03 dezembro 2017

Angola, LFP «Rigel» - P 378


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Rigel» - P 378

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 26 de Outubro de 2010)




A LFP "Rigel" navegando no rio Zaire


Construída nos estaleiros alemães Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 13 de Janeiro de 1962, data em chegou a Luanda a bordo do NM «Alcobaça».

No dia 21 de Fevereiro seguinte, no porto de Luanda, decorreu a cerimónia do respectivo armamento, juntamente com as LFP «Altair» e LFP «Regulus», que passaram a integrar a Esquadrilha de Lanchas do Zaire.

A fiscalização do troço fronteiriço do rio Zaire e o apoio aos postos guarnecidos por fuzileiros, nomeadamente a Quissanga, Pedra do Feitiço, Puelo, Makala, Tridente e Noqui, foram as suas principais missões. Durante cerca de 14 anos permaneceu em Angola, ora baseada em Santo António do Zaire ora em Luanda.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Rigel» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN João Manuel Velhinho Pereira Nobre de Carvalho, 20Fev62/28Jan64;


a Reserva Naval:

2TEN RN Vitor Manuel Elias Baptista, 5.º CEORN, 28Jan64/30Jul65;
2TEN RN António Manuel Baptista de Melo, 7.º CEORN, 30Jul65/17Mai67;
2TEN RN Rui Santos do Serro, 9.º CFORN, 17Mai67/19Jun67;
2TEN RN José Manuel Cálix Augusto, 9.º CFORN, 19Jun67/18Abr68;
2TEN RN Mário Alberto Alves de Oliveira Salgueiro, 9.º CEORN, 18Abr68/10Mai69;
2TEN RN João Crisósto Matos Alves Antunes, 13.º CFORN, 10Mai69/05Mai71;
2TEN RN António Manuel Cordeiro Sevinate Pinto, 17.º CFORN, 05Mai71/15Mai73;
2TEN RN Francisco Neves Gomes, 20.º CFORN, 15Mai73/29Out74;
2TEN RN António José de Oliveira Brás, 23.º CFORN, 29Out74/30Set75;




A LFP «Rigel» atracada em Santo António do Zaire e a navegar, quer no rio Zaire quer nos infindáveis braços e canais

Pertenceu à classe «Bellatrix» com características, máquinas propulsoras, equipamentos, armamento e lotação idênticas, não tendo contudo o lançador de foguetes de 37 mm.

Em 30 de Setembro de 1975 foi abatida ao efectivo dos navios da Armada e cedida ao Governo da República Popular de Angola. Segundo edições do Jane's Fighting Ships posteriores a 1976 ainda terá navegado com a bandeira da República Popular de Angola durante alguns anos.


Fontes:
"Dicionário de Navios", Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; "Anuário da Reserva Naval 1958-1975", Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue;Revista da Armada;


mls

26 novembro 2017

1970/71, A Marinha em Angola - Estação Radionaval Cabinda Zaire

Angola, de Luanda a Cabinda - Postos do rio Zaire

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Novembro de 2010)


No pequeno resumo filmado, no final desta publicação, o navio-patrulha «Mandovi» - P 1142, larga das Instalações Navais das Ilha do Cabo (INIC) em Luanda, rumo ao norte, a Cabinda.




É aproveitada a ocasião para efectuar uma visita virtual à Estação Radionaval de Luanda, salientando a importância daquela Estação na rede de comunicações do Comando Naval de Angola.

O rio Zaire, fronteira natural daquele território, com fortes correntes de 4 a 8 nós, foi sempre utilizado pelos terroristas para as infiltrações no território. Ao longo das 90 milhas de margem fronteiriça, coube à Marinha e aos Fuzileiros a fiscalização de margens e múltiplos canais com postos fixos na Quissanga, Pedra do Feitiço, Puelo, Makala, Tridente e Noqui.

Em Cabinda, uma outra unidade naval, de menor porte, a LFP «Rigel» – P 378, depois de embarcar uma força de fuzileiros e os respectivos botes de transporte, navega para montante daquele rio apoiando acções de fiscalização e patrulha dos fuzileiros nas “muilas”.

Mais tarde, no posto da Pedra do Feitiço, é efectuado o “rendez-vous” com outras unidades, as LDP 209 e LDP 213. Faz-se a habitual troca de correspondência, informações actualizadas e mensagens pessoais entre pessoal que é rendido por outros camaradas.

Depois visualiza-se o regresso do navio-patrulha «Mandovi» a Luanda, há um esclarecimento da importante missão de fiscalização e controlo da navegação mercante naquela zona, seguindo-se a faina de atracar ao cais das INIC – Instalações Navais da Ilha do Cabo.

São visíveis e identificáveis, entre outras unidades navais fundeadas ou acostadas, o navio-patrulha «Cunene» - P 1141 e a fragata «Comandante Roberto Ivens» - F 482.




A presença deste último navio permite balizar a realização desta peça filmada entre 07Dez70 e 29Out71, correspondente a uma, de três comissões, daquela unidade naval em Angola. A segunda comissão teve lugar de 12Jan74 a 02Mai74 e a terceira de 03Set75 a 10Nov75, parecendo fora de causa a credibilidade destes dois últimos espaços de tempo para a rodagem do filme.

Todas as outras unidades navais referidas e visualizadas, ali permaneciam no decorrer naquele período.

Foram muitos os oficiais da Reserva Naval que ali cumpriram as suas missões nessas e noutras Unidades Navais, Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros de que a própria fragata «Comandante Roberto Ivens» poderia ser tomada como exemplo de presença naval. Era nessa altura comandada pelo CFR José Manuel Torres Grincho.

No decorrer do mesmo período, integrou a guarnição do navio-patrulha «Mandovi» comandado pelo 1TEN António Augusto Catarino Salgado, o 2TEN RN Álvaro Jaime Neves da Silva do 17.º CFORN.

Da mesma forma, pertenceram também à guarnição do navio-patrulha «Cunene» comandado pelos 1TEN Alexandre Daniel Cunha Reis Rodrigues, de 06Jun69/09Ago71 e 1TEN Francisco Isidoro Montes de Oliveira Monteiro, de 09Ago71/09Ago73, os 2TEN RN João Luis Gomes Durão do 14.º CFORN, 2TEN RN Rui Alberto Antunes Pais dos Santos do 17.º CFORN, e 2TEN RN José dos Remédios Dias Gonçalves do 18.º CFORN.

Comandaram a LFP «Rigel» de 10Mai69/05Mai71, o 2TEN RN João Crisóstomo Matos Alves Antunes do 13.º CFORN e, de 05Mai71/15Mai73, o 2TEN RN António Manuel Cordeiro Sevinate Pinto do 17.º CFORN.






Fontes:
Cópia de filme editado pelo autor ao blogue a partir de retalhos gentilmente cedidos pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Angola, Luis Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval, 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Vols 10 e 16, Comissão Cultural de Marinha; Arquivo da Marinha; fotos de arquivo do autor cedidas pela Revista da Armada;


mls

03 novembro 2017

Guiné, 1966 - Exercícios de Fuzileiros II


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Julho de 2010, com imagens do filme legendadas)


O pequeno documentário filmado final ilustra um modelo de exercício de fuzileiros que quase se identifica com os de tantas operações efectuadas com os DFE-Destacamentos de Fuzileiros Especiais e LFG–Lanchas de Fiscalização Grandes.

Tinham lugar acções conjuntas em que à unidade naval cabia normalmente a missão de transporte até próximo do local da operação. Efectuado o transbordo para as LDM locais que procediam ao desembarque dos fuzileiros nos locais previstos, garantiam ainda escolta e apoio no local da operação quando e sempre que necessário.

Complementarmente, desempenhavam quase sempre as tarefas de centro de coordenação operacional ou mesmo de CTU (dependendo da antiguidade dos oficiais presentes). No final de cada operação, o regresso a Bissau à base naval fazia-se de modo idêntico, muitas vezes incluindo uma refeição quente ao pessoal envolvido na operação, confeccionada a bordo da LFG participante.






A preparação da operação no INAB – Instalações Navais de Bissau. A faina de carga dos botes de borracha e do equipamento no transporte que conduziria o Destacamento ao cais de embarque.






Passagem pela Avenida Marginal e cais do Pijiguiti






Chegada à ponte-cais da “Scania” transportando pessoal e equipamento






Na ponte-cais em T, várias LDM-Lanchas de Desembarque Médias amarradas de proa para o cais






No cais principal está atracada a fragata «Nuno Tristão»






Depois do embarque efectuado, a LFG «Cassiopeia» realiza a manobra de desacostagem do cais lateral, passando pela frente do cais principal






O Comandante da LFG “Cassiopeia”, 1TEN Pedro Manuel Barreira Pessoa Lopes, cumprimenta regulamentarmente o navio mais antigo, a fragata «Nuno Tristão»






Na ponte, aos comandos da máquinas, o 2Sarg ACM Feliz Santos Serra executa as instruções recebidas do comando






O 2Sarg A Vitor Clemente da Silva, também fiel de bordo, efectua uma rotina de verificação das peças Bofors de 40 mm com o pessoal artilheiro






Preparando os cunhetes de munições de 40 mm






Os helicópteros da FAP que participam da operação, em voo de apoio próximo






A LDM efectua a manobra de atracação à LFG para ser efectuado o transbordo






O Destacamento de Fuzileiros Especiais efectua o transbordo de pessoal, armamento e equipamento para a LDM





A LFG «Cassiopeia» mantém-se a pairar na zona onde decorre a operação






Início do desembarque






Depois do desembarque a acção dos fuzileiros já em terra





Fontes:
Filme editado e montado pelo autor do blogue a partir de cópia de filme gentilmente cedida pela Escola de Fuzileiros, originalmente filmada com a colaboração da Marinha; texto do autor;


mls

27 outubro 2017

Angola, 1967 - Marinha no rio Cuando, Parte II


Fuzileiros e Reserva Naval no rio Cuando - Angola, 1967

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Setembro de 2010)


Brindado com uma comissão de dois anos na Guiné nunca pisei solo angolano, nem como oficial da Marinha de Guerra, ao tempo da Reserva Naval, nem tão pouco como cidadão português, seja na perspectiva anterior seja na posterior ao final da Guerra do Ultramar, após a independência daquele território.

Por mera analogia com Moçambique, partilho pacificamente e dialogo abertamente sobre estes temas, ouvindo opiniões multifacetadas de camaradas, amigos e até familiares que ali se radicaram temporária ou definitivamente, quer como militares no cumprimento de missões quer como simples cidadãos.




Missão Católica de Santa Cruz do Cuando – Da esquerda para a direita:
CFR Raul Sousa Machado, 2TEN FZ RN Frederico da Luz Rebelo
e CMG Fernando da Silva Soares Branco (Segundo-Comandante Naval de Angola).


Não consigo rabiscar letras e muito menos escrever páginas, sobre temas que, nas memórias gravadas no meu espírito, escapam ao meu sentir e conhecimento. Representará sempre uma fasquia de honestidade limite que nunca estarei disposto a transpor, caindo no outro lado.




Missão Católica de Santa Cruz do Cuando – Da esquerda para a direita, o CFR Armando António Pimentel Saraiva - CEM do Comando Naval de Angola, o 2TEN FZ RN Frederico da Luz Rebelo e o CFR Raul Sousa Machado.

Contudo, considero estar em condições de afirmar que escrever ou relatar com verdade pesquisada e documentada, optando pelo rigor histórico em detrimento de algum rápido sucesso literário, é tarefa penosa com custos pessoais pesados, no tempo e meios empenhados.

Em alguns dos temas que abordo, procuro compensar a ausência de episódios e vivências havidas com conhecimento adquirido, lendo alguma coisa e pesquisando muito, tentando chegar a algum valor acrescentado nos episódios e relatos dispersos que submeto à paciência dos leitores que me acompanham.




Duas imagens do transporte da LDP 105 para o Chicove.



Angola e o rio Cuando, no sudeste, não obrigam ninguém a dissertar sobre Bosquímanos, Bantos ou qualquer outra etnia. Para mim, a memória resvalaria inevitavelmente para “Os Deuses Devem Estar Loucos”, 1980, de Jamie Uys e a história do “Xi atrás da coisa – a garrafa de Coca-Cola”.

Tive vários camaradas da Reserva Naval que foram chamados a desempenhar missões naqueles locais remotos, por muitos apelidados de “cus de judas” e quase, se não mesmo, exclusivamente da classe de Fuzileiros.

Não sei de forma exaustiva quem por lá passou, nem para isso vou ter tempo. Tão pouco vou ter sequer a pretensão de fazer disso um objectivo pendente. Há um ror de camaradas, felizmente muitos deles ainda entre nós, dos vários Ramos das Forças Armadas que ali permaneceram ainda que pontualmente.

Mais do que ninguém, têm condições privilegiadas para registar memórias de acontecimentos havidos, parte de um legado histórico que se vai perdendo nos testemunhos desaparecidos pela mão da inexorável gadanha que a todos vai tolhendo a prazo.

Não significa também que aqui não deixe relatos ou testemunhos parciais, simples retalhos, para que alguém ou outros possam encontrar algumas pistas para o conhecimento acrescentado e dinâmico que se deseja na “História”.

Referindo apenas o meu curso, o 8.º CEORN – Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, foram para Angola integrados na Companhia de Fuzileiros n.º 1 (1966/1968), os 2TEN FZ RN Rui Camargo de Sousa Eiró (falecido), 2TEN MN RN Frederico Aníbal Saldanha da Silveira Machado, 2TEN FN RN António Luis Marinho de Castro (falecido) e o 2TEN FZ RN Joaquim José de Carvalho.

Integrados na Companhia de Fuzileiros n.º 11 (1966/1969), foram também os 2TEN FZ RN Luis Domingos Costa Azevedo Vaquinhas, 2TEN FZ RN Frederico da Luz Rebelo (falecido) – o oficial que aparece no filme do rio Cuando - , 2TEN FZ RN Manuel José Gomes dos Santos Pereira e o 2TEN MN RN João Carlos Cabral Nunes Correia.

O primeiro comando da LDP 210 naquela zona e respectiva guarnição, depois de um transporte de antologia efectuado sob a égide da RMA – Região Militar de Angola, foi do 2TEN RN António Luis Marinho de Castro, epopeia que lhe valeu um louvor e medalha.




O 2TEN FZ RN Luis Marinho de Castro e a LDP 210.

Naturalmente que as rendições se foram sucedendo ao longo do tempo. Muitas guarnições de lanchas e oficiais de outras Companhias terão ali desempenhado missões de 1966 a 1975, naquela ou noutra unidade naval, sempre LDP, que para aquela zona tenha sido transportada.



A LDP 208 em patrulha no rio Zambeze.

De meu conhecimento documental, estiveram também no leste de Angola a LDP 208, na margem esquerda do Zambeze (Chilombo) e a LDP 105, mais conhecida como o “Expresso do Chicove”, no Rivungo.




Em cima, outra imagem do transporte da LDP 105 e, em baixo, pessoal em serviço no Chicove.



A lancha terá sido transportada por navio até Moçâmedes, seguindo depois de comboio até Serpa Pinto. Daí, numa distância de cerca de 600 Km e por picadas arenosas, seguiu em coluna militar até ao seu destino, o Rivungo, no rio Cuando (fronteira com a Zâmbia).

Apenas com contributos dinâmicos, consubstanciados em testemunhos e relatos de quem lá tenha estado ou investigadores interessados, se poderá ir dando corpo a uma história incompreensivelmente esquecida em baús de recordações ou arquivos de acesso muito limitado.




A LDP 105 (Expresso do Chicove) amarrada à LDP 210.



Abaixo se transcreve o comentário do leitor Egidio Cardoso - CCAÇ 3441 efectuado ao post anterior e lá publicado:


“Na verdade e tanto quanto sei, a Marinha no Cuando, estava representada por dois destacamentos, cada um com uma LDP (sendo uma a LDP 210), transportadas por estrada, desmontadas, em cima de viaturas: uma delas, como refere, no Chicove, a norte de Neriquinha. A outra, a que não faz referência, a sul da Neriquinha, mais exactamente no Rivungo (Destacamento de Marinha do Rivungo) local onde existia um destacamento com um pelotão da companhia de caçadores estacionada na Neriquinha.

Veja o nosso blog, especificamente o post:



E.C.”



Bem vindo na visita, tanto pelo comentário como pelo endereço do blogue que publico. Permite uma breve sortida ao passado recente da História Marinha em Angola - Rivungo mostrando que na LDP 210, nos confins do mundo, também se perdeu a vida em combate.

Depois de atenta leitura considero um dever pessoal honrar a memória de quem ali, ao serviço da Marinha de Guerra e do País, perdeu a vida em combate, identificando quem foi quem, e deixando pistas para ulteriores pesquisa do tema a quem pretenda.


“O 1GR FZ 2862/69 Celestino Mesquita de Carvalho, integrando a guarnição da LDM 210, em Angola, no dia 8 de Abril de 1972, morreu em combate quando aquela unidade naval se encontrava a patrulhar o rio Cuando e foi atacada pelo inimigo. A praça em questão foi atingida com várias rajadas de metralhadora que lhe provocaram a morte, tendo caído à água. O corpo nunca foi encontrado.”


Para que nunca sejam esquecidos!




Fontes:
Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Angola, Luis Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; Texto e fotos de arquivo do autor com amável cedência do 1TEN AN Ref Raul Sousa Machado; Arquivo da Marinha;


mls

24 outubro 2017

Angola, 1967 - Marinha no rio Cuando, Parte I


Fuzileiros e Reserva Naval no rio Cuando - Angola, 1967

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Setembro de 2009)


Em meados de 1967, pela agressividade crescente do terrorismo no leste de Angola, houve natural necessidade de reforçar o dispositivo naval naquele frente do território. Para tal, foram deslocados pelo Comando Naval de Angola para a Zona Militar Leste dois Destacamentos de Fuzileiros Especiais.

Ficou um sedeado no Chilombo, o DFE 2, na margem esquerda do rio Zambeze, com a LDP 208, armada, e outro, o DFE 11, na margem direita do rio Lungué-Bungo, junto à ponte da picada Lucusse-Luvuei, articulando-se um comando móvel e comunicações com a Zona Militar Leste, no Luzo.

Estacionada naquele teatro, a Companhia de Fuzileiros n.º 1 já tinha regressado a Luanda às INIC, deixando o rio Zaire, mantendo um pelotão destacado no rio Cuando, integrando o designado Destacmarcuando com a missão de patrulhar aquele rio e margens, disponibilizando pessoal para guarnecer a LDP 210 que, desde 29 de Junho, a Marinha manteve a navegar naquele rio.

Trajecto da LDP 210 de Luanda ao rio Cuando,
1800 Km por estrada - Maio de 1967



A LDP 210, foi uma das muitas lanchas que, num esforço hercúleo, a Marinha colocou no coração de África. Viajando a partir da costa ao longo de um percurso terrestre de 1800 km em cima de uma viatura-plataforma integrada numa coluna da Região Militar de Angola (RMA), saiu de Luanda e, passando por Salazar, Malanje, Nova Gaia, Quitapa, Xassegue, Cacolo, Lizo, Lutamba, Lucusse, Gago Coutinho, Ninda e Chiume, chegou ao rio Cuando.



Em cima o lançamento da LDP 210 e, em baixo, já a navegar.



Foi lançada em Chicove, a 9 km de Chiume, a montante de Neriquinha sofrendo o primeiro ataque logo no dia seguinte.

É da LDP 210 que se inclui o filme reportagem seguinte, provavelmente rodado em 1967 ou 1968. Apesar das dificuldades e ausência de informação é possível identificar o 2TEN RN Frederico da Luz Rebelo, oficial da Reserva Naval do 8.º CEORN e que comandava a força transportada na lancha.



O 2TEN FZ RN Frederico da Luz Rebelo

Aquele oficial foi para Angola integrado na Companhia de Fuzileiros n.º 11 (1966/1969), comandada pelo 1TEN Carlos José Saldanha Mota dos Santos, tendo como imediato o 2TEN José Alberto de Milharadas Pedro e o 2TEN Carlos Alberto Mano Simões Lopes.

Pertenceram ainda aquela unidade os 2TEN FZ RN Luis Domingos Costa Azevedo Vaquinhas, 2TEN FZ RN Manuel José Gomes dos Santos Pereira e o 2TEN MN RN João Carlos Cabral Nunes Correia todos do 8.º CEORN - Reserva Naval




Locução de Júlio Isidro.

(continua)



Fontes:
Cópia de filme gentilmente cedida pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Angola, Luis Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; Texto e fotos de arquivo do autor;


mls

07 outubro 2017

Angola, anos 60/70 – Os Fuzileiros no rio Zaire, Parte II


Angola - Os Fuzileiros no rio Zaire

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Outubro de 2010)




Angola, rio Zaire - Duas imagens da LFP "Pollux" em fiscalização e patrulha




O pequeno trecho filmado do final desta publicação foi rodado em Angola. A LFP «Pollux» navega no rio Zaire, provavelmente no final dos anos '60 e documenta a importância que o dispositivo naval da Marinha - Unidades Navais e Fuzileiros – tinha na fiscalização e vigilância daquele curso de água.

Transportes de pessoal, abastecimentos e outras cargas faziam parte das rotinas das guarnições de Unidades Navais e Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros, garantindo a segurança de pessoas e bens transportados.

Com base em SAZAIRE – Comando de Defesa Marítima de Santo António do Zaire, onde existia uma Esquadrilha de Lanchas com unidades navais atribuídas, eram lançadas operações quer de simples fiscalização e patrulha quer actuando em conjunto com forças de Fuzileiros.

A partir de postos onde estavam sedeados ao longo do curso do Zaire, por exemplo a lendária “Pedra do Feitiço”, embarcados em LDM ou utilizando meios próprios, os botes, complementavam e apoiavam também a acção das unidades navais.

As “muilas” e os “bordoeiros” ainda hoje povoam as memórias históricas de militares que ali desempenharam missões ou populações que ali estiveram estabelecidas.

A unidade naval que participou no documento filmado, a LFP «Pollux» – P 368, foi uma Lancha de Fiscalização Pequena, cujo comando foi sempre efectuado por oficiais da Reserva Naval.






Fontes:
Texto e foto de arquivo do autor do blogue; cópia de filme gentilmente cedida pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha;


mls

04 outubro 2017

Guine 1970, DFE 21 (Parte II) - Destacamento de Fuzileiros Especiais Africanos e Reserva Naval


DFE 21 - O primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais da «Série 20»

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Maio de 2010)

Parte II

Operação "Mar Verde"




DFE 21 - Uma breve pausa na progressão é aproveitada para descanso





O recrutamento inicial de elementos para integrar o DFE 21 já tinha sido iniciado em Setembro de 1969. Depois de activado, em 21 de Abril de 1970, participou, até Maio, em diversas operações no sul da Guiné depois do que, conjuntamente com o DFE8, passou a estar sedeado em Vila Cacheu.

Naquelas zonas efectuou várias acções, tendo sofrido pesadas baixas entre mortos e feridos, entre os quais se incluíram alguns oficiais e sargentos. Em Agosto, depois de uma curta passagem por Buba, foi transferido para Brá, para se juntar aos preparativos que antecederam a organização da operação “Mar Verde”, já em curso na ilha de Soga e na qual viria a participar.




A sudoeste do canal do Geba, no arquipélago dos Bijagós,
a ilha de Soga, base de preparação da operação "Mar Verde".
Situada a oeste da ilha de Rubane, estão ambas encaixadas entre os canais Diogo Gomes e Bubaque


A ilha de Soga foi escolhida como local de preparação pelas condições especiais que detinha, a par de uma situação estrategicamente recatada que oferecia a possível segurança em termos do necessário secretismo. A operação, quer na planificação prévia quer na organização e execução finais, teve como estratega e Comandante o CTEN Alpoim Calvão (OTC).

O DFE 21, na estrutura inicial, teve como Comandante o 1TEN FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva que tinha ingressado nos Quadros Permanentes, na classe de Fuzileiros, depois de ter efectuado uma primeira comissão de serviço na Guiné, como terceiro oficial do DFE 4, de 1965 a 1967. Pertenceu originalmente à Reserva Naval onde integrou o 7.º CEORN.

Em 21 Junho de 1971 o comando do Destacamento de Fuzileiros Africanos, DFE 21, foi sendo parcial e progressivamente rendido, ainda que alguns dos elementos que o constituiam continuassem voluntariamente até 1 de Abril de 1973.

Foi nomeado Comandante do DFE 21 o 1TEN FZE José Manuel de Matos Moniz, também ele originário da Reserva Naval. Tinha pertencido ao 8.º CEORN e, no final do curso foi integrado no DFE 1, em Moçambique e de 1967 a 1969, depois do que concorreu aos Quadros Permanentes na classe de Fuzileiros.

Comandantes:

1TEN FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva, 7.º CEORN, ingressou nos QP;
1TEN FZE José Manuel de Matos Moniz, 8.º CEORN, ingressou nos QP;

Oficiais Imediatos:

1TEN José Maria da Silva Horta, QP;
2TEN Luis António Proença Maia, QP;
2TEN FZE RN António José Rodrigues da Hora, 11.º CFORN, ingressou nos QP;
2TEN FZE RN Manuel Maria Peralta de Castro Centeno, 19.º CFORN, ingressou nos QP;

Oficiais:

2TEN FZE José Carlos Freire Falcão Lucas, 13.º CFORN;
2TEN FZE RN Eduardo Madureira da Veiga Rica, 14.º CFORN*;
2TEN FZE Manuel José Fernandes Guerra, 15.º CFORN;
2TEN FZE RN Jaime Manuel Gamboa de Melo Cabral, 16.º CFORN;
2TEN FZE RN Francisco Luis Saraiva de Vasconcelos, 16.º CFORN;
2TEN FZE RN João Frederico Saldanha Carvalho e Meneses, 19.º CFORN;
2TEN FZE RN Cândido Alexandre Lucas, 20.º CFORN;
2TEN FZE RN José Joaquim Caldeira Marques Monteiro de Macedo, 21.º CFORN;

* Meses depois, já na Guiné, sofreu um acidente em serviço tendo de ser evacuado.




DFE 21 - A evacuação de um ferido

Consideradas as guarnições dos navios que a integraram, a força que partiu da ilha de Soga em 20 de Novembro de 1970, totalizou próximo de 600 elementos. Foram 80 homens do DFE 21 que, com mais cerca de 200 homens pertencentes à “Front Nacional de Liberation de la Guiné” (FNLG) e 150 elementos da Companhia de Comandos Africanos comandada pelo Capitão João Bacar, iniciaram a operação “Mar Verde”.

Com o reforço de aviões P2V5 da Força Aérea Portuguesa, foram transportados e apoiados por uma força naval constituída por seis unidades navais.

Delas se indicam os respectivos Comandantes e Oficiais Imediatos, a saber:

LFG «Orion» (OTC) - CTEN Alberto Augusto Faria dos Santos e 2TEN Mário Manuel da Fonseca Alvarenga Rua, QP; nela embarcou o CTEN Alpoim Calvão, Comandante da operação;

LFG «Cassiopeia» – 1TEN Fausto José do Lago Domingues e 2TEN RN Alfredo Manuel de Paiva Pacheco, 13.º CFORN;

LFG «Dragão» – 1TEN António Alexandre Welti Duque de Martinho e 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz, 13.º CFORN;

LFG «Hidra» – 1TEN José Augusto Fialho Góis e 2TEN Duarte José Cruz de Castro Centeno, QP;

LDG «Montante» – 1TEN Luis Manuel Dias da Costa Correia e 2TEN Raul David Nunes Vieira Pita, QP;

LDG «Bombarda» – 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus e 2TEN RN Luis Manuel Ferreira Marques, 13.º CFORN;




Da esquerda para a direita, em Bissau: Alfredo Paiva Pacheco, Imediato da LFG «Hidra»;
João Manuel Nunes Vaz, Imediato da LFG «Sagitário», 1º TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, Comandante da LDG «Bombarda», José Guerreiro Banza, Comandante da LFP «Arcturus», Coutinho, Capelão Delmar Barreiros, CDMG e mais dois oficiais não identificados


Mais do que quaisquer outros considerandos estratégicos, militares, políticos e sociais que possam ter sido, ou vierem a ser invocados e memorizados em futuros considerandos filosóficos, ficou certamente para a História a libertação “concreta” de 25 militares, prisioneiros de guerra, e ainda um civil, resultado positivo inquestionável, justificativo de quaisquer decisões políticas e militares tomadas.

Nada mais valeroso e nobre do que uma missão cumprida, culminada pela libertação de reféns de guerra, devolvendo-lhes a dignidade de Homens e Combatentes ao serviço do país por que se bateram, restituindo-os à família e reconquistando-lhes a auto-estima, ambas perdidas no tempo de reclusão.

Com cunho meramente pessoal, aqui deixo exarado o meu apreço especial pela acção do DFE 21, cuja missão principal foi o ataque à prisão “La Montaigne” que levou a cabo com êxito total, não sem que deixe de ser importante tornar o apreço extensivo a todo o Comando da operação "Mar Verde", envolvendo todas as forças participantes, sem as quais não seria possível tal desfecho.

Noutra perspectiva social e política que rejeito, acompanhada de duvidosos e falaciosos argumentários, terá sido considerada como uma controversa e arriscada operação, também por nela terem sido envolvidos a quase plenitude dos meios da Marinha já empenhados num cenário guerra então mantido.

Para lá daquele assinalável resultado o grupo de assalto do 2TEN FZE RN Rebordão de Brito - grupo "Victor", com apenas 14 fuzileiros especiais e um guia, procedeu à neutralização da Marinha de Guerra do PAIGC (três vedetas e uma lancha de desembarque) e quatro lanchas torpedeiras da República da Guiné, todas acostadas no dique "La Prudence". Depois de eliminada a sentinela foram lançadas granadas para o interior das unidades navais, causando danos irreparáveis. Três delas afundaram-se de imediato e quatro incendiaram-se. Na breve escaramuça havida as nossas forças sofreram apenas um ferido ligeiro tendo provocado 24 baixas e retirado de seguida.

Melhor que quaisquer palavras, a foto abaixo ilustra um momento histórico pleno de significado. Um grupo de recém-libertados prisioneiros, depois do regresso à ilha de Soga, já em franca confraternização com a guarnição da LFG «Dragão» é fotografado na proa daquela lancha.



Desempenhava as funções de oficial Imediato da LFG «Dragão» o 2TEN RN João Manuel Vaz do 13.º CFORN. Sendo-o na realidade da LFG «Sagitário», uma imobilização prolongada desta lancha de fiscalização, muito sentido de responsabilidade assumida e camaradagem demonstradas, permitiram ao companheiro da LFG «Dragão» cumprir outros deveres na Metrópole.

De entre os prisioneiros libertados, o 2TEN João Manuel Vaz convidou um ex-prisioneiro, casualmente oficial, para com ele partilhar o jantar na LFG «Dragão». Algumas dificuldades na roupa que trazia vestida - uns parcos “slips” - criaram engulhos, rapidamente resolvidos pelo anfitrião que colocou a câmara de oficiais e alguma roupa pessoal à disposição do visitante.

A escolha incluiu uns calções e uma camisa, mas não permitiu ter em conta nem os efeitos do tempo de prisão visíveis no primeiro, nem a diferença de corpulência relativamente ao João Manuel Vaz, facto que acabou por se tornar chocantemente evidente depois de concretizada a improvisada adaptação de vestuário.

Nenhum número de roupagem resiste a regimes de clausura prolongadas com condições de privação tão humilhantes mas, quer a confrangente visão de uma camisa chegar aos joelhos quer um corpo inteiro caber numa pernas de uns calções, foram igualmente ultrapassadas sem constrangimentos.

Já à mesa, durante o jantar - um habitual peixe frito com arroz de tomate e salada - era evidente o nervosismo do convidado. Num expontâneo diálogo entabulado, quedaram também sem significado algumas dramáticas dificuldades do ex-prisioneiro na forma de lidar com garfo e faca, dando rapidamente lugar a outra forma prática de tomar uma refeição.

Opto pela dispensa de comentários ao que é por demais visível no nível de empenhamento e participação então exigido às guarnições de Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros e Unidades Navais, onde os oficiais da Reserva Naval ombrearam com os seus pares dos Quadros Permanentes ao longo de 12 anos de guerra.

DFE 21 e operação "Mar Verde", podem ser tidos apenas como mais dois tão demonstrativos quanto eloquentes exemplos. Alguns dos participantes naquela epopeia já não se encontram entre nós, mas aqui fica a evocação que os mantém presentes no nosso espírito e memória.



(final)



Fontes:
Texto compilado com a colaboração de 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz do 13.º CFORN; Arquivo de Marinha; Operação "Mar Verde" de António Luis Marinho - Temas e Debates, 2006; Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África - Guiné de Luis Sanches Baêna, 2006; Texto e fotos de arquivo do autor;


mls

16 setembro 2017

1970 - A Marinha em Angola, Fuzileiros no Zaire, Parte I

Sentinelas do Rio – Fuzileiros no rio Zaire

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Setembro de 2009)





O rio Zaire, fronteira natural de Angola, com fortes correntes de 4 a 8 nós, foi sempre utilizado pelos terroristas para as infiltrações no território. Ao longo das 90 milhas de margem fronteiriça, cabia à Marinha, com um dispositivo naval de Lanchas e Fuzileiros a fiscalização de margens e múltiplos canais.

No pequeno trecho filmado que se apresenta, os fuzileiros embarcam na fragata «Vasco da Gama» que larga das Instalações Navais das Ilha do Cabo (INIC) em Luanda, com armas e bagagens, rumo ao norte, numa viagem que os levará aos diferentes postos de vigilância do rio Zaire.

Depois do transbordo para uma LDM – Lancha de Desembarque Média, esta unidade continuará para montante do rio, rendendo nos diferentes postos os camaradas que completaram as suas missões: Quissanga, Pedra do Feitiço, Puelo, Macala e Tridente.

Ao longo do percurso são visíveis os vestígios gravados no tempo pelas guarnições que ali passaram: “Cais construído pelo Destacamento n.º 11 FZE – os Rangers, Maio de 1965”.

Mais a montante “Homenagem dos que partem aos que ficam na defesa das fronteiras de Portugal eterno – Destacamento n.º 6 FZE”, num obelisco ali construído. No posto do Tridente também os sinais da passagem do DFE 13.

Foram dezenas os oficiais da Reserva Naval que ali cumpriram as suas missões em Unidades Navais, quer em Fragatas, LFG ou LFP, quer em Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros. A própria fragata «Vasco da Gama» é também disso um testemunho com a passagem do 2TEN RN Luis Lourenço Soares de Albergaria Ambar, 5.º CEORN que, desde 27.10.63 pertenceu à guarnição daquela unidade naval que, mais tarde, cumpriu uma comissão em Angola de Agosto de 1964 a Abril de 1966. O navio era comandado pelo então CFR Rui Ferreira Molarinho do Carmo.

O filme dirá respeito a uma outra comissão da fragata «Vasco da Gama» em Angola, de Maio de 1970 a Agosto de 1970, sob o comando do CFR António de J.B.B. de Carvalho. Haverá certamente testemunhos que o confirmem ou rectifiquem em caso de lapso.




Locução de Júlio Isidro.



Fontes:
Cópia de filme editado pelo autor ao blogue a partir de retalhos gentilmente cedidos pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Angola, Luis Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; fotos de arquivo do autor;


mls

02 setembro 2017

Guine 1970, DFE 21 (Parte I) - Destacamento de Fuzileiros Especiais Africanos e Reserva Naval

DFE 21 - O primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais da «Série 20»

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Maio de 2010)

Parte I





“….Enquadrando-se na política do Comando-Chefe das Forças Armadas na Guiné, em 21 de Abril a Marinha activou o primeiro destacamento de Fuzileiros Africanos na Guiné, o DFE 21.

Para ingressar nos quadros de Fuzileiros Especiais Africanos do Comando de Defesa Marítima da Guiné foram seleccionados 150 dos 900 voluntários que se apresentaram para servir nas forças especiais na Marinha.




Bolama - Centro de Preparação de Fuzileiros

A adesão maciça de pessoal é facilmente entendível já que era ronco ser Fuzileiro Especial e ganhava-se manga de patacão.

Na selecção de pessoal foi dada preferência aos assalariados do Comando de Defesa Marítima, dos Serviços de Marinha, guias das Unidades de Fuzileiros, impedidos das câmaras dos navios e das messes de oficiais, pessoal na generalidade familiarizado com a vida na Marinha.

Também foram admitidos estivadores e pessoal que já cumprira o serviço militar em companhias de milícias ou caçadores nativos.
Não pois preocupação de maior em seleccionar indivíduos em conformidade com o seu chão ou etnia, erro esse que foi logo detectado e corrigido posteriormente na formação do DFE 22.




Bolama - Caserna do Centro de Instrução

Foi ocupado um barracão em Bolama que, com umas apressadas adaptações passou a servir simultaneamente de coberta, sala de aula, refeitório, etc. Baseada nos planos de curso em vigor na Escola de Fuzileiros foi ministrada uma instrução acelerada e, de certo modo, improvisada.

Os oficiais e sargentos bem como alguns cabos e marinheiros eram metropolitanos, rendendo-se individualmente no final de cada comissão. A Escola de Formação de Fuzileiros então instalada passou a ser designada por “Centro de Instrução”. Para comandar a nova Unidade foi nomeado o 1TEN FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva…”


Este Destacamentos de Fuzileiros Especiais, o DFE 21, viria a tornar-se uma das Unidades de maior protagonismo na Guiné, entre 1970 e 1974. De especial relevo e importância para a estratégia de guerra então prosseguida, assumiu projecção histórica com a participação na Operação “Mar Verde”.




Um pormenor da preparação do DFE 21

O comando do DFE 21 integrou maioritariamente Oficiais da Reserva Naval sendo que, dos 14 oficiais que por lá passaram ao longo dos anos, 12 pertenceram àquela classe.

Ainda que dois daqueles oficiais, caso dos Comandantes do Destacamento, tenham ingressado nos Quadros Permanentes, também foram originários da Reserva Naval.




Fontes:
Filme editado pelo autor do blogue a partir de retalhos de filme cedidos gentilmente pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada na época pelos Serviços Cartográficos do Exército em colaboração com a Marinha; extracto de texto de Fuzileiros – Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Crónica dos feitos da Guiné, Luís Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; fotos cedidas pelo Arquivo de Marinha.


mls

24 agosto 2017

Angola, 1973 - A corveta "Augusto Castilho"


Angola, 1973 - A corveta "Augusto Castilho" em fiscalização costeira

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 1 de Agosto de 2010)


No frame inicial, o filme apresenta como título “Angola Fiscalização F 480”, o que indicaria erradamente a fragata “Comandante João Belo” como sendo o navio participante nesta reportagem efectuada em Angola, no ido ano de 1973.




A corveta «Augusto Castilho»

Na realidade, a unidade naval focada na peça é a corveta «Augusto Castilho» – F 484, o que pode ser confirmado pelo nome, pelo número de costado e por diversas características do navio visíveis no decorrer do filme. As próprias fitas dos bonés dos elementos da guarnição são disso um testemunho.

Ao largar do cais das INIC – Instalações Navais da Ilha do Cabo podem ver-se atracadas, no mesmo cais, uma LFG – Lancha de Fiscalização Grande da classe «Argos» e um navio-patrulha da classe «Cacine».





Fontes:
Cópia de filme gentilmente cedida pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha; foto da Revista da Armada;


mls

12 agosto 2017

Memórias do 13.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval


Memórias do 13 º CFORN, 1968

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Maio de 2010)


Fazer uma caminhada pelo tempo que passou, sinto-o, é cada vez mais fácil; e, se acaso estivermos em grupo, é altamente compensador. Ao pedirem-me para procurar relatar um ou outro caso, simpático, em que estivessem envolvidos os jovens cadetes do 13º CFORN, não demorou muito a que as imagens aparecessem, depois os sons e, depois também, a saudade.

Mas, dentro do 13º CFORN, havia o 21º Curso de Fuzileiros (FZE), o qual se desenvolvia no chamado 2º ciclo do CFORN. Abordarei este em primeiro lugar.

O 21º Curso FZE era constituído por jovens oriundos de dois dos três vértices do arquipélago, grande parte dos quais já licenciados e, por isso, com experiências de vida bem diferenciadas.

A uni-los, o espírito de grupo e uma bem cuidada oposição aos instrutores, passando esta pela liderança dos mais velhos.

E, pelos instrutores passava, o terrível Xavier (o papá Xavi, nosso camarada já falecido, a quem aqui deixo expressa sentida homenagem). O então 2TEN Xavier, grande, desembaraçado, invariavelmente com uma ofensiva na mão, procurava em todas as suas deambulações pelo campo de batalha, deixar referência quanto aos especiais cuidados pelos quais se deveria reger a actuação dos Fuzileiros e quanto às tácticas a adoptar perante o Inimigo (o IN, todos se lembrarão da sigla).

1.º Mandamento:



...e, os alunos depressa entendiam a força do mandamento, pois caso não fosse praticado, chovia granada. As caminhadas pelas agrestes cotas da serra da Arrábida eram extremamente árduas e comum a distância a pique do mar.

Mesmo para a juventude de então, seria penoso procurar o meandro de estrada mais aconselhado para atravessar o alcatrão. Então que fazer? Cumprir o mandamento ou debandar com as granadas que cairiam sobre nós? Não, o melhor seria confiar numa alternativa de carácter técnico, talvez proveniente da tradicional criatividade que teimosamente nos vai acompanhando ao longo dos tempos...

Assim, o comandante do destacamento mandou cortar vários arbustos e dispô-los tipo brecha, perpendicularmente à estrada (recentemente vim a saber que a vegetação era do tipo paraclimático. Naquela altura parecia-me mais do tipo rasgante, tal o modo como se manifestava à nossa passagem. Feita a abertura, todo o destacamento atravessou em segurança!... Os instrutores não se manifestaram perante tamanha ousadia! O pior foram os minutos seguintes…

2.º Mandamento:



...os alunos entenderam; mas, o limite do seu pensamento ia mais longe e, à cautela, procuraram dar uma olhadela pela escala do oficial de serviço e saber quando é que estaria de serviço o tenente Xavier.

Vista a escala, constatámos não dispor de muito tempo para criar defesas…dois dias era muito pouco e, ainda não tínhamos completado o Manual de Minas e Armadilhas… Ninguém tinha dúvidas que o Xavier iria ao nosso alojamento (à tabanca,lembram-se?), sobressaltar o nosso tão merecido e querido descanso…

A imaginação circulou de mente em mente e, a umas quantas horas do anoitecer, já a braçadeira do oficial de serviço se procurava ajustar ao braço do Xavi, o grupo tinha encontrado as contramedidas: primeiro, dois baldes de lodo; depois, uma ligação por fio entre a porta de entrada na tabanca e o grande extintor que lhe ficava três metros à frente; por último, um grande quadro com letra bem desenhada expressando o seguinte: os Fuzileiros, frente a uma tabanca IN, (o nosso 2.º Mandamento)...

Os baldes de lodo ficariam por cima das portas de acesso aos cotes e o dito, ao ser colocado, vinha fresquinho; por sorte, um encontrava-se recheado com uma gaivota que havia praticado o seu último mergulho. Tudo preparado por altura do recolher. De momento, restar-nos-ia apenas aguardar que a noite avançasse e que o Xávi deixasse largar os seus impulsos…

O que aconteceu por volta das duas da manhã foi magnífico!... A porta abre-se, a luz acende-se e…um silvo diz-nos que a primeira armadilha havia sido accionada, acompanhado de um Oh! a confirmar os efeitos. Em paralelo, o grande quadro lembrava que um princípio táctico havia sido violado por um Fuzileiro Especial; porém, o momento não aconselhava dar cedências ao flanco…

"Sim senhor, pá, é mesmo assim pá, vejo que estão a aprender pá" – e lá cai o balde de lodo, quando a porta do cote é aberta, certamente para o Sr. Tenente felicitar a acção dos cadetes… Ao formarmos, foi a ordem recebida, qualquer coisa nos poderia acontecer.

Nada ultrapassaria a imagem multicolor do Sr. Tenente Xavier!...

A propósito da tabanca, não seria possível a sua recuperação à época, mostrando como dormíamos, como arrumávamos o nosso uniforme de licença e o nosso equipamento de combate?... Se nada se fizer, daqui a uns anos não haverá mostra de nenhum artigo, nem se poderão medir quaisquer imagens do passado... Talvez por terem uma história muito curta, os americanos preservam tudo o que tem significado e que pertenceu a ontem. Com este procedimento manterão, no futuro, imagens que os mais antigos normalmente perdem.

Quanto ao 13.º CFORN em geral, esse era constituído por jovens provenientes do então todo nacional. Para além da grande e longa formatura nocturna, na qual os Srs. oficiais Escolinhas pretendiam saber quem havia roubado o boné do Belfas (designação também carinhosa), a qual destroçou sem sucesso para o outro lado, recordo os momentos de angústia claramente sentidos pelo «cadetame» detido por motivos escolares, no fim de semana, ao verem partir de licença e, garbosamente fardados, os outros camaradas. De facto, o teste de Organização não tinha corrido bem para uns tantos.

As imagens do passado dizem-me que alguns ocupam hoje cargos importantes, mas eu prometo levar este saber para a tumba!

Para todos um grande abraço




Hernâni Vidal de Rezende
CMG FZE - 13º CFORN




Fontes:
Texto compilado e actualizado pelo autor do blogue a partir do publicado na Revista n.º 17 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Março 2004; Imagens do do autor do blogue;


mls

05 agosto 2017

Angola - Reserva Naval nos Dembos


2TEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros, 5.º CEORN - Ferido em Combate nos Dembos

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 6 de Fevereiro de 2010)




O 2TEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros pertenceu ao 5º CEORN e ingressou na Marinha de Guerra em 4 de Outubro de 1962.

Promovido a Aspirante RN em Maio de 1963, foi destacado para prestar serviço em Angola, no Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 6, tendo sido ferido em combate em complexa operação na região dos Dembos.

Mais tarde, veio a ingressar nos Quadros Permanentes da Marinha de Guerra - SEG.




Foi Comandante do DFE 6 o 1TEN AN João Fernandes Mendes Barata tendo como Oficial Imediato o 2TEN António Alexandre Welti Duque Martinho e 3.º Oficial o STEN FZE RN Manuel José de Almeida Corrêa de Barros.


Fontes:
Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África 1961/74 - Guiné, Luis Sanches de Baêna, 2006; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Ordem da Armada 1.ª Série n.º 26 de 3Jun1964; Arquivos do autor;


mls