11 setembro 2018

NRP «Zarco» - Veleiro da Marinha


O veleiro NRP «Zarco» - antigo «Blaus VII»

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Agosto de 2011)







O NRP «Zarco» foi desenhado pelo arquitecto naval e designer holandês Peter Sijm e construído em 1983 nos estaleiros "Jachtwerf Jongert BV" situados em Medemblik na Holanda, tendo tido vários proprietários até 2007, ano em que foi registado em Espanha com o nome «Blaus VII».

Em Fevereiro de 2007, no âmbito da operação “Agrafo” de combate ao narcotráfico, em cooperação com a Policia Judiciária, o «Blaus VII» foi abordado a 100 milhas do Arquipélago da Madeira por uma equipa do Destacamento de Ações Especiais, lançada a partir da corveta NRP «António Enes».






A bordo foram encontrados 1.500 quilogramas de cocaína. Nesse mesmo ano, após o estabelecimento de um protocolo de cooperação com a Policia Judiciária, a Marinha Portuguesa ficou com a responsabilidade de assegurar a sua guarda e manutenção, bem como a sua regular utilização, tendo sido transferido para a Escola Naval para utilização como veleiro de instrução de cadetes em substituição do NRP «Vega».






Para além dos embarques de instrução dos cadetes da Escola Naval, o navio efectua igualmente missões no âmbito do CINAV, Centro de Investigação Naval.

Em 3 de julho de 2015, o «Blaus VII» foi aumentado ao efectivo dos navios da Marinha Portuguesa e rebaptizado como NRP «Zarco».





Fontes:
Fotos do espólio pessoal do autor deste blogue captadas na Marina de Portimão em 5 de Agosto de 2011 e texto compilado a partir do site da Marinha em https://www.marinha.pt/pt/os_meios;


mls

05 setembro 2018

Metangula, 1969 - Amália Rodrigues em Moçambique


Lago Niassa - Amália Rodrigues na Base Naval de Metangula

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 16 de Outubro de 2011)





1920-1999


No mês em que decorreu mais um aniversário sobre a sua morte aqui fica um testemunho de homenagem à fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século passado.











Fontes:
Fotos gentilmente cedidas pelo Almirante Espadinha Galo e pelo 2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN (falecido);




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

03 setembro 2018

Penamacor – Monumento aos Combatentes do Ultramar

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 29 de Agosto de 2011)

"In Memoriam" Coronel José Monteiro Grilo







Foi inaugurado no dia 1 de Junho de 2011, dia do concelho de Penamacor, o monumento em homenagem aos Combatentes do Ultramar, erigido na rotunda poente da Avenida da República que assim quiseram honrar os irmãos de armas e entes queridos mortos no campo de batalha, cujos nomes figuram na base do monumento em pequenas lápides de pedra com placas em latão gravadas.






Um pouco por todo o país, vai-se alargando significativamente a simbologia permanente aos Combatentes do Ultramar pela edificação de monumentos ou simples memoriais que evocam, de forma diversa mas comum no sentimento partilhado de um povo, a recusa de deixar cair no esquecimento aqueles que combateram ao serviço de Portugal na Guerra do Ultramar.

Especial e justificada relevância para os que não regressaram ao país, à família e aos seus, desde então privados ad eternum do convívio de um pai, marido, filho, irmão, noiva ou simples familiar.

Mágoa impossível de escamotear pela óbvia justificação da “morte em combate” ou “no cumprimento do dever pátrio” pela vida arrebatada precocemente, pese embora a evocação de valores, tão defensáveis nos ideais da preservação da defesa nacional como discutíveis no resultado último da morte, consequências do recurso à guerra ao serviço da incompreensão do Homem.

Penamacor era também terra de naturalidade do meu sogro. Homem de arreigados princípios e valores que da sua personalidade eram atributos, escolheu a carreira militar no Exército como vida profissional. Conheci-o já como oficial superior, no posto de Coronel, reformado.




Perfil de recorte digno e educado, culto e austero, partilhava com alegria parcos momentos familiares, mas raramente abordava a Instituição e as muitas vivências havidas nas várias frentes onde combateu.

Nas ocasiões pontuais em que comigo abordava essa temática, sempre timidamente, adivinhava-se-lhe um espírito marcado por cicatrizes e mágoas acumuladas pelo tempo que nem Família, Instituição ou País ajudaram a sarar.

Excepção para o brilho dos olhos, sorriso e o regresso às brincadeiras infantis que os netos sempre nele despertaram.




O tríptico do monumento de Penamacor, esculpido em pedra, recortando as costas marítimas dos três teatros de guerra, Angola, Moçambique e Guiné simboliza, de todo, uma vida inteira como a dele, dedicada às armas e ao dever.

Não caiu em combate mas foi caindo aos poucos.

Na Índia, corria o ano de 1961, então já como capitão, foi feito prisioneiro de guerra no Estado Português da Índia no Campo de Pondá.

Em Moçambique onde desempenhou comissões por duas vezes, primeiro 1954/1957 e mais tarde 1963/1965.

Em Angola de 1967/1968, foi ferido em combate num joelho, em emboscada da CCaç 1639 que comandava, integrada no BCaç 1901.

Finalmente na Guiné, 1970/1971, já como oficial superior, integrado no Comando do Agrupamento 2970 (futuro CAOP 2) problemas graves de saúde obrigaram à sua evacuação.

Falta-me capacidade pessoal e engenho criativo para ajuizar da resistência humana à possível sobrevivência fisica e psicológica de tão sucessivas quanto duras provações.

Caiu no último combate da vida na sequência de prolongada doença em missão última que a todos nos aguarda.

Aqui honro a memória de todos os Combatentes de Penamacor e a dele particularmente.

Foi uma honra ser seu genro, Sr. Coronel.






Fonte (familiar):
O Coronel de Infantaria José Monteiro Grilo nasceu na Vila de Penamacor no dia 5 de Dezembro de 1930 e faleceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 2009; fotos do autor do blogue.


mls

27 agosto 2018

53º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Set86


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 12 de Julho de 2011)

53.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval




Registo de família na portaria da Escola Naval, da esquerda para a direita:
Fila inferior: José Eduardo Sabido Gualdino Ferreira Martins, Luís Filipe Pires Fernandes, Luís Filipe Matos de Araújo Maia e Nuno Manuel de Abreu Veloso;
Fila (degrau) do meio: Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco, António Manuel da Silva Bernardes, António Jorge Aldinhas Ferreira e Jorge Manuel Fernandes Nunes;
Fila (degrau) superior: Manuel de Oliveira dos Santos, António Cândido Lampreia Pereira Gonçalves, Orlando António Pires Leitão, João Antero Nascimento dos Santos Cardoso e Jorge Manuel Moita Nunes Pereira.



Do 53.º CFORN foram alistados inicialmente 17 cadetes da classe de Marinha, no dia 15 de Setembro de 1986. Daquela incorporação, terminaram o curso e foram promovidos a Aspirante a Oficial 13 elementos (*), em 14 de Março de 1987.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante António Carlos Fuzeta da Ponte e foi Director de Instrução o Capitão de Mar-e-Guerra José Luis Ferreira Leiria Pinto.




O Juramento de Bandeira na parada da Escola Naval.
Da esquerda para a direita, fila da frente: José Eduardo Sabido Gualdino Ferreira Martins, Jorge Manuel Fernandes Nunes, António Manuel da Silva Bernardes, Manuel de Oliveira dos Santos
e Nuno Manuel de Abreu Veloso;
Fila de trás: Luís Filipe Pires Fernandes, Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco e,
mais à direita ou atrás, já não se conseguem identificar


No final do período de instrução, o "Prémio Reserva Naval" foi entregue ao cadete da classe de Marinha, António Jorge Aldinhas Ferreira. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.

A exortação aos cadetes esteve a cargo do CTEN Sajara Madeira e presidiu à cerimónia o Almirante CEMA que passou revista ao Corpo de Alunos em parada, após o que se seguiu o habitual desfile.

Mais tarde foram destacados para as seguintes Unidades e Serviços:

ASP RN José Eduardo Sabino Gualdino Ferreira Martins, LFP «Águia";
ASP RN António Jorge Aldinhas Ferreira, navio-patrulha «Cacine»
ASP RN Orlando Pires Leitão, navio-patrulha «Quanza» e, mais tarde, LFP «Albatroz»;
ASP RN Jorge Manuel Moita Nunes Pereira, LFP «Andorinha»;
ASP RN António Cândido Lampreia Pereira Gonçalves, requisitado pelo Estado;
ASP RN João Antero Nascimento dos Santos Cardoso, Draga-Minas «S. Miguel»;
ASP RN Nuno Manuel de Abreu Veloso, NH «Almeida Carvalho»;
ASP RN Luis Filipe Pires Fernandes, navio-patrulha «Save»;
ASP RN Jorge Manuel Fernandes Nunes, LDG «Alabarda»;

Não se conhecem os locais para onde foram destacados cumprir missões os seguintes oficiais:

ASP RN Manuel de Oliveira dos Santos;
ASP RN Nelson Bruno Monteiro Ferreira Pacheco;
ASP RN António Manuel da Silva Bernardes;
ASP RN Luis Filipe Matos de Araújo Maia;

Este 53.º CFORN ficou conhecido como "Os Gorileiros", nome resultante de uma anedota contada por um dos elementos do curso sobre um cão gorileiro, espécie de feroz e voraz versão africana de um perdigueiro...




Em cima, embarque de fim-de-semana na fragata "Almirante Magalhães Corrêa" e, em baixo, na Escola de Limitação de Avarias, em instrução.



No dia 17 de Setembro de 2011, o 53º CFORN, "Os Gorileiros" reuniu-se para convívio e almoço 25 anos após a entrada na Escola Naval. O encontro teve lugar naquele Estabelecimento de Ensino.



(*) Nota - Os cadetes não mencionados, não concluiram o curso ou sairam da Marinha.


Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, compilado a partir do Anuário da Reserva Naval de Manuel Lema Santos, edição AORN, 2011; elementos e fotos do 53.º CFORN cedidos por Orlando Pires Leitão, 53.º CFORN;


mls

23 agosto 2018

LFP «Átria"»- P 360


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Átria» - P 360




A LFP «Átria»


Construída nos Estados Unidos era uma lancha rápida, em fibra de vidro e que desde 1972 estivera na Guiné, sob o nome de «Corsair». Fora abatida ao efectivo de Unidades Auxiliares da Armada em 31 de Janeiro de 1983.

Esta unidade naval tinha as seguintes características gerais:



No dia 1 de Fevereiro daquele ano, foi aumentada ao efectivo de navios da Armada como Lancha de Fiscalização, com o nome de LFP «Átria» e substituiu a LFP «Rio Minho» no serviço de patrulha e fiscalização da pesca no rio Minho.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 1 de Março de 1993, recebendo o nome de «Tainha» e passando a ser designada por UAM 831.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Átria» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Luís Manuel Mota Ferreira da Silva, 37.º CFORN, 08Abr83/14Set84;
2TEN RN José Manuel da Veiga Ferreira, 43.º CFORN, 14Set84/05Out85*




*A partir desta data e até ao seu abate não foi possível apurar os comandantes da LFP «Átria».

Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com foto de arquivo do autor do blogue cedida pela Revista da Armada;


mls


20 agosto 2018

LFP "Rio Minho" - P 370


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Rio Minho» - P 370

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 20 de Junho de 2011)




A LFP «Rio Minho» fundeada no rio Minho


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite e única da sua classe, foi destinada à navegação e fiscalização do Rio Minho e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 8 de Fevereiro de 1956 com a designação de Lancha de Fiscalização Fluvial. Em 9 de Outubro de 1959 passou a designar-se por Lancha de Fiscalização Pequena.

Esta unidade naval tinha as seguintes características gerais:




Permaneceu no Continente em missões de patrulha e de fiscalização de pesca ao longo de toda a costa norte. Em 1981 o seu estado geral era já bastante mau e com o motor de estibordo inoperativo.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Rio Minho» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

CFR António José de Barros Vieira Coelho, 09Out59/18Fev61;
CTEN José Marques Elpídio, 18Fev61/12Abr66;
CTEN Adriano Augusto Loureiro de Chuquere Gonçalves da Cunha, 12Abr66/14Nov68;
CTEN Fernando Miranda Gomes, 14Nov68/28Set72;
CTEN Paulo Joaquim Costa Teixeira, 28Set72/13Nov74;
CTEN João Manuel Velho da Silva Dias, 13Nov74/17Set75;
CTEN Manuel Gomes Araújo, 17Set75/13Set79;

Reserva Naval:

2TEN RN Noémio da Silva Moreira, 29.º CFORN, 13Set79/16Set80;
2TEN RN Manuel Albino das Costa Ribeiro, 31.º CFORN, 16Set80/08Set81;
2TEN RN José António Raimundo Mendes da Silva, 34.º CFORN, 08Set81/17Dez82;

Em 17 de Fevereiro de 1982 passou ao estado estado de desarmamento para posterior abate ao efectivo da Armada, o que se consumou em 17 de Dezembro daquele ano.






Nota:
Nova lancha com o mesmo nome e numero de costado foi construída no Arsenal do Alfeite em 1991 e especialmente concebida para missões de patrulha em águas pouco profundas, sendo de realçar o seu reduzido calado. Pelo mesmo motivo, não possui hélices nem lemes, sendo a sua propulsão e governo assegurados por dois jactos de água omni-direcionais, o que lhe confere excelente capacidade de manobra.

A lancha possui espaçosos alojamentos para a guarnição, constituída por um oficial e um sargento, ambos com camarote privativo, e seis praças. A sua compartimentação garante a sobrevivência da lancha mesmo com dois compartimentos contíguos alagados. Ainda se encontra ao serviço da Armada, mas não foi possível obter os nomes dos respectivos comandantes.





Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com foto de arquivo do autor do blogue cedida pela Revista da Armada


mls

16 agosto 2018

Anuário da Reserva Naval 1976/1992 de Manuel Lema Santos

Apresentação pelo Comandante Adelino Rodrigues da Costa

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 19 de Julho de 2011)





No dia 14 de Junho de 2011, por ocasião do 16.º Aniversário da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, no Museu de Marinha - Pavilhão das Galeotas, com a presença do Vice-Almirante José Augusto Vilas Boas Tavares, Director da Comissão Cultural de Marinha, diversas Entidades e Convidados, foi apresentado a edição "Anuário da Reserva Naval, 1976-1992".

A apresentação da obra foi efectuada pelo Comandante Adelino Rodrigues da Costa que, na ocasião, dirigiu as seguintes palavras às personalidades e convidados presentes:

" Foi com muito agrado que aceitei o convite que me foi dirigido pela AORN para apresentar o Anuário da Reserva Naval, nesta edição que regista e identifica o vasto conjunto de homens que, entre 1976 e 1992, serviram a Reserva Naval e a Marinha.

A minha aceitação desta tarefa resultou essencialmente da admiração pessoal que tenho pelo Manuel Lema Santos, o autor deste trabalho – que desde já felicito vivamente –, pela dedicação, persistência e seriedade como conduziu as suas pesquisas em fontes informativas muito dispersas, que não eram fáceis, nem isentas de contradições.

Porém, houve outras razões adicionais para que eu aceitasse este honroso convite. Uma delas é de natureza emocional. De facto, tenho mantido uma ligação muito próxima à Reserva Naval, bem como a muitos dos seus elementos e às suas memórias navais, porque entre 1968 e 1974 tive o privilégio de ter sido instrutor de sete CFORN – Cursos de Formação de Oficiais da Reserva Naval, além de muitos desses oficiais terem sido meus companheiros em diversas situações, nomeadamente em Moçambique e, sobretudo, nas barras e nos rios da Guiné.

Para além disso, também entendi que este convite me dava a oportunidade de louvar uma vez mais a AORN pelo trabalho que tem desenvolvido em prol da Marinha e de prestar a minha modesta homenagem aos seus primeiros presidentes da Assembleia Geral e da Direcção, que prematuramente nos deixaram e que aqui evoco com saudade – Ernâni Rodrigues Lopes e António Henrique Rodrigues Maximiano.

O Anuário da Reserva Naval que hoje é apresentado, constitui um notável trabalho que resulta da laboriosa actividade do seu autor e, naturalmente, de uma pesquisa documental muito vasta.

Creio estar em condições de fazer esta afirmação porque, há cerca de vinte anos, eu próprio passei por uma experiência semelhante à que viveu o Manuel Lema Santos e, portanto, sei por experiência própria, que neste tipo de pesquisa se sucedem muitas dificuldades e que há muitos obstáculos e lacunas de informação nos documentos que se consultam. Assim se consomem tempo e paciência que, por vezes, quase bloqueiam o andamento do trabalho e desesperam quem assumiu o desafio de chegar a um resultado final.

Por isso, embora as 116 páginas do Anuário da Reserva Naval nos possam sugerir uma ideia de facilidade ou de simplicidade, o facto é que essas páginas correspondem a um labor aturado e exigente de pesquisa e de selecção de informações, assim como de atenta resolução de muitas dúvidas e contradições.

Esta edição do Anuário vem revelar-nos uma nova visão do que foi a Reserva Naval e é um notável contributo para a preservação da sua memória histórica e da sua relação com a Marinha.

Por vezes, há a tendência para identificar a Reserva Naval com o período de 1958 a 1975, quando a previsão da guerra em África e as hostilidades que se mantiveram por 13 anos na Guiné, em Angola e em Moçambique, levaram a Marinha a procurar na sociedade civil e, em particular nas universidades, os homens que vieram reforçar os seus quadros, que comandaram lanchas de fiscalização, que embarcaram em todos os tipos de navios, que integraram os destacamentos e companhias de fuzileiros e que, de uma forma mais geral, deram um importante contributo para um certo rejuvenescimento e modernização da Marinha.

Se o contributo da Reserva Naval foi um facto que tanto valorizou a Marinha, a inversa também é verdadeira. Esses jovens de formação universitária também se valorizaram através da sua integração temporária na Marinha e dos conhecimentos que adquiriram sobre a organização e a cultura da corporação e, hoje, nas suas actividades e nas suas vidas, mantêm com orgulho essa marca marinheira.

Porém, este trabalho do Manuel Lema Santos revela-nos que, a partir de 1976 e já com as páginas da conflitualidade colonial encerradas, a Marinha decidiu continuar a procurar na sociedade civil um reforço de quadros e de especialistas de que necessitava para acompanhar as exigências da sua adaptação aos novos contextos operacionais, mas também às novas realidades democráticas e às suas mudanças políticas, sociais e, sobretudo, tecnológicas.

Nesse período decorrido entre 1976 e 1992, a Marinha incorporou 1885 oficiais cuja formação decorreu na Escola Naval ou na Escola de Fuzileiros, salientando-se que 414 se destinaram à classe de Marinha, 249 à classe de Médicos Navais, 484 à classe da Especialistas, 50 à classe de Técnicos, 666 à classe de Fuzileiros, 11 à classe de Engenheiros Construtores Navais e 11 à classe de Farmacêuticos Navais.

Estes números mostram que, embora num contexto operacional bem diferente do que acontecera entre 1958 e 1975, a Reserva Naval continuou a prestar importantes serviços ao País, através da nossa Marinha.

A edição que hoje nos é apresentada sumaria o historial da Reserva Naval entre 1976 e 1992, com uma detalhada descrição da evolução dos cursos realizados e uma elaborada Síntese Legislativa, que inclui a principal legislação publicada ao longo desse período, que foi muitas vezes alterada em função das necessidades da corporação e constitui um importante auxiliar para fundamentar futuros estudos sobre este tema.

Depois, o Anuário identifica os cursos e os cadetes das várias classes que os frequentaram, com a indicação das suas datas de nascimento, de alistamento e de promoção a Aspirante, constituindo uma notável base de dados que, até agora, não estava disponível.

Na sua parte final o Anuário da Reserva Naval inclui Informações Adicionais, onde se incluem diversas listagens – Comandantes da Escola Naval e da Escola de Fuzileiros, Directores de Instrução dos vários cursos, Prémios Reserva Naval atribuídos – e, ainda, uma interessante resenha ilustrada do nosso dispositivo naval entre os anos de 1976 e 1992, com uma apresentação inspirada nos Jane’s Fighting Ships.

Finalmente, para além do seu conteúdo objectivo, deve ser salientada a excelência da apresentação gráfica do Anuário, que muito o valoriza. Assim, o Manuel Lema Santos está de parabéns e é credor do reconhecimento da AORN e da Marinha, pelos resultados que obteve e pelo livro que hoje nos apresenta.

O Anuário é, portanto, um valioso repositório de informações sobre a Reserva Naval. Um dia, tal como hoje sucede com os registos do Arquivo Histórico da Biblioteca Central da Marinha e com as saudosas Listas da Armada, os Anuários da Reserva Naval serão um instrumento indispensável para a pesquisa histórica e para o conhecimento do que foi a Marinha na segunda metade do século XX, mas também do importante papel que os oficiais da Reserva Naval – mais de três mil – tiveram na sua na sua estrutura administrativa, técnica e operacional.

E nesta sala, que com as suas galeotas e aeroplanos nos evoca algumas das facetas mais simbólicas da nossa herança cultural marinheira, eu ouso perguntar se a Marinha podia ter sido uma prestigiada corporação e uma referência institucional da sociedade portuguesa, sem o enriquecedor contributo da Reserva Naval.
E ouso, também, dar a resposta:

Poder, podia, mas não era a mesma coisa!


Adelino Rodrigues da Costa
Lisboa, 14 de Julho de 2011




Edição disponível no Secretariado da Associação:



Rua da Junqueira, 1300-342 Lisboa
Telefone: 21 362 68 40 – Horário das 15 às 20H
Fax: 21 362 68 39
aorn95@reservanaval.pt
maria.antonieta@reservanaval.pt




Fontes: Alocução do Comandante Adelino Rodrigues da Costa em 14 de Junho de 2011; Anuário da Reserva Naval, 1976-1992, Manuel Lema Santos, edição AORN-2011;



Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto

10 agosto 2018

LFP «Dom Jeremias» - P 1149


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Dom Jeremias» - P 1149

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Junho de 2011)




A LFP «Dom Jeremias».



Construída nos estaleiros navais de S. Jacinto em Aveiro, foi a segunda e última da classe «Dom Aleixo», com as mesmas características gerais.

Foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 22 de Dezembro de 1967 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia. Inicialmente, houve a intenção de seguir para Timor mas a ideia foi abandonada.

Até princípio de Abril de 1968 decorreu o período de aprontamento e adestramento da guarnição com algumas deficiências, pelas constantes reparações a que o navio esteve sujeito, quer no Arsenal do Alfeite quer nos estaleiros responsáveis pela construção, em Aveiro. Houve que modificar a posição dos escapes dos motores principais e auxiliares, alterar o sistema eléctrico de iluminação e o sistema de descarga de água dos motores.

Com o apoio da fragata «Diogo Gomes», largou de Lisboa em 10 daquele mês rumo a Cabo Verde, juntamente com a LFP «Dom Aleixo», tendo aportado a S. Vicente em 18 de Abril depois de escalarem o porto do Funchal.

Permaneceu em missões de fiscalização naquele arquipélago durante cerca de 30 meses, até ao último trimestre de 1970. Regressou a Lisboa, novamente na companhia da «Dom Aleixo», em 27 de Outubro daquele ano.

Os anos de 1971 a 1975 passou-os no desempenho de missões de fiscalização da pesca na costa continental portuguesa, nomeadamente ao longo da costa algarvia.

A partir de 1976 foram-lhe atribuídas missões hidrográficas e oceanográficas, passando para a dependência do Instituto Hidrográfico.

Foi abatida ao efectivo da Armada em 19 de Dezembro de 1997.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Dom Jeremias» os seguintes oficiai:

Quadros Permanentes:

2TEN Carlos Alberto da Encarnação Gomes, 22Dez67/15Jan69;
2TEN José António dos Santos de Almeida Joglar, 15Jan69/09Fev72;
...............................................................

2TEN Luís Filipe Borges Pereira e Cruz, 25Ago76/02Set77;
2TEN Luís Maria Cabral Leal Faria, 02Set77/17Mar78;
2TEN José Alberto Alves dos Santos, 17Mar78/02Ago79;
2TEN João Adelino Delduque Pereira Gonçalves, 02Ago79/03Set80;
2TEN César Martinho Gusmão Reis Madeira, 03Set80/24Ago82;
2TEN Diogo Alberto Font Xavier da Cunha, 24Ago82/08Set83;
2TEN Edgar Marcos de Bastos Ribeiro, 08Set83/14Set84;
2TEN Manuel Alexandre Pinto de Abreu, 14Set84/05Out85*

Reserva Naval:

..............................................................

STEN RN Francisco de Oliveira de Castro Paradela, 16.º CFORN, 09Fev72/24Out72;
STEN RN José Manuel da Veiga Ferreira, 19.º CFORN, 24Out72/01Set75;
STEN RN Eurico Teixeira Ladeira, 23.º CFORN, 01Set75/03Set75;
STEN RN José Carlos Baptista Santos, 23.º CFORN, 03Set65/18Dez75;
STEN RN José Guilherme dos Santos Alves, 25.º CFORN, 18Dez75/25Ago76;
.............................................................

*A partir desta data e até 1997 não foi possível apurar os comandantes da LFP «Dom Jeremias».


Navios da mesma classe: LFP «Dom Aleixo», LFP «Dom Jeremias».


Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP's), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

08 agosto 2018

LFP "Dom Aleixo" - P 1148


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Dom Aleixo» - P 1148

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 8 de Junho de 2011)





A LFP «Dom Aleixo»


Foi construída nos Estaleiros de S. Jacinto em Aveiro e deu o nome à classe «Dom Aleixo». Posta de lado a ideia inicial de seguir para Timor, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 22 de Dezembro de 1967 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:




Até princípio de Abril de 1968 decorreu o período de aprontamento e adestramento da guarnição com algumas deficiências, pelas constantes reparações a que o navio esteve sujeito, quer no Arsenal do Alfeite quer nos estaleiros responsáveis pela construção, em Aveiro.

Houve que modificar a posição dos escapes dos motores principais e auxiliares, alterar o sistema eléctrico de iluminação e o sistema de descarga de água dos motores.

Com o apoio da fragata «Diogo Gomes», largou de Lisboa em 10 daquele mês rumo a Cabo Verde, juntamente com a LFP «Dom Jeremias», tendo aportado a S. Vicente em 18 de Abril depois de escalarem o porto do Funchal.

Permaneceu em missões de fiscalização naquele arquipélago durante cerca de 30 meses, até ao último trimestre de 1970. Regressou a Lisboa, novamente na companhia da «Dom Jeremias», em 27 de Outubro daquele ano.

Os anos de 1971 e 1972 passou-os, na sua maior parte, no Arsenal do Alfeite, a fim de efectuar grandes reparações, largando esporadicamente para efectuar experiências de máquinas, leme e de outras estruturas.

Após o final deste último ano desempenhou missões de fiscalização da pesca na costa continental portuguesa, nomeadamente ao longo da costa algarvia, tendo voltado ao Arsenal do Alfeite em 4 de Dezembro de 1973 para novas reparações e calibrações. Regressou à costa algarvia em 22 de Abril de 1974 onde continuou a desempenhar missões de fiscalização da pesca.

A partir de 1976 foram-lhe atribuídas missões hidrográficas e oceanográficas. Em 1988 e 1989 esteve em missão o arquipélago da Madeira. Em 30 de Abril de 1996 passou ao estado de desarmamento e foi abatida ao efectivo da Armada em 31 de Julho de 1997.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Dom Aleixo» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN José Manuel da Conceição Grade, 10.º CFORN, 22Dez67/24Nov69;
2TEN RN Joaquim Manuel Nunes Serra, 14.º CFORN, 24Nov69/18Out71;
2TEN RN Carlos Augusto Fernandes Lopes, 18º CFORN, 18Out71/02Out73;
2TEN RN João Rodrigues de Oliveira, 22.º CFORN, 02Out73/01Set75;
2TEN RN Eurico Teixeira Ladeira, 23.º CFORN, 02Set75/26Mar76;
.............................................................
2TEN RN Jorge Filipe Ramos Silva Guerreiro, 29.º CFORN, 13Set79/05Set80;
2TEN RN Manuel Augusto Moutinho da Silva, 31.º CFORN, 05Set80/09Set81;
2TEN RN Carlos Manuel de Abreu Matias Ângelo, 34.º CFORN, 09Set81/13Abr83;
2TEN RN Helder António Carrilho Figueiras , 38.º CFORN, 13Abr83/14Mar84;
2TEN RN Álvaro Fernando G. Amzalak dos Santos, 41.º CFORN, 14Mar84/03Abr85;
2TEN RN José António Raimundo Mendes da Silva, 44.º CFORN, 03Abr85/05Out85;*

Quadros Permanentes:
.............................................................
2TEN António Carlos da Cruz Cordeiro, 26Mar76/15Nov77;
2TEN António Tomé Robalo Cabral, 15Nov77/13Set79;

*A partir desta data e até 1997 não foi possível apurar os comandantes da LFP «Dom Aleixo»





A LFP «Dom Aleixo» a navegar

Navios da mesma classe: LFP «Dom Aleixo», LFP «Dom Jeremias».


Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP's), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

05 agosto 2018

Guiné, 1966-Lancha de Fiscalização Grande no rio Cacine


Registo no “Diário Náutico” de uma LFG - Lancha de Fiscalização Grande

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 7 de Junho de 2006)




Em cima, mapa do rio Cacine e, em baixo, a LFG "Orion" a navegar




Noite fechada, na ponte da LFG – Lancha de Fiscalização Grande, radar em cima, o oficial apresta-se para fundear o navio na foz do rio Imberém, a montante do aquartelamento de Cacine, na margem esquerda do rio.

Maré na vazante, lancha a navegar para montante, pessoal de “quarto“ atento nos postos, mestre na proa, ao guincho.

Em sequência rotineira, mãos nos comandos das máquinas da ponte, reduz para máquinas avante devagar. Quase de seguida, pequena pausa e pára as máquinas.

O marinheiro do leme aguenta o rumo, o navio desliza as derradeiras jardas contra a corrente até quase se imobilizar.

Da ponte são dadas instruções para ser largada a amarra. Ouve-se o barulho metálico das quarteladas que deslizam no escovém e o ferro que mergulha na água.

Entretanto o navio imobiliza-se, lentamente descai e o ferro unha no fundo lodoso.

Volta à faina, navio fundeado.

Pessoal e lancha entorpedecidos na imensidão temporal de um cruzeiro, entre um suspender de ferro, navegar acima e abaixo por tempo indeterminado, o fundear de novo.

Quartos uns iguais aos outros, ora para montante ora para juzante, horas de fiscalização a cumprir

Na margem, as luzes do aquartelamento de Cacine bruxuleiam no cacimbo da noite e, mais longe, por cima do arvoredo a mancha luminosa das luzes da Cacoca e Gadamael, os dois aquartelamentois mais próximos.

O registo do diário náutico, páginas vazias de imaginação, o pensamento longe, a mão que se arrasta em cima do calhamaço, rabiscando o que nunca há-de ser lido, quem sabe?




Esboços no Diário Náutico de uma LFG - Lancha de Fiscalização Grande

Por vezes, durante o dia, o PAIGC, da Ponta Canabém, da outra na margem do rio, frente ao aquartelamento de Cacine, entende "participar nas festas" com morteiradas e uma ou outra rajada de metralhadora pesada na direcção do aquartelamento. Sempre sem consequências, por curtas na distância, mas o objectivo é mesmo incomodar.

Em alguns casos a LFG presente suspendia ferro e, reduzindo a distância, fazia questão de retribuir de perto o cumprimento com as peças de 40 mm, calando o inimigo.

Neste caso, nada de notável a registar. O regresso ao silêncio, ficam os esboços e o pessoal de quarto em serviço.


Fontes:
Texto de Manuel Lema Santos, 8.º CEORN, compilado e editado por mls; extracto do mapa do rio Cacine da "Carta da Porvíncia da Guiné", Ministério do Ultramar, 1961; fotos de arquivo do autor do blogue com cedência do Arquivo de Marinha e do Alf Mil João Alves Martins, BAC1, Bissum, Piche, Bedanda e Guileje, 1967/69;


mls

31 julho 2018

"In Memoriam" Professor Doutor Agostinho Almeida Santos - O último embarque de um antigo Oficial da Reserva Naval


2TEN MN RN Agostinho Diogo Jorge de Almeida Santos
8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval





Agostinho Almeida Santos


Aqui nesta modesta homenagem recordo Agostinho Diogo Jorge de Almeida Santos, alguns dias depois de ter deixado o nosso convívio, dia 14 passado.

Infausta notícia que, chegando tardia no meu conhecimento, não me impede de manifestar, à família enlutada e a todos os amigos pessoais, um enorme sentimento de pesar pela perda havida.

Dissertar aqui sobre o percurso pessoal e profissional de Agostinho Almeida Santos é objectivo para que assumo humildemente não ter dimensão, quer pelo relativo afastamento pessoal quer profissional, ambos condicionados por rumos de vida diferenciados.

A comunicação social especializada e a própria Assembleia da República, em diferentes formas de manifestada homenagem, expressaram e difundiram a notícia da perda de tão humana quanto erudita personalidade.

Limito-me aqui a mencionar algumas das possíveis referências:



In "Notícias de Coimbra"

"...O médico e professor catedrático de ginecologia, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), realizou, pela primeira vez, em Portugal, a técnica de procriação medicamente assistida, designada por GIFT (Transferência de Gâmetas para a Trompa), “método que propiciou o nascimento do primeiro bebé em junho de 1988”, refere um resumo curricular de Agostinho Almeida Santos do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida...."

"...Naquela que terá sido uma das suas últimas entrevistas de vida, efectuada por Braga da Cruz e Américo Santos, dois dos grandes timoneiros do Clube da Comunicação Social de Coimbra, o reputado médico lembrou que se sentia “o pai de 17 mil crianças” nascidas no seio de casais que não tinham filhos..."


In "Público"

"...Segundo a mesma nota, Agostinho Almeida Santos fundou e dirigiu o programa de reprodução medicamente assistida, que funciona em Coimbra, desde 1985. Entre 2005 e 2007, foi o presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Na vida académica, publicou 185 trabalhos científicos, proferiu mais de 400 palestras e foi o responsável pelas disciplinas de Obstetrícia e Ética, Deontologia e Direitos Médicos da FMUC.

Membro de 18 sociedades científicas nacionais e internacionais, desempenhou funções de perito da Comunidade Económica Europeia na área de investigação em bioética. Autor do livro Razões de Ser, associado aos problemas e futuro da bioética, Agostinho Almeida Santos manteve uma actividade universitária de forma ininterrupta desde 1965, sublinha a mesma nota curricular.

Em 2011, com a intervenção da troika, alertou para a necessidade de se ajudarem os portugueses mais pobres, no acesso aos cuidados de saúde. "Vamos ter em Portugal, dentro de pouco tempo, pessoas que não têm dinheiro, nem amigos, mas vão precisar de ter acesso à saúde", disse então, frisando que se tratava de "um problema cívico", que devia mobilizar todos...."




Largamente difundida em toda a comunicação social, a notícia do desaparecimento de tão ilustre personalidade da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra com vasto e riquíssimo percurso médico, científico, académico, humano e pessoal, transporta-nos a memória ao mês de Setembro de 1965, ano em que ingressou num grupo de 68 Cadetes na Escola Naval, na classe de Médicos Navais do 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, onde se manteve até Fevereiro de 1968, ano em que foi licenciado, passando à vida civil no posto de Segundo-Tenente.




8.º CEORN, na portaria da Escola Naval em foto de família - Agostinho Almeida Santos (ao centro do círculo),
Jorge Miranda (à esquerda), António Palma Fernandes (à direita) e Frederico Silveira Machado (atrás)





Foto de grupo do 8.º CEORN - Em cima, da esquerda para a direita: Augusto de Athaide Albergaria, Agostinho Almeida Santos, Frederico Silveira Machado, José Silveira Godinho, Manuel Castro Norton e António Simões Pereira; em baixo, Mário Rocha de Sousa

Em Abril de 1966, depois da habitual viagem de instrução nas fragatas «Corte Real» e «Diogo Cão», seguiu-se o Juramento de Bandeira com a promoção a Aspirante a Oficial.

Agostinho Almeida Santos foi então destacado para o NRP «São Gabriel», vindo a integrar como Médico Naval a Companhia de Fuzileiros n.º 2 em Moçambique, onde permaneceu até 1968, ano em que foi licenciado, regressando à vida civil no posto de Segundo-Tenente.




Buarcos, 1992 - Em cima, da esquerda para a direita:
José Silveira Godinho, Martinho Pereira Coutinho, Agostinho Almeida Santos, Alexandre Ferreira Borrego, António Simões Pereira, António Cardoso da Silva e Manuel Lema Santos;
Em baixo, Joaquim José Carvalho, Luis Mata de Oliveira, Mário Rui Nunes e Fernando Nunes Serra com a companhia de várias das respectivas senhoras presentes;


Nunca esqueceu a Marinha e os camaradas de curso "Filhos da Escola". Anos mais tarde, em Novembro de 1992, empenhou-se na organização de um Encontro-Convívio dos elementos do seu curso da Escola Naval, 8.º CEORN-Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, reunindo em Coimbra/Buarcos vários antigos companheiros e respectivas senhoras, convívio repetido por sua iniciativa em 1994, sempre num ambiente de grande fraternidade e amizade, características de uma personalidade eminentemente humanista e social.




Dois momentos do 1.º Encontro de Médicos no Hospital de Marinha



Em 27 de Fevereiro de 1999, integra a Comissão Organizadora e participa no 1.º Grande Encontro de Médicos da Reserva Naval, numa organização da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, com o apoio do Hospital de Marinha que encerrou na secular Sala da Farmácia com a já tradicional hospitalidade da Marinha.



Na revista n.º 11 da mesma Associação, em Abril de 2000, sob o título «Saúde e Medicina» publicou um artigo denominado "Clonagem Humana - Um Horror Quase Possível".


Entre 19 e 21 de Setembro de 2003, esteve presente como elemento e sócio participante no Primeiro Encontro Nacional da Reserva Naval, numa organização da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval que teve lugar na Figueira da Foz, no Centro de Artes e Espectáculos.




Encontro Nacional da Reserva Naval, Set2003 - Em cima, Agostinho Almeida Santos no secretariado e, em baixo no decorrer do Jantar Convívio de encerramento




Agostinho Almeida Santos apoiou ainda e encabeçou a direcção e organização de uma Delegação das Beiras da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval.

Depois de uma reunião prévia decorrida em 8 de Julho, em Coimbra, no Hotel Astória, continuada num convívio a 6 de Setembro, em 24 de Outubro de 2003 nasceu aquele Núcleo, então a bordo do "Basófias", com mais de 30 camaradas da Reserva Naval presentes.

Promovido por Agostinho Almeida Santos, acompanhado pelos camaradas Corte-Real, Maia de Carvalho e João Paulo Craveiro, com o apoio do Polo Norte que apadrinhou, o Núcleo das Beiras viu finalmente o baptismo do mar com o nome de "Granel das Beiras".




Agostinho Almeida Santos na sua alocução

Sobre aquele momento escreveu então Agostinho Almeida Santos:

"...Coimbra não tem mar mas tem marés. E foi numa maré cheia de uma lua nova que uma vintena de bravos marinheiros de antanho subiram o Mondego numa barcaça sem quilha, flutuando ao sabor da sorte a bordo de um “Basófias”. Após lauto repasto os intrépidos guerreiros bradaram às armas e decidiram navegar a vante.
Para se reabastecerem, semanas depois, no porão da ré de um couraçado bairradino. Com o Luís Pato ao leme, o imediato suporte dos comandos do “Polo Norte” e a fragância das espumantes ondas, o iluminado espírito do camarada Pires da Rosa fez baptismo do “Granel das Beiras” que há-de ser figura de proa da nau do Centro à conquista das mares da costa que nos banha.
Todos seremos agora poucos para no “Granel das Beiras” honrarmos um passado de que nos orgulhamos, ao serviço da Armada Portuguesa.
Agostinho Almeida Santos
8º CEORN



Desde a vinda a este mundo que todos estamos ao portaló a aguardar a hora de chamada para o último embarque, agora num horizonte de vida necessariamente estreitado pelas milhas já percorridas.

Até breve!


Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Lista da Armada; Fotos de arquivo pessoal do autor do blogue; Revistas da AORN-Associação dos Oficiais da Reserva Naval, nº 9-Mar1999, n.º 11-Abr2000 e n.º 17-Mar2004;


mls

29 julho 2018

LFP "Cisne" - P 1167


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Cisne» - P 1167

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 22 de Maio de 2011)




A LFP «Cisne»


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite, quinta e última da classe «Albatroz», com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1976 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

A LFP «Cisne» construída como uma lancha rápida de fiscalização e patrulhamento, outrora dispondo de uma peça de artilharia de 20 mm, foi depois equipada com um alador de redes, fruto da reconversão do navio, levada a cabo em 1999, para a actividade de controlo e fiscalização da pesca nas águas sob jurisdição nacional do continente, o que lhe conferia interessantes características de operacionalidade.

Desde a sua incorporação, guarneceu os dispositivos da Zonas Marítimas do Centro e do Sul, com algumas incursões à Zona Norte, realizando diversas missões, nomeadamente de fiscalização da pesca, repressão do contrabando, busca e salvamento, controle da poluição no mar, fiscalização dos esquemas de separação de tráfego marítimo existentes ao largo da costa. Desde a alteração sofrida em 99, executou também missões específicas de alagem de artes caladas em situação presumivelmente infractora.

Durante os períodos em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Cisne»os seguintes oficiais:

Reserva Naval

STEN RN Alexandre Maria Lindim Vassalo, 31Mar76/16Ago76;
STEN TE RN Joaquim Pereira de Oliveira, 25.º CFORN, 16Ago76/26Jan77;
...............................................
STEN RN José Pedro de Sá Campos Gil, 32.º CFORN, 11Mar81/10Mar82;
STEN RN Mário Manuel Soares Alves, 35.º CFORN, 10Mar82/13Abr83;
STEN RN Paulo San-Bento de Sousa Almeida, 38.º CFORN, 13Abr83/20Mar85;
STEN RN João Carlos Gonçalves Lanzinha, 44.º CFORN, 20Mar85/05Out85*

Quadros Permanentes:
...............................................
2TEN Joaquim António Saloio Ganhão, 26Jan77/25Ago78;
2TEN José Domingos Pereira da Cunha, 25Ago78/02Jun80;
2TEN Eduardo Miguel Cardoso Botelho, 02Jun80/11Mar81;

*Em Outubro de 1985 continuava no comando do navio e a partir desta data não foi possível apurar os comandantes da LFP «Cisne» que ainda se encontra ao efectivo da Armada


Tendo sido comandada por vários oficiais da Reserva Naval, a partir de finais de 1991, passou a ser comandada por oficiais dos Quadros Permanentes.

Até ao final da sua vida operacional não foi possível apurar os comandantes da LFP «Cisne» que, nesta data, já se encontrava abatida ao efectivo dos navios da Armada.




A LFP "Cisne" em mais uma das suas missões.

Navios da mesma classe: «Albatroz», «Açor», «Andorinha», «Águia» e «Cisne»


Fontes:
Texto compilado de Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos da Revista da Armada.


mls

23 julho 2018

LFP «Águia» - P 1165


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Águia» - P 1165

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 22 de Maio de 2011)




A LFP «Águia»


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite e a quarta da classe «Albatroz», com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 22 de Fevereiro de 1975 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando seis dias depois.

Durante os seus anos de operacionalidade desempenhou missões de fiscalização da pesca na costa continental portuguesa, nomeadamente ao longo da costa algarvia.

Durante os períodos em que tem estado operacional foram comandantes da LFP «Águia» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Abílio Simões de Oliveira Pinheiro, 22.º CFORN, 28Fev75/08Set75;
2TEN RN Manuel Carlos de Azevedo e Melo, 24.º CFORN, 08Set75/21Jan76;
STEN TE RN Lídio Marques Fernandes, 25.º CFORN, 21Jan76/14Set76;
...............................................
STEN RN João Miguel Rocha Frota Cúcio , 30.º CFORN, 24Mar80/11Mar81;
STEN RN José Alexandre Antunes Serra, 32.º CFORN, 11Mar81/10Mar82;
STEN RN Amândio Augusto Pires Águeda, 35.º CFORN, 10Mar82/13Abr83;
STEN RN António Luís Ribeiro Pereira de Sousa, 38º CFORN, 13Abr83/12Mar84;
STEN RN Jorge Fernando da Silva Simão, 43º CFORN, 12Mar84/11Set85;
STEN RN Jorge Manuel Ramos da Silva, 46.º CFORN, 11Set85/05Out85;*

Quadros Permanentes:
...............................................
2TEN Augusto Mourão Ezequiel, 14Set76/15Nov77;
2TEN José António Saramago Fidalgo, 15Nov77/25Ago78;
2TEN Carlos José de Jesus Conceição, 25Ago78/24Mar80;


*Em Outubro de 1985 continuava no comando do navio;
Até ao final da sua vida operacional não foi possível apurar os comandantes da LFP «Águia» que, nesta data, já se encontrava abatida ao efectivo dos navios da Armada.


Em Agosto de 2003, sofreu alterações ao projecto de construção inicial, tendo a peça de 20 mm montada no castelo sido substituída por um "alador" de redes de pesca.

Tendo sido comandada por vários oficiais da Reserva Naval, a partir de finais de 1991, passou a ser comandada por oficiais dos Quadros Permanentes.




A LFP «Águia» atracada em Vila Real de Sto António.

Navios da mesma classe: «Albatroz», «Açor», «Andorinha», «Águia» e «Cisne»


Fontes:
Dicionário de Navios & Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada.


mls

22 julho 2018

LFP «Andorinha» - P 1164


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Andorinha» - P 1164

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 20 de Maio de 2011)




A LFP «Andorinha»


Construída nos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite e a terceira da classe «Albatroz», com as mesmas características gerais, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 20 de Dezembro de 1974 e entregue ao primeiro oficial a exercer o comando nesse mesmo dia.

Durante os seus anos de operacionalidade desempenhou missões de fiscalização da pesca na faixa continental portuguesa, nomeadamente ao longo da costa algarvia. Em 30 de Junho de 2001 subiu o rio Douro até Peso da Régua.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Andorinha» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Artur Augusto Leal Mimoso, 22.º CFORN, 20Dez74/08Set75;
2TEN RN Luís Filipe Silva de Castro Vilas-Boas, 25.º CFORN, 08Set75/16Ago76;
2TEN TE RN Miguel de Sousa Ramos Maximiano, 25.º CFORN, 16Ago76/15Nov77;
...............................................
2TEN RN José Jorge Pinto Ribeiro Torres , 29.º CFORN, 28Dez79/16Set80;
2TEN RN António Manuel Perez da Silva Babo, 31.º CFORN, 16Set80/02Set81;
2TEN RN Rui Manuel Perdigão dos Santos Coelho, 32.º CFORN, 02Set81/30Mar83;
2TEN RN Francisco Luís Gomes Osório Bernardo, 38.º CFORN, 30Mar83/17Fev84;
2TEN RN José Carlos Baptista do Nascimento e Silva, 41.º CFORN, 17Fev84/29Mar85;
2TEN RN Henrique Duarte Repolho, 44.º CFORN, 29Mar85/05Out85*

Quadros Permanentes:
...............................................
2TEN Augusto José Brito da Silva, 15Nov77/25Ago78;
2TEN Mário Manuel Lajoso, 25Ago78/28Dez79;


*A partir desta data e até 2001 não foi possível apurar os comandantes da LFP «Andorinha» que, nesta data, já se encontra abatida ao efectivo da Armada.






A LFP «Andorinha» a navegar ao largo da costa da Algarve

Navios da mesma classe:
«Albatroz», «Açor», «Andorinha», «Águia» e «Cisne»


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos de arquivo do autor do blogue - Arquivo de Marinha e Revista da Armada;


mls

21 julho 2018

Guiné, 1967 - O rio Cacheu num esquiço...


A LFG - Lancha de Fiscalização Grande «Lira» em patrulha no rio Cacheu

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2006.06.20)





Para montante do Porto de S. Vicente, o leito do rio estreitava perigosamente, pouco excedendo em alguns troços, dois comprimentos de navio.

Sentia-se no ar a pestilência da bolanha, coalhada pela pesada humidade que asfixiava o ar. Pairava uma ameaça constante por detrás da cerrada vegetação.

Uma densa neblina como que amortalhava por inteiro a zona, fazendo pesar ainda mais o silêncio, apenas interrompido pelo piar agudo das aves que debandavam assustadas à passagem da lancha de fiscalização.

Apenas se ouvia o ronronar das máquinas e o ruído do gerador, abafados pelo rufo fechado. As antenas de comunicações curvavam-se para as margens, quase que roçando as pernadas do frondoso tarrafo.

Assomavam os primeiros alvores do dia, o sol coalhado pela humidade do ar deixando ver ao fundo uma embarcação de cabotagem.

Na asa de bombordo da ponte, uma metralhadora MG 42 guarnecida. Tudo parecia sossegado mas a prudência recomendava essa rotina.

Saracoteando-se ora a bombordo ora a estibordo, o Cacheu estendia-se no enfiamento da proa adivinhando-se, mais à frente, uma curva para bombordo de contornos imprecisos.

Outra e mais outra, sempre, numa dança infindável. Desfilavam em sucessão as lalas de Canja, Barro e o porto de Ganturé (Bigene) na região do Olossato.

A proa, recortada pelo reflexo da água, cortava o rio lodoso e barrento, rasgando caminho ao navio para montante, para voltar a fechar à popa. A esteira da água amortecia-se na distância, como se nada tivesse sulcado o leito.

Mais para vante, Porto Coco, Jagali e Tancroal, adensavam o receio de uma possível emboscada nas lalas com a mata ao fundo. Peças guarnecidas a bordadas ou mesmo postos de combate.

Instruções aos artilheiros pelo telefone, o trabalhar dos motores das peças de 40 mm e os cadenciados tiros de reconhecimento. A aproximação à curva seguinte e, de novo, silêncio e o tarrafo.

Lá muito a montante da foz, 95 milhas depois, Farim.

Era assim o Cacheu, místico e traiçoeiro.


Fontes:
Texto do autor do blogue com imagem de arquivo cedida por especial cortesia do CMG (fal) Carlos Dias Souto, então 1TEN e comandante da LFG "Lira".




Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8.º CEORN, 1965/1972
1966/1968 - LFG "Orion" Guiné, Oficial Imediato
1968/1970 - CNC/BNL, Ajudante de Ordens do Comandante Naval
1970/1972 - Estado-Maior da Armada, Oficial Adjunto