cacine).




Bissau - Vista aérea do Liceu Honório Barreto (fotografado por volta de 1960)

A região de Casamança, hoje território senegalês e talvez a região mais rica daquele país pertencia então à Guiné. Apesar dos esforços pessoais, avisos e apelos feitos por Honório Barreto às autoridades portuguesas, inércia, displicência e hábitos herdados da escravatura, acabaram por determinar a entrega à França, sem consternação e de uma forma vassala e feudatária, da região hoje mais rica do Senegal.

Não escamoteando a sua origem marcadamente nativa, Honório Barreto bateu-se, assumidamente e de forma ímpar, pelo Império português, assumindo postura de grande estadista o que lhe valeu honrarias e condecorações, considerando-se ele próprio como um português da Guiné. Em 1853 cobriu-se de glória na grande sublevação da etnia dos papeis de Bissau, tal como, em 1856, na campanha contra os nagos.




Em cima: A exemplo de outras figuras históricas, também Honório Barreto deu lugar à emissão de moeda com a sua efigie, neste caso as notas de mil escudos (1000 «pesos») do Banco Nacional Ultramarino, em 30 de Abril de 1964, de acordo com os Decretos-Lei 39221 e 44891. Em baixo: Selo comemorativo do centenário da sua morte



Promovido a Tenente-Coronel de Artilharia de segunda linha, foi também galardoado com o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada. Só muito mais tarde, aquele cargo passou a denominar-se de Governador, honra que lhe foi atribuída no ano da sua morte, ocorrida em 26.4.1859.




A homenagem do Governo Português na lápide fúnebre que encima a sua campa

Fazendo parte do Dispositivo Naval da Marinha, sempre por curtos períodos, esteve ali estacionada por diversas vezes a corveta «Honório Barreto» – F 485. Naquele território terá desempenhado missões de 03Ago/17Ago, 13Set/01Out e 28Out/13Nov de 1973, 23Jan/04Fev e 04Jul/24Jul de 1974.




Em cima: A corveta «Honório Barreto» fundeada frente ao cais de Bissau em 1974 e, em baixo, a navegar em 1982



Não há conhecimento de que algum oficial da Reserva Naval tenha pertencido à guarnição da corveta «Honório Barreto».



Após o final da guerra, a República da Guiné-Bissau sofreu das normais vicissitudes resultantes da alteração de regimes políticos por via dos conflitos armados, e foram vários, com adaptação da sociedade civil a transformações sociais profundas, marcadas pela necessidade de eliminar quaisquer vestígios físicos, históricos ou arquitectónicos, nascidos durante a vigência ou pela mão de outro regime anterior considerado hostil.

Lá, também como cá, ou em qualquer outro local de convulsões sociais, a memória histórica não é susceptível de ser apagada por mera vontade de momento, mesmo que compreensivelmente alicerçada em recentes feridas de guerra, abertas de ambos os lados e ainda por sarar.




Em Vila Cacheu, 2007/2008 - Nestes dois anos, no exterior e no interior da Fortaleza, respectivamente, imagens do busto de «Honório Barreto», parte do monumento desmantelado

Sobreviveram pessoas, relatos, documentação e registos que darão, em devido tempo, lugar a pesquisa e investigação, cabendo a sociólogos e historiadores a construção de uma História dinâmica, sem hermetismos autocráticos




Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de http://historiaguine.com.sapo.pt/; Setenta e Cinco Anos no Mar, 8.º Vol, 1993, Comissão Cultural da Marinha; http://mecckwamenkrumah.blogspot.com/; fotos de Dr. Carlos Silva (Furriel Mil, CCaç 2548) , Bilhetes Postais n.º 129/130, Colecção Guiné Portuguesa - Foto-Serra, Bissau; Imprensa Nacional, Casa da Moeda; cortesia do Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino, http://actd.iict.pt/; Revista da Armada; http://www.coins-and-banknotes.com/Banknotes-World/World-Banknotes/Portuguese-Guinea/Portuguese-Guinea-Honorio-Barreto-at-right-cleaned-and-prep-43a-1964-F-1000.html; http://img15.imageshack.us/i/gui0620a.jpg/.


mls

27 março 2018

Guiné, 1968 - Brigadeiro António de Spínola


"Uma visão satírica do Brigadeiro António de Spínola"

Post reformulado a partir de outro já publicado em 2018.10.22





Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

Fontes:
Texto e arranjo gráfico do autor do blogue; documento original cedido por Alberto Lema Santos (Alf. Miliciano médico do BCaç 1933 e irmão do autor do blogue); resumo histórico do BCaç 1933 da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974), EME, 2002;

18 março 2018

Bissau - Memória de «Nuno Tristão»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 1 de Dezembro de 2010)


Nuno Tristão – Primeiro navegador europeu a atingir a actual Guiné-Bissau


No seguimento do anterior artigo publicado, evocamos agora Nuno Tristão, outra figura ímpar na história dos descobrimentos e da exploração da costa africana, uma vez ter sido o primeiro navegador europeu conhecido a atingir o território da actual Guiné-Bissau.




Na foto acima, em Bissau (1966), a estátua de Nuno Tristão, implantada no início da então Av. da República, de costas para a Praça do Império e para o Palácio do Governador, virada para o cais do Pijiguiti, estuário do Geba e para o Mar.

Sempre o Mar!...

Na perpendicular fica a Av. Marginal sendo que, para quem está de costas para o cais e para o rio, terá para o lado direito a Ponte-Cais, Fortaleza de S. José da Amura e ex-Pelicano e, para o lado esquerdo, as Instalações Navais de Bissau (INAB). Era, como outros, um quase obrigatório percurso na zona comercial em áreas adjacentes ao porto.

À esquerda, é visível o edifício da Casa Gouveia, hoje Armazéns do Povo. À direita, a parte arborizada corresponde à esplanada do Café Bento também vulgarmente conhecida como “5.ª Rep”. Quem se não lembra deste “pseudónimo”? Avistam-se ainda as duas torres da Sé de Bissau, ex-libris da cidade.






Numa abordagem de simples retalhos, alijando alargados considerandos próprios de historiadores, terá sentido recordar alguns pormenores do dia-a-dia da época. Era bem o caso da moeda corrente, o escudo, cuja representação facial das notas de cinquenta e cem escudos ostentavam a efígie daquele navegador.






Na época, os escudos cediam a denominação a “pesos”, passando a notas de cinquenta ou cem pesos. Quem não recorda, na linguagem corrente, em vez de “muito caro” ouvir “manga de pesos” ou “manga de patacão”?




Também aqui, no Continente, em 1987, foi emitida uma moeda comemorativa com o valor facial de cem escudos, na tiragem de um milhão de exemplares, da autoria dos escultores Isabel Carriço e Fernando Branco. Evocando Nuno Tristão, naturalmente.




Fazendo parte do Dispositivo Naval da Marinha, algumas vezes por curtos períodos, esteve ali estacionada por diversas vezes a fragata «Nuno Tristão» - F 332, da mesma classe da fragata «Diogo Gomes».

Naquele território terá desempenhado missões de 24Out62 a 11Dez62 e 09Dez64 a 08Abr66. No decorrer do primeiro trimestre de 1964 apoiou e participou na que foi considerada a maior acção militar de toda a Guerra do Ultramar, a Operação <“Tridente”. Não há conhecimento de que algum oficial da Reserva Naval tenha pertencido à guarnição da fragata «Nuno Tristão».







Guiné - A fragata «Nuno Tristão» atracada ao NH «Pedro Nunes»




Nuno Tristão(? — costa de África, 1446?) foi um navegador português do século XV, explorador e mercador de escravos na costa ocidental africana. Foi o primeiro europeu que se sabe ter atingido o território da actual Guiné Bissau, iniciando entre os portugueses e os povos daquela região um relacionamento comercial e colonial que se prolongaria até 1974.
Em 1441, Nuno Tristão e Antão Gonçalves foram enviados pelo Infante D. Henrique com a missão de explorar a costa ocidental da África a sul do Cabo Branco. Integrando um mouro que actuava como intérprete, Tristão, a expedição liderada por Nuno Tristão ultrapassou aquele Cabo, à altura o ponto mais meridional atingido pelos exploradores europeus, e durante dois anos permaneceu nas águas do noroeste africano, avançando até ao Golfo de Arguim, na actual costa da Mauritânia, onde adquiriram 28 escravos.
Em 1445 navegou até à região da Guiné, encontrando uma terra, que, em contraste com as regiões desérticas a norte, existiam muitas palmeiras e outras árvores e os campos pareciam férteis. Em 1446 Nuno Tristão desembarcou nas proximidades da actual cidade de Bissau, iniciando uma presença portuguesa na região que se prolongaria por quase 500 anos.
Nuno Tristão foi morto em data desconhecida, provavelmente no ano de 1446, durante um assalto destinado à captura de escravos, ocorrido na costa africana, cerca de 320 km a sul do Cabo Verde.





Após o final da guerra, a república da Guiné-Bissau sofreu das normais vicissitudes resultantes da alteração de regimes políticos por via dos conflitos armados, e foram vários, com adaptação da sociedade civil a transformações sociais profundas, marcadas pela necessidade de eliminar quaisquer vestígios físicos, históricos ou arquitectónicos, nascidos durante a vigência ou pela mão de outro regime anterior considerado hostil.




2007 - Em Vila Cacheu, a estátua de Nuno Tristão abandonada no exterior do forte

Lá, também como cá, ou em qualquer outro local de convulsões sociais, a memória histórica não é susceptível de ser apagada por mera vontade de momento, mesmo que compreensivelmente alicerçada em recentes feridas de guerra, abertas de ambos os lados e ainda por sarar.



2008 - Em Vila Cacheu, desta feita dentro do forte, Nuno Tristão parece necessitar de apoio, encostado às ameias

Sobreviveram pessoas, relatos, documentação e registos que darão, em devido tempo, lugar a pesquisa e investigação, cabendo a sociólogos e historiadores a construção de uma História dinâmica, sem hermetismos autocráticos




Fontes:
Texto do autor do blogue; Bibliografia do Dicionário de Navios & relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Fotos do Arquivo de Marinha, Dr. Carlos Silva (ex-Furriel Mil, CCaç 2548) e Foto-Serra, Bissau; Imprensa Nacional, Casa da Moeda.


mls