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21 março 2019

Reserva Naval em navios-tanques ou navios de apoio logístico


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Abril de 2012)

Reserva Naval em navios-tanques ou navios de apoio logístico


Desde o início da publicação destes esboços de memória histórica que utilizamos a expressão de Navios Reserva Naval, aplicando-a a unidades navais que, em tempo, tenham servido de suporte a formação e instrução práticas dos cursos de formação de Oficiais da Reserva Naval em embarques de fim-de-semana, treino ou nas viagens de instrução no final dos cursos.

Mais tarde, já como oficiais da Reserva Naval, esta classificação de cariz marcadamente afectivo e familiar, nunca com qualquer suporte institucional além da aceitação tolerante, foi alargada aos navios em que desempenharam missões como oficiais da Marinha de Guerra Portuguesa e que, ao tempo, abrangeram a quase totalidade do dispositivo naval existente.

Entre 1958 e 1975, período temporal que inclui os conflitos em África, terão mesmo sido raras as unidades navais que não integraram na guarnição oficiais daquela classe.

Assim, avisos, contratorpedeiros, fragatas, navios auxiliares, navios-escola, navios hidrográficos, corvetas, navios-patrulhas, draga-minas, lanchas de fiscalização grandes, pequenas e de desembarque, formam uma amostragem digna de registo.

Destaque especial para as LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG - Lanchas de Desembarque Grandes onde desempenharam as funções de Oficiais Imediatos ou ainda as LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, em que exerceram o cargo de Comandantes. Naqueles tipos de unidades, aqueles cargos foram desempenhados na sua quase totalidade por oficiais da Reserva Naval.

Entre 1976 e 1992, terá havido alguma continuidade no desempenho de missões similares ainda que com redução progressiva, fruto do abate de vários tipos de navios (LFG, LFP e LDG) consequência do final da Guerra do Ultramar, com forte retracção do dispositivo naval, redefinição de vocações próprias e atribuição de prioridades operacionais específicas.

A partir daquele último ano, considerado como marcando a extinção da Reserva Naval, palco do último curso realizado, o 2.º CFORN TE 1991/92, com promoção a Aspirantes em Maio de 1992 e que apenas incluiu Especialistas, não deverá ser possível encontrar oficiais da Reserva Naval embarcados. Contudo, apenas com pesquisa adequada até agora não efectuada, será possível garantir de forma mais rigorosa aquela afirmação.

Para os navios-tanques/navios de apoio logístico, já detalhadamente descritos em diversas publicações e lugares na Internet, a abordagem será reduzida, considerando-os apenas sob a perspectiva de terem sido ou não navios Reserva Naval. Dentro desse conceito, tem cabimento considerar os navios «Sam Brás», «S. Gabriel», «Bérrio» e ainda, complementarmente, o «S. Miguel» e o «S. Rafael».


NAL «Sam Brás» A523





Construído no Arsenal do Alfeite e aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 13-11-1942 foi transformado em navio de apoio logístico em 27-12-1965. Largou para Moçambique em 12-2-1970, regressou a Portugal e a partir de 5-9-1975 foi para Vila Franca de Xira, onde serviu como ponto de alojamento e desdobramento da Escola de Máquinas no Grupo n.º 1 de Escolas da Armada.

Foi abatido ao efectivo em 18-2-1980.




Desempenharam funções no NRP «Sam Brás», em Moçambique, os seguinte oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Rui Moura da Silva, 12º CFORN, 1970/72;
2TEN AN RN António de Paiva e Silva, 13º CFORN, 1970/72;
2TEN RN José Miguel Bourbon de Sequeira Braga, 16º CFORN, 1970/72;
2TEN AN RN Jorge Manuel Vieira Jordão, 23º CFORN, 1974/75;


NA «S. Gabriel» A5206





Construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 27-3-1963. Efectuou a primeira viagem entre Lisboa e Curaçao em Maio de 1973, a que se seguiram numerosas jornadas entre Lisboa e Luanda, com escalas na Guiné, Cabo Verde e S. Tomé. Também com alguma regularidade aportou a Maracaíbo e outros portos venezuelanos.

Apenas por uma única vez, em 1969, esteve em Lourenço Marques e, em 1975, deu importante apoio ao processo de descolonização angolano, especialmente no transpoerte de milhares de refugiados e militares para Luanda, durante os meses de Setembro e Outubro de 1975. No dia 10-11-1975, poucas horas antes da proclamação da independência de Angola deixou Luanda, rumo a Lisboa.

Após 1975, foram alteradas substancialmente as missões do navio, tendo participado em exercícios, muitas vezes integrado em forças navais nacionais e internacionais.

Foi abatido ao efectivo dos navios da Armada em 14-7-1995.

Desempenharam funções no NRP «S. Gabriel» os seguinte oficiais da Reserva Naval:

2TEN MN RN Agostinho Diogo Jorge de Almeida Santos, 8.º CEORN, 1966/67;
2TEN RN António José do Carmo Silva, 17.º CFORN, 1971/72;
2TEN RN João Manuel Nogueira Mendes Simões, 17.º CFORN, 1971/73;
2TEN RN Armando Manuel Dinis Correia, 20.º CFORN, 1973/74;
2TEN RN Joaquim da Silva Azevedo Costa, 24.º CFORN, 1974/75;


NA «Bérrio» A5210




Este navio reabastecedor de esquadra foi construído nos estaleiros Swan Hunter, em Hebburn-on-Tyne, tendo sido lançado à água no dia 11-11-1969. Entrou ao serviço da Royal Fleet Auxiliary no dia 15-7-1970, com o nome de «Blue Rover» A270, tendo participado no bloqueio naval realizado ao porto da Beira pela Marinha Inglesa a partir de 1966 e no conflito das Falkland de 1982, onde actuou nos teatros operacionais da Geórgia do Sul e de San Carlos.

Adquirido pelo Governo Português, foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada em Portsmouth, no dia 31-3-1993. Entrou em Lisboa pela primeira vez no dia 25-5-1993 e foi o primeiro navio da Marinha Portuguesa que incluiu militares do sexo feminino na sua guarnição normal.

Em Setembro de 1995 esteve no Mar Adriático empenhado na operação “Sharp Guard” e tem participado regularmente em exercícios navais. Actualmente ainda ao serviço da Armada.

Nenhum oficial da Reserva Naval deverá ter pertencido à guarnição desta unidade naval.





NA «S. Miguel» A5208


Construído em 1962 nos estaleiros Howaldtswerke, em Kiel, por encomenda da Companhia Nacional de Navegação, foi baptizado com o nome «Cabo Verde». Operou como cargueiro e navegou na carreira de África até 1974 e, depois, nas ligações entre a África, Europa e América do Norte. A sua última viagem comercial foi entre Bissau e Lisboa, onde chegou em 19-9-1985.

Adquirido pela Marinha, foi incorporado no efectivo dos navios da Armada em 8-11-1985 como navio de apoio logístico. Passou a efectuar missões desse tipo nos Açores, Madeira e também duas outras missões específicas aos Estados Unidos e Moçambique.

Em 1991, foi o único navio português na Guerra do Golfo, ao efectuar duas missões logísticas entre Portsmouth e Aljubail, na Arábia Saudita.




Em 20-12-1993 foi abatido ao efectivo dos navios da Armada. Posteriormente veio a ser afundado ao largo da costa continental portuguesa com munições obsoletas que pertenciam à Região Militar de Lisboa, tendo explodido durante essa arriscada operação.

Não há conhecimento de algum oficial da Reserva Naval tenha pertencido à guarnição deste navio entre 1985 e 1993, facto que apenas poderá ser confirmado com pesquisa adequada.


NA «S. Rafael» A5214


Foi anteriormente o navio de apoio a mergulhadores «Medusa», que foi classificado como navio de apoio logístico em 27-12-1965. Em 2-2-1972 passou ao estado de desarmamento e em 7-1-1976 foi abatido aos navios da Armada. Nos seus registos, não consta ter navegado alguma vez. Nenhum oficial da Reserva Naval pertenceu à guarnição desta unidade naval.




Fontes:
Texto e imagens de arquivo do autor do blogue; cedências diversas do Arquivo de Marinha e Revista da Armada; Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006.


mls

21 janeiro 2019

Reserva Naval no NTM "Creoula" em 24 Setembro 2011 - Organização AORN (Parte I)


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 7 de Janeiro de 2012)

NTM «Creoula» e Reserva Naval (Parte I)




NTM «Creoula»

Introdução

0 NTM «Creoula» é um lugre de quatro mastros. Construído no início de 1937 nos estaleiros da CUF para a Parceria Geral de Pescarias, o navio foi lançado à água no dia 10 de Maio a efectuou ainda nesse ano a sua primeira campanha de pesca. Um número a reter é o facto de o navio ter sido construído no tempo recorde de 62 dias úteis.
As obras-vivas a vante, com particular destaque para a roda de proa, tiveram construção reforçada uma vez que o navio iria navegar nos mares gelados da Terra Nova e Gronelândia.
Até à sua última campanha em 1973, o navio possuía mastaréus, retrancas e caranguejas em madeira. O gurupés, conhecido como « pau da bujarrona», que também era em madeira, deixou de existir em 1959, passando o navio a dispor apenas de duas velas de proa: giba e polaca.
As velas que agora são em dacron, material sintético mais leve e mais resistente, eram na altura feitas de lona de algodão, possuindo o navio duas andainas de pano, que eram manufacturadas pelos próprios marinheiros de bordo. O pano latino era feito com lona de algodão n° 2, o velacho (redondo) com lona de algodão n° 4 e as extênsulas com algodão n° 7, o mais resistente. As tralhas das velas eram em cabo de manila. Quanto ao aparelho fixo, esse sempre foi em aço, mas o de laborar era outrora em sizal.
O espaço que medeia hoje entre a zona da coberta de vante (coberta das praças) e a casa da máquina, era na época o porão do peixe e em cujos duplos fundos se fazia a aguada do navio. O navio estava assim dividido em três grandes secções por duas anteparas estanques que delimitavam, a vante e a ré, o porão do peixe. A vante do porão ficavam os alojamentos dos pescadores, o paiol de mantimentos e as câmaras frigoríficas para o isco; a ré, os alojamentos dos oficiais, a casa da máquina, os tanques do combustível, o paiol do pano e aprestos de pesca. Tinha ainda nos delgados de vante e de ré vários piques utilizados como reserva de aguada, armazenamento de óleo de fígado, carvão de pedra para o fogão e óleos lubrificantes.
Todo o interior do navio era revestido a madeira de boa qualidade e o porão calafetado para evitar o contacto da moura com o ferro.
O mastro de vante (traquete) servia de chaminé à caldeirinha e ao fogão a carvão, fogão este que se encontra hoje no Museu Marítimo de Ílhavo

In: https://www.marinha.pt/pt



Nota do autor:

Quando comecei a escrever este texto, tinha a ideia de que ia suceder o inevitável que mais não é do que, nas linhas rascunhadas, navegar ao sabor de um hipotético vento ou encapelado mar. Num dia inicialmente pardacento que virou excelente tarde soalheira, aquele figurino de tempo não passou de mera imaginação ao serviço de memórias que não consigo evitar quando percorro os diferentes molhes da Base Naval de Lisboa. Desculpas de um Reserva Naval que não consegue apagar no tempo a herança cultural de uma grada fatia de formação complementar adquirida e sedimentada naquelas casas, quer sob o ponto de vista académico quer como pessoa e como homem.

Parafraseando Álvaro de Campos, in «Ode Marítima”, Lisboa, 1915:

“As viagens agora são tão belas como eram dantes
E um navio será sempre belo só porque é um navio”





A AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval com o apoio da Marinha, organizou um embarque no NTM «Creoula» que teve lugar em 24 de Setembro de 2011. Desta feita, num pormenor complementar de requinte institucional, embarcaram igualmente o Chefe de Gabinete do CEMA, Contra-Almirante Francisco Braz da Silva e um oficial, primeiro-tenente médico naval, não fossem os balanços de mar cavado, o içar do velame ou a escalada pelos enfrechates criar problemas às articulações dos veteranos.




O Chefe de Gabinete do CEMA, Contra-Almirante Francisco Braz da Silva e o oficial primeiro-tenente médico naval que o acompanhou

Jornada quase obrigatória, como parte do planeamento anual de eventos a levar então a cabo pela Associação, reunia os condimentos necessários para que os antigos “marinheiros” da Reserva Naval regressem ao ambiente e fainas do mar sem que a veterania viesse a pesar negativamente nas memórias, sempre revividas na ocasião.

Foi proporcionada aos sócios e familiares da AORN um embarque naquele antigo lugre bacalhoeiro de quatro mastros, depois de uma concentração junto ao Portão Verde do Laranjeiro com transporte em autocarro até à Base Naval de Lisboa, no Alfeite. Sessão de cumprimentos finalizada, reencontros diversos testemunhados, os participantes dirigiram-se para o cais de embarque onde estava acostado o navio.




Embarque que não evitou que, pelo caminho, ao longo do cais, à esquerda e à direita, se fossem mirando e identificando outras unidades navais, onde alguns oficiais da Reserva Naval terão ocasionalmente embarcado ou prestado serviço. Visíveis o navio-escola «Sagres» o navio abastecedor «Bérrio», além de outros unidades navais onde se destacavam fragatas e navios-hidrográficos, reacendendo memórias incontornáveis ainda que fugazes.




Adormecidas nos pontões respectivos, lá estavam as corvetas «João Roby» - F487 e «António Enes» – F471 que viram nos anos 70, pela primeira vez, as águas onde navegaram.




A corveta «João Roby» participou, no final do ano de 1975, em diversas acções na ilha de Ataúro, em Timor, onde estava estacionada, aquando da invasão daquele território pela forças da Indonésia. Juntamente com a corveta «Afonso Cerqueira» que rendeu, foram as duas últimas unidades navais a abandonar aquela antiga possessão portuguesa no final daquele ano.




Na «António Enes», em comissão de 1973 até final de 1974, prestou serviço o 2TEN RN Álvaro Eduardo Osório de Meneses Bastos do 22.º CFORN que, no final do curso, após o juramento de bandeira e promoção, ali prestou serviço a partir de Outubro de 1973.

Esta corveta escoltou a célebre "Incrível Armada" constituída pelo navio-balizador «Schultz Xavier» rebocando as LFG «Argos», LFG «Dragão» e LFG «Hidra». Integraram também aquele combóio naval as LFG «Lira» e LFG «Orion» a navegarem por meios próprios e ainda as LDG«Ariete» e LDG «Alfange».

Em 3 de Dezembro de 1974 deixaram Porto Grande na ilha de S. Vicente de Cabo Verde, rumo a Angola onde atracaram no cais de Luanda depois de escalarem S. Tomé, percorridas 2.900 milhas ao longo de 19 dias de navegação.




Lá estavam acostados também os navios-patrulha «Zaire» – P1146 e «Cuanza» – P1144, navios da classe «Cacine», construídos em número total de dez unidades a partir de 1969.

Como apontamento pessoal, estive no Arsenal do Alfeite em 6 de Maio de 1969, data da entrega do NRP «Cacine», já que desempenhava as funções de ajudante de ordens do Almirante Francisco Ferrer Caeiro, então Comandante Naval do Continente e que esteve presente na cerimónia de lançamento da primeira unidade naval daquela classe.

Neles, algumas dezenas oficiais da Reserva Naval, de vários cursos, ali prestaram serviço nos teatros de Angola, Guiné, Cabo Verde ou também no Continente e Ilhas, mesmo de cursos alistados depois de 1975.

Importante referir que substituiram a anterior geração das LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos», construídas entre 1963 e 1965, especificamente para a Guerra do Ultramar e em igual número. Cerca de sete dezenas de oficiais da Reserva Naval nelas desempenharam as funções de oficiais Imediatos.




"Neta e Avó", em cima, a LFR «Sagitário» (de 2001) atracada no Alfeite e, em baixo, a LFG «Sagitário» (de 1965) a navegar no rio Cacheu, próximo de Ganturé, no ano de 1971



Já foi possível encontrar ali as descendentes, agora «netas» daquela geração anterior, as Lanchas de Fiscalização Rápida, LFR «Dragão» – P1151, LFR «Sagitário» – P1158 e LFR «Orion» – P1156.

Foram baptizadas com os mesmos nomes mas divididas em duas classes diferentes: a classe «Argos» com as LFR «Argos», LFR «Dragão», LFR «Escorpião», LFR «Cassiopeia» e LFR «Hidra» aumentadas ao efectivo em 1991, e a classe «Centauro» com as LFRLFR «Centauro» em 2000, e as LFR LFR «Sagitário», LFR «Hidra» e LFR «Orion» , estas em 2001.

Seria previsível adivinhar, num futuro próximo, o baptismo de uma outra e talvez última nova LFR «Lira», única com o nome em falta, para a renovação familiar completa das dez unidades navais aumentadas ao efectivo três a quatro décadas depois da anterior classe «Argos». Até hoje nunca veio a verificar-se. Terá havido alguma razão especial para a exclusão deste nome nas novas LFR?




"Neta e Avó", em cima a LFR «Orion» (2001) atracada no Alfeite e, em baixo, a LFG «Orion» (1964) a navegar frente ao Terreiro do Paço, antes de seguir para a Guiné



Manuel Lema Santos
8.º CEORN


(continua)




Fontes:
Texto e imagens de arquivo do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha, Vols 8.º, 10.º e 15.º, Lisboa; imagens cedidas pelo Museu de Marinha (NTM «Creoula»), Comandante Adelino Rodrigues da Costa (LFG «Sagitário»), Revista da Armada (LFG «Orion»);


mls

27 janeiro 2020

Reserva Naval e Modelismo


Reserva Naval e Modelismo

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Abril de 2009)


Há meses atrás recebi uma mensagem de um cibernauta, Mário Rui Cavalleri, que procurava informações e documentação sobre miniaturas de navios da Marinha de Guerra. Sendo uma temática abordada com conhecimento e correcção, nunca ter deixado uma mensagem sem resposta mas sobretudo a mítica Reserva Naval, o apelido Cavalleri e a mais que familiar LFG “Orion”, não me deixaram margem para evasões.

Tudo porque alguém, conhecedor do blogue, terá cedido o endereço a Mário Rui que, na lista de preferências pessoais, disponibiliza grande parte do seu tempo à construção de miniaturas navais, algumas já realizadas e tendo uma outra da LFG “Orion” como projecto futuro, com a indicação complementar de poder vir a ser eu um apoio possível no fornecimento de algumas informações e imagens.

O decorrer do tempo, a troca de mensagens e o intercâmbio de informações úteis ampliaram o meu horizonte de conhecimentos, propiciando ainda o nascimento de uma amizade, fruto de valores culturais e de camaradagem com muitos pontos comuns.

Mar, Marinha, Reserva Naval e Guiné onde, bem no interior leste, em Cabuca, a sudeste de Nova Lamego, foi professor numa escola de nativos ao serviço do Exército, na CCav 3404 que integrava o BCav 3854 justificam a natural postura por mim assumida.




2TEN RN José Alvarez Cavalleri Martinho.

Não conheci de forma especialmente próxima o camarada 2TEN RN José Alvarez Cavalleri Martinho que pertenceu ao 1.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval mas também primo e padrinho do primeiro. Lamento não se ter proporcionado essa oportunidade mútua nos sempre poucos convívios de Marinha em que estando ambos presentes, ainda que de forma efêmera e por breves instantes, trocámos algumas palavras.

Tenho presentes um almoço dos 1.º e 2.º CEORN no Clube Militar Naval com o Comandante Coral Costa – Director de Instrução daqueles dois cursos, o aniversário da Associação comemorado na Escola Naval em 11 de Julho de 1998, uma Assembleia Geral no ISNG em Março do ano seguinte e pouco mais, afinal quase nada que justifique arrogar-me o direito de começar a dissertar sobre as suas qualidades humanas e profissionais.




Abaixo reproduzo na íntegra um aerograma enviado por José Cavalleri, do Sobral de Monte Agraço ao primo e afilhado, então na Guiné, escrevendo a dado passo que:

"...E por aí? Como vai essa Escola? E a situação operacional? Manda-me dizer o que puderes sem violar quaisquer normas de segurança, pois gosto de saber notícias na nossa brava rapaziada que tão galhardamente se bate aí nesse bocado de terra com mais água que terra.

Tenho outro primo aí na Guiné. É filho do meu tio José Alvarez que teus pais conhecem. Ele é Aspirante da Reserva Naval e estava comandando uma das vedetas*. É difícil que vocês contactem, pois há tanta "malta" aí que se passa despercebido..."





Mais do que valorizar palavras, esta meia dúzia de linhas transmitida numa comunicação entre familiares, testemunha uma elevada cultura Reserva Naval, ao serviço da Marinha mas também da Vida.

E, que melhor forma de recordar e homenagear um camarada da Reserva Naval encontraria eu no baú das frases feitas? Só mesmo pelo punho do próprio afilhado, também primo, nas linhas e imagens enviadas que aqui deixo:


"...
O modelismo é uma paixão, que se dá a conhecer de varíadissimas formas e temas. Lavoisier disse que “na natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma!

Para mim, em modelismo, o mesmo «princípio» aplica-se na perfeição dado que, na execução de um projecto, o modelista consegue «transformar» objectos que nada têm a ver com o fim para que foram concebidos e, por «artes» do ofício, passam a tomar outra forma e outro destino ou propósito.

É a transformação...




O modelo reduzido da LDM 304

Partindo do presuposto que é um hobby de paixão, a escolha dos temas cabe exclusivamente a cada um, dedicando-se ao objecto que mais aprecia, por variadissimas razões. No meu caso, em particular, o tema preferido são os navios.

E porquê?

Desde que comecei a tomar consciência da minha existência peregrina neste mundo, que senti e sinto uma forte atracção pelas coisas do Mar no que tive, e continuo a ter, a sorte e o privilégio de viver junto a ele, Mar. Habituei-me a admirar os navios, fundeados na baía de Cascais ou a meter piloto, quando ainda permanecia fundeado ao largo o navio que procedia a esse «transbordo», o Comandante Milheiro, que só raramente levantava ferro e se refugiava em Lisboa, nos dias de tempestade ou de rendição.

Levei uma vida inteira a "ver navios" e espero ainda continuar a ver mais... este amor que me une à Instituição que é a Marinha de Guerra Portuguesa, aos seus navios mas também a alguns bons e óptimos amigos que ao longo destes anos fiz, sobreveio de laços familiares, por ter tido como padrinho de baptismo e primo, um antigo oficial da Reserva Naval, o José Cavalleri Martinho.

A ele se deve em grande parte este amor e paixão, que me faz correr água salgada nas veias e, só não tive a honra de vestir a farda do botão da âncora por outras razôes, pois se isso tivesse sido possível, ainda hoje serviria a Instituição!

Quis o destino que, de verde camuflado e de bóina com duas espadas cruzadas, tivesse sido mobilizado e prestado serviço militar na antiga Guiné Portuguesa, numa comissão de 27 meses, 7 dias e seis horas, bem contadas.

Sempre que me encontrava esporadicamente em Bissau, sentadinho no Pelicano, devorando ninhos de camarão e “bazookas”, os meus olhos "arregalavam-se" ao olhar com "amor" para as LFP e LFG mas também as LDM e LDG. Eram navios “lindos”, com umas linhas simples e elegantes, talvez um pouco barulhentas as primeiras LFP construídas na Alemanha. Refiro as da classe “Bellatrix”.



A «Bellatrix» atracada ou fotografada a meia nau, à bóia

Os anos passaram. Modelismo naval e os métodos de criar os projectos foram-se aperfeiçoando também devido ao crescente aparecimento no mercado de kits, acessórios, revistas e um sem numero de "coisas" interessantíssimas para os apaixonados da modalidade.

Há uns anos atrás, resolvi deitar mãos à obra e fazer renascer das cinzas da memória, algumas réplicas dos nossos navios. Assim, pus a navegar novamente a LFP «Bellatrix», o NRP «Nautilo», este em fase de acabamentos electrónicos de que já tenho os planos - muito suados...diga-se! - e da LFG «Orion».




A «Nuno Tristão» atracada

Mas a «jóia da minha esquadra» é uma réplica de uma corveta, que não sendo a original da classe «Baptista de Andrade», é inspirada nela mesmo. A razão deveu-se a uma opção de tamanho/escala. Como a escala escolhida é 1/35, só posso dar vida a navios com máximo de 70 metros, ou seja para a escala de 1/35 não ultrapassar os dois metros, caso contrário o problema de logística e transporte, passaria a ser uma tremenda dor de cabeça... Por esse facto, a «corveta»(?) foi baptizada de «Nuno Tristão» que, no entanto, nada tem de semelhante com a fragata »Nuno Tristão», a F 332, há muito já abatida e que também passou por águas guineenses...

No caso específico da «minha Bellatrix» trata-se de um modelo radiocontrolado, operado com um R/C Futaba, dois motores eléctricos, com faróis de navegação de comando independente e antena de radar rotativa. Simples!...




A «Bellatrix» amarrada à bóia ou a navegar

Este hobby proporciona-me um elevado estado anti-stress, relaxante quanto baste, num desafio permanente à minha imaginação e criatividade como praticante, tendo como resultado um gozo e prazer ímpares, no fazer cruzeiros com os modelos mesmo que em «imaginação» e pelo período de capacidade das baterias, atendendo ás velocidades imprimidas ao modelo e até as mesmas se esgotarem...

Inclusivamente, podem recrear-se alguns pormenores de operações levadas a cabo em acções militares, com praticantes desta modalidade e com outros modelos, como por exemplo simular acções de desembarque de LDM ou LDG, acções de patrulha e fiscalização de LFP ou LFG, etc. Tudo o que a nossa mente idealize, pode quase sempre ser revivido a uma escala mais pequena...mas que dá um «gozo» fantástico, à parte o convívio, que é sempre salutar e profícuo em troca de saberes e alguns sabores também...




A LFP «Bellatrix» no apoio ao desembarque da LDM 304 numa operação conjunta.

Estas dicas são apenas algumas para quem ainda não "saboreou" este hobby e que possa vir a ter alguma curiosidade e vontade em iniciar-se, juntando-se ao mundo maravilhoso do modelismo, onde cada projecto é um desafio e o próximo será ainda melhor!...

Espero vê-los um dia destes pelas águas ou no tarrafo da Lagoa Azul.
..."


Mário Rui Cavalleri

* Referência feita ao 2TEN RN José António Sequeira Alvarez, comandante da LFP «Arcturus» de 30Out71 a 26Mai72;

Fontes:
Imagens cedidas por Mário Rui Cavalleri.


mls

10 fevereiro 2018

Reserva Naval na Classe «Cacine»- Parte I


Os navios-patrulha classe «Cacine»-Parte I

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 19 de Junho de 2010)


Desta vez, em vez de abordar directamente um descritivo sobre a normal integração de oficiais da Reserva Naval nas guarnições dos navios da classe Cacine, entendo ter sentido tecer algumas considerações prévias.

São observações meramente pessoais e, como tal, subjectivas. Talvez devam ser consideradas como meras conjecturas filosóficas de um antigo oficial da Reserva Naval que desempenhou as funções de oficial imediato da LFG «Orion», na Guiné.

O decorrer do tempo tem vindo a criar-me uma acrescida predisposição para estabelecer comparativos entre os dois tipos de unidades navais e questionar algumas vertentes de menor entendimento pessoal. Congratular-me-ei com algum interesse que possa vir a despertar em quem integra, ou integrou, guarnições em navios-patrulha da classe «Cacine».



O navio-patrulha «Cacine» a navegar

Em 1975, com o final da Guerra do Ultramar, houve como que um súbito desaparecimento de uma classe inteira de navios – os dez navios da classe «Argos». Duas delas, as LFG «Cassiopeia» e «Sagitário», muito degradadas e já algo canibalizadas, foram afundadas na Guiné, 104 milhas a oeste de Bissau.

Com as LFG «Lira» e «Orion» a navegar, as LFG «Argos», LFG «Dragão» e LFG «Hidra» rebocadas pelo «Schultz Xavier» e ainda as LDG «Alfange» e LDG «Ariete», todas estas unidades integradas na que foi apelidada de “Incrível Armada – Missão de Reboque”, foram escoltadas pela corveta «António Enes» até Angola. Ali foram entregues, desarmadas e abatidas, juntando-se às que lá estavam, as LFG «Pégaso» e LFG «Centauro» ou lá foram ter mais tarde, como a LFG «Escorpião».

Não houve adaptação progressiva ao envelhecimento das unidades atracadas, com desarmamento gradual por fases e abate progressivo numa rotineira habituação visual típica de uma base naval em que, mais dia menos dia, acabariam como sucata num ferro velho.

Dos navios–patrulha da classe «Cacine» foram fabricadas dez unidades, sucessores naturais das LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes da Classe «Argos», com igual número de unidades produzidas, arquitectura de construção muito semelhante e com as quais mantiveram ainda uma larga coexistência no tempo. Não cá, mas em África, sobretudo em Angola.



A LFG «Escorpião» a navegar nas águas de Cabo Verde

Excepção para a Guiné, onde os navios-patrulha «Quanza» e «Zambeze» efectuaram curtas comissões. O primeiro, entre Julho de 1973 e Outubro de 1974 com uma curta interrupção em que esteve em Cabo Verde. Regressou depois ao Continente. O segundo, em 24 de Abril de 1974 ali rumou tendo participado em diversas missões em Cacine, patrulhamento na costa e fiscalização da pesca. Em Maio regressou a Cabo Verde e ali permaneceu até regressar a Portugal em Fevereiro de 1975.

A primeira destas unidades, com aquele nome, foi aumentada ao efectivo em 6 de Maio de 1969. Era então Comandante Naval do Continente e da Base Naval de Lisboa o Vice-Almirante Ferrer Caeiro. Embora não recorde a cerimónia, foram muitas ao longo de dois anos, onde estive presente. Penso que terei estado no Arsenal do Alfeite uma vez que fui ajudante de ordens daquele oficial general durante aquele período de tempo.

Não tenho conhecimento do critério que presidiu à escolha e atribuição de nomes aos navios da classe «Cacine» mas, uma vez seleccionado o de rios das ex-províncias ultramarinas, eu teria escolhido um nome do mais emblemático teatro de guerra – a Guiné, de onde elegeria o Cacheu, por tudo quanto aquele curso de água significou, durante uma dúzia de anos, para todo o dispositivo naval da Marinha.

Existindo ao tempo, ainda no efectivo, uma corveta com o nome Cacheu, esse facto tornaria impeditiva a sua utilização. Parece-me excessivamente fácil optar por Cacine em segunda escolha talvez porque, depois do Cacheu, não havia outra alternativa válida na minha perspectiva de "utente” de uma LFG –Lancha de Fiscalização Grande, naquele cenário.




O navio-patrulha «Quanza» em S. Vicente de Cabo Verde

Justificam-no as muitas horas por nós ali navegadas, as arriscadas idas a Cameconde, as marcas dos ferros em quase todos os pontos do rio que permitiam fundear, um aquartelamento e povoação com o mesmo nome que sempre encontraram na Marinha o apoio para rechaçar as morteiradas da margem oposta, a ponta Campeane no Quitafine com a sinistra península de Canefaque, onde os ameaçadores “Canhões de Navarone” visavam frequentemente, de Cassumba e Cassantene, a entrada da barra do rio, obrigando a demandar a barra norte e com ocultação de luzes.

Começa a ser frequente tropeçar em quem não saiba o que é, e onde é, o rio Cacine, ou qualquer outro dos nomes escolhidos para os dez navios-patrulhas mas, para as guarnições das LFG, LDG, LFP, LDM, LDP, DFE e CF, de algumas fragatas, corvetas e navios hidrográficos, as águas daquele rio da Guiné e também dos outros cursos de água, guardam vivências únicas, povoando ainda hoje memórias históricas de factos ocorridos há quase meio século.

Raciocínio análogo se aplica para Angola, Moçambique, S. Tomé, Cabo Verde e Índia. A sequência de nomes de rios é natural. «Geba», ainda na Guiné, «Cunene», «Quanza» e «Zaire» em Angola, «Rovuma», «Zambeze», «Limpopo» e «Save» em Moçambique e «Mandovi» na Índia, ainda que não seja esta a ordem correcta por que foram aumentados ao efectivo dos navios da Armada aquele conjunto de unidades navais.

Ficarão para a história as atribulações da ortografia do nome do navio «Quanza» que, desde antes do aumento ao efectivo, tem sido de permanente controvérsia. Para quem pretenda um esclarecimento complementar, mesmo em locais de comunicação oficial, não será fácil rectificar ou ratificar quer "Quanza" quer "Cuanza". Afinal sempre são palavras homófonas e, para quem ouve, não existe qualquer diferença. Pessoalmente fico-me por "Quanza", como sempre escrevi.

Para navios de concepção tão semelhante aos da classe «Argos», nos planos de construção naval, nas características gerais, no armamento, nos equipamentos e máquinas propulsoras, sobressaem, nas diferenças, os cerca de seis metros adicionais do comprimento, fora a fora.



Guiné - A LFG «Orion» no rio Cacheu

Para missões idênticas e desempenhadas nos mesmos cenários e onde ainda coexistiram ambas as classes, caso específico de Angola, não será tão linear quanto isso, compreender o porquê da inclusão de mais um oficial, dois sargentos e três praças na guarnição.

Na Guiné, parece-me estar fora de causa qualquer comparativo no esforço exigido às guarnições, pelo tempo de permanência quer a bordadas quer em postos de combate, ou até à especial dificuldade das condições de navegação em muitos pontos do território. Não seria então escassa a guarnição das LFG «Argos»?

Frequentemente, quando são abordadas como tema as LFG da classe «Argos» a amplitude de conhecimento apenas chega com facilidade até às novas Lanchas de Fiscalização Rápidas «Argos». Mais remotamente, a confusão com a classe «Cacine» é inevitável. Convenientemente exposta, talvez uma miniatura em madeira de uma LFG «Argos», existente no Museu da Marinha e que já visualizei, pudesse auxiliar a memória histórica daquela época.


(continua)

Fontes:
Texto compilado peloo autor do blogue com imagens da Revista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar, Comissão Cultural da Marinha 10.º e 15.º Vols, 1999/2004; Ordem Da Armada, 1.ª Série;


mls

29 janeiro 2017

Comando Naval de Moçambique (2)


A Reserva Naval em Unidades Navais de 1957 a 1975

(final)

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 15 de Abril de 2009)


Tratada numa primeira parte a referenciação de oficiais da Reserva Naval que em Moçambique desempenharam funções em infra-estruturas navais em terra, nas Unidades e Serviços da Marinha, idêntico procedimento seguiremos relativamente a Unidades Navais.

Consideraremos apenas os navios de maior porte em que se incluem avisos, fragatas, corvetas e navios hidrográficos que ali desempenharam comissões temporárias, após o que eram rendidas por unidades equivalentes.

As LFG «Argos» e LFG «Dragão», as LFP «Castor», LFP «Régulus», LFP «Antares», LFP «Sirius», LFP «Vega», LFP «Marte», LFP «Mercúrio», LFP «Saturno», LFP «Urano», LFP «Sabre», LFP «Tete», e ainda a LDG «Cimitarra», Destacamentos de Fuzileiros Especiais e Companhias de Fuzileiros Navais que operaram em Moçambique, não serão agora referenciadas por terem sido, ou virem a ser, objecto de tratamento específico em posts individualizados.

Para cada unidade naval, refere-se o período de comissão, os oficiais da Reserva Naval que nelas estiveram embarcados e o ano em que lá estiveram, não tendo sido possível confirmar as datas de início e final do período de embarque ou mesmo, se for esse o caso, a permanência a bordo na totalidade do tempo de comissão do navio.

NH «Almirante Lacerda»
Data de Comissão: 01JAN61/28MAI75




2TEN RN João Manuel Pereira Brito, 6.º CEORN, 1964
2TEN RN Jochia Lipszyc, 7.º CEORN, 1966/67
2TEN RN Jorge Manuel de Sousa Duarte Pedro, 8.º CEORN, 1966


FF «Vasco da Gama»
Data de Comissão: 03JAN64/30AGO64




2TEN RN Luís Lourenço Soares Albergaria Âmbar, 5.º CEORN, 1964


FF «Pacheco Pereira»
Data de Comissão: 19FEV64/01AGO66




2TEN RN Ângelo Fonseca Ribeiro, 5.º CEORN, 1964
2TEN RN António Luís Gato, 7.º CEORN, 1965


FF «Pacheco Pereira»
Data de Comissão: 18DEZ67/24NOV69




2TEN RN José Manuel Braga Abecassis, 10.º CFORN, 1967


«FF Álvares Cabral»
Data de Comissão: 10NOV69/05ABR71




2TEN RN Elísio Gonçalves da Rocha, 12.º CFORN, 1969/70
2TEN RN Carlos Augusto Escoval Bom, 16.º CFORN, 1970/71


«FF Comandante Hermenegildo Capelo»
Data de Comissão: 25MAR75/24JUN75




2TEN RN Carlos Fernando Baptista Ferreira de Castro, 24.º CFORN, 1975


«PC João Coutinho»
Data de Comissão: 08SET70/10JUN75




2TEN TE RN Lídio Marques Fernandes, 24.º CFORN, 1974/75


«NA Sam Brás»
Data de Comissão: 25MAR70/23JUN75




2TEN RN Rui Moura da Silva, 12.º CFORN, 1970/72
2TEN AN RN António de Paiva e Silva, 13.º CFORN, 1970/72
2TEN RN José Miguel Bourbon de Sequeira Braga, 16.º CFORN, 1970/72
2TEN AN RN Jorge Manuel Vieira Jordão, 23.º CFORN, 1974/75




No final deste “arriscado” périplo por um desconhecido Moçambique, pode ser afirmado sem receio de grandes desvios que, concedida alguma tolerância para um ou outro erro cometido em alguma repetição indevida ou na avaliação final, difíceis de garantir com exactidão, estiveram presentes naquele teatro, ao longo de uma dúzia de anos, próximo de 230 oficiais da Reserva Naval.

Distribuídos por Unidades e Serviços em terra (cerca de 52), por Unidades Navais operacionais diversas como FF, PC, NH, LFG, LDG, LFP (cerca de 73) ou ainda DFE e CF (cerca de 105) representaram um importante contributo para o esforço de guerra da Marinha então levado a cabo pelo País.


Fontes:
Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Lista da Armada; Fotos de arquivo do autor do blogue;



Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

18 setembro 2019

Biblioteca Central da Marinha - Os 50 anos de aumento ao efectivo da LFG “Cassiopeia”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 21 de Março de 2014)

Mostra bibliográfica e documental sob o título 50 Anos volvidos sobre o aumento ao efectivo da LFG «Cassiopeia»





Em 13 de Janeiro de 2014 foi inaugurada na Biblioteca Central da Marinha uma mostra bibliográfica e documental sob o título 50 Anos volvidos sobre o aumento ao efectivo da LFG «Cassiopeia», que esteve patente ao público até dia 22 de Março dacquele ano.

Estiveram presentes os então Director da Comissão Cultural de Marinha, Vice-Almirante Oliveira Viegas, o Director da Biblioteca Central da Marinha, Comandante Rocha de Freitas, o Director do Museu de Marinha, Comandante Costa Canas, além de outras personalidades e público não descriminado.



Na totalidade, o número de pessoas presentes pode ser entendido como excessivamente reduzido para um evento que constitui um registo importante da participação da Marinha na Guerra do Ultramar, na segunda metade do século passado, entre os anos de 1961 e 1975. Provavelmente, expressará apenas o resultado de uma divulgação antecipada pouco abrangente.

Esta parcela da memória histórica recente da Marinha de Guerra, passa inevitavelmente pelo envolvimento de meios navais da Armada com empenhada participação nos teatros de Angola, Moçambique e Guiné, onde as Lanchas de Fiscalização Grande da classe «Argos» constituiram o topo da pirâmide do dispositivo naval estacionado naqueles territórios.




Nos teatros de Angola e Moçambique, com outras características geográficas, hidrográficas e de navegação, a presença de navios de maior porte como avisos, fragatas, corvetas, navios hidrográficos e ainda os antigos destroyers, tiveram presença igualmente significativa.

Outro tanto não se não verificou na Guiné onde, devido à especificidade da hidrografia daquela antiga colónia, com grandes amplitudes de marés, enseadas, braços de mar, rios estreitos e sinuosos, assoreamentos e baixos frequentes, se vieram a revelar inadequados, pouco versáteis e com condições de navegabilidade especialmente difíceis ou mesmo impossíveis.

Representaram um indispensável apoio operacional e logístico, especialmente até 1964 e em águas costeiras safas, mas apenas a presença de meios navais de apoio e intervenção operacionais como as LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas, LDM - Lanchas de Desembarque Médias e LDP - Lanchas de Desembarque pequenas, construídas especificamente para aquele tipo de condições de conflito, reforçou significativamente a eficácia do dispositivo naval empenhado.

Constituído por um conjunto de unidades navais diversificadas, apelidado de “poeira naval”, ainda que não reunissem condições óptimas, foram considerados os meios suficientes para enfrentarem as difíceis condições de navegabilidade. Havia também que acrescentar manobrabilidade e versatilidade suficientes para poderem enfrentar e responderem, com eficácia, a ataques, emboscadas e flagelações movidos de locais imprevisíveis.





No conjunto do dispositivo naval, assumiram papel especialmente relevante as 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos» de que a LFG «Cassiopeia» foi a quarta unidade naval a ser aumentada ao efectivo em 13 de Janeiro de 1964 e, no caso, a primeira a ser fabricada nos Estaleiros Navais do Alfeite.

Anteriormente, já a LFG «Argos», que deu o nome à classe, e as LFG «Dragão», LFG «Escorpião» e LFG «Pégaso», construídas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, tinham sido aumentadas ao efectivo dos navios da Armada, respectivamente em 14Jun63, 17Jul63, 21Ago63 e 16Out63.

Como pode constatar-se, todas estas 4 LFG que antecederam nas datas de aumento ao efectivo a LFG «Cassiopeia», cumpriram no ano transacto os mesmos 50 anos sobre a data de aumento ao efectivo dos navios da Armada e, a seguir idêntico procedimento, seria normal que a escolha recaisse sobre a primeira unidade naval que deu o nome à classe, a LFG «Argos».




Ainda que se possa classificar esta mostra bibliográfica e documental como um primeiro e simples passo, sem lhe retirar o que de significativo tem, porque não foi levada a cabo esta acção de divulgação apenas no ano em que se comemoraram os 150 anos do Museu de Marinha e com a primeira unidade naval da classe, ou porquê a LFG «Cassiopeia» e naquela data?

Deixo a dúvida pela falta de entendimento que em mim suscitou o navio escolhido e a data.

Também nos Estaleiros Navais do Alfeite e com datas de aumento ao efectivo, respectivamente em 11Abr64, 19Jun64, 20Out64, 25Abr65 e 04Set65, foram posteriormente construídas as LFG «Hidra», LFG «Lira», LFG «Orion», LFG «Cassiopeia», LFG «Centauro» e LFG «Sagitário».

Nos diversos expositores patentes na entrada da Biblioteca Central da Marinha esteve exibida documentação diversa de que se destacam mensagens, diários náuticos, relatórios de comando, anuais ou de operações, notícia publicada sobre a Operação “Mar Verde”, relatórios de missão de fiscalização, fotos e desenhos, mapas, desenhos de construção naval, provas de mar, etc.




De forma sucinta, todos aqueles documentos representam parte de um significativo espólio à guarda do Arquivo de Marinha, que ilustra a importância daquela dezena de unidades navais na manutenção da então soberania e presença do dispositivo naval em Angola, Moçambique e Guiné, palcos da Guerra do Ultramar. Também S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde integram de forma alargado o conceito, ainda que sem conflito armado propriamente dito.

Será importante destacar especialmente a Guiné onde, entre 1969 e 1974, chegaram a estar em permanência sete das dez unidades da classe. Em 1969 e 1970 regressaram de Moçambique, as LFG «Argos» e LFG «Dragão», para onde tinham ido da Guiné em 1974, depois de ali terem sido as primeiras a estacionar, em 1973, juntamente com a LFG «Escorpião».

Verificadas a falta de condições de segurança, em situações de emboscadas sofridas, por inexistência de protecções balísticas, foram aqueles navios substituídos pelas LFG «Cassiopeia», LFG «Hidra» e LFG «Lira», já convenientemente apetrechadas à saída dos Estaleiros do Alfeite com blindagens na ponte alta, casa das máquinas, casa dos motores auxiliares e paiol de munições.

Sendo que as duas primeiras, as LFG «Argos» e LFG «Dragão» foram para Moçambique, ficando atribuídas àquele Comando Naval, a LFG «Escorpião» ficou atribuída ao Comando Naval de Angola onde permaneceu até ao final do tempo de vida operacional, alternando com algumas comissões de soberania em S. Tomé e Príncipe. Ali se lhe juntaram posteriormente as LFP «Pégaso» e «Centauro».




Uma questão também pertinente, prende-se com o facto de não ter verificado, na inauguração da mostra bibliográfica e documental, a presença de qualquer antigo comandante daqueles navios que, ao tempo, comandaram aquelas unidades, então no posto de 1.º Tenente, em vários das unidades navais e em qualquer um dos territórios mencionados.

Ainda que correndo o risco de errar, e se assim suceder aqui deixo exarado o meu pedido de desculpas pelo lapso, apenas estiveram presentes na inauguração da mostra dois oficiais imediatos, ambos da LFG «Orion», sendo que um dos Quadros Permanentes e outro da Reserva Naval, eu próprio. Participação escassa para uma mostra bibliográfica e documental sobre as LFG da classe «Argos».

Já por variadas vezes, em anteriores publicações o tema LFG da classe «Argos» foi abordado. Destacam-se, além de outros, os seguintes artigos onde são apontados algumas pistas com interesse ainda que possam ser consideradas, nos números apresentados, meras estimativas:


“...Em guarnições com 2 oficiais, 4 sargentos e 21 praças terão desfilado naquelas unidades navais próximo dos 1.800 a 2.000 homens, correspondendo a 140 oficiais, 280 sargentos e 1470 praças.....”
....
“...Desempenharam funções como Comandantes das LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, 67 oficiais dos Quadros Permanentes e como Oficiais Imediatos, 67 oficiais da Reserva Naval e mais outros 7 oficiais dos Quadros Permanentes. ...”

Ou ainda em:


Considero merecedora de mais cuidada e alargada abordagem institucional a temática Lanchas de Fiscalização Grandes da classe «Argos» com melhor divulgação e mais empenhada participação. De qualquer das formas, não sendo historiador ou sociólogo, mas fazendo parte de um público interessado, considero francamente positiva a mostra bibliográfica levada a cabo.

Aqui fica expresso o meu agradecimento público pelo amável convite pessoal que me foi feito então pela Exma. Sra. Dra. Isabel Beato, Chefe do Arquivo Histórico do Arquivo Central de Marinha.




Fontes:
Comissão Cultural de Marinha; Biblioteca Central da Marinha; Museu de Marinha; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG), 15º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2004; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2005; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Desembarque Grandes (LDG), Médias (LDM) e Pequenas (LDP, 16º VOL, Comissão Cultural da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha e Revista da Armada


mls

24 maio 2022

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, Parte II


LDG «Ariete»

Post reformulado a partir de outro já publicado 20090113/20161202






Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; texto do autor do blogue, compilado e corrigido a partir do publicado em "Setenta e Cinco Anos no Mar" - Comissão Cultural de Marinha, 17.º Vol, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls

16 junho 2022

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, Parte VII


LDG «Bacamarte»

Post reformulado a partir de outro já publicado em 20090510/20170215






Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; texto do autor do blogue, compilado e corrigido a partir do publicado em "Setenta e Cinco Anos no Mar" - Comissão Cultural de Marinha, 17.º Vol, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls

27 maio 2022

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, Parte III


LDG «Cimitarra»

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 Janeiro 2009/6 Dezembro 2016)






Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; texto do autor do blogue, compilado e corrigido a partir do publicado em "Setenta e Cinco Anos no Mar" - Comissão Cultural de Marinha, 17.º Vol, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls

22 maio 2022

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes, Parte I


LDG «Alfange»

Post reformulado a partir de outro já publicado em 20090113/20161129






Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; texto do autor do blogue, compilado e corrigido a partir do publicado em "Setenta e Cinco Anos no Mar" - Comissão Cultural de Marinha, 17.º Vol, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls